LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
ADULTOS
1º Trimestre de 2026
Título: A Santíssima
Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas
Baptista
Lição 3: O Pai enviou o Filho
Data: 18 de janeiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu
Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1Jo 4.9).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 O apóstolo João introduz
1João 4.9 com uma afirmação densa e reveladora. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco” indica que o amor
divino não é uma ideia abstrata nem um sentimento indefinido. O verbo grego
usado aqui é ephanerōthē (ἐφανερώθη), aoristo passivo de phaneróō, que
significa tornar visível, revelar de forma concreta aquilo que estava oculto.
João ensina que o amor de Deus, embora eterno, tornou-se historicamente
perceptível em um ato específico. O amor não é definido por palavras, mas por
uma ação redentora no tempo. A expressão “o amor de Deus” deve ser entendida
como amor que procede de Deus, e não apenas amor dirigido a Ele. João mantém
coerência com todo o seu argumento na epístola, onde Deus não apenas possui
amor, mas é amor em sua essência. Esse amor, porém, não se revela de maneira
genérica à humanidade, mas “para conosco”, isto é, em direção a pessoas
concretas, pecadores reais, alcançados por uma iniciativa soberana. Aqui já se
percebe o fundamento reformado da salvação como movimento descendente da graça,
não como resposta ao mérito humano. João afirma que esse amor se manifestou no
fato de que “Deus enviou”. O verbo apéstalken (ἀπέσταλκεν), perfeito ativo de
apostéllō, carrega a ideia de envio com missão definida e autoridade delegada.
O Pai não apenas permitiu que o Filho viesse, mas o enviou deliberadamente com
um propósito redentor. O uso do perfeito indica uma ação passada com efeitos
permanentes. O envio do Filho não foi um evento isolado do passado, mas uma
realidade cujos resultados continuam operando na história e na vida da igreja. O
título “Filho unigênito” traduz o termo grego monogenḗs (μονογενής), que não
significa “gerado” no sentido biológico, mas “único em sua natureza”,
“singular”, “sem igual”. João afirma a singularidade absoluta do Filho em
relação ao Pai. Ele não é apenas mais um mensageiro, mas o Filho eterno que
compartilha da mesma essência divina. A profundidade do amor de Deus se mede
não apenas pelo ato de enviar, mas por quem foi enviado. Deus entregou o que
lhe era único, precioso e eterno. O envio ocorre “ao mundo”, termo que João usa
frequentemente para designar a humanidade caída, rebelde e espiritualmente
hostil a Deus. O amor revelado aqui não é reativo, mas gracioso. Deus não amou
um mundo que o buscava, mas um mundo que precisava ser resgatado. Isso
confronta qualquer visão sentimental do amor divino. Trata-se de um amor santo,
soberano e sacrificial, que age apesar da oposição humana e não por causa da
virtude humana. O propósito do envio é expresso na cláusula final “para que por
ele vivamos”. O verbo zēsōmen (ζήσωμεν), aoristo do subjuntivo de záō, aponta
para vida verdadeira, espiritual e eterna, em contraste com a morte produzida
pelo pecado. A vida não é apenas prolongamento da existência, mas participação
na vida que procede de Deus. A expressão “por ele” afirma mediação exclusiva.
Não vivemos por princípios, por obras ou por esforço moral, mas por meio da
união com Cristo, aplicada pelo Espírito Santo. Exegeticamente, 1João 4.9
ensina que a salvação nasce no amor eterno do Pai, se manifesta historicamente
no envio do Filho e resulta em vida real para aqueles que estão unidos a
Cristo. Pastoralmente, o texto confronta a superficialidade espiritual e chama
a igreja a redefinir amor, fé e vida cristã à luz da cruz. Quem compreende esse
amor não vive mais para si, mas responde com gratidão, obediência e uma vida
transformada pelo Deus que se revelou em Cristo.
HORTON, Stanley M.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
MACCHIA, Frank D.
Justificados no Espírito. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.
BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
VERDADE PRÁTICA
O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade
no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 O envio eterno e soberano do Filho pelo Pai manifesta de forma
histórica e concreta o amor gracioso de Deus, revela a perfeita unidade e
harmonia da Trindade na obra da salvação e assegura, pela atuação eficaz do
Espírito Santo, a redenção plena, a vida nova e a adoção filial daqueles que,
pela fé, são unidos a Cristo.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6.
Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses
teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.
João 3
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas
tenha a vida eterna.
👉 As Bíblias de Estudo Pentecostal (CPAD), MacArthur (SBB),
Plenitude (SBB) e Aplicação Pessoal (CPAD) convergem ao afirmar que este
versículo revela a iniciativa soberana do amor de Deus. O verbo “amou” traduz o
grego agapáō, indicando um amor ativo, deliberado e sacrificial. Não se trata
de mera afeição, mas de uma decisão graciosa de Deus em favor de um mundo
caído. A Bíblia Pentecostal destaca que esse amor se expressa em ação concreta.
Deus “deu” o Filho, não apenas o enviou, mas o entregou ao sofrimento redentor.
A Bíblia MacArthur enfatiza que “mundo” (kósmos) não aponta para universalismo
salvífico automático, mas para a extensão do amor divino a pessoas de todas as
nações e classes, sem distinção étnica ou moral. A salvação, porém, é aplicada
“ao que nele crer”. A Bíblia Plenitude reforça que a fé não é mera aceitação
intelectual, mas confiança pessoal e submissão a Cristo. A vida eterna, segundo
a Aplicação Pessoal, não começa após a morte, mas no momento em que o pecador é
unido a Cristo pela fé.
17. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não
para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
👉 Aqui, as Bíblias de Estudo destacam a natureza redentiva da
missão do Filho. O verbo “enviar” (apostéllō) aponta para uma missão com
autoridade divina. O Filho vem como o Enviado do Pai. A Bíblia Pentecostal
observa que a condenação já repousa sobre o mundo por causa do pecado. Cristo
não veio para intensificá-la, mas para oferecer salvação. A Bíblia MacArthur
ressalta que a ausência de condenação não elimina o juízo final, mas revela que
a primeira vinda de Cristo teve caráter salvífico. A Plenitude enfatiza que a
salvação ocorre “por meio dele”, reforçando a exclusividade cristológica. A
Aplicação Pessoal chama atenção para o apelo pastoral do texto. Rejeitar Cristo
não é neutralidade, mas permanecer sob condenação.
1 João 4
9 Nisto se manifestou o amor de Deus para
conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele
vivamos.
👉 As Bíblias de Estudo destacam que João não define o amor em
termos abstratos, mas históricos. A Bíblia Pentecostal observa que “manifestou”
(phaneróō) significa tornar visível aquilo que antes estava oculto. O amor de
Deus se torna visível na encarnação. A vida que recebemos “por meio dele” não é
apenas biológica, mas espiritual e eterna. A Bíblia MacArthur enfatiza que a
vida verdadeira só existe em união com Cristo. Fora dele há existência, mas não
vida. A Plenitude ressalta que o envio do Filho aponta para a centralidade da
encarnação no plano da salvação. A Aplicação Pessoal sublinha que esse amor
exige resposta. Quem recebeu vida por meio do Filho é chamado a viver em amor.
10 Nisto está o amor: não em que nós tenhamos
amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos
nossos pecados.
👉 Este versículo aprofunda o anterior ao esclarecer a natureza
unilateral da graça. A Bíblia Pentecostal destaca que o amor não nasce da
iniciativa humana. Ele procede exclusivamente de Deus. A palavra “propiciação”
traduz hilasmós, indicando um sacrifício que satisfaz a justiça divina e remove
a ira santa contra o pecado. A Bíblia MacArthur enfatiza fortemente o aspecto
judicial do termo. O sacrifício de Cristo não apenas demonstra amor, mas
resolve o problema do pecado diante de Deus. A Bíblia Plenitude acrescenta que
essa propiciação restaura o relacionamento quebrado entre Deus e o homem. A
Aplicação Pessoal observa que compreender essa verdade destrói qualquer
tentativa de autossalvação e produz humildade e gratidão.
