Pb Francisco Barbosa
TEXTO ÁUREO
“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14).
Entenda o Texto Áureo:
- E o
Verbo se fez carne A "carne" designa o homem na sua condição
de fraqueza e de mortalidade (cf. 3,6; 17,2; Gn 6:3; Sl 56:5; Is 40:6). O
emprego deste termo (ver Rm 7:5+) sublinha o realismo da vinda do Filho na
"carne", que João não cessa de pôr em evidência. Mais tarde,
falar-se-á de "encarnação" (cf. 1Jo 4; 2; 2Jo 7 e, em Paulo, Rm
1:3-01 4,4; FI 2,7; Cl 1:19). e habitou entre nós; A presença
invisível e temível de Deus na Tenda ou no Templo da antiga aliança (Ex 25:8+;
Nm 35:34) e à presença espiritual da Sabedoria em Israel, pela Lei mosaica
(Eclo 24,7-22; Br 3,36-4,4), segue-se, pela encarnação do Verbo, a presença
pessoal e tangível de Deus entre os homens. e nós vimos a sua glória,
A Glória era a manifestação da presença de Deus (Ex 24:16+). Seu fulgor
temível, que nenhum mortal podia contemplar (Ex 33:20+), estava velado outrora
pela nuvem e, agora, pela humanidade do Verbo encarnado; ela transparece, no
entanto, em certas ocasiões, como na transfiguração (cf. Lc 9:32.35 /alusão
aqui?/) ou por "sinais" de que Deus permanece e age em Cristo (2,11+;
11,40; cf. Ex 14:24-27; e 15,7; 16,7s), aguardando a plena manifestação da
ressurreição (17,5+). "Graça e verdade" (1,17)
correspondem à "graça" (ou: amor) e "fidelidade", na
definição que Deus dá de si mesmo a Moisés (Ex 34:6; cf. Os 2:16-22).
VERDADE PRÁTICA
O Verbo de
Deus inseriu-se na história, assumindo a forma de homem para redimir os
pecadores.
Entenda a Verdade Prática:
- João ressalta
que o Verbo preexistente assumiu plenamente a existência humana, para se fazer
igual aos seres humanos, ser aperfeiçoado em aflições e manifestar-lhes a
glória de Deus (conforme Fp 2:5-11; He 2:10-11,He 2:14). Em Jesus Cristo (Jo
1:17), o Deus invisível se faz visível (Cl 1:15). Ver Jo 1:14).
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 1.1-14.
1. No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era
Deus.
- No
princípio era a Palavra [ἐν ἀρχῇ ἦν ὁ λόγος]. O livro de Gênesis abre
com ἐν ἀρχῇ ἐποίησεν ὁ θεὸς τὸν τὴν καὶ καὶ γῆν. Mas João começa seu hino sobre
o Logos criador ainda mais atrás. Antes que qualquer coisa seja dita por ele
sobre a criação, ele proclama que o Logos estava em ser originalmente-ἐν ἀρχῇ ἦν,
não ἐν ἀρχῇ ἐγένετο ( veja para a distinção em João 8:58). Esta doutrina também
é encontrada no Apocalipse. Nesse livro, Cristo também é chamado a Palavra de
Deus (Apocalipse 19:13), e Ele é apresentado (Apocalipse 22:13) como
pretendendo a pré-existência: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último,
o início e o fim”. Paulo, que não aplica o título de “Logos” a Cristo, mas tem
a mesma doutrina de Sua preexistência: “Ele é antes de todas as coisas”
(Colossenses 1:17). Com esta comparação com as palavras atribuídas a Jesus em
João 17:5. Filo não ensina a pré-existência do Logos; mas um paralelo próximo à
doutrina de João é a afirmação da Sabedoria (σοφία) em Provérbios 8: 23, κύριος
… πρὸ τοῦ αἰῶνος ἐθεμελίωσέ με ἐν ἀρχῇ, πρὸ τοῦ τὴν γῆν ποιῆσαι, João nunca
emprega a palavra σοφία (ou σόφος), enquanto ele usa λόγος do Cristo Pessoal
somente aqui e no versículo 14; mas é a doutrina hebraica do Verbo Divino
(λόγος προφορικός) e não a doutrina grega da Razão Divina imanente (λόγος ἐνδιάθετος)
que rege seu pensamento sobre a relação do Filho com o Pai. λόγος é
aparentemente usado para o Cristo Pessoal em Hebreus 4:12 (esta dificuldade não
precisa ser examinada aqui); como nós a consideramos ser em 1João 1:1, ὃ ἦν ἦν ἀπʼ
ἀρχῆς ὃ ἀκηκόαμεν … περὶ τοῦ λόγου τῆς ζωῆς (veja para ἀπʼ ἀρχῆς em 15:27
abaixo). a Palavra estava junto de Deus [καὶ ὁ λόγος ἦν πρὸς τὸν θεόν].
εἶnai προς τινα não é uma construção clássica, e o significado de προς aqui não
é totalmente determinado. Geralmente é traduzido como apud, como em Marcos 6:3,
Marcos 9:19, Marcos 14:49, Lucas 9:41; mas Abbott (Diat. 2366) insiste que πρὸς
τὸν θεον carrega o sentido de “tendo em conta Deus”, “olhando para Deus”
(compare com João 5:19). Esse senso de direção pode estar implícito em 1João
2:1 parakleton ἔχομεν πρὸ τὸν πατρερα, mas menos provavelmente em 1João 1:2, τὴν
ζωὴν τὴν αἰώνιον ἥτις ἦν πρὸς τὸν πατέρα, o que proporciona um paralelo próximo
à presente passagem. Em Provérbios 8:30, a Sabedoria diz de sua relação com
Deus, ἤμην παρʼ αὐτῷ: e da mesma forma em João 17:5, Jesus fala de Sua glória
pré-incarnada como sendo παρὰ σοί. É improvável que João quisesse distinguir os
significados de παρὰ σοί em João 17:5 e de πρὸς τὸν θεόν em 1:1. Não podemos
obter aqui uma melhor interpretação do que “a Palavra estava com Deus”. O
imperfeito ἦν é usado em todas as três sentenças deste versículo e é expressivo
em cada caso de existência contínua e atemporal. e a Palavra era Deus [καὶ
θεὸς ἦν ὁ λόγος] – “a Palavra era Deus” (sendo a construção semelhante a πνεῦμα
ὁ θεός de João 4:24). θεός é o predicado, e é anartro, como em Romanos 9:5, ὁ ὢν
ἐπὶ πάντων θεός. L lê ὁ θεός, mas isto identificaria o Logos com a totalidade
da existência divina, e contradiria a sentença anterior. [Bernard, 1928]
2. Ele estava no princípio com Deus.
- Aqui, a
primeira e a segunda declaração (Jo 1:1) são combinadas numa só; reafirmando
enfaticamente a distinção eterna entre a “Palavra” e Deus (“o Pai”), e Sua
ligação com Ele na Unidade da Divindade. [JFU, 1866]
3. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito
se fez.
