Pb Francisco Barbosa
TEXTO PRINCIPAL
““Quando os justos triunfam, há grande alegria; mas, quando os ímpios sobem, os homens escondem-se.” (Pv 28.12).
Entenda
o Texto Principal:
- Quando
os justos estão contentes (prosperam), muita é a alegria. Tudo está em
grande glória: o culto a Deus, a justiça, a ordem, o contentamento alegre e a
paz florescem (Ester 8:15-17). mas quando os perversos se levantam (são
exaltados), os homens se escondem (Provérbios 28:28; Provérbios 29:2;
Provérbios 11:10) – principalmente por temor da opressão, em vez da “glória” de
uma população próspera. Os bons, especialmente aqueles que são a verdadeira
“glória” de uma nação, ficam “escondidos” “quando os ímpios se levantam” (1Reis
17:2-3; 1Reis 18:4; 1Reis 19:1-6). [Jamieson; Fausset; Brown, 1866]
RESUMO DA LIÇÃO
A sabedoria e a integridade são virtudes do cristão
que se manifestam na sociedade.
Entenda
o Resumo da Lição:
- A sabedoria e a
integridade são virtudes cristãs que se manifestam na sociedade através do
serviço e do testemunho.
TEXTO BÍBLICO
Provérbios 23.17-21; 24.1,2.
Provérbios 23
17. Não
tenha o teu coração inveja dos pecadores; antes, sê no temor do Senhor todo o
dia.
- Teu
coração não inveje aos pecadores – na prosperidade, para ser tentado a
imitar o seu exemplo (Salmos 37:1 ; Salmos 73:3). porém permanece no temor ao
SENHOR o dia todo – o antídoto para a inveja da prosperidade dos
pecadores. “O dia todo;” não por ataques e arrancos impulsivos; não seguir a
piedade apenas enquanto ela for acompanhada de sucesso mundano, nem abandoná-la
quando vir dificuldades no caminho, e quando a prosperidade parecer acompanhar
os ímpios. [JFU, aguardando revisão]
18. Porque
deveras há um fim bom; não será malograda a tua esperança.
- Porque
certamente há um bom futuro para ti – está chegando o fim desejado, a
recompensa da piedade (Provérbios 24:14 ; Provérbios 24:20 ; Salmos 37:37 ;
compare com Provérbios 5:4). Como muitos pecadores florescem externamente e
muitos santos sofrem adversidades, até o fim da vida, a recompensa principal
deve estar além desta vida. [JFU, aguardando revisão]
19. Ouve
tu, filho meu, e sê sábio e dirige no caminho o teu coração.
- Não volte para
trás ou se desvie do caminho estreito. As etapas são:(1) Ouça; (2) Seja sábio –
o fruto doutrinário de ouvir; (3) Guia o teu coração no caminho, como fruto
prático de ambos. [JFU, aguardando revisão]
20. Não
estejas entre os beberrões de vinho, nem entre os comilões de carne.
- Literalmente,
‘entre aqueles que comem carne para si mesmos de forma imoderada’ (Deuteronômio
21:20). Maurer traduz, ‘entre aqueles que são pródigos de seu corpo’ – isto é,
que entregam seu corpo aos desejos carnais. Eu prefiro a versão em inglês (cf.
Provérbios 23:21). [JFU, aguardando revisão]
21. Porque
o beberrão e o comilão cairão em pobreza; e a sonolência faz trazer as vestes
rotas.
- A intemperança
leva à prodigalidade, descuido e ruína. a sonolência os faz vestir trapos.. O
luxo e o excesso mencionados acima levam à sonolência e à incapacidade de
trabalhar, e a pobreza segue como resultado natural (comp. Provérbios 19:15;
Provérbios 24:33, etc.). A Vulgata ainda segue a mesma corda do verso
anterior:”Aqueles que perdem tempo bebendo, e que fazem piqueniques (dantes
symbola), serão arruinados, e a senolência vestida de trapos”. A LXX. introduz
uma idéia nova que o hebraico não garante:”Pois todo bêbado e prostituto será
pobre, e todo preguiçoso se vestirá de farrapos e trapos”. [Pulpit, aguardando
revisão]
Provérbios 24
1. Não
tenhas inveja dos homens malignos, nem desejes estar com eles.
- homens malignos,
nem desejes estar com eles, ou seja, não compartilhe dos caminhos deles.
