Lição 4: O Deus que justifica
Data: 25 de janeiro de 2026
TEXTO PRINCIPAL
“Sendo, pois, justificados pela
fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Rm 5.1).
ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:
👉 Romanos 5.1 funciona como uma ponte teológica entre a
argumentação doutrinária de Paulo sobre a justificação nos capítulos 1–4 e as
implicações práticas da salvação nos capítulos 5–8. A expressão inicial “Sendo,
pois” traduz o grego dikaiōthéntes oun, indicando uma conclusão lógica. Paulo
não introduz uma nova ideia, mas colhe os frutos de tudo o que demonstrou
anteriormente, especialmente a justificação de Abraão pela fé. Trata-se de um
fato consumado, não de uma possibilidade futura. O particípio aoristo passivo
“justificados” aponta para uma ação definitiva realizada por Deus sobre o
pecador, fora dele, com efeitos permanentes. O verbo dikaióō carrega forte
sentido forense e jurídico. Não descreve uma transformação moral inicial, mas
uma declaração legal de justiça diante do tribunal divino. Deus, o Juiz santo,
declara justo o pecador com base na obra redentora de Cristo. A voz passiva do
verbo deixa claro que o ser humano não é o agente da justificação. Ele a
recebe. A base instrumental dessa justificação é “pela fé” (ek pisteōs), não
como mérito, mas como meio de apropriação da graça. A fé não produz justiça;
ela se apoia na justiça já provida por Deus em Cristo. O resultado imediato
dessa justificação é descrito pela expressão “temos paz com Deus”. A palavra
eirēnē não se refere primariamente a um sentimento subjetivo de tranquilidade
interior, mas a uma mudança objetiva de relacionamento. Antes da justificação,
o ser humano estava em estado de inimizade com Deus, sob ira e condenação.
Agora, por causa da obra de Cristo, há reconciliação real. A paz aqui é o fim
da hostilidade entre Deus e o pecador. Como destacam os comentaristas, não se
trata da “paz de Deus”, mas de paz com Deus, isto é, uma nova condição
relacional estabelecida pela graça. Paulo afirma que essa paz ocorre “por nosso
Senhor Jesus Cristo”. A preposição dia indica mediação exclusiva. Cristo é o
único meio pelo qual a justificação e a paz se tornam realidade. Não há acesso
direto ao Pai fora da obra do Filho. Sua obediência perfeita, sua morte
substitutiva e sua ressurreição vitoriosa são o fundamento dessa paz. Aqui, a
cristologia paulina se apresenta de forma implícita, porém profunda. Jesus não
é apenas o exemplo da fé; Ele é o objeto da fé e o mediador da reconciliação. Do
ponto de vista pastoral, Romanos 5.1 ensina que o cristão não vive mais sob
culpa, medo ou tentativa de autojustificação. A justificação gera segurança
espiritual e liberdade para viver em gratidão e santidade. A paz com Deus
sustenta a vida cristã em meio às lutas, pois não depende das circunstâncias
nem do desempenho moral, mas da obra consumada de Cristo. Assim, a fé que
justifica também fundamenta uma vida confiante, ousada e cheia de esperança
diante de Deus.
RESUMO DA LIÇÃO
O jovem cristão, que entende a
realidade da Justificação pela fé, vive com ousadia, gratidão e santidade,
sabendo que foi perdoado, regenerado e capacitado para vencer em Cristo.
ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:
👉 O jovem que compreende, à luz das Escrituras, a doutrina da
Justificação pela fé descobre que sua vida cristã não começa no esforço humano,
mas na iniciativa graciosa de Deus. Ele entende que foi declarado justo diante
do Senhor, não por méritos pessoais, mas pela justiça perfeita de Cristo que
lhe foi imputada. Essa verdade redefine sua identidade, cura sua relação com o
passado e estabelece uma nova base para viver diante de Deus, livre da culpa e
da condenação.
Por saber que foi perdoado plenamente,
esse jovem não vive mais tentando pagar dívidas espirituais que Cristo já
quitou na cruz. A consciência da justificação gera gratidão profunda, não
acomodação. Ele serve a Deus não por medo da rejeição, mas por amor Àquele que
o aceitou. Sua obediência nasce da graça recebida, e não da tentativa de
conquistar aprovação. A fé que o justificou passa a moldar suas escolhas, seus
afetos e sua maneira de viver no mundo.
Além disso, ao ser regenerado pelo
Espírito Santo, o jovem justificado experimenta uma transformação interior
real, que sustenta sua caminhada diária. Ele aprende a viver no poder do
Espírito, resistindo ao pecado e produzindo frutos que glorificam a Deus. A
santidade, nesse contexto, deixa de ser uma performance religiosa e se torna
resposta natural à nova vida em Cristo. Não é perfeição sem luta, mas direção
firme sustentada pela graça.
Por fim, esse jovem vive com ousadia
espiritual, porque sabe quem é e a quem pertence. Ele enfrenta desafios,
tentações e pressões culturais com esperança e confiança, consciente de que sua
vitória não está em si mesmo, mas em Cristo que o justificou, regenerou e
continua a capacitá-lo. Assim, a doutrina da Justificação deixa de ser apenas
um conceito teológico e se torna o fundamento vivo de uma fé madura, alegre e
perseverante.
TEXTO BÍBLICO
Romanos 4.1-8.
Observação
editorial: os
comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às
linhas interpretativas das obras citadas.
1 Que diremos, pois, ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne?
👉
Paulo inicia com uma pergunta retórica, típica de seu método
dialógico, chamando o leitor a refletir. Abraão é apresentado como “nosso
antepassado segundo a carne”, expressão que reconhece sua importância histórica
e étnica para os judeus. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, Paulo não
diminui Abraão, mas o coloca como caso-testemunha para demonstrar como Deus
sempre justificou pela fé, não pelas obras. A Bíblia MacArthur destaca que
Paulo antecipa uma objeção judaica: se alguém poderia ser justificado por
obras, certamente seria Abraão. Assim, o apóstolo conduz o argumento para
mostrar que nem mesmo o patriarca foi aceito por mérito humano. A Aplicação
Pessoal ressalta que Paulo convida o leitor a abandonar pressupostos religiosos
herdados e a examinar a Escritura com honestidade.
2 Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar,
mas não diante de Deus.
👉
Aqui Paulo estabelece uma hipótese apenas para negá-la. O ponto
não é que Abraão foi justificado por obras, mas que, se fosse, sua justificação
permitiria vanglória humana. A Bíblia MacArthur enfatiza que qualquer sistema
baseado em obras inevitavelmente produz orgulho espiritual. Já a Bíblia
Plenitude observa que a glória humana é incompatível com a santidade de Deus. A
Bíblia Pentecostal destaca que o problema não são as obras em si, mas o uso
delas como base de aceitação diante de Deus. Paulo deixa claro que diante do
tribunal divino não há espaço para autopromoção espiritual. Toda tentativa de
justificar-se por desempenho esvazia a graça.
