LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS
1º Trimestre de 2026
Título: Plano Perfeito — A salvação da
Humanidade, a mensagem central das Escrituras
Comentarista: Marcelo Oliveira
Lição 3: A Natureza do Deus que salva
Data: 18 de janeiro de 2026
TEXTO PRINCIPAL
“Provai e vede que o Senhor é bom;
bem-aventurado o homem que nele confia.” (Sl 34.8).
ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:
👉 O convite do Salmo 34.8, “Provai e vede que o Senhor é bom;
bem-aventurado o homem que nele confia”, une experiência, revelação e resposta
de fé em uma única declaração sapiencial e pastoral. O verbo hebraico traduzido
por “provai” é טָעַם (ṭāʿam), que significa literalmente experimentar,
saborear, sentir por experiência direta. Não se trata de um conhecimento
abstrato ou apenas intelectual sobre Deus, mas de um encontro vivido, concreto
e pessoal. Já o verbo “vede” amplia essa ideia, indicando discernimento
espiritual. A bondade do Senhor não é apenas percebida emocionalmente, mas
reconhecida à luz da experiência real com Ele. A afirmação “o Senhor é bom”
revela um atributo essencial do caráter divino. O termo hebraico טוֹב (ṭôḇ)
aponta para aquilo que é bom em essência, belo, benéfico e moralmente perfeito.
No contexto do Salmo 34, escrito por Davi após livramento em situação extrema,
essa bondade não é teórica, mas provada no cuidado, na proteção e na fidelidade
de Deus em meio ao perigo. A bondade do Senhor se manifesta de modo salvador,
sustentador e relacional, alcançando o fiel no meio da fragilidade humana. A
segunda parte do versículo apresenta o resultado dessa experiência:
“bem-aventurado o homem que nele confia”. A palavra אַשְׁרֵי (’ashrê), traduzida
por “bem-aventurado”, descreve um estado profundo de plenitude, estabilidade e
favor divino, não dependente das circunstâncias externas. Confiar no Senhor
significa lançar-se sobre Ele com segurança total, como alguém que encontra
refúgio firme. Assim, o texto ensina que a verdadeira felicidade nasce quando a
experiência pessoal da bondade de Deus conduz a uma confiança contínua. O salmo
afirma, portanto, que conhecer Deus, confiar nEle e experimentar sua bondade
são realidades inseparáveis na vida do justo.
RESUMO DA LIÇÃO
A obra da salvação, que é revelada plenamente em Jesus Cristo, expressa
a bondade, o amor e a santidade de Deus.
ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:
👉 A salvação revelada em Jesus Cristo manifesta, de forma perfeita
e inseparável, quem Deus é em sua essência. Na cruz, a bondade divina se
aproxima do pecador, o amor eterno toma a iniciativa de resgatar o que estava
perdido, e a santidade absoluta de Deus é plenamente honrada, não pela negação
do pecado, mas pelo seu juízo redentor. Assim, a obra salvadora não apenas
perdoa, mas reconcilia, transforma e conduz o ser humano a uma vida de
comunhão, gratidão e santidade, como resposta consciente ao Deus que salva sem
deixar de ser santo.
TEXTO BÍBLICO
Salmos 105.5,6; 34.8,9; Lucas 18.18,19; Romanos 5.6-8.
Observação
editorial: os
comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às
linhas interpretativas das obras citadas.
Salmos 105
5 Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos da
sua boca,
👉
Este versículo convoca o povo de Deus a exercitar uma memória
espiritual ativa. O verbo “lembrar” não aponta apenas para recordação mental,
mas para um compromisso contínuo de manter viva a consciência das obras de
Deus. A Bíblia de Estudo Pentecostal destaca que as “maravilhas” e “prodígios”
se referem às intervenções poderosas de Deus na história da redenção,
especialmente na libertação e condução de Israel. A Bíblia Plenitude enfatiza
que esquecer os feitos do Senhor enfraquece a fé e compromete a obediência. Já
a Bíblia de Estudo MacArthur observa que a memória das ações divinas sustenta a
fidelidade da aliança, pois revela o caráter justo e fiel de Deus. Aplicação
pessoal: lembrar-se das obras de Deus fortalece a confiança no presente e gera
esperança para o futuro.
6 vós, descendência de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus
escolhidos.
👉
Aqui, o salmista relembra a identidade do povo da aliança. Eles
não são definidos por mérito próprio, mas pela escolha soberana de Deus. A
Bíblia de Estudo MacArthur ressalta que a eleição mencionada está ligada à
fidelidade de Deus às promessas feitas a Abraão, não à perfeição moral dos
patriarcas. A Bíblia Pentecostal e a Plenitude destacam que essa identidade
carrega responsabilidade espiritual. Ser escolhido implica viver em obediência
e gratidão. Aplicação pessoal: lembrar quem somos em Deus molda como vivemos
diante dEle.
Salmos 34
8 Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele
confia.
👉
Este versículo une experiência pessoal e fé confiante. O convite
“provem” indica que o conhecimento de Deus vai além da teoria; ele é vivido. A
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal enfatiza que Deus se revela de maneira
concreta àqueles que confiam nEle em meio às lutas. A Bíblia Plenitude aponta
que a bondade do Senhor se manifesta especialmente no cuidado, proteção e
provisão aos que se refugiam nEle. A MacArthur observa que “refugiar-se” em
Deus expressa dependência total e confiança exclusiva. Aplicação pessoal: a
felicidade bíblica nasce da confiança prática em Deus, não da ausência de
problemas.
9 Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles
que o temem.
👉
O temor do Senhor aqui não é medo paralisante, mas reverência
obediente. A Bíblia de Estudo Pentecostal ensina que o temor do Senhor conduz à
provisão e ao cuidado divino, pois estabelece uma relação correta com Deus. A
Plenitude destaca que “nada falta” não significa ausência de dificuldades, mas
suficiência espiritual e sustento fiel. A MacArthur reforça que o temor está
ligado à submissão à vontade de Deus, o que resulta em segurança espiritual. Aplicação
pessoal: viver em reverência a Deus traz contentamento e estabilidade
espiritual.
Lucas 18
18 E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de
fazer para herdar a vida eterna?
👉
O jovem rico se aproxima de Jesus com respeito, mas com uma
compreensão equivocada da salvação. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
observa que sua pergunta revela confiança nas próprias obras. A MacArthur
destaca que o uso do termo “herdar” indica que ele via a vida eterna como algo
a ser conquistado por mérito pessoal. A Bíblia Pentecostal ressalta que, embora
sincero, o coração do jovem ainda não estava rendido. Aplicação pessoal: boas
intenções não substituem arrependimento e fé genuína.
19 Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é
Deus.
👉
Jesus confronta a compreensão superficial do jovem sobre
bondade. A Bíblia de Estudo MacArthur esclarece que Jesus não nega sua
divindade, mas desafia o jovem a reconhecer plenamente quem Ele é. A Bíblia
Plenitude aponta que somente Deus é bom em essência, e toda bondade humana é
derivada e limitada. A Pentecostal destaca que Jesus conduz o jovem a refletir
sobre o padrão absoluto de Deus. Aplicação pessoal: reconhecer Jesus como bom
implica reconhecê-lo como Deus e Senhor.
