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11 de janeiro de 2026

ADULTOS - Lição 3: O Pai enviou o Filho

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

1º Trimestre de 2026

Título: A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Comentarista: Douglas Baptista

 

Lição 3: O Pai enviou o Filho

Data: 18 de janeiro de 2026

 

TEXTO ÁUREO

“Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.” (1Jo 4.9).

ENTENDA O TEXTO ÁUREO:

👉 O apóstolo João introduz 1João 4.9 com uma afirmação densa e reveladora. “Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco” indica que o amor divino não é uma ideia abstrata nem um sentimento indefinido. O verbo grego usado aqui é ephanerōthē (ἐφανερώθη), aoristo passivo de phaneróō, que significa tornar visível, revelar de forma concreta aquilo que estava oculto. João ensina que o amor de Deus, embora eterno, tornou-se historicamente perceptível em um ato específico. O amor não é definido por palavras, mas por uma ação redentora no tempo. A expressão “o amor de Deus” deve ser entendida como amor que procede de Deus, e não apenas amor dirigido a Ele. João mantém coerência com todo o seu argumento na epístola, onde Deus não apenas possui amor, mas é amor em sua essência. Esse amor, porém, não se revela de maneira genérica à humanidade, mas “para conosco”, isto é, em direção a pessoas concretas, pecadores reais, alcançados por uma iniciativa soberana. Aqui já se percebe o fundamento reformado da salvação como movimento descendente da graça, não como resposta ao mérito humano. João afirma que esse amor se manifestou no fato de que “Deus enviou”. O verbo apéstalken (ἀπέσταλκεν), perfeito ativo de apostéllō, carrega a ideia de envio com missão definida e autoridade delegada. O Pai não apenas permitiu que o Filho viesse, mas o enviou deliberadamente com um propósito redentor. O uso do perfeito indica uma ação passada com efeitos permanentes. O envio do Filho não foi um evento isolado do passado, mas uma realidade cujos resultados continuam operando na história e na vida da igreja. O título “Filho unigênito” traduz o termo grego monogenḗs (μονογενής), que não significa “gerado” no sentido biológico, mas “único em sua natureza”, “singular”, “sem igual”. João afirma a singularidade absoluta do Filho em relação ao Pai. Ele não é apenas mais um mensageiro, mas o Filho eterno que compartilha da mesma essência divina. A profundidade do amor de Deus se mede não apenas pelo ato de enviar, mas por quem foi enviado. Deus entregou o que lhe era único, precioso e eterno. O envio ocorre “ao mundo”, termo que João usa frequentemente para designar a humanidade caída, rebelde e espiritualmente hostil a Deus. O amor revelado aqui não é reativo, mas gracioso. Deus não amou um mundo que o buscava, mas um mundo que precisava ser resgatado. Isso confronta qualquer visão sentimental do amor divino. Trata-se de um amor santo, soberano e sacrificial, que age apesar da oposição humana e não por causa da virtude humana. O propósito do envio é expresso na cláusula final “para que por ele vivamos”. O verbo zēsōmen (ζήσωμεν), aoristo do subjuntivo de záō, aponta para vida verdadeira, espiritual e eterna, em contraste com a morte produzida pelo pecado. A vida não é apenas prolongamento da existência, mas participação na vida que procede de Deus. A expressão “por ele” afirma mediação exclusiva. Não vivemos por princípios, por obras ou por esforço moral, mas por meio da união com Cristo, aplicada pelo Espírito Santo. Exegeticamente, 1João 4.9 ensina que a salvação nasce no amor eterno do Pai, se manifesta historicamente no envio do Filho e resulta em vida real para aqueles que estão unidos a Cristo. Pastoralmente, o texto confronta a superficialidade espiritual e chama a igreja a redefinir amor, fé e vida cristã à luz da cruz. Quem compreende esse amor não vive mais para si, mas responde com gratidão, obediência e uma vida transformada pelo Deus que se revelou em Cristo.

 

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

MACCHIA, Frank D. Justificados no Espírito. São Paulo: Editora Reflexão, 2013.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

 

VERDADE PRÁTICA

O envio do Filho revela o amor do Pai e a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação, garantindo a redenção e a adoção dos crentes.

ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:

👉 O envio eterno e soberano do Filho pelo Pai manifesta de forma histórica e concreta o amor gracioso de Deus, revela a perfeita unidade e harmonia da Trindade na obra da salvação e assegura, pela atuação eficaz do Espírito Santo, a redenção plena, a vida nova e a adoção filial daqueles que, pela fé, são unidos a Cristo.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 3.16,17; 1 João 4.9,10; Gálatas 4.4-6.

Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

João 3

16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

👉 As Bíblias de Estudo Pentecostal (CPAD), MacArthur (SBB), Plenitude (SBB) e Aplicação Pessoal (CPAD) convergem ao afirmar que este versículo revela a iniciativa soberana do amor de Deus. O verbo “amou” traduz o grego agapáō, indicando um amor ativo, deliberado e sacrificial. Não se trata de mera afeição, mas de uma decisão graciosa de Deus em favor de um mundo caído. A Bíblia Pentecostal destaca que esse amor se expressa em ação concreta. Deus “deu” o Filho, não apenas o enviou, mas o entregou ao sofrimento redentor. A Bíblia MacArthur enfatiza que “mundo” (kósmos) não aponta para universalismo salvífico automático, mas para a extensão do amor divino a pessoas de todas as nações e classes, sem distinção étnica ou moral. A salvação, porém, é aplicada “ao que nele crer”. A Bíblia Plenitude reforça que a fé não é mera aceitação intelectual, mas confiança pessoal e submissão a Cristo. A vida eterna, segundo a Aplicação Pessoal, não começa após a morte, mas no momento em que o pecador é unido a Cristo pela fé.

17. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

👉 Aqui, as Bíblias de Estudo destacam a natureza redentiva da missão do Filho. O verbo “enviar” (apostéllō) aponta para uma missão com autoridade divina. O Filho vem como o Enviado do Pai. A Bíblia Pentecostal observa que a condenação já repousa sobre o mundo por causa do pecado. Cristo não veio para intensificá-la, mas para oferecer salvação. A Bíblia MacArthur ressalta que a ausência de condenação não elimina o juízo final, mas revela que a primeira vinda de Cristo teve caráter salvífico. A Plenitude enfatiza que a salvação ocorre “por meio dele”, reforçando a exclusividade cristológica. A Aplicação Pessoal chama atenção para o apelo pastoral do texto. Rejeitar Cristo não é neutralidade, mas permanecer sob condenação.

 

1 João 4

9 Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: que Deus enviou seu Filho unigênito ao mundo, para que por ele vivamos.

👉 As Bíblias de Estudo destacam que João não define o amor em termos abstratos, mas históricos. A Bíblia Pentecostal observa que “manifestou” (phaneróō) significa tornar visível aquilo que antes estava oculto. O amor de Deus se torna visível na encarnação. A vida que recebemos “por meio dele” não é apenas biológica, mas espiritual e eterna. A Bíblia MacArthur enfatiza que a vida verdadeira só existe em união com Cristo. Fora dele há existência, mas não vida. A Plenitude ressalta que o envio do Filho aponta para a centralidade da encarnação no plano da salvação. A Aplicação Pessoal sublinha que esse amor exige resposta. Quem recebeu vida por meio do Filho é chamado a viver em amor.

10 Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.

👉 Este versículo aprofunda o anterior ao esclarecer a natureza unilateral da graça. A Bíblia Pentecostal destaca que o amor não nasce da iniciativa humana. Ele procede exclusivamente de Deus. A palavra “propiciação” traduz hilasmós, indicando um sacrifício que satisfaz a justiça divina e remove a ira santa contra o pecado. A Bíblia MacArthur enfatiza fortemente o aspecto judicial do termo. O sacrifício de Cristo não apenas demonstra amor, mas resolve o problema do pecado diante de Deus. A Bíblia Plenitude acrescenta que essa propiciação restaura o relacionamento quebrado entre Deus e o homem. A Aplicação Pessoal observa que compreender essa verdade destrói qualquer tentativa de autossalvação e produz humildade e gratidão.