- foram
feitas – trazidas à existência. todas as coisas – todas as coisas
absolutamente (como é evidente em Jo 1:10; 1Coríntios 8:6; Colossenses 1:16-17;
mas colocadas além da questão pelo que se segue). foi feito – Isso é uma
negação da eternidade e não-criação da matéria, que foi mantida por todo o
mundo do pensamento fora do judaísmo e do cristianismo: ou melhor, sua própria
criação nunca foi tão sonhada, salvo pelos filhos de religião revelada.
[Jamieson; Fausset; Brown]
4. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens.
- Nela
estava a vida – essencialmente e originalmente, como os versos
anteriores mostram ser o significado. Assim, Ele é a Palavra Viva, ou, como é
chamado em 1João 1:1-2, “a Palavra da Vida”. a vida era a luz dos seres
humanos – Tudo aquilo nos homens que é a verdadeira luz – conhecimento,
integridade, sujeição voluntária a Deus, amor a Ele e às suas criaturas,
sabedoria, pureza, alegria santa, felicidade racional – tudo isso “luz dos
homens” tem sua fonte na essencial “vida” original da “Palavra” (1João 1:5-7;
Salmo 36:9). [Jamieson; Fausset; Brown]
5. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
- as
trevas não prevaleceram contra ela – ou então, “as trevas não a
compreenderam” (ACF).
6. Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
- O evangelista
aqui se aproxima de sua grande tese, abrindo assim seu caminho para a
declaração completa dela em Jo 1:14, para que possamos suportar a luz brilhante
dela, e captar em seu comprimento, largura, profundidade e altura. [Jamieson;
Fausset; Brown]
7. Este veio para testemunho para que testificasse da luz, para que todos
cressem por ele.
- para
que todos por ele – João, o batista.
8. Não era ele a luz, mas veio para que testificasse da luz.
- Ele
não era a Luz (compare com Jo 1:20; Jo 3:28; Atos 19:4).
9. Ali estava a luz verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo,
- ilumina
a todo ser humano… – sim, “que, vindo ao mundo, ilumina todo homem”;
ou, é “a luz do mundo” (Jo 9:5). “Entrar no mundo” é uma descrição supérflua e
bastante incomum de “todo homem”; mas é de todas as descrições de Cristo a mais
familiar, especialmente nos escritos deste evangelista (Jo 12:46; 16:28; 18:37;
1João 4:9; 1Timóteo 1:15, etc.). [Jamieson; Fausset; Brown]
10. estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu.
11. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
- seu...
seus. É provável que "seu" se refira ao mundo da humanidade
em geral, enquanto "seus" se refere à nação judaica. Como Criador, o
mundo pertence ao Verbo, sendo propriedade dele, mas o mundo nem mesmo o
reconheceu por causa da cegueira espiritual (cf. também v. 10). |oão usou
"seus" em sentido mais restrito para se referir à linhagem física de
Jesus, os judeus. Embora possuíssem as Escrituras que testificam da pessoa e da
vinda dele, ainda assim não o aceitaram (Is 65.2-3; Jr 7.25). Esse tema da
rejeição judaica do seu prometido Messias recebe atenção especial no Evangelho
de João (12.37-41 j.
12. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos
de Deus: aos que creem no seu nome,
- o poder
– ou melhor, “o direito” ou “privilégio”. Aqueles que “creram em Seu nome”,
isto é, O aceitaram como o Filho divino de Deus, e o Salvador do mundo,
receberam o privilégio de se tornarem verdadeiros filhos de Deus. [Dummelow,
1909]
13. os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da
vontade do varão, mas de Deus.
- Esta filiação
conferida aos homens não depende da descendência humana de Abraão (sangue), nem
das relações sexuais de seus pais (vontade da carne), nem pode ser obtida por
vontade ou desejo, isto é, esforço humano (vontade do homem). É um dom gratuito
e sobrenatural de Deus, interior e espiritual, implantado pelo Espírito Santo,
e dependente da união com Cristo para a sua subsistência. [Dummelow, 1909] nasceram
(compare com Jo 3:3,5; Tiago 1:18; 1Pedro 1:323; 1Pedro 2:2; 1João 3:9; 1João
4:7; 1João 5:1,4,18). [não] do sangue (compare com Jo
8:33-41; Mateus 3:9; Romanos 9:7-9) – ou seja, “não nasceram de linhagem
humana” (A21).
nem da vontade do
homem (compare com Salmo 110:3; Romanos 9:1-5; Romanos 10:1-3; Filipenses 2:13;
Tiago 1:18). mas sim de Deus (compare com Jo 3:6-8; Tito 3:5; 1João 2:2829).
14. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como
a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
- o
Verbo se fez carne. Conquanto Cristo como Deus seja não criado e eterno
(veja notas no v. /), a palavra "tornou-se" enfatiza Cristo assumindo
a humanidade (cf. Hb 1.1-3; 2.14-18). Esse fato é certamente o mais profundo de
todos porque indica que o infinito tornou-se finito; o Eterno foi conformado ao
tempo; o Invisível tornou-se visível; o Ser sobrenatural reduziu-se ao natural.
Na encarnação, entretanto, o Verbo não deixou de ser Deus, mas tornou-se Deus
em carne humana, ou seja, plena divindade em forma humana como um homem (ITm
3.1b). habitou. Significa "fincar o tabernáculo" ou
"morar numa tenda". O termo lembra o tabernáculo do AT, onde Deus se
encontrava com Israel antes do templo ser construído (Êx 25.8). Chamava-se
"a tenda da congregação" (Êx 33.7; "tabernáculo do
testemunho" — Septuaginta), onde "falava o Senhor a Moisés face a
face, como qualquer fala a seu amigo'' (Êx 33.11). No NT. Deus escolheu habitar
entre o seu povo de uma maneira muito mais pessoal, tornando-se homem. No AT,
quando o tabernáculo foi concluído, a gloriosa presença de Deus encheu toda a
estrutura (Êx 40.34; cf. I Rs 8.10). Quando o Verbo se tornou carne, a gloriosa
presença da divindade estava incorporada nele (cf. Cl 2.9). cheio
de graça e de verdade. João provavelmente tinha em mente Êx 33—34. Naquela
ocasião, Moisés pediu que Deus lhe mostrasse a sua glória. O Senhor respondeu a
Moisés que desfilaria toda a sua "bondade" perante ele, e, então,,
enquanto desfilava, ele declarou: "o SENHOR... compassivo, demente e
longânimo e grande em misericórdia e fidelidade" (Êx 33.18-19; 34.5-7).
