LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
ADULTOS
1º Trimestre de 2026
Título: A Santíssima
Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas Baptista
Lição 5: O Deus Filho
Data: 1 de fevereiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“Este é o meu Filho amado, em quem
me comprazo; escutai-o.” (Mt 17.5b).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 Este é o meu Filho amado οὗτός
ἐστιν ὁ υἱός μου ὁ ἀγαπητός - Houtós estin ho huiòs mou ho agapētós. οὗτός
(houtós) este; Pronome demonstrativo enfático. Aponta diretamente para
Jesus. O Pai não fala de forma genérica, mas identifica publicamente o Filho. A
construção tem força declarativa e revelacional. ἐστιν (estin) é. Verbo
no presente do indicativo de eimí (ser, existir). Indica realidade ontológica
contínua, não temporária. Jesus é, por natureza, o Filho. ὁ υἱός μου (ho huiòs
mou)
o meu Filho. O artigo definido (ho) indica exclusividade. Não é “um
filho”, mas o Filho, em sentido único, eterno e relacional. Aqui está implícita
a filiação eterna, não meramente adotiva ou funcional. ὁ ἀγαπητός (ho agapētós)
o
amado. Deriva de agapáō (amar com amor eletivo, sacrificial). O termo
indica amor eterno, profundo e eletivo, ecoando: Salmo 2.7 (filiação
messiânica) Isaías 42.1 (o Servo em quem Deus se compraz). O Pai declara a
identidade divina e messiânica de Jesus. Ele não se torna Filho naquele
momento; Ele é o Filho amado desde toda a eternidade (Jo 1.18). Em
quem me comprazo ἐν ᾧ εὐδόκησα en hō eudókēsa; ἐν ᾧ (en hō) em quem.
Expressa relação íntima e permanente. O prazer do Pai reside no Filho. εὐδόκησα
(eudókēsa) me comprazo. Aoristo indicativo ativo de eudokéō “ter prazer
profundo, aprovar plenamente, deleitar-se”. Não indica um prazer momentâneo,
mas uma declaração solene e absoluta de aprovação divina. O Pai se deleita
plenamente no Filho porque: Ele é perfeitamente obediente (Jo 8.29). Ele cumpre
integralmente a vontade divina (Fp 2.8). Ele é o Servo fiel que trará redenção
(Is 53). O prazer do Pai não está em obras humanas, mas exclusivamente no
Filho. Escutai-o. ἀκούετε (akoúete) escutai / ouvi continuamente. Verbo
no imperativo presente ativo de akoúō. Indica: Ação contínua; Obediência
perseverante; Atenção submissa. Não é apenas “ouvir sons”, mas ouvir com
disposição para obedecer. a ele. αὐτοῦ (autoû) Pronome
pessoal enfático. O foco exclusivo da revelação agora é Cristo. Aqui há uma
clara alusão a Deuteronômio 18.15: “A ele ouvireis.” O Pai declara que Jesus é
o Profeta definitivo, superior à Lei (Moisés) e aos Profetas (Elias). A
revelação agora é cristocêntrica (Hb 1.1–2). Esta declaração do Pai reúne, em
uma única frase: Cristologia elevada → Jesus é o Filho eterno. Trindade
revelada → Pai fala, Filho é exaltado, nuvem indica a presença do Espírito. Autoridade
suprema de Cristo → Ele deve ser ouvido acima de toda outra voz. Transição da
Antiga para a Nova Aliança → Lei e Profetas se submetem ao Filho. Em termos
exegéticos, Mateus 17.5b afirma que: Jesus é ontologicamente Filho,
relacionalmente amado, plenamente aprovado pelo Pai e absolutamente
autoritativo como revelação final de Deus.
VERDADE PRÁTICA
Jesus Cristo, o Deus Filho, é a revelação plena do Pai, centro da
revelação divina e único mediador entre Deus e os homens.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 Jesus Cristo, o Filho eterno e consubstancial ao Pai, é a
auto-revelação perfeita de Deus, o cumprimento da Lei e dos Profetas, o centro
absoluto de toda a Escritura e o único Mediador que, por sua encarnação,
obediência e obra redentora, reconcilia definitivamente Deus e os homens.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Lucas 1.31,32,34,35; Mateus 17.1-8.
Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses
teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.
Lucas 1
31 E eis que em teu ventre conceberás, e darás
à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
👉 As Bíblias de Estudo Pentecostal (CPAD), MacArthur (SBB),
Plenitude (SBB) e Aplicação Pessoal (CPAD), concordam que este versículo
inaugura a cristologia lucana. O anúncio do anjo Gabriel revela que a
encarnação é um ato soberano da iniciativa divina, não uma construção humana. O
nome Jesus (Iēsous), equivalente ao hebraico Yehoshua (“YHWH salva”), já
comunica sua missão redentora (Mt 1.21). BEP: destaca que a salvação é obra
trinitária desde a concepção. MacArthur: ressalta que o nome define a missão
antes mesmo do nascimento. Plenitude: vê aqui o cumprimento das promessas
messiânicas do AT. Aplicação Pessoal: enfatiza que Deus age antes que o ser
humano compreenda plenamente seus planos. Cristo nasce com identidade e missão
definidas por Deus.
32 Este será grande e será chamado Filho do
Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai.
👉 O texto afirma simultaneamente a divindade e a realeza
messiânica de Jesus. “Será grande” não descreve grandeza moral apenas, mas
posição única diante de Deus. O título Filho do Altíssimo indica filiação
singular, não adotiva. MacArthur: enfatiza que esta filiação é ontológica, não
funcional. Pentecostal: associa o trono de Davi à esperança escatológica
messiânica. Plenitude: aponta o cumprimento da Aliança Davídica (2Sm 7). Aplicação
Pessoal: destaca que Deus cumpre promessas antigas em tempos inesperados. Jesus
é simultaneamente o Filho eterno e o Rei prometido.
34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isso,
visto que não conheço varão?
👉 Maria não expressa incredulidade, mas busca compreensão.
Diferente de Zacarias (Lc 1.18), sua pergunta nasce da fé obediente. As Bíblias
destacam a integridade moral de Maria e a singularidade do milagre. Pentecostal:
vê aqui uma fé que dialoga com Deus. MacArthur: distingue dúvida de ignorância
legítima. Aplicação Pessoal: mostra que questionar não é o mesmo que duvidar. A
fé verdadeira pode perguntar sem resistir.
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá
sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua
sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de
Deus.
👉 Este é um dos textos mais trinitários do Novo Testamento. O
Espírito Santo atua, o poder do Pai envolve, e o Filho é gerado. A expressão
“cobrirá com a sua sombra” remete à Shekinah (Êx 40.35). Pentecostal: destaca a
ação soberana do Espírito na encarnação. MacArthur: afirma que a santidade de
Cristo é preservada desde a concepção. Plenitude: vê aqui paralelos com a
criação (Gn 1.2). Aplicação Pessoal: enfatiza que Deus age de forma
sobrenatural sem violar sua santidade. Jesus é plenamente humano, plenamente
divino e absolutamente santo.
Mateus 17
1 Seis dias depois, tomou Jesus consigo a
Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto
monte.
👉 Jesus escolhe testemunhas íntimas. As Bíblias observam que esses
três também testemunharão o Getsêmani, mostrando que glória e sofrimento
caminham juntos. Revelações profundas exigem maturidade espiritual.
2 E transfigurou-se diante deles; e o seu
rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.
👉 O verbo metamorphóō indica revelação da glória interior, não
mudança essencial. Cristo revela o que sempre foi. MacArthur: glória não
adquirida, mas revelada. Pentecostal: antecipação escatológica do Reino. A glória de Cristo precede
a cruz.
3 E eis que lhes apareceram Moisés e Elias,
falando com ele.
👉 Representam Lei e Profetas. Todas as Bíblias concordam que não
há necromancia, mas revelação divina. Toda a Escritura converge para Cristo.
4 E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus:
Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para
ti, um para Moisés e um para Elias.
👉 Pedro tenta igualar Jesus aos demais. As Bíblias observam que
boas intenções podem revelar compreensão teológica incompleta. Cristo não pode
ser colocado no mesmo nível de ninguém.
5 E, estando ele ainda a falar, eis que uma
nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho
amado, em quem me comprazo; escutai-o.
👉 Clímax da revelação. O Pai corrige Pedro e estabelece a
supremacia absoluta do Filho. A autoridade final pertence somente a Cristo.