 

Gálatas 4

4 mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

👉 As Bíblias de Estudo destacam a soberania de Deus na história. A Bíblia Pentecostal aponta que “plenitude do tempo” revela um momento determinado por Deus, não pelo acaso. A encarnação ocorre no tempo exato do plano redentor. A expressão “nascido de mulher” afirma a plena humanidade de Cristo, enquanto “debaixo da lei” indica sua submissão à Lei para redimir os que estavam sob ela. A Bíblia MacArthur reforça que Cristo cumpriu perfeitamente a Lei em lugar dos pecadores. A Plenitude ressalta que essa submissão foi voluntária e necessária para a redenção. A Aplicação Pessoal destaca que Deus nunca se atrasa. Ele age no tempo certo, mesmo quando o ser humano não percebe.

5 para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

👉 Aqui aparece o duplo resultado da obra de Cristo. Redenção e adoção. A Bíblia Pentecostal observa que “redimir” (exagorázō) aponta para libertação mediante pagamento de preço. A Bíblia MacArthur enfatiza que a adoção é um ato legal e relacional. O crente não é apenas perdoado, mas recebido como filho legítimo. A Bíblia Plenitude destaca o privilégio da filiação espiritual. A Aplicação Pessoal chama atenção para a mudança de identidade. Não somos mais escravos do medo, mas filhos amados.

6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

👉 Este versículo mostra a aplicação da salvação pelo Espírito. A Bíblia Pentecostal enfatiza a atuação interna do Espírito Santo, que gera comunhão viva com o Pai. O clamor “Aba” expressa intimidade, confiança e dependência filial. A Bíblia MacArthur ressalta que o Espírito confirma objetivamente nossa filiação. A Plenitude destaca que essa relação não é meramente doutrinária, mas experiencial. A Aplicação Pessoal aponta que o Espírito transforma a oração, tornando-a relacional e viva.

 

SÍNTESE FINAL

 

Esses textos revelam que a salvação é uma obra trinitária completa. O Pai envia por amor, o Filho redime com sacrifício e o Espírito aplica com poder. Não se trata apenas de uma doutrina a ser crida, mas de uma realidade a ser vivida, celebrada e ensinada com temor, gratidão e profunda reverência ao Deus que nos amou primeiro.

 

INTRODUÇÃO

 

No plano eterno da redenção, o Pai é quem envia o Filho para salvar o mundo. Esta verdade, revelada nas Escrituras, manifesta o amor do Pai e reafirma a unidade e a missão da Santíssima Trindade. Nesta lição, veremos como o envio do Filho Unigênito de Deus — a Segunda Pessoa da Trindade, revela em profundidade: a suprema expressão do amor de Deus, a plenitude do tempo para a redenção e a obra perfeita da Trindade na salvação.

👉 No coração da revelação bíblica está uma verdade que sustenta toda a fé cristã: a salvação não nasce da iniciativa humana, mas do movimento eterno de Deus em direção ao mundo. O Pai envia o Filho. Esse envio não é um gesto reativo diante do pecado, mas a expressão histórica de um propósito estabelecido antes da fundação do mundo. Quando as Escrituras afirmam que Deus “enviou” o seu Filho, utilizam o verbo grego apostéllō, que carrega a ideia de comissionamento com autoridade e missão definida. O Filho não vem por acaso, nem apenas como exemplo moral. Ele vem investido da vontade do Pai, carregando em si a decisão soberana de Deus de intervir na história para restaurar aquilo que foi perdido. Aqui, a redenção não começa no Calvário, mas no conselho eterno do Deus Triúno. Esse envio revela, de modo concreto, a natureza do amor divino. Em 1 João 4.9, o amor não é descrito como sentimento abstrato, mas como ação visível e verificável. Deus amou enviando. O amor do Pai não é provocado pela resposta humana, nem condicionado pela dignidade do mundo, mas nasce em Deus e se dirige a um mundo espiritualmente morto. João afirma que o propósito desse envio é “para que por ele vivamos”, indicando que a vida verdadeira não é apenas prolongamento biológico, mas participação na vida que procede de Deus. Trata-se de uma obra vivificadora, na qual o Filho assume a condição humana para comunicar vida divina. A encarnação, portanto, não é um meio temporário, mas parte essencial do modo como Deus decide amar e salvar.

Ao contemplarmos o envio do Filho, somos conduzidos à harmonia perfeita da Trindade no plano da salvação. Não há competição de vontades, nem divisão de essência. O Pai envia, o Filho vem voluntariamente, e o Espírito aplica essa obra com eficácia. Cada Pessoa divina atua de forma distinta, porém inseparável, revelando um único propósito redentor. Essa verdade não é apenas doutrina a ser compreendida, mas fundamento para a vida cristã. Ela nos chama à confiança, pois a salvação não repousa na instabilidade humana, mas na fidelidade eterna de Deus. Também nos chama à adoração reverente, pois fomos alcançados por um amor que pensou nossa redenção antes mesmo de existirmos. Aqui começa nossa reflexão, diante de um Deus que não apenas falou, mas enviou, entrou na história e nos deu vida em seu Filho.

 

Palavra-Chave: ENVIO

(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume, direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)

ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:

👉 O termo “envio” revela o coração missionário do próprio Deus e ocupa um lugar central na economia da salvação. Na Escritura, enviar não é um gesto ocasional, mas um ato deliberado de autoridade, propósito e amor. O Pai não apenas permite que o Filho venha ao mundo; Ele o comissiona, o envia com uma missão definida, carregada de intenção redentora. O verbo bíblico expressa mais do que deslocamento. Envolve comissão, autoridade e obediência. O Pai é o grande Enviador. O Filho é o Enviado por excelência. Esse envio não nasce de uma emergência, mas de um plano eterno, concebido antes da fundação do mundo e manifestado na plenitude do tempo. Assim, a missão não começa na igreja, nem nos apóstolos, mas no seio da Trindade. O envio do Filho revela que missões não são uma atividade periférica da fé cristã, mas o próprio movimento do amor de Deus em direção ao mundo. Ao enviar o Filho, o Pai inaugura uma missão que atravessa a história, culmina na cruz e continua hoje pela ação do Espírito e pelo testemunho da igreja. Compreender o envio é reconhecer que fomos alcançados por um Deus que vai ao encontro do pecador e, ao mesmo tempo, convocados a participar desse mesmo movimento missionário, vivendo e anunciando o Cristo que o Pai enviou.

 

I. O ENVIO DO FILHO E O AMOR DO PAI

 

1. O amor incondicional do Pai. O envio de Jesus Cristo — o Filho Unigênito do Pai, é a maior demonstração do amor de Deus ao mundo (Jo 3.16). O verbo grego para este amor é “aqapáō” e o substantivo é “agápē”. Expressam a natureza essencial de Deus (1Jo 4.8) e a busca pelo bem-estar de todos (Rm 15.2). Conforme usado, acerca de Deus, manifesta interesse profundo e constante de um Ser perfeito para seres completamente indignos (Vine, 2002, p.395). Ensina que o amor de Deus não foi motivado por mérito humano. Ele amou “o mundo” rebelde e perdido — e enviou seu Filho “não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.17). Este amor alcança toda a humanidade, é incondicional, plenamente gracioso, sacrificial e absoluto! (Ef 2.4,5).