Gálatas 4
4 mas,
vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido
sob a lei,
👉 As Bíblias de Estudo destacam a soberania de Deus na história. A
Bíblia Pentecostal aponta que “plenitude do tempo” revela um momento
determinado por Deus, não pelo acaso. A encarnação ocorre no tempo exato do
plano redentor. A expressão “nascido de mulher” afirma a plena humanidade de
Cristo, enquanto “debaixo da lei” indica sua submissão à Lei para redimir os
que estavam sob ela. A Bíblia MacArthur reforça que Cristo cumpriu
perfeitamente a Lei em lugar dos pecadores. A Plenitude ressalta que essa
submissão foi voluntária e necessária para a redenção. A Aplicação Pessoal
destaca que Deus nunca se atrasa. Ele age no tempo certo, mesmo quando o ser humano
não percebe.
5 para
remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.
👉 Aqui aparece o duplo resultado da obra de Cristo. Redenção e
adoção. A Bíblia Pentecostal observa que “redimir” (exagorázō) aponta para
libertação mediante pagamento de preço. A Bíblia MacArthur enfatiza que a
adoção é um ato legal e relacional. O crente não é apenas perdoado, mas
recebido como filho legítimo. A Bíblia Plenitude destaca o privilégio da
filiação espiritual. A Aplicação Pessoal chama atenção para a mudança de
identidade. Não somos mais escravos do medo, mas filhos amados.
6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos
nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.
👉 Este versículo mostra a aplicação da salvação pelo Espírito. A Bíblia
Pentecostal enfatiza a atuação interna do Espírito Santo, que gera comunhão
viva com o Pai. O clamor “Aba” expressa intimidade, confiança e dependência
filial. A Bíblia MacArthur ressalta que o Espírito confirma objetivamente nossa
filiação. A Plenitude destaca que essa relação não é meramente doutrinária, mas
experiencial. A Aplicação Pessoal aponta que o Espírito transforma a oração,
tornando-a relacional e viva.
SÍNTESE FINAL
Esses textos revelam que a salvação é
uma obra trinitária completa. O Pai envia por amor, o Filho redime com
sacrifício e o Espírito aplica com poder. Não se trata apenas de uma doutrina a
ser crida, mas de uma realidade a ser vivida, celebrada e ensinada com temor,
gratidão e profunda reverência ao Deus que nos amou primeiro.
INTRODUÇÃO
No plano eterno da redenção, o Pai é quem envia o Filho para salvar o
mundo. Esta verdade, revelada nas Escrituras, manifesta o amor do Pai e
reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade. Nesta lição, veremos como
o envio do Filho Unigênito de Deus — a Segunda Pessoa da Trindade, revela em
profundidade: a suprema expressão do amor de Deus, a plenitude do tempo para a
redenção e a obra perfeita da Trindade na salvação.
👉 No coração da revelação bíblica está uma verdade que sustenta
toda a fé cristã: a salvação não nasce da iniciativa humana, mas do movimento
eterno de Deus em direção ao mundo. O Pai envia o Filho. Esse envio não é um
gesto reativo diante do pecado, mas a expressão histórica de um propósito
estabelecido antes da fundação do mundo. Quando as Escrituras afirmam que Deus
“enviou” o seu Filho, utilizam o verbo grego apostéllō, que carrega a ideia de
comissionamento com autoridade e missão definida. O Filho não vem por acaso,
nem apenas como exemplo moral. Ele vem investido da vontade do Pai, carregando
em si a decisão soberana de Deus de intervir na história para restaurar aquilo
que foi perdido. Aqui, a redenção não começa no Calvário, mas no conselho
eterno do Deus Triúno. Esse envio revela, de modo concreto, a natureza do amor
divino. Em 1 João 4.9, o amor não é descrito como sentimento abstrato, mas como
ação visível e verificável. Deus amou enviando. O amor do Pai não é provocado
pela resposta humana, nem condicionado pela dignidade do mundo, mas nasce em
Deus e se dirige a um mundo espiritualmente morto. João afirma que o propósito
desse envio é “para que por ele vivamos”, indicando que a vida verdadeira não é
apenas prolongamento biológico, mas participação na vida que procede de Deus.
Trata-se de uma obra vivificadora, na qual o Filho assume a condição humana
para comunicar vida divina. A encarnação, portanto, não é um meio temporário,
mas parte essencial do modo como Deus decide amar e salvar.
Ao contemplarmos o envio do Filho,
somos conduzidos à harmonia perfeita da Trindade no plano da salvação. Não há
competição de vontades, nem divisão de essência. O Pai envia, o Filho vem
voluntariamente, e o Espírito aplica essa obra com eficácia. Cada Pessoa divina
atua de forma distinta, porém inseparável, revelando um único propósito
redentor. Essa verdade não é apenas doutrina a ser compreendida, mas fundamento
para a vida cristã. Ela nos chama à confiança, pois a salvação não repousa na
instabilidade humana, mas na fidelidade eterna de Deus. Também nos chama à
adoração reverente, pois fomos alcançados por um amor que pensou nossa redenção
antes mesmo de existirmos. Aqui começa nossa reflexão, diante de um Deus que
não apenas falou, mas enviou, entrou na história e nos deu vida em seu Filho.
Palavra-Chave: ENVIO
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 O termo “envio” revela o coração missionário do próprio Deus e
ocupa um lugar central na economia da salvação. Na Escritura, enviar não é um
gesto ocasional, mas um ato deliberado de autoridade, propósito e amor. O Pai
não apenas permite que o Filho venha ao mundo; Ele o comissiona, o envia com
uma missão definida, carregada de intenção redentora. O verbo bíblico expressa
mais do que deslocamento. Envolve comissão, autoridade e obediência. O Pai é o
grande Enviador. O Filho é o Enviado por excelência. Esse envio não nasce de
uma emergência, mas de um plano eterno, concebido antes da fundação do mundo e
manifestado na plenitude do tempo. Assim, a missão não começa na igreja, nem
nos apóstolos, mas no seio da Trindade. O envio do Filho revela que missões não
são uma atividade periférica da fé cristã, mas o próprio movimento do amor de
Deus em direção ao mundo. Ao enviar o Filho, o Pai inaugura uma missão que
atravessa a história, culmina na cruz e continua hoje pela ação do Espírito e
pelo testemunho da igreja. Compreender o envio é reconhecer que fomos
alcançados por um Deus que vai ao encontro do pecador e, ao mesmo tempo,
convocados a participar desse mesmo movimento missionário, vivendo e anunciando
o Cristo que o Pai enviou.
I. O ENVIO
DO FILHO E O AMOR DO PAI
1. O amor incondicional do Pai. O envio de Jesus Cristo — o Filho
Unigênito do Pai, é a maior demonstração do amor de Deus ao mundo (Jo 3.16). O
verbo grego para este amor é “aqapáō” e o substantivo é “agápē”. Expressam a
natureza essencial de Deus (1Jo 4.8) e a busca pelo bem-estar de todos (Rm
15.2). Conforme usado, acerca de Deus, manifesta interesse profundo e constante
de um Ser perfeito para seres completamente indignos (Vine, 2002, p.395).
Ensina que o amor de Deus não foi motivado por mérito humano. Ele amou “o
mundo” rebelde e perdido — e enviou seu Filho “não para que condenasse o mundo,
mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Este amor alcança toda a
humanidade, é incondicional, plenamente gracioso, sacrificial e absoluto! (Ef
2.4,5).
👉 O envio de Jesus Cristo ao mundo é a revelação mais clara e
profunda do amor do Pai. João 3.16 não apresenta esse amor como ideia abstrata,
mas como um ato concreto e histórico. Deus amou, e por isso enviou. O verbo
grego agapáō e o substantivo agápē descrevem um amor que não nasce da atração,
nem da resposta do outro, mas da decisão soberana de quem ama. Trata-se de um
amor que tem origem em Deus, pois Ele mesmo é amor, como afirma 1 João 4.8.
Esse amor não reage ao valor do objeto amado. Ele cria valor onde não havia.
