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25 de janeiro de 2026

JOVENS - Lição 5: O Filho que redime

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

1º Trimestre de 2026

Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras

Comentarista: Marcelo Oliveira

 

Lição 5: O Filho que redime

Data: 1 de fevereiro de 2026

 

TEXTO PRINCIPAL

 

“No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.” (Jo 1.29).

ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:

👉 A declaração de João Batista em João 1.29 constitui uma das sínteses cristológicas mais densas de todo o Novo Testamento. Cada termo é carregado de história bíblica, teologia sacrificial e expectativa escatológica. O texto diz: “No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (NVI). Não se trata de uma exclamação poética ou devocional, mas de uma proclamação profética que interpreta a missão de Jesus à luz de toda a revelação veterotestamentária. A expressão “Eis” traduz o imperativo grego íde, que carrega a ideia de chamar a atenção para algo decisivo, digno de contemplação cuidadosa. João não apenas informa, ele convoca. Sua função profética é apontar, revelar e deslocar o foco de si mesmo para outro. Conforme observam os comentários pentecostais e históricos, João se coloca conscientemente na tradição dos profetas do Antigo Testamento, cuja missão era preparar o povo para a ação salvadora de Deus. Aqui, porém, a preparação cede lugar à revelação. O Salvador não virá. Ele já está presente. O título “Cordeiro de Deus” é central. No grego, amnós tou Theou, a expressão remete diretamente ao vocabulário sacrificial. Diferente de termos genéricos para animal, amnós é usado na Septuaginta para os sacrifícios, especialmente em Isaías 53.7, onde o Servo sofredor é levado como cordeiro ao matadouro. Há também uma conexão inequívoca com o cordeiro pascal de Êxodo 12, cujo sangue livrou Israel do juízo e marcou o início da redenção nacional. Os comentaristas Beacon, Champlin e o Comentário Bíblico Pentecostal do NT ressaltam que João Batista funde essas imagens. Jesus é, ao mesmo tempo, o Servo sofredor e o Cordeiro pascal definitivo. Diferente dos sacrifícios levíticos, Ele não é oferecido pelos homens, mas por Deus. Daí a expressão “de Deus”, que indica origem, iniciativa e provisão divina. Como enfatiza Stanley Horton, a salvação não nasce da busca humana, mas da graça soberana que provê o sacrifício necessário.

O verbo “tira” traduz o particípio presente do verbo airō, que significa levantar, remover, carregar para longe. O termo não indica apenas encobrir ou suspender temporariamente o pecado, mas removê-lo de modo eficaz. Aqui está um contraste decisivo com o sistema sacrificial do Antigo Testamento. Conforme argumenta Berkof em sua teologia sistemática, os sacrifícios antigos tinham valor tipológico e pedagógico, mas não possuíam eficácia final para eliminar o pecado. João, portanto, anuncia que em Jesus ocorre aquilo que o sistema mosaico apenas prefigurava. Do ponto de vista pentecostal clássico, essa obra é objetiva, real e suficiente, mas aplicada subjetivamente pela fé, preservando a responsabilidade humana, como defendem Arrington e Palma. A expressão “o pecado” aparece no singular, hamartían, o que amplia o alcance da afirmação. Não se trata apenas de pecados individuais, atos isolados, mas da realidade do pecado como poder, condição e princípio que escraviza a humanidade. Comentadores como Gordon Fee e Craig Keener observam que João aponta para uma libertação que vai além do perdão pontual. O Cordeiro remove a raiz do problema. Isso se harmoniza com Colossenses 1.13, onde Paulo afirma que fomos libertos do domínio das trevas. A cruz não apenas perdoa, ela rompe cadeias.

Por fim, a expressão “do mundo” revela a amplitude da obra de Cristo. Kosmos, no evangelho de João, frequentemente designa a humanidade caída, alienada de Deus, mas ainda objeto do Seu amor redentor. Aqui se evidencia uma forte ênfase arminiana, coerente com a teologia pentecostal clássica. A provisão da salvação é universal em alcance, embora sua aplicação seja condicionada à fé. Deus, em Cristo, oferece redenção suficiente para todos, sem distinção, ainda que nem todos a recebam. Amos Yong e Frank Macchia destacam que essa universalidade sustenta a missão da Igreja e o apelo genuíno do evangelho a toda pessoa. Assim, João 1.29 revela Jesus como o centro da história da salvação. Ele é o sacrifício provido por Deus, eficaz para remover o pecado em sua totalidade e suficiente para alcançar o mundo inteiro. Para a Igreja e, especialmente, para os jovens, esse texto confronta uma fé superficial. Olhar para o Cordeiro não é apenas admirar um símbolo, mas reconhecer que toda esperança de redenção, reconciliação e nova vida repousa exclusivamente na obra de Cristo.

Obras utilizadas para condensar esta exegese:

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.

3. ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. BEACON. Comentário Bíblico Beacon: Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

6. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

7. LONGMAN III, Tremper (ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

9. MACCHIA, Frank D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.

 

RESUMO DA LIÇÃO

 

O sacrifício único de Jesus, como o Cordeiro de Deus, para nos redimir do pecado e nos reconciliar com o Pai, cumpre as profecias, trazendo libertação e perdão definitivo para quem crê.

ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:

👉 O sacrifício de Jesus na cruz, como o Cordeiro de Deus provido pelo próprio Pai, não apenas cumpre as figuras e profecias do Antigo Testamento, mas realiza de forma plena e definitiva aquilo que elas apenas anunciavam. Nele, o pecado não é simplesmente coberto, mas removido; a escravidão espiritual é quebrada; e a comunhão perdida é restaurada. Pela sua morte substitutiva, somos redimidos do domínio do pecado e reconciliados com Deus, não por mérito humano, mas pela graça oferecida em Cristo. Essa obra salvadora inaugura uma nova realidade para todo aquele que crê: liberdade verdadeira, perdão eficaz, acesso confiante ao trono da graça e uma vida transformada, vivida agora na intimidade com o Pai e na esperança da redenção final.

 

TEXTO BÍBLICO 

Êxodo 12.1-7,11; João 1.29,32-34.

 Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

 

Êxodo 12

1 E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:

👉 O texto começa com uma iniciativa soberana de Deus. A redenção não nasce do clamor humano apenas, mas da decisão graciosa do Senhor. Os comentaristas observam que o contexto egípcio é essencial. Deus age no centro da opressão, não fora dela. Segundo Beacon, o Êxodo é o grande paradigma da salvação no Antigo Testamento. Tudo o que virá depois se organiza a partir desse ato redentor inaugural.

2 Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.

👉 Aqui Deus redefine o tempo. A redenção inaugura uma nova história. Champlin destaca que Israel passa a organizar sua vida não mais segundo o calendário do Egito, mas segundo o agir salvador de Deus. A salvação não apenas liberta, ela reorganiza prioridades, identidade e memória. O povo começa a contar o tempo a partir do livramento.

3 Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada casa.

👉 A salvação é pessoal, mas nunca isolada. O cordeiro é para a casa. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal ressalta que ninguém podia confiar no cordeiro do vizinho. Cada família precisava apropriar-se do meio de salvação. Isso antecipa o princípio bíblico da fé pessoal e responsável.

4 Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; conforme o comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro.

👉 Deus provê inclusão. Ninguém fica de fora. O Comentário Esperança observa que o cuidado divino aqui revela um Deus que ajusta a provisão à necessidade, não o contrário. A redenção não é elitista, é comunitária e acessível.

5 O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras

👉 A exigência de um cordeiro sem defeito estabelece o princípio da perfeição sacrificial. O Dicionário Bíblico Baker explica que “sem defeito” aponta para integridade total, física e simbólica. Esse versículo prepara o caminho cristológico. A Bíblia de Estudo MacArthur vê aqui uma tipologia clara de Cristo, o sacrifício perfeito, moralmente impecável.

6 e o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde.

👉 Há um tempo de espera. O cordeiro é observado. Beacon destaca que isso permitia verificar qualquer defeito. Teologicamente, isso aponta para Cristo, que foi examinado publicamente e não foi achado culpado. A morte ocorre “ao entardecer”, expressão associada ao momento do sacrifício diário no templo.

