Lição 4: A Paternidade Divina
Data: 25 de janeiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“E vimos, e testificamos que o Pai
enviou seu Filho para Salvador do mundo.” (1Jo 4.14).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 Em 1 João 4.14, o apóstolo afirma: “E vimos, e testificamos que
o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo”, condensando, em uma única
declaração, o coração da fé cristã e da missão da igreja. O verbo “vimos”
traduz o grego heōrákamen, no perfeito, indicando uma experiência histórica
real e duradoura. João não fala de uma percepção mística ou simbólica, mas do
testemunho ocular e apostólico daquele que conviveu com o Verbo encarnado. O
que foi visto continua produzindo efeitos no presente da comunidade cristã. Em
seguida, “testificamos” vem de martyroûmen, termo jurídico que carrega a ideia
de testemunho público, responsável e comprometido com a verdade, mesmo sob
risco. A fé cristã, portanto, não se fundamenta em especulação religiosa, mas
em um fato histórico proclamado com autoridade.
O conteúdo desse testemunho é
claramente trinitário. O “Pai” é apresentado como o sujeito da missão, aquele
que toma a iniciativa soberana. O verbo “enviou” (apésteilen) aponta para uma
missão com propósito definido, não para um simples deslocamento. O Filho não
surge por acaso na história; Ele é comissionado pelo Pai. Essa linguagem
reforça a pré-existência do Filho e a unidade de vontade na Trindade. O envio
revela tanto o amor do Pai quanto seu plano redentor, conforme já afirmado em 1
João 4.9–10.
A finalidade do envio é explicitada na
expressão “para Salvador do mundo”. O título “Salvador” (Sōtēra) não se limita
a um libertador político ou moral, mas designa aquele que realiza a salvação
plena, espiritual e eterna. A palavra “mundo” (kósmos) aponta para a
abrangência da obra de Cristo, alcançando a humanidade caída, sem distinção
étnica ou cultural. João não ensina universalismo automático, mas afirma a
suficiência e a universalidade da oferta salvífica em Cristo.
Assim, 1 João 4.14 ensina que a
salvação nasce na iniciativa amorosa do Pai, se concretiza na missão do Filho e
é anunciada por testemunhas que foram transformadas por aquilo que viram.
Exegeticamente, o texto une revelação, missão e testemunho, mostrando que a igreja
proclama não uma ideia religiosa, mas um Salvador enviado por Deus para dar
vida ao mundo.
VERDADE PRÁTICA
A paternidade de Deus é revelada no envio do Filho e na concessão do
Espírito, confirmando nossa filiação e aperfeiçoando-nos no amor.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 A paternidade de Deus se revela como iniciativa soberana e
amorosa que nasce no coração do Pai, se manifesta no envio eterno e redentor do
Filho e se torna experiência viva pela concessão do Espírito Santo. O Pai não
apenas ama à distância, mas age, envia e acolhe, fazendo-nos participantes de
Sua própria vida. Em Cristo, o Filho enviado, somos reconciliados, adotados e
conduzidos de volta ao Pai. No Espírito, que procede do Pai e é enviado pelo
Filho, essa filiação é confirmada interiormente, sustentada na comunhão e
amadurecida na obediência. Assim, a paternidade divina não é um conceito
abstrato, mas uma realidade relacional que nos tira do medo, nos estabelece
como filhos e nos aperfeiçoa no amor que reflete o próprio caráter de Deus no
mundo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
1 João 4.13-16.
Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses
teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.
13 Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em
nós, pois que nos deu do seu Espírito,
👉 João apresenta aqui o critério objetivo da comunhão com Deus. A
permanência mútua não é deduzida por sentimentos subjetivos, mas pela dádiva do
Espírito Santo. A Bíblia de Estudo Pentecostal enfatiza que o verbo “deu”
aponta para uma concessão graciosa e contínua, não meramente inicial. O
Espírito não apenas inicia a vida cristã, mas sustenta a comunhão diária. A
Bíblia MacArthur destaca que o Espírito é a evidência interna e divina da
habitação de Deus no crente, algo que não pode ser produzido pela carne. Já a
Bíblia Plenitude ressalta que essa presença do Espírito gera segurança
espiritual e identidade filial. A Aplicação Pessoal aponta que viver consciente
dessa presença transforma decisões, relacionamentos e prioridades, pois o
crente passa a viver “diante do Pai”, e não apenas diante das circunstâncias.
14 e vimos, e
testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
👉 Aqui João une testemunho apostólico e missão divina. “Vimos”
indica experiência histórica real. “Testificamos” aponta para responsabilidade
pública. A Bíblia MacArthur sublinha que o envio do Filho confirma tanto a
iniciativa do Pai quanto a exclusividade de Cristo como Salvador. A Bíblia
Pentecostal observa que o verbo “enviou” carrega a ideia de missão com
autoridade, reforçando a paternidade ativa de Deus. A Bíblia Plenitude destaca
o alcance universal da salvação, sem universalismo, mas com oferta real a
todos. A Aplicação Pessoal ressalta que quem experimenta esse Salvador não pode
silenciar. A certeza do envio gera compromisso com o testemunho.
15 Qualquer que confessar que Jesus é o Filho
de Deus, Deus está nele e ele em Deus.
👉 João encerra o parágrafo com uma afirmação relacional e
transformadora. Conhecer e confiar caminham juntos. A Bíblia de Estudo
Pentecostal observa que esse conhecimento não é apenas intelectual, mas
experiencial, fruto da comunhão com Deus. A Bíblia MacArthur destaca que “Deus
é amor” não significa que amor define Deus isoladamente, mas que tudo o que Ele
faz é coerente com Sua natureza santa. A Bíblia Plenitude ressalta que
permanecer no amor é permanecer em obediência, não em sentimentalismo. A
Aplicação Pessoal conclui que a maturidade cristã se expressa quando a vida do
crente se torna um espaço visível da presença amorosa de Deus no mundo.
16 E nós conhecemos e cremos no amor que Deus
nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele.
👉 Esse trecho revela que a paternidade divina se manifesta em três
eixos inseparáveis:
o
Pai concede o Espírito,
o
Pai envia o Filho,
e
o Pai habita no crente que confessa e permanece no amor.
A comunhão cristã não nasce do esforço
humano, mas da ação trinitária de Deus que se aproxima, se revela e permanece.
Onde o Espírito habita, o Filho é confessado. Onde o Filho é confessado, o amor
do Pai se torna visível. Esse é o coração da Lição 4. Uma fé segura, filial e
amadurecida no amor.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos como o Pai revela sua paternidade por meio da
Trindade. Veremos que esta paternidade é reconhecida na confissão de Cristo e
aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão com Ele,
capacitando-nos a viver com confiança, fidelidade e expressão visível da nossa
filiação diante do mundo.
👉 O que significa, de fato, chamar Deus de Pai. Seria apenas uma
metáfora afetiva, uma linguagem religiosa confortável, ou uma revelação
profunda do próprio ser de Deus e de sua ação salvadora na história. A Escritura
nos conduz a uma resposta mais elevada. A paternidade divina não nasce da
experiência humana, mas da eternidade de Deus, revelada plenamente na obra da
Trindade. Nesta lição, somos conduzidos a contemplar a paternidade do Pai não
como um conceito isolado, mas como uma realidade viva que se manifesta no envio
do Filho e na concessão do Espírito Santo. O Pai se dá a conhecer ao mundo não
por abstrações filosóficas, mas por ações concretas. Ele envia. Ele adota. Ele
permanece. Assim, a paternidade divina é revelacional, relacional e redentora. O
texto de 1 João 4.13–16 nos mostra que essa paternidade é reconhecida na
confissão de Jesus como o Filho de Deus e é experimentada na comunhão produzida
pelo Espírito. Não se trata apenas de crer em uma doutrina correta, mas de
viver uma relação verdadeira. Confessar o Filho é o sinal visível de que Deus
habita em nós. Permanecer no amor é a evidência de que essa filiação é real.