Provérbios 23:17; Provérbios 23:30-35 mostra os resultados malignos de seus
caminhos, o que deve alertar a todos sobre o quão pouco são dignos de inveja,
muito menos de serem imitados. [Jamieson; Fausset; Brown, 1866]
2. Porque
o seu coração medita a rapina, e os seus lábios falam maliciosamente.
- Porque o coração
deles imagina destruição – contra os outros, o que recai sobre si mesmos
(Provérbios 11:3; Provérbios 11:5-6; Jó 5:2). [Jamieson; Fausset; Brown, 1866]
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INTRODUÇÃO
Não vivemos sozinhos, isolados, mas
em sociedade. Por isso, somos convocados por Deus para agir sábia e
integramente na sociedade em que vivemos. Este é o assunto desta última lição.
- Existem algumas
ponderações importantes a serem feitas quanto ao tema em questão. A influência
e participação no bem comum podem, sem dúvida, ser descritas no contexto de
Jeremias 29:4–7, que diz, ‘[…] Construam
casas e estabeleçam-se […]. Busquem também a paz e a prosperidade da cidade para
a qual Eu os deportei. Ore ao Senhor por isso, pois se isso prosperar, você
também prosperará. A presença cristã na sociedade é evidente quando há um
impacto do reino em todas as esferas da sociedade. E esse impacto virá através
do modo de vida integro e sábio.
I. SABEDORIA, PRUDÊNCIA E SOCIEDADE
1. Sabedoria e prudência na
manutenção da ordem social. A seção de
versículos (vv.2-12) do capítulo 28 que forma o nosso texto base, embora cada
um desses versículos possa ser considerado individualmente, tomados por um
conjunto, como os intérpretes atestam, revela um componente ideal de sociedade.
O contexto de Provérbios 28.2-12 mostra que a base de uma sociedade justa e
ordeira é que o ideal de justiça e integridade domine seus habitantes. O
versículo 2 revela que por causa da injustiça e da impiedade, frequentemente os
príncipes são destronados, mas se um príncipe é sábio e prudente, a ordem é
assegurada. Aqui a sabedoria e a prudência são virtudes que fazem a manutenção
da ordem social. Essa percepção está de pleno acordo com o versículo 12 que
mostra a alegria do povo quando os justos triunfam e a apatia das pessoas
quando os injustos se levantam. Portanto, sabedoria e prudência são virtudes
que desenvolvem a vida interior e, ao mesmo tempo, devem se manifestar na vida
exterior e no convívio social.
- Embora o hebraico
seja difícil aqui, o significado parece ser que a injustiça e a instabilidade
política (conforme ocorreu no reino do norte, Israel) andam de mãos dadas, ao
passo que uma pessoa sábia ou justa ajuda a manter a ordem social. A injustiça
numa nação gera instabilidade política com muitos competindo pelo poder, ainda
que o mandato de cada líder seja reduzido. A sabedoria promove a ordem social e
um longo governo. Um governo instável — muitos são os seus príncipes (2) — está
fundamentado em corrupção moral, mas homens justos compõem um governo bom.
"Um homem mau que oprime os necessitados é como uma chuva devastadora que
destrói a colheita" (3).13 Homens maus combinam os seus esforços contra a
lei e a ordem, mas homens bons, que guardam a lei, opõem-se a essa conduta (4;
cf. Rm 1:18-32). Enquanto homens maus não sabem o que é certo, os que buscam o
SENHOR (5) são iluminados (cf. Sl 119:100; Ec 8:5; Jo 7:17-1 Co 2.15).
2. Quando a injustiça prospera. Os versículos 3, 6, 8 e 11 abordam a questão
do tratamento social dos ricos para com os pobres e dos pobres para com outros
pobres. O contexto mostra que a ausência da sabedoria e da integridade é
determinante para que o pobre seja oprimido, vilipendiado e sistematicamente
ignorado. É terrível para uma sociedade quando a tolice e a corrupção se
multiplicam, pois até o pobre oprime outros pobres (v.3), o perverso se
envaidece com as suas riquezas (v.6), a ganância e os abusos dos juros são
insaciáveis (v.8) e os que possuem riqueza pensam em não precisar de mais nada
(v.11). Uma sociedade assim se apressa para a autodestruição, pois a ausência
da sabedoria e da integridade revela algo muito mais grave: uma rebelião
sistemática contra a Justiça de Deus.