7 E tomarão do sangue e pô-lo-ão em ambas as ombreiras e na verga da porta, nas casas em que o comerem.

👉 O sangue não é simbólico apenas, é o sinal da salvação. O verbo hebraico usado aqui indica aplicação intencional. Champlin observa que não bastava matar o cordeiro. Era necessário aplicar o sangue. Isso ensina que redenção exige apropriação pela fé. A Bíblia de Estudo Plenitude ressalta que o sangue é o meio pelo qual a vida é preservada.

11 Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor.

👉 A salvação exige prontidão. Comer com sandálias e cajado revela expectativa de libertação imediata. O Comentário Esperança destaca que a fé verdadeira gera movimento. Deus salva para tirar do Egito, não para acomodar no Egito.

 

Provérbios 23

29 No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

👉 João Batista conecta Êxodo e Cristo em uma única frase. O termo grego amnós (cordeiro) remete diretamente ao sacrifício pascal e ao Servo Sofredor de Isaías 53. O verbo airō significa remover, carregar e eliminar. Segundo Gordon Fee e o Dicionário Baker, não se trata de cobrir o pecado, mas de removê-lo eficazmente. A expressão “do mundo” aponta para a abrangência da obra de Cristo, suficiente para todos, eficaz para os que creem.

32 E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele.

👉 O testemunho de João confirma que o sacrifício está ligado à unção do Espírito. A Bíblia de Estudo Pentecostal CPAD enfatiza que a redenção não é apenas jurídica, mas espiritual e pneumatológica. O Espírito autentica o Filho.

33 E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

👉 Aqui está o critério divino. Não é reconhecimento humano, mas revelação espiritual. Champlin observa que João não escolhe Jesus. Deus o revela. Além disso, o texto conecta o Cordeiro com aquele que batiza no Espírito Santo, unindo cruz e Pentecostes.

34 E eu vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

👉 A redenção culmina na revelação da identidade de Jesus. Ele não é apenas o Cordeiro, mas o Filho. Beacon destaca que a cruz não é tragédia, é missão. O sacrifício é eficaz porque quem morre é o Filho eterno, enviado pelo Pai.

 

Síntese Teológica:

👉 Êxodo 12 estabelece o padrão. João 1 revela o cumprimento. O cordeiro do Egito salvou uma noite. O Cordeiro de Deus salva eternamente. O sangue nos umbrais livrou da morte física. O sangue de Cristo liberta do pecado e restaura a comunhão com Deus. A redenção bíblica é histórica, substitutiva, pessoal, eficaz e transformadora. Cristo é o Cordeiro prometido, revelado, aprovado e oferecido por Deus para a salvação do mundo.

 

INTRODUÇÃO

 

Nesta lição, nosso foco é a centralidade de Jesus Cristo como o “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. Desde o Antigo Testamento, a imagem do Cordeiro Pascal em Êxodo 12 já anunciava um livramento divino, simbolizando a libertação da escravidão e a proteção pelo sangue. Essa tipologia profética se cumpre gloriosamente em Cristo, cujo sacrifício vicário é a única e suficiente obra para a redenção da humanidade. O sangue de Jesus, derramado na cruz, aniquila o pecado e estabelece uma reconciliação definitiva com Deus. Ao final, refletiremos sobre o viver como redimidos e reconciliados, desfrutando da plena comunhão com o Pai.

👉 Como um anúncio feito à beira do Jordão pode reinterpretar toda a história da redenção humana? Quando João Batista aponta para Jesus e proclama: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), ele não está apenas identificando um homem, mas revelando o eixo em torno do qual gira toda a Escritura. Nessa breve declaração convergem séculos de expectativa messiânica, a tipologia do Antigo Testamento e o propósito eterno de Deus de salvar um povo para si. O título “Cordeiro de Deus” carrega uma densidade teológica que ultrapassa a simples imagem de mansidão: ele evoca sacrifício substitutivo, juízo evitado, libertação da escravidão e, finalmente, a remoção definitiva do pecado. Desde Êxodo 12, o cordeiro pascal ocupava lugar central na experiência redentora de Israel. Seu sangue, aplicado segundo a ordem divina, marcava as casas que seriam poupadas do juízo e sinalizava o início de uma nova história: a passagem da escravidão para a liberdade. Contudo, aquele sacrifício era provisório, pedagógico e tipológico. Ele apontava para algo maior: um Cordeiro perfeito, sem defeito, cujo sangue não apenas livraria da morte física, mas trataria do problema mais profundo da humanidade, o pecado que separa o ser humano de Deus. Assim, a Páscoa não era um fim em si mesma, mas uma sombra do que haveria de se cumprir plenamente em Cristo.

Nesta lição, veremos que Jesus é o cumprimento final e suficiente de toda essa expectativa. Ele não é apenas mais um sacrifício dentro de um sistema repetitivo, mas o sacrifício único e definitivo que “aniquila o pecado” (Hb 9.26). Seu sangue inaugura uma nova realidade espiritual: redenção completa e reconciliação verdadeira com o Pai. Ao longo do estudo, examinaremos, primeiro, o significado do Cordeiro da Páscoa como símbolo de salvação; depois, compreenderemos por que João Batista identifica Jesus como o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo; e, por fim, refletiremos sobre as implicações práticas dessa obra salvadora, mostrando como a cruz produz não apenas perdão, mas uma vida transformada, vivida em liberdade, comunhão e acesso confiante ao trono da graça. Esta lição nos convida a contemplar a cruz não apenas como evento histórico, mas como o centro vivo da fé cristã e o fundamento da nossa esperança eterna.

 

I. O CORDEIRO DA PÁSCOA: UM SÍMBOLO DA SALVAÇÃO

1. O contexto do Cordeiro da Páscoa. A primeira vez que a imagem do Cordeiro de Deus aparece de forma clara na Bíblia é em Êxodo 12. É nesse capítulo que Deus institui a Páscoa, e o cordeiro se torna símbolo de livramento. Mas para entender isso melhor, precisamos lembrar do que estava acontecendo com o povo de Israel. O livro de Êxodo mostra que os israelitas estavam sendo oprimidos como escravos no Egito (Êx 1.12,13). Era um tempo de sofrimento, dor e humilhação. Eles viviam sem liberdade, forçados a trabalhar duro, sem esperança de mudança. Essa situação de escravidão representa algo muito profundo: a condição do ser humano sem Deus, preso pelo pecado. O apóstolo Paulo explica isso muito bem quando diz: “Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e pelo pecado, a morte; e assim a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rm 5.12). Assim como os israelitas eram escravizados no Egito, nós também estávamos presos pelo pecado. Mas foi nesse cenário que Deus apresentou uma saída: o Cordeiro da Páscoa.