👉 O envio de Jesus Cristo ao mundo é a revelação mais clara e profunda do amor do Pai. João 3.16 não apresenta esse amor como ideia abstrata, mas como um ato concreto e histórico. Deus amou, e por isso enviou. O verbo grego agapáō e o substantivo agápē descrevem um amor que não nasce da atração, nem da resposta do outro, mas da decisão soberana de quem ama. Trata-se de um amor que tem origem em Deus, pois Ele mesmo é amor, como afirma 1 João 4.8. Esse amor não reage ao valor do objeto amado. Ele cria valor onde não havia. Aqui aprendemos que a salvação não começa no esforço humano, mas no coração gracioso do Pai. Quando a Escritura declara que Deus amou “o mundo”, ela não se refere a um mundo neutro ou disposto a buscá-lo, mas a uma humanidade caída, rebelde e espiritualmente morta. O termo kósmos, em João, aponta para o sistema humano em oposição a Deus. Ainda assim, é esse mundo que Deus decide amar. Como observa a tradição exegética, o amor divino não ignora o pecado, mas o enfrenta por meio do sacrifício. O Pai não envia o Filho para negociar com a culpa humana, mas para resolvê-la. João 3.17 deixa claro que a intenção do envio não é condenação, mas salvação. Isso revela um amor que age com propósito redentor, não com julgamento imediato. Esse amor é profundamente gracioso. Efésios 2.4-5 afirma que Deus nos amou quando ainda estávamos mortos em nossas transgressões. Aqui, o amor precede qualquer arrependimento consciente. Ele não é resposta à fé; é a fonte da fé. Conforme ensina Stanley Horton, a graça não apenas oferece perdão, mas cria as condições espirituais para que o pecador responda a Deus. Assim, o envio do Filho demonstra que a iniciativa da salvação pertence inteiramente ao Pai, que age movido por misericórdia e não por mérito humano.

Essa verdade confronta nossa tendência de condicionar o amor de Deus ao desempenho espiritual. Muitos vivem como se fossem tolerados por Deus, e não amados por Ele. O evangelho corrige essa distorção. O Pai não nos amou depois que mudamos. Ele nos amou para que fôssemos transformados. Esse amor incondicional não produz acomodação, mas gratidão obediente. Quem compreende o envio do Filho como expressão do amor do Pai passa a viver não para conquistar aceitação, mas a partir dela. Na prática, essa doutrina nos chama a refletir o mesmo amor que recebemos. Paulo afirma que o amor cristão busca o bem do outro, não a autopromoção. Se fomos alcançados por um amor que nos encontrou na indignidade, não podemos nos relacionar com o próximo a partir de critérios de merecimento. O envio do Filho redefine nossa forma de amar, de servir e de anunciar o evangelho. Amar como Deus amou é viver com o coração moldado pela graça que nos salvou.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. VINE, W. E. Dicionário Vine: O significado exegético e expositivo das palavras do Antigo e do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

2. A iniciativa soberana de Deus. Desde a eternidade, antes da Queda no Éden, Deus traçou um plano de redenção em Cristo (Ef 1.4,5). Até mesmo anterior a fundação do mundo, o Filho já estava destinado para nossa salvação (1Pe 1.18-20). Deus, em sua soberania e seu imensurável amor, tomou a iniciativa de enviar o Salvador, cumprindo seu eterno propósito de redenção (Ef 1.9). A Escritura ratifica que o amor divino antecede qualquer atitude humana: “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Portanto, a iniciativa da salvação não parte do ser humano, mas de Deus. Em sua soberania, misericórdia e compaixão, Deus decidiu agir em favor da humanidade caída (Rm 3.24-26; 5.8).

👉 A Escritura afirma com clareza que a salvação nasce na iniciativa de Deus, não na reação humana. Efésios 1.4-5 nos conduz ao coração desse plano ao declarar que Deus “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Essa afirmação não descreve um decreto arbitrário ou oculto, mas um propósito redentor estabelecido em Cristo. O texto não diz que fomos eleitos fora dele, nem independentemente dele, mas “nele”. A eleição, portanto, é cristocêntrica. Deus determinou, desde a eternidade, que todos os que estivessem unidos a Cristo pela fé participariam das bênçãos da salvação. O foco do texto não está na exclusão de indivíduos, mas na provisão graciosa de um caminho seguro de redenção em seu Filho. O verbo grego traduzido por “elegeu” é eklegomai, que significa escolher com propósito e intenção. No contexto paulino, essa escolha não anula a responsabilidade humana, mas revela a prioridade da graça. Deus escolhe em Cristo uma comunidade santa, destinada à adoção, e convida a humanidade a participar dessa realidade por meio da fé. A expressão “antes da fundação do mundo” aponta para a anterioridade do plano, não para a predeterminação fatalista de destinos individuais. Como destacam intérpretes arminianos clássicos, Paulo descreve o “como” e o “em quem” da salvação, não um decreto secreto sobre quem crerá ou não. Efésios 1.5 aprofunda essa verdade ao afirmar que Deus nos predestinou para adoção de filhos por meio de Jesus Cristo. O termo proorízō indica estabelecer limites ou um destino previamente definido. Esse destino, porém, é a adoção, não a fé. Deus predestinou o tipo de relacionamento que teria com os que estivessem em Cristo. A adoção não é imposta, mas oferecida. Ela se concretiza quando o pecador responde, pela fé, ao chamado gracioso do evangelho. Assim, a predestinação bíblica não elimina a liberdade humana, mas assegura que todo aquele que crê será plenamente recebido como filho. Essa leitura é confirmada por 1 Pedro 1.18-20, onde o Filho é apresentado como conhecido antes da criação do mundo, mas manifestado no tempo devido. O plano estava pronto antes da queda, pois Deus jamais foi surpreendido pelo pecado. Contudo, a aplicação desse plano ocorre na história, mediante a resposta humana à revelação divina. Deus tomou a iniciativa ao enviar o Salvador, mas não força a aceitação dessa salvação. Ele age soberanamente, sem violar a liberdade que Ele mesmo concedeu ao ser humano. A declaração de 1 João 4.10 reforça esse ponto ao afirmar que o amor de Deus precede qualquer atitude humana. Não fomos nós que iniciamos o movimento em direção a Deus. Foi Ele quem nos amou e enviou o Filho como propiciação pelos nossos pecados. A iniciativa é divina, a resposta é humana, e o mérito é inteiramente da graça. Romanos 5.8 afirma que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores, revelando que o amor salvador de Deus antecede nossa conversão, mas não dispensa nossa fé.

Essa verdade corrige dois extremos perigosos. De um lado, o orgulho espiritual que imagina ter conquistado a salvação. De outro, o fatalismo que paralisa a responsabilidade pessoal. A iniciativa soberana de Deus não nos leva à passividade, mas à gratidão e à obediência. Sabemos que Deus agiu primeiro, mas também sabemos que somos chamados a responder com arrependimento e fé viva. Essa compreensão gera humildade diante de Deus e zelo na proclamação do evangelho. Na vida diária, essa doutrina nos convida a descansar na fidelidade do plano divino e, ao mesmo tempo, a viver com urgência espiritual. Deus já preparou, em Cristo, tudo o que é necessário para a salvação. Cabe a nós permanecer nele, pela fé, e anunciar ao mundo que a porta da graça continua aberta. A iniciativa foi de Deus. A resposta agora passa por nossas mãos, nossos lábios e nosso testemunho.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2008.

 

3. O envio do Filho e a Trindade. Embora a missão do Filho seja descrita por meio do verbo “enviar” (Jo 3.17,18,34), a ideia aqui é de um presente gracioso de Deus (1Jo 4.10). Em seu amor soberano, o Pai ofereceu sua dádiva mais preciosa — o seu Filho Unigênito: “para que por Ele vivamos” (1Jo 4.9). Essa doação, não implica hierarquia na Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo possuem a mesma natureza divina (Jo 1.1; 10.30; 14.26). A distinção observada é funcional, relacionada ao plano da salvação: o Filho é enviado para realizar a redenção (Jo 6.38-40). Essa dinâmica revela harmonia e unidade da Trindade: uma única vontade e um único propósito. O envio do Filho é, portanto, uma expressão do amor do Deus Triúno, que resplandece em toda a história da salvação (Ef 1.3-14).