- A mudança de um
sinal vocálico no hebraico produz esta leitura: "Um governante que oprime
os pobres". Tanto as chuvas excessivas como um govenante maligno podem
trazer grande dano. A integridade no relacionamento de um indivíduo com Deus e
com outras pessoas é mais importante do que as riquezas materiais. Em Lv
25:35-38, a graça de Deus estabelece o princípio de ajuda gratuita ao próximo,
sem qualquer pensamento quanto ao lucro (Dt 23:19,20). A justiça de Deus não
permite que o rico ganancioso retenha suas riquezas (13 22:22-16; 13
18:27-19'>Jó 27:13-19), mas antes, dá essas riquezas àqueles que ajudam
generosamente a outros (19.17). Apesar de que as riquezas materiais não se
correlacionam necessariamente à injustiça, e nem a pobreza com a sabedoria e a
retidão, há, contudo, essa tendência (vs. 6, 8, 20, 22, 25 e 27). Não existem
insensatos mais autênticos do que aqueles que vêem sua insensatez como se fosse
sabedoria (conforme 1Co 1:18-25).
3. Quando não há compromisso com a
Lei de Deus. Em Provérbios está muito claro
que o sábio e o íntegro são os que observam a Lei de Deus e, por isso, tem no
“temor do SENHOR” a base moral e espiritual para toda sua atitude na vida (Pv
1.7). Assim, os versículos 4, 5, 7 e 9 revelam que a recusa de se perseverar na
Lei do Senhor gera pessoas cada vez menos comprometidas com as virtudes, como a
sabedoria e a integridade. As pessoas que oprimem o pobre já abandonaram a Lei
de Deus (v.4), nem entendem o que é justiça nem buscam ao Senhor de todo o
coração (v.5); pessoas gananciosas e soberbas já não guardam a Lei de Deus há
muito tempo (v.7); e os que têm uma falsa aparência de piedade e praticam todas
essas injustiças simplesmente têm suas orações como abomináveis diante de Deus
(v.9). O versículo 10 confirma que os íntegros herdarão o bem, mas o que
procuram desviar os retos de sua integridade sofrerão as consequências. Dessa
forma o contexto de Provérbios 28.2 e 12 deixa muito claro que a sabedoria e a
integridade são virtudes indispensáveis para uma sociedade socialmente justa e
moralmente íntegra.
- Aqueles cujos
olhos são iluminados pela lei de Deus e cujos passos são guiados pela verdade
de Deus, esses compreendem mais a justiça do que os maiores sábios deste
século. Deus é a fonte de todo o saber e a origem de todo o bem. Nele
encontramos a verdade, a justiça e o entendimento. Fora dele, reinam as trevas,
a injustiça e a opressão. Os maus não entendem o que é justo. Seus olhos são
cegos, seu coração é endurecido e sua consciência é cauterizada. Mas os que
buscam o Senhor entendem tudo e são mais sábios do que os grandes sábios deste
mundo. A injustiça numa nação gera instabilidade política com muitos competindo
pelo poder, ainda que o mandato de cada líder seja reduzido. A sabedoria
promove a ordem social e um longo governo. Quando os perversos sobem ao poder,
os justos "se entristecem" (veja 11.10), "suspiram" (29.2)
e "se escondem" (28.28).
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SUBSÍDIO I
Professor(a), com base em tudo o que
estudamos no decorrer do trimestre, faça as seguintes perguntas: “Qual a
diferença entre o conhecimento e a sabedoria?”; “Qual é o perigo potencial de
ter conhecimento sem sabedoria?”. Incentive a participação de todos os alunos e
ouça as respostas com atenção. Em seguida “explique que como é fácil adquirir
conhecimento, mas como é difícil e doloroso o processo de obter sabedoria. O
homem transmite conhecimento. Deus dá sabedoria. O conhecimento nos vem com a educação,
seja absorvendo o que os mais educados têm a dizer, seja simplesmente reunindo
informações aqui e ali, no caminho da vida. Mas e quanto à sabedoria que vem do
alto? Como você já sabe, não há curso, não há escola, não há banco de dados na
terra onde possamos acessar a sabedoria. E, diferentemente do conhecimento, que
pode ser avaliado em análises objetivas, quantificado por exames e certificado
por diplomas, a sabedoria desafia a mensuração; ela é muito mais subjetiva,
requer mais tempo para sua aquisição, e tem muito a ver com a nossa atitude.”
(SWINDOLL, Charles R. Vivendo Provérbios. Rio de Janeiro:
CPAD, 2013, p.248).
II. O JUSTO DIANTE DOS VALORES OPOSTOS DA SOCIEDADE
1. Diante das injustiças. As questões das injustiças e desigualdades
sociais estão na ordem do dia em nossa sociedade. Por causa delas, surgem
ideologias diversas que buscam dar respostas imperiosas para as injustiças.
