LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
ADULTOS
1º Trimestre de 2026
Título: A Santíssima
Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas
Baptista
Lição 2: O Deus Pai
Data: 11 de janeiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“Ninguém conhece o Pai, senão
o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” (Mt 11.27c).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 Jesus encerra esta declaração com uma frase que, segundo o
Comentário Bíblico Pentecostal, é “uma das afirmações cristológicas mais
ousadas e exclusivas do Evangelho”. O verbo “conhecer”, no grego epiginōskō (ἐπιγινώσκω),
não expressa mera informação, mas conhecimento pleno, íntimo, relacional. No
mundo bíblico, conhecer é entrar em comunhão. Assim, Jesus afirma que o Pai só
pode ser conhecido em profundidade por quem pertence a Ele e é trazido para
dentro dessa relação viva. O texto deixa claro que esse conhecimento não nasce
da capacidade humana. A Bíblia de Estudo MacArthur observa que Jesus exclui
qualquer possibilidade de o homem, por si só, “subir” até Deus. Do início ao
fim, a revelação é monergística: procede do Filho, concedida segundo Sua
soberana vontade. O Comentário Histórico-Cultural do NT recorda que “conhecer o
Pai” era o anseio supremo da espiritualidade judaica, mas Jesus redefine esse
conhecimento: ele não acontece mais por meio da Torá, do templo ou da tradição,
e sim por meio da própria pessoa do Messias. Quando Jesus afirma que somente
Ele conhece o Pai, está reivindicando uma relação exclusiva que ultrapassa
qualquer experiência humana. A Bíblia de Estudo Pentecostal destaca que o verbo
está no tempo presente, sugerindo uma comunhão contínua e eterna entre Pai e
Filho. O Filho não aprende o Pai; Ele sempre O conheceu. Aqui encontramos ecos
fortes de João 1.18, onde Cristo é descrito como aquele que “está no seio do Pai”.
A expressão sugere proximidade absoluta, como observam Keener e Arrington: o
Filho é a própria autoexpressão do Pai, Seu intérprete definitivo, Aquele que O
torna visível (Jo 14.9).
A frase seguinte é ainda mais
profunda: “... e aquele a quem o Filho o quiser revelar.” O termo apokalýptō (ἀποκαλύπτω)
significa “tirar o véu”, “expor o que estava oculto”. Na visão de Champlin e da
Bíblia de Estudo Plenitude, Jesus coloca sobre Si a prerrogativa divina da
revelação. Isso é extraordinário. O Antigo Testamento afirmava repetidas vezes
que somente Deus revela Deus (Dt 29.29; Is 45.15). Agora, Jesus assume para Si
essa função, mostrando que Sua vontade é a vontade do Pai. Stanley Horton
destaca que, embora a revelação seja soberana (“a quem o Filho quiser revelar”),
ela não é arbitrária. A vontade do Filho reflete o coração do Pai, que deseja
que todos sejam salvos (1Tm 2.4). A soberania da revelação não exclui a
compaixão de Deus, mas a fundamenta. Macchia e Menzies comentam que a obra do
Espírito Santo, especialmente em João 14–16, é aplicar essa revelação do Filho
na vida do discípulo, transformando conhecimento em comunhão, e comunhão em
transformação. A Bíblia de Estudo Shedd observa algo essencial: Jesus diz isso
logo após convidar os cansados e sobrecarregados a chegarem a Ele (Mt 11.28).
Ou seja, o conhecimento do Pai não é privilégio de uma elite espiritual, mas
dom oferecido a quem reconhece sua necessidade. No Reino, iluminação não
depende de intelecto, mas de humildade (Mt 11.25,26). O Filho revela o Pai aos
simples, aos quebrantados, aos desesperados que se lançam inteiros nos braços
de Cristo. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal enfatiza que conhecer o Pai
transforma toda a vida: identidade, descanso, missão e caráter. A revelação do
Pai não é apenas doutrinária; é cura para a alma cansada. É a entrada no
descanso que só Jesus concede (Mt 11.29). Assim, Mateus 11.27 nos coloca diante
da verdade central da fé cristã: Deus não é acessível pela religião,
conquista ou mérito. Ele é conhecido pela graça do Filho, que
Se revela aos que vêm a Ele com coração humilde. Toda a caminhada cristã nasce,
cresce e se sustenta sobre essa revelação amorosa.
VERDADE PRÁTICA
Conhecemos a identidade, os atributos e a glória do Deus Pai por meio da
revelação de Cristo e da ação do Espírito Santo.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 Só conhecemos verdadeiramente quem Deus Pai é (Sua identidade,
Seus atributos e Sua glória) porque o Filho O revelou perfeitamente e o
Espírito Santo ilumina nosso coração para contemplá-Lo e experimentá-Lo de modo
vivo e transformador.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Mateus 11.25-27; João 14.6-11.
Mateus 11
25 Naquele tempo, respondendo Jesus, disse:
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos
sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.
👉 • Eu te louvo, ó Pai Jesus inicia com uma oração de gratidão. Os
comentários pentecostais destacam que essa oração revela intimidade única entre
o Filho e o Pai, evidenciando a relação intratrinitária.• Senhor do céu e da terra
título que afirma a soberania absoluta de Deus (MacArthur; Beacon). Mostra que
a revelação é um ato soberano, não humano.• escondeste... revelaste a
revelação é divina e seletiva. Os estudiosos indicam: não é discriminação
arbitrária, mas o juízo contra a soberba humana e o favor dado aos humildes
(Aplicação Pessoal; Pentecostal NT).• sábios e instruídos não pessoas
inteligentes em si, mas os que confiam na própria sabedoria e rejeitam o Filho
(Histórico-Cultural).• pequeninos os humildes, dependentes,
simples de coração. Horton associa ao princípio espiritual: Deus dá Sua graça
aos humildes e resiste aos arrogantes.• Champlin ressalta que “pequeninos”
aponta para um tipo de discipulado que depende da revelação espiritual, não de
poder intelectual.
26 Sim, ó Pai, porque assim te aprouve.
👉 • Jesus confirma: a escolha divina em revelar aos humildes
agrada a Deus. Beacon e Plenitude destacam que aqui vemos a alegria mútua na
Trindade: o Filho se alegra com a vontade do Pai. Há harmonia perfeita entre o
querer do Pai e o querer do Filho, um tema muito presente em João 5–10. A
expressão enfatiza a soberania graciosa de Deus em revelar o seu Reino
(MacArthur: “a salvação é sempre um ato da livre graça de Deus”).
27 Todas as coisas me foram entregues por meu
Pai; e ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o
Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
👉 • Todas as coisas me foram entregues afirmação de autoridade
messiânica plena. Horton e MacArthur observam que isso aponta para a divindade
do Filho e Sua missão redentora.• Ninguém conhece o Filho… ninguém conhece o
Pai trata-se de um conhecimento íntimo, relacional e exclusivo, como
ensinam os comentários do NT da CPAD. Champlin destaca o sentido de epiginōskō:
conhecimento profundo, não meramente intelectual.• senão o Filho… e aquele a quem o
Filho o quiser revelar Cristo é o mediador da revelação divina (Beacon;
Plenitude). Aqui está um dos textos mais fortes sobre a unicidade da revelação
cristológica: ninguém chega ao Pai sem Cristo, antecipando João 14.6. Aponta
também para a ação conjunta do Espírito Santo, pois o conhecimento do Pai é
sempre revelado pelo Filho no poder do Espírito (Horton; Pentecostal NT).
João 14
6 Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a
verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
👉 • Uma das mais importantes declarações cristológicas do NT.• Eu
sou (Egō eimi) fórmula de autoidentificação divina (Êx 3.14),
reconhecida por MacArthur e Horton como afirmação implícita de divindade. • O
caminho Ele não apenas aponta o caminho; Ele é o caminho (BEP).• A
verdade Cristo é a revelação final de Deus (Heb 1.1–3).• A
vida origem e doador da vida eterna (Champlin).• Ninguém vem ao Pai senão por mim
exclusividade absoluta; Beacon observa que este versículo estabelece a
singularidade do evangelho contra qualquer universalismo.
7 Se vós me conhecêsseis a mim, também
conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.
👉 • A Bíblia Plenitude observa que o verbo ginōskō indica
conhecimento progressivo e relacional. Jesus liga diretamente o conhecimento do
Filho ao conhecimento do Pai, tema chave das Escrituras. A tensão entre “não
conheceram” e “agora conhecem” mostra a transição entre a limitação pré-cruz e
a revelação plena que virá com o Espírito Santo (Pentecostal NT).
8 Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o
Pai, o que nos basta.
👉 • O pedido de Filipe revela sinceridade, mas falta de
compreensão espiritual. O desejo é legítimo, mas a percepção ainda é limitada
pela expectativa de uma manifestação visível semelhante às teofanias do AT. O
pedido evidencia sede espiritual verdadeira, porém sem entender que o Pai já
está sendo revelado no Filho.
9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo
convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como
dizes tu: Mostra-nos o Pai?
👉 • Uma das afirmações mais fortes da divindade de Cristo. Jesus
não é apenas parecido com o Pai; Ele é a expressão exata do Pai (Hb 1.3).Isso
não significa que Pai e Filho são a mesma pessoa, mas que possuem natureza
idêntica, operam inseparavelmente e revelam um ao outro. Ver Jesus é
compreender o caráter, o amor e a vontade do Pai.
10 Não crês tu que eu estou no Pai e que o
Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o
Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
👉 • Aqui se destaca a união funcional e essencial entre Pai e
Filho. Jesus fala e age em perfeita submissão e harmonia com o Pai. Esta é uma
das bases da doutrina da Trindade: distinção de pessoas, unidade de essência e
operação. Não há autonomia independente; a obra do Pai se manifesta plenamente
no Filho.
11 Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em
mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
👉 • Jesus apela à fé baseada em duas testemunhas:
– Sua palavra (testemunho
revelacional);
– Suas obras (testemunho das
evidências messiânicas).
As obras de Jesus são sinais do Reino,
testemunhos do poder do Espírito Santo. Os milagres confirmam Sua identidade
divina e Sua missão salvadora. A fé pode começar pela observação das obras de
Cristo, mas deve amadurecer no reconhecimento de Sua Palavra.