👉 O nascimento da imagem do Cordeiro da Páscoa não ocorre em um ambiente litúrgico tranquilo, mas no chão duro da opressão. Êxodo 12 surge como resposta de Deus a um clamor antigo. Israel estava esmagado por séculos de escravidão no Egito, submetido a um sistema que sugava sua força, destruía sua identidade e parecia não oferecer futuro algum. A opressão descrita em Êxodo 1.12–14 não é apenas histórica; ela revela uma lógica espiritual profunda. Assim como o Egito dominava Israel, o pecado domina o ser humano longe de Deus. Paulo descreve essa condição como universal e fatal. “Todos pecaram” não é apenas uma constatação moral, mas um diagnóstico espiritual. A humanidade está presa a uma escravidão que não consegue quebrar sozinha (Rm 5.12, NVI). Nesse contexto, Deus não inicia a libertação com armas ou estratégias políticas, mas com um ato teológico. Ele ordena um sacrifício. O cordeiro não é um detalhe do êxodo, mas o centro do evento. Cada família deveria tomar um cordeiro sem defeito, morto no lugar dos primogênitos. A expressão hebraica e o conceito que a envolve apontam para substituição. Alguém morre para que outro viva. Esse princípio atravessa toda a Escritura e encontra aqui uma de suas primeiras formulações claras. O juízo não é ignorado, mas satisfeito. A morte não é negada, mas transferida. O sangue nas portas não era um símbolo mágico, mas um sinal de obediência confiante à Palavra de Deus. O texto de Êxodo deixa claro que a libertação não começa na saída do Egito, mas na aplicação do sangue. Antes de atravessar o mar, Israel precisou confiar. Antes de caminhar em liberdade, precisou obedecer. Isso ensina algo essencial aos jovens cristãos. Deus não salva por proximidade étnica, por herança religiosa ou por sofrimento acumulado. Ele salva por resposta à sua Palavra. A casa protegida não era a mais justa, mas a que estava marcada pelo sangue. Aqui já se revela um princípio caro à teologia bíblica e reafirmado na fé pentecostal clássica. A graça de Deus é oferecida, mas precisa ser acolhida com fé obediente. O Novo Testamento aprofunda esse sentido ao revelar que o problema da humanidade não é apenas opressão externa, mas corrupção interna. O pecado não é somente um ato, mas uma condição. O termo grego usado por Paulo para pecado, hamartía, aponta para errar o alvo, viver desalinhado com o propósito de Deus. Assim como Israel não conseguiria libertar-se do Egito por suas próprias forças, o ser humano não consegue libertar-se do pecado por esforço moral ou religioso. É nesse ponto que o Cordeiro da Páscoa assume um papel pedagógico. Ele ensina que a salvação sempre dependerá da iniciativa divina e do custo sacrificial estabelecido por Deus. Portanto, o Cordeiro da Páscoa não é apenas um símbolo de livramento histórico, mas uma revelação progressiva do caráter redentor de Deus. Ele aponta para um Deus que entra na história, que julga o pecado, mas oferece um meio de escape. Um Deus que não ignora a morte, mas a vence por meio da substituição. Ao olhar para Êxodo 12, o jovem cristão é convidado a perceber que a salvação nunca foi barata, nunca foi automática e nunca foi desconectada da fé prática. O caminho da libertação começa quando confiamos no que Deus diz, aplicamos sua Palavra à nossa vida e descansamos no sangue que Ele mesmo providenciou.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

3. ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018.

10. BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

 

2. A instituição da Páscoa. Depois de 400 anos de escravidão no Egito, Deus começou a libertar o povo de Israel. Ele escolheu Moisés para liderar essa missão. Mas a saída não foi fácil, pois o Faraó não queria deixar os israelitas partirem. Então, Deus enviou várias pragas para confrontar o coração endurecido do rei. Enquanto isso, os israelitas ainda moravam no Egito, e, para não serem atingidos pelas pragas, eles precisavam obedecer à direção de Deus. A última praga seria a mais difícil: a morte de todos os filhos primogênitos do Egito, até mesmo o filho do Faraó não estava livre. Para proteger os israelitas, e estabelecer um memorial por tão grande livramento, Deus instituiu a Páscoa (Êx 12). Ele deu orientações bem específicas: cada família deveria escolher um cordeiro de um ano, sem defeito, matar o animal ao entardecer e passar o sangue dele nas ombreiras das portas. Além disso, todos deveriam comer a carne do cordeiro vestidos e prontos para sair do Egito (Êx 12.4,5,7,11). Naquela noite, o Anjo da Morte passou pelo Egito. As casas que tinham o sangue do cordeiro, no local indicado por Deus, foram poupadas. Ninguém morreu ali (Êx 12.12-14,23,37,38,51). Mas nas casas egípcias, onde não havia sangue, os primogênitos morreram (Êx 12.29). Esse livramento marcou a história de Israel. O povo saiu do Egito e celebrou aquele dia como a primeira Páscoa. O cordeiro sem defeito, cujo sangue foi colocado nas ombreiras e na verga da porta, trouxe vida e proteção. Essa é a Páscoa! Um lembrete de que o sangue do cordeiro trouxe libertação.

👉 A libertação de Israel não começou quando o povo saiu do Egito, mas quando Deus falou e o povo decidiu obedecer. Após cerca de quatro séculos de escravidão, o Senhor se revelou como o Deus que vê, ouve e age. Ele chamou Moisés e confrontou o poder do Egito não apenas com sinais, mas com juízo progressivo. As pragas revelam algo essencial. O coração de Faraó estava endurecido, e nenhuma negociação humana seria suficiente. A libertação exigia uma intervenção divina que tocasse o centro da vida. A última praga não foi apenas a mais severa, foi a mais teológica. A morte dos primogênitos expôs que ninguém está fora do alcance do juízo quando a vida não está sob a palavra de Deus.

É nesse cenário que o Senhor institui a Páscoa. O texto de Êxodo 12 mostra que Deus não ofereceu uma saída genérica, mas um caminho específico. Cada detalhe importava. O cordeiro deveria ser macho, de um ano, sem defeito. Não era qualquer animal. A ausência de defeito apontava para a integridade do sacrifício. A morte do cordeiro ao entardecer colocava a redenção no limiar entre luz e trevas, entre juízo e misericórdia. O sangue deveria ser aplicado nas ombreiras e na verga da porta, não no chão, nem no interior da casa. O livramento não vinha do sangue guardado, mas do sangue aplicado conforme a palavra do Senhor.

O texto bíblico deixa claro que a proteção não estava no lar, na família ou na origem israelita, mas no sinal visível do sangue. Deus afirmou: “Quando eu vir o sangue, passarei por vocês” (Êx 12.13, NVI). A ênfase está na ação divina diante da resposta humana. O verbo hebraico associado à Páscoa carrega a ideia de poupar, passar por cima. A casa marcada não era julgada, não porque fosse inocente, mas porque alguém havia morrido em lugar de outro. Aqui aparece, de forma inequívoca, o princípio da substituição. Vida foi preservada porque outra vida foi entregue. Esse fundamento atravessa toda a teologia bíblica da salvação.

Além disso, o povo deveria comer o cordeiro com pressa, vestidos e prontos para partir. A redenção não era um evento para contemplação passiva, mas para obediência imediata. Deus libertaria, mas o povo precisava estar disposto a deixar o Egito. Isso ensina aos jovens que salvação não é apenas livramento do juízo, mas chamado para uma nova caminhada. Não se trata apenas de ser poupado, mas de estar pronto para sair. A Páscoa não termina dentro da casa marcada pelo sangue. Ela continua na estrada rumo à liberdade. Assim, a Páscoa se torna mais que um evento histórico. Ela se torna um memorial vivo da graça que age em meio ao juízo e da fé que responde com obediência. O sangue do cordeiro trouxe vida, proteção e futuro. Não porque o povo merecia, mas porque Deus providenciou um meio de escape. Essa verdade confronta e consola. Confronta porque não há salvação fora daquilo que Deus estabelece. Consola porque Deus sempre provê um caminho. A Páscoa nos ensina que a libertação começa quando confiamos na Palavra, aplicamos o sangue e nos colocamos prontos para seguir adiante.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

3. ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018.

10. BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

 

3. A tipologia do Cordeiro Pascal. Hoje, esse cordeiro é uma tipologia profética de Cristo Jesus. Aqui temos duas imagens vívidas e simbólicas que remontam ao sacrifício de Jesus: o Cordeiro Pascal como um sacrifício substitutivo no lugar dos primogênitos (Êx 12.27), que simboliza nosso Senhor como Aquele que foi sacrificado por nós (1Co 5.7); e o sangue nos umbrais das portas, que salvou as famílias israelitas (Êx 12.7,23), simboliza o sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário para nos livrar do pecado (Hb 9.22). Assim, esse acontecimento no Antigo Testamento aponta de maneira gloriosa para o que o Senhor Jesus faria, de uma vez por todas. Sua obra vicária é o cumprimento único e suficiente de tudo o que começou em Êxodo 12.