Diante desse quadro, como o jovem cristão deve se posicionar? À luz da lição de
Provérbios, a maneira de um(a) jovem cristão atuar sociedade tem a ver com
apresentar, de maneira sábia e íntegra com a vida, a veracidade da mensagem que
ele(a) carrega consigo. Um(a) jovem que pensa biblicamente nunca reduzirá o
problema social a uma mera questão. Ele sabe que a Palavra de Deus revela que
há um problema no coração do ser humano que é a fonte de todo mal social que
impera no mundo (Mc 7.20-23). Logo, a solução não se reduz ao programa social
de um governo, como se somente as políticas públicas resolvessem a questão que
é do coração. Dessa forma, sua responsabilidade é apresentar a mensagem de
salvação que altera radicalmente o interior do pobre e, consequentemente, sua
posição na sociedade. Além disso, suprir as necessidades mais básicas de quem
precisa, como bem fazia a igreja do primeiro século (At 2.42-47; Tg 2.14-17),
também está na ordem do dia para um autêntico cristão (Gl 2.10).
- E sabido que as
pessoas menos aquinhoadas financeiramente são mais sensíveis e solidárias com
aqueles que vivem dramas financeiros do que o são os mais ricos. Talvez porque
sentem na pele a dor da escassez. Não é natural a um pobre oprimir outros
pobres. Agir dessa forma é uma espécie de opressão desnaturada. E como chuva
que a tudo arrasta e não deixa sequer um grão para mitigar a fome. A opressão é
sempre uma atitude injusta, pois implica uma ação de violência contra quem não
pode resistir. A opressão vem do forte sobre o fraco, do rico sobre o pobre, do
grande sobre o pequeno. Mas, quando a opressão vem dos iguais, é porque a
decadência chegou ao extremo. E um sinal de que a degradação dos valores chegou
ao fundo do poço. Um pobre que oprime outros pobres não é como a chuva serôdia
que rega a terra para que esta produza pão com fartura; é como uma enxurrada de
lama que a tudo abala, a tudo arrasta, e deixa após si uma marca profunda de destruição
e miséria. Oh, como é desumana essa opressão! Oh, como é desnaturada essa
violência! Oh, como é injusta essa prática criminosa! A opressão aos pobres na
terra suscita o juízo de Deus a partir do céu, pois Deus é o defensor daqueles que
não têm vez nem voz.
2. Diante da corrupção moral. O problema da nossa sociedade não se resume
às questões sociais. Há uma dificuldade moral grave em que um longo processo de
desconstrução tem sido claramente desenvolvido para desconstruir as famílias e
a noção de gênero. Nesse sentido, um(a) jovem cristão, que pensa biblicamente,
deve se apresentar aos outros jovens como aquele(a) que não se envergonha do
compromisso ético do Evangelho em toda a esfera de sua vida (1Pe 1.15,16).
Assim, perseverar num estilo de vida frontalmente oposto ao do mundo nada tem a
ver com desrespeitar pessoas, mas manter um compromisso inegociável com Deus,
sem amar o mundo apesar de vivermos nele (1Jo 2.15-17).
- A integridade é o
nosso melhor salvo-conduto. A verdade não precisa se esconder. Os que andam na
verdade podem viver de cabeça erguida e, mesmo quando acusados injustamente,
podem dormir tranquilos, pois a consciência limpa é seu travesseiro mais macio.
As obras do íntegro são o avalista de suas palavras irrepreensíveis. O que anda
na integridade será salvo, ainda que passe por sérios percalços. Foi assim com
José do Egito. Ele foi odiado pelos irmãos, traído pela patroa e jogado numa
prisão por vários anos. Porque andou em integridade, sua honra foi restabelecida:
ele foi salvo e guindado à honrosa posição de governador do Egito. Realidade
diametralmente oposta ocorre com o perverso. Em seus caminhos maus, este logo cairá.
Sua queda é certa e repentina. Ele é apanhado pelas próprias cordas de seus
pecados. Seu caminho é sinuoso e escorregadio, cheio de armadilhas e desvios.
Andar por esse caminho é tropeçar na certa. A vida do perverso é seu maior
embaraço. Ele semeia ventos e colhe tempestades. Semeia na carne e da carne
colhe corrupção. Ele abriu covas para derrubar os justos e nelas cairá. O
íntegro, mesmo passando por perigos, é salvo; mas o perverso, mesmo em aparente
segurança, caminha célere para o desastre.