INTRODUÇÃO
A doutrina da Trindade é um mistério revelado e central à fé cristã: um
só Deus em três Pessoas coeternas, consubstanciais e distintas — o Pai, o Filho
e o Espírito Santo. Dentre essas três Pessoas, estudaremos nesta lição a
Identidade, a Revelação e a Pessoa de Deus, o Pai. Aquele de quem procedem o
Filho e o Espírito. Ele é a fonte eterna da divindade: Criador, Redentor e
Revelador. Por meio da fé, somos convidados a conhecer e nos relacionar com o
Pai Celestial.
👉 A doutrina da Trindade não é um enigma para ser decifrado, mas
uma revelação graciosa do próprio Deus que se dá a conhecer. Quando abrimos as
Escrituras, não encontramos três deuses, nem um único Deus que muda de forma,
mas um único Deus que existe eternamente como Pai, Filho e Espírito Santo. Cada
Pessoa é plenamente Deus, cada uma distinta, e ainda assim inseparável na
essência. Essa é a fé que moldou a igreja desde os primeiros séculos e
permanece o alicerce de toda espiritualidade cristã madura. É nesse terreno
santo que somos chamados a tirar as sandálias e aprender a nos relacionar com o
Pai, o Deus que Jesus revelou. Ao estudar o Pai, não tratamos de uma ideia
abstrata, mas de um Ser pessoal que deseja ser conhecido. Jesus declarou que
ninguém conhece o Pai a não ser o Filho e aqueles a quem o Filho o revelar. A
palavra conhecer, no grego ginōskō, indica mais do que informação. Trata de
relacionamento, intimidade, confiança e vida compartilhada. Cristo não apenas
fala sobre o Pai. Ele vive diante do Pai, age em unidade com o Pai e abre o
caminho para que nós também o conheçamos. Assim, toda compreensão do Pai passa
pela pessoa de Jesus, que é a perfeita expressão de sua glória e caráter. A
Escritura apresenta o Pai como a fonte eterna de tudo o que existe. Ele é o
Deus que simplesmente é. Quando diz Eu Sou, em Êxodo 3.14, Ele revela sua
autoexistência e sua fidelidade. O Novo Testamento reforça essa verdade ao
mostrar que o Pai possui vida em si mesmo e concede essa mesma vida ao Filho.
Como destacam Horton e o Comentário Beacon, não falamos de um ser distante, mas
de um Deus que cria, sustenta, governa e se envolve com o mundo por meio de seu
Filho e do Espírito. Ele é o Autor da criação, o planejador da redenção e o
mantenedor da vida. Tudo procede dEle, tudo é realizado pelo Filho e tudo é
aplicado pelo Espírito. Conhecer o Pai é entrar na história da redenção. Desde
a criação, Ele se dá a conhecer por seus atributos, nomes e obras. No Antigo
Testamento, Israel aprendeu a chamá-lo de Elohim, El Shaddai e YHWH, nomes que
revelam seu poder, sua suficiência e sua fidelidade. No Novo Testamento, Jesus
o apresenta como Pai de modo ainda mais íntimo, convidando-nos a orar Pai
nosso. Essa é uma revolução espiritual. Aquele que sustenta o universo também
se inclina para ouvir a oração de seus filhos. Cada atributo, cada nome e cada
ação do Pai não é mero conteúdo teológico, mas um convite ao relacionamento. Por
isso, ao ingressarmos nesta lição, não buscamos apenas compreender conceitos,
mas aprender a viver à luz do Pai que Cristo revelou. A doutrina da Trindade
não é um apêndice da fé cristã. Ela é o centro pulsante da nossa adoração, da
nossa oração e da nossa vida diária. Conhecer o Pai é conhecer a fonte da
graça, o Deus que nos adotou em Cristo e derramou sobre nós o Espírito da filiação.
Que esta introdução abra nossos olhos, fortaleça nossa fé e desperte em nós o
desejo sincero de caminhar com o Pai, o Filho e o Espírito Santo com
reverência, alegria e confiança.
1.HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
2.ARRINGTON, French
L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento.
Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
3.CHAMPLIN, R. N. O
Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2018.
4.CPAD. Comentário
Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
Palavra-Chave: PAI
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 A palavra Pai nas Escrituras carrega profundidade linguística e
espiritual. No hebraico do Antigo Testamento, o termo é ’āv (אָב), que designa
tanto o chefe da família quanto o protetor, o provedor e o transmissor da
herança. Embora Deus seja chamado de Pai em alguns textos (Is 63.16; 64.8; Ml
1.6), essa linguagem não era o modo comum de Israel se referir a Ele; os judeus
tendiam a falar de Deus com reverência mais distante, evitando expressões que
pudessem sugerir familiaridade excessiva. No aramaico, língua falada por Jesus,
o termo abbá tornou-se intimamente associado ao modo como Ele se dirigia a Deus.
Abbá não é apenas um equivalente infantil de “paizinho”, mas uma forma
carregada de confiança, dependência e entrega, usada tanto por crianças quanto
por adultos em momentos de profunda relação filial. No grego do Novo
Testamento, aparece a palavra patḗr (πατήρ), usada para traduzir e ampliar o
sentido de abbá, mostrando que o Pai revelado por Jesus não é distante, mas
pessoal e acessível. Quando Jesus ora chamando Deus de Abbá, Pai (Mc 14.36) Ele
inaugura, para seus discípulos, um novo modo de se relacionar com Deus. Nos
Evangelhos, Pai não é título teológico frio. É a porta de entrada para a vida
na família de Deus. Em Cristo, aprendemos que o Pai é aquele que nos adota, nos
recebe, nos corrige e nos sustenta, e é por isso que Jesus ensina seus seguidores
a orar Pai nosso, convidando-nos a viver sob o cuidado amoroso, santo e
soberano do Deus que Se revelou plenamente no Filho.
I. A
IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
1. O Pai é o único Deus verdadeiro. O Pentateuco declara “Ouve,
Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Dt 6.4). Deus, no Antigo
Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus nomes, pelos seus atributos
e pelos seus atos (Horton, 1997, p.159). O Novo Testamento apresenta o Pai como
Deus por excelência, identificado seis vezes com o título de “Deus Pai” (Jo
6.27; 1Co 15.24; Gl 1.1,3; Ef 6.23; 1Pe 1.2). Além dessas ocorrências
explícitas, a Bíblia frequentemente se refere a Deus como “Pai”, destacando seu
papel como Criador e Sustentador do Universo (Is 63.16; Mt 6.9; Ef 4.6). O
próprio Jesus se refere a Deus como “Pai”, e ensina os discípulos a orarem “Pai
nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9), reforçando a necessidade de um
relacionamento pessoal com Deus.
👉 O ponto de partida para entender quem é o Pai é o ‘Shema
Israel’, a confissão que moldou a fé do povo de Deus: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único
Senhor. Aqui, o Antigo Testamento nos ensina que Deus é absolutamente
singular. Não existe outro que compartilhe sua essência, glória ou autoridade.
Os estudiosos do Comentário Bíblico Beacon
lembram que esse texto não é apenas uma afirmação monoteísta, mas um convite à
adoração exclusiva. Quando Jesus surge nos Evangelhos e fala do Pai, Ele não
apresenta outro Deus, mas aprofunda essa revelação. Aquele que Israel adorava
como o único Deus é o mesmo Pai que Cristo conhece intimamente e nos convida a
conhecer. À medida que avançamos pelas Escrituras, vemos que esse Deus único se
manifesta por seus nomes, seus atributos e suas obras. Horton observa que o
Antigo Testamento revela Deus como Criador, Rei e Sustentador de todas as
coisas. Isaías declara Tu, Senhor, és nosso Pai, mostrando que essa verdade já
despontava de forma real, ainda que não plenamente compreendida. O termo Pai
aqui não expressa apenas origem, mas cuidado, governo e amor redentor. O Novo
Testamento retoma essa linha e a leva ao seu ápice, identificando Deus como Pai
de maneira explícita em vários textos. Ele é o Pai que cria, dirige a história
e conduz seu povo com fidelidade que nunca falha. Jesus, porém, é quem ilumina
de forma plena essa identidade. Ao chamá-lo de Pai, Ele usa a palavra aramaica
abbá, expressão íntima que revela proximidade e confiança. Os comentaristas do
Pentecostal do NT lembram que Jesus não usa esse termo para diminuir a
majestade divina, mas para mostrar que o Deus único do Shema é também o Deus
que se aproxima para salvar. Quando Cristo ensina Pai nosso, Ele não transmite
uma fórmula, mas um caminho de relacionamento. Ele nos insere na mesma relação
que Ele possui com o Pai. O grego patḗr reforça essa dimensão: não é uma
metáfora, mas uma identidade divina real e eterna. Assim, quando o Novo
Testamento apresenta o Pai, ele não cria uma nova divindade ao lado do Deus do
Antigo Testamento. Pelo contrário, ele declara com clareza: o Pai é o próprio
Deus que sempre se revelou como o único Senhor. Paulo usa esse título repetidas
vezes, não para apresentar uma hierarquia inferior ao Filho e ao Espírito, mas
para afirmar que o Deus da redenção é o mesmo Deus da criação. A Bíblia de
Estudo MacArthur destaca que chamar Deus de Pai também nos lembra de nossa
dependência, pois Ele é o que sustenta todas as coisas e conduz todas as eras
segundo seu conselho eterno. Por isso, aprender a chamar Deus de Pai é mais do
que dominar um conceito teológico. É permitir que nossa vida seja moldada por
essa verdade. Saber que o único Deus verdadeiro é o Pai revelado por Jesus nos
chama a viver com reverência, confiança e entrega. Ele não é distante, nem
indiferente. Ele é santo, mas também próximo. Ele governa o universo, mas
inclina seu ouvido aos seus filhos. Como discípulos, somos chamados a viver
essa realidade diariamente: caminhar com o Pai, confiar no Pai, obedecer ao Pai
e descansar no Pai. É assim que a fé do Shema encontra sua plenitude na vida
cristã.
1. CPAD. Comentário
Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
3. ARRINGTON,
French L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
4. MACARTHUR, John.
Bíblia de Estudo MacArthur. NashVille: Thomas Nelson, 2017.