Esses atributos da glória de Deus enfatizam a bondade do caráter de Deus, especialmente
em relação à salvação. Jesus como YHWH do AT (8.58; "Eu SOU") exibiu
os mesmos atributos divinos quando habitou entre os homens na era do NT (Cl
2.9). vimos a sua glória. Embora a sua divindade estivesse oculta em
carne humana, há traços de sua divina majestade nos Evangelhos. Os discípulos
viram relances de sua glória no monte da transfiguração (Mi 17.1-8). A
referência à glória de Cristo, porém, não foi apenas visível, mas também
espiritual. Eles viram-no exibir os atributos ou características de Deus
(graça, bondade, misericórdia, sabedoria, verdade, etc.; cf. Êx 33.18-23). glória
como... do Pai. Jesus, na qualidade de Deus, exibiu a mesma glória que
a do Pai. Eles são um em natureza essencial (cr. 5.17-30; 8.19; 10.30). unigênito.
A palavra "unigênito" traz a ideia de "o único amado".
Portanto, expressa a ideia de peculiaridade singular, de ser amado como ninguém
outro. Por essa palavra, João enfatiza o caráter exclusivo do relacionamento entre
o Pai e o Filho na divindade (cf. 3.10,1 8; 1Jo 4.9). Não traz a conotação de
origem, mas de proeminência singular; por exemplo, foi usada para referir-se a Isaque
(Hb 11.17), que foi o segundo filho de Abraão (Ismael foi o primeiro; cf. Gn
16.1 5; 21.2-3).
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INTRODUÇÃO
Neste
trimestre, vamos estudar o Evangelho de João. Em comparação com os outros três
Evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas), o de João destaca-se especialmente por
centrar-se no ministério de Jesus em Jerusalém. O autor deste Evangelho, o
apóstolo João, redigiu este valioso documento com a intenção de revelar a
singularidade da natureza divina do nosso Senhor e, ao mesmo tempo, encorajar a
fé dos seus discípulos. Que possamos também ser fortalecidos e inspirados na
nossa fé em Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador.
- João escreveu
o quarto Evangelho para que leitores de todas as épocas creiam em Jesus Cristo
para a salvação (Jo 20.30-31). O evangelista inicia seus relatos com uma das
declarações mais detalhadas, entre todas encontradas no Novo Testamento, sobre
aa encarnação de Jesus. A convicção de que Deus assumiu uma natureza humana é
vital para o cristianismo (Jo 1.12; 1Jo 4.2; 2Jo 1.7). A singularidade da fé
cristã está diretamente relacionada com o ensino bíblico das duas naturezas de
Cristo. Há religiões que acreditam em um Deus infinito e transcendente. Mas a
doutrina da encarnação ensina que Deus se fez conhecer plena e pessoalmente ao
tomar a nossa natureza humana em si mesmo, vindo entre nós como homem sem, de
modo algum, deixar de ser o Deus eterno. Na História, houve aqueles que
procuraram lidar com as dificuldades da encarnação, ora sacrificando a
divindade de Cristo, ora a sua humanidade. Um estudo da encarnação do Deus
Filho é necessário para preservar a pureza dessa doutrina basilar da nossa fé,
bem como trazer lições práticas para a vida cristã.
Palavra-Chave: ENCARNAÇÃO
I. O EVANGELHO DE JOÃO
1. Autoria e data. O apóstolo João é o autor
do Evangelho que leva o seu nome. A confirmação da sua autoria encontra-se no
próprio texto (Jo 21.20,24) e também nos escritos dos denominados Pais da
Igreja. Admite-se que tenha sido escrito entre os anos 80 e 90 d.C. De acordo
com estudiosos, o Evangelho de João apresenta uma doutrina genuína sobre a
divindade de Jesus Cristo. Assim, as expressões “Verbo Divino” e “a Palavra que
se fez Carne” são de grande importância neste quarto Evangelho.
- Embora o nome
do autor não apareça no Evangelho, a tradição primitiva da igreja de maneira
forte e consistente o identificou como sendo do apóstolo João. Irineu (c. 130-200
d.C.), um dos pais da Igreja primitiva, foi discípulo de Policarpo (c. 70-160
d.C.), que foi discípulo do apóstolo João. Ele testificou com base na
autoridade de Policarpo que João escreveu o Evangelho já em idade avançada,
durante o tempo em que morou em Éfeso, na Ásia Menor (Contra Heresias 2.22.5;
3.1.1). Depois de Irineu, todos os pais da igreja aceitaram João como o autor do
Evangelho. Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.) escreveu que João, ciente
dos fatos relatados nos outros Evangelhos e sendo movido pelo Espírito Santo,
compôs um "Evangelho espiritual". Para reforçar a tradição primitiva
da igreja, há características internas significativas no Evangelho. Enquanto os
Evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos, Lucas) identificam o apóstolo João por
nome aproximadamente 20 vezes (incluindo passagens paralelas), o seu nome não é
diretamente mencionado no Evangelho de João. Em vez disso, o autor prefere
identificar-se como o discípulo "a quem Jesus amava" (13.23; 19.2S;
20.2; 21.7,20). A ausência de qualquer menção direta do nome de João é notável
quando se considera o papel importante que outros discípulos citados por nome
desempenharam nesse Evangelho. No entanto, a repetida autodesignação como o
discípulo "a quem Jesus amava", a omissão deliberada de João do seu
nome pessoal, reflete a sua humildade e celebra o seu relacionamento com seu
Senhor Jesus. Não havia necessidade de mencionar o seu nome, pois os leitores originais
entendiam claramente que ele era o autor do Evangelho. Além disso, mediante um
processo de eliminação baseado primariamente na análise de material nos caps.
20— 21, esse discípulo "a quem Jesus amava" acaba se revelando como
sendo o apóstolo João (p. ex., 21.24; cf. 21.2). Considerando-se que o autor do
Evangelho é preciso ao mencionar no livro os nomes de outros personagens, ele
não teria omitido o nome de João se o autor fosse outra pessoa que não o
apóstolo João.
2. O propósito do
Evangelho. O Evangelho
de João tem como um de seus propósitos levar o leitor a crer que Jesus é o
Cristo, o Filho de Deus, e, ao crer, encontrar a vida em seu nome (Jo 20.31).