Romanos 5
6 Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos
ímpios.
👉
Paulo apresenta a iniciativa soberana da graça. A Bíblia de
Estudo Pentecostal enfatiza que “fracos” descreve incapacidade total de salvar
a si mesmo. A MacArthur observa que “ímpios” indica hostilidade contra Deus,
não neutralidade. Aplicação pessoal: a salvação não começa com o esforço
humano, mas com a ação graciosa de Deus.
7 Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom
alguém ouse morrer.
👉
Paulo usa uma comparação humana para evidenciar a
excepcionalidade do amor divino. A Plenitude ressalta que, mesmo entre humanos,
tal sacrifício é raro. A MacArthur aponta que Paulo prepara o terreno para
destacar o contraste com o amor de Deus. Aplicação pessoal: o amor de Deus
supera qualquer padrão humano de altruísmo.
8 Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores.
👉
Este versículo revela o coração do evangelho. A Bíblia de Estudo
Pentecostal afirma que a cruz é a maior prova do amor de Deus. A MacArthur
enfatiza que o amor de Deus não foi reação ao arrependimento humano, mas
iniciativa soberana. A Aplicação Pessoal destaca que essa verdade transforma a
identidade e a motivação do cristão. Aplicação final: quem foi amado dessa
forma não pode viver da mesma maneira.
SÍNTESE FINAL
👉
O conjunto dos textos analisados revela uma linha teológica clara e
progressiva sobre quem Deus é, como Ele age e qual deve ser a resposta humana.
Em Salmos 105.5–6, o povo de Deus é chamado a lembrar-se continuamente das
obras, dos feitos poderosos e dos juízos do Senhor. A fé bíblica não se
sustenta no esquecimento, mas na memória ativa da história da salvação.
Recordar o agir de Deus fortalece a identidade do seu povo e renova a confiança
na sua fidelidade ao longo das gerações.
Em Salmos 34.8–9, esse conhecimento histórico se transforma em
experiência pessoal. O convite a “provar e ver” destaca que a bondade do Senhor
não é apenas doutrina, mas realidade vivida. Aqueles que temem ao Senhor
descobrem, na prática, que nada lhes falta, pois Deus supre, protege e sustenta
os que se refugiam nEle. A verdadeira bem-aventurança nasce da confiança
obediente, e não da autossuficiência humana.
Em Lucas 18.18–19, Jesus confronta uma compreensão superficial da
bondade. Ao questionar o jovem rico, Cristo não nega sua própria bondade, mas
revela que a bondade absoluta pertence somente a Deus. O texto expõe a
limitação da religiosidade baseada em méritos e aponta para a necessidade de
reconhecer a soberania divina. A salvação não é alcançada por obras humanas,
mas pela correta compreensão de quem Deus é e pela submissão total a Ele.
Essa revelação atinge seu clímax em Romanos 5.6–8, onde a bondade, o
amor e a graça de Deus são apresentados de forma redentora. Deus não aguardou
que o ser humano se tornasse digno; Cristo morreu pelos ímpios, pecadores e
inimigos. A cruz demonstra que a bondade divina é ativa, sacrificial e
transformadora. Ela revela um amor que toma a iniciativa, alcança o homem em
sua incapacidade e produz reconciliação.
Assim, a síntese desses textos afirma que a bondade de Deus é lembrada
na história, experimentada na vida diária, revelada plenamente em Cristo e
comprovada de forma definitiva na cruz. A resposta adequada do ser humano é
confiar, temer ao Senhor e viver em gratidão e dependência, reconhecendo que
toda salvação, provisão e esperança procedem exclusivamente do Deus bom, fiel e
redentor.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, vamos estudar a natureza do Deus que se revela como
Salvador - um Deus que redime, é cheio de bondade e que, por meio de Jesus, se
mostra como o Deus que salva. Também vamos refletir sobre a natureza amorosa
dEle, pois é nesse amor que está fundamentada toda a história da salvação. E,
por fim, vamos aprender sobre a santidade do Deus Salvador. Nosso propósito
aqui é mostrar que, por meio de sua bondade, amor e santidade, o Deus revelado
na Bíblia deseja se relacionar conosco, pecadores, que fomos alcançados por seu
maravilhoso amor.
👉
Se Deus é amor, por que o pecado precisou ser julgado com tanta
severidade? Essa pergunta atravessa a história da fé cristã e revela uma tensão
central das Escrituras: como um Deus absolutamente santo pode salvar seres
humanos profundamente marcados pelo pecado? A resposta bíblica não minimiza o
pecado nem relativiza o caráter divino; pelo contrário, revela a profundidade
do amor de Deus justamente na forma como Ele lida com o problema do pecado.
Desde a queda, a maior necessidade da humanidade não foi apenas moral, social
ou existencial, mas essencialmente espiritual: reconciliação com Deus. À luz da
lição anterior (O problema do pecado) compreendemos que o pecado não é apenas
um erro humano, mas uma rebelião que rompeu a comunhão com o Criador e
corrompeu todas as dimensões da vida. Diante dessa realidade trágica, a
pergunta decisiva não é apenas o que é o pecado, mas quem é Deus frente ao
pecado? É exatamente aqui que esta lição se insere: ao apresentar a natureza do
Deus que salva, a Escritura revela que a salvação não nasce da iniciativa
humana, mas do próprio caráter de Deus.
Esta
lição afirmará uma tese central: a obra da salvação é a expressão harmoniosa da
bondade, do amor e da santidade de Deus, plenamente reveladas em Jesus Cristo.
Não se trata de atributos isolados ou contraditórios, mas de uma unidade
perfeita no ser divino. O Deus que salva é o mesmo Deus que é bom, que ama
profundamente e que permanece absolutamente santo. A salvação, portanto, não é
um “favor barato”, mas o resultado de um plano eterno em que Deus age sem negar
a si mesmo. Para desenvolver essa verdade, o estudo seguirá três movimentos
claros. Primeiro, veremos Deus se revelando como Salvador, desde o Antigo
Testamento até a plena revelação em Cristo, destacando sua bondade redentora e
sua fidelidade histórica. Em seguida, contemplaremos a salvação como a maior
prova do amor de Deus, demonstrado de forma suprema na cruz, onde Cristo morreu
pelos pecadores quando ainda eram inimigos. Por fim, refletiremos sobre a
santidade do Deus que salva, mostrando que a graça que perdoa é a mesma que
transforma, chamando o salvo a uma vida santa, moldada pelo Espírito.
Assim,
esta lição não apenas explicará quem é Deus, mas convidará o leitor a conhecê-Lo
de forma pessoal. O Deus que salva não é distante, indiferente ou permissivo
com o pecado; Ele é bom, amoroso e santo, e exatamente por isso, digno de
confiança, adoração e entrega total.
I. O DEUS QUE SE REVELA COMO SALVADOR
1. A história da salvação mostra Deus como o Redentor. Desde Gênesis, Deus se revela como o
Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para
derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15).