6 E os discípulos, ouvindo isso, caíram sobre
seu rosto e tiveram grande medo.
👉 A resposta correta à revelação da glória divina é temor
reverente. A
glória de Deus humilha o homem.
7 E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes e disse:
Levantai-vos e não tenhais medo.
👉 O Cristo glorioso é também o Cristo compassivo. A majestade de Cristo não
elimina sua ternura.
8 E, erguendo eles os olhos, ninguém viram,
senão a Jesus.
👉 A revelação termina com exclusividade cristológica. Lei e
Profetas se retiram; Cristo permanece.
SÍNTESE FINAL
Esses textos revelam que:
👉
Cristo é gerado pelo Espírito,
👉
aprovado pelo Pai,
👉
glorificado diante dos homens,
👉
e exaltado como único mediador e revelação final de Deus.
INTRODUÇÃO
Ratificamos que a Trindade nos revela um só Deus em três Pessoas: Pai,
Filho e Espírito Santo. O episódio da transfiguração (Mt 17.1-8) é um dos
momentos marcantes da revelação da glória do Deus Filho. Nele, Jesus — a
Segunda Pessoa da Trindade — é exaltado diante de testemunhas oculares, com a
aprovação explícita do Pai. Ele não é um personagem entre outros, mas o Deus
encarnado. Esta lição nos conduz a contemplar a divindade, a centralidade e a
missão redentora do Deus Filho.
👉 A fé cristã é, essencialmente, cristocêntrica. No coração da
revelação bíblica não está um sistema religioso, um código moral ou uma
experiência espiritual isolada, mas uma Pessoa: Jesus Cristo, o Filho eterno de
Deus. A doutrina da Trindade afirma que há um só Deus em essência, subsistindo
eternamente em três Pessoas distintas e coiguais: Pai, Filho e Espírito Santo.
Essa verdade, longe de ser uma construção tardia da teologia cristã, emerge
progressivamente ao longo das Escrituras e encontra em Cristo sua mais plena e
definitiva revelação. O episódio da transfiguração (Mt 17.1–8) constitui um dos
momentos mais elevados dessa revelação. Nele, o véu da humanidade de Cristo é,
por um instante, afastado, permitindo que sua glória divina, normalmente
ocultada na encarnação, seja manifestada diante de testemunhas escolhidas. Não
se trata apenas de um evento extraordinário, mas de uma revelação teológica
profunda: o Filho encarnado é o mesmo Filho eterno, consubstancial ao Pai,
digno de honra, glória e obediência absolutas. A transfiguração confirma que
Jesus não é apenas o Messias esperado por Israel, mas o próprio Deus que entrou
na história para redimir o seu povo. Nesse cenário, a voz do Pai, procedente da
nuvem da glória, não apenas autentica a identidade do Filho, mas estabelece sua
supremacia definitiva: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo;
escutai-o”. A revelação culmina em uma ordem clara e inegociável: Cristo deve
ser ouvido acima de toda outra autoridade. A Lei e os Profetas, representados
por Moisés e Elias, apontam para Ele e se submetem a Ele. Assim, a
transfiguração se torna uma chave hermenêutica para toda a Escritura, afirmando
que Jesus é o centro da revelação divina, o intérprete final da vontade de Deus
e o único mediador entre o céu e a terra. Esta lição, portanto, nos conduz a
contemplar com reverência e fé a pessoa do Deus Filho, sua divindade plena, sua
centralidade absoluta e sua missão redentora irrevogável. Ao estudarmos Cristo,
não estamos lidando apenas com conceitos doutrinários, mas com a revelação viva
do próprio Deus. Conhecer o Filho é conhecer o Pai; ouvir o Filho é submeter-se
à voz de Deus; crer no Filho é participar da vida eterna.
Palavra-Chave: CRISTO
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 O termo Cristo deriva do grego Christós (χριστός), que significa
literalmente “Ungido”. Essa palavra
é a tradução grega do hebraico Mashíah (מָשִׁיחַ), de onde vem o termo Messias.
No Antigo Testamento, a unção com óleo simbolizava a separação divina e a
capacitação concedida por Deus a reis, sacerdotes e profetas para o cumprimento
de sua missão (Êx 29.7; 1Sm 16.13). Aplicado a Jesus, o título Cristo declara
que Ele é o Ungido definitivo de Deus, aquele em quem todas as unções anteriores
encontram seu pleno cumprimento. Jesus é, ao mesmo tempo, o Profeta prometido,
o Sacerdote eterno e o Rei soberano (Dt 18.15; Hb 7.24–26; Ap 19.16). Sua unção
não se deu com óleo material, mas com o Espírito Santo, em plenitude e poder
(Lc 4.18; At 10.38). Assim, confessar que Jesus é o Cristo não é apenas
reconhecer um título, mas afirmar sua identidade messiânica e divina, bem como
sua missão redentora. Crer em Cristo é crer naquele que foi enviado pelo Pai,
ungido pelo Espírito, para salvar definitivamente o seu povo (Jo 20.31).
I. A
DIVINDADE DO FILHO
1. A Concepção Virginal de Jesus. A concepção do Senhor Jesus foi um
ato miraculoso. Sobre isso, o anjo Gabriel explicou à virgem: “Descerá sobre ti
o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra” (Lc
1.35a). O texto afirma que Jesus seria concebido pela ação do Espírito Santo e
pela sombra do poder de Deus. A expressão “sombra” (gr. episkiázō) refere-se à
presença divina (Êx 40.35). Assim, o Espírito Santo está vinculado à sombra da
“virtude” (gr. dýnamis), ou seja, ao poder de Deus. Isso indica que a presença
poderosa de Deus repousou sobre Maria, de modo que o menino concebido pelo
Espírito Santo seria chamado de Filho de Deus (Lc 1.35b). Dessa maneira,
observa-se, nesse evento, a manifestação da Trindade: o Pai, o Filho de Deus e
o Espírito Santo.
👉 A concepção virginal de Jesus não é um detalhe periférico da fé
cristã, mas um pilar essencial da cristologia bíblica. Lucas apresenta esse
evento como uma iniciativa soberana de Deus, que irrompe na história sem
depender de ação humana. A encarnação do Filho não nasce da vontade do homem,
mas do propósito eterno do Pai, revelando que a salvação é, desde o início,
obra exclusiva da graça divina. Quando o anjo Gabriel declara a Maria: “O
Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a envolverá com a sua
sombra” (Lc 1.35, NVI), ele descreve uma ação profundamente teológica e
trinitária. O verbo grego eperchomai “vir sobre” indica uma intervenção direta
e eficaz de Deus, não simbólica, mas real. O nascimento de Jesus não é
resultado de geração natural, mas de um ato criador semelhante àquele que
marcou o princípio do mundo. A expressão “envolverá com a sua sombra” traduz o
verbo grego episkiázō, que carrega forte peso veterotestamentário. Esse termo é
usado na Septuaginta para descrever a manifestação visível da presença gloriosa
de Deus, a Shekinah, que cobriu o tabernáculo no deserto (Êx 40.35). Lucas, portanto,
associa o ventre de Maria ao lugar santo onde Deus decide habitar. O mesmo Deus
que enchia o santuário agora se faz presente para gerar o Salvador. O texto
também menciona “o poder do Altíssimo”, expressão ligada ao substantivo grego
dýnamis, que aponta para a força ativa e eficaz de Deus. Não se trata apenas de
autoridade, mas de poder criador. Aqui, o Espírito Santo age como agente da
nova criação, ecoando Gênesis 1.2, onde o Espírito pairava sobre as águas. A
encarnação inaugura uma nova etapa da história redentora, em que Deus começa a
restaurar a humanidade a partir do interior da própria condição humana. É
importante notar que a concepção virginal preserva tanto a plena humanidade
quanto a plena divindade de Cristo. Jesus nasce de mulher, participa da nossa
natureza, mas não herda a corrupção do pecado adâmico. Como afirmam os
comentaristas pentecostais, Ele é verdadeiramente homem, mas sem pecado;
verdadeiramente Deus, sem diminuição de sua glória. Por isso, Lucas afirma que
o menino será chamado “santo” e “Filho de Deus” (Lc 1.35).