3 Pois, que diz a Escritura? Creu Abraão em Deus, e isso lhe foi imputado
como justiça.
👉
Este versículo é o eixo central do argumento. Paulo cita Gênesis
15.6 para mostrar que a Escritura interpreta a própria Escritura. O verbo grego
elogísthē vem de logízomai, que significa “creditar”, “imputar”, “lançar na
conta”. A Bíblia Pentecostal enfatiza que a justiça não é produzida em Abraão,
mas atribuída a ele por Deus. A Bíblia MacArthur reforça que a fé não é mérito,
mas o meio pelo qual a justiça é recebida. A Plenitude observa que essa justiça
é relacional e pactuai. Deus aceita Abraão com base na confiança nele depositada.
A Aplicação Pessoal destaca que fé bíblica não é sentimento vago, mas confiança
obediente na Palavra de Deus.
4 Ora, àquele que faz qualquer obra, não lhe é imputado o galardão
segundo a graça, mas segundo a dívida.
👉
Paulo usa uma ilustração simples do cotidiano. Se alguém
trabalha, o pagamento é obrigação, não graça. A Bíblia MacArthur destaca que
Paulo demonstra a incompatibilidade entre graça e obras como base de
justificação. A Bíblia Pentecostal ressalta que Deus não deve nada ao ser
humano. Se a salvação fosse por obras, Deus estaria pagando uma dívida, o que
contradiz sua soberania e graça. A Aplicação Pessoal chama atenção para o
perigo de transformar a fé em uma negociação com Deus, como se Ele estivesse
obrigado a recompensar desempenho religioso.
5 Mas, àquele que não pratica, porém crê naquele que justifica o ímpio, a
sua fé lhe é imputada como justiça.
👉
Este é um dos versículos mais teologicamente fortes da carta.
Deus é descrito como aquele que “justifica o ímpio”. A Bíblia Pentecostal
observa que isso não significa que Deus aprove o pecado, mas que Ele declara
justo aquele que se arrepende e crê. A Bíblia MacArthur enfatiza o escândalo da
graça. Deus não justifica o justo, mas o ímpio que confia nele. A Plenitude
destaca que a fé aqui é abandono completo de qualquer tentativa de
autojustificação. A Aplicação Pessoal reforça que esse texto confronta diretamente
o orgulho religioso e oferece esperança real ao pecador quebrantado.
6 Assim também Davi declara bem-aventurado o homem a quem Deus imputa a
justiça sem as obras, dizendo:
👉
Paulo agora introduz Davi como segunda testemunha
veterotestamentária. A Bíblia Pentecostal destaca que Paulo mostra continuidade
entre Lei, Profetas e Escritos. A Bíblia MacArthur observa que Paulo recorre a
Salmos para mostrar que essa doutrina não é uma inovação cristã. A palavra
“felicidade” aponta para o estado de bem-aventurança daquele que foi aceito por
Deus. A Aplicação Pessoal ressalta que verdadeira alegria espiritual nasce da
graça recebida, não do esforço acumulado.
7 Bem-aventurados aqueles cujas maldades são perdoadas, e cujos pecados
são cobertos.
👉
Aqui Paulo cita o Salmo 32.1. A Bíblia Plenitude destaca que
“cobertos” não significa ignorados, mas tratados pela graça divina. A Bíblia
Pentecostal observa que o perdão é completo e eficaz. A culpa não permanece
sobre o justificado. A Bíblia MacArthur enfatiza que o perdão descrito aqui é
judicial. A dívida é removida. A Aplicação Pessoal aponta que muitos cristãos
vivem perdoáveis, mas não vivem como perdoados, e isso afeta profundamente sua
caminhada espiritual.
8 Bem-aventurado o homem a quem o
Senhor não imputa o pecado.
👉
O verbo “atribuir” novamente remete a logízomai. Deus não lança
o pecado na conta do justificado. A Bíblia Pentecostal ressalta que isso não
elimina a necessidade de arrependimento contínuo, mas remove a condenação
eterna. A Bíblia MacArthur afirma que este versículo descreve o lado negativo
da imputação. Assim como a justiça de Cristo é creditada ao crente, o pecado
não lhe é imputado. A Bíblia Plenitude destaca o descanso espiritual que brota
dessa verdade. A Aplicação Pessoal conclui que viver sem condenação não é
licença para pecar, mas liberdade para obedecer com alegria.
Síntese pastoral final
Romanos
4.1–8 ensina que a justificação sempre foi pela fé, fundamentada na graça
soberana de Deus. Abraão e Davi testemunham que o pecador é aceito não por
obras, mas pela confiança em Deus. Essa verdade liberta o jovem cristão da
culpa, destrói o orgulho religioso e estabelece uma vida marcada por gratidão,
obediência e paz com Deus.
INTRODUÇÃO
A doutrina bíblica da Justificação pela fé é uma das verdades centrais
da fé cristã. Segundo as Escrituras, ela ensina que a salvação não se baseia em
méritos humanos, mas exclusivamente na justiça de Jesus Cristo. Assim, é Deus
quem nos justifica. Nesta lição, estudaremos a Justificação como parte
essencial da obra redentora e refletiremos sobre seu significado prático para
aqueles que creem na obra consumada pelo Senhor Jesus.
👉
Como um Deus absolutamente santo pode declarar justo um pecador
culpado sem violar a sua própria justiça? Essa pergunta atravessa toda a
Escritura e está no centro do evangelho. A resposta bíblica não está no esforço
humano, na moralidade religiosa ou em obras meritórias, mas em um ato soberano
da graça divina: a Justificação pela fé. O apóstolo Paulo resume essa verdade
de forma contundente ao afirmar: “Sendo, pois, justificados pela fé, temos paz
com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (Rm 5.1). Aqui não se trata apenas de
um conceito teológico abstrato, mas de uma realidade espiritual que redefine
completamente nossa relação com Deus, nossa identidade e nossa maneira de
viver. A doutrina da Justificação ocupa lugar central na fé cristã porque
responde ao problema mais profundo da humanidade: a culpa diante de Deus.
Biblicamente, justificar não significa “tornar alguém moralmente perfeito”, mas
declará-lo justo em um tribunal, com base em uma justiça que não lhe pertence.