2. O Pai é a fonte da divindade. Nossa Declaração de Fé professa
que Deus é o Supremo Ser, é Eterno, nunca teve começo, princípio e nunca terá
fim (Dt 33.27), pois Ele existe por si mesmo: “como o Pai tem a vida em si
mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Ele é o
Deus imutável, desde a eternidade, desde antes da fundação do mundo (Sl 90.2;
Ml 3.6; Tg 1.17). Ele é o Criador do céu e da terra, e de tudo que neles existe
(Is 45.18; At 17.24). Ele é o Deus Pai de nosso Senhor Jesus Cristo (Jo 20.31);
Ele é Espírito doador e mantenedor de toda a vida (Jó 33.4). O Pai é a Primeira
Pessoa divina da Santíssima Trindade, portanto, Ele é a origem e fonte eterna
da divindade, de quem o Filho é gerado e de quem o Espírito procede (Jo 15.26;
Hb 1.1-3).
👉 A Escritura apresenta Deus como o Ser supremo, que existe por si
mesmo e não depende de nada fora dEle. Jesus afirma que o Pai tem vida em si
mesmo, expressão que revela o atributo conhecido como asseidade. No grego, a
frase zōēn en heautōi descreve vida que não é recebida, mas possuída
eternamente. É a partir desse ser absoluto que toda a revelação bíblica se
torna possível. O Antigo Testamento ecoa essa verdade quando declara que Deus é
o Eterno. Antes que os montes nascessem, Tu és Deus. O salmista contempla não
apenas a eternidade de Deus, mas sua imutabilidade, pois o Deus que age na
história é o mesmo que existe antes da história. Horton observa que a
eternidade divina não é apenas duração infinita, mas plenitude de ser. Por
isso, quando o Pai se revela, Ele o faz a partir de uma existência que não muda
e não se desgasta. A imutabilidade do Pai se manifesta em sua fidelidade.
Malaquias registra Eu, o Senhor, não mudo. Tiago declara que nEle não há sombra
de variação. O Comentário Bíblico Beacon destaca que essa imutabilidade garante
que suas promessas não vacilam e seus decretos não se alteram. O Deus que
chamou Abraão é o mesmo que sustenta a igreja hoje. Ele não se reinventa; Ele
permanece. Isso dá ao crente segurança em tempos instáveis. A eternidade e
imutabilidade do Pai se estendem à sua obra criadora. Ele é o Criador de tudo o
que existe. Isaías proclama que Deus estabeleceu a terra, e Paulo, ao pregar em
Atenas, declara que Ele fez o mundo e tudo o que nele há. A Bíblia de Estudo
Pentecostal observa que o ato criador não apenas revela poder, mas intenção. O
Pai cria porque deseja compartilhar vida. Cada criatura, visível ou invisível,
é sustentada pela vontade contínua do Deus que é fonte de vida. Essa vida se
expressa de maneira profunda em Jó 33.4, onde Eliú afirma que o Espírito de
Deus me fez; o sopro do Todo-Poderoso me dá vida. Aqui vemos a ação conjunta do
Pai e do Espírito na criação e preservação da existência humana. Keener observa
que esse texto antecipa a compreensão neotestamentária da obra do Espírito como
aquele que vivifica. O Pai é a fonte; o Espírito é o agente que comunica essa vida
aos seres criados. A revelação do Pai como fonte da divindade se torna ainda
mais clara no Novo Testamento. Jesus o chama de Pai meu e Pai vosso. João
declara que Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. A relação é eterna, não
iniciada no tempo. A igreja reconhece que o Filho é gerado do Pai e possui a
mesma essência divina, como declara Hebreus ao dizer que o Filho é o resplendor
da glória de Deus e a expressão exata do seu ser. O termo grego charakter da
hypostasei indica que o Filho é a perfeita manifestação da realidade divina. No
mesmo fluxo, o Espírito Santo procede do Pai. Jesus afirma que o Consolador que
eu lhes enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai,
dará testemunho de mim. O verbo grego ekporeuomai aponta para uma procedência
eterna, não temporal. Arrington observa que essa distinção relacional não
diminui a divindade do Espírito, mas esclarece sua relação com o Pai. Portanto,
o Pai é reconhecido como fonte, o Filho como gerado e o Espírito como
procedente, mantendo a unidade essencial e a distinção pessoal. Essa
compreensão não é mera especulação teológica. Ela molda nossa vida espiritual.
Se o Pai é a fonte da divindade, então toda graça que recebemos flui desse amor
eterno. Toda oração que fazemos é dirigida ao Deus que sempre existiu e que
jamais será abalado. Toda fé que professamos está ancorada em um Deus que não
muda. Hughes lembra que a disciplina espiritual se fortalece quando entendemos
que nos aproximamos de um Pai cuja vida é inesgotável. Por isso, viver diante
do Pai implica submissão e confiança. Ele é o Deus que existe por si mesmo, mas
que decidiu compartilhar vida com suas criaturas. Ele é eterno, mas se aproxima
de nós em Cristo. Ele é imutável, mas opera de forma viva e dinâmica pelo
Espírito. Caminhamos diante de um Pai que é fonte, origem e sustentação.
Reconhecer essa verdade transforma nossa oração, renova nossa fé e nos conduz a
uma adoração mais profunda.
1. ARRINGTON,
French L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento.
Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
2. BEACON.
Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.
4. HUGHES, R. Kent.
Disciplinas do Homem Cristão. São Paulo: Vida, 2003.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Bíblico Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida,
2014.
6. Bíblia de Estudo
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
3. O Pai age por meio do Filho e do Espírito. A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade. Assim, o
Pai opera por meio do Filho e por meio do Espírito Santo (1Co 12.4-6; Ef
4.4-6). Isso não implica inferioridade, mas expressa a maneira como as três
Pessoas operam inseparavelmente, cada uma conforme sua distinção pessoal. O Pai
proclamou as palavras criadoras (Sl 33.9), e o Filho as executou (Jo 1.3). O
Pai planejou a redenção (Tt 1.2), e o Filho as realizou (Jo 17.4). Quando o
Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para
ser o Consolador e Ensinador (Jo 14.26). Conforme o Credo de Atanásio (Séc. V):
“nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou menor
do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais”.
👉 A revelação bíblica mostra que o Pai nunca age isoladamente.
Desde a eternidade, Ele se dá a conhecer como Aquele que ama, planeja e chama,
e que manifesta sua vontade por meio do Filho e do Espírito. A Trindade não é
um conceito abstrato. É o modo como Deus Se revelou para que O conheçamos de
perto, de forma segura e transformadora. O Pai é a fonte que gera, o Filho é o
Verbo que revela e o Espírito é o poder que vivifica. E tudo isso acontece sem
divisão, competição ou graus de importância. O Deus que encontramos nas
Escrituras é o Deus que age em perfeita unidade. Quando olhamos para a obra da
criação, percebemos essa harmonia com clareza. O salmista afirma que o Pai
falou e tudo passou a existir, pois sua palavra é eficaz e criadora: Ele falou,
e tudo se fez; ordenou, e tudo surgiu (Sl 33.9). João retoma esse mesmo
movimento quando declara que todas as coisas foram feitas por intermédio do
Verbo, e sem Ele nada do que existe teria sido feito (Jo 1.3). Em outras
palavras, o Pai é o autor da criação, mas o Filho é o agente que a executa. O
Espírito, por sua vez, pairava sobre as águas, organizando e vivificando (Gn
1.2). Assim, desde o primeiro capítulo da Bíblia, vemos o Pai atuando por meio
do Filho e do Espírito. Essa mesma lógica aparece no plano eterno da salvação.
Paulo diz que Deus nos escolheu antes da criação do mundo (Ef 1.4), mostrando
que a redenção não é reação divina ao pecado, mas parte do propósito eterno do
Pai. Tito afirma que essa graça foi prometida antes dos tempos eternos (Tt
1.2). O Filho, ao assumir nossa humanidade, realiza esse plano com obediência
perfeita e entrega total, até poder dizer: Eu te glorifiquei na terra,
completando a obra que me deste para fazer (Jo 17.4). O Espírito, então, aplica
essa obra ao coração dos crentes, regenerando, convencendo e conduzindo à
verdade. A salvação é, portanto, uma obra trinitária inseparável. É importante
lembrar que essa distinção de papéis não implica desigualdade. A tradição
cristã sempre afirmou que o Pai, o Filho e o Espírito são coeternos, coiguais e
consubstanciais. O Credo Atanasiano declara que nenhuma das três pessoas é
antes ou depois da outra. Essa verdade é fundamental para uma teologia
saudável. Se o Pai planeja, o Filho realiza e o Espírito aplica, é porque assim
Deus escolheu se revelar, e não porque um seja maior que o outro. A unidade
divina permanece perfeita. O Deus triúno age com uma só vontade, ainda que em
três relações pessoais distintas. Essa compreensão também impede leituras
equivocadas sobre subordinação eterna ou inferioridade do Filho e do Espírito.
A Bíblia não apresenta o Filho como um agente menor, mas como Aquele em quem
habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). O Espírito não é
uma força impessoal, mas o próprio Deus presente e atuante na vida dos fiéis,
guiando, ensinando e consolando (Jo 14.26). Como lembra Stanley Horton, é no
agir harmonioso da Trindade que enxergamos a beleza da revelação divina, pois
Deus se mostra plenamente relacional e envolvido com seu povo. A atuação
trinitária não termina na história bíblica. Ela alcança a vida da igreja hoje.