👉 Quando o Evangelho de João afirma que o Pai “enviou” o Filho, o texto não sugere inferioridade ou submissão ontológica dentro da Trindade. O verbo grego apostéllō descreve uma missão confiada, não uma relação de superioridade de essência. Nas Escrituras, o envio do Filho deve ser lido à luz do amor do Pai e do propósito redentor estabelecido desde a eternidade. Em 1 João 4.10, o envio é apresentado como dádiva graciosa, não como imposição hierárquica. O Pai oferece o que tem de mais precioso, não porque o Filho seja menor, mas porque ambos compartilham a mesma natureza divina e a mesma vontade salvadora. A ideia de uma hierarquia interna na Trindade surgiu historicamente de leituras equivocadas da obediência do Filho durante a encarnação. Textos como João 6.38 e Filipenses 2.8 foram interpretados fora de seu contexto redentor, confundindo submissão funcional com inferioridade essencial. A tradição cristã histórica sempre distinguiu entre a Trindade imanente, que diz respeito ao ser eterno de Deus, e a Trindade econômica, que trata da atuação de cada Pessoa no plano da salvação. O erro surge quando funções temporárias assumidas na economia da redenção são projetadas para dentro da essência eterna de Deus. Biblicamente, a igualdade das Pessoas divinas é afirmada de modo inequívoco. João 1.1 declara que o Verbo era Deus. João 10.30 revela a unidade essencial entre o Pai e o Filho. João 14.26 apresenta o Espírito como enviado com a mesma autoridade divina. Nenhuma dessas afirmações permite uma leitura hierárquica no ser de Deus. O Pai não é mais Deus que o Filho, nem o Espírito é menos divino por proceder do Pai e do Filho. Como ensinam os comentários clássicos, há distinção de Pessoas, mas não gradação de divindade. A distinção que a Escritura apresenta é funcional e redentiva. O Pai planeja a salvação, o Filho a executa por meio da encarnação e da cruz, e o Espírito a aplica eficazmente ao coração humano. Essa ordem não revela desigualdade, mas harmonia. Jesus afirma que veio fazer a vontade do Pai porque compartilha dessa vontade, não porque lhe seja alheio ou inferior. A obediência do Filho é expressão de amor trinitário, não de coerção. Trata-se de uma obediência voluntária, assumida no contexto da encarnação, para cumprir a redenção da humanidade.

Teologicamente, insistir em hierarquia dentro da Trindade enfraquece a própria doutrina da salvação. Se o Filho fosse inferior, sua obra não teria valor infinito. Se o Espírito fosse subordinado em essência, sua aplicação da salvação seria limitada. A fé cristã repousa na convicção de que o Deus que salva é plenamente Deus em cada uma de suas Pessoas. Como afirma Efésios 1.3-14, a obra redentora é uma sinfonia trinitária, na qual cada Pessoa atua em perfeita unidade, do decreto eterno à consumação final.

Essa verdade nos ensina a adorar com reverência e equilíbrio. Não adoramos três deuses, nem um Deus fragmentado. Adoramos o Deus Triúno, perfeito em amor e unidade. Também aprendemos que serviço e submissão, quando vividos à luz do amor, não diminuem ninguém. O Filho nos mostra que é possível servir sem perder dignidade, obedecer sem perder glória, e amar sem reservas. A Trindade se torna, assim, não apenas fundamento da fé, mas modelo para a vida cristã. Na prática diária, compreender o envio do Filho como expressão do amor trinitário transforma nossa espiritualidade. Vivemos seguros, porque a salvação não depende de forças concorrentes dentro de Deus, mas de um propósito único e fiel. Vivemos humildes, porque fomos alcançados por uma graça que flui da perfeita comunhão divina. E vivemos em missão, porque o Deus que enviou o Filho continua enviando sua igreja ao mundo, não por hierarquia de valor, mas por participação no seu amor eterno.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

5. MACCHIA, Frank D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.

 

SINOPSE I

O envio do Filho é a expressão suprema do amor do Pai, fruto de sua iniciativa soberana e graciosa.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O AMOR SALVÍFICO DO PAI

 “A ação redentora cheia de amor de Deus, é apresentada nesta seção em forte contraste em relação ao destino desesperado da humanidade pecadora sob a ira do mesmo Deus em 2.1-3. Em termos empolgantes e impetuosos, Paulo faz o contraste da situação em que os leitores estavam ‘antes’ (2.3), sem Cristo; aquilo em que estão agora, em Cristo; aquele que ‘todos nós’ (2.3a) somos por natureza (2.3d) e aquilo que somos ‘pela graça’ (2.5,8); a razão da ira de Deus (2.3) e a iniciativa do amor de Deus (2.4); a realidade espiritual de que ‘estávamos mortos’ (2.1), mas que Deus ‘nos vivificou juntamente com Cristo’ (2.5).” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse. Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.410).

 

II. O FILHO E A PLENITUDE DOS TEMPOS

 

1. A preparação histórica e religiosa. O envio de Cristo não foi um plano improvisado, mas um desígnio eterno, cumprido “na plenitude dos tempos” (Gl 4.4). Indica que a vinda do Messias se deu no tempo determinado pelo Deus Pai (Rm 5.6). A Trindade, em perfeita sabedoria e unidade, determinou o momento exato para a execução do plano redentor (Ef 1.10,11). Historicamente, o domínio romano construiu estradas e rotas comerciais que contribuíram para a disseminação do Evangelho. A cultura grega unificou o mundo por meio do grego koiné, tornando possível a escrita do Novo Testamento em uma língua conhecida e popular. No judaísmo, apesar da rejeição dos líderes entre o povo, a expectativa messiânica estava elevada (Lc 2.25-38). Isso sinaliza que Deus preparou o cenário para a chegada do Salvador (At 17.26).

👉 A afirmação de Paulo de que Cristo veio “na plenitude dos tempos” (Gálatas 4.4) revela que a encarnação não foi um evento fortuito, nem uma resposta emergencial ao pecado humano. O apóstolo utiliza a expressão grega plḗrōma tou chrónou, que indica o tempo plenamente completado, amadurecido segundo o propósito de Deus. Não se trata apenas de um momento cronológico adequado, mas do cumprimento de um plano cuidadosamente conduzido pela soberania divina. Deus não apenas age no tempo. Ele governa o tempo. A vinda do Filho ocorre quando tudo estava espiritualmente, historicamente e teologicamente preparado. Essa plenitude aponta, antes de tudo, para a fidelidade de Deus às suas promessas. Desde Gênesis 3.15, a história bíblica avança em direção a esse momento. Cada aliança, cada profecia e cada expectativa messiânica funcionam como fios que conduzem ao advento de Cristo. Romanos 5.6 afirma que Cristo morreu “no tempo certo”, reforçando a ideia de que Deus nunca se adianta nem se atrasa. Ele age no tempo exato, quando sua vontade redentora pode ser plenamente revelada e compreendida. Do ponto de vista histórico, o cenário do mundo antigo cooperou para a expansão do evangelho de maneira singular. O domínio romano trouxe estabilidade política, um sistema jurídico unificado e uma extensa malha de estradas que conectava cidades e províncias. Essas vias, construídas para fins militares e administrativos, tornaram-se instrumentos providenciais para a propagação da mensagem cristã. A história humana, muitas vezes marcada por ambições imperiais, foi silenciosamente conduzida para servir ao propósito do Reino de Deus. No campo cultural, a disseminação do grego koiné foi igualmente decisiva. Essa língua comum permitiu que a mensagem do evangelho fosse registrada e anunciada de forma acessível a diferentes povos. O Novo Testamento não foi escrito em uma língua elitizada, mas no idioma do povo. Isso revela o caráter missionário do plano divino. Deus se comunica de modo que o mundo possa ouvir, entender e responder. Como observam os estudos histórico-culturais, essa unidade linguística foi um dos maiores facilitadores da rápida expansão cristã no primeiro século.

Religiosamente, o judaísmo vivia um tempo de intensa expectativa messiânica. Mesmo com a corrupção de muitos líderes, havia no coração do povo piedoso uma esperança viva pela redenção de Israel. Lucas registra personagens como Simeão e Ana, que aguardavam “a consolação de Israel” e reconhecem no menino Jesus o cumprimento dessa esperança. Esse ambiente espiritual demonstra que Deus também preparou corações sensíveis para discernir a chegada do Salvador. Teologicamente, a plenitude dos tempos revela a harmonia da Trindade na condução da história. Efésios 1.10-11 afirma que Deus estabeleceu o plano de “fazer convergir em Cristo todas as coisas”. O Pai determina o tempo, o Filho entra na história, e o Espírito passa a aplicar essa obra no coração humano. Nada é improvisado. Tudo coopera para a revelação da graça. A encarnação, portanto, é o ponto em que o céu toca a história de forma decisiva.