3. Tocando o mundo das pessoas. Um jovem cristão sábio e prudente, com uma
consciência bíblica, não terá a pretensão de “transformar o mundo”, pois sabe
que esse tipo de utopia é ilusão. Transformar completamente o mundo é uma
tarefa tão acima de nossas possibilidades que só será possível com o retorno
glorioso de nosso Salvador para implantar pessoalmente o seu reino visível
neste mundo (Ap 20.1-6). Contudo, isso não significa que não podemos ser
instrumentos de Deus para transformar as almas das pessoas (Mt 4.19). Isso é
perfeitamente possível! Deus conta conosco para isso! Quando servimos alguém em
sua necessidade, somos instrumentos transformadores do mundo de uma pessoa.
Quando damos suporte ao próximo que está passando por uma tentação, ou qualquer
outra luta pessoal, é uma alma que estamos tocando, é uma transformação que
está acontecendo, pois Deus está nos usando como um instrumento. Quando o nosso
discurso é respeitoso (Cl 4.6), quando nossa resposta sobre a nossa fé é
carregada de um espírito manso (1Pe 3.15), podemos tocar o coração das pessoas
com o Evangelho do Senhor Jesus Cristo (Lc 24.32). Então, suas vidas podem ser
radicalmente transformadas. Não podemos transformar o mundo, mas podemos ser
instrumentos de Deus para transformar o mundo das pessoas.
- Ao longo dos
séculos a igreja tem desempenhado um papel fundamental na sociedade. Ela possui
um potencial transformador capaz de impactar o mundo ao seu redor. A partir da
mensagem poderosa do Evangelho até as ações práticas de amor ao próximo, a
igreja tem a capacidade de fazer a diferença e gerar mudanças positivas na vida
das pessoas e na sociedade como um todo. A primeira e principal forma como a
igreja impacta o mundo é através da mensagem transformadora do Evangelho. O
Evangelho oferece esperança, amor e salvação, proporcionando uma mudança
profunda e duradoura na vida das pessoas. A igreja pode compartilhar essa
mensagem poderosa por meio da evangelização, discipulado e ações práticas de
amor ao próximo. Não tem segredo, formula mágica ou manual de faça isso não
faça aquilo. A igreja foi chamada para levar o Evangelho e ponto final. Este foi
o modo como a Igreja Primitiva impactou todo o mundo da época. Este tem sido o
modo como grandes pregadores, líderes e teólogos têm impactado. A pregação do
verdadeiro Evangelho é impactante: a verdade do Evangelho é suficiente para
transformar o mundo. Paulo reconhece isso e proclama tal verdade à igreja em
Roma, dizendo: “porquanto não me
envergonho do Evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo
aquele que nele crê; primeiro do judeu, assim como do grego” (Rm 1.16). Infelizmente,
somos tentados a “enfeitar” a nossa mensagem com adereços teológicos e
filosóficos para que seja agradável aos ouvintes. Dessa forma, entendo que a única
coisa que precisamos fazer para mudar o ambiente no qual vivemos é por meio da
evangelização, e isso sem precisar de pontes, iscas, pontos de contato, como se
sugere neste subtópico. Em uma declaração de Vance Havner, um grande teólogo e
escritor protestante, ele diz: Não vamos
transformar o mundo pela crítica nem pela conformidade, mas sim pela combustão
dentro de vidas inflamadas pelo Espírito de Deus. A Igreja primitiva no
livro de Atos dos Apóstolos não tinha nada do que consideramos essencial para o
sucesso hoje – propriedades, dinheiro, influência política, status social, no
entanto, ganhou multidões para Cristo e viu a implantação de inúmeras igrejas
por todo o mundo romano. Isso se deu pelo poder do Espírito Santo que
capacitava seu ministério. Os primeiros cristãos eram pessoas “inflamadas pelo
Espírito de Deus”. Esse mesmo poder do Espírito Santo encontra-se a nossa
disposição hoje para nos tornar testemunhas mais eficazes de Cristo. Quanto
melhor entendermos a forma como o Espírito operou em Pentecostes, mais capazes
seremos de nos relacionar com ele e de experimentar seu poder. O ministério do
Espírito é glorificar a Cristo na vida e no testemunho do cristão (Jo 16:14), e
é isso o que importa. Atos 2.37-47, nos ajuda a entender a ação do poder
transformador do Espírito Santo mediante o registro das experiências na vida da
Igreja.