Quando proclamamos o Evangelho, fazemos isso pelo mandato do Filho, no poder do
Espírito e sob a autoridade amorosa do Pai. Quando oramos, somos guiados pelo
Espírito, chegamos ao Pai e o fazemos em nome do Filho. Quando vivemos em
santidade, é o Pai que nos chamou, o Filho que nos redimiu e o Espírito que nos
transforma. A vida cristã inteira é sustentada pelo agir conjunto das três
pessoas. Esse entendimento traz equilíbrio espiritual. Ele nos lembra que não
estamos entregues aos nossos próprios recursos. O Pai continua tomando a
iniciativa, o Filho continua intercedendo e o Espírito continua conduzindo. A
obra que Deus começou em nós não depende apenas de nossa força. Ela depende da
fidelidade de um Deus que opera em perfeita unidade. Assim, o mesmo Deus que
falou e criou, que planejou e redimiu, é o Deus que hoje sustenta e aperfeiçoa
sua igreja. O estudo da Trindade não é mero exercício intelectual. Ele molda
nosso modo de viver. Se o Pai age por meio do Filho e do Espírito, então nossa
vida deve espelhar essa mesma harmonia. Somos chamados a viver em unidade, a
cooperar uns com os outros e a nos submeter ao propósito de Deus com humildade
e reverência. A Trindade nos ensina que não existe obra divina sem
relacionamento. Não existe missão cristã sem comunhão. Por fim, quando
contemplamos a ação conjunta do Pai, do Filho e do Espírito, somos convidados a
nos render à grandeza desse Deus que é imarcescível, sempre o mesmo, e que Se
revela amorosamente por meio do Filho enquanto nos transforma pelo Espírito.
Conhecer esse Deus é caminhar com segurança, porque aquele que age por meio de
três pessoas é o mesmo que nos sustenta com graça, verdade e poder.
1. HORTON, Stanley.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
2. ARRINGTON,
French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 2010.
3. CHAMPLIN, R. N.
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos,
2014.
4. Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
5. Bíblia de Estudo
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SINOPSE I
Deus Pai é o único Deus verdadeiro, eterno e soberano, a fonte da
divindade, que age por meio do Filho e do Espírito Santo.
AUXÍLIO
TEOLÓGICO
ABBA, PAI
“Paulo designou Deus como ‘abba’ em duas ocasiões: ‘Porque sois filhos,
Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai
[gr. ho pater]’ (Gl 4.6). ‘Não recebestes o espírito de escravidão,
para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção de
filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai [gr. ho pater]. O mesmo
Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus’ (Rm 8.15,16).
Isto é: na Igreja Primitiva, os cristãos judaicos estariam invocando Deus,
dizendo: ‘Abba’, ‘Ó Pai!’ e os cristãos gentios estariam exclamando: Ho
Pater, ‘Ó Pai!’ Ao mesmo tempo, o Espírito Santo estaria tornando real para
eles que Deus é, de fato, o Pai de todos. A qualidade incomparável do termo
acha-se no fato de que Jesus lhe atribuiu uma ternura incomum. Além do mais,
caracterizava muito bem o seu próprio relacionamento com Deus, e o tipo de
relacionamento que Ele queria, em última análise, que os seus discípulos
tivessem com o Pai.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.151).
II. O PAI
REVELADO EM CRISTO
1. O Pai se revela aos humildes. Jesus exalta ao Pai acerca de
uma profunda verdade espiritual: “...ocultaste estas coisas aos sábios e
instruídos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Os primeiros,
intitulados sábios (gr. sophós) são aqueles que detêm “inteligência
e educação acima da média”. Os outros, os instruídos (gr. synetós), são as pessoas com “cultura e instrução”. Esses vocábulos
caracterizam os fariseus e os escribas, que se vangloriavam de sua formação
privilegiada, mas que padeciam de cegueira espiritual. Significa que os
mistérios do Reino de Deus não são revelados aos soberbos, aos que se
consideram sábios aos próprios olhos (Pv 3.7). O Pai se dá a conhecer aos “pequeninos”
(gr. népios), àqueles que possuem a humildade das crianças (Mt 18.2-4).
👉 A revelação do Pai em Cristo é uma das verdades mais belas e, ao
mesmo tempo, mais confrontadoras das Escrituras. Jesus afirma que o Pai escolhe
revelar sua identidade não aos que confiam em seu próprio entendimento, mas
àqueles que se curvam diante dEle com humildade. Esse ensino expõe um princípio
espiritual que atravessa toda a Bíblia: o conhecimento de Deus não começa na
inteligência humana, mas na disposição do coração. Deus não é descoberto. Ele
se revela. Quando Jesus ora dizendo que o Pai ocultou essas coisas dos sábios e
instruídos, Ele usa palavras carregadas de significado. O termo grego sophós
descreve pessoas reconhecidas por sua habilidade intelectual, enquanto synetós
aponta para indivíduos capazes de análise profunda e leitura refinada. Fariseus
e escribas se encaixavam bem nessas categorias. Eram treinados, cultos e
meticulosos nas Escrituras, mas permaneciam cegos para a verdade que Jesus
trazia. Possuíam informação, mas não transformação. Como observa o Comentário
Bíblico Pentecostal, a soberba espiritual fecha a mente para a revelação que só
o Espírito pode conceder. Jesus então contrasta esses grupos com os pequeninos,
palavra traduzida do grego népios, que descreve tanto crianças pequenas quanto
pessoas simples e dependentes. Não se trata de falta de capacidade intelectual,
mas de postura interior. No Reino, pequeninos são aqueles que reconhecem sua
necessidade e se abrem para o agir de Deus. São pessoas que humildemente
recebem o que o Pai revela. Essa verdade ecoa o que o próprio Jesus ensinou em
outro momento: quem não se tornar como uma criança jamais entrará no Reino. A
humildade é a porta da revelação. É importante perceber que esse modo de Deus
Se revelar encontra eco também na criação. Paulo afirma em Romanos 1 que a
criação inteira anuncia o eterno poder e a natureza divina de Deus, de maneira
tão clara que os seres humanos ficam indesculpáveis. A expressão grega para
tornar claro, phaneroó, indica algo exposto à vista, colocado diante dos olhos.
A natureza aponta para Deus, mas esse conhecimento não salva. Ele apenas
evidencia que o ser humano escolheu ignorar o Criador. A revelação geral cria
responsabilidade, mas somente a revelação em Cristo produz vida. Por isso Jesus
é central. Ele não apenas fala do Pai. Ele manifesta o Pai. O verbo revelar, no
grego apokalyptó, usado no mesmo contexto de Mateus 11, carrega a ideia de
retirar o véu, tornar visível o que estava oculto. Em Cristo, Deus não deixa dúvidas
sobre Seu caráter, Seu amor e Seu propósito. O que a criação apenas sussurra,
Cristo proclama com clareza. Como afirma Craig Keener, Jesus é a chave
hermenêutica da revelação divina. Nele, o Pai pode ser conhecido de forma
pessoal, salvadora e transformadora. Essa revelação, no entanto, continua sendo
um dom, não uma conquista humana. Não é o domínio dos textos sagrados que abre
o coração, mas a graça. Os fariseus conheciam as palavras, mas não reconheciam
o Verbo. Os pequeninos reconheciam o Verbo e, por meio dele, discerniam o Pai.
É assim até hoje. Deus não se deixa encontrar pelos autosuficientes, mas se
mostra aos que se rendem. A verdadeira sabedoria começa onde termina o orgulho.
Diante dessa verdade, somos chamados a olhar para Cristo com reverência,
dependência e fé. Ele é a janela que nos permite ver o Pai. Nele, o Pai se
torna conhecido. Sem Ele, o Pai permanece velado. Ao mesmo tempo, somos
lembrados de que a criação continua anunciando que existe um Deus, e essa
mensagem pesa sobre a consciência de todos. Os que ignoram a revelação do Filho
não poderão alegar falta de luz. Foram cercados por evidências, tanto na
criação quanto no testemunho do Evangelho.
A vida cristã floresce quando vivemos
como os pequeninos. Humildade abre espaço para discernimento espiritual.
Dependência abre espaço para comunhão. Submissão abre espaço para revelação. O
Pai se dá a conhecer aos que param de disputar com Ele e começam a ouvir. E
quando Cristo se torna o centro, o coração encontra luz, descanso e direção. A
revelação do Pai em Cristo não é apenas um tema doutrinário. É um convite
diário para caminhar sob a luz daquele que continua falando.
1. ARRINGTON,
French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 2010.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
3. HORTON, Stanley.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
4. Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
2. O Pai se faz conhecer pelo Filho. Cristo afirma que o
conhecimento do Pai é mediado exclusivamente por Ele. A intimidade entre o Pai
e o Filho é absoluta e perfeita: “ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele
a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27). Essa declaração revela dois
princípios importantes: (1) o Pai é um ser pessoal e relacional (Sl 46.10; Is
46.9); e, (2) só é possível conhecer a Deus por meio do Filho, o único mediador
entre Deus e os homens (Jo 14.6; 1Tm 2.5). O Filho é o intérprete supremo do Pai,
o único capaz de revelar sua natureza, vontade e amor (Jo 1.18; Hb 1.1). Sem
Cristo, qualquer tentativa de conhecer o Pai será incompleta ou distorcida, e
fadada ao erro e a idolatria (Jo 10.30; Cl 1.15; 2.8,9).
👉 O Filho é o caminho pelo qual o Pai se deixa conhecer. Não há
outra porta, outro acesso, outra lente capaz de revelar quem Deus é. Quando
Jesus afirma que ninguém conhece o Pai senão o Filho, Ele coloca a revelação
divina num terreno profundamente relacional. A palavra conhecer nesse texto é o
verbo grego ginóskō, que não descreve apenas informação, mas experiência
íntima, percepção viva e comunhão. Jesus não apenas sabe sobre o Pai. Ele O
conhece plenamente, porque compartilha Sua essência, Sua vontade e Seu coração.
Essa declaração aponta para uma verdade essencial: o Pai não é uma força
impessoal nem um conceito abstrato. Ele é um Deus vivo, que fala e se
relaciona. O convite do Salmo 46.10, “Parem de lutar e saibam que eu sou Deus”,
mostra que o conhecimento do Pai passa por um encontro que silencia o orgulho e
abre espaço para a revelação. Isaías declara que não há outro semelhante a Ele.