Aqui aprendemos que a salvação não começa no esforço humano, mas no coração
gracioso do Pai. Quando a Escritura declara que Deus amou “o mundo”, ela não se
refere a um mundo neutro ou disposto a buscá-lo, mas a uma humanidade caída,
rebelde e espiritualmente morta. O termo kósmos, em João, aponta para o sistema
humano em oposição a Deus. Ainda assim, é esse mundo que Deus decide amar. Como
observa a tradição exegética, o amor divino não ignora o pecado, mas o enfrenta
por meio do sacrifício. O Pai não envia o Filho para negociar com a culpa
humana, mas para resolvê-la. João 3.17 deixa claro que a intenção do envio não
é condenação, mas salvação. Isso revela um amor que age com propósito redentor,
não com julgamento imediato. Esse amor é profundamente gracioso. Efésios 2.4-5
afirma que Deus nos amou quando ainda estávamos mortos em nossas transgressões.
Aqui, o amor precede qualquer arrependimento consciente. Ele não é resposta à
fé; é a fonte da fé. Conforme ensina Stanley Horton, a graça não apenas oferece
perdão, mas cria as condições espirituais para que o pecador responda a Deus.
Assim, o envio do Filho demonstra que a iniciativa da salvação pertence
inteiramente ao Pai, que age movido por misericórdia e não por mérito humano.
Essa verdade confronta nossa tendência
de condicionar o amor de Deus ao desempenho espiritual. Muitos vivem como se
fossem tolerados por Deus, e não amados por Ele. O evangelho corrige essa
distorção. O Pai não nos amou depois que mudamos. Ele nos amou para que fôssemos
transformados. Esse amor incondicional não produz acomodação, mas gratidão
obediente. Quem compreende o envio do Filho como expressão do amor do Pai passa
a viver não para conquistar aceitação, mas a partir dela. Na prática, essa
doutrina nos chama a refletir o mesmo amor que recebemos. Paulo afirma que o
amor cristão busca o bem do outro, não a autopromoção. Se fomos alcançados por
um amor que nos encontrou na indignidade, não podemos nos relacionar com o
próximo a partir de critérios de merecimento. O envio do Filho redefine nossa
forma de amar, de servir e de anunciar o evangelho. Amar como Deus amou é viver
com o coração moldado pela graça que nos salvou.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. VINE, W. E.
Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e
do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
2. A iniciativa soberana de Deus. Desde a eternidade, antes da Queda
no Éden, Deus traçou um plano de redenção em Cristo (Ef 1.4,5). Até mesmo
anterior a fundação do mundo, o Filho já estava destinado para nossa salvação
(1Pe 1.18-20). Deus, em sua soberania e seu imensurável amor, tomou a
iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef
1.9). A Escritura ratifica que o amor divino antecede qualquer atitude humana:
“não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu
Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Portanto, a iniciativa
da salvação não parte do ser humano, mas de Deus. Em sua soberania,
misericórdia e compaixão, Deus decidiu agir em favor da humanidade caída (Rm
3.24-26; 5.8).
👉 A Escritura afirma com clareza que a salvação nasce na
iniciativa de Deus, não na reação humana. Efésios 1.4-5 nos conduz ao coração
desse plano ao declarar que Deus “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”.
Essa afirmação não descreve um decreto arbitrário ou oculto, mas um propósito
redentor estabelecido em Cristo. O texto não diz que fomos eleitos fora dele,
nem independentemente dele, mas “nele”. A eleição, portanto, é cristocêntrica.
Deus determinou, desde a eternidade, que todos os que estivessem unidos a
Cristo pela fé participariam das bênçãos da salvação. O foco do texto não está
na exclusão de indivíduos, mas na provisão graciosa de um caminho seguro de
redenção em seu Filho. O verbo grego traduzido por “elegeu” é eklegomai, que
significa escolher com propósito e intenção. No contexto paulino, essa escolha
não anula a responsabilidade humana, mas revela a prioridade da graça. Deus
escolhe em Cristo uma comunidade santa, destinada à adoção, e convida a
humanidade a participar dessa realidade por meio da fé. A expressão “antes da
fundação do mundo” aponta para a anterioridade do plano, não para a
predeterminação fatalista de destinos individuais. Como destacam intérpretes
arminianos clássicos, Paulo descreve o “como” e o “em quem” da salvação, não um
decreto secreto sobre quem crerá ou não. Efésios 1.5 aprofunda essa verdade ao
afirmar que Deus nos predestinou para adoção de filhos por meio de Jesus
Cristo. O termo proorízō indica estabelecer limites ou um destino previamente
definido. Esse destino, porém, é a adoção, não a fé. Deus predestinou o tipo de
relacionamento que teria com os que estivessem em Cristo. A adoção não é
imposta, mas oferecida. Ela se concretiza quando o pecador responde, pela fé,
ao chamado gracioso do evangelho. Assim, a predestinação bíblica não elimina a
liberdade humana, mas assegura que todo aquele que crê será plenamente recebido
como filho. Essa leitura é confirmada por 1 Pedro 1.18-20, onde o Filho é
apresentado como conhecido antes da criação do mundo, mas manifestado no tempo
devido. O plano estava pronto antes da queda, pois Deus jamais foi surpreendido
pelo pecado. Contudo, a aplicação desse plano ocorre na história, mediante a
resposta humana à revelação divina. Deus tomou a iniciativa ao enviar o
Salvador, mas não força a aceitação dessa salvação. Ele age soberanamente, sem
violar a liberdade que Ele mesmo concedeu ao ser humano. A declaração de 1 João
4.10 reforça esse ponto ao afirmar que o amor de Deus precede qualquer atitude
humana. Não fomos nós que iniciamos o movimento em direção a Deus. Foi Ele quem
nos amou e enviou o Filho como propiciação pelos nossos pecados. A iniciativa é
divina, a resposta é humana, e o mérito é inteiramente da graça. Romanos 5.8
afirma que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores, revelando que o
amor salvador de Deus antecede nossa conversão, mas não dispensa nossa fé.
Essa verdade corrige dois extremos
perigosos. De um lado, o orgulho espiritual que imagina ter conquistado a
salvação. De outro, o fatalismo que paralisa a responsabilidade pessoal. A
iniciativa soberana de Deus não nos leva à passividade, mas à gratidão e à
obediência. Sabemos que Deus agiu primeiro, mas também sabemos que somos
chamados a responder com arrependimento e fé viva. Essa compreensão gera
humildade diante de Deus e zelo na proclamação do evangelho. Na vida diária,
essa doutrina nos convida a descansar na fidelidade do plano divino e, ao mesmo
tempo, a viver com urgência espiritual. Deus já preparou, em Cristo, tudo o que
é necessário para a salvação. Cabe a nós permanecer nele, pela fé, e anunciar
ao mundo que a porta da graça continua aberta. A iniciativa foi de Deus. A
resposta agora passa por nossas mãos, nossos lábios e nosso testemunho.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2008.
3. O envio do Filho e a Trindade. Embora a missão do Filho seja
descrita por meio do verbo “enviar” (Jo 3.17,18,34), a ideia aqui é de um
presente gracioso de Deus (1Jo 4.10). Em seu amor soberano, o Pai ofereceu sua
dádiva mais preciosa — o seu Filho Unigênito: “para que por Ele vivamos” (1Jo
4.9). Essa doação, não implica hierarquia na Trindade. O Pai, o Filho e o
Espírito Santo possuem a mesma natureza divina (Jo 1.1; 10.30; 14.26). A
distinção observada é funcional, relacionada ao plano da salvação: o Filho é
enviado para realizar a redenção (Jo 6.38-40). Essa dinâmica revela harmonia e
unidade da Trindade: uma única vontade e um único propósito. O envio do Filho
é, portanto, uma expressão do amor do Deus Triúno, que resplandece em toda a
história da salvação (Ef 1.3-14).