Do ponto de vista trinitário, este
texto é uma das declarações mais claras do Novo Testamento. O Pai é
identificado como o Altíssimo, o Espírito Santo atua diretamente na concepção,
e o Filho é gerado de forma santa e única. Não há hierarquia de valor, mas
distinção de pessoas e unidade de essência. A encarnação não fragmenta a
Trindade, mas a revela em ação redentora. A concepção virginal nos confronta
com uma verdade essencial. Deus age além das possibilidades humanas. Maria não
oferece capacidade, apenas disponibilidade. Onde a razão humana encontra
limites, o poder de Deus inicia sua obra. Isso ensina à igreja que a fé cristã
não se sustenta na explicação natural dos fatos, mas na confiança no Deus que
cria, sustenta e salva.
Por fim, confessar a concepção
virginal é confessar que Jesus não é apenas um grande mestre ou profeta, mas o
Filho eterno que entrou na história sem deixar de ser quem sempre foi. Negar
esse milagre é comprometer toda a doutrina da salvação. Crer nele é reconhecer
que Deus visitou o seu povo, assumiu nossa carne e iniciou, desde o ventre, a
obra que culminaria na cruz e na ressurreição. Essa verdade nos chama à
reverência, à fé obediente e à adoração sincera. O Cristo que nasceu por obra
do Espírito é o mesmo que hoje forma Cristo em nós pelo mesmo Espírito. Aqui
não há apenas doutrina a ser aprendida, mas vida a ser transformada.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
6. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: SBB, 2010.
7. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: SBB, 2008.
8. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. A deidade absoluta do Filho. O Senhor Jesus Cristo é, desde a
eternidade, o único Filho de Deus e possui a mesma essência e substância (gr.
homooúsios) do Pai (Jo 10.30; 14.9). Antes de nascer em Belém, o Filho já
existia eternamente com o Pai: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com
Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). Ele é a Segunda Pessoa da Trindade e foi
enviado pelo Pai ao mundo (1Jo 4.9). Ele se fez carne, sem deixar de ser Deus,
possuindo duas naturezas, a divina e a humana, unidas numa única pessoa (Jo
1.14; Fp 2.6-11). Essa união das duas naturezas é sem confusão, sem mudança,
sem divisão e sem separação (Concílio de Calcedônia, 451 d.C.). Ele é
verdadeiro Deus e verdadeiro homem (Rm 1.3,4; 9.5). Sendo Deus e homem, Jesus é
o único mediador entre Deus e a humanidade (1Tm 2.5).
👉 A fé cristã sempre confessou que Jesus Cristo não é apenas
semelhante a Deus, nem um intermediário elevado entre o divino e o humano.
Desde os primeiros testemunhos apostólicos, a igreja reconheceu que Jesus é
plenamente Deus. Essa convicção não surgiu de debates filosóficos tardios, mas
da leitura cuidadosa das Escrituras e da experiência viva com o Cristo
ressurreto. Os discípulos não adoraram Jesus por devoção exagerada, mas porque
reconheceram nele a própria presença de Deus agindo e falando entre os homens. Quando
Jesus afirma: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30, NVI), Ele não fala de unidade
moral ou de propósito apenas, mas de unidade de essência. O verbo está no
singular, e o termo “um” aponta para comunhão ontológica. Por isso, em João 14.9,
Jesus declara que quem o vê, vê o Pai. Não se trata de confusão entre as
Pessoas da Trindade, mas de revelação perfeita. O Filho torna visível aquilo
que, no Pai, é invisível. A igreja primitiva expressou essa verdade com o termo
grego homooúsios, que significa “da mesma substância” ou “da mesma essência”.
Essa palavra foi usada para afirmar que o Filho não é criado, nem inferior, mas
eterno como o Pai. Ele compartilha plenamente da natureza divina. Assim, a
divindade de Jesus não é derivada, concedida ou adquirida, mas essencial e
eterna. O Evangelho de João aprofunda essa realidade ao declarar: “No princípio
era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1, NVI). A
expressão “no princípio” remete à eternidade, antes da criação. O termo Lógos
não descreve apenas fala ou mensagem, mas a autoexpressão racional e pessoal de
Deus. O Filho sempre existiu em comunhão com o Pai e, ao mesmo tempo, é
identificado claramente como Deus.
Essa existência eterna do Filho não
começa na encarnação. Belém não é o início de Cristo, mas o ponto em que Ele
assume a carne. O Novo Testamento afirma que o Filho foi enviado pelo Pai ao
mundo (1Jo 4.9), o que pressupõe sua preexistência. Ele vem de fora da história
para dentro dela, sem jamais deixar de ser quem sempre foi. A encarnação não
reduz sua divindade, mas a revela de forma acessível. A fé cristã também
reconhece que essa verdade já estava anunciada no Antigo Testamento. O Filho
eterno se manifesta de maneira progressiva na história da revelação. O Anjo do
Senhor, que fala como Deus e recebe adoração, as teofanias em que Deus se torna
visível, a Sabedoria personificada em Provérbios 8 e as profecias messiânicas
que atribuem títulos divinos ao Messias apontam para a atuação pré-encarnada do
Filho. Isaías o chama de “Deus Forte” e “Pai da Eternidade” (Is 9.6), revelando
que o Messias prometido não seria apenas humano. Na plenitude dos tempos, esse
Filho eterno “se fez carne” (Jo 1.14, NVI). Aqui, a Escritura afirma uma das
verdades mais profundas da fé cristã. Jesus possui duas naturezas completas, a
divina e a humana, unidas em uma só pessoa. Ele não deixou de ser Deus ao
assumir a humanidade, nem sua humanidade foi anulada por sua divindade. Essa
união é perfeita, sem confusão ou separação, conforme a fé histórica da igreja.
Essa verdade não é apenas doutrinária,
mas profundamente pastoral. Porque Jesus é verdadeiro Deus, sua obra tem valor
eterno e suficiente. Porque Ele é verdadeiro homem, pode nos representar diante
do Pai. Somente assim Ele se torna o único mediador entre Deus e os homens (1Tm
2.5). Não há outro caminho, outra ponte ou outro nome que possa cumprir essa
função redentora. Crer na divindade de Jesus é mais do que aceitar um dogma. É
reconhecer sua autoridade sobre a vida, sua palavra como definitiva e sua obra
como suficiente. Quem diminui Cristo, inevitavelmente enfraquece o evangelho.
Quem o confessa como Deus encarnado encontra segurança, esperança e vida. Essa
verdade nos chama a uma fé reverente e obediente. O Cristo eterno, que existia
antes de todas as coisas, é o mesmo que caminha conosco hoje. Conhecê-lo não é
apenas compreender uma doutrina elevada, mas render-se ao Senhor que é Deus
conosco, ontem, hoje e eternamente.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. CHAMPLIN,
Russell Norman. Comentário Bíblico do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2013.
6. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.
7. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: SBB, 2010.
8. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: SBB, 2008.
9. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
3. Os atributos divinos de Jesus. Como Segunda Pessoa da Trindade,
Jesus possui todos os atributos essenciais da divindade. Entre eles, citamos:
Eternidade — Jesus não teve começo, pois é eterno como o Pai (Is 9.6);
Imutabilidade — Cristo, sendo Deus, não muda em seu ser ou caráter (Hb 1.12);
Onipresença — Jesus declarou sua presença universal (Mt 18.20); Onisciência —
Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17);
Onipotência — nada é impossível para Ele (Ap 1.8). Em suma, Jesus Cristo
manifesta em si mesmo todos os atributos que pertencem exclusivamente a Deus.
Isso demonstra de forma incontestável sua plena divindade. Crer em Jesus como
Deus é vital para a fé cristã. Negar qualquer um desses atributos é negar a
essência do Evangelho (Jo 20.31).
👉 A fé cristã não se sustenta apenas na afirmação de que Jesus é
chamado de Deus, mas na convicção bíblica de que Ele possui, em sua própria
essência, tudo aquilo que define quem Deus é. Quando a Escritura revela os
atributos de Cristo, ela não apresenta um ser exaltado ou delegado, mas o
próprio Deus que se deu a conhecer de forma pessoal, histórica e redentora. A
cristologia bíblica é, desde o início, uma confissão de divindade plena. A
eternidade de Jesus afirma que Ele não teve começo nem origem criada. Isaías o
chama de “Pai da Eternidade” (Is 9.6, NVI), expressão que ultrapassa qualquer
leitura meramente funcional. O Filho não surge no tempo, mas entra no tempo. O
Novo Testamento confirma essa verdade ao apresentá-lo como aquele que existe
antes de todas as coisas e por meio de quem todas elas foram feitas.