O evangelho revela que essa justiça não é produzida pelo homem, mas imputada
por Deus, mediante a fé, com base na obra consumada de Cristo na cruz (Rm
3.21–26). Assim, a Justificação não nasce do que fazemos para Deus, mas do que
Deus fez por nós em Cristo. Nesta lição, veremos que a Justificação é um ato
jurídico, gracioso e definitivo de Deus, no qual Ele absolve o pecador da
condenação e o aceita plenamente com base na justiça de Jesus. Primeiramente,
compreenderemos o que é a Justificação pela fé e como ela difere de outras
obras da salvação, como a Regeneração. Em seguida, observaremos como Deus já
havia revelado esse princípio no Antigo Testamento ao justificar Abraão pela
fé, antes mesmo da Lei. Por fim, refletiremos sobre as implicações práticas
dessa doutrina, especialmente o livramento da culpa, da condenação eterna e o
testemunho interior do Espírito Santo que confirma nossa nova identidade em
Cristo. Ao longo deste estudo, aprenderemos que a Justificação não apenas nos
livra da condenação, mas também nos capacita a viver com ousadia, gratidão e
santidade. Quem entende que foi justificado pela fé não vive mais tentando
provar seu valor diante de Deus, mas responde à graça com uma vida
transformada. Assim, esta lição nos convida não apenas a entender uma doutrina
essencial, mas a viver a partir dela, firmados na paz com Deus e na segurança
eterna que há em Cristo Jesus.
I. O QUE É A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ
1. Conceito. A palavra “justificação” refere-se à mudança na condição do pecador
diante de Deus. Antes, estávamos mortos “em ofensas e pecados” (Ef 2.1), mas,
ao experimentarmos a Justificação, nossa posição é completamente transformada:
de culpados, Deus nos declara inocentes; de condenados, Ele nos absolve. Isso
acontece por causa da obra satisfatória de Cristo no Calvário e mediante a fé
nEle (Rm 1.17). Por isso, fomos “justificados pela fé” e, assim, “temos paz com
Deus” (Rm 5.1). Isso significa que Deus nos concede a justiça de Cristo quando
cremos (Rm 3.21-26). Portanto, é Deus quem justifica o pecador.
👉
Como um pecador pode permanecer de pé diante de um Deus santo
sem ser consumido por sua justiça? A resposta bíblica não está no esforço
humano, mas em um ato soberano de Deus. A Escritura chama esse ato de
Justificação. O apóstolo Paulo afirma que estávamos “mortos em transgressões e
pecados” (Ef 2.1, NVI), incapazes de produzir qualquer justiça que nos
reconciliasse com Deus. A Justificação, portanto, não nasce de dentro do ser
humano, mas vem de fora dele, como uma declaração graciosa do próprio Deus que
intervém em favor do culpado. No Novo Testamento, o termo “justificar” traduz o
verbo grego dikaióō, amplamente utilizado no contexto jurídico do mundo
greco-romano. Seu sentido principal não é transformar moralmente, mas declarar
justo em um tribunal. Trata-se de um veredito, não de um processo. Deus, como
Juiz santo, declara o pecador justo, não porque ele se tornou justo em si
mesmo, mas porque a justiça perfeita de Cristo lhe foi creditada. Berkof
destaca que a Justificação é um ato forense, único e definitivo, no qual Deus
muda o status legal do pecador diante dEle¹. Essa declaração divina só é
possível por causa da obra satisfatória de Cristo no Calvário. Na cruz, Jesus
não apenas demonstrou amor, mas satisfez plenamente as exigências da justiça
divina. Paulo ensina que Deus apresentou Cristo como sacrifício para
propiciação, a fim de ser “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”
(Rm 3.26, NVI). Aqui está o coração do evangelho. Deus não ignora o pecado, mas
o julga em Cristo. E, ao mesmo tempo, oferece gratuitamente a justiça ao que
crê. Horton observa que a fé não é a causa meritória da Justificação, mas o
meio pelo qual o pecador recebe a justiça que Deus concede². Por isso, quando
Paulo declara que somos “justificados pela fé” (Rm 5.1, NVI), ele afirma que a
fé é a mão vazia que se estende para receber aquilo que Deus já realizou em
Cristo. Não se trata de fé como obra, mas como confiança. Fé é dependência
total. É abandonar toda tentativa de autossalvação e descansar exclusivamente
na obra consumada de Jesus. Essa verdade confronta profundamente a mentalidade
religiosa baseada em desempenho, tão comum ainda hoje, inclusive entre jovens
cristãos. O resultado imediato dessa Justificação é a paz com Deus. Não uma paz
emocional passageira, mas uma reconciliação objetiva. A inimizade foi removida.
A condenação foi anulada. O relacionamento foi restaurado. Quem compreende essa
doutrina não vive mais tentando provar seu valor diante de Deus. Vive como
alguém aceito, perdoado e amado. A Justificação pela fé nos ensina que é Deus
quem justifica o pecador e que toda a vida cristã saudável começa a partir
dessa nova posição diante dEle.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã,
2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.
6. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
7. Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: Hagnos, 2010.
8. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
2. O ato da Justificação. O ato de justificar é uma obra invisível, que muda a nossa condição de
pecadores, herdada desde o Éden. Trata-se de uma obra milagrosa, já que, contra
o pecado, não há nada que possamos fazer por nós mesmos. Mas quando cremos em
Cristo e em sua obra consumada no Calvário, nossa condição humana é
transformada diante de Deus. Na Regeneração, nossa vida interior é
profundamente restaurada (2Co 5.17); na Justificação, nossa posição diante de
Deus é completamente alterada (Rm 8.1). Assim, Deus olha para nós e, sob o seu
olhar, está a justiça do seu Filho, Jesus Cristo. Isso é a graça de Deus em
ação!
👉
O ato de justificar é uma das obras mais profundas e, ao mesmo
tempo, mais mal compreendidas da salvação. Biblicamente, a Justificação não é
algo que o ser humano percebe com os sentidos, nem um sentimento interno
imediato. Trata-se de uma ação soberana e invisível de Deus, realizada no
âmbito do seu tribunal santo. Desde o Éden, a humanidade carrega uma condição
herdada de culpa e separação. Paulo afirma que “todos pecaram e estão
destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23, NVI). Diante dessa realidade, o ser
humano não possui recursos espirituais para reverter sua própria condenação. A
Justificação acontece exatamente onde nossa incapacidade é total.
É
importante distinguir cuidadosamente a Justificação de outras obras da graça.
Na Regeneração, Deus opera uma transformação interior, concedendo nova vida ao
pecador. “Se alguém está em Cristo, é nova criação” (2Co 5.17, NVI). Já na
Justificação, Deus opera uma mudança de posição, não de natureza. O pecador não
é declarado justo porque foi regenerado; ele é regenerado porque foi alcançado
pela graça que o justificou. Berkof ressalta que confundir Justificação com
Regeneração compromete o entendimento do evangelho, pois mistura um ato
jurídico com um processo espiritual¹. Um muda o estado legal diante de Deus. O
outro transforma a vida interior. No ato da Justificação, Deus imputa ao crente
a justiça perfeita de Cristo. O termo “imputar”, amplamente utilizado por Paulo
em Romanos 4, comunica a ideia de crédito lançado em conta. Não se trata de
justiça infundida, como se fosse um progresso moral gradual, mas de justiça
atribuída, recebida integralmente no momento da fé. Deus olha para o crente e
vê a obediência do Filho. A condenação é removida porque já foi executada na
cruz. Por isso Paulo declara com segurança: “Agora, pois, já não há condenação
para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1, NVI).