👉 Quando o Evangelho de João afirma que o Pai “enviou” o Filho, o
texto não sugere inferioridade ou submissão ontológica dentro da Trindade. O
verbo grego apostéllō descreve uma missão confiada, não uma relação de
superioridade de essência. Nas Escrituras, o envio do Filho deve ser lido à luz
do amor do Pai e do propósito redentor estabelecido desde a eternidade. Em 1
João 4.10, o envio é apresentado como dádiva graciosa, não como imposição
hierárquica. O Pai oferece o que tem de mais precioso, não porque o Filho seja
menor, mas porque ambos compartilham a mesma natureza divina e a mesma vontade
salvadora. A ideia de uma hierarquia interna na Trindade surgiu historicamente
de leituras equivocadas da obediência do Filho durante a encarnação. Textos
como João 6.38 e Filipenses 2.8 foram interpretados fora de seu contexto
redentor, confundindo submissão funcional com inferioridade essencial. A
tradição cristã histórica sempre distinguiu entre a Trindade imanente, que diz
respeito ao ser eterno de Deus, e a Trindade econômica, que trata da atuação de
cada Pessoa no plano da salvação. O erro surge quando funções temporárias
assumidas na economia da redenção são projetadas para dentro da essência eterna
de Deus. Biblicamente, a igualdade das Pessoas divinas é afirmada de modo
inequívoco. João 1.1 declara que o Verbo era Deus. João 10.30 revela a unidade
essencial entre o Pai e o Filho. João 14.26 apresenta o Espírito como enviado
com a mesma autoridade divina. Nenhuma dessas afirmações permite uma leitura
hierárquica no ser de Deus. O Pai não é mais Deus que o Filho, nem o Espírito é
menos divino por proceder do Pai e do Filho. Como ensinam os comentários
clássicos, há distinção de Pessoas, mas não gradação de divindade. A distinção
que a Escritura apresenta é funcional e redentiva. O Pai planeja a salvação, o
Filho a executa por meio da encarnação e da cruz, e o Espírito a aplica
eficazmente ao coração humano. Essa ordem não revela desigualdade, mas
harmonia. Jesus afirma que veio fazer a vontade do Pai porque compartilha dessa
vontade, não porque lhe seja alheio ou inferior. A obediência do Filho é
expressão de amor trinitário, não de coerção. Trata-se de uma obediência voluntária,
assumida no contexto da encarnação, para cumprir a redenção da humanidade.
Teologicamente, insistir em hierarquia
dentro da Trindade enfraquece a própria doutrina da salvação. Se o Filho fosse
inferior, sua obra não teria valor infinito. Se o Espírito fosse subordinado em
essência, sua aplicação da salvação seria limitada. A fé cristã repousa na
convicção de que o Deus que salva é plenamente Deus em cada uma de suas
Pessoas. Como afirma Efésios 1.3-14, a obra redentora é uma sinfonia
trinitária, na qual cada Pessoa atua em perfeita unidade, do decreto eterno à
consumação final.
Essa verdade nos ensina a adorar com
reverência e equilíbrio. Não adoramos três deuses, nem um Deus fragmentado.
Adoramos o Deus Triúno, perfeito em amor e unidade. Também aprendemos que
serviço e submissão, quando vividos à luz do amor, não diminuem ninguém. O
Filho nos mostra que é possível servir sem perder dignidade, obedecer sem
perder glória, e amar sem reservas. A Trindade se torna, assim, não apenas
fundamento da fé, mas modelo para a vida cristã. Na prática diária, compreender
o envio do Filho como expressão do amor trinitário transforma nossa
espiritualidade. Vivemos seguros, porque a salvação não depende de forças
concorrentes dentro de Deus, mas de um propósito único e fiel. Vivemos
humildes, porque fomos alcançados por uma graça que flui da perfeita comunhão
divina. E vivemos em missão, porque o Deus que enviou o Filho continua enviando
sua igreja ao mundo, não por hierarquia de valor, mas por participação no seu
amor eterno.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2002.
5. MACCHIA, Frank
D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.
SINOPSE I
O envio do Filho é a expressão suprema do amor do Pai, fruto de sua
iniciativa soberana e graciosa.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
O AMOR SALVÍFICO DO PAI
“A ação redentora cheia de amor
de Deus, é apresentada nesta seção em forte contraste em relação ao destino
desesperado da humanidade pecadora sob a ira do mesmo Deus em 2.1-3. Em termos
empolgantes e impetuosos, Paulo faz o contraste da situação em que os leitores
estavam ‘antes’ (2.3), sem Cristo; aquilo em que estão agora, em Cristo; aquele
que ‘todos nós’ (2.3a) somos por natureza (2.3d) e aquilo que somos ‘pela
graça’ (2.5,8); a razão da ira de Deus (2.3) e a iniciativa do amor de Deus
(2.4); a realidade espiritual de que ‘estávamos mortos’ (2.1), mas que Deus
‘nos vivificou juntamente com Cristo’ (2.5).” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD,
Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse.
Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.410).
II. O
FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS
1. A preparação histórica e religiosa. O envio de Cristo não foi um plano
improvisado, mas um desígnio eterno, cumprido “na plenitude dos tempos” (Gl
4.4). Indica que a vinda do Messias se deu no tempo determinado pelo Deus Pai
(Rm 5.6). A Trindade, em perfeita sabedoria e unidade, determinou o momento
exato para a execução do plano redentor (Ef 1.10,11). Historicamente, o domínio
romano construiu estradas e rotas comerciais que contribuíram para a
disseminação do Evangelho. A cultura grega unificou o mundo por meio do grego
koiné, tornando possível a escrita do Novo Testamento em uma língua conhecida e
popular. No judaísmo, apesar da rejeição dos líderes entre o povo, a
expectativa messiânica estava elevada (Lc 2.25-38). Isso sinaliza que Deus
preparou o cenário para a chegada do Salvador (At 17.26).
👉 A afirmação de Paulo de que Cristo veio “na plenitude dos
tempos” (Gálatas 4.4) revela que a encarnação não foi um evento fortuito, nem
uma resposta emergencial ao pecado humano. O apóstolo utiliza a expressão grega
plḗrōma tou chrónou, que indica o tempo plenamente completado, amadurecido
segundo o propósito de Deus. Não se trata apenas de um momento cronológico
adequado, mas do cumprimento de um plano cuidadosamente conduzido pela
soberania divina. Deus não apenas age no tempo. Ele governa o tempo. A vinda do
Filho ocorre quando tudo estava espiritualmente, historicamente e
teologicamente preparado. Essa plenitude aponta, antes de tudo, para a
fidelidade de Deus às suas promessas. Desde Gênesis 3.15, a história bíblica
avança em direção a esse momento. Cada aliança, cada profecia e cada
expectativa messiânica funcionam como fios que conduzem ao advento de Cristo.
Romanos 5.6 afirma que Cristo morreu “no tempo certo”, reforçando a ideia de
que Deus nunca se adianta nem se atrasa. Ele age no tempo exato, quando sua
vontade redentora pode ser plenamente revelada e compreendida. Do ponto de
vista histórico, o cenário do mundo antigo cooperou para a expansão do
evangelho de maneira singular. O domínio romano trouxe estabilidade política,
um sistema jurídico unificado e uma extensa malha de estradas que conectava
cidades e províncias. Essas vias, construídas para fins militares e
administrativos, tornaram-se instrumentos providenciais para a propagação da
mensagem cristã. A história humana, muitas vezes marcada por ambições
imperiais, foi silenciosamente conduzida para servir ao propósito do Reino de
Deus. No campo cultural, a disseminação do grego koiné foi igualmente decisiva.
Essa língua comum permitiu que a mensagem do evangelho fosse registrada e
anunciada de forma acessível a diferentes povos. O Novo Testamento não foi
escrito em uma língua elitizada, mas no idioma do povo. Isso revela o caráter
missionário do plano divino. Deus se comunica de modo que o mundo possa ouvir,
entender e responder. Como observam os estudos histórico-culturais, essa
unidade linguística foi um dos maiores facilitadores da rápida expansão cristã
no primeiro século.
Religiosamente, o judaísmo vivia um
tempo de intensa expectativa messiânica. Mesmo com a corrupção de muitos
líderes, havia no coração do povo piedoso uma esperança viva pela redenção de
Israel. Lucas registra personagens como Simeão e Ana, que aguardavam “a
consolação de Israel” e reconhecem no menino Jesus o cumprimento dessa
esperança. Esse ambiente espiritual demonstra que Deus também preparou corações
sensíveis para discernir a chegada do Salvador. Teologicamente, a plenitude dos
tempos revela a harmonia da Trindade na condução da história. Efésios 1.10-11
afirma que Deus estabeleceu o plano de “fazer convergir em Cristo todas as
coisas”. O Pai determina o tempo, o Filho entra na história, e o Espírito passa
a aplicar essa obra no coração humano. Nada é improvisado. Tudo coopera para a
revelação da graça. A encarnação, portanto, é o ponto em que o céu toca a
história de forma decisiva.