A
eternidade de Cristo garante que a salvação não é um improviso histórico,
mas um propósito eterno de Deus. Essa eternidade se expressa na imutabilidade
do Filho. Hebreus declara que, enquanto a criação envelhece, Ele permanece o
mesmo (Hb 1.12). A ideia bíblica é que o ser e o caráter de Cristo não sofrem
variação. O verbo implícito aponta para constância absoluta. Jesus não se torna
melhor nem pior com o tempo. Sua fidelidade não depende das circunstâncias, e
sua graça não se desgasta com a fraqueza humana.
A
onipresença de Jesus confirma sua identidade divina de modo pastoral e
prático. Ao afirmar: “Onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou
no meio deles” (Mt 18.20, NVI), Cristo reivindica uma presença que não pode ser
limitada por espaço físico. Não se trata apenas de memória simbólica ou
influência espiritual. Trata-se de presença real. Somente Deus pode estar
plenamente com todos, em todos os lugares, ao mesmo tempo.
A
onisciência de Cristo revela seu conhecimento absoluto e pessoal. Em João
21.17, Pedro confessa: “Senhor, tu sabes todas as coisas” (NVI). O termo grego
oídas indica conhecimento pleno, imediato e intuitivo. Jesus não aprende, não
deduz, não investiga. Ele conhece. Conhece os fatos, os corações e as intenções
mais profundas. Isso traz consolo ao crente sincero e confronto ao coração que
tenta se esconder.
A
onipotência de Jesus manifesta sua soberania suprema. Em Apocalipse 1.8,
Ele se apresenta como o Todo-Poderoso, expressão que afirma autoridade
ilimitada e domínio absoluto. Nada foge ao seu controle. A criação obedece à
sua palavra, os poderes espirituais se submetem à sua autoridade e a morte é
vencida por sua ação soberana. Seu poder não é concedido. É inerente à sua
natureza divina.
Esses atributos não existem de forma
fragmentada, mas em perfeita harmonia. Jesus não é eterno sem ser presente, nem
poderoso sem ser sábio. Nele, os atributos divinos coexistem sem tensão ou
contradição. Isso demonstra que sua divindade não é funcional, representativa
ou simbólica, mas essencial. Ele é Deus em sua plenitude, revelado em carne
para a redenção da humanidade. Negar qualquer um desses atributos é comprometer
o próprio coração do evangelho. Se Jesus não é eterno, não pode conceder vida
eterna. Se não é onisciente, não pode nos conhecer plenamente. Se não é
onipotente, não pode salvar de forma completa. A fé cristã depende de um Cristo
que seja plenamente Deus e plenamente digno de confiança. Por isso, o evangelho
de João afirma que essas verdades foram registradas “para que vocês creiam que
Jesus é o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 20.31). Crer corretamente em quem Jesus
é não é um detalhe secundário da doutrina, mas o fundamento da fé salvadora.
Reconhecer os atributos divinos de Cristo conduz à adoração reverente, à
obediência confiante e a uma vida cristã sustentada pela certeza de que o Jesus
que caminha conosco é o mesmo que sustenta todas as coisas. A divindade de
Jesus não começa após o nascimento, nem se desenvolve ao longo de sua vida
terrena. Ela é anterior à encarnação e permanece intacta durante toda a
gestação no ventre de Maria. O Novo Testamento é claro ao afirmar que aquele
que foi concebido no seio da virgem é o próprio Filho eterno de Deus que assume
a natureza humana sem deixar de ser quem sempre foi. Desde o ventre, não temos
um homem que mais tarde se torna divino, mas o Deus eterno que se faz
verdadeiramente homem.
Lucas afirma que o ente concebido em
Maria seria chamado “Filho de Deus” porque sua concepção foi obra direta do
Espírito Santo (Lc 1.35, NVI). O verbo grego klēthēsetai indica identidade, não
mera designação honorífica. O texto não diz que Ele se tornaria Filho de Deus
depois, mas que já o é no momento da concepção. O que ocorre no ventre de Maria
não é o início da existência do Filho, mas o início de sua existência humana.
Aquele que é eterno entra no tempo sem perder sua eternidade. É nesse ponto que
a antiga doutrina do Theotókos se torna essencial para uma cristologia bíblica
equilibrada. O termo grego Theotókos significa literalmente “aquela que gera Deus” ou “portadora de Deus”. Essa expressão foi
afirmada no Concílio de Éfeso, em 431 d.C., não para exaltar Maria, mas para
proteger a verdade sobre quem Jesus é. A igreja primitiva entendeu corretamente
que negar esse título era comprometer a unidade da pessoa de Cristo. Chamar
Maria de Theotókos não significa dizer que ela é a origem da divindade do
Filho, nem atribuir-lhe qualquer papel redentor. Significa afirmar que o ser
que ela concebeu, gestou e deu à luz é uma única pessoa, o Filho eterno de Deus
encarnado. Maria não gerou uma natureza divina isolada, nem apenas um corpo
humano separado. Ela deu à luz uma pessoa. E essa pessoa é Deus Filho. Aqui se
encontra um erro recorrente em muitos ambientes evangélicos: Ao tentar evitar
excessos mariológicos, alguns acabam cometendo um erro cristológico grave – de
fato, uma heresia. Afirma-se que Maria é mãe apenas da “parte humana” de Jesus,
como se fosse possível separar maternidade pessoal de natureza. Essa linguagem,
ainda que bem-intencionada, fragmenta Cristo. Não existem duas pessoas em
Jesus. Existe uma única pessoa com duas naturezas inseparáveis.
A fé cristã histórica sempre afirmou a
união hipostática. Duas naturezas distintas, divina e humana, unidas em uma
única pessoa, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação. Quando se
diz que Maria é mãe apenas da humanidade de Jesus, cria-se, ainda que de forma
implícita, uma divisão pessoal em Cristo. Isso se aproxima perigosamente do
nestorianismo, rejeitado pela igreja antiga justamente por dividir o Cristo em
dois sujeitos. Desde o ventre de Maria, portanto, o Filho eterno assume
plenamente a natureza humana. O corpo formado pelo Espírito Santo pertence ao
próprio Filho de Deus. O sangue que corre em suas veias é humano, mas pertence
à pessoa divina do Verbo. Por isso, Atos pode falar do “sangue de Deus” (At
20.28), não porque a divindade tenha sangue, mas porque o sujeito que derramou
seu sangue é Deus Filho encarnado.
Essa compreensão preserva tanto a
glória de Cristo quanto a integridade do evangelho. Se aquele que morreu na
cruz não é verdadeiramente Deus, o sacrifício perde seu valor infinito. Se
aquele que nasceu de Maria não é o próprio Filho eterno, a encarnação se torna
um mero revestimento temporário. A salvação exige que o mesmo que é Deus seja
também plenamente homem, desde a concepção até a glorificação. Reconhecer Maria
como Theotókos não nos aproxima de um culto mariano, mas de uma cristologia
bíblica saudável. Isso nos leva a adorar um Cristo indiviso, inteiro,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Desde o ventre até a cruz, da ressurreição
à exaltação, é o mesmo Senhor. E é esse Cristo completo, não fragmentado, que
salva plenamente aqueles que nele creem.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: SBB.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Barueri: SBB.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
APLICAÇÃO PESSOAL. Rio de Janeiro: CPAD.
6. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
7. FEE, Gordon D.
Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova.
SINOPSE I
A
concepção virginal e os atributos divinos de Jesus revelam que Ele é Deus desde
a eternidade e possui a mesma essência do Pai.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
A DIVINDADE DE JESUS
“Os escritores do Novo Testamento atribuem
divindade a Jesus em vários textos importantes. Em João 1.1, Jesus, como o
Verbo, existia como o próprio Deus. É difícil imaginar uma afirmação mais clara
do que esta acerca da divindade de Cristo. Baseada na linguagem de Gênesis 1.1,
eleva Jesus à ordem eterna de existência com o Pai.
Em João 8.58, temos outro testemunho poderoso
da divindade de Cristo. Jesus assevera, a respeito de si mesmo, sua existência
contínua com o do Pai. ‘EU SOU’ é a bem conhecida revelação que Deus fez de si
mesmo a Moisés na sarça ardente (Êx 3.14). Ao dizer: ‘Eu sou’, Jesus estava
colocando à disposição o conhecimento da sua divindade, para quem quisesse
crer. [...] Paulo nos informa aqui a existência de Jesus em um estado de
igualdade com Deus. Mesmo assim, Ele não ficou agarrado a esse estado, mas
abriu mão dele, tornando-se um servo e morrendo na cruz por nós. As informações
do Novo Testamento a respeito desse assunto levam-nos a reconhecer que Jesus
não deixou de ser Deus durante a encarnação.” (HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019,
p.326).