Nesse sentido, o Salmo 105 nos convida a contemplar essa característica
redentora de Deus por meio de suas maravilhas, prodígios e juízos em favor do
seu povo, Israel (vv.5,6). Esse é o Deus que redime pecadores. É maravilhoso
saber que, mesmo nós não sendo merecedores, o Eterno Redentor se importa
conosco. Por isso, Ele tomou a iniciativa de agir com bondade e misericórdia
para com o seu povo. É justamente essa natureza misericordiosa e bondosa de
Deus que revela o seu amor por nós. A bondade redentora de Deus, declarada
desde o início, também é percebida em sua fidelidade, como vemos no Salmo 34.
👉
Desde as primeiras páginas das Escrituras, Deus não se apresenta
apenas como Criador, mas como Redentor. Em Gênesis 3.15, logo após a queda, o
Senhor anuncia o que a teologia chama de protoevangelho, a primeira promessa do
evangelho. Ali, Deus declara que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da
serpente. O verbo hebraico usado nesse contexto aponta para um confronto
decisivo e irreversível. Isso nos ensina que a salvação não nasce da reação
humana ao pecado, mas da iniciativa soberana de Deus. Como observa Berkof, a
redenção não é um plano emergencial, mas a execução histórica de um propósito
eterno, coerente com o caráter divino¹. O pecado rompeu a comunhão, mas não
anulou o amor redentor de Deus. O Salmo 105 amplia essa compreensão ao convidar
o povo a lembrar dos feitos salvíficos do Senhor na história de Israel. O texto
destaca “os seus feitos maravilhosos, os seus prodígios e as sentenças
pronunciadas por sua boca” (Sl 105.5, NVI). Aqui, a redenção é vista não apenas
como livramento espiritual, mas como ação concreta de Deus no tempo e no
espaço. Ele age, intervém, julga e salva. A memória desses atos não tem função
meramente histórica, mas pedagógica e espiritual. O Deus que salvou Israel é o
mesmo que continua agindo em favor do seu povo hoje. Como ressalta o Comentário
Bíblico Pentecostal, a redenção bíblica sempre envolve aliança, fidelidade e
ação graciosa de Deus em favor dos que não podem salvar a si mesmos². Essa
revelação confronta uma ideia comum entre os jovens de hoje. Muitos pensam em Deus
apenas como um conceito abstrato ou uma força distante. As Escrituras, porém,
apresentam um Deus que entra na história, caminha com seu povo e se envolve com
a dor humana. O termo hebraico go’el (redentor), usado no Antigo Testamento,
descreve aquele que resgata um parente em situação de miséria ou escravidão.
Deus assume esse papel em relação ao seu povo. Ele não apenas sente compaixão,
mas age com compromisso. Como destaca Champlin, a redenção bíblica carrega a
ideia de custo pessoal e envolvimento direto do redentor³.
Essa
iniciativa graciosa revela a bondade de Deus. O Salmo 34 reforça essa verdade
ao convidar o leitor a experimentar o Senhor. “Provem e vejam como o Senhor é
bom” (Sl 34.8, NVI). O verbo “provar” não aponta para uma curiosidade superficial,
mas para uma experiência pessoal e contínua. A bondade divina não é um conceito
teórico, mas uma realidade vivida. Deus é bom porque é fiel à sua aliança,
mesmo quando o povo falha. Como observa Stanley Horton, a bondade de Deus é
inseparável de sua misericórdia e se manifesta, sobretudo, na sua disposição de
perdoar e restaurar⁴. Essa revelação tem implicações pastorais profundas. Se
Deus se revela como Redentor desde o início, então a nossa fé não se fundamenta
no medo, mas na confiança. Jovens que compreendem essa verdade passam a
enxergar a caminhada cristã não como um peso religioso, mas como resposta a um
Deus que já tomou a iniciativa de salvá-los. O Deus que redime pecadores não
espera perfeição para agir. Ele age para transformar. Conhecer esse Deus é o
primeiro passo para uma fé madura, reverente e cheia de esperança.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
3. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.
4. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
2. Deus é bom e digno de confiança. O Salmo 34 nos convida a experimentar a bondade
divina e, como resultado, a felicidade alcança aquele que confia nEle (v.8).
Quando provamos da sua bondade e nos entregamos a Ele com plena confiança, o
temor do Senhor — uma atitude que caracteriza a verdadeira sabedoria espiritual
(Pv 1.7) — passa a fazer parte da nossa vida. Assim, passamos a conhecer, de
fato, o Deus da Bíblia: um Deus bom, confiável e digno de temor. É exatamente
dessa maneira que o Novo Testamento apresenta a salvação, como resultado da
bondade e das misericórdias divinas: “Mas, quando apareceu a benignidade e o
amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens” (Tt 3.4), fomos alcançados
por sua obra salvadora — não por méritos ou esforços humanos, mas por sua
iniciativa amorosa e cheia de graça (Tt 3.5). Como é clara a natureza generosa,
bondosa e misericordiosa do nosso Deus!
👉
O Salmo 34 nos convida a uma experiência que vai além do
conhecimento intelectual sobre Deus. “Provem e vejam que o Senhor é bom” (Sl
34.8, NVI). O verbo hebraico traduzido por “provar” carrega a ideia de
experimentar de modo real e pessoal, não apenas observar à distância. Deus não
se apresenta como um conceito abstrato, mas como alguém que se deixa conhecer
na caminhada. A bondade divina não é teórica. Ela é vivida. O texto afirma que
a verdadeira bem-aventurança pertence àquele que confia no Senhor, isto é,
aquele que se apoia nele com segurança. Confiar em Deus, nas Escrituras, nunca
é um salto no escuro, mas uma resposta àquilo que Ele já revelou de si mesmo. Essa
confiança gera temor. Não medo paralisante, mas reverência consciente.
Provérbios 1.7 afirma que o temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e esse
temor nasce do reconhecimento de quem Deus é. Quando o salmista fala de temer
ao Senhor, ele descreve uma postura de vida moldada pela consciência da
santidade e da bondade divinas. O jovem que teme a Deus aprende a ordenar suas
escolhas, seus afetos e seus projetos à luz do caráter do Senhor. Como observa
o Comentário Bíblico Beacon, o temor bíblico não afasta o crente de Deus, mas o
aproxima com reverência, humildade e obediência sincera¹. O Novo Testamento
aprofunda essa revelação ao apresentar a salvação como a manifestação concreta
da bondade de Deus. Paulo escreve a Tito que “quando se manifestaram a bondade
e o amor de Deus, nosso Salvador, ele nos salvou” (Tt 3.4–5, NVI). O termo
grego traduzido por bondade é chrēstótēs, que expressa benevolência ativa,
gentileza que se move em favor do outro. Não se trata de um sentimento passivo,
mas de uma disposição divina que age para resgatar. A salvação, portanto, não
nasce da performance humana, mas da iniciativa graciosa de Deus. Berkof observa
que a graça salvadora não responde ao mérito, mas à misericórdia soberana do
próprio Deus².
Esse
ponto confronta uma espiritualidade baseada em merecimento. Muitos jovens ainda
carregam a ideia de que precisam “ser bons o suficiente” para se aproximar de
Deus. As Escrituras ensinam o contrário. Somos alcançados porque Deus é bom,
não porque nós o somos. A confiança cristã repousa no caráter de Deus, não na
instabilidade do coração humano. Stanley Horton destaca que a bondade divina é
a base da segurança do crente, pois ela garante que Deus permanece fiel mesmo
quando o ser humano falha³. Essa verdade produz uma aplicação pastoral clara.