👉 Para compreender a profundidade do Cordeiro Pascal, é essencial entender o que a Bíblia chama de tipologia. Tipologia bíblica não é alegoria livre nem leitura imaginativa do texto. Trata-se de um método teológico presente na própria Escritura, em que eventos, pessoas e instituições reais do Antigo Testamento apontam, de forma histórica e progressiva, para realidades maiores que se cumprem em Cristo. O tipo é verdadeiro em si mesmo, mas incompleto. O antítipo é o cumprimento pleno. Essa leitura respeita o texto, preserva sua historicidade e revela a unidade do plano redentor de Deus. Sem a tipologia, o Antigo Testamento fica fragmentado. Com ela, a história da salvação se torna coerente, intencional e cristocêntrica.

O Cordeiro Pascal é um desses tipos centrais. Em Êxodo 12, ele morre no lugar dos primogênitos. A expressão usada na narrativa deixa claro que a morte foi substitutiva. Um inocente ocupa o lugar do culpado. Esse princípio não nasce no Novo Testamento. Ele é revelado desde cedo na economia divina. Quando Paulo afirma que “Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado” (1Co 5.7, NVI), ele está declarando que Jesus não apenas se assemelha ao cordeiro, mas cumpre aquilo que o cordeiro jamais poderia concluir. A tipologia mostra que o sacrifício de Cristo não foi improviso histórico, mas desdobramento do propósito eterno de Deus.

O sangue nos umbrais das portas aprofunda ainda mais essa revelação. Em Êxodo 12.7,23, o sangue aplicado impedia a entrada do juízo. Não era o valor moral da família que garantia proteção, mas o sinal visível do sangue. Hebreus afirma que “sem derramamento de sangue não há perdão” (Hb 9.22, NVI). O termo grego usado para perdão, áphesis, carrega a ideia de liberação real, não simbólica. O sangue de Cristo não cobre temporariamente o pecado, mas promove libertação efetiva. A tipologia ensina que o sangue aplicado nas portas apontava para o sangue derramado na cruz, aplicado pela fé ao coração humano.

Há ainda um detalhe pastoral profundo. O cordeiro precisava ser morto, mas também precisava ser comido. A salvação não era apenas objetiva, mas relacional. O povo se alimentava da provisão de Deus. Essa dimensão encontra eco em Cristo, que afirma ser o pão da vida. A tipologia, portanto, não termina na cruz, mas alcança a comunhão. Jovens cristãos precisam perceber que não basta reconhecer o sacrifício de Cristo como um fato histórico. É necessário apropriar-se dele pela fé viva, pela obediência e pela permanência em comunhão com o Senhor.

Assim, a tipologia do Cordeiro Pascal nos ensina que Deus sempre conduziu a história com propósito, coerência e graça. O que começou em Êxodo encontra seu cumprimento pleno em Jesus. Sua obra vicária é única, suficiente e definitiva. Não há necessidade de repetição, complemento ou substituição. O Cordeiro de Deus encerra o ciclo sacrificial e inaugura uma nova realidade espiritual. Compreender isso não é apenas um exercício teológico. É um convite à confiança, à gratidão e a uma vida moldada pela certeza de que a salvação não depende de nós, mas do Cordeiro que Deus providenciou.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

3. ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, R. N. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018.

10. BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

 

SUBSÍDIO I

“A Páscoa e a Festa dos Pães Asmos. O calendário religioso de Israel começou com a Páscoa, o dia reservado para comemorar a libertação do Egito. Ocorrendo na primavera, este dia singular era acompanhado pela celebração de uma semana conhecida como a Festa dos Pães Asmos, durante a qual todos os homens eram obrigados a fazer uma peregrinação ao santuário e oferecer as primícias da colheita de cevada (Lv 23.9-14). Israel observava a Páscoa com rituais que reencenavam a noite em que o Senhor poupou os israelitas no Egito. Um cordeiro era morto, e o seu sangue colocado nos batentes das portas das casas e no Altar de Bronze do santuário. O cordeiro era assado e servido com pão asmo e ervas amargas, enquanto os participantes — vestidos com roupas de viagem — ouviam a releitura da história do êxodo. Eles não deveriam ter fermento em qualquer lugar entre eles, nem realizar trabalho no primeiro e último dia da festa e nem deixar de levar ofertas ao santuário (Nm 9.1-5; Js 5.10,11; 2Rs 23.21-23; 2Cr 30; 35.1-19).

Os cristãos primitivos associaram a morte de Jesus com a do cordeiro pascal (1Co 5.7,8), encorajados pelos comentários de Jesus na Última Ceia (descrita pelos Evangelhos Sinóticos como uma refeição pascal; e.g., Mt 26.17-30). Talvez Jesus quisesse enfatizar que, assim como a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos lembravam o povo de Deus da sua libertação e provisão, os seus seguidores encontrariam nEle verdadeira liberdade e plena provisão.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2024, p.197).

 

II. JESUS: O CORDEIRO DE DEUS QUE TIRA O PECADO DO MUNDO

 

1. O Cordeiro de Deus. É bem verdade que, em Êxodo 12, o sacrifício do Cordeiro Pascal não era para tirar o pecado. Contudo, tinha a ver com a luta entre a vida e a morte, conforme estudamos acima. Mais tarde, no sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, o cordeiro recebe essa conotação de expiação do pecado. Em Isaías 53, de maneira profética, é apresentada a imagem de um Cordeiro que sofre e é levado ao matadouro. Essas imagens do Cordeiro Pascal que marcam o livramento de um povo — do Cordeiro que expia o pecado no sistema de sacrifícios do Antigo Testamento e, principalmente, do Cordeiro em Isaías 53, na profecia do Servo Sofredor, que morre no lugar de outro — são evocadas por João Batista quando ele proclama; “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Essa mensagem de João Batista evoca nosso Senhor como o Cordeiro do sacrifício perfeito, completo e suficiente para pagar, de uma vez por todas, o pecado de todo o mundo.

👉 Quando João Batista aponta para Jesus e declara: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29, NVI), ele não faz uma afirmação poética nem simbólica apenas. Ele faz uma leitura teológica madura de toda a história bíblica. Até Êxodo 12, o cordeiro estava ligado, sobretudo, à preservação da vida diante do juízo. O sangue impedia a morte, mas não removia o pecado. A Páscoa tratava do livramento da condenação imediata, não da purificação da consciência. Esse detalhe é fundamental. A revelação de Deus é progressiva. Aquilo que começou como proteção contra a morte avança, ao longo do Antigo Testamento, para a necessidade mais profunda do ser humano: a solução definitiva para o pecado. No sistema sacrificial instituído posteriormente, o cordeiro passa a ocupar lugar central na expiação. Levítico apresenta o sangue como meio de cobertura, mas ainda limitada. Os sacrifícios precisavam ser repetidos, pois não transformavam o interior do adorador. Eles apontavam para algo maior. É nesse contexto que Isaías 53 se destaca. O profeta descreve um Servo que sofre voluntariamente, “como cordeiro levado ao matadouro” (Is 53.7, NVI), não por seus próprios pecados, mas pelos pecados de outros. Aqui o cordeiro não apenas morre. Ele assume culpa alheia. A morte deixa de ser apenas substitutiva e passa a ser expiatória. O texto prepara o terreno para a compreensão do Messias como aquele que carrega o pecado do povo.

Quando João Batista usa o verbo “tirar” em João 1.29, o termo grego empregado é airō, que significa remover, carregar e eliminar. Não se trata de encobrir temporariamente, mas de retirar de forma efetiva. Esse verbo revela que a obra de Jesus não apenas suspende o juízo, mas resolve o problema do pecado em sua raiz. Diferente dos sacrifícios antigos, Cristo não oferece algo externo. Ele oferece a si mesmo. Gordon Fee observa que essa linguagem aponta para uma ação decisiva de Deus na história, em que o pecado é tratado como realidade vencida, e não apenas administrada. A cruz, portanto, não é repetição do sistema antigo, mas seu cumprimento e encerramento. Outro aspecto que merece atenção é a expressão “do mundo”. João não limita o alcance do sacrifício a um grupo étnico ou religioso. Ele anuncia um Cordeiro providenciado por Deus para toda a humanidade. Isso está em plena harmonia com a teologia pentecostal clássica, que afirma a provisão universal da expiação e a necessidade da resposta pessoal pela fé. Stanley Horton destaca que o sacrifício de Cristo é suficiente para todos, mas eficaz apenas naqueles que creem. O Cordeiro é dado ao mundo, mas precisa ser recebido. Aqui nasce uma tensão saudável entre graça oferecida e responsabilidade humana.