Esse
ato é completamente gracioso. Não há cooperação humana, barganha espiritual ou
mérito envolvido. Horton e Arrington enfatizam que a Justificação é obra
exclusiva da graça divina, fundamentada na expiação de Cristo e aplicada ao
crente pelo Espírito Santo²³. A fé não compra a Justificação, nem a produz. Ela
apenas recebe aquilo que Deus concede livremente. Isso confronta diretamente a
mentalidade religiosa que tenta equilibrar graça e desempenho. Ou somos
justificados pela graça, ou não somos justificados de modo algum. Essa verdade
traz descanso à alma. Muitos jovens vivem sob constante acusação interior,
tentando agradar a Deus como se estivessem sempre em dívida. A Justificação
declara que o débito foi cancelado. O passado foi tratado. A sentença foi
revertida. Isso não conduz à irresponsabilidade espiritual, mas a uma vida
marcada por gratidão e obediência sincera. Quem entende o ato da Justificação
não vive para conquistar aceitação, mas porque já foi aceito. É dessa segurança
que nasce uma vida cristã saudável, santa e perseverante diante de Deus.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.
6. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
7. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do
Brasil, 2018.
8. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. Uma experiência real. A doutrina da Justificação não é apenas uma teoria, mas uma experiência
real. Quando você compreende que foi justificado pela fé, passa a viver com uma
nova identidade, tanto psicológica, no tocante às emoções e à personalidade,
quanto espiritual. Não há razão para viver como alguém condenado. Não há por
que carregar culpa que o pecado colocou sobre nós. A Justificação pela fé
encoraja você a viver como alguém perdoado, aceito e capacitado para servir a
Deus no poder do Espírito Santo (Rm 8.1). Portanto, se você crê em Cristo e em
sua obra consumada no Calvário, viva com gratidão e ousadia, sabendo que sua
culpa foi retirada — e, pela graça, Deus o aceitou (Rm 5.1). Por isso, não
aceite viver como alguém condenado, mas alegre-se por ser justificado e amado.
Viva essa verdade com fé e esperança.
👉
A Justificação pela fé não permanece confinada ao campo da
doutrina. Ela desce ao chão da vida e alcança a experiência concreta do crente.
Quando Deus declara o pecador justo, essa declaração não ecoa apenas no
tribunal celestial. Ela reverbera na consciência, na identidade e na maneira de
viver. Paulo afirma que “agora, pois, já não há condenação para os que estão em
Cristo Jesus” (Rm 8.1, NVI). Essa afirmação não descreve um sentimento otimista,
mas uma nova realidade espiritual objetiva, que redefine como o cristão se vê
diante de Deus e de si mesmo.
A
compreensão dessa verdade produz uma mudança profunda na identidade pessoal. O
crente deixa de se perceber como alguém constantemente sob suspeita divina. A
acusação perde sua autoridade. No grego, a palavra katákrima usada por Paulo em
Romanos 8.1 aponta para uma sentença condenatória irrevogável. Paulo afirma que
essa sentença foi removida. Isso significa que o cristão não vive mais sob o
peso de um veredito pendente. A culpa foi tratada na cruz. A justiça foi
satisfeita. Como observam Champlin e o Comentário Bíblico Pentecostal, a
Justificação cura a consciência ferida e liberta o crente do ciclo de medo e
autopunição espiritual¹².
Essa
experiência tem implicações emocionais e espirituais reais. Muitos jovens
cristãos carregam marcas do passado, fracassos, palavras acusadoras e
lembranças que tentam definir quem eles são. A Justificação confronta essas
narrativas com uma verdade maior. Deus já falou. E sua palavra final é de
aceitação. A Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal destaca que a segurança da
Justificação não elimina a luta contra o pecado, mas remove o desespero que
paralisa o crescimento espiritual³. O crente não luta para ser aceito. Ele luta
porque já foi aceito. Ao mesmo tempo, essa doutrina não conduz à
permissividade. A fé que justifica é viva e operante. Gordon Fee e Frank
Macchia lembram que a obra justificadora de Deus está inseparavelmente ligada à
atuação do Espírito Santo, que conduz o crente a uma vida de obediência e
santidade⁴⁵. A Justificação não anula o chamado à transformação. Ela o
fundamenta. Quem foi declarado justo passa a desejar viver de modo coerente com
essa nova posição. A obediência deixa de ser uma tentativa de compensação e
passa a ser uma resposta amorosa à graça. Por isso, a Justificação pela fé
encoraja uma vida marcada por gratidão, ousadia espiritual e esperança. O jovem
que entende essa verdade não aceita viver como alguém condenado, mesmo em meio
às lutas. Ele aprende a confessar seus pecados sem fugir de Deus, pois sabe que
tem um Advogado justo (1Jo 2.1). Vive com liberdade, mas também com
responsabilidade. Vive consciente de que foi perdoado, regenerado e capacitado
pelo Espírito Santo. Essa não é apenas uma doutrina para ser aprendida. É uma
verdade para ser vivida diariamente, com fé, reverência e confiança no Deus que
justifica.
1. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.
2. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
3. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD,
2019.
4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
5. MACCHIA, Frank D. Baptized in the Spirit. Grand Rapids:
Zondervan, 2006.
6. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
7. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
8. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
SUBSÍDIO I
“JUSTIFICAÇÃO. ‘Ser justificado’ (gr.
dikaioō) significa ser ‘justo diante de Deus’ (Rm 2.13), ser ‘feito justo’ (Rm
5.18,19), ‘estabelecer como justo’ ou ‘definir algo justo’. No sentido
judicial, significa ser absolvido ou declarado ‘inocente’. Assim sendo, diz
respeito, diretamente, ao perdão de Deus, disponível por intermédio do
sacrifício de Cristo. Originalmente, todas as pessoas são pecadoras, em
rebelião e oposição a Deus. Segundo a sua lei perfeita, somos declarados
culpados e condenados à morte eterna, mas aqueles que verdadeiramente se
arrependem — que admitem o seu pecado, que se afastam do seu próprio caminho,
que se entregam a Cristo e começam a seguir os seus propósitos — entram em um
relacionamento correto com Cristo. A partir da perspectiva de Deus, quando uma
pessoa aceita o sacrifício expiatório de Cristo (isto é, que compensa o pecado,
que fornece o perdão) por ela, nesse momento é como se ela nunca tivesse
pecado. Deus credita a justiça de Cristo aos que o recebem e seguem (veja Rm
4.24,25; Fp 3.9). Isto é o que permite que Deus aceite os humanos mortais no
céu, uma vez que ninguém nunca conseguiria ser suficientemente bom para merecer
um lugar no céu por seus próprios méritos. O apóstolo Paulo revela diversas
verdades a respeito da justificação e da maneira como ela se concretiza.”
(Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1515).
II. DEUS JUSTIFICOU ABRAÃO
1. O exemplo do pai da fé. Em Romanos 4.1-8, o apóstolo Paulo usa o exemplo de Abraão para ensinar
a doutrina da Justificação pela fé. O texto explica que, muito antes da Lei ser
dada, Abraão já havia crido em Deus — e por causa dessa fé, Deus o declarou
justo (Rm 4.3). Isso mostra que o ensino bíblico de ser salvo pela fé não
começou no Novo Testamento. Desde o Antigo Testamento, Deus já estava revelando
que o caminho da salvação não depende do que fazemos, mas da fé nEle. Abraão
não foi escolhido por merecimento, mas porque confiou em Deus. Nesse contexto,
a fé ocupa um lugar central no plano divino de salvação.
👉
Ao recorrer a Abraão em Romanos 4.1–8, o apóstolo Paulo não
escolhe um exemplo aleatório. Ele aponta para a figura mais reverenciada da
história de Israel para demonstrar que a Justificação pela fé não é uma
inovação cristã, mas um princípio que atravessa toda a revelação bíblica.
Abraão não é apresentado como um homem impecável, mas como alguém que foi
declarado justo por Deus em um contexto no qual ainda não existiam a Lei
mosaica, o sistema sacrificial levítico ou qualquer estrutura religiosa formal.
Isso já é, por si só, profundamente confrontador para qualquer tentativa de
fundamentar a salvação em obras. Paulo cita diretamente Gênesis 15.6: “Abraão
creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça” (Rm 4.3, NVI). O verbo
grego usado para “creditado” é logízomai, termo contábil que comunica a ideia
de lançar algo na conta de alguém. Abraão não produziu justiça. Ele recebeu
justiça. A fé não foi a justiça em si, mas o meio pelo qual Deus imputou
justiça a ele. Champlin observa que esse texto desmonta qualquer leitura
moralista da salvação, pois o foco não está no que Abraão fez, mas no que Deus
fez ao considerar sua fé¹.
O
contexto de Gênesis 15 reforça ainda mais essa verdade. Abraão crê na promessa
quando não há evidência visível de cumprimento. Ele não tinha filhos. Seu corpo
estava envelhecido. As circunstâncias contradiziam a promessa. Ainda assim, ele
confiou na palavra de Deus. Essa fé não era otimismo humano, mas rendição
confiante à fidelidade divina. O Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento
destaca que, no mundo antigo, confiar na palavra de um soberano significava
submeter-se totalmente à sua autoridade. A fé de Abraão, portanto, foi um ato
de dependência radical, não uma obra meritória².
Esse
exemplo deixa claro que a Justificação sempre foi pela fé, nunca pela Lei.
Paulo faz questão de frisar que Abraão foi justificado antes da circuncisão,
sinal da aliança (Rm 4.10–11). Isso revela que a aceitação de Abraão diante de
Deus não estava ligada a um rito externo, mas a uma relação de confiança.
Horton e Arrington observam que esse argumento desmonta qualquer tentativa de
condicionar a salvação a marcas religiosas, culturais ou comportamentais³⁴.
Deus aceita o pecador com base na fé, e não na performance. O exemplo de Abraão
fala diretamente aos jovens de hoje. Vivemos em uma cultura que mede valor por
desempenho, visibilidade e resultados. A fé de Abraão nos ensina que Deus opera
a partir da confiança, não da aparência. Ele chama pessoas imperfeitas e as
declara justas quando confiam em sua palavra. Abraão não foi justificado porque
era forte, mas porque confiou no Deus que é fiel. Essa verdade nos convida a
abandonar a ansiedade religiosa e a descansar na graça. Assim como Abraão,
somos chamados a crer contra as evidências, confiar na promessa e viver a
partir da certeza de que é Deus quem justifica.
1. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.
2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
5. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
7. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
8. Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo: Hagnos, 2010.
2. O lugar da fé. No plano divino, tanto o crer quanto o agir têm lugar na obra da
salvação. No caso de Abraão, a fé dele foi determinante para sua justificação
diante de Deus. Contudo, seus atos também fazem parte dessa economia salvífica,
como expressão concreta da fé. Sim, Abraão só deixou sua terra porque,
primeiro, creu na promessa de Deus (Gn 12.1). Na Justificação, o princípio é o
mesmo: primeiro se crê; depois, o justificado manifesta, por meio de sua
conduta, os frutos dessa fé. Por isso, a fé ocupa um lugar central no ato
divino de justificar o pecador. Ela é o gesto de plena dependência de Deus para
viver neste mundo.
👉
Ao tratar da Justificação, Paulo faz questão de definir com
precisão o lugar da fé no plano da salvação. Em Romanos 4, a fé não aparece
como uma virtude meritória, mas como o meio pelo qual o ser humano se apropria
daquilo que Deus já realizou. A fé não compra a justiça. Ela recebe a justiça.
Por isso, Paulo afirma que “ao que não trabalha, mas confia em Deus que
justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada como justiça” (Rm 4.5, NVI). Essa
afirmação desmonta qualquer tentativa de conciliar graça e desempenho como base
da aceitação diante de Deus. O verbo grego traduzido por “confia” em Romanos
4.5 é pisteúō, que carrega a ideia de entregar-se, depender, apoiar-se plenamente.
Não se trata de um simples assentimento intelectual, mas de uma postura
existencial de confiança. A fé bíblica não é passiva, mas relacional. Ela nasce
do encontro com a promessa de Deus e se expressa em rendição. Abraão não foi
justificado porque realizou grandes feitos, mas porque colocou sua vida nas
mãos do Deus que chama à existência coisas que não existem (Rm 4.17). Keener
observa que essa fé contracultural rompe com a lógica humana de mérito e
controle².
Isso
não significa que as obras sejam irrelevantes. Paulo não nega o valor da
obediência, mas define sua ordem correta. Primeiro vem a fé que justifica.
Depois vêm as obras que evidenciam essa fé. Quando Abraão deixa sua terra,
oferece Isaque e persevera na promessa, ele o faz como resposta à fé que já o
havia colocado em relação correta com Deus. Horton e Arrington destacam que as
obras não são a raiz da Justificação, mas seu fruto visível³⁴. Onde há fé
verdadeira, haverá transformação de vida. Essa compreensão protege o jovem
cristão de dois extremos igualmente perigosos. De um lado, o legalismo, que
transforma a fé em desempenho religioso e gera culpa constante. De outro, o
antinomismo, que reduz a graça a uma licença para viver sem compromisso. A fé
ocupa o lugar certo quando entendemos que ela nos une a Cristo e, ao mesmo
tempo, nos conduz a uma vida coerente com essa união. Gordon Fee lembra que a
fé salvadora está sempre acompanhada pela atuação do Espírito Santo, que
capacita o crente a viver segundo o Espírito (Rm 8.4)⁵.