II. A
CENTRALIDADE DO DEUS FILHO
1. A glória sobrenatural de Jesus. Pedro, Tiago e João acompanharam
Jesus até um alto monte (Mt 17.1). Neste local, Jesus “transfigurou-se diante
deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram
brancas como a luz” (Mt 17.2). O verbo “transfigurar” é tradução do grego
metamorphóō do qual se originou o vocábulo “metamorfose” (transformação,
mudança). Na ocasião, Jesus revelou temporariamente a glória da sua natureza
divina, com aparência resplandecente. Um prólogo escatológico, um vislumbre do
Cristo pós-ressurreto e glorificado (Ap 1.6). Uma confirmação da união das duas
naturezas de Cristo: humana e divina, duas naturezas em uma só pessoa (Jo
1.14). Aqui, a divindade de Jesus foi revelada. Uma manifestação visível da
glória de Deus no Filho encarnado (Fp 2.6-9).
👉 A transfiguração não é um episódio periférico na vida de Jesus,
mas uma revelação decisiva de quem Ele é. Ao subir ao monte com Pedro, Tiago e
João (Mt 17.1, NVI), Cristo conduz as testemunhas-chave a um momento pedagógico
e revelatório. Ali, o que estava velado pela humildade da encarnação se
manifesta por instantes. O monte torna-se um espaço teológico onde a identidade
do Filho é confirmada, não por palavras humanas, mas pela glória divina que
irrompe diante dos discípulos. Mateus afirma que Jesus “transfigurou-se diante
deles” (Mt 17.2, NVI). O verbo grego metamorphóō descreve uma mudança de forma
que revela a realidade interior. Não se trata de uma transformação da natureza
de Cristo, como se Ele se tornasse algo que não era, mas da revelação visível
daquilo que sempre foi. A glória não lhe é acrescentada. Ela é desvelada. O
rosto que resplandece como o sol e as vestes que se tornam brancas como a luz
apontam para a glória intrínseca do Filho eterno. Esse momento antecipa a
realidade escatológica do Cristo glorificado. A transfiguração funciona como um
prólogo da ressurreição e da exaltação do Filho, oferecendo aos discípulos um
vislumbre do Jesus que João mais tarde contemplaria em Apocalipse 1. A glória
futura invade o presente, confirmando que o caminho da cruz não anula a glória,
mas conduz a ela. O sofrimento que virá não contradiz a divindade do Filho. Ele
a pressupõe. Ao mesmo tempo, a transfiguração preserva a unidade da pessoa de
Cristo. Aquele que resplandece em glória é o mesmo que subiu o monte com pés
humanos, cansados da caminhada. João 1.14 afirma que o Verbo se fez carne sem
deixar de ser Deus. No monte, essa verdade se torna visível. As duas naturezas
não se alternam nem se confundem. Elas coexistem perfeitamente em uma única
pessoa. O Filho não deixa de ser humano para manifestar sua glória, nem deixa
de ser Deus ao assumir a carne. Por fim, a transfiguração reafirma a
centralidade do Deus Filho na revelação e na fé cristã. Filipenses 2.6–9 mostra
que aquele que se humilhou é o mesmo que foi exaltado sobremaneira. A glória
revelada no monte chama a igreja à reverência, à escuta obediente e à adoração
centrada em Cristo. Contemplar a glória do Filho transforma nossa compreensão
do discipulado. Seguimos não apenas um mestre terreno, mas o Senhor glorioso
que, mesmo velado por amor, nunca deixou de ser Deus.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
3. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
2. O testemunho da Lei e dos Profetas. Estando no monte “eis que lhes
apareceram Moisés e Elias, falando com ele” (Mt 17.3). A aparição de Moisés e
Elias não foi um contato com os mortos (Mc 12.27; Lc 16.26), mas um ato divino
carregado de significado escatológico. Moisés representa a Lei. Ele é o
mediador da Antiga Aliança, o legislador do povo hebreu (Êx 24.7,8). Sua
presença indica que toda a Lei aponta para Cristo (Mt 5.17). Elias representa
os Profetas, considerado o símbolo da proclamação profética. Sua aparição
mostra que os profetas anunciavam a vinda do Messias (Is 9.6; Ml 4.5,6). Esses
dois personagens testemunham que Jesus é o tema central e o cumprimento
definitivo das Escrituras (Lc 24.27). A presença deles é uma prova visível da
superioridade de Jesus (Hb 1.1,2).
👉 A aparição de Moisés e Elias no monte da transfiguração não é um
detalhe narrativo, mas um poderoso sinal teológico. Mateus registra que ambos
“lhes apareceram, falando com Jesus” (Mt 17.3, NVI). O texto deixa claro que
não se trata de uma evocação dos mortos ou de qualquer prática proibida pelas
Escrituras. O próprio Jesus ensina que Deus “não é Deus de mortos, mas de
vivos” (Mc 12.27), e o abismo intransponível entre os vivos e os mortos exclui
qualquer possibilidade de comunicação autônoma (Lc 16.26). Estamos diante de
uma iniciativa soberana de Deus, carregada de significado redentivo e
escatológico. Moisés surge como representante da Lei. Ele é o mediador da
Antiga Aliança, aquele por meio de quem Deus entregou sua vontade escrita ao
povo (Êx 24.7–8). Sua presença no monte não aponta para a continuidade do
regime mosaico, mas para o seu cumprimento. O próprio Jesus afirmou que não
veio revogar a Lei, mas cumpri-la plenamente (Mt 5.17). Assim, Moisés não
rivaliza com Cristo. Ele o confirma. A Lei encontra seu sentido último não em
tábuas de pedra, mas na pessoa viva do Filho. Elias, por sua vez, representa os
Profetas. Sua figura está associada à fidelidade profética, ao zelo pela glória
de Deus e à esperança messiânica. Malaquias anuncia Elias como precursor do
“grande e terrível dia do Senhor” (Ml 4.5–6), expectativa que o Novo Testamento
reconhece como cumprida tipologicamente em João Batista. A presença de Elias no
monte reafirma que toda a tradição profética apontava para o Messias. As
promessas, advertências e anúncios convergem em Jesus. O ponto central do
episódio não é Moisés nem Elias, mas o Cristo com quem ambos conversam. Lucas
esclarece que eles falavam sobre a “partida” de Jesus, termo que remete ao
êxodo que Ele cumpriria em Jerusalém (Lc 9.31). A cruz não é um acidente
histórico, mas o centro do plano redentor anunciado pela Lei e pelos Profetas.
O testemunho conjunto dessas duas figuras declara que toda a Escritura encontra
sua unidade, coerência e consumação no Filho. Por fim, a cena proclama a
superioridade de Jesus. Hebreus afirma que Deus falou outrora pelos profetas,
mas agora falou definitivamente pelo Filho (Hb 1.1–2). Quando Moisés e Elias
desaparecem, resta apenas Jesus. Isso ensina à igreja que nenhuma revelação
anterior pode ocupar o lugar central que pertence somente a Cristo. Ouvir a Lei
e os Profetas corretamente é reconhecer que eles nos conduzem ao Filho. A
aplicação pastoral é clara. A fé cristã não se sustenta em tradições isoladas,
mas em uma leitura das Escrituras que culmina na pessoa e na obra de Jesus.
3. A aprovação divina do Pai. A transfiguração atinge seu clímax
com a voz audível do próprio Pai: “eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da
nuvem saiu uma voz” (Mt 17.5a). A voz vinda da nuvem — símbolo da presença de
Deus (Êx 13.21) — ecoa as palavras já proferidas no batismo de Jesus: “Este é o
meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; 17.5b). Essa repetição é
significativa: o Pai confirma que Jesus é o seu Filho eterno, não apenas em
missão redentora, mas em natureza divina. A expressão “em quem me comprazo”
(gr. eudokēsa) revela que o Filho é aquEle em quem o Pai se deleita (Is 42.1).
A voz do Pai é uma afirmação da centralidade de Cristo (Jo 14.6) e sustenta a
doutrina da Trindade, em que o Filho é Deus, gerado pelo Pai e consubstancial
com Ele (Jo 14.9,10).