Ao mesmo tempo, o apóstolo João nos
apresenta um desafio pastoral profundo. A paternidade de Deus não apenas nos
salva, mas nos transforma. Ela aperfeiçoa o amor em nós, expulsa o medo do
juízo e nos conduz a uma vida marcada por confiança, fidelidade e testemunho
público. Ser filho é mais do que um título espiritual. É uma identidade que molda
nossa forma de viver. Dessa forma, esta lição nos convida a ir além do discurso
religioso e a examinar nossa experiência com o Pai. Somos chamados a reconhecer
sua paternidade, confessar o Filho com fidelidade e permitir que o Espírito
aperfeiçoe em nós o amor. Somente assim viveremos como filhos maduros, seguros
e visivelmente comprometidos com o Deus que nos gerou para si.
Palavra-Chave: PATERNIDADE
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 Paternidade é o termo que sintetiza a identidade eterna de Deus
e o modo como Ele se dá a conhecer ao mundo. Nesta Lição, a paternidade divina
não é apresentada como uma metáfora emocional, mas como uma realidade teológica
que nasce no seio da Trindade e se revela na história da salvação. Deus é Pai
antes de toda a criação, não porque criou, mas porque eternamente gera o Filho
e, com Ele, concede o Espírito. Essa paternidade é ativa, relacional e
redentora. O Pai envia o Filho por amor, concede o Espírito como selo e
testemunho, e nos recebe como filhos por adoção em Cristo. Assim, a paternidade
divina não apenas define quem Deus é, mas também quem nós nos tornamos. Ser
filho de Deus significa viver sob o cuidado soberano do Pai, desfrutar de
comunhão verdadeira, caminhar em obediência amorosa e refletir no mundo o
caráter daquele que nos amou primeiro. A paternidade de Deus, portanto, é a
fonte da nossa identidade, a base da nossa segurança espiritual e o alicerce de
uma vida cristã marcada por confiança, amor e fidelidade.
I. A
REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO PAI
1. Definição da paternidade do Pai. A Paternidade é atributo da Primeira
Pessoa da Trindade, que opera por meio do Filho e do Espírito Santo: “um só
Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós” (Ef
4.6). O Pai é a fonte de tudo, Ele é soberano (1Co 8.6), Ele é o princípio sem
princípio, Ele não é gerado (Jo 1.18), mas é Aquele que gera o Filho (Sl 2.7;
Hb 1.5) e de quem, junto com o Filho, procede o Espírito Santo (Jo 14.26).
Entender a paternidade divina é uma fonte de consolo. Podemos confiar no
cuidado do Pai, pois Ele é o originador de toda boa dádiva (Tg 1.17).
👉 A paternidade do Pai é a porta de entrada para compreendermos
quem Deus é e como Ele se relaciona conosco. Não se trata de uma figura poética
criada para facilitar a fé, mas de uma realidade revelada nas Escrituras.
Quando Paulo afirma que há “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.6, NVI), ele está
ancorando a fé cristã na identidade relacional de Deus. Antes de falar da
igreja, dos dons ou da unidade, o apóstolo aponta para o Pai como fundamento de
toda a vida cristã. Conhecer a paternidade divina é conhecer a fonte de onde
tudo procede e para onde tudo converge. Em Efésios 4.6, Paulo descreve o Pai
como aquele que é “sobre todos, por todos e em todos”. A estrutura do texto
revela três dimensões da paternidade divina. A expressão “sobre todos” aponta
para a soberania do Pai. O termo grego epì pantōn indica autoridade suprema,
governo absoluto e domínio amoroso. O Pai não é um espectador distante, mas o
Senhor que reina com propósito. Já “por todos”, do grego dià pantōn, revela sua
ação contínua na história, sustentando, conduzindo e operando todas as coisas
segundo sua vontade. Por fim, “em todos”, en pasin, aponta para sua presença
íntima no povo redimido, especialmente por meio do Espírito. A paternidade
divina, portanto, não é apenas hierárquica, mas também relacional e
habitacional.
Essa mesma verdade é aprofundada em 1
Coríntios 8.6, onde Paulo afirma: “para nós há um só Deus, o Pai, de quem
procedem todas as coisas e para quem vivemos” (NVI). A expressão “de quem
procedem todas as coisas” traduz o grego ex hou ta panta, indicando origem,
fonte e causa primeira. Tudo começa no Pai. Ele é o princípio sem princípio.
Não deriva de ninguém, não é gerado, não recebe existência. Ele simplesmente é.
Ao mesmo tempo, Paulo afirma que vivemos “para Ele”, eis auton, revelando que o
Pai não é apenas a origem da criação, mas também o seu fim. A vida cristã é vivida
em direção ao Pai, em comunhão e submissão amorosa. Essa compreensão protege a
igreja de erros antigos e modernos. O Pai não é maior em essência que o Filho,
nem o Espírito é inferior em divindade. O que há é uma ordem relacional dentro
da Trindade. O Pai gera o Filho eternamente, conforme testemunham as
Escrituras, sem que isso implique criação ou inferioridade. O Filho possui vida
em si mesmo, assim como o Pai, compartilhando da mesma natureza divina. A
paternidade do Pai não diminui o Filho, mas o revela. Ela afirma a unidade
perfeita da Trindade e a distinção pessoal entre Pai, Filho e Espírito.
Além disso, a paternidade divina é
profundamente consoladora. Saber que o Pai é a fonte de todas as coisas e que
governa soberanamente traz descanso ao coração do crente. Não estamos entregues
ao acaso, nem abandonados às circunstâncias. Tiago afirma que toda boa dádiva
procede do Pai das luzes (Tg 1.17), reforçando que a paternidade divina é
marcada por cuidado, generosidade e fidelidade. O Pai não muda, não falha e não
se ausenta. Ele sustenta seus filhos com amor constante. Essa verdade também
confronta nossa visão superficial de Deus. Muitos querem o Pai como provedor,
mas resistem à sua autoridade. Contudo, a Escritura apresenta um Pai que
governa, corrige e conduz. Sua paternidade envolve disciplina amorosa, formação
espiritual e chamado à maturidade. Não somos apenas acolhidos, somos
transformados. Viver como filhos é submeter-se à vontade do Pai, confiando que
sua soberania é sempre boa e justa. Por fim, compreender a paternidade do Pai
redefine nossa identidade e nossa prática cristã. Se Deus é Pai, nós não somos
órfãos espirituais. Vivemos debaixo de cuidado, direção e propósito. Isso nos
chama a uma vida de confiança, obediência e gratidão diária. A paternidade
divina nos ensina a descansar no Pai, a viver para Ele e a refletir no mundo o
caráter daquele que é sobre todos, age por todos e habita em seus filhos.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. São Paulo: Thomas Nelson Brasil.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. São Paulo: CPAD.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
2. A paternidade eterna do Pai. A Paternidade de Deus não tem início
no tempo. Deus é Pai desde toda a eternidade. Na oração sacerdotal Jesus disse:
“E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que
tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). Este texto ensina que o
relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a
identidade de Deus como Pai é eterna. Não houve momento em que Deus se tornou
Pai. O Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho e o Espírito sempre foi
Espírito (Ef 1.3,4; Hb 1.2,3; 9.14).
👉 A paternidade eterna do Pai não é um conceito construído a
partir da criação, mas uma verdade revelada a partir da eternidade de Deus.
Antes que houvesse mundo, tempo ou matéria, Deus já era Pai. A identidade paterna
de Deus não surge da necessidade de criar ou redimir, mas do relacionamento
eterno que Ele mantém no seio da Trindade. Por isso, a paternidade divina não é
funcional, é ontológica. Deus não se tornou Pai. Ele sempre foi Pai, em plena
comunhão com o Filho e o Espírito Santo. Essa verdade corrige visões
utilitaristas de Deus e estabelece um fundamento sólido para a fé cristã. Em
João 17.5, Jesus ora: “Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha
contigo antes que o mundo existisse” (NVI). O verbo grego eíkhon, “eu tinha”,
indica posse contínua no passado, não algo concedido posteriormente. Cristo
reivindica uma glória compartilhada com o Pai antes da criação, o que revela
uma relação eterna, consciente e pessoal. Não se trata apenas de preexistência,
mas de comunhão eterna. A oração sacerdotal, portanto, não revela apenas a
missão do Filho, mas expõe o coração relacional de Deus. Onde há Filho, há Pai.