Essa verdade nos ensina a confiar no agir de Deus mesmo quando o tempo parece lento ou confuso. O mesmo Deus que conduziu a história até a vinda de Cristo continua governando os tempos da nossa vida. A plenitude dos tempos nos chama à paciência, à esperança e à fidelidade. Deus age quando o tempo está maduro, não quando nossa ansiedade exige. Viver à luz dessa verdade é aprender a descansar na soberania de Deus e a discernir sua mão mesmo nos processos silenciosos da história e do coração.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

5. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

2. O Filho nascido sob a Lei. A Escritura afirma que o Filho veio “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b). A expressão “nascido de mulher”, reafirma que Cristo assumiu nossa natureza humana (Hb 2.14; Fp 2.7,8). Ele encarnou e experimentou as fraquezas humanas, exceto o pecado (Hb 4.15). Cumpriu-se assim a profecia: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho” (Is 7.14; Mt 1.23), mostrando que sua vinda foi obra soberana de Deus. A declaração “nascido sob a lei” significa que Jesus cumpriu todas as exigências da Lei mosaica (Mt 5.17). Ele foi o único homem a cumprir plenamente a Lei de Deus, sem a transgredir em momento algum (1Pe 2.22). Sua vida de obediência foi necessária para que pudesse oferecer um sacrifício perfeito em favor dos pecadores (Hb 7.26,27).

👉 A afirmação paulina de que o Filho veio “nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gl 4.4b, NVI) nos conduz ao coração da encarnação e da obra redentora de Cristo. Paulo não escreve de forma poética ou meramente devocional. Ele é preciso, teológico e pastoral. Cada expressão carrega peso doutrinário. A encarnação acontece dentro da história humana real, marcada por limites, obrigações e responsabilidade moral diante de Deus. O Filho eterno entra no tempo e se submete às condições da existência humana para nos resgatar desde dentro. A expressão “nascido de mulher” afirma, sem rodeios, a plena humanidade de Jesus. O Filho não aparentou ser humano. Ele tornou-se humano. O autor de Hebreus declara que Ele participou da nossa carne e do nosso sangue (Hb 2.14). Paulo reforça que assumiu a forma de servo, humilhando-se voluntariamente (Fp 2.7–8). Aqui não há mito nem símbolo. Há encarnação real. Cristo experimentou cansaço, dor, fome e sofrimento. Contudo, diferente de nós, enfrentou essas limitações sem jamais ceder ao pecado (Hb 4.15). Sua humanidade não foi manchada. Foi perfeita, íntegra e obediente. Essa encarnação não ocorreu por acaso. Cumpre-se a promessa profética de Isaías: a virgem conceberia e daria à luz um filho (Is 7.14), interpretada por Mateus como obra direta da soberania divina (Mt 1.23). Deus não apenas prometeu o Salvador. Preparou o meio, o tempo e a forma. A concepção virginal preserva uma verdade essencial. Jesus nasce verdadeiramente homem, mas não herda a corrupção do pecado. Ele entra na humanidade como o novo Adão, não como repetição da queda, mas como início da restauração. Quando Paulo afirma que Cristo nasceu “sob a lei”, ele utiliza a expressão grega hypò nómon, que significa estar sob jurisdição, autoridade e obrigação legal. Isso indica que Jesus se colocou voluntariamente debaixo da Lei mosaica em toda a sua abrangência. Ele foi circuncidado, participou das festas judaicas, frequentou o templo e submeteu-se às prescrições cerimoniais, civis e morais da Lei. Não como alguém forçado, mas como Servo obediente. Ele viveu exatamente onde Israel falhou. Essa submissão à Lei não teve como objetivo a salvação pessoal de Cristo, mas a redenção dos que estavam presos sob a condenação da Lei. Jesus declara que não veio abolir a Lei, mas cumpri-la (Mt 5.17). Ele é o único que a cumpriu perfeitamente, não apenas em atos externos, mas em intenções, desejos e motivações do coração. Pedro testemunha que Ele não cometeu pecado algum (1Pe 2.22). Sua obediência ativa é essencial à nossa justificação. Ele obedeceu onde desobedecemos.

Teologicamente, essa obediência qualifica Cristo como o sacrifício perfeito. Hebreus afirma que Ele é santo, inculpável, puro e separado dos pecadores (Hb 7.26–27). Sua vida sem pecado não é detalhe secundário. É fundamento da redenção. Somente alguém plenamente obediente poderia oferecer-se em favor de transgressores. Ele não apenas morreu por nós. Viveu por nós. Sua justiça é imputada aos que creem, libertando-os da culpa e da condenação da Lei. Essa verdade confronta e consola. Confronta-nos porque revela o alto padrão da santidade de Deus. Consola-nos porque mostra que nossa salvação não repousa em nossa obediência imperfeita, mas na obediência perfeita de Cristo. Viver à luz disso transforma nossa relação com Deus. Não obedecemos para sermos aceitos. Obedecemos porque já fomos aceitos em Cristo. O Filho nasceu sob a Lei para nos libertar da escravidão da Lei e nos conduzir à vida madura de filhos que andam em gratidão, reverência e amor.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

 

3. A adoção de filhos. A obra do Filho não apenas trouxe perdão, mas também nos concedeu a posição de filhos adotivos (Gl 4.5). Cristo é o único Filho de Deus por natureza (Jo 1.18); e os crentes tornam-se filhos por adoção (Jo 1.12,13). A prática da adoção não fazia parte do sistema legal judaico, mas era comum e bem conhecida entre os gentios. Paulo enfatiza que foi do agrado de Deus inserir no plano da salvação, que os salvos fossem adotados como filhos (Ef 1.5). O “espírito de adoção” habilita os salvos a clamarem “Aba, Pai” (Gl 4.6). Esse termo aramaico (“Aba”, “papai”) empregado na interação entre o Filho e o Pai, indica respeito e confiança (Mc 14.36). Essa adoção e intimidade é aplicada pelo Espírito Santo (Rm 8.15,16), demonstrando novamente a atuação inseparável da Trindade na salvação.

👉 A obra redentora de Cristo não se limita ao perdão dos pecados. Ela nos conduz a uma mudança radical de posição diante de Deus. Paulo afirma que o Filho veio para “resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos” (Gl 4.5, NVI). A salvação não nos deixa apenas absolvidos no tribunal divino. Ela nos introduz na casa do Pai. O evangelho não termina na cruz. Ele prossegue na família. O Novo Testamento faz uma distinção essencial entre o Filho e os filhos. Jesus é o Filho unigênito por natureza. João declara que Ele é o monogenēs do Pai, o Filho único em essência e eternidade (Jo 1.18). Os crentes, por sua vez, tornam-se filhos por adoção. João afirma que aos que receberam Cristo foi concedida autoridade para se tornarem filhos de Deus (Jo 1.12). A palavra grega exousía indica direito legítimo, status concedido, não mera permissão emocional. Não nascemos filhos. Somos feitos filhos pela graça. João reforça essa verdade ao afirmar que essa filiação não procede do sangue, nem da vontade humana, mas de Deus (Jo 1.13). A nova identidade do crente não é construída por herança religiosa, mérito moral ou esforço espiritual. Ela é resultado direto da ação soberana de Deus. Aqui se revela a profundidade da graça. Deus não apenas nos perdoa. Ele nos recebe. Não apenas cancela nossa dívida. Ele muda nosso nome e nosso lugar. Paulo emprega o termo grego huiothesía, traduzido por adoção, expressão retirada do contexto greco-romano. Diferente do mundo judaico, a adoção era uma prática legal amplamente reconhecida entre os gentios. O filho adotado recebia novo status jurídico, novo nome e plenos direitos de herança. Paulo se apropria dessa imagem para ensinar que Deus, deliberadamente, decidiu nos inserir em sua família. Efésios 1.5 afirma que essa adoção ocorreu “segundo o bom propósito da sua vontade”. Não foi necessidade. Foi prazer divino. Essa nova relação não é apenas jurídica. Ela é profundamente relacional. Paulo afirma que Deus enviou o Espírito de seu Filho ao nosso coração, e esse Espírito clama “Aba, Pai” (Gl 4.6). A palavra aramaica Abba expressa intimidade reverente, proximidade sem irreverência. É o mesmo termo usado por Jesus em sua oração no Getsêmani (Mc 14.36). O que antes pertencia à relação exclusiva do Filho com o Pai agora é compartilhado, pela graça, com os filhos adotivos.