Essa singularidade torna indispensável que o próprio Deus se revele, porque não
podemos chegar a Ele por nossa própria capacidade. Por isso o Filho é chamado
de o Mediador. Paulo afirma em 1Timóteo 2.5 que existe um único mediador entre
Deus e os homens, e esse mediador é Cristo. O termo grego mesítēs descreve
alguém que constrói a ponte, que cria acesso, que reconcilia partes antes
separadas. Sem Cristo, essa ponte não existe. Ele não apenas entrega um
caminho. Ele é o caminho, como declara em João 14.6. Todo conhecimento do Pai
passa por Ele, porque toda a plenitude da divindade habita no Filho de forma
corporal, como Paulo ensina em Colossenses 2.9. Jesus é também o intérprete do
Pai. João afirma que o Filho “o revelou” (Jo 1.18). O verbo grego exēgéomai,
traduzido como revelar, é a raiz da palavra exegese. Ele descreve a ação de
explicar, interpretar, tornar claro. Cristo é, portanto, a exegese viva do Pai.
Se queremos saber como Deus pensa, ama, age, conduz, corrige ou acolhe,
precisamos olhar para Jesus. Sem Ele, toda tentativa de conhecer a Deus acaba
distorcida, porque o coração humano fabrica ídolos e projetam ideias
equivocadas sobre Deus. Foi assim com Israel no deserto, e continua sendo assim
quando as pessoas tentam conhecer Deus sem a luz de Cristo. Essa verdade tem
implicações espirituais profundas. Muitos enxergam sinais de Deus na criação,
nos valores morais, na beleza do mundo ou em experiências pessoais. Esses
testemunhos são reais e correspondem ao que Paulo chama de revelação geral.
Eles indicam que Deus existe, mas não dizem quem Ele é. A criação nos
confronta, mas não nos salva. Ela aponta para a existência de Deus, mas não
revela Seu caráter redentor. Apenas Cristo faz isso. Ele é a imagem visível do
Deus invisível, como Paulo afirma em Colossenses 1.15. Nesse sentido, o ensino
de Jesus em Mateus 11.27 também é uma palavra de consolo. O conhecimento do Pai
não é obtido por esforço intelectual, nem reservado a uma elite espiritual. O
Filho revela o Pai “a quem Ele quiser”. Essa expressão não exclui ninguém. Pelo
contrário, enfatiza que o acesso é fruto da graça. O Filho deseja revelar o Pai
àqueles que se aproximam com fé, humildade e disposição de ouvir. Não é mérito,
é misericórdia. Não é conquista, é dom. Todo discípulo de Cristo é chamado a
viver a partir dessa verdade. Conhecer o Pai é caminhar com o Filho. É permitir
que Cristo molde nossa visão de Deus, corrija nossas percepções distorcidas,
cure nossas imagens erradas e nos conduza ao coração do Pai. Sem Cristo, o Pai
permanece distante. Em Cristo, Ele se torna próximo, acessível e amoroso. A
vida cristã floresce quando deixamos o Filho nos introduzir nessa comunhão que
transforma, sustenta e conduz.
1. ARRINGTON,
French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 2010.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
3. HORTON, Stanley.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
4. Bíblia de Estudo
Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
3. Quem vê o Filho vê o Pai. No diálogo com Filipe, Jesus
revela outra verdade sublime: “quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). Essa
declaração ratifica à doutrina da unidade da Trindade. Jesus é a perfeita
expressão do Pai: “O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa
imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). A unidade entre Pai e Filho é essencial e
inseparável: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Não significa que são a mesma
Pessoa, mas que compartilham a mesma natureza divina. A obra, as palavras e o
caráter de Jesus são expressão direta da ação do Pai (Jo 14.10,11), que opera
por meio do Filho, e o Filho age em total comunhão com o Pai (Jo 4.34; 5.30;
6.38-40; 8.28,29). Conhecer Jesus é desfrutar da presença do Pai (Jo 14.21,23).
👉 As palavras de Jesus para Filipe soam como um convite à
reverência: quem olha para o Filho está diante da revelação mais nítida que a
humanidade já recebeu do Pai. João registra esse momento com precisão. Ao dizer
“Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NVI), Jesus retira o véu que por séculos
permaneceu entre o Deus invisível e o coração humano. Aqui não há exagero, mas
a afirmação simples e profunda de que o Pai se deixa conhecer, e Ele o faz no
rosto, na voz e na vida do Filho. Essa declaração repousa sobre a realidade da
Trindade. Jesus e o Pai não são a mesma Pessoa, mas compartilham a mesma
essência divina. Por isso Ele afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). O autor
de Hebreus reforça essa verdade quando descreve o Filho como “o resplendor da
glória de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hb 1.3, NVI). O termo grego
usado para “expressão exata” é charaktēr, que significa impressão precisa, marca
perfeita, sem distorção. Em outras palavras, tudo o que o Pai é em Seu caráter,
o Filho torna visível em Sua encarnação.
Jesus não age à parte do Pai. Ele
mesmo declara: “As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao
contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra” (Jo 14.10, NVI).
O verbo “realizar” traduz o grego poieō, que transmite a ideia de ação
contínua. O Pai opera no Filho, e o Filho age em perfeita consonância com a
vontade do Pai (Jo 4.34; 6.38). Aqui vemos a submissão amorosa do Filho e a
generosidade do Pai em Se dar a conhecer por meio do Enviado. Os comentaristas
pentecostais destacam essa dinâmica. O Comentário Bíblico Pentecostal observa
que Jesus não apenas fala sobre o Pai; Ele encarna o Pai. Gordon Fee afirma que
a cristologia joanina nos leva a compreender que a revelação de Deus não está
em conceitos abstratos, mas em uma Pessoa real. Champlin lembra que esse texto
exige cuidado: não é que Deus se torne visível em Sua essência, mas que Seu
caráter, vontade e propósito se tornam plenamente compreensíveis em Cristo. Jesus
é o intérprete definitivo do Pai. João resume essa missão com uma afirmação
decisiva: “Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do
Pai, o tornou conhecido” (Jo 1.18, NVI). A expressão “tornou conhecido” traduz
exēgeomai, de onde vem “exegese”. Cristo é a exegese viva do Pai. Ele explica o
Pai. Ele revela o Pai. Ele interpreta o Pai para nós.
Assim, quando olhamos para o Filho,
vemos o caráter do Pai em ato. Sua compaixão pelos quebrantados revela o
coração misericordioso do Pai. Suas palavras de sabedoria exibem a mente eterna
do Pai. Seu perdão aos pecadores manifesta a graça paternal que restaura. Até
Sua indignação diante da injustiça mostra a santidade do Pai que não tolera o
mal. A vida de Jesus é o espelho perfeito no qual podemos enxergar quem Deus é.
Essa verdade oferece direção espiritual ao discípulo. Quem deseja conhecer o
Pai não precisa buscá-lo em especulações filosóficas, nem em tradições humanas,
nem em intuições religiosas. Basta fixar os olhos em Cristo. Ele é o caminho, a
porta e a luz. Ele é o Deus que se fez próximo para que pudéssemos andar em
comunhão com o Pai. A presença do Pai no Filho também transforma a nossa vida
devocional. Jesus afirma que quem ama e guarda Sua palavra experimentará a
manifestação do Pai e do Filho (Jo 14.21,23). Não se trata de mera teoria
teológica, mas de uma realidade espiritual acessível. O Pai se faz presente no
coração daquele que recebe o Filho, pois onde o Filho é honrado, o Pai é
revelado.
Por isso, toda busca por Deus deve
começar com Jesus e terminar nEle. Conhecer o Filho é entrar na intimidade do
Pai. Seguir o Filho é trilhar o caminho que o Pai preparou. Amar o Filho é
viver na comunhão do Deus que se revela e que chama Seus filhos para perto de
Si.
1. ARRINGTON,
French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 1997.
2. CHAMPLIN, R. N.
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos,
2014.
3. FEE, Gordon D. Jesus,
o Filho de Deus no Evangelho de João. Grand Rapids: Eerdmans, 1995.
4. MACARTHUR, John.
Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.
5. NVI. Bíblia
Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2011.
SINOPSE II
O Pai é plenamente revelado em Cristo, sendo conhecido apenas por meio
do Filho, que é a expressão exata do seu Ser.
AUXÍLIO
BIBLIOLÓGICO
O PRIVILÉGIO DE SER FILHO DE DEUS
“Paulo usou a adoção para ilustrar o novo relacionamento do cristão com
Deus. Na cultura romana, o filho adotado perdia todos os direitos que possuía
em relação à família anterior, e recebia todos os direitos de filho legítimo em
sua nova família. Ele se tornava herdeiro dos bens de seu novo pai. [...] Da
mesma forma, quando alguém se torna um cristão, recebe todos os privilégios e
responsabilidades de filho na família de Deus. [...] Não somos mais escravos
atemorizados; ao contrário, somos filhos de Deus. Que privilégio!” (Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.1565).
III. A
PESSOA DE DEUS PAI
1. Atributos incomunicáveis do Pai. São qualidades exclusivas da
divindade. Elas pertencem apenas ao Deus Pai (bem como ao Filho e ao Espírito),
e não podem ser compartilhadas pelo ser humano. Os principais atributos são: Autoexistência,
Deus existe por si mesmo, não depende de nada para existir (Êx 3.14; Jo 5.26);
Eternidade, Deus não tem começo nem fim, não está limitado pelo tempo (Sl 90.2;
Is 57.15); Imutabilidade, Deus não muda, Ele é sempre o mesmo (Ml 3.6; Tg 1.17);
Onipotência, Deus é Todo-Poderoso e nada pode frustrar seus desígnios (Jó 42.2;
Lc 1.37); Onisciência, Deus conhece perfeitamente o passado, o presente e o
futuro (Sl 139.1-6; Hb 4.13); Onipresença, Deus está, ao mesmo tempo, presente
em todos os lugares (Sl 139.7-10; Jr 23.24). Estes atributos, portanto, revelam
que nosso Deus é absoluto e sem limitação alguma.
👉 Quando abrimos as Escrituras para contemplar quem Deus é,
percebemos que o Pai não se revela como uma ideia abstrata, mas como o Deus
vivo, pessoal e santo. Para conhecê-lo de verdade, precisamos considerar aquilo
que somente Ele possui em Sua essência divina. São os atributos incomunicáveis.
Eles pertencem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, e nenhum deles pode ser
compartilhado com a criatura. Olhar para esses atributos é aprender a temer,
amar e confiar no Deus que nos criou para viver diante dEle com reverência e
alegria.