Onde há Pai, há amor, comunhão e autoridade compartilhada. Efésios 1.3,4
aprofunda essa realidade ao afirmar que o Pai “nos escolheu nele antes da
criação do mundo” (NVI). A eleição não nasce no tempo, mas na eternidade. Antes
que houvesse queda, já havia propósito. Antes que houvesse pecado, já havia
graça planejada. O Pai age como Pai ao escolher, amar e destinar filhos para si
em Cristo. A expressão “em Cristo” mostra que a paternidade divina se estende
aos crentes por meio da união com o Filho eterno. Assim, a adoção não é um
plano emergencial, mas uma extensão do amor eterno do Pai, como bem destacam os
comentários pentecostais e reformados continuístas.
Hebreus 1.2,3 apresenta o Filho como
aquele “por meio de quem fez o universo” e como o “resplendor da glória de
Deus” (NVI). O termo grego apaugásma, resplendor, indica emissão contínua de
luz, não reflexo ocasional. O Filho não apenas revela o Pai, Ele compartilha da
mesma essência. Essa afirmação reforça que a paternidade divina não implica
superioridade de essência, mas distinção de pessoas. O Pai gera o Filho
eternamente, e o Filho revela perfeitamente o Pai. Aqui, a paternidade divina é
apresentada como fonte, não como hierarquia opressiva, mas como comunhão
gloriosa. Hebreus 9.14 acrescenta uma dimensão crucial ao afirmar que Cristo se
ofereceu “pelo Espírito eterno” (NVI). A obra redentora nasce da eternidade e é
realizada em perfeita cooperação trinitária. O Pai planeja, o Filho executa e o
Espírito aplica. O adjetivo “eterno” aplicado ao Espírito confirma que toda a
Trindade compartilha da mesma eternidade. Assim, a paternidade do Pai não
exclui o Espírito, mas o envolve plenamente. A salvação é, portanto, uma obra
familiar da Trindade, não um ato isolado.
Essa compreensão corrige distorções
pastorais profundas. Deus não é Pai apenas quando supre necessidades ou
responde orações. Ele é Pai em Sua essência. Isso significa que o cuidado, a
disciplina, o amor e a fidelidade do Pai não dependem do comportamento humano,
mas fluem de quem Ele é. Como destacam Stanley Horton e Gordon Fee, a vida
cristã saudável nasce da correta compreensão da Trindade. Um Deus eternamente
Pai gera filhos seguros, maduros e espiritualmente firmes. Aplicar essa verdade
à vida diária transforma a espiritualidade cristã. Orar ao Pai deixa de ser um
ritual distante e se torna um encontro familiar. Confiar no Pai deixa de ser um
esforço emocional e passa a ser uma resposta teológica à Sua fidelidade eterna.
A paternidade divina, quando bem compreendida, cura inseguranças espirituais,
fortalece a identidade cristã e conduz a uma vida de obediência amorosa.
Conhecer Deus como Pai eterno não apenas informa a mente, mas forma o coração e
molda a prática cristã.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia de
Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. FEE, Gordon D.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
6. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2017.
3. O Pai gerou o Filho. A geração do Filho não implica
criação; Ele sempre existiu com o Pai, com a mesma essência: “Porque, como o
Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo”
(Jo 5.26). Significa que o Deus Pai não recebeu vida de ninguém, Ele é
autoexistente. O Filho gerado pelo Pai também é autoexistente. Implica dizer
que o Filho não foi criado, mas eternamente gerado. O Filho, assim como o Pai,
possui vida em si mesmo, isto é, compartilha da mesma natureza divina (Jo
10.30).
👉 O Pai gerou o Filho é uma afirmação central da fé cristã e exige
cuidado teológico para não ser confundida com criação ou inferioridade. A
Escritura apresenta a geração do Filho como um ato eterno, não temporal. Deus
nunca existiu sem o Filho. A paternidade do Pai e a filiação do Filho pertencem
ao ser eterno de Deus. Antes de qualquer obra criadora, já havia comunhão
plena, vida compartilhada e glória comum. Aqui somos conduzidos ao coração da
Trindade, onde a revelação bíblica corrige tanto o racionalismo quanto o
sentimentalismo teológico. Em João 5.26, Jesus declara: “Porque, assim como o
Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo” (NVI).
A expressão “vida em si mesmo” traduz o termo grego zōḗn en heautō̂, que aponta
para autoexistência absoluta. O Pai não recebe vida, Ele é a fonte da vida.
Contudo, o texto afirma que essa mesma qualidade de vida foi concedida ao
Filho. Não se trata de um ato no tempo, mas de uma comunicação eterna da
essência divina. Como observam os comentaristas pentecostais e reformados, o
verbo “concedeu” não indica começo, mas relação. O Pai é a fonte. O Filho é
eternamente participante dessa mesma vida. Essa verdade afasta qualquer noção
de que o Filho seja um ser criado ou derivado de forma inferior. A geração
eterna não implica hierarquia de essência, mas distinção de pessoas. O Pai
gera. O Filho é gerado. Ambos compartilham da mesma natureza divina. Stanley
Horton destaca que a vida autoexistente do Filho confirma Sua plena divindade,
enquanto Gordon Fee observa que essa linguagem relacional protege a unidade sem
dissolver as distinções pessoais da Trindade. A geração do Filho, portanto, é
um mistério revelado, não um problema a ser resolvido.
João 10.30 aprofunda essa compreensão
quando Jesus afirma: “Eu e o Pai somos um” (NVI). O termo grego hén, “um”, está
no neutro, indicando unidade de essência e não identidade pessoal. Jesus não
diz que Ele é o Pai, mas que Ele é um com o Pai. Essa unidade aponta para
igualdade ontológica, não para confusão de pessoas. O Filho age, fala e salva
com a mesma autoridade divina do Pai porque compartilha da mesma essência.
Aqui, a cristologia joanina alcança sua clareza máxima. Essa unidade de
essência tem implicações diretas para a fé e a vida cristã. Se o Filho possui
vida em si mesmo, então a vida que Ele concede aos crentes é verdadeira vida
divina compartilhada por graça. Não é mera melhora moral, mas participação na
vida que flui do Pai por meio do Filho, aplicada pelo Espírito. Como enfatiza a
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, isso gera segurança espiritual. A salvação
não depende de forças humanas, mas da vida eterna que habita no próprio Cristo.
Essa doutrina fortalece a confiança do crente em meio às crises. Servimos a um
Salvador que não apenas aponta o caminho da vida, mas que é a própria vida. O
Cristo gerado eternamente pelo Pai não pode falhar, não pode morrer
definitivamente, não pode perder aqueles que lhe pertencem. A geração eterna do
Filho sustenta a perseverança dos santos e fundamenta uma espiritualidade
madura, reverente e segura. Compreender que o Pai gerou eternamente o Filho nos
chama a uma fé mais profunda e adoradora. Não seguimos um mestre criado, mas o
Filho eterno de Deus. Não oramos a um intermediário limitado, mas àquele que é
um com o Pai. Essa verdade corrige falsas doutrinas, aprofunda a adoração e
conduz a igreja a uma vida cristã centrada na glória da Trindade. Conhecer quem
Cristo é sustenta quem nós somos diante de Deus.
1. ÍBLIA. Bíblia de
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
4. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. São Paulo: CPAD, 2012.
5. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
6. FEE, Gordon D.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
7. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2017.
4. O Pai nos concede o Espírito. O Espírito Santo também tem sua
origem no Pai, mas de modo distinto. Ele procede do Pai (Jo 15.26) e é enviado
pelo Filho (João 16.7). Saber que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho é
muito mais do que um detalhe teológico; é uma fonte poderosa de segurança para
nossa vida cristã. O Espírito Santo é o próprio Deus (At 5.3,4), enviado para estar
conosco para sempre (Jo 14.16,17). Ele nos aproxima do Pai (Ef 2.18),
testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16) e nos guia em
toda a verdade (Jo 16.13).