Não é por acaso que os especialistas referem-se à primeira parte do primeiro
capítulo como “o prólogo de João”, ou seja, a “apresentação” desse Evangelho
(Jo 1.1-14). Neste trecho, o apóstolo apresenta Jesus como o Filho enviado de
Deus ao mundo para fazer parte da história (Jo 1.1). Assim sendo, o Logos é a
“Palavra Encarnada”.
- João deixa
claro que o Verbo eterno tornou-se homem de verdade; ou seja, assumiu
verdadeira humanidade. Porém, na encarnação, o eterno entrou no tempo. O rei da
glória tornou-se um indefeso bebê. Jesus se cansou fisicamente em viagens (Jo
4.6), teve sede (Jo 4.7; 19.28), abertamente chorou (Jo 11.33-35), sentiu-se
incomodado e compadeceu-se (Jo 11.33,38), sangrou (Jo 19.34) e morreu (Jo
19.30). Depois de sua ressurreição, Jesus provou aos discípulos que ele ainda tinha
um corpo real (Jo 20.24-29). João não quer dizer que ao se fazer carne o Verbo
deixou de ser o que era antes. A expressão "o Verbo se fez", em João
1.14, não significa que o Verbo se transformou em carne, alterando assim a sua
natureza divina. Ele adquiriu uma natureza humana sem, de modo algum, mudar a
sua natureza original. Ele continuou sendo o infinito e imutável Filho de Deus.
A palavra "carne" denota a natureza humana (Rm 8.3; 1Tm 3.16; 1Jo
4.2; 2Jo 7). Em sua encarnação, o Deus Filho submeteu-se a diversas mazelas
comuns à natureza do homem, enfraquecida e sujeita ao sofrimento e à morte,
embora, no caso do Salvador, isenta da mancha do pecado. Desde seu nascimento,
Jesus pagou um alto preço para nos salvar. O Verbo precisou se humilhar para
nos garantir salvação (Fp 2.5-8; Ef 4.9-10). Entretanto, mesmo em seu estado de
humilhação, ele jamais se despojou de sua divindade. Ele suportou todas as
consequências do pecado sem pecado ou culpa (Hb 4.15).
3. A Natureza de Jesus. Apesar de o Evangelho de
João sublinhar de forma clara a dimensão divina de Jesus, o apóstolo também
aborda a sua natureza humana (Jo 8.39,40; 9.11). Neste sentido, o Evangelho não
só realça a divindade de Jesus como Filho de Deus, mas também discute a sua
humanidade por meio da morte expiatória do nosso Senhor em favor dos pecados da
humanidade. Em João, tanto a divindade quanto a humanidade de Jesus são
afirmadas.
- João afirma
categoricamente que Jesus é o Deus eterno (v. 1-2,15). O Verbo que se fez carne
estava com Deus na obra da Criação. Ele já existia antes mesmo que houvesse
mundo. Não houve tempo em que ele não existisse. Jesus é o Pai da eternidade
(Is 9.6). Ele é o Senhor da glória (1Co 2.8). A eternidade é um atributo
exclusivo de Deus. No princípio (Gn 1.1), quando Deus sequer havia lançado os
fundamentos da terra, o Deus Filho já se encontrava face a face com o Deus Pai
(Jo 1.1; 17.20-24). Algumas declarações do próprio Senhor Jesus, no Evangelho
de João, reforçam o entendimento de sua existência pré-encarnada (Jo 6.38;
8.58). Apesar de revelar sua glória em seu ministério terreno, por meio de suas
obras (Jo 2.11), Jesus sempre foi revestido de majestade (Jo 17.5; 2Co 8.9). Jesus
é o Deus criador (v. 3,10) - Jesus é o Criador de tudo, do que é visível e do
que é invisível (Cl 1.16). A expressão "todas as coisas", em
Colossenses 1.16, torna evidente que Jesus Cristo possui com a Criação o mesmo
relacionamento que Deus Pai possui. Jesus é o agente do universo criado. Isso
significa que Jesus não foi um ser criado na sua encarnação. Ele é distinto da
Criação. Jesus, na verdade, é a causa do que existe (Rm 11.36; Hb 2.10). Ele é
antes e depois de tudo. Jesus Cristo é "o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o
Último, o Princípio e o Fim” (Ap 1.8; 21.6; 22.13). Ele é o Deus eterno que
criou o mundo (Jo 1.1-3,10) e o sustém (Cl 1.17). Alguns erroneamente
concluíram que a ausência de um artigo definido antes do substantivo
“Deus", no texto grego (Jo 1.1b) significa que "Verbo era um deus",
o que faria de Jesus Cristo um deus de qualidade inferior ao Deus Pai. Porém, estudiosos
do grego bíblico concordam que essa não é uma regra. Um bom exemplo aparece no
final do mesmo capítulo, quando Natanael confessa que Jesus é rei (Jo 1.49). No
texto grego, o substantivo "Rei" também está sem artigo definido, mas
é traduzido com o artigo definido: "...tu és o Rei de Israel!". Não
faria о menor sentido Natanael declarar que Jesus era um rei. O significado de
João 1.1, portanto, não é simplesmente que o Verbo tem características divinas,
mas que o Verbo é essencialmente Deus. Desde o início de sua vida, Jesus é o
Deus Filho encarnado. Jesus não é e nunca foi um ser inferior a Deus. Ele é o
próprio Deus que assumiu a carne e tornou-se plena e verdadeiramente
SINOPSE I
O Evangelho
de João foi redigido com o propósito de nos fazer crer que Jesus é o Verbo
Divino e, por consequência, termos vida nEle.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
MILAGRES QUE
CONFIRMAM A DIVINDADE DE JESUS
“João, a
testemunha ocular, escolheu oito dos milagres de Jesus (ou sinais e prodígios,
como o escritor os chama), para revelar a natureza humana e divina e a missão
vivificante dEle. Esses sinais são:
1) A
transformação da água em vinho (2.1-11);
2) A cura do
filho de um oficial do rei (4.46-54);
3) A cura do
homem coxo no Tanque de Betesda (5.1-9);
4) A
alimentação de mais de cinco mil pessoas pela multiplicação de alguns pães e
peixes (6.1-14);
5) A
caminhada de Jesus sobre as águas (6.15-21);
6) A
restauração da vista de um homem cego (9.1-41);
7) A
ressurreição de Lázaro (11.1-44);
8) Uma
surpreendente pesca, presente do Cristo ressurreto para os discípulos
(21.1-14).