Essa verdade nos ensina a confiar no
agir de Deus mesmo quando o tempo parece lento ou confuso. O mesmo Deus que
conduziu a história até a vinda de Cristo continua governando os tempos da
nossa vida. A plenitude dos tempos nos chama à paciência, à esperança e à
fidelidade. Deus age quando o tempo está maduro, não quando nossa ansiedade
exige. Viver à luz dessa verdade é aprender a descansar na soberania de Deus e
a discernir sua mão mesmo nos processos silenciosos da história e do coração.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2002.
5. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
2. O Filho nascido sob a Lei. A Escritura afirma que o Filho veio
“nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A expressão “nascido de
mulher”, reafirma que Cristo assumiu nossa natureza humana (Hb 2.14; Fp 2.7,8).
Ele encarnou e experimentou as fraquezas humanas, exceto o pecado (Hb 4.15).
Cumpriu-se assim a profecia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho”
(Is 7.14; Mt 1.23), mostrando que sua vinda foi obra soberana de Deus. A
declaração “nascido sob a lei” significa que Jesus cumpriu todas as exigências
da Lei mosaica (Mt 5.17). Ele foi o único homem a cumprir plenamente a Lei de
Deus, sem a transgredir em momento algum (1Pe 2.22). Sua vida de obediência foi
necessária para que pudesse oferecer um sacrifício perfeito em favor dos
pecadores (Hb 7.26,27).
👉 A afirmação paulina de que o Filho veio “nascido de mulher,
nascido sob a lei” (Gl 4.4b, NVI) nos conduz ao coração da encarnação e da obra
redentora de Cristo. Paulo não escreve de forma poética ou meramente
devocional. Ele é preciso, teológico e pastoral. Cada expressão carrega peso
doutrinário. A encarnação acontece dentro da história humana real, marcada por
limites, obrigações e responsabilidade moral diante de Deus. O Filho eterno
entra no tempo e se submete às condições da existência humana para nos resgatar
desde dentro. A expressão “nascido de mulher” afirma, sem rodeios, a plena
humanidade de Jesus. O Filho não aparentou ser humano. Ele tornou-se humano. O
autor de Hebreus declara que Ele participou da nossa carne e do nosso sangue
(Hb 2.14). Paulo reforça que assumiu a forma de servo, humilhando-se
voluntariamente (Fp 2.7–8). Aqui não há mito nem símbolo. Há encarnação real.
Cristo experimentou cansaço, dor, fome e sofrimento. Contudo, diferente de nós,
enfrentou essas limitações sem jamais ceder ao pecado (Hb 4.15). Sua humanidade
não foi manchada. Foi perfeita, íntegra e obediente. Essa encarnação não
ocorreu por acaso. Cumpre-se a promessa profética de Isaías: a virgem
conceberia e daria à luz um filho (Is 7.14), interpretada por Mateus como obra
direta da soberania divina (Mt 1.23). Deus não apenas prometeu o Salvador.
Preparou o meio, o tempo e a forma. A concepção virginal preserva uma verdade
essencial. Jesus nasce verdadeiramente homem, mas não herda a corrupção do
pecado. Ele entra na humanidade como o novo Adão, não como repetição da queda,
mas como início da restauração. Quando Paulo afirma que Cristo nasceu “sob a
lei”, ele utiliza a expressão grega hypò nómon, que significa estar sob
jurisdição, autoridade e obrigação legal. Isso indica que Jesus se colocou
voluntariamente debaixo da Lei mosaica em toda a sua abrangência. Ele foi
circuncidado, participou das festas judaicas, frequentou o templo e submeteu-se
às prescrições cerimoniais, civis e morais da Lei. Não como alguém forçado, mas
como Servo obediente. Ele viveu exatamente onde Israel falhou. Essa submissão à
Lei não teve como objetivo a salvação pessoal de Cristo, mas a redenção dos que
estavam presos sob a condenação da Lei. Jesus declara que não veio abolir a
Lei, mas cumpri-la (Mt 5.17). Ele é o único que a cumpriu perfeitamente, não
apenas em atos externos, mas em intenções, desejos e motivações do coração.
Pedro testemunha que Ele não cometeu pecado algum (1Pe 2.22). Sua obediência
ativa é essencial à nossa justificação. Ele obedeceu onde desobedecemos.
Teologicamente, essa obediência
qualifica Cristo como o sacrifício perfeito. Hebreus afirma que Ele é santo,
inculpável, puro e separado dos pecadores (Hb 7.26–27). Sua vida sem pecado não
é detalhe secundário. É fundamento da redenção. Somente alguém plenamente
obediente poderia oferecer-se em favor de transgressores. Ele não apenas morreu
por nós. Viveu por nós. Sua justiça é imputada aos que creem, libertando-os da
culpa e da condenação da Lei. Essa verdade confronta e consola. Confronta-nos
porque revela o alto padrão da santidade de Deus. Consola-nos porque mostra que
nossa salvação não repousa em nossa obediência imperfeita, mas na obediência
perfeita de Cristo. Viver à luz disso transforma nossa relação com Deus. Não
obedecemos para sermos aceitos. Obedecemos porque já fomos aceitos em Cristo. O
Filho nasceu sob a Lei para nos libertar da escravidão da Lei e nos conduzir à
vida madura de filhos que andam em gratidão, reverência e amor.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2002.
3. A adoção de filhos. A obra do Filho não apenas trouxe
perdão, mas também nos concedeu a posição de filhos adotivos (Gl 4.5). Cristo é
o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18); e os crentes tornam-se filhos por
adoção (Jo 1.12,13). A prática da adoção não fazia parte do sistema legal
judaico, mas era comum e bem conhecida entre os gentios. Paulo enfatiza que foi
do agrado de Deus inserir no plano da salvação, que os salvos fossem adotados
como filhos (Ef 1.5). O “espírito de adoção” habilita os salvos a clamarem
“Aba, Pai” (Gl 4.6). Esse termo aramaico (“Aba”, “papai”) empregado na
interação entre o Filho e o Pai, indica respeito e confiança (Mc 14.36). Essa
adoção e intimidade é aplicada pelo Espírito Santo (Rm 8.15,16), demonstrando
novamente a atuação inseparável da Trindade na salvação.
👉 A obra redentora de Cristo não se limita ao perdão dos pecados.
Ela nos conduz a uma mudança radical de posição diante de Deus. Paulo afirma
que o Filho veio para “resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que
recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.5, NVI). A salvação não nos deixa apenas
absolvidos no tribunal divino. Ela nos introduz na casa do Pai. O evangelho não
termina na cruz. Ele prossegue na família. O Novo Testamento faz uma distinção
essencial entre o Filho e os filhos. Jesus é o Filho unigênito por natureza.
João declara que Ele é o monogenēs do Pai, o Filho único em essência e
eternidade (Jo 1.18). Os crentes, por sua vez, tornam-se filhos por adoção.
João afirma que aos que receberam Cristo foi concedida autoridade para se
tornarem filhos de Deus (Jo 1.12). A palavra grega exousía indica direito
legítimo, status concedido, não mera permissão emocional. Não nascemos filhos.