Se Deus é bom e digno de confiança, então podemos descansar nele em meio às
pressões, dúvidas e decisões da juventude. Confiar em Deus é escolher obedecer
mesmo quando não entendemos tudo. É caminhar com reverência, sabendo que aquele
que salva também sustenta. O Deus da Bíblia não engana, não falha e não
abandona. Conhecê-lo assim transforma a fé em relacionamento vivo e o temor em
alegria obediente.
1. BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD,
2006.
2. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. Jesus revela a natureza salvadora de Deus. A Palavra de Deus nos mostra que, em
Jesus Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Não
por acaso, quando o jovem rico chamou nosso Senhor de “Bom Mestre”, Jesus
afirmou que somente Deus é bom (Lc 18.18,19). Com esta declaração, o Filho deu
testemunho da bondade do Pai. Aqui, contemplamos o mistério da Santíssima
Trindade no testemunho do Filho a respeito do Pai. Em João 14, Jesus declarou:
“Quem me vê a mim vê o Pai; [...] Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai
está em mim?” (Jo 14.9,10). Jesus, sendo a expressão plena da divindade, revela
tanto a bondade quanto a natureza salvadora de Deus. É por meio dEle que a obra
da salvação se manifesta, revelando o Deus da Bíblia como o Salvador da
humanidade caída. Saber que Deus se revela como Salvador nas Escrituras nos
impulsiona a buscá-Lo de forma pessoal e verdadeira, não de maneira meramente
religiosa ou ritualista. O Deus que salva é o mesmo que deseja ser conhecido
por cada um de nós por meio de um relacionamento autêntico.
👉
A revelação mais plena de quem Deus é não acontece em conceitos
abstratos, mas na pessoa de Jesus Cristo. Paulo afirma que “em Cristo habita
corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9, NVI). A palavra grega
traduzida por “plenitude” é plḗrōma, termo usado no mundo helenista para
indicar totalidade, aquilo a que nada falta. Paulo utiliza essa palavra de
forma deliberada para confrontar ideias falsas que circulavam em Colossos,
segundo as quais Cristo seria apenas um intermediário espiritual. O apóstolo
ensina que tudo o que Deus é, em sua essência, está presente em Cristo. Não
parte. Não reflexo. Toda a plenitude. Essa plenitude habita “corporalmente”. O
termo grego sōmatikōs reforça que a divindade não se manifesta de forma
simbólica ou aparente, mas real e encarnada. Deus não salvou à distância. Ele
entrou na história, assumiu carne, caminhou entre os homens. Aqui está um dos
fundamentos da fé cristã. O Deus que salva não enviou apenas uma mensagem. Ele
enviou a si mesmo em seu Filho. Como observa Gordon Fee, a encarnação não é um
detalhe da fé cristã, mas o centro da revelação redentora de Deus¹.
Esse
ensino ilumina o episódio do jovem rico em Lucas 18. Quando o homem chama Jesus
de “Bom Mestre”, o Senhor responde: “Por que você me chama de bom? Ninguém é
bom, a não ser um, que é Deus” (Lc 18.19, NVI). Jesus não está negando sua
bondade, mas conduzindo o interlocutor a uma reflexão mais profunda. Se apenas
Deus é bom, e Jesus é verdadeiramente bom, então a identidade divina de Cristo
está implícita em suas palavras. O Filho revela o Pai não apenas por meio do
que ensina, mas por quem Ele é. Como destaca o Comentário Bíblico Champlin,
Jesus leva o jovem a confrontar suas próprias pressuposições sobre Deus e sobre
si mesmo². Essa unidade entre o Pai e o Filho é explicitada nas palavras de
Jesus em João 14. “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NVI). Aqui não há confusão
de pessoas, mas comunhão perfeita de essência. A teologia cristã confessa que o
Pai e o Filho são distintos em pessoa, mas inseparáveis em natureza. A
revelação do Pai acontece no Filho. Conhecer Jesus é conhecer o caráter de
Deus. Sua compaixão, sua autoridade, sua santidade e sua disposição para salvar
revelam exatamente quem Deus é. Stanley Horton observa que a obra salvadora de
Cristo só é eficaz porque Ele é plenamente Deus e plenamente homem³. Essa
verdade tem implicações diretas para a compreensão da salvação. Se Cristo é a
plenitude da divindade encarnada, então a salvação não é apenas um ato jurídico
externo, mas um encontro com o próprio Deus. Em Jesus, Deus se aproxima do
pecador sem comprometer sua santidade. A cruz não revela um Deus dividido entre
justiça e amor, mas um Deus coerente consigo mesmo. Como ensina Berkof, a
redenção em Cristo é a expressão histórica da natureza imutável de Deus, que é
santo e, ao mesmo tempo, gracioso⁴.
Essa
revelação confronta uma fé meramente ritualista. Muitos jovens conhecem
práticas religiosas, mas ainda não conhecem o Cristo revelador do Pai. Jesus
não veio apenas fundar uma religião, mas revelar Deus e reconciliar o ser
humano com Ele. A salvação não se resume a regras, mas a relacionamento. Quando
Cristo é reduzido a um exemplo moral, perde-se o coração do evangelho. Ele é o
Salvador porque é Deus presente entre nós. Por fim, saber que Deus se revelou
plenamente em Jesus nos chama a uma busca sincera e pessoal. Não seguimos uma
ideia, mas uma pessoa viva. O Deus que salva deseja ser conhecido, amado e
obedecido. Isso transforma a maneira como oramos, estudamos a Bíblia e vivemos
a fé no cotidiano. Conhecer Jesus é entrar no centro da revelação divina e
permitir que essa verdade molde nossa vida, nossas escolhas e nossa esperança.
1. FEE, Gordon D. Teologia do Apóstolo Paulo. São Paulo: Vida
Nova, 2014.
2. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
4. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
SUBSÍDIO I
“Fp 2.5. QUE HAJA EM VÓS O MESMO SENTIMENTO. A atitude de Cristo foi o
que Paulo descreveu aqui — completa abnegação, servidão e sacrifício que coloca
as necessidades dos outros antes das suas próprias. Agora Paulo passa a
descrever especificamente como Jesus demonstrou esta atitude para conosco.
Paulo enfatiza como Jesus deixou a glória incomparável no céu e tomou a posição
humilhante de servo. Ao fazer isso, Ele obedeceu ao plano de Deus a ponto de
dar a sua própria vida em benefício alheio (vv.5-8). Seu sacrifício nos deu a
única oportunidade que temos de ser libertos da morte espiritual e forneceu o
dom supremo da vida eterna para aqueles que aceitam seu perdão e confiam suas
vidas a Ele. Como seguidores de Cristo, devemos demonstrar a sua humildade,
vivendo sem egoísmo e de modo sacrifical, cuidando das necessidades e
preocupações dos outros e fazendo o bem a eles.”
“Fp 2.6. SENDO EM FORMA DE DEUS. Jesus Cristo é o Filho de Deus, em sua
própria natureza de Deus, e, portanto, igual ao Pai antes, durante e depois de
seu tempo na terra (veja Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl 1.15,17; Mc 1.11; Jo
20.28), em outras palavras, Jesus é, foi e sempre será Deus. O fato de Cristo
não ter tido ‘por usurpação ser igual a Deus’ significa que Ele voluntariamente
abriu mão de seus privilégios e glória no céu, a fim de viver na Terra como um
homem e dar a sua vida para que fôssemos salvos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal
para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1661).