[...] O sinal
mais importante do poder e da deidade de Jesus é a ressurreição; e João, como
testemunha ocular do túmulo vazio, forneceu um relato palpitante e
surpreendente e registrou várias ocasiões em que Jesus se manifestou após sua
ressurreição. João, o devoto seguidor de Cristo, pintou um fiel retrato do
poderoso Senhor, o eterno Filho de Deus. Ao ler a história nesse Evangelho,
comprometa-se a crer em Jesus e a segui-lo” (Bíblia de Estudo Aplicação
Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1410).
II. JESUS, O VERBO DE DEUS
1. A revelação que
ultrapassa o passado. Quando o
apóstolo João redigiu a introdução do primeiro capítulo do seu Evangelho, “no
princípio era o Verbo” (v.1), é provável que tenha como referência Gênesis 1.1.
Esse primeiro versículo do Evangelho mostra que o Verbo é Deus “no princípio”,
possuindo assim uma existência infinita, ou seja, não tem começo nem fim.
Assim, muito além do passado, desde o princípio, o Verbo já existia com Deus,
estava com Deus e é Deus (Jo 1.1).
- Além dos
comentários já postos no Texto Áureo e na leitura bíblica em classe, destaca-se
quatro relações do Verbo são descritas em 1:3-5.
Com o Mundo - Todas as coisas
foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez (3; cf. Sl 33:6-9;
Cl 1:15-17; Hb 1:2). A última oração, que é enfática, foi acrescentada para se
guardar contra as falsas doutrinas do século I "que atribuíam a origem de
certas existên-cias a criadores inferiores, ou consideravam a matéria como
auto-existente".
Com a Vida e a Luz -
Nele, estava a vida
e a vida era a luz dos homens (4). Aqui, o Verbo é visto como a Fonte da vida.
A vida biológica vem dele, com certeza, mas há mais. Regularmente usada neste
Evangelho, a palavra vida (zoe, 36 vezes; nunca bios, vida biológica) se refere
à vida "do alto" (3.3), à "vida eterna" (3:15-16; 20.31), à
vida abundante (10.10). Como Ele é a Fonte de toda a vida, também é Ele a Fonte
de toda a luz. A primeira criação do Verbo divino foi a luz (Gn 1:3). Da mesma
forma, o salmista fala da vida e da luz juntas: "porque em ti está o
manancial da vida; na tua luz veremos a luz" (S136.9). O Verbo encarnado
descreve a si mesmo como "a luz do mundo" (Jo 8:12). A luz e a vida
estão na ofensiva. A morte está destinada à derrota (11,26) ; as trevas do
túmulo são dispersadas pela luz penetrante e resplandecente.
Com o Homem - E a vida era a luz
dos homens (4). O Verbo é a Revelação pessoal de Deus aos homens. É pessoal
porque procede de Deus e é direcionada aos homens. O Verbo é "a luz
verdadeira, que alumia a todo homem que vem ao mundo" (1.9).
Com as Trevas - E a luz resplandece
nas trevas, e as trevas não a compreenderam (5). O Verbo eterno, em figuras de
luz e vida, veio aos homens que estão em trevas e morte. Por todo o quarto
Evangelho, estão os retratos da conseqüente luta entre a Luz e as trevas,
geralmente coroados de vitória pela Luz, mas às vezes não. Jesus deu vista
(luz) a um homem cego de nascença (cap. 9). Ele trouxe Lázaro do túmulo, da
morte e das trevas (cap. 11). Mas um que estava próximo a Ele, Judas
1scariotes, entrou na noite de trevas eternas (13.30). A palavra traduzida como
compreenderam, significando "entender", também significa
"vencer". Embora João pudesse ter em mente ambos os significados, o
segundo, juntamente com o tempo aoristo5 do verbo, é a promessa da vitória
definitiva e final para a luz, e para tudo aquilo que ela representa.
2. A natureza fundamental
do Verbo. Tal como
Deus é eterno, também o Verbo o é. Mais adiante, em Apocalipse, o apóstolo João
descreve o Verbo como “o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que
é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8). Assim, conforme seu
Evangelho, o evangelista apresenta Jesus como o “Logos de Deus”, a Palavra
Encarnada que habita entre os homens. Portanto, enquanto “Verbo encarnado”,
Jesus é reconhecido por muitos e adorado como Deus.
- Está claro
nas Escrituras o fato de que a finalidade da encarnação foi para salvar os
homens de seus pecados (Lc 19.10; Mt 9.13; Mc 10.45; Gl 4.4-5). Jesus é a fonte
de vida (v. 4), implica um contraste com todos os seres vivos que vieram à
existência pelo ato criativo do Verbo. Todos receberam vida por ele. Cristo, em
contraste, não apenas tem vida, mas ele é a própria vida (Jo 5.26; 14.6). Jesus
é o pão e a água da vida (Jo 4.14; 6.33,48). A vida que Jesus Cristo promete é
plena, abundante e eterna (Jo 10.10). Sem a vida que ele oferece, nós estamos
mortos em pecados e delitos (Ef 2.1,3,5). Espiritualmente, o ser humano está
morto, separado de Deus (Rm 3.10,23). Precisamos de uma nova vida, um novo
nascimento, para termos comunhão com Deus (Jo 3.3,7), e o novo nascimento para
a vida eterna só é possível pela fé em Cristo (Jo 3.16). João escreve que a
vida era a luz (Jo 8.12; 9.5; 12.46). Mais uma metáfora atribuída a Jesus
Cristo, que faz menção à sua obra de salvação (Lc 2.29-32). O ser humano luta
contra essa luz (Rm 1.18-32; 3.10-18; Ef 5.8). O apóstolo Paulo explica que
além da dureza do coração do homem, essa completa cegueira espiritual é causada
pelo diabo, o qual cega as pessoas para que não lhes resplandeça а luz do
evangelho da glória de Cristo (2Co 4.3-6). Vivemos em completa escuridão e
cativeiro espiritual até que Deus desvende nossos olhos e nos liberte do domínio
das trevas (Cl 1.13). Jesus é a luz que vence as trevas e possibilita a
humanidade ver a beleza da graça de Deus (Ef 1.18). Ele é a luz por intermédio
da qual passamos a ver o caminho de salvação. Assim como a luz solar é
imprescindível para os seres vivos, Jesus é a única luz capaz de dar vistas ao
homem, espiritualmente cego, e nova vida ao pecador. Jesus é a plenitude da
graça e da verdade (v. 14,17-18). Graça é favor de Deus concedido a quem não
merece. A graça tem o poder de transformar inimigos em filhos de Deus (Jo
1.12). João não sugeriu que não havia graça sob a Lei de Moisés (Êx 34.6), mas
afirmou que em Jesus Cristo graça e verdade alcançam a sua plenitude, a qual
está disponível para nós (2Co 8.9). Cristo, nosso Senhor, é a fonte infinita de
toda a graça. Somos salvos pela graça (Ef 2.8-9), vivemos pela graça (1Co
15.10). Por meio da lei não se poderia receber “graça sobre graça". A lei era
apenas preparatória. Ela serviu de guia para nos conduzir a Cristo (Gl
3.24-25). As leis dadas a Moisés eram sombras de verdades mais excelentes,
desvendadas em Jesus (Hb 10.1). Paulo diz que o fim da lei é Cristo (Rm 10.4).