Somos feitos filhos pela graça. João reforça essa verdade ao afirmar que essa
filiação não procede do sangue, nem da vontade humana, mas de Deus (Jo 1.13). A
nova identidade do crente não é construída por herança religiosa, mérito moral
ou esforço espiritual. Ela é resultado direto da ação soberana de Deus. Aqui se
revela a profundidade da graça. Deus não apenas nos perdoa. Ele nos recebe. Não
apenas cancela nossa dívida. Ele muda nosso nome e nosso lugar. Paulo emprega o
termo grego huiothesía, traduzido por adoção, expressão retirada do contexto
greco-romano. Diferente do mundo judaico, a adoção era uma prática legal
amplamente reconhecida entre os gentios. O filho adotado recebia novo status
jurídico, novo nome e plenos direitos de herança. Paulo se apropria dessa
imagem para ensinar que Deus, deliberadamente, decidiu nos inserir em sua
família. Efésios 1.5 afirma que essa adoção ocorreu “segundo o bom propósito da
sua vontade”. Não foi necessidade. Foi prazer divino. Essa nova relação não é
apenas jurídica. Ela é profundamente relacional. Paulo afirma que Deus enviou o
Espírito de seu Filho ao nosso coração, e esse Espírito clama “Aba, Pai” (Gl
4.6). A palavra aramaica Abba expressa intimidade reverente, proximidade sem
irreverência. É o mesmo termo usado por Jesus em sua oração no Getsêmani (Mc
14.36). O que antes pertencia à relação exclusiva do Filho com o Pai agora é
compartilhado, pela graça, com os filhos adotivos.
Essa experiência de filiação é aplicada
e confirmada pelo Espírito Santo. Romanos 8.15–16 afirma que não recebemos um
espírito de escravidão, mas o Espírito de adoção, que testifica com o nosso
espírito que somos filhos de Deus. A salvação, portanto, é obra trinitária. O
Pai planeja, o Filho redime e o Espírito aplica. Não há competição entre as
pessoas da Trindade. Há unidade perfeita na obra da redenção. Essa verdade
transforma a maneira como vivemos diante de Deus. Não nos aproximamos mais como
servos temerosos, mas como filhos amados. A obediência cristã deixa de ser
motivada pelo medo e passa a fluir do amor e da gratidão. A adoção nos chama a
viver com identidade, segurança e maturidade espiritual. Quem sabe que é filho
não vive como órfão. E quem chama Deus de Pai aprende a caminhar com confiança,
reverência e esperança diária.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2002.
SINOPSE II
Na plenitude dos tempos, Cristo veio ao mundo, cumprindo as profecias e
proporcionando redenção e adoção como filhos de Deus.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
A PLENITUDE DOS TEMPOS
“O período de utilidade limitada
da lei é relatado em 4.4. A frase ‘quando veio a plenitude dos tempos’ marca o
fim do período de tutela como relatado em 3.24,25; 4.1,2. O plano pré-ordenado
de Deus era que a lei ditasse o fundamento da moralidade até a vinda de Cristo.
Jesus é o ponto focal da história mundial; Ele é o sustentáculo do qual depende
a virada dos tempos. [...] Semelhantemente ‘enviou’ não comunica principalmente
distância ou espaço; antes, fala de comissionar um enviado autorizado. Portanto,
quando a fase mundial estava exatamente correta, o Pai comissionou seu Filho
para trazer a salvação.” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD, Roger. Comentário
Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse. Volume 2. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017, p.361).
III. A
TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO
1. A vontade do Pai realizada pelo Filho. O Filho veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai: “eu desci do céu
não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38).
Essa vontade, segundo Cristo, é que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perca,
mas tenham a vida eterna (Jo 6.39,40). A obediência de Jesus é perfeita,
revelando plena submissão ao Pai. Ele mesmo testifica: “porque eu faço sempre o
que lhe agrada” (Jo 8.29). Essa obediência alcançou o clímax na entrega
voluntária de sua vida por amor: “sendo obediente até a morte e morte de cruz”
(Fp 2.8). Por meio de sua vida sem pecado e morte sacrificial, a justiça de
Deus foi plenamente satisfeita (Rm 3.24-26). Em Cristo, vemos a expressão
sublime da obediência, do amor e da unidade perfeita na Trindade.
👉 A salvação cristã nasce no coração do Pai e se manifesta na
obediência perfeita do Filho. Jesus declara com clareza: “desci do céu, não
para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou”
(João 6.38, NVI). Essa afirmação revela mais do que submissão funcional. Ela
expõe a comunhão eterna e amorosa da Trindade. O Filho não age de forma
independente nem concorrente. Ele age em perfeita sintonia com o querer do Pai,
tornando visível, na história, aquilo que foi determinado na eternidade. A
vontade do Pai, segundo o próprio Cristo, é profundamente redentora e pastoral.
Ele afirma que nenhum dos que o Pai lhe deu se perderá, mas todos receberão a
vida eterna (João 6.39-40). O verbo “dar”, do grego didōmi, indica uma ação
soberana e graciosa do Pai. A salvação não começa no esforço humano, mas na
iniciativa divina. O Filho recebe do Pai um povo, e sua missão é conduzi-lo com
segurança até o fim. Aqui repousa a base da esperança cristã e da segurança da
fé. A obediência de Jesus não foi ocasional nem limitada a momentos específicos
de sua vida. Ele afirma: “eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8.29). O
advérbio “sempre” aponta para uma obediência contínua, integral e sem falhas.
Cristo não apenas ensinou a vontade de Deus. Ele a encarnou. Sua vida inteira
foi um ato de submissão amorosa ao Pai. Diferente de Adão, que desobedeceu em
um jardim, Cristo obedece plenamente, inclusive no caminho que o leva à cruz. Essa
obediência alcança seu ponto máximo na cruz. Paulo afirma que Jesus se
humilhou, “tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses
2.8). O termo grego hypēkoos expressa uma obediência que nasce da escuta atenta
e da disposição voluntária. Cristo não foi forçado ao sacrifício. Ele se
entregou. A cruz não é um acidente da história, mas o ápice da fidelidade do
Filho ao Pai e do amor de Deus pelos pecadores. Na cruz, a justiça divina não
foi ignorada nem suavizada. Ela foi plenamente satisfeita. Romanos 3.24-26
ensina que Deus apresentou Cristo como sacrifício de expiação, demonstrando sua
justiça ao justificar o pecador. O termo hilastērion aponta para um sacrifício
que remove a culpa e restaura a comunhão. O Pai permanece justo. O pecador é
justificado. E o Filho é glorificado como o mediador perfeito entre Deus e os
homens.
A obra do Filho revela, assim, a
perfeita unidade da Trindade no plano da salvação. O Pai planeja, o Filho
executa e o Espírito aplica essa obra ao coração humano. Não há divisão de
vontades, nem conflito de propósitos. Há harmonia santa. A cruz é o lugar onde
o amor do Pai, a obediência do Filho e a ação vivificadora do Espírito
convergem para a redenção do ser humano. Essa verdade nos chama a uma vida de
confiança e submissão. Se o Filho viveu em obediência amorosa ao Pai, nós, que
fomos unidos a Cristo, somos chamados a viver da mesma forma. A obediência
cristã não nasce do medo, mas do amor. Não é tentativa de merecer salvação, mas
resposta grata à graça recebida. Contemplar a obediência do Filho nos ensina a
descansar na vontade do Pai e a caminhar com fidelidade, mesmo quando o caminho
passa pela cruz.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2011.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
2. A mediação exclusiva do Filho. O Filho é o único caminho de acesso
ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por
mim” (Jo 14.6). Esse acesso é exclusivo porque Ele é a revelação plena do Pai
(Jo 1.18), e o único que pode satisfazer a justiça divina mediante o seu
sacrifício no Calvário (Hb 9.15). A exclusividade da mediação de Cristo está
enraizada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito
Santo testifica do Filho (Jo 15.26). Assim, o caminho para o Pai passa
necessariamente pela aceitação do Filho, conforme ensina as Escrituras: “Porque
há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem”
(1Tm 2.5). Desse modo, a salvação ocorre unicamente por meio da fé em Cristo (At
4.12).
👉 A Escritura é direta e pastoral ao tratar do acesso a Deus.
Jesus afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não
ser por mim” (João 14.6, NVI). Essa declaração não nasce de exclusivismo
religioso, mas da própria identidade do Filho. Ele não aponta um caminho. Ele é
o caminho. No grego, hodos não descreve apenas uma rota, mas um meio vivo de
acesso. Em Cristo, Deus não apenas orienta o ser humano. Ele mesmo se oferece
como a ponte segura entre o céu e a terra. A exclusividade dessa mediação está
enraizada na revelação plena do Pai no Filho. João afirma que ninguém jamais
viu a Deus, mas o Filho unigênito o revelou (João 1.18). O verbo exēgēsato
indica explicação completa e definitiva. Tudo o que precisamos saber sobre Deus
para a salvação foi revelado em Cristo. Não há revelação paralela, complementar
ou concorrente. Fora dele, Deus permanece desconhecido de forma redentora.