II. A SALVAÇÃO COMO PROVA DO AMOR DE DEUS
1. A salvação como ato de amor. Romanos 5 descreve a morte de Cristo, o Justo, no lugar dos ímpios (Rm
5.6) e revela o ato mais amoroso de Deus: “Mas Deus prova o seu amor para
conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). Deus
entregou seu Filho único por amor. Ele não o entregou depois que fomos
justificados, regenerados e santificados; pelo contrário, Ele o entregou quando
ainda estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Ora, se isso não é
amor, então o que seria? Esse é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e
tudo suporta — um amor sofredor, bondoso, verdadeiro (1Co 13.4-7).
👉
O apóstolo Paulo conduz o leitor de Romanos 5 a encarar a
salvação a partir de uma realidade desconcertante. “Quando ainda éramos fracos,
Cristo morreu pelos ímpios, no tempo devido” (Rm 5.6, NVI). A palavra grega
traduzida por “fracos” é asthenōn, que descreve alguém sem força, incapaz,
moral e espiritualmente impotente. Paulo não suaviza a condição humana. Ele
afirma que, diante de Deus, não estávamos apenas desorientados, mas
completamente incapazes de reagir ao pecado ou de buscar a salvação por nós
mesmos. Essa afirmação confronta qualquer teologia baseada na autossuficiência
espiritual. Paulo aprofunda ainda mais ao afirmar que Cristo morreu “pelos
ímpios”. O termo grego asebōn indica alguém irreverente, sem devoção, alguém
que vive à margem da vontade de Deus. Isso significa que o amor divino não foi
direcionado a pessoas neutras ou moralmente promissoras, mas a inimigos
espirituais. Berkof observa que esse texto destrói a ideia de que o amor de
Deus é uma simples resposta à fé humana. Aqui, o amor precede qualquer
resposta, arrependimento ou mudança¹. Essa verdade alcança seu ápice em Romanos
5.8. “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós,
sendo nós ainda pecadores” (NVI). O verbo “prova” traduz o grego synístēsin,
que significa demonstrar de forma pública, apresentar evidência concreta. O
amor de Deus não é uma abstração teológica. Ele é historicamente demonstrado na
cruz. Deus não apenas declarou que ama. Ele mostrou. A cruz é a evidência
visível e definitiva desse amor.
É
essencial notar a expressão “ainda pecadores”. Paulo elimina qualquer leitura
meritória da salvação. Cristo não morreu depois que o ser humano melhorou, mas
quando estava em estado de rebelião. A iniciativa foi totalmente divina.
Stanley Horton destaca que esse texto revela o caráter da graça. Ela não é
reação, mas ação soberana de Deus em favor do perdido². A cruz, portanto, não é
resposta à bondade humana, mas ao amor fiel de Deus. Essa perspectiva corrige
uma compreensão distorcida muito comum entre jovens cristãos. Muitos vivem
tentando se tornar dignos do amor de Deus, como se a aceitação divina fosse
conquistada por desempenho espiritual. Romanos 5 ensina o oposto. Somos amados
antes de sermos transformados. A transformação é fruto do amor, não sua causa.
Como aponta o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, a justificação
nasce da graça e produz uma nova vida, não o contrário³. Paulo não descreve
esse amor de forma sentimental, mas sacrificial. Trata-se de um amor que assume
o custo da redenção. Há aqui uma conexão profunda com 1 Coríntios 13. O amor
que tudo sofre e tudo suporta encontra sua expressão máxima na cruz. Não é um
amor passivo, mas ativo, doloroso e redentor. Frank Macchia observa que o amor
de Deus revelado na cruz é inseparável da ação do Espírito, que aplica essa
obra ao coração humano, gerando arrependimento e nova vida⁴. A aplicação
pastoral desse texto é direta e transformadora. Se Deus nos amou quando éramos
fracos, ímpios e pecadores, então nossa identidade não pode mais ser definida
pelo passado, pela culpa ou pela vergonha. A salvação não apenas nos perdoa,
ela redefine quem somos. Esse amor nos constrange a viver de modo diferente.
Não para merecer a salvação, mas porque fomos profundamente alcançados por ela.
A cruz nos chama a abandonar a autoconfiança e a viver em gratidão obediente
diante de um Deus que amou primeiro.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
4. MACCHIA, Frank D. Justified in the Spirit. Grand Rapids:
Eerdmans, 2010.
2. O amor de Deus se manifestou na cruz. A doutrina do amor de Deus é o
fundamento da obra da salvação. Como pentecostais, afirmamos com convicção: o
que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus. A
Bíblia declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho
unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida
eterna” (Jo 3.16). Esse amor é tão grande e profundo que abrange todas as
pessoas — todas mesmo! O apóstolo Paulo reforça isso ao dizer que Deus “quer
que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). O
amor de Deus é acolhedor, misericordioso e universal. Ele não faz acepção de
pessoas. O apóstolo João, conhecido como o “apóstolo do amor”, explica isso
ainda mais claramente: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a
Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos
pecados” (1Jo 4.10). Aqui, duas verdades bíblicas precisam ser afirmadas com
clareza: a) Deus amou todos os pecadores; b) Por esse amor, Ele enviou seu
Filho como sacrifício no lugar dos pecadores. Essa é a essência da morte
vicária de Jesus — Ele morreu em nosso lugar. Isso não foi um ato de injustiça,
mas de misericórdia. É um mistério glorioso da salvação: no Calvário, o amor
divino se encontrou com a morte, para que os pecadores pudessem viver.
👉
A cruz não é um detalhe da fé cristã. Ela é o centro onde o amor
de Deus se torna visível, histórico e redentor. Em João 3.16, a Escritura
afirma que Deus “amou o mundo” e, por isso, “deu” o seu Filho. O verbo grego
agapaō indica um amor que decide agir em favor do outro, mesmo a um alto custo.
Não se trata de afeição sentimental, mas de uma escolha santa e soberana. O
“mundo” aqui não descreve um sistema neutro, mas a humanidade caída, rebelde e
incapaz de salvar a si mesma. Como observam Berkof e Horton, o amor de Deus não
nasce da dignidade do ser humano, mas do caráter gracioso do próprio Deus¹². A
cruz, portanto, revela um amor que toma a iniciativa, que entra na história e
que se compromete com a redenção do perdido. Esse amor se expressa de forma
clara na vontade salvífica de Deus. Paulo afirma que Ele “quer que todos os
homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4, NVI). O verbo
thelō aponta para o desejo benevolente de Deus, coerente com seu caráter
misericordioso. Não há acepção de pessoas. Não há exclusões arbitrárias. O
chamado do evangelho é sincero e universal. Contudo, a Escritura também ensina
que essa salvação se concretiza por meio da fé, despertada pela ação graciosa do
Espírito. Aqui, a teologia reformada continuísta nos ajuda a manter o
equilíbrio. Deus ama a todos e chama a todos, mas é o Espírito quem convence,
ilumina e aplica a obra de Cristo ao coração humano. Como destaca Frank
Macchia, o amor revelado na cruz não é separado da obra viva do Espírito que
conduz ao arrependimento e à fé³. João aprofunda essa verdade ao declarar que o
amor não começou em nós, mas em Deus, que “enviou seu Filho como propiciação
pelos nossos pecados” (1Jo 4.10, NVI). O termo hilasmos aponta para um
sacrifício que satisfaz a justiça divina e restaura o relacionamento quebrado.