O primeiro desses atributos é a autoexistência. Deus existe por Si
mesmo e não deriva Sua vida de nenhuma outra fonte. Quando o Senhor disse a
Moisés “Eu Sou o que Sou” (Êx 3.14, NVI), revelou que Sua vida não tem origem
fora dEle. O termo hebraico ehyeh carrega a ideia de existência absoluta. Jesus
afirma a mesma realidade quando declara que o Pai “tem vida em Si mesmo” (Jo 5.26).
Esta é a marca do Deus verdadeiro: Ele não é sustentado pelo universo; é o
universo que subsiste porque Ele é.
A eternidade
de Deus aprofunda ainda mais esse mistério. O salmista testemunha: “de
eternidade a eternidade tu és Deus” (Sl 90.2, NVI). Aqui, a linguagem humana se
curva, porque não há início nem fim na vida divina. O Pai não está preso à
sucessão de passado, presente e futuro. Isaías proclama que Ele habita “a
eternidade” (Is 57.15), termo que aponta para um modo de existência totalmente distinto
da nossa experiência temporal. Cristo, o Filho eterno, manifesta essa mesma
realidade quando afirma: “Antes de Abraão nascer, Eu Sou” (Jo 8.58), declarando
Sua eternidade compartilhada com o Pai.
A imutabilidade
é outro pilar da perfeição divina. Deus não muda em Seu caráter, propósito ou
santidade. “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6, NVI). Tiago reforça que nEle “não
há mudança” (Tg 1.17). O termo grego tropē significa variação ou oscilação.
Deus não sofre variações como a criação. O Pai é sempre o mesmo, e essa firmeza
nos dá segurança. O Filho revela a mesma imutabilidade ao ser chamado “o mesmo
ontem, hoje e para sempre” (Hb 13.8). O Espírito Santo, que procede eternamente
do Pai, opera com essa constância divina na obra de santificação.
A onipotência
também pertence exclusivamente a Deus. Jó reconhece: “Sei que podes fazer todas
as coisas” (Jó 42.2, NVI). O poder do Pai não é força impessoal, mas poder
santo dirigido por sabedoria perfeita. Quando o anjo diz a Maria que “para Deus
nada é impossível” (Lc 1.37), afirma a soberania do Pai, que age no mundo em
perfeita harmonia com o Filho e o Espírito. A criação, a providência e a
redenção são obras do Deus que tudo pode e tudo faz com propósito.
A onisciência
revela que Deus conhece todas as coisas em um único ato. O Salmo 139 declara
que Ele conhece cada palavra antes que chegue aos nossos lábios. O autor de
Hebreus afirma que “tudo está descoberto e exposto” diante dEle (Hb 4.13). O
termo grego gumnós significa desnudo, revelando que nada escapa aos olhos do
Pai. Jesus manifesta essa mesma ciência divina ao conhecer os pensamentos de
seus interlocutores (Jo 2.24,25). O Espírito Santo, que sonda as profundezas de
Deus (1Co 2.10), participa dessa plenitude de conhecimento.
A onipresença
completa este retrato. Deus está plenamente presente em todos os lugares sem se
dividir ou se espalhar. Davi reconhece que não há lugar onde Sua presença não
alcance (Sl 139.7-10). Jeremias afirma que Ele “enche os céus e a terra” (Jr
23.24). Cristo encarnado viveu a limitação humana, mas após Sua ascensão
declarou Sua presença contínua com os discípulos: “estarei sempre com vocês”
(Mt 28.20). O Espírito Santo torna essa presença real em nós, fazendo do crente
um templo vivo onde Deus habita.
Esses atributos não são ideias frias,
mas fundamentos para nossa vida espiritual. Eles nos lembram que o Pai não é
limitado como nós. Ele não muda, não falha, não se surpreende, não se esgota e
não se ausenta. O Filho revela esses atributos em Sua obra redentora, e o
Espírito Santo os aplica à nossa vida, firmando-nos na confiança de que Deus é
absolutamente digno de toda adoração. Quando compreendemos quem Deus é,
aprendemos a descansar. A eternidade do Pai nos lembra que nossas lutas não são
definitivas. Sua imutabilidade nos protege da ansiedade. Sua onipresença
sustenta nossa comunhão. Sua onisciência nos conduz com sabedoria. Sua
onipotência nos guarda em cada fraqueza. E Sua autoexistência nos chama a
adorá-lo com reverência, reconhecendo que toda vida procede dEle.
1. ARRINGTON, French
L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD,
1997.
2. CHAMPLIN, R. N.
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos,
2014.
3. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2011.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. MACARTHUR, John.
Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.
6. NVI. Bíblia
Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2011.
2. Atributos comunicáveis do Pai. São qualidades divinas que, de
alguma forma, Deus compartilha com suas criaturas, ainda que de maneira
limitada. Refletem os aspectos do caráter e da moral de Deus que podem ser
vistos, em grau menor, no ser humano criado à sua imagem e semelhança (Gn
1.26,27). Dentre eles, destacam-se: Santidade, Deus é Santo, e chama seus
filhos a serem santos em toda maneira de viver (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16); Amor,
Deus é amor em essência, e podemos amar a Deus e ao próximo como reflexo desse
amor (Mt 22.37-39; 1Jo 4.8); Fidelidade, Deus é sempre fiel, e também somos
desafiados a ser fiéis (2Tm 2.13; Ap 2.10); Bondade, Deus é bom em todo o
tempo, e somos exortados a agir com bondade em nossa conduta diária (Sl 100.5;
Gl 5.22).
👉 Quando a Escritura afirma que fomos criados à imagem e
semelhança de Deus, ela não está falando apenas de racionalidade ou capacidade
moral. Está dizendo que o Pai, em Sua bondade, decidiu refletir parte de Seu
próprio caráter em nós. Esses atributos comunicáveis não são meras virtudes
humanas. São traços da vida divina impressos na criatura, para que vivamos
diante dEle com santidade, amor e fidelidade. Ao compreendermos esses
atributos, voltamos a enxergar quem somos e para que existimos.
O primeiro atributo comunicável é a santidade. Deus declara: “Sejam santos,
porque Eu sou santo” (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16, NVI). O termo grego hagios
significa separado, consagrado. A santidade não é apenas ausência de pecado,
mas presença ativa da vida de Deus em nós. O Pai é santo em essência. O Filho
revela essa santidade em cada palavra e obra. O Espírito Santo a produz em
nosso caráter. Silas Queiroz lembra que a santidade é a saúde espiritual da
alma, sem a qual não discernimos a vontade de Deus. Esta santidade comunicada
não nos torna perfeitos, mas nos chama a uma vida progressiva de conformação ao
caráter divino.
O amor
é outro atributo comunicável, e talvez o mais conhecido. “Deus é amor” (1Jo
4.8, NVI). O termo grego agapē descreve um amor que nasce na vontade e busca o
bem do outro sem esperar retorno. O Pai ama desde a eternidade. O Filho
manifesta esse amor na cruz. O Espírito derrama esse amor em nossos corações
(Rm 5.5). Champlin lembra que o ser humano só consegue amar verdadeiramente
porque participa, ainda que de forma limitada, desse amor divino. Quando amamos
a Deus e ao próximo (Mt 22.37-39), refletimos o próprio coração do Pai. Amar é
viver como filhos que carregam o rosto do Pai no mundo.
A fidelidade
também é atributo comunicável. “Se somos infiéis, Ele permanece fiel” (2Tm
2.13). A palavra grega pistós significa digno de confiança. Deus é fiel porque
Seu caráter nunca falha. O Filho revela essa fidelidade ao cumprir toda a
vontade do Pai (Jo 4.34). O Espírito nos torna participantes dessa mesma
constância, fortalecendo-nos em meio às tentações e provando que a fidelidade
não é esforço isolado, mas fruto da graça. O livro Apocalipse exorta: “seja
fiel até a morte” (Ap 2.10). Nossa fidelidade é reflexo da fidelidade divina
sustentando nosso coração.
A bondade
também flui do Pai para Seus filhos. “O Senhor é bom e o seu amor dura para
sempre” (Sl 100.5, NVI). A bondade divina é mais que gentileza. É a disposição
permanente de Deus agir com graça e misericórdia. Cristo encarna essa bondade
ao acolher pecadores e restaurar vidas. O Espírito a produz como fruto em nós
(Gl 5.22). Gordon Fee observa que a bondade cristã é marca do Reino, e torna
visível no mundo o caráter do Deus que é bom em tudo o que faz.
A justiça
é outro atributo comunicável que aparece com força nas Escrituras. Deus é justo
e ama a justiça (Sl 11.7). O termo grego dikaiosynē indica conformidade ao
padrão moral divino. Cristo é chamado de “justo” (At 3.14) porque expressa
perfeitamente a justiça do Pai. O Espírito Santo convence o mundo da justiça
(Jo 16.8). Quando praticamos a justiça, refletimos o governo santo de Deus e
testemunhamos Sua integridade diante dos homens.
A misericórdia
também é comunicável. O Pai se apresenta como “rico em misericórdia” (Ef 2.4).
O termo hebraico hesed descreve o amor leal, firme e comprometido. Jesus
manifesta essa misericórdia com compaixão profunda pelos feridos. O Espírito
nos move a estender essa mesma misericórdia aos que sofrem. Marcelo Oliveira
ressalta que a misericórdia divina não apenas nos alcança, mas nos transforma
em agentes de cura na vida de outros.
A longanimidade
e a paciência pertencem igualmente ao caráter comunicável de Deus. Ele é
“tardio em irar-se” (Sl 103.8). O Filho demonstra essa paciência com discípulos
lentos para entender. O Espírito a produz em nós como fruto (Gl 5.22). A
paciência cristã é reflexo da paciência divina que sustém o mundo e oferece
tempo para arrependimento.
Outro atributo comunicável é a sabedoria. Deus é fonte de toda sabedoria
(Sl 111.10; Tg 1.5). Cristo é chamado de “sabedoria de Deus” (1Co 1.24). O
Espírito concede discernimento e luz para compreender a vontade do Pai. A
sabedoria não é apenas conhecimento, mas capacidade de viver segundo o
propósito de Deus. Champlin afirma que sabedoria é aplicar a verdade divina ao
cotidiano. Quando buscamos sabedoria, participamos da mente de Cristo.