Reconhecer
o lugar da fé traz descanso e responsabilidade. Descanso, porque o crente sabe
que sua aceitação diante de Deus não oscila conforme seu desempenho espiritual.
Responsabilidade, porque essa fé viva o chama a uma caminhada diária de
obediência, dependência e crescimento. A fé não é um ponto de chegada, mas o
início de uma vida vivida diante de Deus. Como Abraão, somos chamados a crer
antes de ver, obedecer antes de compreender totalmente e confiar naquele que é
fiel para cumprir tudo o que prometeu.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
6. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
7. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
8. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. O sentido prático dessa doutrina. A principal implicação desse ensino é que a
salvação não se baseia em uma performance meramente religiosa, sem vida e
mecânica. Nossa salvação está firmada em uma confiança viva em Jesus Cristo.
Por isso, essa fé não é passiva, inerte ou morta — ela produz frutos visíveis
na maneira de viver. Uma vez justificados pela fé, desejamos andar no Espírito,
viver no Espírito e nos comunicar no Espírito (Rm 8.5). Por isso, é uma bênção
viver uma vida santa a partir de um encontro real com Deus mediante a fé em
Cristo. Por outro lado, é uma maldição tentar aparentar uma “vida santa” sem
ter experimentado a Salvação, a Regeneração e a Justificação em Cristo. Nesse
caso, em vez de uma vida autêntica, o que resta é religiosidade vazia,
profanação e autoengano. Temos vivido uma fé que transforma? Ou só tentamos
manter uma aparência de fé?
👉
A doutrina da Justificação pela fé não foi revelada apenas para
informar a mente, mas para transformar a maneira como o povo de Deus vive
diante d’Ele. Quando Paulo apresenta Abraão como exemplo de alguém justificado
pela fé, seu objetivo não é apenas histórico ou teológico, mas pastoral e
formativo. Em Romanos 4.23–24, o apóstolo afirma que o registro da fé de Abraão
“não foi escrito apenas para ele, mas também para nós”. Isso significa que a
experiência de Abraão estabelece um padrão espiritual para todos os que creem. O
primeiro impacto prático da Justificação é o fim da culpa como fundamento da
relação com Deus. O crente justificado não vive mais tentando “pagar” por seus
pecados por meio de desempenho religioso, penitência emocional ou comparação
espiritual. A culpa já foi tratada na cruz. Em Cristo, Deus não nos recebe como
réus em liberdade condicional, mas como filhos plenamente aceitos. MacArthur
observa que a Justificação muda o status do pecador diante de Deus de forma
definitiva, e não provisória¹. Essa verdade liberta o jovem cristão da
ansiedade espiritual e do medo constante de reprovação divina. Em segundo
lugar, a Justificação redefine a motivação para a obediência. Abraão obedeceu
porque creu; ele não creu porque obedeceu. Essa ordem é crucial. Quando a obediência
se torna tentativa de merecimento, ela gera orgulho ou frustração. Mas quando
nasce da fé, ela se torna resposta amorosa à graça. Tiago não contradiz Paulo
ao afirmar que a fé se evidencia pelas obras (Tg 2.21–23); ele apenas demonstra
que a fé verdadeira é viva, ativa e transformadora. Horton ressalta que as
obras confirmam diante dos homens aquilo que a fé já estabeleceu diante de
Deus².
Outro
aspecto prático essencial é a segurança espiritual. A fé que justificou Abraão
não estava baseada na estabilidade das circunstâncias, mas na fidelidade do
Deus que promete. Romanos 4.20–21 declara que Abraão “não duvidou por
incredulidade, mas foi fortalecido na fé”. Para os jovens cristãos, que vivem
em um mundo marcado por instabilidade emocional, crises de identidade e pressão
social, essa verdade é profundamente pastoral. A segurança da salvação não está
na constância do crente, mas na constância de Deus. A Justificação nos ancora
na fidelidade divina, não em nosso desempenho espiritual diário. Por fim, a
Justificação pela fé produz uma vida marcada pela esperança e pelo testemunho.
Quem sabe que foi justificado gratuitamente não vive mais para provar seu
valor, mas para refletir a graça que recebeu. Abraão tornou-se “pai de muitos
povos” porque sua fé apontava para além de si mesmo, para o Deus que salva. Da
mesma forma, o jovem justificado é chamado a viver como sinal do evangelho no
mundo, demonstrando humildade, dependência e amor. Como afirma Gordon Fee, a fé
que justifica é sustentada e dinamizada pelo Espírito Santo, que conduz o
crente a uma vida coerente com sua nova identidade³.
Assim,
o sentido prático dessa doutrina é claro: a Justificação pela fé nos liberta da
culpa, orienta nossa obediência, fortalece nossa segurança e impulsiona nosso
testemunho. Não se trata apenas de uma verdade a ser defendida, mas de uma
realidade a ser vivida. Crer como Abraão é caminhar todos os dias confiando naquele
que nos declarou justos e que é fiel para nos conduzir até o fim.
1. MACARTHUR, John. Comentário Bíblico do Novo Testamento:
Romanos. São Paulo: Hagnos, 2014.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
4. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
5. ARRINGTON, French L. Doutrinas Pentecostais. Rio de Janeiro:
CPAD, 2015.
6. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
7. Bíblia de Estudo Pentecostal. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
SUBSÍDIO II
Professor(a), destaque para os alunos que em relação ao sentido prático
dessa doutrina, depois de termos experimentado a salvação e, no tocante ao
viver santo, é importante saber que não estamos sozinhos. “Se estivermos
verdadeiramente seguindo a Cristo, o Espírito Santo nos lembrará constantemente
de que somos filhos de Deus (Rm 8.16). Ele nos ajuda em nossos esforços para
adorar e honrar a Deus (At 10.46). Ele nos ajuda a orar e até mesmo intercede
(isto é, defende o nosso caso) por nós quando estamos oprimidos e não sabemos o
que orar (Rm 8.26,27). Ele também desenvolve dentro de nós um caráter mais
semelhante ao de Cristo, de maneira a honrar a Jesus (Gl 5.22,23; 1Pe 1.2).
Como nosso professor e Conselheiro piedoso (Jo 14.16,26; 16.7), Ele nos fornece
informações a respeito de Deus que estão além do nosso entendimento natural.
Ele nos lembra do que Deus já revelou na sua Palavra, e Ele nos guia em toda a
verdade (Jo 16.13; 14.26; 1Co 2.9-16). Ele transmite continuamente o amor de
Deus por nós (Rm 5.5) e nos dá alegria, consolação e ajuda (Jo 14.16; 1Ts
1.6)”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023,
p.1458).
III. O LIVRAMENTO DA CULPA E DAS CONSEQUÊNCIAS
ETERNAS DO PECADO
1. A Justificação traz um grande
livramento. A doutrina bíblica da Justificação pela fé traz consigo o livramento da
condenação eterna e da culpa que o pecado impõe sobre a vida humana (Rm 8.1).