Cristo morreu de forma vicária, isto é, em nosso lugar. Não foi um ato de
crueldade do Pai, mas de misericórdia santa. No Calvário, justiça e amor se
encontram sem contradição. Deus não ignora o pecado, mas o julga em Cristo,
para salvar o pecador. A aplicação pastoral é inevitável. Quem contempla a cruz
não pode permanecer indiferente. Esse amor nos chama ao arrependimento diário,
à gratidão obediente e a uma vida marcada por reverência e esperança. A cruz
nos ensina que somos profundamente amados, mas também seriamente chamados a
viver para a glória de Deus.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. MACCHIA, Frank D. Justified in the Spirit. Grand Rapids:
Eerdmans, 2010.
4. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
5. KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Histórico-Cultural do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. Respondendo ao amor de Deus com gratidão. Para o cristão, expressar gratidão
pela salvação é mais do que palavras bonitas ou momentos emocionantes na igreja
— é viver com propósito, identidade e sentido em Cristo todos os dias. É
reconhecer que Deus nos amou primeiro, mesmo quando não merecíamos (Rm 5.8), e
responder a esse amor com escolhas que honrem o sacrifício de Jesus. A gratidão
verdadeira se mostra no comportamento: nas decisões que tomamos, nas amizades
que cultivamos, na maneira como lidamos com as tentações e na disposição em
servir a Deus e ao próximo. Como escreveu o apóstolo João: “Nós o amamos porque
ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). O amor de Deus não apenas nos alcança — ele
nos transforma. Nossa rotina, nossas redes sociais, nossas atitudes, tudo em
nós tem refletido essa gratidão?
👉
Responder ao amor de Deus é mais do que sentir algo durante o
culto ou usar palavras bonitas na oração. Na Escritura, gratidão está ligada a
uma vida reorientada. Em Romanos 5.8, Paulo afirma que Deus nos amou quando
ainda éramos pecadores. O verbo synístēsin indica que esse amor foi demonstrado
de forma objetiva e pública na cruz. Isso muda tudo. A gratidão cristã não
nasce do que fazemos por Deus, mas do reconhecimento humilde do que Ele fez por
nós. No Novo Testamento, a ideia de gratidão está ligada à palavra charis,
graça. Somos gratos porque fomos alcançados pela graça, não porque nos tornamos
dignos dela. Como observam Berkof e Horton, a salvação precede qualquer
resposta humana e exige uma nova postura diante da vida¹². Essa gratidão se
revela no cotidiano. Ela molda decisões, redefine prioridades e corrige afetos.
Não se trata de moralismo, mas de coerência espiritual. Quem foi alcançado pela
graça passa a viver sob o senhorio de Cristo. João afirma com clareza: “Nós o
amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19, NVI). O verbo agapaō indica um
amor que se expressa em ação concreta. Gratidão verdadeira aparece na forma
como lidamos com o pecado, com as tentações e com os relacionamentos. Ela se
manifesta na disposição em servir, em perdoar e em renunciar quando necessário.
Como destaca o Comentário Bíblico Pentecostal, o amor de Deus não apenas
perdoa, mas gera uma nova ética de vida, sustentada pela ação contínua do
Espírito³. Aqui está o confronto pastoral necessário para os jovens. Nossa fé
não pode ficar restrita ao espaço do templo. A gratidão precisa alcançar a
rotina, as conversas, as escolhas silenciosas e até o uso das redes sociais. Se
fomos amados primeiro, então nossa vida inteira deve responder a esse amor. Não
por obrigação, mas por reverência. Não por medo, mas por gratidão. A pergunta
que permanece é inevitável. O amor que nos salvou também está nos
transformando? Ou temos nos acostumado à graça sem permitir que ela governe
nossa maneira de viver diante de Deus e das pessoas?
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
4. BÍBLIA DE ESTUDO APLICAÇÃO PESSOAL. Rio de Janeiro: CPAD,
2019.
5. KEENER, Craig S. Comentário Bíblico Histórico-Cultural do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
SUBSÍDIO II
Professor(a), explique aos alunos que Jesus “aniquilou-se a si mesmo”
(Fp 2.7). “Esta frase em grego corresponde a ekenōsen (verbo kenoō, derivado de
kenos, ‘vazio, vão’), que literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não
significa que Jesus renunciou sua divindade (isto é, a sua natureza plena como
Deus), mas que voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas como Deus,
incluindo sua glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza
(2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus
(Jo 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziamento não significou apenas uma suspensão
voluntária de suas capacidades e privilégios como Deus, mas também a aceitação
do sofrimento humano, maus tratos, ódio e, em última instância, a maldição da
morte na cruz.” (Bíblia de Estudo Pentecostal Global. Rio de Janeiro: CPAD,
2022, p.2199).
III. A SANTIDADE DO DEUS QUE SALVA
1. Deus é absolutamente santo. A Bíblia revela que uma das
características fundamentais de Deus é a sua santidade. No livro do profeta
Isaías, lemos a proclamação dos anjos: “E clamavam uns para os outros, dizendo:
Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua
glória” (Is 6.3). O apóstolo Pedro escreve em sua Primeira Epístola: “Mas, como
é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira
de viver” (1Pe 1.15). Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à
própria natureza santa de Deus, como está escrito: “Porquanto está escrito:
Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44). Portanto, o chamado
de Deus à santidade não é apenas uma sugestão, mas algo que reflete quem Ele é.
Ora, Deus é amor, mas também é absolutamente santo.
👉 A Bíblia não apresenta a santidade como um atributo secundário
de Deus, mas como a linguagem central de quem Ele é. Em Isaías 6.3, os serafins
proclamam “Santo, Santo, Santo”, repetição que não indica grau, mas plenitude.
No hebraico, qādôsh comunica separação absoluta, pureza sem mistura, alteridade
radical. Deus não é apenas moralmente superior; Ele é totalmente distinto de
tudo o que é criado. A chamada tríplice aclamação, conhecida na teologia como o
Triságion, revela que a santidade define o próprio ser de Deus. Como destacam
Berkof e o Dicionário Bíblico Baker, a santidade não é algo que Deus possui,
mas aquilo que Ele é em sua essência¹². Por isso, toda a terra está cheia da
sua glória. Sua santidade não o afasta do mundo; ela o governa. Essa revelação
fundamenta o chamado apostólico à vida cristã. Pedro escreve: “Mas, como é
santo aquele que os chamou, sejam santos vocês também em toda a sua maneira de
viver” (1Pe 1.15, NVI). Aqui, o termo grego hágios aponta para uma vida consagrada,
separada para Deus, moldada por sua presença. O imperativo não nasce de um
legalismo religioso, mas de uma nova identidade. Somos chamados porque fomos
alcançados. A santidade cristã não é um esforço humano para se aproximar de
Deus, mas a resposta obediente de quem já foi aproximado por Ele. Horton e o
Comentário Bíblico Pentecostal destacam que esse chamado está enraizado na
redenção e sustentado pela ação contínua do Espírito Santo, que aplica na vida
do crente aquilo que Cristo conquistou na cruz³. Aqui está o ponto pastoral
decisivo para os jovens. Deus é amor, sim, mas seu amor é santo. Ele não nos
salva para permanecermos como somos. Ele nos salva para nos transformar. “Sede
santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16, NVI) não é uma sugestão espiritual, mas
um convite à coerência. Santidade envolve escolhas, hábitos, palavras e afetos.