Por fim, a verdade também é atributo comunicável. Deus é verdadeiro (Jo 3.33).
Jesus declara: “Eu sou a verdade” (Jo 14.6). O Espírito é o Espírito da verdade
(Jo 16.13). A verdade divina expulsa a mentira, ordena a vida e transforma o
coração. Quando vivemos com integridade, falamos a verdade e a praticamos,
refletimos o caráter do Deus que nunca engana nem se contradiz.
Estes atributos comunicáveis nos
lembram que fomos criados para refletir a glória de Deus. Eles não nos tornam
divinos, mas revelam quem devemos ser no cotidiano. Santidade, amor,
fidelidade, bondade, justiça, misericórdia, paciência, sabedoria e verdade
formam o retrato da vida cristã madura. O Pai os concede. O Filho os
exemplifica. O Espírito os forma em nós. E a Igreja se torna testemunha viva do
caráter de Deus no mundo.
1. ARRINGTON,
French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro:
CPAD, 1997.
2. CHAMPLIN, R. N.
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos,
2014.
3. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2011.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. MACARTHUR, John.
Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: Cultura Cristã, 2016.
6. NVI. Bíblia
Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica Internacional, 2011.
3. Os nomes que revelam o Pai. Os nomes de Deus não tratam
apenas de sua identificação, mas revelam sua natureza, obras e virtudes (Sl
9.10). O nome Elohim (Gn 1.1), apesar do plural, reafirma o monoteísmo (Dt 6.4)
e alude à pluralidade da Trindade (Gn 1.26); El Shadday (Gn 17.1) revela Deus
como o Todo-Poderoso (Gn 28.3; 35.11); Adonai (Sl 8.1) e o grego Kyrios (At 2.36) manifestam sua autoridade como Senhor (Is 6.1; Fp 2.11);
o tetragrama pessoal YHWH, revelado como “Eu Sou o Que Sou” (Êx 3.14; 6.13),
enfatiza a eternidade e a imutabilidade de Deus (Sl 68.4; Ml 3.6). Esses nomes
divinos identificam a primeira Pessoa da Trindade, sua soberania, poder e
eternidade, aspectos fundamentais da doutrina cristã sobre a grandeza e a
majestade de Deus.
👉 Os nomes de Deus sempre foram mais do que títulos formais. Para
a mente hebraica, conhecer o nome de alguém significava conhecer seu caráter,
suas intenções e seu modo de agir. Por isso o salmista declara que aqueles que
conhecem o nome do Senhor encontram nele confiança e descanso (Sl 9.10). Um
nome, na Escritura, não é uma etiqueta. É uma janela que se abre para quem Deus
é. Estudar esses nomes é aproximar-se do coração do Pai.
O primeiro nome que encontramos é Elohim (Gn 1.1). Ele aparece em forma
plural, um plural reverencial que exalta a grandeza divina, mas que também
preserva um eco da comunhão intratrinitária que se revela plenamente nas
Escrituras (Gn 1.26). A criação, segundo o Comentário Pentecostal do Novo Testamento,
nasce dessa comunhão eterna. O Pai cria por meio do Filho e no poder do
Espírito, e esse nome sugere que o Deus que inicia a história faz isso com
majestade e relação.
Outro nome essencial é El Shadday (Gn 17.1). Ele é revelado a
Abraão no momento em que o patriarca encara sua fragilidade e o limite das
possibilidades humanas. Shadday aponta para aquele que sustenta, nutre,
fortalece e faz florescer a promessa acima de qualquer força natural. Silas
Queiroz observa que esse nome revela a capacidade de Deus de suprir
integralmente as necessidades de seu povo. Quando o Pai se apresenta como El
Shadday, Ele nos chama a abandonar a autossuficiência e a confiar na
suficiência divina.
Também encontramos o nome Adonai, proclamado em textos de
adoração (Sl 8.1). Adonai expressa a autoridade amorosa de Deus sobre seu povo.
No Novo Testamento, o grego Kyrios assume essa função e é aplicado a Jesus como
reconhecimento de sua plena divindade (At 2.36). Gordon Fee afirma que chamar
Jesus de Kyrios é confessar que a autoridade do Pai repousa sobre o Filho.
Assim, ao chamarmos Deus de Adonai, entendemos que Ele governa não como tirano,
mas como Senhor que conduz nossa história com propósito.
O nome mais sagrado no Antigo
Testamento é o tetragrama YHWH. Ele
é revelado a Moisés em um momento decisivo para Israel (Êx 3.14). Deus declara:
“Eu Sou o que Sou”. Essa expressão, na visão de Champlin, comunica existência
própria, fidelidade absoluta e presença contínua. YHWH não se limita ao passado
nem ao futuro; Ele se dá como aquele que sempre é. A experiência de conhecer
YHWH formou o coração da fé israelita. Para um oriental antigo, conhecer esse
nome significava caminhar com o Deus que se revela na história, que chama,
liberta e guia com mão forte.
Nos Profetas, YHWH aparece como o Deus
eterno e imutável (Ml 3.6). Ele não se desgasta, não muda de humor, não se
contradiz. É esse nome que sustenta a fé do povo em tempos de crise. Quando o
salmista o invoca como “aquele que cavalga sobre as nuvens” (Sl 68.4), ele o
enxerga como o Deus que domina os céus e governa a criação com soberania e
ternura.
Cada nome revela facetas do Pai que se
manifestam também no Filho e no Espírito. Jesus carrega o nome do Pai em si (Jo
17.6). Ele é o Kyrios que age com compaixão, o Elohim que cria nova vida nos
corações, o YHWH presente que diz “Eu estarei sempre com vocês” (Mt 28.20). O
Espírito Santo continua essa obra ao selar em nós a certeza de que o Pai é o
mesmo Deus vivo de Abraão, Moisés e Davi.
Conhecer esses nomes transforma nossa
devoção. Eles nos chamam a confiar no Deus que cria, sustenta, governa, liberta
e permanece. Eles nos lembram que o Pai não é uma ideia abstrata, mas alguém
que se deixou conhecer em cada estação da história. E hoje Ele deseja que
conheçamos seu nome com reverência e intimidade, vivendo à luz de sua
santidade, soberania e amor.
Que cada nome do Pai desperte em nós
uma fé mais profunda. Que o Deus que disse “Eu Sou” seja reconhecido em nossa
vida como o Senhor presente, santo e suficiente. E que nossa caminhada diária revele
que o nome que confessamos molda o modo como vivemos.
- A seguir, uma lista abrangente dos
principais nomes e títulos de Deus nas Escrituras; Incluo nomes do hebraico,
aramaico e grego, bem como títulos descritivos usados em ambos os Testamentos:
1.
Nomes Próprios de Deus no Antigo Testamento (Hebraico)
1. YHWH (יהוה): “EU SOU / O que é / O Eterno” Significado: O Deus
autoexistente, imutável, eterno. Aparece: Êx 3.14–15; mais de 6.800 vezes no
AT. Observação: Nome de aliança; revela Deus como pessoal, fiel, soberano e
presente.
2. Yahweh Elohim (יְהוָה אֱלֹהִים):
“SENHOR Deus” Significado: O Deus da aliança que é também o Deus Todo-Poderoso.
Aparece: Gn 2.4; Êx 34.6. Observação: Combina o nome pessoal de Deus com o
título majestoso “Elohim”.
3. Elohim (אֱלֹהִים): “Deus / Poderoso / Criador” Significado: O
Forte; o Poderoso; Aquele que cria e sustenta. Aparece: Gn 1.1 (primeira
palavra sobre Deus nas Escrituras). Observação: Embora plural, vem acompanhado
de verbos no singular → indica majestade e complexidade da divindade.
4. El (אֵל): “Deus / Forte” Significado: Força, poder, autoridade
divina. Aparece: Gn 14.18–20; Sl 90.2.
5. El Shaddai (אֵל שַׁדַּי):
“Deus Todo-Poderoso” Significado: O Suficiente; o Todo-Poderoso; Aquele que
nutre e sustenta. Aparece: Gn 17.1; 28.3; 35.11.
6. El Elyon (אֵל עֶלְיוֹן):
“Deus Altíssimo” Significado: O Supremo; acima de todos os deuses e poderes.
Aparece: Gn 14.18–20; Sl 7.17; 78.35.
7. El Olam (אֵל עוֹלָם):
“Deus Eterno” Significado: Aquele que é de eternidade a eternidade. Aparece: Gn
21.33; Sl 90.2.
8. El Roi (אֵל רֳאִי):
“Deus que vê” Significado: Aquele que vê tudo e cuida. Aparece: Gn 16.13 (Hagar
nomeia Deus assim).
9. Yahweh Jireh (יְהוָה יִרְאֶה):
“O SENHOR proverá” Significado: Deus supridor, provedor. Aparece: Gn 22.14.
10. Yahweh Rapha (יְהוָה רֹפְאֶךָ):
“O SENHOR que te sara” Significado: Deus cura física, emocional e
espiritualmente. Aparece: Êx 15.26.
11. Yahweh Nissi (יְהוָה נִסִּי):
“O SENHOR é minha bandeira” Significado: Deus é vitória, proteção e estandarte
de guerra. Aparece: Êx 17.15.
12. Yahweh Shalom (יְהוָה שָׁלוֹם):
“O SENHOR é paz” Significado: Fonte de paz plena, harmonia, restauração.
Aparece: Jz 6.24.
13. Yahweh Ra‘ah / Rohi (יְהוָה רֹעִי): “O SENHOR é meu
pastor” Significado: Cuidador, guia, sustentador. Aparece: Sl 23.1.
14. Yahweh Tsidkenu (יְהוָה צִדְקֵנוּ): “O SENHOR é nossa justiça”
Significado: Deus é o fundamento da justiça e da retidão. Aparece: Jr 23.6;
33.16.
15. Yahweh Sabaoth (יְהוָה צְבָאוֹת): “SENHOR dos Exércitos”
Significado: Comandante supremo das forças celestiais. Aparece: 1Sm 1.3; Is
6.3; Sl 24.10.