SUBSÍDIO II
Professor(a), inicie o tópico fazendo
a seguinte pergunta: “Como o jovem cristão deve se posicionar diante das
injustiças sociais?”. Incentive a participação de todos os alunos. Ouça as
respostas e diga que as questões das injustiças e desigualdades sociais estão
na ordem do dia em nossa sociedade. Por causa delas, surgem ideologias diversas
que buscam dar respostas imperiosas para causas dessas injustiças. Há
ideologias que acertam na análise, mas erram nas soluções de modo que o que
antes acusavam como opressão, elas mesmas se tornam opressoras. (Adaptado
de Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, p.817).
III. QUANDO A SABEDORIA E A INTEGRIDADE SE MANIFESTAM EXTERNAMENTE
1. Vale a pena ser integro? O texto de Provérbios, nesta lição, nos
ensina que a integridade, que é um fruto da sabedoria, é uma virtude que vem de
dentro para fora. Quando não há integridade, a impiedade reina; e é natural que
quanto mais pessoas ímpias, mais a sociedade é injusta. Geralmente, quando há
uma cultura de impiedade se torna até “perigoso” ser integro. Dessa forma é
preciso coragem e perseverança para permanecer na integridade. Por isso, a
manutenção dessa virtude passa pelo princípio fundamental do “temor do SENHOR”
como o início e o fim de tudo (Pv 9.10). O ser humano que não teme a Deus não
temerá também os outros. Essa é grande diferença entre cultivarmos valores que
começam e terminam em Deus e observarmos valores meramente criados por uma
ética humana, frutos de uma perspectiva antropocêntrica.
- Ser íntegro
significa ter uma conduta ética, honesta, justa, reta e proba. É uma qualidade
que se caracteriza por uma convergência entre o que se pensa e o que se faz. A
palavra "íntegro" vem do latim integer,
que significa completo, intacto, não tocado ou não corrompido. Integridade é um
conceito facilmente estabelecido, porém desafiador quando o assunto é levado
para o campo da prática. Não se corromper moralmente; guardar (e cumprir) a
palavra empenhada; seguir fielmente os preceitos bíblicos com os quais
publicamente nos comprometemos; enfim, ter (ser) uma vida de integridade é
alinhar aquilo que é dito com o que é praticado (coerência; nada de discurso
vazio). Eis a razão pela qual integridade se torna um grande desafio da vida
cristã. A Bíblia está recheada de exemplos de homens e mulheres que se
destacaram por suas ações de integridade aos olhos do próprio Deus. A título de
ilustração, cita-se Noé, Jó, Davi, Hananias (este, de quem o reconstrutor
Neemias dá um forte testemunho quando diz se tratar de alguém íntegro e temente
a Deus, ‘mais do que a maioria dos homens’ (Ne 7.2). De fato, a integridade é
característica que distingue indivíduos comprometidos com o Reino de Deus
daqueles que não são. É marca indelével daquele que teme o Senhor e busca
servi-lo de forma aprovada. O texto sagrado diz que “Noé era justo e íntegro
entre o povo de sua época (geração), porque andava com Deus” (Gênesis 6.9). É
fato. Ser íntegro é ser inteiro, completamente dado. É certo o desafio.
2. Sabedoria: amando os mandamentos
de Deus. O livro de Provérbios também
nos ensina que não há sabedoria sem o amor pelos mandamentos de Deus. Na
Bíblia, sabedoria só é possível quando a verdade da Palavra de Deus se encontra
no centro do coração humano. Isso significa dizer que não basta apenas conhecer
os mandamentos de Jesus, é preciso amá-los e cumpri-los. Nesse caso não é
difícil amá-los, pois eles foram encarnados numa pessoa, o Senhor Jesus.
Guardar os mandamentos é amar a Jesus (Jo 14.21). E quando amamos o Senhor,
desejamos ser seus discípulos, imitá-lo em sabedoria, integridade, verdade,
justiça e paz (Mc 1.22). Nosso Senhor é o exemplo supremo da verdadeira
sabedoria. Podemos ser mansos porque Ele foi manso, podemos ser humildes porque
Ele foi humilde (Mt 11.29). A vida de Jesus é um bálsamo de amor e um exemplo
encarnado do que é ser verdadeiramente sábio.
- Tudo o que Deus
considera conhecimento essencial para Seus filhos é encontrado em Sua Palavra -
a Bíblia. Além disso, toda a verdade é de Deus. No entanto, Deus revelou Sua
verdade a todos os seres humanos nas coisas criadas (Romanos 1:20), chamada de
revelação geral, e em Sua Palavra escrita, chamada de revelação especial (1
Coríntios 2:6-10). Há uma diferença entre a "sabedoria terrena" e a
"sabedoria que vem do alto" (Tiago 3:14-18). Para aproveitar a
sabedoria de Deus, devemos, antes de tudo, desejá-la e pedir a Deus por ela.
"Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a Deus, que a
todos dá com generosidade e sem reprovações, e ela lhe será concedida"
(Tiago 1:5). O versículo seguinte especifica que devemos "pedir com fé, em
nada duvidando" (versículo 6). Reconhecemos que a verdadeira sabedoria vem
de Deus e que Jesus Cristo é a personificação dessa sabedoria (1 Coríntios
1:30). Confiar em Cristo e render-se ao Seu Espírito Santo é andar em
sabedoria; como cristãos, "temos a mente de Cristo" (1 Coríntios
2:16). O amor a Deus, o maior mandamento, também é exigido. "Mas, como
está escrito: 'Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em
coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.' Deus, porém,
revelou isso a nós por meio do Espírito. Porque o Espírito sonda todas as
coisas, até mesmo as profundezas de Deus" (1 Coríntios 2:9-10; cf. Isaías
64:4). Ter conhecimento é ter entendimento ou informação sobre algo. Ter
sabedoria é ter a capacidade de aplicar o conhecimento à vida cotidiana. É na
leitura e compreensão da Palavra de Deus que obtemos conhecimento, e meditar
sobre esse conhecimento traz sabedoria. O capítulo mais longo da Bíblia é o
Salmo 119, que trata da obtenção de entendimento e sabedoria da Palavra de
Deus. Alguns versículos são: "Quanto amo a tua lei! É a minha meditação
todo o dia!" (versículo 97). "Lâmpada para os meus pés é a tua
palavra, é luz para os meus caminhos" (versículo 105). "Meditarei nos
teus preceitos e às tuas veredas terei respeito. Terei prazer nos teus
decretos; não me esquecerei da tua palavra" (versículos 15-16). A palavra
meditar é usada cinco vezes no Salmo 119 e, de várias formas, outras quinze
vezes no livro de Salmos. A meditação é necessária para considerar plenamente
como aplicar a Palavra de Deus na vida cotidiana. O livro de Provérbios está
repleto de sabedoria. Nesse livro, a Sabedoria pede uma audiência: "Até
quando vocês, ingênuos, amarão a ingenuidade? E vocês, zombadores, até quando
terão prazer na zombaria? E vocês, tolos, até quando odiarão o conhecimento?
Deem ouvidos à minha repreensão; eis que derramarei o meu espírito sobre vocês
e lhes darei a conhecer as minhas palavras" (Provérbios 1:22-23). A
promessa da Sabedoria é que aqueles que desejam a verdade de Deus podem tê-la,
mas para isso é necessário abandonar a zombaria tola que o mundo faz da
verdade. "O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os insensatos
desprezam a sabedoria e o ensino" (Provérbios 1:7). Ter o "temor do
SENHOR" é ter um respeito admirado por quem Deus é e uma confiança
reverente em Sua Palavra e em Seu caráter, e viver de acordo com isso. Quando
uma pessoa anda no temor do Senhor, ela confia na sabedoria de Deus nas
questões da vida cotidiana e faz as mudanças necessárias à luz da Palavra de
Deus. Aqueles que têm a sabedoria de Deus demonstrarão isso em sua maneira de
viver: "Quem entre vocês é sábio e inteligente? Mostre as suas obras em
mansidão de sabedoria, mediante a sua boa conduta" (Tiago 3:13). Em
resumo, para obter a sabedoria de Deus, devemos estudar diligentemente a
Palavra de Deus (2 Timóteo 2:15), meditar na Palavra, orar por sabedoria,
buscá-la de todo o coração e andar no Espírito. Deus deseja dar Sua sabedoria a
Seus filhos. Estamos dispostos a ser guiados por essa sabedoria?
3. Sabedoria e integridade para
servir a sociedade. Em Provérbios o sábio e o
íntegro sempre estão dispostos a servir com a sua sabedoria e integridade.
Assim, a melhor maneira de responder ao mundo é com o serviço baseado no amor.