Para os jovens cristãos, essa verdade é profundamente pastoral. Jesus não é apenas um símbolo religioso ou um exemplo moral. Ele é o Cordeiro que assumiu o peso real do pecado real de pessoas reais. Isso confronta uma fé superficial e convida a uma resposta sincera. Se o pecado foi removido, não faz sentido continuar vivendo como quem ainda está preso a ele. Reconhecer Jesus como o Cordeiro de Deus é confiar plenamente em sua obra, abandonar a autossuficiência espiritual e viver diariamente à luz da redenção já realizada. A declaração de João continua ecoando. A pergunta agora é pessoal. O Cordeiro já foi revelado. O que faremos com Ele?

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. FEE, Gordon D. Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2015.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2018.

 

2. “Aniquila o pecado”. Na Carta aos Hebreus 9.26, lemos: “Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo”. Esse versículo evoca uma verdade afirmada em toda a Carta aos Hebreus, bem como a expressão usada por João Batista, “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”; havia apenas um propósito no ministério de Jesus: “aniquilar o pecado”. Como visto na segunda lição, o ser humano não sabe o que fazer com o problema do pecado e com toda a sua culpa e vergonha, mas nosso Senhor providenciou o sacrifício perfeito que, diferentemente dos sacrifícios do Antigo Testamento, soluciona o problema do pecado e remove toda a culpa e vergonha do coração do ser humano pecador.

👉 A afirmação de Hebreus 9.26 nos conduz ao coração do evangelho. O autor declara que Cristo, “na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (NVI). O termo traduzido por “aniquilar” comunica mais do que um simples perdão pontual. No grego, a ideia está ligada ao verbo athétesis, que carrega o sentido de abolir, cancelar, tornar inoperante. Não se trata apenas de encobrir o pecado, como acontecia no sistema levítico, mas de lidar com ele de forma decisiva. Aqui, o texto nos apresenta um Cristo que age no tempo certo da história, não repetidamente, mas de maneira única, suficiente e final. Essa verdade percorre toda a Carta aos Hebreus. Os sacrifícios do Antigo Testamento eram contínuos porque eram provisórios. Eles apontavam para algo maior, mas não resolviam plenamente a questão da consciência humana. Como observam os comentaristas pentecostais, o sangue de animais não tinha poder para transformar o interior do adorador. Ele lembrava o pecado, mas não o eliminava. Em contraste, o sacrifício de Cristo inaugura uma nova realidade. Ele não apenas remove a culpa objetiva diante de Deus, mas alcança a dimensão subjetiva do ser humano, tocando a consciência, a vergonha e o medo que o pecado produz no coração. É nesse contexto que a proclamação de João Batista ganha sua força máxima. Quando ele anuncia: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29, NVI), o verbo “tirar” traduz o grego airō, que significa carregar, remover, levar para longe. A imagem não é de um pecado ignorado, mas de um pecado assumido e removido. O Cordeiro não apenas aponta para a solução; Ele mesmo se torna a solução. Como ressaltam estudiosos como Gordon Fee e Craig Keener, João apresenta Jesus como aquele que assume o peso do pecado humano para que este não domine mais o destino do ser humano. Do ponto de vista da teologia pentecostal clássica, essa obra é suficiente, mas não mecânica. Cristo aniquila o pecado em seu poder condenatório, mas chama o ser humano à resposta da fé, do arrependimento e da perseverança. Stanley Horton destaca que a salvação não é apenas um ato jurídico, mas uma experiência transformadora que envolve redenção, regeneração e santificação. O problema do pecado não é apenas externo; ele desorganiza a interioridade humana. Por isso, o sacrifício de Cristo alcança também a culpa e a vergonha, restaurando a comunhão com Deus e a dignidade do ser humano criado à sua imagem. Essa verdade precisa descer do campo da doutrina para a vida diária. Muitos jovens conhecem o conceito de perdão, mas ainda vivem presos à culpa e à vergonha do passado. Hebreus nos lembra que Cristo não morreu para que continuemos tentando administrar o pecado sozinhos. Ele morreu para aniquilar seu domínio e curar a consciência ferida. Isso nos chama a uma fé viva, que confia plenamente na obra do Cordeiro e aprende a viver em liberdade, gratidão e santidade. A pergunta pastoral que permanece é simples e profunda: se o pecado foi aniquilado em Cristo, por que ainda carregá-lo como se Ele não tivesse sido suficiente?

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

3. O poder do sangue de Jesus. No Antigo Testamento, o sumo sacerdote oferecia, todos os anos, sacrifícios com sangue de animais (Hb 9.25). Mas Jesus fez diferente: Ele entregou a si mesmo e ofereceu o seu próprio sangue por nós quando morreu na cruz (Hb 9.22). O sangue de Jesus tem um significado muito forte para a nossa fé. Tanto que, na Ceia do Senhor — uma das ordenanças da Igreja —, o cálice representa o sangue de Cristo (Mt 26.27,28; 1Co 11.25). Quando participamos da Ceia, estamos lembrando de que foi o sangue de Jesus que nos trouxe vida. Por isso, nunca devemos esquecer o que o sangue de Cristo significa. Foi pelo sangue que fomos libertos. Pelo sangue fomos salvos. Pelo sangue fomos comprados, perdoados e purificados. O sangue de Jesus é precioso e poderoso. Ele é a prova do amor de Deus por nós, e garante o perdão dos nossos pecados de forma definitiva (1Jo 1.7).

👉 Falar do sangue de Jesus é tocar no centro da fé cristã. Hebreus nos lembra que, no Antigo Testamento, o sumo sacerdote entrava todos os anos no Santo dos Santos com sangue alheio, repetindo um ritual que jamais alcançava solução definitiva (Hb 9.25, NVI). Aqueles sacrifícios apontavam para algo maior, mas revelavam também sua própria limitação. O pecado permanecia como uma ferida aberta na história humana. O culto seguia. A consciência, porém, não era plenamente curada. O texto bíblico nos prepara, assim, para compreender a grande ruptura que acontece em Cristo.

Jesus não oferece sangue de outro. Ele oferece a si mesmo. Hebreus 9.22 afirma que “sem derramamento de sangue não há perdão”, e logo adiante mostra que Cristo entra no santuário celestial com o seu próprio sangue, de uma vez por todas. Aqui está o contraste decisivo. O sangue de animais era substitutivo, mas insuficiente. O sangue de Cristo é pessoal, voluntário e eficaz. No vocabulário bíblico, “sangue” traduz o termo grego haíma, que não representa apenas fluido físico, mas a própria vida entregue. Quando Cristo derrama seu sangue, Ele entrega sua vida em favor do pecador.

Essa entrega inaugura uma nova realidade espiritual. Os comentaristas pentecostais destacam que o sangue de Jesus não atua apenas no tribunal divino, mas também no interior humano. Ele purifica a consciência. Remove a culpa. Restaura a comunhão. O que a Lei não podia fazer, por ser externa, Cristo realiza de dentro para fora. Stanley Horton observa que o sacrifício de Jesus não apenas satisfaz a justiça divina, mas abre caminho para uma vida transformada pelo Espírito. O perdão não é apenas declarado. Ele é experimentado.

Por isso, a Ceia do Senhor ocupa lugar tão central na vida da Igreja. Quando Jesus toma o cálice e diz: “Este é o meu sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos” (Mt 26.28, NVI), Ele interpreta sua própria morte. O cálice não é um símbolo vazio. Ele aponta para uma nova aliança selada no sangue, não escrita em tábuas, mas gravada no coração. Ao participar da Ceia, a igreja não repete o sacrifício. Ela o proclama. Lembra. Confessa que sua vida vem do sangue derramado na cruz. Essa lembrança, porém, não deve ser apenas litúrgica. Ela é profundamente pastoral. Muitos carregam a fé, mas ainda vivem sob o peso da acusação. O apóstolo João afirma que “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1Jo 1.7, NVI). O verbo “purificar” traduz o grego katharízō, que indica limpeza contínua, eficaz e restauradora. Isso significa que o sangue de Cristo não apenas perdoa o passado, mas sustenta o presente da caminhada cristã. Onde há arrependimento sincero e fé viva, há purificação real.