16. Yahweh Shammah (יְהוָה שָׁמָּה): “O SENHOR está ali” Significado:
Presença permanente. Aparece: Ez 48.35.
17. Adonai (אֲדֹנָי): “Senhor / Mestre / Dono” Significado: Autoridade
soberana e domínio. Aparece: Gn 15.2; Sl 8.1.
2.
Nomes e Títulos em Aramaico
18. Abba (אבא): “Pai / Papai” Significado: Termo íntimo de
relacionamento. Aparece: Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 4.6. Observação: Expressa
proximidade amorosa com Deus, introduzida por Jesus.
19. Maranatha (מָרָנָא תָא): “Vem, Senhor!” / “O Senhor vem!”
Significado: Confissão da soberania e expectativa da volta de Cristo. Aparece:
1Co 16.22. (Embora não seja nome direto de Deus, funciona como aclamação
divina.)
3.
Nomes e Títulos de Deus no Novo Testamento (Grego)
20. Theos (Θεός): “Deus” Significado: Divindade suprema. Aparece: Jo
1.1 e por todo o NT. Observação: Utilizado para o Pai, o Filho e, em alguns
contextos, para o Espírito.
21. Kyrios (Κύριος): “Senhor / Dono / Soberano” Significado: Título
usado para Deus no AT (YHWH) e aplicado a Jesus. Aparece: Lc 2.11; At 2.36; Fp
2.11.
22. Despotes (Δεσπότης): “Soberano absoluto / Mestre” Aparece: Lc 2.29;
At 4.24; 2Pe 2.1; Jd 4. Observação: Ênfase no poder absoluto e domínio divino.
23. Pater (Πατήρ): “Pai” Significado: Deus como Pai amoroso, protetor e
fonte da vida. Aparece: Mt 6.9; Jo 17.1; Rm 8.15.
24. Ho On (ὁ ὤν): “O que é /
O existente” Aparece: Ap 1.4,8; 4.8. Observação: Eco direto de Êx 3.14 (LXX).
25. Pantokratōr (Παντοκράτωρ): “Todo-Poderoso” Aparece: Ap 1.8; 4.8;
11.17. Significado: Autoridade universal; soberania total.
26. Sōtēr (Σωτήρ): “Salvador” Aparece: Lc 2.11; Tt 2.13. Observação:
Atribuído ao Pai e ao Filho.
27. Basileus (Βασιλεύς): “Rei” Aparece: 1Tm 1.17; Ap 15.3; 19.16.
Observação: “Rei dos reis” é título direto da soberania divina.
4.
Títulos descritivos de Deus nas Escrituras
28. Rocha (צוּר / πέτρα) Significado: Segurança, estabilidade,
proteção. Aparece: Dt 32.4; Sl 18.2; 1Co 10.4 (Cristo).
29. Escudo (מָגֵן) Significado: Protetor fiel. Aparece: Gn 15.1; Sl
3.3.
30. Pastor (רֹעֶה / ποιμήν) Aparece: Sl 23.1; Jo 10.11.
31. Redentor (גֹּאֵל / λυτρωτής) Aparece: Jó 19.25; Sl 19.14; Ef 1.7.
32. Santo de Israel (קְדוֹשׁ יִשְׂרָאֵל) Aparece: Is 1.4; 43.3.
33. Juiz de toda a terra (שֹׁפֵט / κριτής) Aparece: Gn 18.25; Hb 12.23.
34. Pai das luzes Aparece: Tg 1.17.
35. Alfa e Ômega Aparece: Ap 1.8; 22.13.
36. Deus de toda consolação Aparece: 2Co 1.3.
37. Pai das misericórdias Aparece: 2Co 1.3.
38. Deus de paz Aparece: Rm 15.33; 1Ts 5.23.
39. Deus da esperança Aparece: Rm 15.13.
40. Deus de amor e paz Aparece: 2Co 13.11
1. ARRINGTON,
French L.; STRONSTAD, Roger (org.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
2. CHAMPLIN, R. N.
O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos.
3. FEE, Gordon D.
Paul, the Spirit and the People of God. Peabody: Hendrickson, 1996.
4. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
SINOPSE III
Os atributos e nomes de Deus Pai expressam sua natureza, santidade, amor
e autoridade, revelando quem Ele é, e como se relaciona com sua criação.
CONCLUSÃO
A doutrina Bíblica da Santíssima Trindade é a revelação concreta da vida
divina compartilhada entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Nesta lição,
vimos que Deus, o Pai, é o Deus verdadeiro, eterno e soberano, revelado
plenamente em Cristo. Ele é o autor da criação, o planejador da redenção e o
sustentador da vida. Conhecer o Pai por meio do Filho é a essência da vida
eterna (Jo 17.3). Que essa verdade desperte em nós o desejo sincero de
conhecer, amar e obedecer ao Pai que, em Cristo, nos adotou como filhos (Jo
1.12; Rm 8.15).
👉 A doutrina da Trindade nos leva a contemplar o coração da fé
cristã. Nesta lição, aprendemos que o Pai não é uma ideia abstrata nem uma
força impessoal. Ele é o Deus vivo que se revelou em nomes que comunicam sua
grandeza, fidelidade e proximidade. É o Pai que cria, que sustenta o universo e
que conduz a história com propósito. Ele é o Deus eterno, imutável e pessoal
que se fez conhecer por meio de sua Palavra e, de modo supremo, por meio de seu
Filho. Quando olhamos para esses nomes, entendemos que conhecer o Pai é entrar
em um relacionamento real com aquele que sempre foi santo, bom e presente.
Também vimos que essa revelação só
pode ser compreendida em Cristo. O Filho é o intérprete perfeito do Pai, a
imagem exata do seu ser. Ele nos mostra como o Pai pensa, age e ama. A vida
eterna não é apenas viver para sempre, mas conhecer o Pai por meio do Filho,
como afirmou Jesus em João 17.3. A Trindade não é um enigma intelectual, mas a
forma como Deus nos acolhe em sua própria vida. O Espírito Santo torna essa
verdade viva em nós, conduzindo-nos a uma relação filial marcada por confiança,
obediência e amor.
Por fim, compreender o Pai à luz da
Trindade transforma nossa caminhada diária. Somos chamados a viver como filhos
adotados, guiados pelo Espírito e formados pela palavra do Filho. Isso nos leva
a uma devoção mais profunda, a uma vida de santidade e ao compromisso de
refletir o caráter do Pai em tudo o que fazemos. Conhecer o Pai não termina na
teoria. Ele nos chama a viver perto dele, a adorá-lo com entendimento e a
obedecê-lo com alegria. Que essa lição reacenda em nós o desejo de caminhar com
o Deus que nos criou, nos redimiu e nos sustenta.
Encerrando esta preciosa lição,
podemos fazer três aplicações práticas:
1.
Busque conhecer o Pai de forma diária por meio da Palavra, permitindo que os
nomes e atributos de Deus moldem sua visão da vida, suas decisões e seu senso
de propósito.
2.
Cultive uma vida de oração centrada em Cristo, reconhecendo que Ele é o único
caminho para conhecermos o Pai e vivermos como filhos adotados.
3.
Permita que o Espírito Santo forme em você o caráter do Pai, praticando
obediência, santidade e amor nas relações familiares, na igreja e no trabalho.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Como Deus se identifica no Antigo Testamento?
Deus, no Antigo Testamento, é um só Deus, que se revela pelos seus
nomes, atributos e atos.
2. O que afirma o Credo de Atanásio (séc. V) a respeito das três
Pessoas da Trindade?
“Nenhuma das três pessoas é antes ou depois da outra; nenhuma é maior ou
menor do que outra. Mas as três pessoas são coeternas e coiguais.” (Credo de
Atanásio, séc. V).
3. O que significa a expressão dita por Jesus: “Eu e o Pai somos um”
(Jo 10.30)?
Significa que o Pai e o Filho compartilham a mesma natureza divina,
embora sejam Pessoas distintas.
4. O que são os atributos incomunicáveis do Pai?
Qualidades exclusivas da divindade: autoexistência, eternidade,
imutabilidade, onipotência, onisciência e onipresença.
5. O que são os atributos comunicáveis do Pai?
Virtudes divinas que Deus compartilha de forma limitada com suas
criaturas, como santidade, amor, fidelidade e bondade.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
DEUS PAI
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
enviar uma Oferta Chave PIX: assis.shalom@gmail.com
Conhecer a unidade e a inseparabilidade entre o Pai e o Filho é
essencial para o nosso relacionamento com Deus (Jo 10.30). Para compreendermos
com clareza a natureza do Pai, precisamos conhecer algumas de Suas qualidades
mais inerentes, também chamadas pelos estudiosos de atributos. Os atributos são
as qualidades que Deus manifesta em Seu caráter e O tornam conhecido. Esses
atributos são classificados como incomunicáveis, que são aqueles que pertencem
exclusivamente a Ele; e comunicáveis, que são os que compartilha com as Suas
criaturas. Dentre os atributos naturais de Deus, há um que nos garante conhecer
a Sua Pessoa, mesmo de forma limitada. Estamos falando da cognoscibilidade. A
respeito de Deus, esse termo significa que Ele pode ser conhecido e
compreendido intelectualmente pelo ser humano.
Nessa perspectiva, de acordo com a obra Teologia Sistemática:
uma Perspectiva Pentecostal (CPAD), editada pelo teólogo Stanley
Horton, “Deus não se oculta para encobrir seus atributos, mas para deixar-nos
bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de Deus
ter decidido agir através de seu Filho (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando
nEle (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em Jesus as
grandiosas manifestações do caráter divino. Jesus não somente torna conhecido o
Pai, como também revela o significado e a importância do Pai Celestial. [...]
Se temos algum conhecimento de Deus é porque Ele optou por se nos revelar. Mas
este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui
glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé” (2021, pp.129,130).
Partindo desse princípio, esclareça aos alunos que conhecer a Deus significa
conhecer Suas qualidades e submeter-se à Sua vontade, revelada nas Escrituras.
Deus quer ter um relacionamento pleno e verdadeiro com Sua criação,
principalmente, com o ser humano, a maior obra de Suas mãos.
Ajude nesse ministério!
Divulgue!
http://www.auxilioebd.blogspot.com.
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