Vivemos em um mundo onde não faltam pessoas prontas para acusar, nem
circunstâncias arquitetadas pelo Inimigo para escravizar vidas: vícios,
traumas, erros e conflitos familiares. Tudo isso revela situações e ambientes
em que o domínio do pecado ainda atua. Mas aqueles que estão em Cristo, uma vez
justificados pela fé, já romperam essas amarras e foram completamente libertos.
👉
A escolha de Abraão como paradigma da Justificação não é
acidental, nem meramente ilustrativa. Paulo recorre a Abraão porque ele ocupa
um lugar fundador na história da redenção e, ao mesmo tempo, antecede a Lei e
qualquer sistema ritual. Em Romanos 4.3, o apóstolo cita Gênesis 15.6: “Abraão
creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça” (NVI). O verbo grego
traduzido por “creditado” é logízomai, termo contábil que indica imputação
legal, não transformação moral imediata. Deus declara Abraão justo antes de
qualquer obra, circuncisão ou obediência posterior. Aqui está o cerne da
doutrina. Esse dado é teologicamente decisivo. Abraão não foi justificado
porque alcançou um nível elevado de espiritualidade, mas porque confiou na
promessa de Deus quando tudo ao seu redor apontava para o contrário. Ele era
idoso, sua esposa era estéril, e a promessa parecia humanamente impossível.
Ainda assim, ele creu. Como observam Berkof e Horton, a fé de Abraão não foi
uma virtude meritória, mas um meio pelo qual ele se lançou totalmente na
fidelidade divina¹. A Justificação, portanto, não repousa na qualidade da fé,
mas no Deus em quem se crê. Paulo também enfatiza que Abraão foi justificado
quando ainda era incircunciso (Rm 4.9–11). Isso desmonta qualquer tentativa de
associar a aceitação diante de Deus a marcas externas, ritos religiosos ou
pertencimento étnico. Para os jovens cristãos, essa verdade é profundamente
confrontadora. Deus não nos aceita porque frequentamos a igreja, conhecemos
doutrina ou exercemos funções ministeriais. Ele nos aceita porque confiamos em
Cristo. A fé precede a identidade religiosa visível e a sustenta. Outro aspecto
essencial do exemplo de Abraão é que sua fé foi dinâmica e perseverante.
Romanos 4.18 afirma que ele “esperou contra toda esperança”. A expressão revela
uma fé que não nega a realidade, mas se recusa a absolutizá-la. Segundo o
Comentário Histórico-Cultural, Abraão viveu décadas sustentado apenas pela
promessa, sem ver seu cumprimento imediato². Isso ensina aos jovens que a fé
justificadora não elimina o tempo de espera, mas redefine como se vive durante
ele. A fé verdadeira aprende a caminhar com Deus mesmo quando as respostas não
chegam rapidamente. Por fim, Abraão é chamado “pai de todos os que creem” (Rm
4.11) porque sua experiência estabelece o padrão da relação correta com Deus em
todas as épocas. Ele não confiou em si mesmo, nem em seus recursos, nem em sua
obediência futura, mas exclusivamente naquele que “vivifica os mortos e chama à
existência coisas que não existem” (Rm 4.17). O exemplo do pai da fé nos ensina
que a Justificação é um ato soberano da graça divina, recebido pela fé humilde,
sustentado pela esperança e vivido em dependência diária. Crer como Abraão é
aprender a descansar na promessa antes mesmo de ver o cumprimento.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
3. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
4. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2014.
5. MACARTHUR, John. Bíblia de Estudo MacArthur. São Paulo:
Hagnos, 2010.
6. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
2. Livres da culpa. A culpa causada pelo pecado oprime
muitas pessoas que vivem aprisionadas no passado, marcadas por palavras ditas e
ouvidas em meio a conflitos familiares; outras permanecem paralisadas no
presente por causa das acusações relacionadas aos erros cometidos na vida. No
entanto, a condenação que estava sobre nós foi anulada, vencida e apagada por
Deus (Rm 8.31). E isso é suficiente! Trata-se de um chamado, não para a prática
do pecado, mas para o privilégio de viver segundo os propósitos de Deus. Por
isso, a culpa não tem mais domínio sobre quem foi justificado. Essa pessoa foi
perdoada, liberta, regenerada e declarada justa diante de Deus.
👉
Um dos equívocos mais comuns ao tratar da fé é transformá-la,
sutilmente, em uma nova forma de obra. Paulo evita esse erro ao apresentar
Abraão como exemplo, deixando claro que a fé não possui valor meritório em si
mesma. Em Romanos 4.4–5, o apóstolo afirma que, se a justificação fosse por
obras, ela seria uma dívida; mas, sendo pela fé, ela é graça. A fé, portanto,
não é a causa da Justificação, mas o meio estabelecido por Deus para que a
justiça de Cristo seja aplicada ao pecador. O verbo grego logízomai, novamente
utilizado nesse contexto, reforça essa ideia. A justiça não nasce da fé humana,
mas é imputada por Deus àquele que crê. A fé funciona como mãos vazias que
recebem, não como moeda de troca que compra o favor divino. Berkof esclarece
que a fé não substitui as obras como fundamento da aceitação diante de Deus,
mas elimina qualquer fundamento humano, deslocando toda a confiança para a obra
redentora de Cristo¹. Essa distinção é essencial para preservar a pureza do
evangelho. O exemplo de Abraão demonstra isso com clareza. Sua fé foi exercida
quando ainda não havia qualquer evidência concreta do cumprimento da promessa.
Ele não confiou em sua capacidade de gerar o herdeiro prometido, nem em sua
perseverança futura, mas no caráter de Deus. Romanos 4.21 afirma que Abraão
estava “plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia
prometido” (NVI). A fé, nesse sentido, é uma resposta de dependência absoluta,
não uma virtude que impressiona a Deus. Para os jovens cristãos, essa verdade
possui implicações profundas. Em um contexto onde desempenho espiritual,
visibilidade ministerial e comparação constante são comuns, Paulo nos lembra
que ninguém é aceito por Deus por crer “melhor” ou “mais forte”. A fé que
justifica não é medida pela intensidade emocional, mas pelo objeto em que ela
repousa. Como observa Gordon Fee, a fé salvadora é sustentada pelo Espírito
Santo, que direciona o crente para fora de si mesmo e para Cristo². Isso gera
humildade, não orgulho; descanso, não ansiedade. Pastoralmente, compreender a
fé como instrumento liberta o crente da tentativa incessante de provar seu
valor diante de Deus. A obediência continua sendo essencial, mas agora flui da
gratidão, não do medo. A vida cristã deixa de ser uma corrida por aceitação e
se torna uma caminhada de resposta à graça recebida. Assim como Abraão, o jovem
cristão aprende que crer é confiar plenamente naquele que justifica o ímpio e
sustenta o justo pela sua fidelidade.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã,
2012.