👉 A transfiguração alcança seu ponto mais elevado quando o próprio
Pai intervém na cena. Mateus registra que “uma nuvem luminosa os envolveu, e
dela saiu uma voz” (Mt 17.5a, NVI). A nuvem não é um elemento decorativo, mas
um símbolo veterotestamentário da presença santa de Deus. No Êxodo, ela guiava
o povo e manifestava a glória divina no deserto (Êx 13.21; 40.34). Agora, essa
mesma glória envolve o Filho, indicando que a revelação definitiva de Deus não
está mais associada a um lugar ou a um sistema, mas a uma Pessoa. A voz que
ecoa da nuvem retoma as palavras pronunciadas no batismo de Jesus: “Este é o
meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; 17.5b, NVI). A repetição não é
acidental. No batismo, o Pai aprova o início do ministério público do Filho. Na
transfiguração, Ele confirma sua identidade antes do caminho da cruz. O Pai não
declara apenas afeição, mas identidade. Jesus não é Filho apenas por função ou
missão, mas por natureza eterna. Trata-se de filiação ontológica, não adotiva. A
expressão “em quem me comprazo” traduz o verbo grego eudokéō, que comunica
deleite profundo, aprovação plena e satisfação perfeita. O Pai se deleita no
Filho porque o Filho reflete perfeitamente seu caráter, sua vontade e sua
glória. Aqui, Mateus dialoga com Isaías 42.1, onde o Servo do Senhor é
apresentado como aquele em quem Deus se agrada. A transfiguração une o Filho
glorioso ao Servo sofredor, mostrando que a obediência de Jesus até a cruz não
diminui sua glória, mas expressa o prazer do Pai. Em seguida, a ordem divina
sela a centralidade absoluta do Filho: “Escutem-no” (Mt 17.5c, NVI). Essa
palavra desloca qualquer tentativa de colocar Moisés ou Elias no mesmo nível de
Cristo. A revelação agora é cristocêntrica. Ouvir o Filho é ouvir o próprio
Deus. João afirmará mais tarde que quem vê o Filho vê o Pai (Jo 14.9), e que
rejeitar a palavra de Jesus é rejeitar o próprio Deus que o enviou. A voz do
Pai, portanto, não apenas exalta o Filho, mas estabelece sua autoridade final
sobre toda a fé e prática. Pastoralmente, essa cena confronta a igreja com uma
pergunta essencial: a quem estamos realmente ouvindo? A aprovação do Pai nos
chama a uma obediência reverente e confiante. Seguir Jesus não é aderir a uma
tradição religiosa, mas submeter-se à voz do Filho amado, em quem Deus se
revela plenamente. Quando a igreja escuta o Filho, ela caminha sob a aprovação
do Pai e na luz da glória que transforma.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
SINOPSE II
Na
transfiguração, Cristo é confirmado pelo Pai como centro da revelação e
cumprimento da Lei e dos Profetas.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
A
TRANSFIGURAÇÃO
“A
transfiguração foi uma visão, um breve lampejo da verdadeira glória do Rei (16.27,28).
Foi uma revelação especial da divindade de Jesus a três de seus discípulos e a
confirmação por parte de Deus Pai de tudo aquilo que Jesus havia feito e estava
por fazer. Moisés e Elias foram os dois maiores profetas do AT. Moisés
representa a lei, a antiga aliança. Ele escreveu o Pentateuco e predisse a
vinda de um grande profeta (Dt 18.15-19). Elias representa os profetas que
vaticinaram a vinda do Messias (Ml 4.5,6). A presença de Moisés e Elias junto a
Jesus confirmam a missão messiânica de Jesus, que consistiu em cumprir a lei de
Deus e as palavras dos profetas. Assim como a voz de Deus, ecoando da nuvem
sobre o monte Sinai, conferiu autoridade à sua lei (Êx 19.9), na
transfiguração, validou a autoridade das palavras de Jesus. Pedro queria fazer
uma tenda para cada um desses três grandes homens, para mostrar como a Festa
dos Tabernáculos se cumpriria na vinda do Reino de Deus. Pedro tinha uma
concepção correta a respeito de Cristo, mas desejava agir no momento errado.”
(Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1253).
III. A
MISSÃO REDENTORA DO DEUS FILHO
1. O Filho como revelação suprema. A transfiguração é marcada, também,
por uma ordem direta do Pai acerca do Filho: “escutai-o” (Mt 17.5c). A
declaração reflete a profecia de Moisés: “O Senhor, teu Deus, te despertará um
profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15). A
Escritura deixa claro que esse Profeta prometido é o próprio Cristo (Jo 6.14;
At 3.20-23). A instrução — “escutai-o” — coloca o Filho em posição de
supremacia sobre as revelações anteriores (Lc 16.16; Jo 1.17,18). Não é Moisés
(a Lei) e nem Elias (os Profetas) que devem ser ouvidos, mas o Cristo (Hb
1.1,2). Esse evento sinaliza a transição entre a Antiga e a Nova Aliança,
centrada na pessoa do Filho (Cl 2.17; Hb 10.1). Logo, negar a Cristo, ignorá-lo
ou relativizar sua voz é rejeitar a autoridade de Deus (1Jo 5.12).
👉 A transfiguração não apenas revela a glória do Filho, mas define
de forma inequívoca a autoridade final da revelação divina. No auge da cena, o
Pai ordena: “Escutem-no” (Mt 17.5c, NVI). Essa palavra não é um simples convite
à atenção, mas um imperativo teológico. O verbo grego akoúō envolve mais do que
ouvir sons; implica escuta obediente, acolhimento interior e submissão prática.
Deus não apenas apresenta o Filho. Ele exige que sua voz seja recebida como
definitiva.
Essa ordem ecoa diretamente a promessa
feita por Moisés em Deuteronômio 18.15. Ali, o Senhor anuncia que levantaria um
profeta semelhante a Moisés, a quem o povo deveria ouvir. O Novo Testamento
identifica de modo explícito esse Profeta como o próprio Jesus. João registra
que o povo reconheceu em Jesus o profeta prometido (Jo 6.14), e Pedro afirma,
em Atos, que rejeitar esse Profeta é colocar-se sob juízo (At 3.20–23). A
transfiguração, portanto, confirma que Jesus não é apenas mais um porta-voz de
Deus, mas o porta-voz final.
Ao dizer “escutem-no”, o Pai
estabelece uma hierarquia revelacional clara. Moisés e Elias, representantes da
Lei e dos Profetas, cedem lugar ao Filho. Lucas observa que, após a voz, os
discípulos não viram mais ninguém, senão Jesus (Mt 17.8). Isso não desvaloriza
as Escrituras antigas, mas revela seu propósito. A Lei e os Profetas conduzem a
Cristo e encontram nele seu cumprimento. João declara que a Lei foi dada por
meio de Moisés, mas a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo (Jo
1.17). A revelação agora é pessoal, encarnada e definitiva.
Esse momento sinaliza a transição da
Antiga para a Nova Aliança. As sombras dão lugar à realidade. Paulo afirma que
as prescrições antigas eram apenas sombra do que havia de vir, e que a
realidade encontra-se em Cristo (Cl 2.17). O autor de Hebreus reforça que a
antiga ordem era apenas figura e antecipação, incapaz de aperfeiçoar plenamente
o adorador (Hb 10.1). Ouvir o Filho é reconhecer que a revelação alcançou sua
plenitude e que não há necessidade de acréscimos ou substituições. Ignorar a
voz de Cristo, relativizar seus ensinos ou colocá-lo ao lado de outras
autoridades espirituais é rejeitar o próprio Deus. João é categórico ao afirmar
que quem tem o Filho tem a vida, e quem não tem o Filho não tem a vida (1Jo
5.12). A igreja é chamada a uma escuta obediente, reverente e constante. Ouvir
o Filho não é apenas um ato doutrinário, mas uma postura diária de fé,
submissão e transformação. É nessa escuta que a vida cristã encontra direção,
sentido e verdade.
2. A exclusividade de Cristo na redenção. Após a visão do Cristo transfigurado, a Bíblia declara: “erguendo eles
os olhos, ninguém viram, senão a Jesus” (Mt 17.8). Essa afirmação encerra uma
verdade fundamental: Cristo é absolutamente único e exclusivo na obra da
redenção. A presença de Moisés e Elias cessou; restou apenas Cristo. Ele é o
cumprimento da Lei e dos Profetas (Mt 5.17). Toda a Escritura aponta para Ele
(Lc 24.27). Cristo não é meramente um Profeta; Ele é o Deus revelado (Jo 14.9),
o resplendor da glória divina (Hb 1.3). Ele é o único mediador entre Deus e os
homens (At 4.12; 1Tm 2.5). Seu sacrifício é plenamente suficiente para
reconciliar o pecador com Deus (Cl 1.20-22). Diante de sua majestade, toda
figura da Antiga Aliança se desfaz — somente Jesus permanece.