Ela alcança a vida pública e a vida secreta. Não se trata de isolamento do
mundo, mas de viver nele sob outro governo. A pergunta que o texto nos impõe é
clara e necessária. Se fomos salvos pelo Deus absolutamente santo, nossa
maneira de viver tem refletido o caráter daquele que nos chamou para si?
1. BERKOF, Louis. Teologia
Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
2. LONGMAN III, Tremper
(Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.
3. HORTON, Stanley M.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. HORTON, Stanley M.
(Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD,
2003.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL
EDIÇÃO GLOBAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.
2. A salvação é um chamado à
santidade. A obra de salvação não inclui apenas o perdão dos pecados, mas um
chamado à transformação completa da vida. É um chamado positivo à santidade da
vida (Rm 6.22). A doutrina bíblica da salvação ensina que, ao sermos alcançados
pela graça, experimentamos o que muitos estudiosos chamam de santidade
posicional, ou seja, refere-se à condição de santos que o salvo recebe no
momento em que a salvação é operada (1Co 1.2; Hb 10.10). Essa é uma realidade
imediata e completa, vinda direta e exclusivamente de Deus. Além dessa
realidade, há outra denominada de “santidade progressiva”, que se refere ao
processo contínuo de transformação interior operada pelo Espírito Santo ao longo
da caminhada espiritual (2Co 3.18; Fp 2.12,13). Essa é uma realidade paulatina
que exige uma cooperação do crente nesse desenvolvimento espiritual. Nesse
sentido, é uma decisão do salvo escolher andar com Deus todos os dias, optando
por obedecer à sua Palavra mesmo quando o mundo diz o contrário.
👉 A salvação bíblica nunca se limita ao perdão dos pecados. Ela é,
desde o início, um chamado claro à transformação da vida inteira. Em Romanos
6.22, Paulo afirma que, libertos do pecado e feitos servos de Deus, temos como
fruto a santidade. O termo grego hagiasmós aponta para um movimento contínuo
que brota de uma nova condição espiritual. Não se trata apenas de mudar
comportamentos externos, mas de uma nova direção de vida, agora governada por
Deus. Como afirmam Berkof e Horton, a graça que justifica é a mesma que
inaugura uma existência marcada por separação para Deus e conformidade com sua
vontade¹². A salvação, portanto, não nos deixa onde estávamos. Ela nos coloca
em caminho. Nesse ponto, a Escritura nos ajuda a compreender duas realidades
inseparáveis. A primeira é aquilo que a teologia chama de santidade posicional.
Em 1 Coríntios 1.2, Paulo chama os crentes de “santificados em Cristo Jesus”. O
verbo hēgiasménois está no perfeito passivo, indicando uma ação completa
realizada por Deus com efeitos permanentes. O mesmo ensino aparece em Hebreus
10.10, onde somos declarados santos pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita
uma vez por todas. Essa santidade não é construída pelo esforço humano. Ela é
recebida. É uma nova identidade concedida pela graça. Como ressaltam o
Comentário Bíblico Pentecostal e a Bíblia de Estudo Plenitude, essa realidade
fundamenta a segurança e a dignidade do crente diante de Deus³⁴. Contudo, essa
posição santa dá origem a um processo contínuo. A Escritura chama isso de
transformação progressiva. Em 2 Coríntios 3.18, Paulo afirma que somos
transformados de glória em glória pelo Espírito. O verbo metamorphoúmetha
descreve uma mudança profunda, interna e gradual. Filipenses 2.12 e 13
esclarecem essa dinâmica. Deus opera em nós tanto o querer quanto o realizar,
mas somos chamados a desenvolver nossa salvação com reverência. Aqui está o
equilíbrio pastoral. A santidade é obra do Espírito, mas envolve resposta humana.
Todos os dias, o salvo decide andar com Deus, obedecer à Palavra e resistir à
lógica do mundo. A pergunta que o texto nos deixa é direta e necessária. Temos
vivido apenas da posição que recebemos ou também do processo que o Espírito
deseja realizar em nós?
1. BERKOF, Louis. Teologia
Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M.
Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. HORTON, Stanley M.
(Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD,
2003.
4. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL EDIÇÃO GLOBAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2020.
3. A cruz: o encontro da justiça e do
amor de Deus e o caminho para a santidade. A cruz de Cristo é o maior marco da história da
salvação. Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma
perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade. Deus é santo e não
pode tolerar o pecado (Hc 1.13), mas também é amor, e deseja salvar o pecador
(Jo 3.16). Na cruz, vemos que o pecado não foi ignorado, pelo contrário, ele
foi julgado com todo o peso da justiça divina. Jesus, o Cordeiro sem mancha,
tomou sobre si a culpa que era nossa (Is 53.5). Ao mesmo tempo, esse sacrifício
revela o quanto Deus nos ama, ao ponto de entregar seu Filho por nós. A cruz
mostra que a salvação não é barata: ela custou o sangue de Cristo. Ali, Deus
permanece justo ao punir o pecado e, ao mesmo tempo, é amoroso ao justificar o
pecador que crê em Jesus (Rm 3.26). O madeiro é, portanto, o ponto onde a
santidade de Deus exige justiça, e o amor de Deus oferece graça.
👉
A cruz de Cristo ocupa o centro da história da salvação porque
nela Deus se revela plenamente como justo e amoroso. A Escritura afirma que
Deus é tão santo que não pode contemplar o mal com aprovação (Hc 1.13). O
pecado não é um detalhe moral nem uma fraqueza menor. Ele é afronta direta à
santidade divina. Por isso, a cruz nos ensina algo essencial. Deus não salva
relativizando o pecado, nem o ignora por compaixão. Ele o enfrenta. No
Calvário, a justiça de Deus não foi suspensa, mas plenamente exercida. Como
destacam Berkof e o Comentário Bíblico Beacon, a cruz é o lugar onde o caráter
santo de Deus é preservado, mesmo quando Ele decide salvar o pecador¹². Nesse
cenário, Isaías 53.5 ganha profundidade teológica. Cristo foi traspassado por
causa das nossas transgressões. O termo hebraico traduzido por “castigo”
carrega a ideia de penalidade judicial. No Novo Testamento, Paulo afirma que
Deus condenou o pecado na carne de Cristo. Jesus não morreu como mártir, mas
como substituto. Ele é o Cordeiro sem defeito que assume a culpa que não era
sua. O amor de Deus se manifesta exatamente aqui. Não em sentimentalismo, mas
em sacrifício. João 3.16 não anuncia um amor barato, mas um amor que doa o que
tem de mais precioso. Como ressaltam Stanley Horton e a Bíblia de Estudo
Pentecostal, a cruz revela um amor que sofre para salvar sem comprometer a
santidade³⁴. Paulo resume esse mistério em Romanos 3.26 ao afirmar que Deus é
justo e justificador daquele que tem fé em Jesus. O verbo grego dikaioûnta
aponta para uma declaração legal. O pecador é absolvido porque outro pagou a
pena. É nesse ponto que a cruz se torna também o caminho da santidade. Quem é
alcançado por essa graça não permanece o mesmo. A cruz nos constrange. Ela nos
ensina que a salvação custou sangue e, por isso, a vida cristã não pode ser
vivida de forma superficial. A santidade nasce quando compreendemos que fomos
comprados por alto preço. A pergunta pastoral permanece diante de nós. Se a
cruz revela o quanto Deus é santo e o quanto Ele nos ama, que tipo de vida
temos construído à sombra desse madeiro?