Não obstante, a lei tenha sido dada ao povo de Israel como uma dádiva da
revelação de Deus, Jesus Cristo é a verdade final para a qual a lei apontava.
3. “No princípio era o
Verbo” (Jo 1.1). Conforme já
referimos, no grego do Novo Testamento, a palavra que se traduz por “verbo” é
logos e significa “palavra”. O conceito de logos traz consigo a noção de
expressão tanto da razão quanto da linguagem. Nesse sentido, a forma mais
adequada de compreender este termo relaciona-se com as maneiras pelas quais
Deus se manifesta ao ser humano. Assim, o conceito mais apropriado para logos
encontra-se em Jesus, que representa a expressão da divindade, a Revelação de
Deus.
- João, ao usar
o termo logos, faz uma síntese entre essas duas tradições. Ele não apenas
incorpora a ideia judaica de que Deus age por meio de sua Palavra, mas também
utiliza o conceito grego de um princípio racional divino. No entanto, ele vai
além de ambas as tradições ao afirmar que o logos se fez carne e habitou entre
nós (Jo 1:14). O Evangelho de João coloca o logos como fundamento da
cristologia. A afirmação de que o Verbo era Deus (Jo 1:1) destaca a unidade
essencial entre Cristo e o Pai, enquanto a declaração de que o Verbo estava
“com Deus” aponta para uma distinção pessoal. Esse equilíbrio entre unidade e distinção
é central para a compreensão cristã da Trindade. O termo “verbo” (grego logos)
designa Deus, o Filho, referindo-se à sua Divindade; "Jesus" e
"Cristo" referem-se à sua encarnação e obra salvífica. Durante os
primeiros três séculos as doutrinas a respeito da Pessoa de Cristo incidiram
intensamente sobre sua posição como o Logos. Na filosofia grega, o Logos era a
"razão" ou a "lógica", como força abstrata que trazia ordem
e harmonia ao universo. Porém, nos escritos de João, tais qualidades do Logos
estão unidas na Pessoa de Cristo. Na filosofia neo-platônica e na heresia
gnóstica (segundo e terceiro séculos d.C.), o Logos era visto como um dos
muitos poderes intermediários entre Deus e o mundo. Tais noções estão bem longe
da simplicidade do Evangelho de João. Neste v. I João afirma expressamente que
o Verbo é Deus. "No princípio" (uma clara referência às palavras de
abertura da Bíblia), o Logos já existia, e esta é uma maneira de afirmar a
eternidade que só Deus possui. João afirma claramente que "o Verbo era
Deus". Alguns têm observado que a palavra traduzida "Deus",
aqui, não é precedida do artigo definido e, com base nisto, dizem que a
expressão significa "um deus", mais do que propriamente
"Deus". É um erro entender assim. O artigo é omitido por causa da
ordem da palavra na sentença grega (o predicado "Deus" foi colocado
antes para ser enfatizado). O Novo Testamento nunca sustenta a ideia de
"um deus", expressão que implica politeísmo e conflitaria com o
consistente monoteísmo da Bíblia. No Novo Testamento, a palavra grega para
"Deus" ocorre frequentemente sem o artigo definido, dependendo da
exigência da gramática grega. A expressão "o Verbo estava com Deus",
indica uma distinção de Pessoas, dentro da unidade da Trindade. Pai, Filho e
Espírito Santo não são formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são
Pessoas eternas presentes desde "o princípio" (v. 2). A preposição
"com" sugere uma relação de estreita intimidade pessoal. Ver "Um
e Três: A Trindade", em Is 44:6.
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SINOPSE II
O Evangelho
de João retrata Jesus como o Verbo Divino que se fez presente na história.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
O VERBO
“O que João quis dizer com ‘o Verbo’? O termo
grego logos, traduzido para o português como ‘verbo’, foi bastante empregado
por teólogos e filósofos, tanto judeus como gregos, mas com significados
diferentes. Nas Escrituras Hebraicas, o Verbo é o Agente da criação (Sl 33.6),
a Palavra, a mensagem de Deus para o seu povo por intermédio dos profetas (Os
4.1), e a lei de Deus, seu padrão de santidade (Sl 119.11). Enquanto na
filosofia grega, o logos significa o princípio da razão que governa o mundo, o
pensamento; na cultura hebraica, é outra forma de referir-se a Deus. Assim, a
descrição de Jesus como o Verbo feita por João indica claramente que ele se
refere a um ser humano que conheceu e amou, mas ao mesmo tempo o Criador do
universo, a suprema revelação de Deus, a Deidade encarnada (1.14), o retrato
vivo da santidade de Deus, o único em que tudo subsiste (Cl 1.17). Para os
leitores judeus, afirmar que Jesus é a encarnação de Deus é blasfêmia. Para os
leitores gregos, dizer que ‘o Verbo se fez carne’ (1.14) era inconcebível. Para
João, o novo entendimento sobre o Verbo eram as Boas Novas de Jesus Cristo.”
(Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1413).
III. A ENCARNAÇÃO DO VERBO
1. A manifestação do Verbo
e a Luz do mundo. João
identifica Jesus como o Criador de todas as coisas, mediado pelo Pai através do
poder da sua Palavra (Jo 1.2,3). A seguir, ele faz uma distinção entre luz e
trevas (Jo 1.4,5). As “trevas” simbolizam a obscuridade espiritual provocada
pelo pecado. No entanto, Deus enviou João Batista para testemunhar e proclamar
sobre a Luz (Jo 1.6-8). A verdadeira luz é Cristo, que foi anunciado por João
Batista, mas que os homens decidiram rejeitar (1.9-12).
- O Verbo é a
Revelação pessoal de Deus aos homens. É pessoal porque procede de Deus e é
direcionada aos homens. O Verbo é "a luz verdadeira, que alumia a todo
homem que vem ao mundo" (1.9). Isaías, o profeta, clamou,
"Levanta-te, resplandece, porque já vem a tua luz, e a glória do SENHOR
vai nascendo sobre ti" (60.1). A profecia é cumprida; veio a verdadeira
Luz. Cristo é a Luz. O significado de verdadeira precisa de esclarecimento.