Nele, o Pai se torna acessível, próximo e gracioso.
Essa mediação é exclusiva porque
somente o Filho satisfez plenamente a justiça divina. Hebreus ensina que Ele é
o mediador de uma nova aliança, estabelecida por meio de seu próprio sangue
(Hebreus 9.15). O termo grego mesitēs descreve aquele que se coloca entre duas
partes para restaurar a comunhão rompida. Cristo não media apenas com palavras
ou exemplos morais. Ele media com sua vida entregue. Sua morte substitutiva
resolve aquilo que nenhum ser humano poderia resolver. O problema do pecado
diante de um Deus santo. A estrutura trinitária da salvação confirma essa
exclusividade. O Pai envia o Filho por amor ao mundo (João 3.16). O Filho
realiza a obra redentora de forma perfeita e suficiente. O Espírito Santo
testifica do Filho e aplica sua obra ao coração humano (João 15.26). Não há
competição entre as Pessoas da Trindade. Há cooperação santa. O caminho ao Pai
não ignora o Espírito, nem contorna o Filho. Ele passa, necessariamente, pela
fé naquele que foi enviado.
Paulo resume essa verdade com clareza
teológica e simplicidade pastoral: “há um só Deus e um só mediador entre Deus e
os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Timóteo 2.5). A ênfase no termo “homem” não
diminui a divindade de Cristo. Antes, destaca sua plena identificação conosco.
Somente alguém verdadeiramente humano poderia nos representar. Somente alguém
verdadeiramente divino poderia nos reconciliar com Deus. Na pessoa de Cristo,
essas duas realidades se encontram sem confusão e sem separação.
Por isso, a salvação não acontece por
mérito, herança religiosa ou esforço moral. Ela acontece unicamente pela fé em Cristo.
Atos afirma que “não há salvação em nenhum outro” (Atos 4.12). Essa
exclusividade não fecha portas. Ela abre uma porta segura. A fé cristã não se
baseia em possibilidades espirituais, mas em uma obra consumada. Quem está em
Cristo tem acesso real, contínuo e confiante ao Pai. Essa verdade nos chama à
fidelidade e à humildade. Fidelidade, porque não precisamos buscar outros
mediadores, atalhos espirituais ou substitutos religiosos. Humildade, porque o
acesso a Deus não foi conquistado por nós, mas recebido como graça. Viver sob a
mediação exclusiva de Cristo é viver em descanso, gratidão e obediência. É
caminhar diariamente com a certeza de que, em Cristo, estamos plenamente
aceitos diante do Pai.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
5. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2014.
3. A aplicação da salvação pelo Espírito. O Espírito Santo, chamado de Consolador e Espírito da verdade, foi
enviado pelo Pai e pelo Filho. Jesus disse que o Espírito viria para convencer
o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8-11). É o Espírito que
ilumina a mente para o conhecimento de Deus (2Co 4.6), ensina a verdade (Jo
14.26), regenera os pecadores (Tt 3.5), sela os que creem (Ef 1.13), opera a
santificação progressiva (2Ts 2.13), e assegura a perseverança dos crentes (Fp
1.6). Além disso, o Espírito glorifica o Filho, pois foi enviado para
testificar de Cristo (Jo 15.26), revelando sua Pessoa e obra ao coração humano.
O Espírito nunca age independentemente do Filho ou do Pai. Sua missão é,
intrinsecamente, a de exaltar a glória do Deus Triúno (Jo 16.13,14).
👉 A obra da salvação não termina na cruz nem se esgota na
ressurreição. Ela precisa ser aplicada ao coração humano. É aqui que a atuação
do Espírito Santo se revela essencial e pastoralmente decisiva. Jesus o chama
de Consolador e Espírito da verdade, enviado pelo Pai e pelo Filho para tornar
viva, eficaz e pessoal a obra consumada por Cristo (João 14.16,26; 15.26). Sem
o Espírito, a salvação permaneceria apenas como um anúncio externo. Com Ele,
torna-se experiência transformadora. Jesus ensina que o Espírito convence o
mundo “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8-11, NVI). O verbo grego
elenchō indica convencer com evidência, trazer à luz aquilo que estava oculto.
O Espírito revela a gravidade do pecado, a suficiência da justiça de Cristo e a
certeza do juízo já inaugurado na vitória da cruz. Essa convicção não é mero
remorso psicológico. É um despertar espiritual profundo que conduz ao
arrependimento genuíno e à fé salvadora.
Essa obra continua na iluminação da
mente. Paulo afirma que Deus resplandece em nossos corações para o conhecimento
da sua glória revelada em Cristo (2 Coríntios 4.6). Essa iluminação não cria
novas verdades, mas abre os olhos para enxergar aquilo que sempre esteve diante
de nós. O Espírito ensina, lembra e aplica as palavras de Cristo (João 14.26).
Ele conduz o crente à verdade, não como informação fria, mas como sabedoria que
transforma o modo de pensar e viver. O Espírito também opera a regeneração.
Tito descreve essa obra como o “lavar regenerador e renovador do Espírito
Santo” (Tito 3.5). O termo palingenesia aponta para um novo nascimento, uma
nova origem de vida. Não se trata de reforma moral, mas de criação espiritual.
O coração endurecido é vivificado. A fé nasce como resposta graciosa à ação
prévia de Deus. Aqui se preserva o equilíbrio da teologia reformada
continuísta. Deus age soberanamente. O ser humano responde responsavelmente.
Além de regenerar, o Espírito sela os
que creem (Efésios 1.13). O selo indica pertencimento, segurança e
autenticidade. Essa obra não elimina a necessidade de perseverança, mas a
fundamenta. O mesmo Espírito que inicia a boa obra sustenta o crente em um
processo contínuo de santificação (2 Tessalonicenses 2.13). Santificação aqui
não é isolamento do mundo, mas transformação diária do caráter, alinhando a vida
do crente à vontade de Deus. Essa atuação culmina na certeza da perseverança.
Paulo expressa essa confiança ao afirmar que Deus completará a boa obra
iniciada (Filipenses 1.6). O Espírito testemunha com o nosso espírito que somos
filhos de Deus (Romanos 8.16). Essa segurança não gera acomodação espiritual,
mas gratidão obediente. O crente persevera porque é sustentado pela graça, não
porque confia em sua própria força.
Por fim, o Espírito glorifica o Filho.
Ele não age de forma independente nem ocupa o centro da fé cristã. Sua missão é
revelar Cristo, testificar de sua obra e conduzir os crentes à comunhão com o
Deus Triúno (João 15.26; 16.13,14). Onde o Espírito atua plenamente, Cristo é
exaltado, o Pai é glorificado e a igreja é edificada. Pastoralmente, isso nos
chama a uma vida sensível à voz do Espírito, submissa à Palavra e profundamente
centrada em Cristo.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2014.
SINOPSE III
O plano de salvação é obra da Trindade: o Pai envia, o Filho executa e o
Espírito aplica.
CONCLUSÃO
O envio do Filho pelo Pai revela o amor eterno e soberano de Deus e
destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. Deus não apenas
amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando seu Filho no tempo certo, para
redimir os pecadores. O Filho, em obediência plena, realizou a redenção; e o
Espírito Santo, em sua atuação eficaz, aplica a salvação ao coração dos
crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com
gratidão o Deus Triúno que nos salvou.