Do ponto de vista da teologia pentecostal clássica, essa obra não elimina a responsabilidade humana, mas a fundamenta. Somos chamados a viver em santidade não para conquistar o perdão, mas porque fomos alcançados por ele. Antonio Gilberto, referência na educação teológica das Assembleias de Deus, sempre destacou que a doutrina do sangue de Cristo não conduz à acomodação, mas a uma vida de gratidão, reverência e compromisso com Deus. O sangue que salva é o mesmo que nos chama a uma vida separada para o Senhor. Se fomos libertos, comprados e purificados pelo sangue de Jesus, não faz sentido viver como quem ainda está preso. A cruz não é apenas o ponto de partida da fé. Ela é o fundamento diário da vida cristã. Lembrar-se do sangue de Cristo é aprender a viver sem culpa, sem medo e sem presunção. É caminhar em humildade, obediência e esperança. Afinal, quem foi alcançado por um sangue tão precioso não pode tratar a graça de forma leviana.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

SUBSÍDIO II

“Cordeiro de Deus. Um título de Jesus usado no Evangelho de João, nas Cartas de João e em Apocalipse.

 

A expressão aparece pela primeira vez em João 1.29, onde João reconhece que Jesus é aquEle ‘que tira o pecado do mundo’, e depois novamente em João 1.36, quando o clamor de João faz com que dois dos seus discípulos tornem-se os primeiros seguidores de Jesus. A referência principal é a Festa da Páscoa, durante a qual João coloca a narrativa da paixão, na qual um cordeiro é abatido e comido. Essa é celebração e eco da Páscoa original, na qual o povo hebreu passou sangue de cordeiro nas ombreiras das suas portas para que o julgamento contra os primogênitos do Egito não atingisse os hebreus (Êx 12.1-15). A salvação que João vislumbra é diferente da narrativa do êxodo em muitos aspectos. O inimigo de que o povo de Deus é salvo não é mais um opressor geopolítico, mas o próprio pecado. Israel agora foi expandido para conter toda a raça humana. O ‘cordeiro’ passou por uma grande transformação e agora deve ser identificado com o Messias e até com o próprio Deus. Para os crentes do NT, a morte e a ressurreição de Jesus são a conclusão da Páscoa. Ao invés de salvar um povo de um perigo específico, a salvação de Deus alcança eficácia universal em Jesus Cristo, tirando o pecado do mundo.

A outra figura que alimenta o significado de ‘Cordeiro de Deus’ é o Servo Sofredor de Isaías 53. Isaías diz: ‘Ele foi oprimido, mas não abriu a boca; como um cordeiro, foi levado ao matadouro e, como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca’ (53.7). Para João, talvez, o significado desse versículo cumpre-se especificamente em João 19.9. Os cordeiros também faziam parte da adoração cultual de Israel e eram aceitáveis para mais de uma oferta (e.g., Lv 3.7; 4.32; 5.6).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.126).

 

III. REDENÇÃO E RECONCILIAÇÃO POR MEIO DA OBRA SALVÍFICA DE CRISTO

 

1. A Redenção. A Palavra de Deus nos mostra a linda imagem da redenção. A obra de Cristo na cruz transforma a vida do pecador. Foi por meio do sangue precioso de Jesus que fomos resgatados e redimidos. Em outras palavras, através do seu Filho, Deus nos libertou do domínio do Diabo e do pecado, e ainda restaurou nosso relacionamento com Ele (1Pe 1.18,19). A salvação tem a ver com um alto preço pago: o sangue de Jesus. Essa é uma obra extraordinária que muda totalmente a nossa condição, que antes era de pecado, indignidade e corrupção. Jesus nos resgatou, nos redimiu — e isso muda tudo!

👉 A redenção é uma das palavras mais densas e belas do evangelho. Ela nasce de uma realidade dura. O ser humano não estava apenas perdido, mas aprisionado. A Escritura descreve essa condição como escravidão ao pecado e submissão a um poder que não conseguíamos vencer por nós mesmos. É nesse cenário que a cruz se ergue, não como um gesto simbólico, mas como um ato histórico e decisivo de libertação. A redenção começa quando Deus entra na história para fazer por nós aquilo que jamais conseguiríamos fazer sozinhos. O Novo Testamento usa o verbo grego lytróō para falar de redenção. O termo vem do mundo do mercado e do resgate de escravos. Significa libertar mediante pagamento de preço. Pedro afirma que fomos resgatados “não por coisas perecíveis como prata ou ouro, mas pelo precioso sangue de Cristo” (1Pe 1.18,19, NVI). Isso revela duas verdades inseparáveis. Havia um cativeiro real e houve um preço real. A redenção não é metáfora religiosa. Ela é libertação concreta, custosa e eficaz.

Do ponto de vista arminiano, essa obra redentora possui um alcance universal em provisão, ainda que pessoal em aplicação. Cristo morreu por todos. O preço foi suficiente para toda a humanidade. Contudo, a redenção não é imposta. Ela precisa ser recebida pela fé. Deus, em sua graça preveniente, se aproxima do pecador, desperta a consciência e oferece libertação. Como ensina a teologia pentecostal clássica, a cruz abre a porta da salvação, mas o ser humano é chamado a atravessá-la em arrependimento e fé viva. A redenção é oferecida a todos, apropriada por aqueles que respondem ao chamado divino.

Essa libertação não é apenas jurídica, mas relacional. A redenção rompe o domínio do pecado e do Diabo, mas também restaura o relacionamento com Deus. O pecado não apenas nos tornava culpados. Ele nos afastava. Criava medo, vergonha e ruptura. A obra de Cristo trata dessas dimensões profundas da alma humana. Ao sermos redimidos, deixamos de ser apenas perdoados. Somos reconciliados. Voltamos a nos relacionar com Deus não como escravos aterrorizados, mas como filhos restaurados pela graça.

Os comentaristas pentecostais destacam que essa redenção tem efeitos contínuos na vida cristã. Stanley Horton observa que o sangue de Cristo não apenas nos tira do cativeiro inicial, mas sustenta nossa caminhada em santidade. A redenção inaugura um novo senhorio. Não pertencemos mais ao pecado. Fomos comprados por preço. Isso redefine identidade, valores e escolhas. O cristão redimido não vive para conquistar aceitação. Ele vive a partir da aceitação que já recebeu em Cristo.

Antonio Gilberto, referência na educação teológica das Assembleias de Deus, sempre enfatizou que a doutrina da redenção precisa gerar vida prática. Ser redimido significa viver de forma coerente com a liberdade recebida. Não se trata de perfeição imediata, mas de uma nova direção. O resgate realizado por Cristo nos chama a abandonar antigos grilhões, antigas práticas e antigos amores que competem com o senhorio de Jesus.

A redenção muda tudo porque muda quem somos e a quem pertencemos. Se fomos resgatados pelo sangue de Cristo, não precisamos mais viver como prisioneiros do passado, da culpa ou do medo. A cruz declara que houve um preço pago, uma liberdade conquistada e uma nova história iniciada. A pergunta que permanece é simples, mas confrontadora. Estamos vivendo como pessoas redimidas ou apenas como quem conhece a linguagem da redenção, mas ainda não aprendeu a desfrutar de sua liberdade?

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

2. A Reconciliação. A Palavra de Deus também nos mostra que a obra de salvação realizada por Cristo nos reconciliou com Deus. Em outras palavras, em Cristo, Deus estava restaurando o nosso relacionamento com Ele, que havia sido quebrado por causa do pecado (2Co 5.18,19). A reconciliação é justamente isso: a volta da comunhão entre Deus e o ser humano. Essa verdade é uma das bases da salvação. Por isso, por meio de Jesus, podemos nos aproximar de Deus com confiança, como diz a Bíblia: “cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb 4.16). Só conseguimos fazer isso porque “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19).