👉 O Pai nos concede o Espírito é uma afirmação que nos conduz ao
coração da vida trinitária e à experiência cristã autêntica. A fé bíblica não
apresenta o Espírito Santo como uma força impessoal ou mera influência divina,
mas como Deus presente, ativo e relacional. Ao conceder o Espírito, o Pai não
apenas comunica poder, mas compartilha Sua própria presença com o Seu povo. A
doutrina do Espírito como Terceira Pessoa da Trindade não nasce de especulação
teológica, mas da revelação progressiva das Escrituras e da experiência viva da
igreja. Jesus ensina que o Espírito “procede do Pai” em João 15.26. O verbo
grego ekporeúetai indica origem contínua e relacional, não criação ou
subordinação ontológica. O Espírito tem Sua procedência eterna no Pai, assim
como o Filho é eternamente gerado. Essa linguagem protege a unidade da essência
divina e, ao mesmo tempo, preserva a distinção das pessoas. O Pai é a fonte. O
Filho é o mediador. O Espírito é aquele que torna essa obra eficaz na história
e na vida do crente.
Em João 16.7, Jesus afirma que o
Espírito é enviado pelo Filho. Aqui não há contradição, mas cooperação
trinitária. O envio econômico do Espírito no tempo reflete Sua relação eterna
na Trindade. O Pai envia por meio do Filho. O Filho envia da parte do Pai. Como
observam os comentários pentecostais e históricos, essa dinâmica revela uma
Trindade em missão. O mesmo Deus que age na eternidade age na história para
aplicar a salvação de forma concreta. A Escritura também afirma com clareza a
plena divindade do Espírito Santo. Em Atos 5.3,4, mentir ao Espírito é mentir a
Deus. Essa identificação direta elimina qualquer leitura reducionista. O
Espírito pensa, fala, decide, entristece-se e ensina. Essas são ações pessoais,
não meramente funcionais. Gordon Fee destaca que negar a pessoalidade do
Espírito compromete toda a compreensão neotestamentária da vida cristã, pois é
o Espírito quem estabelece comunhão viva entre Deus e o crente.
João 14.16,17 apresenta o Espírito
como aquele que permanece para sempre com os discípulos. O termo grego
parákletos indica alguém chamado para estar ao lado, auxiliando, defendendo e
consolando. Essa permanência não é episódica, mas contínua. O Espírito não
visita a igreja. Ele habita nela. Aqui encontramos profunda segurança pastoral.
Não caminhamos sozinhos. A presença do Espírito é a garantia da fidelidade do Pai
às Suas promessas. Essa presença tem um propósito relacional e redentivo. Em
Efésios 2.18, Paulo afirma que “por meio dele tanto nós como vocês temos acesso
ao Pai, por um só Espírito” (NVI). O Espírito é o mediador da comunhão com o
Pai. Ele não substitui Cristo, mas aplica a obra de Cristo ao coração humano.
Frank Macchia observa que o Espírito é o elo vivo entre a salvação objetiva
realizada por Cristo e a experiência subjetiva do crente.
Além disso, o Espírito testemunha ao
nosso espírito que somos filhos de Deus, conforme Romanos 8.16. O verbo
symmartyreî indica um testemunho conjunto. O Espírito confirma interiormente
aquilo que o Pai declarou em Cristo. A doutrina da adoção não é apenas
jurídica, mas experiencial. O crente não apenas crê que é filho. Ele sabe que é
filho. Essa certeza não nasce da emoção, mas da ação do Espírito no íntimo. Por
fim, Jesus afirma que o Espírito nos guia em toda a verdade, em João 16.13.
Guiar, hodēgḗsei, implica condução contínua e segura. O Espírito não revela uma
verdade diferente da do Filho, mas aprofunda, esclarece e aplica a verdade
revelada. Aqui reside um princípio essencial para a igreja. Toda
espiritualidade genuína é cristocêntrica, bíblica e orientada pelo Espírito.
Separar Palavra e Espírito é empobrecer a fé. Compreender o Espírito como
Terceira Pessoa da Trindade transforma a vida cristã diária. Oramos com
confiança. Vivemos com discernimento. Servimos com poder equilibrado por
caráter. O Pai não nos deixou órfãos. Ele nos concedeu o Seu Espírito. Conhecer
essa verdade não apenas corrige doutrinas equivocadas, mas desperta uma vida
cristã mais profunda, reverente e cheia de comunhão com o Deus triúno.
1. ÍBLIA. Bíblia de
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2002.
4. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. São Paulo: CPAD, 2012.
5. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
6. FEE, Gordon D.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
7. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2017.
8. MACCHIA, Frank
D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.
SINOPSE I
A
paternidade de Deus é eterna, revelada no envio do Filho e na concessão do
Espírito.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
CARACTERÍSTICAS DO PAI
“(1) Como um Pai carinhoso, Ele se importa
conosco, nos guia e nos recebe para que possamos ter uma comunhão profunda e
aberta com Ele. Através da fé em Cristo, temos acesso ao Pai a qualquer hora
para adorá-lo e para expressar as nossas necessidades.
(2) Como um Pai, Deus não tolera (ao
contrário de alguns pais terrenos) o mal em seus filhos, e não falha quando é
necessário discipliná-los corretamente. Fazer qualquer coisa menos que isto não
seria bom para nós. Deus se opõe ao pecado e àquilo que o pecado pode fazer
contra os seus filhos.
(3) Como um Pai celestial, ele pode castigar
assim como abençoar, reter assim como dar, agir tanto com justiça como com
misericórdia. A maneira como Ele responde aos seus filhos depende da fé deles,
e da obediência que demonstram a Ele. No entanto, podemos ter a confiança de
que toda a direção e disciplina de Deus são para o nosso bem.” (Bíblia de
Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1616).
II. RECONHECENDO
A PATERNIDADE DO PAI
1. Confessar a Cristo como Filho. A confissão de que Jesus é o Filho
de Deus é um ato central na fé cristã: “Qualquer que confessar que Jesus é o
Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1Jo 4.15). Reconhecer a filiação
divina de Cristo é mais do que uma afirmação privada. É uma declaração pública
de fé e sinaliza que Deus habita no coração do crente (Rm 10.9,10). Essa
capacidade não nasce da carne, nem da persuasão humana, mas da ação
sobrenatural do Espírito Santo (1Co 12.3). Reconhecer Jesus como o Filho de
Deus é a única forma legítima de acesso ao Pai (Jo 14.6). Negar o Filho é, por
consequência, negar o acesso ao Pai (1Jo 2.23). Que cada crente possa, com o
coração cheio de fé e gratidão, proclamar com ousadia: “Senhor meu, e Deus
meu!” (Jo 20.28).
👉 Reconhecer a paternidade do Pai passa, necessariamente, pela
confissão correta de quem é Jesus Cristo. A fé cristã não começa com
sentimentos religiosos, mas com uma afirmação revelada. João declara com
clareza que “todo aquele que confessa que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece
nele, e ele em Deus” (1Jo 4.15, NVI). O verbo grego homologéō, traduzido por
confessar, carrega a ideia de concordar publicamente com a verdade revelada.
Não se trata de opinião pessoal, mas de alinhamento consciente com aquilo que
Deus declarou sobre o Seu Filho. Confessar Jesus é entrar em comunhão real com
o próprio Deus. Essa confissão não é meramente verbal ou intelectual. Em
Romanos 10.9,10, Paulo une boca e coração, fé e proclamação. A confissão
cristológica envolve convicção interior e testemunho externo. As Bíblias de
Estudo Pentecostal e Aplicação Pessoal ressaltam que essa declaração pública
evidencia a obra regeneradora já realizada no coração. Onde Cristo é confessado
corretamente, Deus habita. Onde Deus habita, há transformação visível da vida.
Do ponto de vista exegético, afirmar
que Jesus é o Filho de Deus implica reconhecer Sua identidade divina. Filho, no
pensamento bíblico, não significa criatura inferior, mas participante da mesma
natureza. Em João 5.18, os judeus compreenderam bem essa afirmação e por isso
acusaram Jesus de fazer-se igual a Deus. A filiação divina aponta para
igualdade de essência e perfeita comunhão com o Pai. Confessar Jesus como Filho
é confessar Sua divindade, Sua eternidade e Sua autoridade salvadora. Essa
confissão, porém, não nasce da capacidade humana. Paulo afirma que “ninguém
pode dizer: Jesus é Senhor, a não ser pelo Espírito Santo” (1Co 12.3, NVI).