👉 A salvação cristã não começa no homem, mas no coração eterno de
Deus. O envio do Filho pelo Pai revela um amor que antecede o tempo e governa a
história. Em João 3.16, a expressão “Deus amou” traduz o verbo grego ēgapēsen,
indicando um amor deliberado, ativo e sacrificial. Não se trata de afeição
abstrata, mas de uma decisão soberana de Deus em agir em favor de um mundo
incapaz de salvar a si mesmo. Aqui somos confrontados com a origem trinitária
da redenção. A salvação nasce no conselho eterno de Deus, não na resposta
humana. Esse envio ocorre “na plenitude do tempo” (Gl 4.4, NVI), expressão que
aponta para o momento exato determinado pelo Pai. Nada foi improvisado. A
encarnação não foi reação ao pecado, mas execução fiel de um plano eterno. O
Pai envia, o Filho vem e o Espírito prepara o cenário histórico e espiritual
para que a redenção se manifeste. A Trindade não atua de forma fragmentada, mas
em perfeita unidade de propósito e vontade. Cada Pessoa divina age
distintamente, sem jamais agir isoladamente. O Filho assume a missão redentora
em obediência plena. Filipenses 2.8 afirma que Ele “foi obediente até a morte”.
O termo grego hypēkoos descreve uma obediência voluntária, consciente e
amorosa. Cristo não foi constrangido ao sacrifício. Ele se entregou. Sua
obediência não apenas cumpre a lei, mas revela o caráter do Deus que salva por
meio da entrega. Como destacam Horton e Fee, a cruz é o ponto máximo da
revelação do amor trinitário em ação histórica. A obra do Espírito Santo não é
secundária, mas absolutamente necessária. Ele não apenas testemunha a redenção,
mas a aplica eficazmente ao coração humano. Jesus afirma em João 16.8 que o
Espírito “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. O verbo grego
elenchō indica convencimento profundo, interno, transformador. Sem essa
atuação, a obra objetiva da cruz permaneceria externa ao pecador. É o Espírito
quem vivifica, ilumina e sela a obra do Filho na experiência do crente. Essa
dinâmica revela a beleza da economia da salvação. O Pai planeja, o Filho executa,
o Espírito aplica. Não há competição entre as Pessoas divinas, mas perfeita
cooperação. Como observam Arrington e Macchia, essa unidade trinitária
fundamenta tanto a segurança da salvação quanto a vida espiritual contínua do
crente. Nossa fé se fortalece quando compreendemos que fomos alcançados por uma
obra completa, eficaz e graciosa do Deus Triúno.
Essa verdade nos livra de duas
armadilhas. A autossuficiência espiritual e a insegurança constante. Não fomos
salvos por esforço humano, nem somos mantidos pela força da nossa perseverança
isolada. Somos guardados pelo Deus que age do começo ao fim. Essa compreensão
gera humildade, descanso espiritual e profunda gratidão. A vida cristã deixa de
ser uma tentativa ansiosa de agradar a Deus e passa a ser resposta amorosa ao
Deus que já nos amou primeiro.
Diante disso, somos convidados não
apenas a compreender, mas a adorar. Conhecer o Deus Triúno que salva transforma
nossa devoção diária, nosso ensino na EBD e nossa prática cristã. Adoramos
porque fomos alcançados. Servimos porque fomos redimidos. Vivemos em santidade
porque o Espírito habita em nós. Essa verdade não apenas informa a mente, mas
reorienta o coração e molda uma vida inteira para a glória de Deus.
Temos, então, três Aplicações Práticas
para esta preciosa lição:
1.
Viver a fé com descanso e segurança espiritual: Compreender
que a salvação nasce no Pai, é consumada no Filho e aplicada pelo Espírito nos
chama a abandonar a ansiedade espiritual. Muitos cristãos vivem tentando “se
manter salvos” por esforço próprio, quando a Escritura nos mostra que somos
guardados por uma obra trinitária completa e eficaz. Essa verdade nos convida a
descansar na graça, cultivando uma vida de confiança, oração e perseverança que
flui da segurança em Deus, e não do medo de falhar.
2.
Ensinar e servir com consciência trinitária: Na Escola Bíblica
Dominical, essa compreensão transforma a maneira como ensinamos e servimos. O
professor não transmite apenas conteúdos, mas testemunha a ação viva do Deus
Triúno. O Pai chama, o Filho é anunciado e o Espírito convence e transforma.
Isso nos livra do ativismo estéril e nos leva a depender do Espírito Santo
tanto no preparo quanto na ministração, reconhecendo que só Ele aplica a
verdade ao coração dos alunos.
3.
Responder à salvação com adoração e santidade diária: Se
fomos alcançados por uma obra tão profunda, nossa resposta não pode ser
superficial. A consciência da atuação trinitária na salvação nos chama a uma
vida de adoração sincera, gratidão constante e santidade prática. No lar, no
trabalho e na igreja, passamos a viver não para conquistar o favor de Deus, mas
para honrá-lo. A obediência deixa de ser peso e se torna resposta amorosa ao
Deus que nos salvou por inteiro.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
2. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
4. MACCHIA, Frank
D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. O que significa afirmar que a
iniciativa da salvação é um ato da soberania de Deus?
Significa que a salvação começa com a iniciativa amorosa e soberana de
Deus, e não do ser humano.
2. Do ponto de vista histórico, que fatos
corroboram que era chegado o momento exato para a execução do plano redentor de
Deus para a humanidade?
A dominação romana, a língua grega comum e a expectativa messiânica
entre os judeus criaram o cenário ideal para a vinda de Cristo.
3. O que significa a declaração “nascido
sob a lei”?
Que Jesus veio como homem, cumprindo plenamente a Lei de Deus, sem
transgredi-la.
4. Qual vontade do Pai é realizada pelo
Filho?
Que todos aqueles que o Pai deu ao Filho recebam a vida eterna e não se
percam.
5. Por que a mediação entre o ser humano
e Deus é um ato de exclusividade do Filho?
Porque somente Cristo revela plenamente o Pai e oferece o sacrifício
perfeito que satisfaz a justiça divina.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O PAI ENVIOU O FILHO
Nesta oportunidade, estudaremos o envio do Filho de Deus a este mundo.
Por intermédio de Seu Filho Unigênito, o Pai revela Seu amor e a perfeita
unidade da Trindade na redenção e na adoção dos crentes. Na dinâmica da
salvação, cada Pessoa da Trindade exerce papel fundamental. Compreender o papel
do Pai é importante para que conheçamos quem Ele é e Seu eterno propósito.
Enquanto esteve neste mundo, nosso Senhor cuidou de apresentar aos
discípulos o grande amor do Pai. Quando Filipe, um dos discípulos, pediu que o
Mestre lhes mostrasse o Pai, a resposta foi bem clara: “Estou há tanto tempo
convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como
dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14.9). Observe que a compreensão dos
discípulos a respeito da Pessoa do Pai ainda estava limitada. Não obstante,
Jesus é a revelação mais nítida do caráter e do amor do Pai. NEle habita
corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2.9). As três Pessoas da Trindade
não operam de forma desigual. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus,
editada pela CPAD, ressalta o papel das três Pessoas na redenção da humanidade:
“Há uma absoluta igualdade dentro da Trindade, e nenhuma das três Pessoas está
sujeita, por natureza, à outra, como se houvesse uma hierarquia divina. Existe,
sim, uma distinção de serviço. O Pai possui a mesma essência divina das demais
pessoas da Trindade. O Filho é gerado do Pai, e o Espírito Santo procede do Pai
e do Filho. A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade que opera
por meio do Filho e do Espírito Santo. O Pai proclamou as palavras criadoras, e
o Filho executou-as. O Pai planejou a redenção, e o Filho, ao ser enviado ao
mundo, realizou-a. Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado
pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e o Ensinador. A subordinação do
Filho não compromete a sua deidade absoluta e, da mesma forma, a subordinação
do Espírito Santo ao ministério do Filho e ao Pai não é sinônimo de
inferioridade” (2025, pp.39,40).
Ao compreender o papel de cada Pessoa da Trindade, fica evidente que
conhecer o Senhor Jesus é a forma mais lúcida e direta de experimentar a
intimidade e comunhão profunda com Deus Pai. A fé no Filho de Deus Unigênito
oportuniza ao crente a experiência espiritual de se tornar filho de Deus por
adoção (Rm 8.14,15). Trata-se de uma adoção aplicada pelo Espírito Santo e que
endossa o propósito do Pai na criação, isto é, que Ele não nos fez para sermos
apenas mais uma de suas criaturas, e, sim, para que desfrutássemos do
privilégio de habitar em Sua presença e nos tornássemos herdeiros das riquezas
de Sua graça (Rm 8.16,17).
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
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