👉 A reconciliação é o coração relacional da salvação. O pecado não produziu apenas culpa diante da lei de Deus, mas rompeu a comunhão, gerando afastamento, medo e hostilidade. A Escritura afirma que o ser humano tornou-se inimigo de Deus não porque Deus deixou de amar, mas porque o pecado distorceu nossa relação com Ele. Por isso, a salvação não poderia limitar-se ao perdão jurídico. Era necessário restaurar a comunhão. É exatamente isso que a obra de Cristo realiza de forma plena e graciosa. Paulo afirma que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5.19, NVI). O verbo grego usado aqui é katallássō, que significa mudar uma relação de inimizade para uma relação de amizade. O foco do texto não está em um Deus irado sendo convencido a amar, mas em um Deus amoroso tomando a iniciativa de restaurar o relacionamento quebrado. A reconciliação nasce no coração de Deus e se concretiza na cruz. Ele não apenas remove o obstáculo do pecado, mas abre novamente o caminho da comunhão.

Na perspectiva arminiana clássica, essa reconciliação possui um alcance universal em sua provisão. Deus, em Cristo, reconciliou o mundo consigo. Isso significa que a obra objetiva da cruz tornou possível a restauração de todo ser humano. Contudo, essa reconciliação precisa ser recebida. A graça de Deus se antecipa ao pecador, chama, convence e convida, mas não violenta a resposta humana. Como ensina a teologia pentecostal, a reconciliação é oferecida a todos, mas experimentada por aqueles que respondem em fé e arrependimento. É importante perceber que Paulo diz que recebemos “o ministério da reconciliação” (2Co 5.18). Isso revela que a reconciliação não é apenas uma experiência pessoal, mas uma vocação espiritual. Quem foi reconciliado passa a viver como embaixador dessa reconciliação. O cristão não apenas desfruta da comunhão restaurada, mas se torna instrumento para que outros também retornem a Deus. A reconciliação muda a forma como nos relacionamos com Deus e com o próximo.

Os comentaristas pentecostais observam que essa restauração relacional gera confiança espiritual. O autor de Hebreus afirma que agora podemos nos aproximar “com confiança ao trono da graça” (Hb 4.16, NVI). A palavra grega parrēsía comunica liberdade, ousadia reverente e ausência de medo. Não se trata de arrogância espiritual, mas de segurança filial. A reconciliação remove o medo que nos fazia fugir de Deus e nos convida a correr para Ele. Antonio Gilberto, pioneiro da educação teológica nas Assembleias de Deus, sempre destacou que a salvação bíblica produz comunhão viva com Deus. Não é uma religião fria, nem um sistema de regras, mas uma relação restaurada. A reconciliação muda a maneira como oramos, adoramos e enfrentamos a vida. Não falamos mais com um juiz distante, mas com um Pai acessível, que nos recebe pela obra do Filho. Muitos crentes vivem perdoados, mas não reconciliados em sua consciência. Conhecem a doutrina, mas ainda oram com medo, culpa ou distanciamento. A cruz declara que a comunhão foi restaurada. Se Deus nos recebeu em Cristo, não há razão para vivermos afastados. A reconciliação nos chama a viver em intimidade, confiança e obediência amorosa. A pergunta final não é se Deus deseja comunhão conosco. Ele já respondeu isso na cruz. A pergunta é se estamos vivendo como quem realmente foi reconciliado.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

3. Vivendo como redimidos e reconciliados. Por meio da obra de salvação realizada por Jesus na cruz, fomos redimidos e reconciliados com Deus. A Redenção nos libertou do domínio do pecado e do Diabo — éramos escravos, mas agora somos livres (Cl 1.13,14). A Reconciliação restaurou nossa comunhão com o Pai — antes distantes, agora estamos perto (Ef 2.13). Essas duas verdades caminham juntas: fomos comprados por um alto preço e recebidos novamente como filhos. Em Cristo, temos acesso direto ao trono de Deus, sem medo, culpa ou condenação (Hb 4.16). O que antes era barreira, hoje é ponte. A cruz de Jesus abriu o caminho para uma vida nova, longe da escravidão do pecado e perto do coração de Deus. Agora, nada nos impede de viver uma vida com propósito e intimidade com o Pai. Por isso, viva cada dia como alguém que foi perdoado, liberto e acolhido — e não como quem ainda está preso ao passado de pecado.

👉 A cruz não foi apenas um evento histórico; ela redefiniu a nossa existência diante de Deus. Quando o Novo Testamento fala de redenção, usa o termo grego apolýtrōsis, que carrega a ideia de libertação mediante pagamento de preço. Paulo afirma que fomos libertos do domínio das trevas e transportados para o Reino do Filho amado (Cl 1.13–14, NVI). Isso significa que nossa antiga condição não era de simples fragilidade moral, mas de escravidão real. O pecado exercia domínio, e Satanás explorava essa condição. A obra de Cristo rompeu essa autoridade. Não somos mais reféns de um senhor tirano, mas pertencemos a um novo Reino, governado pela graça. Essa redenção, porém, não pode ser compreendida isoladamente da reconciliação. Paulo afirma que, em Cristo, “vocês, que antes estavam longe, foram aproximados mediante o sangue de Cristo” (Ef 2.13, NVI). Aqui, o termo grego katallagē aponta para a restauração de um relacionamento quebrado. Não se trata apenas de perdão jurídico, mas de comunhão restabelecida. O problema do pecado não era só a culpa, mas a separação. A cruz removeu a inimizade, não porque Deus precisasse ser convencido a amar, mas porque a justiça foi plenamente satisfeita em Cristo, abrindo espaço para um relacionamento verdadeiro e santo.

Redenção e reconciliação caminham juntas porque tratam de dois aspectos da mesma obra. Fomos libertos de algo e trazidos para alguém. Fomos comprados por alto preço e, ao mesmo tempo, recebidos como filhos. Stanley Horton observa que, na salvação, Deus não apenas nos tira do cativeiro do pecado, mas nos reintegra à família divina, restaurando dignidade e identidade espiritual¹. A cruz não apenas quebra correntes; ela nos devolve o lar. Isso muda profundamente a forma como nos enxergamos e como vivemos. Essa nova condição nos concede acesso direto a Deus. O autor de Hebreus nos convida a nos aproximar “com confiança do trono da graça” (Hb 4.16, NVI). A palavra parrēsía indica liberdade de expressão, ousadia reverente, ausência de medo servil. Não nos aproximamos como condenados à espera de sentença, mas como filhos que sabem que serão acolhidos. O que antes era barreira, marcada por culpa e distância, tornou-se ponte sólida construída pelo sangue de Cristo.

Viver como redimidos e reconciliados exige uma mudança consciente de mentalidade. Muitos crentes permanecem presos a culpas antigas, comportando-se como se ainda estivessem no cativeiro. Isso não é humildade; é desconhecimento da obra da cruz. Gordon Fee destaca que a vida no Espírito pressupõe uma nova identidade, na qual o passado não define mais o presente². Continuar vivendo como escravo, quando já se é livre, é negar, na prática, o alcance da redenção. Essa verdade tem implicações pastorais profundas para o dia a dia. Ser redimido afeta nossas escolhas; ser reconciliado transforma nossa oração, nossa adoração e nossos relacionamentos. Aproximamo-nos de Deus não por merecimento, mas por graça. E essa graça não nos acomoda, mas nos chama a uma vida santa, marcada por propósito e intimidade. Como afirma Frank Macchia, a reconciliação em Cristo gera uma espiritualidade relacional, centrada na comunhão viva com Deus e com o próximo³. Por isso, viva cada dia à luz daquilo que Cristo já realizou. Não volte às correntes que Ele quebrou. Não viva como estrangeiro na casa onde foi adotado. A cruz declarou o fim da escravidão e o início de uma nova história. Caminhe, portanto, como alguém perdoado, liberto e reconciliado, permitindo que essa verdade molde sua fé, sua prática cristã e sua esperança eterna.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

3. MACCHIA, Frank D. Baptized in the Spirit: A Global Pentecostal Theology. Grand Rapids: Zondervan, 2006.

4. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

SUBSÍDIO III

 

Professor(a), leve seus alunos a refletirem a respeito do pecado e a nossa reconciliação com Deus. “Paulo usou textos do AT [Sl 5.9; 14.1-3; 36.1; 53.1; 140.3; Jr 5.16; Pv 1.16; Is 59.7,8], para mostrar que a humanidade é pecadora e inaceitável perante Deus.