👉 O relato da transfiguração caminha para uma conclusão
teologicamente decisiva quando Mateus afirma: “erguendo eles os olhos, não
viram ninguém, a não ser Jesus” (Mt 17.8, NVI). Essa frase simples carrega um
peso doutrinário profundo. Moisés e Elias desaparecem da cena, não porque sejam
irrelevantes, mas porque cumpriram sua função. A revelação converge, se
estreita e repousa exclusivamente na pessoa do Filho. Onde Cristo está
plenamente revelado, nada pode ocupar o mesmo lugar. Esse detalhe narrativo
ensina que a economia da redenção é cristocêntrica. A Lei e os Profetas tiveram
um papel pedagógico, preparatório e provisório. Jesus mesmo afirmou que veio
para cumprir, e não para abolir, a Lei (Mt 5.17). Cumprir, aqui, significa
levar à plenitude, revelar o sentido último e encarnar aquilo que antes estava
expresso em palavras, símbolos e promessas. Quando Cristo permanece sozinho no
monte, o texto proclama que o cumprimento substitui a sombra, e a realidade
supera a antecipação.
Lucas afirma que toda a Escritura
aponta para Cristo (Lc 24.27). Isso significa que Ele não é apenas parte da
mensagem bíblica, mas o seu centro interpretativo. Ler a Bíblia corretamente é
enxergar Cristo como fio condutor da história da salvação. A transfiguração
visualiza essa verdade. A revelação não termina em Moisés nem se completa em
Elias. Ela se consuma no Filho. Esse princípio protege a igreja de leituras
fragmentadas e de espiritualidades que exaltam personagens, leis ou
experiências acima de Cristo. A exclusividade de Jesus na redenção repousa, antes
de tudo, em sua identidade. Ele não é apenas um profeta inspirado, mas o
próprio Deus revelado. João registra as palavras de Jesus: “Quem me vê, vê o
Pai” (Jo 14.9). O autor de Hebreus afirma que o Filho é “o resplendor da glória
de Deus e a expressão exata do seu ser” (Hb 1.3). Aqui, o termo grego charaktḗr
comunica a ideia de impressão perfeita, marca fiel. Cristo não reflete Deus
parcialmente. Ele o revela plenamente.
Por essa razão, a mediação de Cristo é
absolutamente única. As Escrituras afirmam que “não há salvação em nenhum
outro” (At 4.12) e que “há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo,
homem” (1Tm 2.5). A encarnação não diminui essa mediação. Pelo contrário, a
fundamenta. Somente alguém que é plenamente Deus e plenamente homem pode
reconciliar ambas as partes. Qualquer tentativa de multiplicar mediadores ou
relativizar essa exclusividade compromete o coração do evangelho. A suficiência
da obra de Cristo decorre dessa exclusividade. Paulo declara que, por meio do
sangue da cruz, Deus reconciliou consigo todas as coisas (Cl 1.20–22). Nada
precisa ser acrescentado. Nenhum outro sacrifício é necessário. Nenhuma obra
humana pode completar o que já foi consumado. A transfiguração antecipa essa
verdade ao mostrar que, diante da glória do Filho, todas as figuras da Antiga
Aliança cedem lugar. O altar, o profeta e o legislador apontam para o Cordeiro.
Pastoralmente, essa cena confronta a igreja com uma decisão contínua. A quem
estamos olhando quando levantamos os olhos? A espiritualidade madura é aquela
que aprende a ver somente Jesus como fundamento da fé, esperança e salvação.
Onde Cristo é central, a fé encontra descanso. Onde Ele é relativizado, a fé se
fragmenta. A transfiguração nos ensina que, no fim, somente Jesus permanece. E
isso não empobrece a fé. Isso a salva.
1. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.
2. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.
3. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil.
3. O aprendizado pela experiência. A revelação da glória do Cristo
ressurreto, foi também um evento pedagógico para os discípulos. A experiência
os fortaleceu para o futuro sofrimento de Jesus. Mais tarde, Pedro reconheceu o
episódio como evidência incontestável da majestade de Jesus: “mas nós mesmos
vimos a sua majestade [...] quando da magnífica glória lhe foi dirigida a
seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido” (2Pe
1.16,17). A transfiguração, portanto, é o vislumbre do Reino, prenúncio da
ressurreição, antecipação da vitória final de Cristo, e o anúncio de seu
triunfo escatológico sobre a morte e todo domínio (Hb 1.8-12; Fp 2.9-11).
Diante dessa glória, somos chamados a contemplar e adorar a Cristo com fé e
esperança (Hb 12.2).
👉 A transfiguração não foi apenas uma revelação de glória. Foi,
também, um ato pedagógico cuidadosamente dirigido aos discípulos. No monte,
eles não receberam uma nova doutrina, mas uma experiência que moldaria sua fé
para enfrentar o escândalo da cruz. Antes de verem o Cristo humilhado,
precisavam contemplar o Cristo glorificado. A pedagogia divina prepara o
coração antes da prova, fortalecendo a fé antes do sofrimento. Esse encontro
com a glória teve um propósito pastoral claro. A Palavra ensina que Jesus foi
transfigurado, do grego metamorphóō, termo que indica uma manifestação exterior
de uma realidade interior já existente. A glória não começou ali. Ela apenas
foi revelada. Os discípulos aprenderam que a cruz não seria derrota, mas
caminho. A experiência ensinou que o sofrimento de Cristo não anularia sua
majestade, mas a revelaria plenamente. Anos depois, Pedro retorna a esse episódio
com maturidade espiritual. Ele não o trata como uma lembrança emocional, mas
como evidência histórica e teológica. “Nós mesmos vimos a sua majestade” (2Pe
1.16, NVI). O apóstolo afirma que a fé cristã não se baseia em mitos
engenhosamente inventados, mas em testemunho ocular da glória do Filho. A voz
do Pai, ouvida no monte, confirmou publicamente a identidade divina de Jesus e
selou sua autoridade messiânica.
A transfiguração, portanto, antecipa
realidades maiores. Ela é um vislumbre do Reino, um anúncio silencioso da
ressurreição e uma prévia da exaltação final do Filho. O Cristo que resplandece
no monte é o mesmo que reina eternamente no trono. Hebreus afirma que seu cetro
é de justiça e que seu reino é eterno e inabalável (Hb 1.8-12). O que os discípulos
viram por instantes, a igreja confessa para sempre. Paulo amplia essa visão ao
declarar que Deus exaltou soberanamente o Filho e lhe deu o Nome que está acima
de todo nome (Fp 2.9-11). A transfiguração aponta para esse triunfo
escatológico. Ela revela que nenhum domínio, nem mesmo a morte, pode resistir à
autoridade do Cristo glorificado. O monte antecipa o trono. A glória revelada
ali garante a vitória final.
Esse texto nos ensina que a fé cristã
amadurece quando aprendemos a interpretar a dor à luz da glória futura. Assim
como os discípulos, somos chamados a guardar no coração aquilo que Deus nos
revela nos montes, para permanecermos firmes nos vales. A experiência com
Cristo sustenta a esperança quando a caminhada se torna pesada. Diante dessa
glória, o chamado permanece atual. Fixar os olhos em Jesus, o Autor e
Consumador da fé (Hb 12.2). Contemplá-lo não apenas com admiração, mas com
confiança obediente. A transfiguração nos convida a viver com esperança
escatológica, adoração reverente e perseverança fiel, certos de que aquele que
foi revelado em glória reina hoje e triunfará plenamente no fim.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. HUGHES, R. Kent.
Disciplinas do Homem Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
SINOPSE III
Cristo é o único mediador e salvador; sua
missão redentora é exclusiva e plenamente suficiente.
CONCLUSÃO
A doutrina do Deus Filho nos conduz à centralidade de Cristo na fé
cristã. Sua divindade, glória e missão redentora revelam o coração do Pai e o
agir do Espírito. Ele é o Verbo eterno feito carne, o único que pode
reconciliar o homem com Deus. Por isso, devemos reconhecê-lo como Senhor
absoluto, prostrar-nos em adoração, ouvi-Lo e segui-Lo em obediência,
reverência e gratidão.