Aqui, dizer não significa apenas pronunciar palavras, mas reconhecer com fé
salvadora. Gordon Fee observa que o senhorio de Cristo é uma realidade
espiritual discernida e confessada pela ação do Espírito. Sem a iluminação do
Espírito Santo, o coração humano permanece incapaz de reconhecer plenamente
quem Jesus é.
Reconhecer Jesus como o Filho de Deus
também define o único caminho legítimo de acesso ao Pai. Em João 14.6, Jesus
declara ser o caminho, a verdade e a vida. Não há paternidade divina fora da
cristologia bíblica. Não existe relacionamento com o Pai à margem do Filho.
Como afirma 1 João 2.23, quem nega o Filho não tem o Pai. Essa afirmação
confronta qualquer tentativa de espiritualidade genérica ou fé sem Cristo. Do
ponto de vista trinitário, confessar o Filho é reconhecer a obra harmoniosa do
Pai, do Filho e do Espírito. O Pai revela. O Filho é revelado. O Espírito
testemunha e convence. Frank Macchia destaca que a confissão cristológica é
fruto da ação trinitária completa, e não de esforço humano isolado. Essa
verdade preserva a glória de Deus e humilha o orgulho religioso. Essa confissão
sustenta a vida cristã em tempos de crise, perseguição e dúvida. A igreja
primitiva confessava Jesus como Filho de Deus em um mundo hostil, consciente de
que essa declaração custava rejeição e sofrimento. Ainda hoje, confessar Cristo
exige fidelidade, coragem e perseverança. Não é um slogan religioso, mas um
compromisso de vida inteira. Por isso, reconhecer a paternidade do Pai é viver
diariamente sob a confissão do Filho. É permitir que essa verdade molde nossa
identidade, nossa ética e nossa esperança. Como Tomé, diante do Cristo
ressurreto, somos chamados a declarar não apenas com os lábios, mas com a vida:
“Senhor meu e Deus meu” (Jo 20.28, NVI). Essa confissão continua sendo o
coração pulsante da fé cristã autêntica.
1. ÍBLIA. Bíblia de
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. São Paulo: CPAD, 2012.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. FEE, Gordon D.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2014.
6. MACCHIA, Frank
D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.
2. A perfeição do amor do Pai. O amor faz parte da natureza do Pai:
“E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em
amor está em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16). O amor do Pai é sacrificial,
demonstrado ao enviar Seu Filho (Jo 3.16). Esse amor nos adotou; fomos aceitos
por Ele, com todos os direitos de filhos legítimos (1Jo 3.1). Esse amor é
inquebrável; nenhum poder ou circunstância poderá nos separar desse amor (Rm
8.38,39). Esse amor é pessoal; não é apenas geral, mas é individual, voltado
para cada filho que crê (Jo 16.27). Assim, o amor do Pai é a fonte da nossa
nova vida; nossa salvação brota da abundância do Seu amor (Ef 2.4,5). Foi o
amor do Pai que nos buscou, nos salvou e nos guarda até o fim. Aleluia!
👉 O amor do Pai não é uma atitude ocasional, mas a própria
expressão do seu ser. João afirma que “Deus é amor” (1Jo 4.16, NVI), usando o
termo grego agápē, que descreve um amor que se doa livremente, sem depender do
mérito do outro. Não se trata apenas de algo que Deus faz, mas de quem Deus é.
Permanecer nesse amor significa habitar em Deus e ser habitado por Ele. A
comunhão cristã nasce dessa realidade. Não começa no esforço humano, mas na
iniciativa divina que envolve, sustenta e transforma. Esse amor se revela de
modo concreto e histórico no envio do Filho. João 3.16 não descreve um
sentimento abstrato, mas uma entrega real e custosa. O Pai amou dando. Amou
enviando. Amou sacrificando. O Comentário Bíblico Pentecostal destaca que o
verbo “dar” aponta para a entrega total do Filho à morte redentora. O amor do
Pai não ignora o pecado, mas o enfrenta por meio da cruz. É um amor santo,
justo e salvador. Esse mesmo amor nos alcança de forma relacional, por meio da
adoção. João exclama: “Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu:
sermos chamados filhos de Deus” (1Jo 3.1, NVI). A adoção não é figura poética,
mas mudança real de status espiritual. Fomos recebidos na família de Deus com
plenos direitos, não como hóspedes, mas como filhos. A Bíblia de Estudo
Plenitude ressalta que essa filiação gera identidade, pertencimento e
responsabilidade. Vivemos diante de Deus não como servos temerosos, mas como
filhos amados. Além disso, o amor do Pai é firme e inquebrável. Paulo afirma
que nada pode nos separar desse amor revelado em Cristo Jesus (Rm 8.38,39). Nem
forças espirituais, nem circunstâncias adversas, nem falhas humanas anulam a
fidelidade do Pai. A Bíblia de Estudo MacArthur observa que essa segurança não
se baseia na constância do crente, mas na constância de Deus. O amor do Pai não
oscila conforme o nosso desempenho. Ele permanece porque está ancorado na sua
graça soberana. Por fim, esse amor é profundamente pessoal. Jesus declara que o
Pai ama individualmente aqueles que creem (Jo 16.27). Não somos apenas parte de
um plano coletivo, mas alvos de um cuidado particular. Paulo confirma que foi
“por causa do seu grande amor” que Deus nos deu vida juntamente com Cristo (Ef
2.4,5). A vida cristã começa, cresce e se sustenta nesse amor. Ele nos buscou
quando estávamos mortos, nos vivificou pela graça e nos guarda até o fim. Viver
à luz dessa verdade nos chama à gratidão, à confiança diária e a uma vida
moldada pelo amor que recebemos.
1. ÍBLIA. Bíblia de
Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Vida, 2002.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. COMENTÁRIO
BÍBLICO PENTECOSTAL DO NOVO TESTAMENTO. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
3. As bênçãos da filiação divina. As Escrituras afirmam que o amor de
Deus, lança fora todo o temor, especialmente o medo do juízo: “Nisto é perfeito
o amor para conosco, para que no Dia do Juízo tenhamos confiança” (1Jo 4.17).
Essa confiança estabelece a segurança da nossa condição como filhos de Deus. O
crente não é mais um escravo ameaçado pelo castigo eterno, mas um filho livre,
amado e aceito em Cristo (Rm 8.15). Isso não significa que o crente não possa
perder a salvação (Ez 18.24; 1Co 10.12). Mas sim, que o Espírito Santo,
habitando em nós, testemunha a nossa filiação, extinguindo o medo da condenação
(Ef 1.13,14). O verdadeiro amor, aperfeiçoado em nós pelo Espírito, remove o
medo, pois “no amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor”
(1Jo 4.18).
👉 A filiação divina é uma das mais sublimes verdades do evangelho,
pois redefine completamente a relação do crente com Deus. Em 1 João 4.17, o
apóstolo afirma que o amor é aperfeiçoado em nós para que, no Dia do Juízo,
haja confiança e não terror. O termo grego parrēsía indica ousadia serena,
liberdade interior diante de Deus. Não se trata de presunção espiritual, mas de
uma segurança relacional que nasce do amor plenamente revelado em Cristo. O
juízo deixa de ser ameaça paralisante e passa a ser enfrentado à luz de uma
relação filial já estabelecida. Essa confiança não emerge do mérito humano, mas
da obra objetiva de Cristo aplicada subjetivamente pelo Espírito Santo. Romanos
8.15 declara que não recebemos um espírito de escravidão para novamente
temermos, mas o Espírito de adoção. A palavra huiothesía aponta para uma ação
legal e relacional. Deus não apenas perdoa o pecador, mas o insere na família,
concedendo-lhe nova identidade. As Bíblias de Estudo Pentecostal e Plenitude
destacam que essa adoção envolve tanto posição quanto experiência, pois o
Espírito opera no íntimo do crente uma consciência viva de pertencimento. O
medo do castigo eterno, portanto, é incompatível com a maturidade do amor
cristão. Segundo 1 João 4.18, o temor envolve punição, e quem teme não está
aperfeiçoado no amor. Aqui, o verbo teleióō sugere um processo contínuo de
amadurecimento espiritual. O amor não nasce perfeito no crente, mas é formado,
educado e aprofundado pela ação do Espírito. À medida que o amor cresce, o
temor do juízo é desalojado do coração, não por negação da santidade divina,
mas por compreensão mais profunda da graça. É importante observar que essa
segurança não deve ser confundida com libertinagem espiritual. Textos como
Ezequiel 18.24 e 1 Coríntios 10.12 funcionam como advertências pastorais sérias
contra a autoconfiança carnal. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal ressalta
que a perseverança na fé é evidência da filiação, não sua causa. O crente
verdadeiro é chamado a vigiar, não porque viva sob constante ameaça de
condenação, mas porque deseja honrar o Pai que o adotou. Dentro da teologia
reformada continuísta, afirma-se que a segurança da salvação repousa
primariamente na fidelidade de Deus, mas se manifesta na vida transformada do
crente. Ainda que haja debates históricos sobre a segurança eterna, o texto
bíblico enfatiza que o Espírito Santo é o selo da promessa. Efésios 1.13–14
afirma que fomos selados com o Espírito, que é o penhor da nossa herança. O
selo não elimina a responsabilidade humana, mas garante que Deus permanece fiel
à obra que começou.