Alguma vez você já analisou a si mesmo da seguinte maneira: ‘Bem, não sou tão mau assim’ ou ‘Até que sou uma pessoa muito boa’. Em caso afirmativo, leia novamente Rm 3.10-18 e veja se algum deles se aplica a você. Você já mentiu? Ofendeu os sentimentos de alguém com suas palavras ou tom de voz? Foi áspero com alguém? Você se ira com aqueles que discordam totalmente de suas palavras? Em pensamentos, palavras e atos, você, como todo o mundo, é culpado perante Deus! Deve lembrar-se de quem somos aos olhos do Senhor: pecadores perdidos. Não negue que é um pecador. Antes, permita que sua desesperada carência o conduza a Cristo.” (Adaptado da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.1556,1557).

 

CONCLUSÃO

 

O sacrifício de Jesus na cruz, ao derramar seu precioso sangue, aniquilou o pecado — algo que os sacrifícios do Antigo Testamento não podiam fazer de forma definitiva. Essa obra transformadora nos resgatou da escravidão do pecado e do domínio do Diabo, restaurando nossa comunhão com o Pai. Assim, como redimidos e reconciliados, somos chamados a viver uma vida de liberdade e intimidade com Deus, sem culpa ou condenação. A cruz de Jesus não é apenas um marco histórico, mas a ponte que nos garante acesso direto ao trono da graça.

👉 O sangue derramado por Jesus na cruz não foi apenas símbolo de entrega, mas o meio eficaz pelo qual o pecado foi definitivamente tratado. A Escritura afirma que Ele “apareceu uma vez por todas para aniquilar o pecado mediante o sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26, NVI). O verbo grego athétesis comunica a ideia de anulação real, e não mera cobertura temporária. Diferentemente dos sacrifícios do Antigo Testamento, que precisavam ser repetidos continuamente e nunca podiam aperfeiçoar a consciência do adorador, a obra de Cristo foi plena, suficiente e final. Na cruz, o problema do pecado foi enfrentado em sua raiz. Essa superioridade da obra de Cristo revela o limite dos sacrifícios levíticos. Eles apontavam para algo maior, mas não possuíam poder intrínseco para remover o pecado. O escritor aos Hebreus é claro ao afirmar que “é impossível que o sangue de touros e bodes tire pecados” (Hb 10.4, NVI). À luz da teologia pentecostal clássica, isso não diminui a Lei, mas evidencia seu caráter pedagógico. Como observa Stanley Horton, o sistema sacrificial preparava o caminho para a revelação plena da graça, conduzindo o povo à expectativa de um sacrifício perfeito e definitivo¹.

Quando Cristo se entrega, sua morte realiza uma dupla libertação. Fomos resgatados da escravidão do pecado e libertos do domínio de Satanás. Paulo declara que Deus nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor (Cl 1.13, NVI). O termo exousía indica autoridade real, governo efetivo. Antes, o pecado exercia poder sobre nós; agora, essa autoridade foi quebrada. A cruz não apenas perdoa, ela desmantela o poder que mantinha o ser humano cativo. Ao mesmo tempo, essa libertação gera reconciliação. O pecado havia produzido ruptura, distância e inimizade. Mas, pelo sangue de Cristo, fomos aproximados de Deus (Ef 2.13, NVI). A reconciliação não é um sentimento subjetivo, mas um ato objetivo de Deus que restaura a comunhão rompida. Craig Keener destaca que, no contexto paulino, reconciliação envolve a restauração de um relacionamento que só pode ser retomado quando a causa da separação é removida². A cruz removeu essa causa de forma plena.

Como resultado, a vida cristã deixa de ser marcada pela culpa constante e pelo medo da condenação. O acesso ao trono da graça é descrito em Hebreus 4.16 como uma aproximação confiante. A palavra parrēsía expressa liberdade, franqueza e ousadia reverente. Não nos aproximamos de Deus como réus inseguros, mas como filhos que sabem que serão recebidos com misericórdia. A cruz transforma nossa postura espiritual e redefine nossa relação com o Pai. Viver como redimidos e reconciliados é, portanto, uma resposta consciente à obra consumada de Cristo. Não faz sentido continuar vivendo sob o peso de um passado que já foi tratado na cruz. Gordon Fee observa que a vida no Espírito pressupõe uma nova realidade existencial, na qual o crente aprende a viver de acordo com aquilo que Deus já declarou verdadeiro a seu respeito³. A liberdade cristã não é licença para o pecado, mas capacitação para uma vida santa e alinhada com Deus. Assim, a cruz de Jesus não é apenas um marco histórico a ser lembrado, mas uma ponte viva que sustenta nossa caminhada diária. Ela garante acesso contínuo ao trono da graça, sustenta nossa comunhão com o Pai e fundamenta uma vida de intimidade, obediência e esperança. Viver à sombra da cruz é viver como quem foi, de fato, perdoado, liberto e restaurado.

Ao findar esta preciosa lição, precisamos extrair minimamente, três aplicações práticas para a vida cristã:

1. Viva a partir da sua nova identidade em Cristo: Se fomos realmente libertos do domínio do pecado e reconciliados com Deus, não faz sentido continuar nos definindo por culpas passadas, fracassos antigos ou rótulos que a cruz já anulou. A aplicação prática aqui é aprender a pensar e agir à luz da redenção. Isso envolve rejeitar a mentalidade de escravo e assumir, pela fé, a postura de filho. No cotidiano, isso se expressa em decisões conscientes de santidade, em uma vida de arrependimento contínuo e na confiança de que Deus nos chama a crescer, e não a viver paralisados pelo passado.

2. Cultive uma vida de intimidade real com Deus: A reconciliação abriu acesso direto ao Pai. Portanto, oração, leitura da Palavra e comunhão com a igreja não são obrigações religiosas, mas privilégios espirituais. A aplicação prática é desenvolver uma vida devocional consistente, marcada por sinceridade e dependência do Espírito Santo. Jovens redimidos não se aproximam de Deus com medo ou formalismo vazio, mas com reverência e confiança, sabendo que o trono da graça é lugar de acolhimento, correção e fortalecimento diário.

3. Viva de forma coerente com a liberdade que a cruz conquistou: A liberdade cristã não é ausência de limites, mas libertação do poder do pecado para viver em obediência. Na prática, isso exige vigilância espiritual, escolhas responsáveis e resistência às antigas práticas que escravizavam a vida. Ser redimido implica abandonar hábitos, relacionamentos e atitudes que contradizem a nova vida em Cristo. Essa coerência testemunha ao mundo que a cruz não é apenas uma crença, mas uma realidade que transforma caráter, prioridades e propósito de vida.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

4. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

HORA DA REVISÃO

 

1. Onde a imagem do Cordeiro de Deus aparece pela primeira vez?

A primeira vez que a imagem do Cordeiro de Deus aparece de forma clara na Bíblia é em Êxodo 12.

2. O que a mensagem de João Batista evoca a respeito de nosso Senhor?

Essa mensagem de João Batista evoca nosso Senhor como o Cordeiro do sacrifício perfeito, completo e suficiente para pagar, de uma vez por todas, o pecado de todo o mundo.

3. O que Hebreus 9.26 evoca?

Esse versículo evoca uma verdade afirmada em toda a Carta aos Hebreus, bem como a expressão usada por João Batista, [...]; havia apenas um propósito no ministério de Jesus: “aniquilar o pecado”.

4. A salvação tem a ver com um alto preço pago. Qual é esse preço?

O sangue de Jesus.

5. De acordo com o ensino da lição, como devemos viver a cada dia?

Viva cada dia como alguém que foi perdoado, liberto e acolhido — e não como quem ainda está preso ao passado de pecado.

 

[Francisco Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); • Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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