É a mesma perspectiva que o Senhor Jesus nos ensinou: “o Filho do Homem não
veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de
muitos” (Mt 20.28; cf. Jo 13.12-15). Sim, servir a sociedade de maneira que
coloquemos em prática os profundos ensinamentos de Jesus: no lugar de responder
o inimigo na mesma moeda, socorrê-lo quando precisar (Rm 12.20); tratar com
respeito os idosos (1Tm 5.1); tratar com respeito as pessoas do sexo oposto
(1Tm 5.1,2); fazer o bem como um compromisso ético de fazer a coisa justa (Tg
4.17). Servir a sociedade acaba sendo uma referência ao amor do Senhor para
conosco. Talvez possamos pensar que ela não mereça que a sirvamos, mas também
não merecíamos que nosso Senhor nos servisse e desse a sua vida por nós, mas
Ele o fez. Portanto, o seguidor de Jesus, o sábio e íntegro, entende que é seu
dever servir outro ser humano (Mt 20.26,27). Nisso se resume a sabedoria e a
integridade para servir.
- Jesus, Mestre por
excelência, nos ensinou sobre o serviço ao outro, um cristão é antes de tudo,
um servo. Em Marcos 10.45, lemos: "Pois
nem mesmo o Filho do Homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua
vida em resgate por muitos." –
Um cristão deve colocar as necessidades dos outros acima das suas,
servindo com amor e dedicação. Um cristão deve buscar sabedoria constantemente,
pois ela é essencial para tomar decisões que glorifiquem a Deus. Tiago 1.5 nos
incentiva: "Se algum de vocês tem
falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e
lhe será concedida." – A
sabedoria divina permite que um líder guie com discernimento e propósito. Um cristão
é conhecido por sua honestidade e caráter irrepreensível. Provérbios 10.9
declara: "Quem anda com integridade
anda em segurança, mas quem segue caminhos tortuosos será descoberto."
– A integridade não é negociável para aqueles que desejam liderar conforme os
princípios de Deus.
CONCLUSÃO
O livro de Provérbios é um convite a
sair da vida superficial para um estilo de vida mais profundo e repleto de
significados espirituais. Ao longo deste trimestre, aprendemos o quanto a
sabedoria da Palavra de Deus é profundamente prática. Nesta lição, vimos que a
sabedoria divina não opera somente na vida interna, mas nos impulsiona a
externalizar o que está dentro de nós como valores divinos que derivam da
Palavra de Deus. Assim, somos convidados a ser íntegros, amantes dos
mandamentos de Cristo e pessoas dispostas a servir na sociedade em que vivemos.
- A Sabedoria é uma
personificação do próprio Deus. Provérbios é um manual de sabedoria para a
vida. Sabedoria divina, e não sabedoria deste século. Sabedoria do alto, e não
sabedoria da terra. Sabedoria que nos toma pela mão e nos conduz em segurança
por caminhos aplanados de sanidade e santidade, justiça e misericórdia,
fidelidade e amor.
Tudo já valeu a pena, mas a maior
recompensa ainda está por vir.
Que o mundo saiba que Jesus Cristo é
o seu Senhor!
Dele seja a glória!
_______________
Francisco
Barbosa (@Pbassis)
Non Nobis Domine, Non Nobis
• Graduado em Gestão Pública;
• Teologia pelo Seminário Martin Bucer
(S.J.C./SP);
• Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);
• Professor de Escola Dominical desde
1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS,
2000-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima),
2010-2014; Ig Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, 2015).
• Pastor da Igreja de Cristo no Brasil
em Campina Grande/PB
Servo,
barro nas mãos do Oleiro.
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HORA DA REVISÃO
1. O
que o contexto de Provérbios 28.2-12 mostra?
O contexto de Provérbios 28.2-12 mostra que a base de uma sociedade
justa e ordeira é que o ideal de justiça e integridade domine seus habitantes.
2. O
que os versículos 3, 6, 8 e 11 abordam?
Os versículos 3, 6, 8 e 11 abordam a questão do tratamento social dos
ricos para com os pobres e dos pobres para com outros pobres.
3. O
que os versículos 4, 5, 7 e 9 revelam?
Os versículos 4, 5, 7 e 9 revelam que a recusa de se perseverar na Lei
do Senhor gera pessoas cada vez menos comprometida com as virtudes, como a
sabedoria e a integridade.
4. Cite
exemplos que mostram como podemos tocar a alma de uma pessoa.
Quando o nosso discurso é respeitoso (Cl 4.6). quando nossa resposta
sobre a nossa fé é carregada de um espírito manso (1Pe 3.15), podemos tocar o
coração das pessoas com o Evangelho do Senhor Jesus Cristo (Lc 24.32).
5. Sobre
a relação da integridade com os mandamentos de Deus o que o livro de Provérbios
ensina?
O livro de Provérbios também nos ensina que não há sabedoria sem o amor
pelos mandamentos de Deus.