As Bíblias de Estudo MacArthur e
Beacon concordam que o testemunho interno do Espírito não é emocionalismo
vazio, mas confirmação espiritual que produz santidade, amor e perseverança. O
Espírito não apenas consola, mas confronta, corrige e conduz o filho de Deus em
um caminho de maturidade. Onde há verdadeira filiação, há também disciplina amorosa,
conforme Hebreus 12 ensina, ainda que este texto não seja citado diretamente na
lição. Assim, a filiação divina transforma o modo como o crente lida com Deus,
com o futuro e consigo mesmo. Ele não vive mais como escravo acuado pelo medo
do inferno, mas como filho consciente do amor do Pai. Essa consciência gera
liberdade interior, obediência voluntária e esperança firme. O amor
aperfeiçoado não anestesia a consciência, mas fortalece o coração para viver em
santidade e confiança. Essa verdade precisa ser ensinada com equilíbrio. O medo
não produz maturidade espiritual duradoura. É o amor que forma discípulos
estáveis, fiéis e reverentes. Quando a igreja compreende a filiação divina,
cresce em adoração sincera, serviço humilde e vida cristã consistente. O crente
amadurecido não pergunta apenas se está salvo, mas como pode glorificar o Pai
que o adotou. Por fim, a filiação divina nos chama a uma vida de comunhão
diária com Deus. A segurança que o Espírito testifica em nós não nos leva à
passividade, mas ao compromisso. Quem sabe que é filho vive como filho. Quem
experimenta o amor do Pai aprende a lançar fora o temor e a caminhar, todos os
dias, em fé, obediência e gratidão.
1. ÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. São Paulo: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2015.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. São Paulo: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. São Paulo: CPAD, 2012.
5. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
6. FEE, Gordon D. A
presença do Espírito Santo no povo de Deus. São Paulo: Vida, 1994.
SINOPSE II
Confessar
que Jesus é o Filho de Deus é evidência de filiação divina e comunhão com o
Pai.
III. A
EXPERIÊNCIA DO AMOR DO PAI
1. O amor é aperfeiçoado no crente. O aperfeiçoamento do amor em nós é
obra do Espírito. Guardar a Palavra é o meio pelo qual o amor divino é
amadurecido: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele
verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele” (1Jo 2.5).
Essa obediência prática à Palavra é a evidência externa de um amor interno e
verdadeiro por Deus (Jo 14.21). Não há amor genuíno a Deus, sem compromisso
concreto com a sua vontade revelada (1Jo 5.3). A cada ato de obediência, mesmo
nas pequenas coisas, o amor de Deus é fortalecido em nós (Lc 16.10). Devemos
viver de maneira que nossa prática aprofunde a realidade do amor em nosso
coração (Tg 1.22). Portanto, refletir Deus no mundo é estar sendo aperfeiçoado
no amor (Mt 22.37-40).
👉 A experiência do amor do Pai não começa no sentimento, mas na
transformação interior operada pelo Espírito Santo. Em 1 João 2.5, o apóstolo
afirma que o amor de Deus é verdadeiramente aperfeiçoado naquele que guarda a
Palavra. O verbo grego teleióō indica amadurecimento progressivo, não perfeição
instantânea. O amor divino cresce à medida que a vida do crente é moldada pela
revelação de Deus. Não se trata de alcançar um estado místico elevado, mas de
caminhar diariamente sob a ação santificadora do Espírito, que conduz o filho
de Deus a uma obediência consciente, reverente e perseverante. Guardar a
Palavra, portanto, é mais do que conhecê-la intelectualmente. No contexto
joanino, guardar significa acolher, preservar e praticar. Jesus afirma em João
14.21 que aquele que tem seus mandamentos e os guarda, esse é o que o ama. A
Bíblia de Estudo Pentecostal destaca que a obediência é a linguagem visível do
amor invisível. Onde há amor genuíno pelo Pai, há submissão voluntária à sua
vontade. Não por medo, mas por relacionamento. A obediência deixa de ser um
peso e passa a ser fruto de comunhão.
Esse amor amadurecido se revela em
compromissos concretos. 1 João 5.3 ensina que amar a Deus é obedecer aos seus
mandamentos, e estes não são pesados para quem ama. Aqui, a Escritura confronta
uma espiritualidade meramente emocional. Amar a Deus não é apenas cantar sobre
Ele, mas viver para Ele. Cada escolha diária, inclusive nas pequenas
responsabilidades, contribui para o fortalecimento do amor divino no coração do
crente. Como ensina Lucas 16.10, a fidelidade no pouco revela maturidade
espiritual no muito. O crescimento no amor também exige prática deliberada da
Palavra. Tiago 1.22 adverte contra uma fé que se contenta em ouvir sem
obedecer. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal observa que a prática da Palavra
protege o crente do autoengano espiritual. O amor não amadurece em discursos,
mas em atitudes. Cada vez que a Palavra governa decisões, relacionamentos e
prioridades, o Espírito aprofunda em nós a consciência de pertencimento ao Pai.
Por fim, refletir Deus no mundo é a expressão mais elevada desse amor
aperfeiçoado. Em Mateus 22.37–40, Jesus resume toda a lei no amor a Deus e ao
próximo. Amar como filhos é manifestar o caráter do Pai em um mundo marcado pelo
egoísmo. Segundo Stanley Horton, o amor cristão não é apenas virtude moral, mas
evidência da presença ativa do Espírito na vida do crente. Onde esse amor
cresce, a fé amadurece, a obediência se fortalece e a vida cristã se torna um
testemunho vivo da paternidade divina.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. São Paulo: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. São Paulo: CPAD, 2012.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. FEE, Gordon D. A
presença do Espírito Santo no povo de Deus. São Paulo: Vida, 1994.
2. O amor é a marca dos filhos de Deus. O amor distingue os verdadeiros filhos de Deus. O mundo conhece a Deus
por meio da manifestação de amor dos seus filhos: “Ninguém jamais viu a Deus;
se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor”
(1Jo 4.12). Deus é invisível, mas seu amor se torna visível à humanidade quando
os cristãos vivem em amor mútuo (Jo 13.34,35). Quem ama de fato, revela que
conhece a Deus. Logo, o amor torna real a presença de Deus àqueles que ainda
não O conhecem (1Jo 3.10; 4.8).