Dizer que Cristo é a Luz verdadeira sugere que todas as outras luzes são enganadoras
ou falsas. Mas isto não é o que João está dizendo. Antes, Cristo é a Luz real,
perfeita e genuína. As outras, por comparação (e.g., João Batista), são
imperfeitas, são sombras, ou não têm essência. Entretanto, embora não sejam a
luz verdadeira, não são falsas. O Evangelho de João tem sido frequentemente
chamado de Evangelho Universal, e assim ele é. Aqui, o autor escreve que o
Logos, o Cristo, é a Luz... que alumia a todo homem que vem ao mundo.
2. O privilégio de nos
tornarmos filhos de Deus. Enquanto Israel rejeitou a bênção da salvação através da obra do
Calvário, Deus ofereceu a todas as pessoas, independentemente da sua raça,
etnia ou língua, a oportunidade de se tornarem “filhos de Deus” pela fé no nome
de Jesus (Jo 1.12,13). Tanto aos judeus quanto aos gentios, a Luz manifestou-se
para revelar o plano divino de redenção a toda a humanidade. Assim, aos gentios
foi assegurada uma herança de filiação divina através do amor do Pai (1Jo 3.1).
Portanto, como crentes em Cristo, temos o privilégio de sermos chamados “filhos
de Deus”.
- Embora muitos
tenham rejeitado a Luz resplandecente, a revelação pessoal de Deus, muitos a
receberam. A palavra traduzida como poder (ou, melhor, "direito") não
descreve uma mera capacidade, mas uma autoridade legítima e por direito,
derivada de uma fonte competente que inclui a ideia do poder" (cf. Jo
5:27-10.18; 17.2; 19:10-11).9 Na Encarnação, Deus fez a provisão adequada para
que os homens tenham o direito -baseado na autoridade e no poder apropriados —
de se tornarem "filhos" de Deus. Tal direito não é uma capacidade
humana inerente, separada da graça de Deus. É dado por Deus. Somente os homens
que o recebem, i.e., aqueles que têm fé, são filhos de Deus. A auto-revelação
de Deus é universal; é para todos os homens (9), mas a resposta do homem, não.
Nem todos os homens têm fé. Há apenas uma maneira de se tornar filho de Deus,
que é ser gerado "de Deus". Nem mesmo ser o ancestral humano mais
ilustre e religioso é suficiente para se fazer parte da família de Deus. A
mulher samaritana (Jo 4:12) recorreu a Jacó como uma certificação de sua
posição religiosa, e os judeus frequentemente falavam com Jesus a respeito de
seu pai Abraão (Jo 8:33-39,53,57), como uma justificativa suficiente de sua
posição diante de Deus. O ensino de Jesus a Nicodemos, que era um mestre de
Israel, centralizou-se neste fato (Jo 3:3-5). Somente Deus pode dar vida
espiritual.
3. A manifestação e a
habitação do Verbo. A frase “o
Verbo se fez carne” sugere a humanização de Deus, que passou a viver entre os
homens. O termo “verbo” possui uma conotação muito mais rica e profunda do que
qualquer conceito filosófico: Deus entrou na história (Jo 1.14-18). É
importante notar a expressão “e habitou entre nós”. No texto grego, essa
expressão indica que “o Verbo armou seu tabernáculo, ou tenda, entre nós”.
Antes, Deus habitava numa tenda montada pelo seu povo; agora, de acordo com as
palavras do evangelista, Ele reside entre nós, representando a manifestação
plena da presença divina no mundo.
- A encarnação
significou a vinda do Deus Filho para habitar entre nós. A palavra
"habitar", em sua forma substantiva, também é traduzida como
tabernáculo: "... Eis o tabernáculo de Deus com os homens..." (Ap
21.3a). O tabernáculo era o lugar da habitação de Deus no meio do povo de
Israel (Ex 25.8; 29.45; Lv 26.11; Sl 68.18; Ez 37.27). Na encarnação do Deus
Filho, porém, não mais o templo, mas Jesus Cristo é a plena habitação de Deus.
A glória do Deus Pai é vista no Deus Filho. Jesus Cristo é a imagem do Deus invisível
(Cl 1.15). Já não é mais necessário subir o monte Sião e adentrar ao pátio do
templo de Israel para se encontrar com Deus, pois o caminho para adorar ao Pai
é o Filho, em espírito e em verdade (Jo 4.24). O Pai e o Filho são um (Jo 1.14;
14.9; 17.22,24). Jesus é o único caminho que nos conduz a Deus (Jo 14.6). Por
meio de sua morte e ressurreição, temos acesso à presença do Senhor (Hb
10.19-23). O Verbo se fez carne. O termo aqui traduzido como se fez na
verdade significa "tornou-se" (cf. Jo 1:6) ; portanto, ele descreve
com exatidão a entrada de Jesus na história. Falando ao mundo grego de seus
dias, João disse nos melhores termos possíveis que "o Logos da filosofia é
o Jesus da história"» Além disso, os gnósticos docéticos daquela época
afirmavam que não houve uma encarnação real — pensavam que o corpo de Jesus
fosse apenas uma "semelhança". Para eles, Cristo era, no máximo, uma
teofania — uma aparição de Deus em forma humana. Alegavam que o Verbo nunca se
tornou carne, realmente. Em oposição, João fez uma declaração simples, direta e
poderosa: O Verbo se fez carne (cf. 1 Jo 4:2-2 Jo 7). O Verbo se fez carne — uma linguagem perigosa quando separada de
seu contexto no quarto Evangelho, pois o autor não quer dizer que o Espírito se
transformou em carne e, portanto, tornou-se inútil, ou que o Espírito ou o
Verbo de Deus tornou-se algo visível ao olhar histórico. Ele, porém, quer dizer
que a carne de Jesus é o lugar onde os homens creram e descreram, e ainda o
fazem; onde a divisão entre aqueles que crêem e aqueles que não crêem torna-se
uma divisão definitiva entre os filhos de Deus e os filhos do Diabo. Qualquer
distinção relativa entre a fé e a descrença é impensável. A natureza da
Encarnação, como aqui apresentada, esclarece vários pontos. A humanidade do
Senhor era completa... (O Verbo se fez carne, e não um corpo ou coisa
semelhante.); A humanidade do Senhor era real e permanente... (O Verbo se fez
carne, e não se revestiu de carne); As naturezas humana e divina do Senhor
permaneceram sem mudanças, cada uma delas cumprindo o seu papel de acordo com
as suas próprias leis... (O Verbo se fez carne, ambos os termos são preservados
lado a lado.); A humanidade do Senhor era universal e não individual, incluindo
tudo o que pertence à essência do homem, sem levar em consideração sexo, raça
ou tempo (O Verbo se fez carne e não um homem.); As naturezas humana e divina do
Senhor estavam unidas em uma única pessoa...; O Verbo não adquiriu
personalidade através da Encarnação.' A. T. Robertson argumenta que a
declaração O Verbo se fez carne é
uma alusão à concepção virginal. Ele faz a pergunta retórica: "Que significado inteligente pode-se dar à
linguagem de João, aqui, separado da concepção virginal? Que mãe ou pai comum
fala de um filho 'tornando-se carne'?".