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD,
2006.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
4. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL EDIÇÃO GLOBAL. Rio de Janeiro:
CPAD, 2020.
SUBSÍDIO III
“Fp 2.12. OPERAI A VOSSA SALVAÇÃO.
Embora sejamos espiritualmente salvos pela graça de Deus — seu favor, amor e
capacitação imerecidos —, devemos continuar a trabalhar a nossa salvação até o
fim (cf. Mt 24.13; Hb 6.11). Precisamos terminar nossa corrida (1Co 9.24-27) e
completar fielmente nossa jornada na terra. Se não conseguirmos fazer isso,
perderemos a salvação que nos foi dada. (1) Isto não implica uma tentativa de
obter a salvação ou o favor de Deus através das obras. Pelo contrário, é uma
expressão da nossa salvação através do crescimento espiritual e do
desenvolvimento contínuo. A salvação não é apenas um dom recebido de uma vez
por todas; ela é vivida e realizada através de um processo contínuo de entrega
a Cristo e de seguir os seus propósitos. Isso muitas vezes exige muita
determinação, de modo que devemos perseverar e amadurecer espiritualmente (1Co
9.24-27; 2Pe 1.5-8).
(2) Assim como não somos salvos
através de boas obras (Ef 2.8,9; Tt 3.5), não desenvolvemos a nossa salvação
através de esforços meramente humanos. Pelo contrário, devemos continuar a
confiar nas mesmas coisas que nos trouxeram a salvação em primeiro lugar: a
graça de Deus (isto é, seu favor, amor e capacitação imerecidos) e o poder do
Espírito que nos foi dado.
(3) A fim de desenvolver a nossa
salvação, devemos resistir à tentação e ao pecado (isto é, nossos próprios
caminhos que desafiam a Deus) e seguir os desejos do Espírito Santo dentro de
nós. Isto envolve um esforço sustentado para usar todos os meios disponíveis
dados por Deus para derrotar o maligno e experimentar a vida de Cristo. Isso
faz parte do processo de santificação — o processo de ser espiritualmente
purificado, refinado e separado para os propósitos de Deus, e como sua
propriedade, através de crescimento e do desenvolvimento espirituais
contínuos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD,
2023, p.1662).
CONCLUSÃO
A Bíblia revela que Deus é, ao mesmo
tempo, amoroso e santo, Ele não apenas exige santidade, mas é a própria
santidade. E, mesmo sendo santo, não nos rejeitou por causa do pecado. Pelo
contrário, foi por amor que providenciou, em Cristo, o caminho de volta. O
pecado afastou a humanidade do Deus Criador, mas a cruz abriu a porta do
regresso. A santidade não é apenas um padrão moral, mas uma resposta de amor a
um Deus que, sendo santo, decidiu nos amar até o fim. Ter uma vida em santidade
é responder positivamente ao amor do Deus que salva.
👉
A Escritura nos apresenta um Deus que não pode ser dividido
entre amor e santidade. Ele é ambos, plenamente e sem contradição. Deus não
apenas exige santidade. Ele é santo em sua essência. O termo bíblico hágios
descreve aquilo que é separado, puro e absolutamente distinto. Essa santidade
não o tornou distante do pecador, mas revelou a gravidade do nosso afastamento.
O pecado rompeu a comunhão com o Criador e nos colocou fora do caminho da vida.
Ainda assim, Deus não nos rejeitou. Pelo contrário, decidiu agir. Em Cristo,
Ele mesmo providenciou o retorno. A cruz não nega a santidade divina. Ela a
confirma. Ali, o pecado foi tratado com seriedade e julgado com justiça,
enquanto o amor de Deus se manifestou de forma concreta e redentora. Como
afirmam Berkof e Horton, a salvação não diminui a santidade de Deus, mas a
exalta, pois Ele salva sem comprometer quem Ele é¹². Nesse sentido, a cruz se
torna o ponto decisivo da história humana. Ela revela que o caminho de volta
não foi aberto por esforço humano, mas por iniciativa divina. O Deus santo
tomou a iniciativa de reconciliar consigo um povo pecador. A santidade,
portanto, não é apenas um padrão moral elevado nem uma lista de exigências
comportamentais. Ela é resposta. É fruto de um encontro. É viver à altura da
graça recebida. O Novo Testamento nos ensina que fomos chamados não apenas para
sermos perdoados, mas para sermos transformados. A santidade nasce quando
compreendemos que fomos alcançados por um amor que custou sangue. Como destaca
o Comentário Bíblico Pentecostal e a Bíblia de Estudo Plenitude, viver em
santidade é viver coerentemente com a nova identidade recebida em Cristo³⁴. Diante
disso, três aplicações se tornam inevitáveis. Primeiro, se Deus se revelou como
Salvador, somos chamados a buscá-lo com reverência, não de forma superficial ou
religiosa, mas em relacionamento real e obediente. Segundo, se a salvação é
prova do amor de Deus, nossa resposta não pode ser indiferença. Somos chamados
a viver com gratidão visível, em escolhas, atitudes e prioridades que honrem o
sacrifício de Cristo. Terceiro, se a cruz une justiça e amor, a santidade deixa
de ser peso e passa a ser caminho. Caminho de quem foi reconciliado,
transformado e agora deseja viver para a glória de Deus. A pergunta final
permanece diante de cada jovem cristão. Temos tratado a santidade como
obrigação religiosa ou como resposta amorosa ao Deus que nos salvou?
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. HORTON, Stanley M. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal do
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.
4. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2018.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL EDIÇÃO GLOBAL. Rio de Janeiro:
CPAD, 2020.
HORA DA REVISÃO
1. Como Deus se revela desde Gênesis?
Deus se revela como o Redentor que
toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o
mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15).
2. O que Jesus revela a respeito de Deus?
Jesus revela tanto a bondade, quanto
a natureza salvadora de Deus.
3. De acordo com a lição, o que motivou o envio de Jesus à cruz?
O que motivou o envio de Jesus Cristo
à cruz foi o incomparável amor de Deus.
4. Com o que o chamado à santidade está relacionado?
Esse chamado à santidade está diretamente
relacionado à própria natureza santa de Deus.
5. De que maneira podemos explicar a cruz de Cristo como o maior marco da
história da salvação?
Nela, a justiça de Deus e o seu amor
infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da
santidade.
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