👉 A doutrina do Deus Filho nos conduz inevitavelmente ao centro da
fé cristã. Cristo não é um tema entre outros, nem um capítulo isolado da
teologia. Ele é o eixo em torno do qual toda a revelação bíblica se organiza.
Conhecer o Filho é conhecer o Pai, pois é nele que o coração de Deus se torna
visível e acessível ao ser humano (Jo 14.9). A cristologia não é um exercício
abstrato, mas o fundamento vivo da fé da Igreja. A Escritura apresenta Jesus
como o Verbo eterno que “se fez carne” (Jo 1.14). O termo grego lógos não
indica apenas palavra falada, mas a autoexpressão plena de Deus. Em Cristo,
Deus não apenas fala, mas se entrega, se aproxima e habita entre nós. Sua
encarnação não diminui sua divindade. Antes, revela sua glória de forma
redentora, acessível e salvadora. O eterno entrou na história sem deixar de ser
eterno. A divindade do Filho é inseparável de sua missão. Ele não veio apenas
ensinar verdades morais ou revelar princípios espirituais. Veio reconciliar o
homem com Deus. Somente aquele que é plenamente Deus pode revelar Deus. Somente
aquele que é plenamente homem pode representar a humanidade. Por isso, a obra
da redenção repousa na união hipostática das duas naturezas em uma só pessoa.
Cristo é o único mediador eficaz entre Deus e os homens (1Tm 2.5).
Nele contemplamos também a glória do
Pai em ação pelo Espírito. A obra do Filho nunca é isolada da Trindade. O Pai
envia. O Filho obedece e se oferece. O Espírito aplica essa obra aos corações.
Assim, a centralidade de Cristo não exclui o Pai nem o Espírito, mas revela a
perfeita harmonia do agir trinitário na salvação. Onde Cristo é exaltado, o Pai
é glorificado e o Espírito age com poder. Diante dessa revelação, a resposta
humana não pode ser neutra. Reconhecer Jesus como Deus Filho implica
reconhecê-lo como Senhor absoluto. A fé cristã não se reduz à admiração
intelectual, mas exige rendição. Prostrar-se diante dele é um ato teológico.
Adorá-lo é confessar sua divindade. Ouvi-lo é submeter-se à sua autoridade.
Segui-lo é aceitar que ele governe toda a vida. Essa obediência não nasce do
medo, mas da gratidão. Quem contempla a glória do Filho encarnado entende que
foi amado antes de merecer, buscado antes de responder e reconciliado quando
ainda era inimigo (Rm 5.8-10). A doutrina correta gera devoção correta.
Cristologia sadia produz vida cristã transformada.
Portanto, afirmar a centralidade de
Cristo é mais do que uma confissão doutrinária. É um chamado diário à
reverência, à obediência e à gratidão. Seguir o Filho é caminhar na luz da
revelação plena de Deus, com fé firme, esperança viva e adoração sincera, até o
dia em que o veremos não mais pela fé, mas face a face. Concluímos assim, esta
preciosa lição, com três aplicações práticas para vida do nosso aluno:
1. Colocar Cristo no centro real da vida
cristã: A transfiguração nos ensina que, quando a revelação plena
acontece, “ninguém viram, senão a Jesus”. Isso nos confronta a avaliar o que
ocupa o centro de nossa fé hoje. Programas, tradições, líderes e experiências
não podem substituir a centralidade do Filho. Na prática, isso significa
submeter decisões, prioridades, valores e planos à autoridade de Cristo
revelada nas Escrituras. Uma fé madura não gira em torno do que sentimos, mas
de quem Cristo é. Viver cristocentricamente é ouvir o Filho antes de ouvir
qualquer outra voz.
2. Aprender a interpretar o sofrimento à
luz da glória de Cristo: A experiência da transfiguração não
foi dada para evitar a cruz, mas para preparar os discípulos para ela. O mesmo
vale para nós. A vida cristã não é isenta de dor, perdas ou crises. Contudo,
quem contempla a glória do Cristo exaltado aprende a enxergar o sofrimento como
parte do caminho da redenção. Na prática, isso nos leva a perseverar na fé,
mesmo quando não entendemos os processos de Deus, confiando que a glória futura
supera qualquer aflição presente. A esperança cristã é moldada pela
ressurreição, não pelas circunstâncias.
3. Responder à revelação com adoração,
obediência e testemunho: A voz do Pai não apenas revela quem Jesus é, mas
ordena: “Escutai-o”. A aplicação direta é clara. Não basta conhecer doutrina
correta sobre Cristo. É necessário obedecer à sua palavra. Isso se expressa em
uma vida de adoração sincera, submissão diária e compromisso com o testemunho
cristão. Ouvir o Filho implica viver de modo coerente com o Evangelho,
refletindo sua glória no caráter, nas relações e no serviço cristão. A
verdadeira cristologia sempre desemboca em uma vida transformada.
Essas aplicações conduzem a Igreja não
apenas a entender quem Cristo é, mas a viver sob o senhorio daquele que é o
Filho amado, exaltado e glorificado.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. Cite ao menos três atributos divinos
de Jesus apresentados na lição.
Eternidade, imutabilidade e onisciência (entre outros).
2. A aparição de Moisés no momento da
transfiguração de Jesus foi um ato divino carregado de significado
escatológico. O que a sua presença indica?
Que toda a Lei aponta para Cristo como seu cumprimento.
3. Quem é o cumprimento da Lei e dos
Profetas?
Jesus Cristo.
4. O sacrifício de Cristo é plenamente
suficiente para quê?
Reconciliar o pecador com Deus.
5. A transfiguração é o anúncio do
triunfo escatológico de Cristo sobre o quê?
Sobre o pecado, a morte e todo domínio do mal.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
DEUS FILHO
Nesta lição, veremos que no Filho habita corporalmente toda a plenitude
da divindade (Cl 2.9). Ele é a revelação plena do Pai que se manifestou em
carne sem abandonar a natureza divina. Assim, Ele é o único mediador entre Deus
e os homens (1Tm 2.5,6). Por isso, os estudiosos declaram que Jesus é
verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Essa doutrina é conhecida como união
hipostática. Para compreendermos melhor esse aspecto importante da Cristologia,
precisamos nos ater às características de Jesus, tanto as que evidenciam Sua
natureza humana quanto as que ratificam Sua natureza divina em Sua única
Pessoa.
De acordo com a Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal,
editada pela CPAD, “O ensino bíblico aceca da humanidade de Jesus revela-nos
que, na encarnação, Ele tornou-se plenamente humano em todas as áreas da vida,
menos na prática de um eventual pecado. [...] Jesus era capaz de sentir em
profundidade as emoções humanas. Conforme vemos nos evangelhos, Ele sentia dor,
tristeza, alegria e esperança. Assim acontecia porque Ele compartilhava conosco
a realidade da alma humana. [...] Os escritores do Novo Testamento atribuem
divindade a Jesus em vários textos importantes. Em João 1.1, Jesus, como o
Verbo existia como o próprio Deus. É difícil imaginar uma afirmação mais clara
do que esta acerca da divindade de Cristo. [...] As informações do Novo
Testamento a respeito desse assunto levam-nos a reconhecer que Jesus não deixou
de ser Deus durante a encarnação. Pelo contrário, abriu mão apenas do exercício
independente dos atributos divinos. Ele ainda era plena Deidade no seu próprio
ser, mas cumpriu o que parece ter sido imposto pela encarnação: limitações
humanas reais, não artificiais” (2021, pp.325-327).
Isto posto, conhecer as especificidades dessa doutrina é imprescindível
para que tenhamos a compreensão de que a fé cristã está centralizada no Filho
de Deus, aquEle que possui em Sua Pessoa os atributos divinos e humanos em
plena harmonia. Qualquer ensinamento que nega as naturezas divina e humana na
Pessoa de Jesus é falso e, portanto, deve ser rejeitado. Cristo é e sempre será
Deus. Ele próprio, por meio de Sua morte, nos abriu um novo e vivo caminho que
nos leva ao Santo dos Santos para que possamos desfrutar da comunhão plena com
o Criador (Hb 10.19-22). Devemos reconhecer Seu senhorio, pois o Pai exaltou-O
como Senhor e lhe concedeu um nome que é sobre todo nome (Fp 2.9-11).
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
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