👉 A Escritura afirma que o amor não é apenas uma virtude cristã,
mas o sinal visível da filiação divina. Em 1 João 4.12, João parte de uma
verdade teológica profunda. Deus é invisível aos olhos humanos. Ninguém jamais
o viu em sua essência. Ainda assim, Ele se deixa conhecer. O meio escolhido por
Deus não é o espetáculo, mas o amor vivido na comunhão do seu povo. Onde o amor
fraterno é praticado, ali Deus se faz presente de maneira concreta, perceptível
e transformadora. O texto afirma que, quando amamos uns aos outros, Deus
permanece em nós e o seu amor é aperfeiçoado em nós. O verbo grego teleióō
indica um processo de maturação, de algo que alcança seu propósito. O amor de
Deus não se completa porque carece de algo em si mesmo, mas porque encontra
expressão plena quando se manifesta por meio da vida dos filhos. Segundo o
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, o amor de Deus alcança seu
alvo quando flui da relação vertical com o Pai para a relação horizontal com o
próximo. O amor vivido é a prova de que Deus habita em nós. Jesus ensinou que
esse amor é o distintivo público dos seus discípulos. Em João 13.34–35, Ele
declara que o mundo reconheceria os seus seguidores não por discursos
sofisticados, mas pela prática do amor mútuo. O amor cristão, portanto, tem uma
dimensão apologética. Ele revela Deus a um mundo que não o vê. Como observa
Craig Keener, em um contexto marcado por hostilidade e divisão, a comunidade
cristã se torna o espaço onde a presença invisível de Deus se torna visível
através de atitudes concretas de cuidado, perdão e serviço. João é ainda mais
direto ao afirmar que quem ama conhece a Deus, e quem não ama não o conhece. Em
1 João 4.8, o apóstolo não trata o amor como uma opção espiritual, mas como
critério de autenticidade da fé. A ausência de amor denuncia uma ruptura no
relacionamento com Deus. A Bíblia de Estudo MacArthur ressalta que João não
está falando de amor genérico, mas do amor que reflete o caráter santo e
sacrificial de Deus. Amar é evidência de regeneração. Não amar é sinal de
distanciamento espiritual. Esse ensino confronta uma fé meramente confessional.
É possível professar doutrinas corretas e, ainda assim, falhar no testemunho do
amor. O texto nos chama a uma espiritualidade encarnada, onde a presença de
Deus se torna perceptível no cotidiano. Amar é tornar Deus real para quem ainda
não o conhece. É transformar a teologia em vida. Onde o amor governa as
relações, Deus se deixa ver, tocar e experimentar por meio dos seus filhos.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. São Paulo: CPAD, 2016.
2. COMENTÁRIO
BÍBLICO PENTECOSTAL DO NOVO TESTAMENTO. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
3. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2017.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. São Paulo: Cultura Cristã, 2010.
3. Fomos amados primeiro. A essência da vida cristã está
fundamentada no fato de que Deus nos amou: “Nós o amamos porque Ele nos amou
primeiro.” (1Jo 4.19). Indica que a salvação, a fé e a nossa capacidade de amar
são respostas à iniciativa incondicional do amor divino (1Jo 4.10). Em vista
disso, fomos amados antes de qualquer mérito, antes de qualquer movimento
pessoal em direção a Deus (Ef 2.4,5). Fomos amados no pior estado possível — em
pecado — e recebidos como filhos em Jesus (Rm 5.8; Ef 1.5). Esta verdade
sinaliza que somente pelo Espírito conseguimos amar a Deus, ao próximo e ao
inimigo (Rm 5.5). Antes da nossa redenção, houve uma cruz sangrenta preparada
por amor (Jo 15.13). Desse modo, espera-se que a postura cristã seja uma
resposta agradecida a esse amor imerecido (2Co 5.14,15).
👉 A vida cristã começa em Deus, não em nós. Essa é a afirmação
central de 1 João 4.19. João não diz que amamos a Deus porque o buscamos
melhor, nem porque amadurecemos espiritualmente. Ele afirma que amamos porque
fomos amados primeiro. O verbo grego ēgapēsen indica uma ação passada, completa
e decisiva. O amor de Deus não surge como resposta, mas como iniciativa
soberana. Antes que houvesse fé, arrependimento ou obediência, já havia amor.
Essa verdade redefine a espiritualidade cristã e destrói qualquer ilusão de
mérito humano. Esse amor primeiro se manifesta de forma concreta na obra
redentora de Cristo. Em 1 João 4.10, o apóstolo esclarece que amar a Deus não é
o ponto de partida, mas o resultado da propiciação realizada pelo Filho. A
salvação não nasce do amor humano em direção a Deus, mas do amor divino que se
move em direção ao pecador. Como afirma a Teologia Sistemática Pentecostal, a
graça antecede a resposta humana. Deus nos amou quando ainda estávamos
espiritualmente mortos, incapazes de reagir, conforme Efésios 2.4–5. O amor
divino não espera condições favoráveis. Ele cria essas condições pela graça.
Paulo aprofunda essa verdade ao
afirmar que fomos amados no pior estado possível. Romanos 5.8 declara que
Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. Isso significa que o amor
de Deus não é uma recompensa pela mudança, mas a causa da mudança. Fomos
acolhidos como filhos por adoção em Cristo antes de qualquer progresso moral ou
espiritual. A Bíblia de Estudo Plenitude destaca que a adoção não é um ato
tardio, mas parte do plano eterno do Pai, revelado em Efésios 1.5. Deus não nos
amou porque nos tornamos filhos. Ele nos fez filhos porque nos amou. Essa
realidade também esclarece a origem da nossa capacidade de amar. Romanos 5.5
afirma que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo.
Amar a Deus, ao próximo e até mesmo ao inimigo não é fruto de esforço natural,
mas obra do Espírito que habita em nós. Gordon Fee observa que o amor cristão
não é apenas um mandamento externo, mas uma experiência interna produzida pela
presença do Espírito. Sem essa ação interior, o amor se torna moralismo. Com o
Espírito, o amor se torna vida. Essa verdade nos chama a viver não para
conquistar o amor de Deus, mas a partir dele. A cruz precede qualquer resposta
humana. Antes da nossa redenção, houve um sacrifício preparado por amor, como
afirma João 15.13. Por isso, a ética cristã não nasce do medo, mas da gratidão.
Como ensina 2 Coríntios 5.14–15, é o amor de Cristo que nos constrange. Vivemos,
obedecemos e servimos não para sermos amados, mas porque já fomos alcançados
por um amor imerecido, profundo e irrevogável.
1. ÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. São Paulo: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
SINOPSE III
O amor do Pai é aperfeiçoado no crente,
lançando fora o temor e moldando nosso caráter.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
O AMOR DE DEUS COMO FONTE DO AMOR HUMANO
“O
amor de Deus é a fonte de todo o amor humano, e se espalha como o fogo. Ao amar
os seus filhos, Deus acende uma chama em seus corações. Estes, por sua vez,
amam os outros, que são então aquecidos pelo amor de Deus.
É fácil dizer que amamos a Deus quando tal
amor não nos custa nada mais do que nossa participação semanal nos cultos. Mas
o verdadeiro teste do nosso amor a Deus é como tratamos as pessoas que estão à
nossa volta — os membros de nossa família e os nossos irmãos em Cristo. Não
podemos amar verdadeiramente a Deus enquanto negligenciamos o amor àqueles que
foram criados à sua imagem.” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2004, p.1788).
CONCLUSÃO
A paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da
Trindade. O Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma
relação sólida e paterna. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados
primeiro, e somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A
nossa identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e
amorosa, garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e
ajudando-nos a refletir o amor do Pai ao mundo.
👉 A vida cristã começa em Deus, nunca no ser humano. Essa é a
afirmação teológica central de 1 João 4.19. João não afirma que amamos porque
buscamos a Deus com mais zelo ou porque atingimos certo grau de maturidade
espiritual. Ele declara, com clareza pastoral e precisão doutrinária, que
amamos porque fomos amados primeiro. O verbo grego ēgapēsen aponta para uma
ação passada, completa e decisiva. O amor de Deus não é reação, é iniciativa.
Antes que houvesse fé, arrependimento ou obediência, já havia amor soberano. Essa
verdade desmonta qualquer tentativa de espiritualidade baseada em mérito e
reposiciona a vida cristã inteiramente na graça. Esse amor primeiro se
manifesta de forma concreta e histórica na obra redentora de Cristo. Em 1 João
4.10, o apóstolo corrige qualquer inversão teológica ao afirmar que amar a Deus
não é o ponto de partida, mas o resultado da propiciação realizada pelo Filho.