SINOPSE III
Por meio da
manifestação do Verbo de Deus, a Luz do Mundo, temos a bênção de sermos
considerados filhos de Deus.
CONCLUSÃO
Nesta lição,
tivemos a oportunidade de iniciar o estudo no Evangelho de João, mostrar a sua
relevância e o seu objetivo na vida da Igreja. Observamos que a revelação
sensível de Deus e a sua intervenção na história tornam o Evangelho de João uma
obra única do Novo Testamento. Em João, entendemos que a Encarnação do Verbo
trouxe luz plena àqueles que cressem. Assim, através da fé em Jesus, somos
denominados e feitos “filhos de Deus”.
- Jesus Cristo
é perfeitamente humano, santo, inculpável, puro, separado dos pecadores. É
também verdadeiro Deus, em honra, majestade e poder, exaltado acima dos céus.
Ele, voluntariamente, se entregou para que o homem fosse libertado do pecado.
Louvado seja o Senhor, o qual, por causa de seu tão grande amor, deu o seu
único Filho ao mundo, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha
vida eterna (Jo 3.16). Confie plenamente em Jesus. Descanse em Jesus, pois ele
tem toda autoridade sobre o céu e a terra (Mt 28.18). Confie que Jesus Cristo
tem o poder de colocar todas as coisas em ordem, pois ele é o Deus eterno, o
criador de tudo (Jo 1.1-3). O nome de Jesus é o nome sobre todo nome (Fp 2.9).
Não há nada que resista à voz de comando de Cristo. Ele é o rei dos reis e
senhor dos senhores. Você tem confiado nele? A oração é uma ótima ferramenta
para você aprender a descansar em Jesus (Fp 4.6-7).
Tudo já valeu a pena, mas a maior recompensa ainda está por vir.
Que o mundo saiba que Jesus Cristo é o seu Senhor!
Dele seja a glória!
_______________
Francisco Barbosa (@Pbassis)
Non
Nobis Domine, Non Nobis
• Graduado em Gestão Pública;
• Teologia pelo Seminário Martin Bucer
(S.J.C./SP);
• Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);
• Professor de Escola Dominical desde
1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS,
2000-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima),
2010-2014; Ig Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, 2015).
• Pastor da Igreja de Cristo no Brasil
em Campina Grande/PB
Servo,
barro nas mãos do Oleiro.
_______________
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REVISANDO O CONTEÚDO
1. Qual é a doutrina que o
Evangelho de João explora?
De acordo com estudiosos, o Evangelho de
João apresenta uma doutrina genuína sobre a divindade de Jesus Cristo.
2. De que forma o apóstolo
João retrata Jesus no seu Evangelho?
O apóstolo apresenta Jesus como o Filho
enviado de Deus ao mundo para fazer parte da história (Jo 1.1).
3. Conforme a lição, qual é a
maneira mais apropriada de interpretar a palavra logos?
O conceito mais apropriado para logos
encontra-se em Jesus, que representa a expressão da divindade, a Revelação de
Deus.
4. De que modo o apóstolo
João destaca Jesus Cristo?
João identifica Jesus como o Criador de
todas as coisas, mediado pelo Pai através do poder da sua Palavra (Jo 1.2,3).
5. Que significado carrega a
expressão “o Verbo se fez carne”?
A frase “o Verbo se fez carne” sugere a
humanização de Deus, que passou a viver entre os homens, ou seja, Deus entrou
na história.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O VERBO QUE
SE TORNOU EM CARNE
Caríssimo(a)
professor(a), a paz do Senhor. É com grande satisfação que iniciamos mais um
trimestre de estudos com a revista Lições Bíblicas Adultos, editada pela CPAD.
Nesta nova oportunidade, estudaremos o Evangelho de João. Sua classe aprenderá
preciosas lições a partir de um estudo sistemático deste Evangelho, que é tão
rico em detalhes sobre a vida pessoal de Jesus e o relacionamento dEle com Seus
discípulos.
Nesta
primeira lição, veremos que o Verbo de Deus entrou na história humana,
tornando-se um ser humano com a finalidade de nos salvar dos pecados. O
primeiro capítulo constitui o prólogo do Evangelho de João. Isso significa que
nessa parte do livro podemos encontrar os primeiros elementos que introduzem o
tema, bem como as explicações sobre o conteúdo do livro. Nesse sentido, a
definição do “logos” tem a finalidade de revelar a natureza de Jesus Cristo,
isto é, a realidade de que, de fato, Ele é o Enviado de Deus e que devemos crer
nEle para alcançarmos a salvação (Jo 3.16).
Lawrence O.
Richards, na obra Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento (CPAD),
enfatiza que “No princípio o Verbo, como Deus, já desfrutava de existência
infinita, sem início e sem fim. A tradução de Knox exibe o sentido deste verbo,
quando ele traduz a frase seguinte: ‘Deus tinha o Verbo morando consigo’. Não
conseguimos sequer começar a entender como Deus pode existir sem que haja um
início. As Escrituras não tentam explicar, nem mesmo discutir o assunto. As
Escrituras simplesmente afirmam que Deus é, era e sempre será. E João nos
lembra, ao começar seu Evangelho, que jamais devemos nos esquecer de que Jesus,
o carpinteiro de Nazaré, mestre e operador de milagres de Israel, Salvador
crucificado e ressurreto, também é Deus encarnado. Eterno, imutável, imortal, o
Deus único e sábio, a quem devemos honra e louvor para todo o sempre” (2007,
p.195).
A partir
dessa premissa, considera-se que a vinda de Cristo a este mundo cumpre o
propósito de reconciliar a humanidade com o Criador (2Co 5.18,19). Uma vez que
a comunhão havia sido rompida no Éden, em razão do pecado original (Gn 3),
Cristo, o verbo encarnado, suportando as mesmas aflições da natureza humana,
vence o pecado e se oferece em sacrifício em nosso lugar para estabelecer o
novo e vivo caminho pelo qual podemos ter acesso ao Pai (Hb 10.19,20).Tema:
Davi: de Pastor de Ovelhas a Rei de Israel.