Essa experiência de filiação é aplicada e confirmada pelo Espírito Santo. Romanos 8.15–16 afirma que não recebemos um espírito de escravidão, mas o Espírito de adoção, que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. A salvação, portanto, é obra trinitária. O Pai planeja, o Filho redime e o Espírito aplica. Não há competição entre as pessoas da Trindade. Há unidade perfeita na obra da redenção. Essa verdade transforma a maneira como vivemos diante de Deus. Não nos aproximamos mais como servos temerosos, mas como filhos amados. A obediência cristã deixa de ser motivada pelo medo e passa a fluir do amor e da gratidão. A adoção nos chama a viver com identidade, segurança e maturidade espiritual. Quem sabe que é filho não vive como órfão. E quem chama Deus de Pai aprende a caminhar com confiança, reverência e esperança diária.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

 

SINOPSE II

Na plenitude dos tempos, Cristo veio ao mundo, cumprindo as profecias e proporcionando redenção e adoção como filhos de Deus.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

A PLENITUDE DOS TEMPOS

 “O período de utilidade limitada da lei é relatado em 4.4. A frase ‘quando veio a plenitude dos tempos’ marca o fim do período de tutela como relatado em 3.24,25; 4.1,2. O plano pré-ordenado de Deus era que a lei ditasse o fundamento da moralidade até a vinda de Cristo. Jesus é o ponto focal da história mundial; Ele é o sustentáculo do qual depende a virada dos tempos. [...] Semelhantemente ‘enviou’ não comunica principalmente distância ou espaço; antes, fala de comissionar um enviado autorizado. Portanto, quando a fase mundial estava exatamente correta, o Pai comissionou seu Filho para trazer a salvação.” (ARRINGTON, Franch L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos — Apocalipse. Volume 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.361).

 

III. A TRINDADE NO PLANO DA SALVAÇÃO

 

1. A vontade do Pai realizada pelo Filho. O Filho veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai: “eu desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38). Essa vontade, segundo Cristo, é que nenhum daqueles que o Pai lhe deu se perca, mas tenham a vida eterna (Jo 6.39,40). A obediência de Jesus é perfeita, revelando plena submissão ao Pai. Ele mesmo testifica: “porque eu faço sempre o que lhe agrada” (Jo 8.29). Essa obediência alcançou o clímax na entrega voluntária de sua vida por amor: “sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fp 2.8). Por meio de sua vida sem pecado e morte sacrificial, a justiça de Deus foi plenamente satisfeita (Rm 3.24-26). Em Cristo, vemos a expressão sublime da obediência, do amor e da unidade perfeita na Trindade.

👉 A salvação cristã nasce no coração do Pai e se manifesta na obediência perfeita do Filho. Jesus declara com clareza: “desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou” (João 6.38, NVI). Essa afirmação revela mais do que submissão funcional. Ela expõe a comunhão eterna e amorosa da Trindade. O Filho não age de forma independente nem concorrente. Ele age em perfeita sintonia com o querer do Pai, tornando visível, na história, aquilo que foi determinado na eternidade. A vontade do Pai, segundo o próprio Cristo, é profundamente redentora e pastoral. Ele afirma que nenhum dos que o Pai lhe deu se perderá, mas todos receberão a vida eterna (João 6.39-40). O verbo “dar”, do grego didōmi, indica uma ação soberana e graciosa do Pai. A salvação não começa no esforço humano, mas na iniciativa divina. O Filho recebe do Pai um povo, e sua missão é conduzi-lo com segurança até o fim. Aqui repousa a base da esperança cristã e da segurança da fé. A obediência de Jesus não foi ocasional nem limitada a momentos específicos de sua vida. Ele afirma: “eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8.29). O advérbio “sempre” aponta para uma obediência contínua, integral e sem falhas. Cristo não apenas ensinou a vontade de Deus. Ele a encarnou. Sua vida inteira foi um ato de submissão amorosa ao Pai. Diferente de Adão, que desobedeceu em um jardim, Cristo obedece plenamente, inclusive no caminho que o leva à cruz. Essa obediência alcança seu ponto máximo na cruz. Paulo afirma que Jesus se humilhou, “tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2.8). O termo grego hypēkoos expressa uma obediência que nasce da escuta atenta e da disposição voluntária. Cristo não foi forçado ao sacrifício. Ele se entregou. A cruz não é um acidente da história, mas o ápice da fidelidade do Filho ao Pai e do amor de Deus pelos pecadores. Na cruz, a justiça divina não foi ignorada nem suavizada. Ela foi plenamente satisfeita. Romanos 3.24-26 ensina que Deus apresentou Cristo como sacrifício de expiação, demonstrando sua justiça ao justificar o pecador. O termo hilastērion aponta para um sacrifício que remove a culpa e restaura a comunhão. O Pai permanece justo. O pecador é justificado. E o Filho é glorificado como o mediador perfeito entre Deus e os homens.

A obra do Filho revela, assim, a perfeita unidade da Trindade no plano da salvação. O Pai planeja, o Filho executa e o Espírito aplica essa obra ao coração humano. Não há divisão de vontades, nem conflito de propósitos. Há harmonia santa. A cruz é o lugar onde o amor do Pai, a obediência do Filho e a ação vivificadora do Espírito convergem para a redenção do ser humano. Essa verdade nos chama a uma vida de confiança e submissão. Se o Filho viveu em obediência amorosa ao Pai, nós, que fomos unidos a Cristo, somos chamados a viver da mesma forma. A obediência cristã não nasce do medo, mas do amor. Não é tentativa de merecer salvação, mas resposta grata à graça recebida. Contemplar a obediência do Filho nos ensina a descansar na vontade do Pai e a caminhar com fidelidade, mesmo quando o caminho passa pela cruz.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2011.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

2. A mediação exclusiva do Filho. O Filho é o único caminho de acesso ao Pai: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Esse acesso é exclusivo porque Ele é a revelação plena do Pai (Jo 1.18), e o único que pode satisfazer a justiça divina mediante o seu sacrifício no Calvário (Hb 9.15). A exclusividade da mediação de Cristo está enraizada na estrutura trinitária. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16), e o Espírito Santo testifica do Filho (Jo 15.26). Assim, o caminho para o Pai passa necessariamente pela aceitação do Filho, conforme ensina as Escrituras: “Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1Tm 2.5). Desse modo, a salvação ocorre unicamente por meio da fé em Cristo (At 4.12).

👉 A Escritura é direta e pastoral ao tratar do acesso a Deus. Jesus afirma: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14.6, NVI). Essa declaração não nasce de exclusivismo religioso, mas da própria identidade do Filho. Ele não aponta um caminho. Ele é o caminho. No grego, hodos não descreve apenas uma rota, mas um meio vivo de acesso. Em Cristo, Deus não apenas orienta o ser humano. Ele mesmo se oferece como a ponte segura entre o céu e a terra. A exclusividade dessa mediação está enraizada na revelação plena do Pai no Filho. João afirma que ninguém jamais viu a Deus, mas o Filho unigênito o revelou (João 1.18). O verbo exēgēsato indica explicação completa e definitiva. Tudo o que precisamos saber sobre Deus para a salvação foi revelado em Cristo. Não há revelação paralela, complementar ou concorrente. Fora dele, Deus permanece desconhecido de forma redentora. Nele, o Pai se torna acessível, próximo e gracioso.