A salvação não nasce do movimento humano em direção a Deus, mas do movimento
gracioso de Deus em direção ao pecador. Como bem destaca a Teologia Sistemática
Pentecostal, a graça precede a resposta humana. Efésios 2.4–5 confirma que Deus
nos amou quando estávamos espiritualmente mortos, incapazes de reagir ou
cooperar. O amor divino não espera condições favoráveis. Ele cria essas
condições pela graça vivificadora. Paulo aprofunda essa verdade ao afirmar que
fomos amados no pior estado possível. Romanos 5.8 ensina que Cristo morreu por
nós quando ainda éramos pecadores. O amor de Deus não é recompensa por mudança
moral, mas a causa da mudança espiritual. Fomos recebidos como filhos por
adoção em Cristo antes de qualquer progresso ético ou amadurecimento religioso.
A Bíblia de Estudo Plenitude ressalta que a adoção não é um ato tardio, mas
parte do propósito eterno do Pai, revelado em Efésios 1.5. Deus não nos amou
porque nos tornamos filhos. Ele nos fez filhos porque nos amou.
Essa realidade também esclarece a
origem da nossa capacidade de amar. Romanos 5.5 afirma que o amor de Deus foi
derramado em nossos corações pelo Espírito Santo. Amar a Deus, ao próximo e até
mesmo ao inimigo não é fruto de esforço natural ou disciplina meramente humana.
É obra interior do Espírito que habita no crente. Gordon Fee observa que o amor
cristão não se limita a um mandamento externo, mas nasce de uma experiência
transformadora da presença do Espírito. Sem essa ação interior, o amor degenera
em moralismo. Com o Espírito, o amor se torna vida, fruto e testemunho. Pastoralmente,
essa verdade nos chama a viver não para conquistar o amor de Deus, mas a partir
dele. A cruz antecede qualquer resposta humana. Antes da nossa redenção, houve
um sacrifício preparado por amor, conforme João 15.13. Por isso, a ética cristã
não nasce do medo do castigo, mas da gratidão pela graça. Como ensina 2
Coríntios 5.14–15, é o amor de Cristo que nos constrange. Vivemos, obedecemos e
servimos não para sermos amados, mas porque já fomos alcançados por um amor
imerecido, profundo e fiel até o fim.
Diante deste quadro pintado por esta
preciosa lição, nos resta extrair três aplicações práticas:
1. Viver a obediência como resposta ao
amor do Pai, não como moeda de troca: A compreensão correta da
paternidade divina liberta o crente da espiritualidade baseada em desempenho.
Se fomos amados primeiro, antes de qualquer mérito, então a obediência cristã
não nasce do medo de perder o amor do Pai, mas da gratidão por já o termos recebido.
Isso transforma a prática da fé no cotidiano. Orar, servir, congregar e
resistir ao pecado deixam de ser tentativas de agradar um Deus distante e
passam a ser expressões naturais de filhos que já pertencem à casa.
Pastoralmente, isso cura a ansiedade espiritual e gera uma obediência mais
profunda, alegre e perseverante.
2. Cultivar uma identidade filial firme
em meio às crises e quedas: A paternidade divina
ensina que nossa identidade não oscila conforme nossas emoções, sucessos ou
fracassos momentâneos. O testemunho do Espírito em nós afirma que somos filhos,
mesmo quando enfrentamos disciplina, lutas internas ou períodos de fraqueza.
Isso não estimula negligência espiritual, mas amadurecimento. O crente aprende
a se levantar mais rápido, a confessar seus pecados com humildade e a caminhar
em arrependimento sem viver sob culpa paralisante. Na prática, isso produz
cristãos emocionalmente mais saudáveis, espiritualmente mais estáveis e
pastoralmente mais acompanháveis.
3. Tornar visível o Pai invisível por
meio de uma vida marcada pelo amor: Se ninguém jamais viu a
Deus, mas Ele se torna visível quando seus filhos vivem em amor, então cada
cristão carrega uma responsabilidade missionária cotidiana. O amor vivido na
família, na igreja, no trabalho e até diante de adversários revela quem é o Pai
que nos adotou. Essa aplicação confronta o individualismo espiritual e chama a
igreja a um testemunho encarnado. Amar não é opcional nem secundário. É o sinal
mais claro da filiação divina. Na prática, isso exige escolhas concretas,
perdão real, paciência diária e compromisso com o próximo. Assim, o mundo vê o
Pai quando observa seus filhos.
Essas aplicações não apenas explicam a
doutrina da paternidade divina, mas formam caráter, curam distorções
espirituais e orientam uma vida cristã madura, segura e cheia de amor.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. São Paulo: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2012.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O que significa a expressão “O Pai
gerou o Filho”?
Significa que o Filho é eternamente gerado pelo Pai, não criado,
possuindo a mesma essência divina.
2. O que significa reconhecer a filiação
divina de Cristo?
É reconhecer que Jesus é o Filho de Deus, o único acesso legítimo ao
Pai.
3. Qual a relação entre a nossa filiação
a Deus e a preservação da salvação?
O amor do Pai assegura nossa filiação e nos livra do medo da condenação,
embora devamos permanecer firmes para não perder a salvação.
4. Qual é a evidência externa de um amor
interno e verdadeiro por Deus?
Guardar a Palavra de Deus.
5. De que forma os cristãos tornam
visível à humanidade o amor de Deus?
Vivendo em amor mútuo, tornando visível o caráter de Deus ao mundo.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A PATERNIDADE DIVINA
Na presente lição, veremos com maiores detalhes a paternidade divina,
bem como o amor divino que nos capacita a viver a nossa filiação com Deus
diante do mundo. Inicialmente, a lição destaca que a paternidade de Deus não
tem início no tempo. Deus é Pai desde a eternidade. Isso nos remete à
compreensão de que as Pessoas do Filho e do Espírito Santo coexistem com o Pai
desde a eternidade, tendo em vista que os três compartilham da mesma natureza
divina (Jo 10.30). Nesse sentido, a relação entre as três Pessoas da Trindade é
a referência ideal para o relacionamento do crente com Deus. Uma das marcas da
filiação divina é a fé que expressamos em Jesus, o Filho Unigênito. Ele, por
natureza, é o Filho gerado — e não criado — pelo Pai (Hb 1.1-5); em
contrapartida, a nossa filiação ocorre a partir da confissão de fé em Jesus,
que nos adentra à comunhão com Deus por meio da graça. Sendo, pois,
justificados pela fé, temos paz com Deus (Rm 5.1). Agora que somos filhos temos
também a testificação dessa filiação por meio do Espírito Santo. Ele testifica
com nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16).
De acordo com o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, adoção diz
respeito ao “processo voluntário de concessão de direitos, privilégios,
responsabilidades e posição de filho ou herdeiro a um indivíduo ou grupo que
não nasceu originalmente do adotante. Enquanto o nascimento ocorre
naturalmente, a adoção ocorre apenas pelo exercício da vontade. [...] Os filhos
adotivos de Deus desfrutam de todos os direitos de um filho natural, incluindo
a oportunidade de chamar Deus de ‘Pai’, como Jesus fez (Mt 5.16; Lc 12.32).
Paulo particularmente usa a adoção para descrever o novo relacionamento do
cristão com Deus por meio do sacrifício expiatório de Jesus Cristo (Rm
8.15,16,21-23; 9.25,26)” (2023, p.23).
Agora que recebemos a nova natureza, podemos, como filhos de Deus,
desfrutar de todas as abundantes bênçãos de Sua graça. Um dos grandes desafios
da nossa geração é preservar sua identidade enquanto filhos de Deus. Inclusive,
a marca que distingue e torna pública essa filiação é o amor de Deus derramado
em nossos corações (Rm 5.5). Esse amor nos capacita a adorar a Deus em espírito
e em verdade (Jo 4.24), bem como a amar o próximo e perdoar aqueles que se
colocam como nossos inimigos e perseguidores (Mt 5.11,12,44-48). Se quisermos
tornar notória ao mundo a nossa experiência como filhos de Deus, precisamos
remover da nossa forma de pensar e agir tudo aquilo que não corresponde à
natureza divina. Que a cada ato de renúncia ao pecado e submissão aos
mandamentos divinos o amor de Deus possa se aperfeiçoar em nós.
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
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