Essa mediação é exclusiva porque somente o Filho satisfez plenamente a justiça divina. Hebreus ensina que Ele é o mediador de uma nova aliança, estabelecida por meio de seu próprio sangue (Hebreus 9.15). O termo grego mesitēs descreve aquele que se coloca entre duas partes para restaurar a comunhão rompida. Cristo não media apenas com palavras ou exemplos morais. Ele media com sua vida entregue. Sua morte substitutiva resolve aquilo que nenhum ser humano poderia resolver. O problema do pecado diante de um Deus santo. A estrutura trinitária da salvação confirma essa exclusividade. O Pai envia o Filho por amor ao mundo (João 3.16). O Filho realiza a obra redentora de forma perfeita e suficiente. O Espírito Santo testifica do Filho e aplica sua obra ao coração humano (João 15.26). Não há competição entre as Pessoas da Trindade. Há cooperação santa. O caminho ao Pai não ignora o Espírito, nem contorna o Filho. Ele passa, necessariamente, pela fé naquele que foi enviado.

Paulo resume essa verdade com clareza teológica e simplicidade pastoral: “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (1 Timóteo 2.5). A ênfase no termo “homem” não diminui a divindade de Cristo. Antes, destaca sua plena identificação conosco. Somente alguém verdadeiramente humano poderia nos representar. Somente alguém verdadeiramente divino poderia nos reconciliar com Deus. Na pessoa de Cristo, essas duas realidades se encontram sem confusão e sem separação.

Por isso, a salvação não acontece por mérito, herança religiosa ou esforço moral. Ela acontece unicamente pela fé em Cristo. Atos afirma que “não há salvação em nenhum outro” (Atos 4.12). Essa exclusividade não fecha portas. Ela abre uma porta segura. A fé cristã não se baseia em possibilidades espirituais, mas em uma obra consumada. Quem está em Cristo tem acesso real, contínuo e confiante ao Pai. Essa verdade nos chama à fidelidade e à humildade. Fidelidade, porque não precisamos buscar outros mediadores, atalhos espirituais ou substitutos religiosos. Humildade, porque o acesso a Deus não foi conquistado por nós, mas recebido como graça. Viver sob a mediação exclusiva de Cristo é viver em descanso, gratidão e obediência. É caminhar diariamente com a certeza de que, em Cristo, estamos plenamente aceitos diante do Pai.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

 

3. A aplicação da salvação pelo Espírito. O Espírito Santo, chamado de Consolador e Espírito da verdade, foi enviado pelo Pai e pelo Filho. Jesus disse que o Espírito viria para convencer o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo” (Jo 16.8-11). É o Espírito que ilumina a mente para o conhecimento de Deus (2Co 4.6), ensina a verdade (Jo 14.26), regenera os pecadores (Tt 3.5), sela os que creem (Ef 1.13), opera a santificação progressiva (2Ts 2.13), e assegura a perseverança dos crentes (Fp 1.6). Além disso, o Espírito glorifica o Filho, pois foi enviado para testificar de Cristo (Jo 15.26), revelando sua Pessoa e obra ao coração humano. O Espírito nunca age independentemente do Filho ou do Pai. Sua missão é, intrinsecamente, a de exaltar a glória do Deus Triúno (Jo 16.13,14).

👉 A obra da salvação não termina na cruz nem se esgota na ressurreição. Ela precisa ser aplicada ao coração humano. É aqui que a atuação do Espírito Santo se revela essencial e pastoralmente decisiva. Jesus o chama de Consolador e Espírito da verdade, enviado pelo Pai e pelo Filho para tornar viva, eficaz e pessoal a obra consumada por Cristo (João 14.16,26; 15.26). Sem o Espírito, a salvação permaneceria apenas como um anúncio externo. Com Ele, torna-se experiência transformadora. Jesus ensina que o Espírito convence o mundo “do pecado, da justiça e do juízo” (João 16.8-11, NVI). O verbo grego elenchō indica convencer com evidência, trazer à luz aquilo que estava oculto. O Espírito revela a gravidade do pecado, a suficiência da justiça de Cristo e a certeza do juízo já inaugurado na vitória da cruz. Essa convicção não é mero remorso psicológico. É um despertar espiritual profundo que conduz ao arrependimento genuíno e à fé salvadora.

Essa obra continua na iluminação da mente. Paulo afirma que Deus resplandece em nossos corações para o conhecimento da sua glória revelada em Cristo (2 Coríntios 4.6). Essa iluminação não cria novas verdades, mas abre os olhos para enxergar aquilo que sempre esteve diante de nós. O Espírito ensina, lembra e aplica as palavras de Cristo (João 14.26). Ele conduz o crente à verdade, não como informação fria, mas como sabedoria que transforma o modo de pensar e viver. O Espírito também opera a regeneração. Tito descreve essa obra como o “lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3.5). O termo palingenesia aponta para um novo nascimento, uma nova origem de vida. Não se trata de reforma moral, mas de criação espiritual. O coração endurecido é vivificado. A fé nasce como resposta graciosa à ação prévia de Deus. Aqui se preserva o equilíbrio da teologia reformada continuísta. Deus age soberanamente. O ser humano responde responsavelmente.

Além de regenerar, o Espírito sela os que creem (Efésios 1.13). O selo indica pertencimento, segurança e autenticidade. Essa obra não elimina a necessidade de perseverança, mas a fundamenta. O mesmo Espírito que inicia a boa obra sustenta o crente em um processo contínuo de santificação (2 Tessalonicenses 2.13). Santificação aqui não é isolamento do mundo, mas transformação diária do caráter, alinhando a vida do crente à vontade de Deus. Essa atuação culmina na certeza da perseverança. Paulo expressa essa confiança ao afirmar que Deus completará a boa obra iniciada (Filipenses 1.6). O Espírito testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Romanos 8.16). Essa segurança não gera acomodação espiritual, mas gratidão obediente. O crente persevera porque é sustentado pela graça, não porque confia em sua própria força.

Por fim, o Espírito glorifica o Filho. Ele não age de forma independente nem ocupa o centro da fé cristã. Sua missão é revelar Cristo, testificar de sua obra e conduzir os crentes à comunhão com o Deus Triúno (João 15.26; 16.13,14). Onde o Espírito atua plenamente, Cristo é exaltado, o Pai é glorificado e a igreja é edificada. Pastoralmente, isso nos chama a uma vida sensível à voz do Espírito, submissa à Palavra e profundamente centrada em Cristo.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Nova Versão Internacional. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

 

SINOPSE III

O plano de salvação é obra da Trindade: o Pai envia, o Filho executa e o Espírito aplica.

 

CONCLUSÃO

 

O envio do Filho pelo Pai revela o amor eterno e soberano de Deus e destaca a perfeita unidade da Trindade na obra da salvação. Deus não apenas amou o mundo, mas agiu em favor dele, enviando seu Filho no tempo certo, para redimir os pecadores. O Filho, em obediência plena, realizou a redenção; e o Espírito Santo, em sua atuação eficaz, aplica a salvação ao coração dos crentes. Conhecer essa verdade fortalece nossa fé e nos convida a adorar com gratidão o Deus Triúno que nos salvou.

👉 A salvação cristã não começa no homem, mas no coração eterno de Deus. O envio do Filho pelo Pai revela um amor que antecede o tempo e governa a história. Em João 3.16, a expressão “Deus amou” traduz o verbo grego ēgapēsen, indicando um amor deliberado, ativo e sacrificial. Não se trata de afeição abstrata, mas de uma decisão soberana de Deus em agir em favor de um mundo incapaz de salvar a si mesmo. Aqui somos confrontados com a origem trinitária da redenção. A salvação nasce no conselho eterno de Deus, não na resposta humana. Esse envio ocorre “na plenitude do tempo” (Gl 4.4, NVI), expressão que aponta para o momento exato determinado pelo Pai. Nada foi improvisado. A encarnação não foi reação ao pecado, mas execução fiel de um plano eterno. O Pai envia, o Filho vem e o Espírito prepara o cenário histórico e espiritual para que a redenção se manifeste. A Trindade não atua de forma fragmentada, mas em perfeita unidade de propósito e vontade. Cada Pessoa divina age distintamente, sem jamais agir isoladamente. O Filho assume a missão redentora em obediência plena. Filipenses 2.8 afirma que Ele “foi obediente até a morte”. O termo grego hypēkoos descreve uma obediência voluntária, consciente e amorosa. Cristo não foi constrangido ao sacrifício. Ele se entregou. Sua obediência não apenas cumpre a lei, mas revela o caráter do Deus que salva por meio da entrega. Como destacam Horton e Fee, a cruz é o ponto máximo da revelação do amor trinitário em ação histórica. A obra do Espírito Santo não é secundária, mas absolutamente necessária. Ele não apenas testemunha a redenção, mas a aplica eficazmente ao coração humano. Jesus afirma em João 16.8 que o Espírito “convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo”. O verbo grego elenchō indica convencimento profundo, interno, transformador. Sem essa atuação, a obra objetiva da cruz permaneceria externa ao pecador. É o Espírito quem vivifica, ilumina e sela a obra do Filho na experiência do crente. Essa dinâmica revela a beleza da economia da salvação. O Pai planeja, o Filho executa, o Espírito aplica. Não há competição entre as Pessoas divinas, mas perfeita cooperação. Como observam Arrington e Macchia, essa unidade trinitária fundamenta tanto a segurança da salvação quanto a vida espiritual contínua do crente. Nossa fé se fortalece quando compreendemos que fomos alcançados por uma obra completa, eficaz e graciosa do Deus Triúno.

Essa verdade nos livra de duas armadilhas. A autossuficiência espiritual e a insegurança constante. Não fomos salvos por esforço humano, nem somos mantidos pela força da nossa perseverança isolada. Somos guardados pelo Deus que age do começo ao fim. Essa compreensão gera humildade, descanso espiritual e profunda gratidão. A vida cristã deixa de ser uma tentativa ansiosa de agradar a Deus e passa a ser resposta amorosa ao Deus que já nos amou primeiro.

Diante disso, somos convidados não apenas a compreender, mas a adorar. Conhecer o Deus Triúno que salva transforma nossa devoção diária, nosso ensino na EBD e nossa prática cristã. Adoramos porque fomos alcançados. Servimos porque fomos redimidos. Vivemos em santidade porque o Espírito habita em nós. Essa verdade não apenas informa a mente, mas reorienta o coração e molda uma vida inteira para a glória de Deus.

Temos, então, três Aplicações Práticas para esta preciosa lição:

1. Viver a fé com descanso e segurança espiritual: Compreender que a salvação nasce no Pai, é consumada no Filho e aplicada pelo Espírito nos chama a abandonar a ansiedade espiritual. Muitos cristãos vivem tentando “se manter salvos” por esforço próprio, quando a Escritura nos mostra que somos guardados por uma obra trinitária completa e eficaz. Essa verdade nos convida a descansar na graça, cultivando uma vida de confiança, oração e perseverança que flui da segurança em Deus, e não do medo de falhar.

2. Ensinar e servir com consciência trinitária: Na Escola Bíblica Dominical, essa compreensão transforma a maneira como ensinamos e servimos. O professor não transmite apenas conteúdos, mas testemunha a ação viva do Deus Triúno. O Pai chama, o Filho é anunciado e o Espírito convence e transforma. Isso nos livra do ativismo estéril e nos leva a depender do Espírito Santo tanto no preparo quanto na ministração, reconhecendo que só Ele aplica a verdade ao coração dos alunos.

3. Responder à salvação com adoração e santidade diária: Se fomos alcançados por uma obra tão profunda, nossa resposta não pode ser superficial. A consciência da atuação trinitária na salvação nos chama a uma vida de adoração sincera, gratidão constante e santidade prática. No lar, no trabalho e na igreja, passamos a viver não para conquistar o favor de Deus, mas para honrá-lo. A obediência deixa de ser peso e se torna resposta amorosa ao Deus que nos salvou por inteiro.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. MACCHIA, Frank D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids: Zondervan, 2006.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. O que significa afirmar que a iniciativa da salvação é um ato da soberania de Deus?

Significa que a salvação começa com a iniciativa amorosa e soberana de Deus, e não do ser humano.

2. Do ponto de vista histórico, que fatos corroboram que era chegado o momento exato para a execução do plano redentor de Deus para a humanidade?

A dominação romana, a língua grega comum e a expectativa messiânica entre os judeus criaram o cenário ideal para a vinda de Cristo.

3. O que significa a declaração “nascido sob a lei”?

Que Jesus veio como homem, cumprindo plenamente a Lei de Deus, sem transgredi-la.

4. Qual vontade do Pai é realizada pelo Filho?

Que todos aqueles que o Pai deu ao Filho recebam a vida eterna e não se percam.

5. Por que a mediação entre o ser humano e Deus é um ato de exclusividade do Filho?

Porque somente Cristo revela plenamente o Pai e oferece o sacrifício perfeito que satisfaz a justiça divina.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O PAI ENVIOU O FILHO

Nesta oportunidade, estudaremos o envio do Filho de Deus a este mundo. Por intermédio de Seu Filho Unigênito, o Pai revela Seu amor e a perfeita unidade da Trindade na redenção e na adoção dos crentes. Na dinâmica da salvação, cada Pessoa da Trindade exerce papel fundamental. Compreender o papel do Pai é importante para que conheçamos quem Ele é e Seu eterno propósito.

Enquanto esteve neste mundo, nosso Senhor cuidou de apresentar aos discípulos o grande amor do Pai. Quando Filipe, um dos discípulos, pediu que o Mestre lhes mostrasse o Pai, a resposta foi bem clara: “Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (Jo 14.9). Observe que a compreensão dos discípulos a respeito da Pessoa do Pai ainda estava limitada. Não obstante, Jesus é a revelação mais nítida do caráter e do amor do Pai. NEle habita corporalmente a plenitude da divindade (Cl 2.9). As três Pessoas da Trindade não operam de forma desigual. A Declaração de Fé das Assembleias de Deus, editada pela CPAD, ressalta o papel das três Pessoas na redenção da humanidade: “Há uma absoluta igualdade dentro da Trindade, e nenhuma das três Pessoas está sujeita, por natureza, à outra, como se houvesse uma hierarquia divina. Existe, sim, uma distinção de serviço. O Pai possui a mesma essência divina das demais pessoas da Trindade. O Filho é gerado do Pai, e o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. A paternidade é o papel da primeira Pessoa da Trindade que opera por meio do Filho e do Espírito Santo. O Pai proclamou as palavras criadoras, e o Filho executou-as. O Pai planejou a redenção, e o Filho, ao ser enviado ao mundo, realizou-a. Quando o Filho retornou ao céu, o Espírito Santo foi enviado pelo Pai e pelo Filho para ser o Consolador e o Ensinador. A subordinação do Filho não compromete a sua deidade absoluta e, da mesma forma, a subordinação do Espírito Santo ao ministério do Filho e ao Pai não é sinônimo de inferioridade” (2025, pp.39,40).

Ao compreender o papel de cada Pessoa da Trindade, fica evidente que conhecer o Senhor Jesus é a forma mais lúcida e direta de experimentar a intimidade e comunhão profunda com Deus Pai. A fé no Filho de Deus Unigênito oportuniza ao crente a experiência espiritual de se tornar filho de Deus por adoção (Rm 8.14,15). Trata-se de uma adoção aplicada pelo Espírito Santo e que endossa o propósito do Pai na criação, isto é, que Ele não nos fez para sermos apenas mais uma de suas criaturas, e, sim, para que desfrutássemos do privilégio de habitar em Sua presença e nos tornássemos herdeiros das riquezas de Sua graça (Rm 8.16,17).

[Francisco Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); • Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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