2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
4. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
5. MACARTHUR, John. Comentário Bíblico do Novo Testamento:
Romanos. São Paulo: Hagnos, 2014.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. O testemunho interior do Espírito
Santo. Finalmente, a
experiência da Justificação pela fé é acompanhada pelo testemunho interior do
Espírito Santo (Rm 8.16). O jovem que compreende essa realidade espiritual
caminha com firmeza, mesmo diante de pressões externas e dos inúmeros desafios
ao longo da jornada cristã. Ele sabe que, se é filho de Deus, então também é
herdeiro de Deus e coerdeiro com Cristo (Rm 8.17). Essa verdade impacta
diretamente a nossa identidade como seguidores de Cristo neste mundo, pois é
afirmada, em nosso coração, pelo próprio Espírito Santo.
👉
A fé que justificou Abraão nunca permaneceu confinada ao campo
das convicções internas. Ela se traduziu em uma vida moldada pela obediência.
Paulo, em Romanos 4, deixa claro que a justificação ocorre antes das obras;
porém, as obras surgem inevitavelmente como fruto dessa justificação. Abraão
não obedeceu para ser aceito por Deus; ele obedeceu porque já havia sido
aceito. Essa ordem é fundamental para compreender a dinâmica bíblica da
salvação. Tiago, ao afirmar que “a fé sem obras está morta” (Tg 2.17, NVI), não
contradiz Paulo, mas o complementa. Enquanto Paulo trata do fundamento da
justificação diante de Deus, Tiago trata da evidência visível dessa fé diante
dos homens. A fé que justifica é viva, operante e transformadora. O verbo grego
energéo, associado à ação eficaz, ajuda-nos a entender que a fé verdadeira não
é passiva, mas ativa em amor, produzindo uma nova forma de viver. Como observa
Stanley Horton, a fé salvadora nunca se expressa em isolamento moral, pois ela
envolve toda a pessoa e afeta suas decisões cotidianas¹.
O
exemplo de Abraão atinge seu ponto mais alto em Gênesis 22, quando ele oferece
Isaque no altar. Aquele ato extremo de obediência não criou sua justiça, mas
revelou a profundidade de sua confiança em Deus. Ele cria que o mesmo Deus que
prometera o filho era poderoso até para ressuscitá-lo, se fosse necessário (Hb
11.19). A obediência, portanto, não nasce do medo da perda da salvação, mas da
convicção de que Deus é fiel às suas promessas. Para os jovens cristãos, essa
verdade corrige dois extremos perigosos. De um lado, o legalismo, que
transforma a obediência em moeda espiritual. De outro, o antinomismo, que trata
a graça como licença para viver sem compromisso. A fé que justifica rejeita
ambos. Ela produz uma vida sensível à voz do Espírito, disposta a obedecer
mesmo quando o caminho não é confortável ou popular. Gordon Fee destaca que o
Espírito Santo é o agente que torna a obediência possível, não como imposição
externa, mas como transformação interna².
Isso
nos conduz a uma pergunta inevitável: que tipo de fé estamos vivendo? Não se
trata de perfeição moral, mas de direção espiritual. A fé que justificou Abraão
continua operando hoje, formando homens e mulheres que caminham com Deus em
meio às pressões do mundo. Onde há justificação verdadeira, há desejo de
agradar a Deus, crescimento em santidade e frutos visíveis de uma vida rendida
à graça. Assim, a fé que nos declara justos diante de Deus é a mesma fé que nos
conduz, dia após dia, a viver para a glória dEle.
1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
3. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
4. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.
6. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
SUBSÍDIO III
Professor(a), leve seus alunos a uma
reflexão a respeito das consequências do pecado e pergunte aos alunos “o que
podemos fazer para sermos libertos da culpa? O rei Davi era culpado de pecados
terríveis (adultério, assassinato, mentira) e, assim, experimentou a alegria do
perdão. Também podemos sentir essa mesma alegria quando: (1) deixamos de negar
nossa culpa e reconhecemos que pecamos; (2) imploramos o perdão de Deus; (3)
abandonamos nossa culpa e cremos que Ele já nos perdoou. Isso pode ser algo
difícil de conseguir quando o pecado já se enraizou em nossa vida durante
muitos anos, quando é muito grave e/ou envolve outras pessoas. Mas devemos
lembrar-nos de que Jesus está disposto e é capaz de perdoar qualquer pecado. Em
vista do tremendo preço que pagou na cruz, seria arrogante pensarmos que algum
pecado é grande demais para ser perdoado. Embora a nossa fé seja fraca, nossa
consciência sensível e nossa memória nos atormente, a Palavra de Deus declara
que pecados reconhecidos e confessados são perdoados (1Jo 1.9)”. (Adaptado de
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1558).
CONCLUSÃO
A justificação é o alicerce sobre o
qual se edifica toda a vida cristã. Ao crer em Jesus, somos declarados justos
diante de Deus — não por nossos méritos, mas pela justiça de Cristo imputada a
nós. Isso nos dá segurança, paz com Deus e acesso à vida eterna. Creia com todo
o seu coração que você foi justificado(a) pela fé. Viva com ousadia e gratidão,
sabendo que sua identidade não está no passado que você viveu, mas na nova
posição que você tem em Cristo. E lembre-se: a fé que justifica é também a fé
que santifica, sustenta e conduz à vitória.
👉
A doutrina da justificação pela fé não é um detalhe secundário
da fé cristã. Ela é o alicerce invisível que sustenta toda a vida espiritual.
Em Romanos 5.1, Paulo afirma que, “sendo, pois, justificados pela fé, temos paz
com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo” (NVI). Essa paz não é um sentimento
momentâneo, mas uma nova realidade objetiva. A hostilidade entre Deus e o
pecador foi removida. O tribunal divino já emitiu o veredito. Em Cristo, o
culpado foi declarado justo. Isso redefine completamente quem somos e como
vivemos. Justificar, no vocabulário bíblico, não significa tornar alguém
moralmente perfeito, mas declará-lo justo com base em outro. O termo grego
dikaióō aponta para um ato jurídico, um pronunciamento gracioso de Deus,
fundamentado exclusivamente na obra redentora de Cristo. Como ensina Berkof, a
justiça que nos salva não é produzida em nós, mas imputada a nós³. Essa verdade
protege o coração do jovem cristão tanto do orgulho espiritual quanto do
desespero silencioso. Não somos aceitos porque conseguimos, mas porque Cristo
consumou. Ao mesmo tempo, essa justificação nunca permanece estéril. A fé que
nos une a Cristo também nos introduz em uma nova vida no Espírito. O mesmo Deus
que declara o pecador justo começa, pela regeneração, a transformá-lo por
dentro. Aqui, a teologia reformada continuísta encontra seu equilíbrio
saudável. Somos justificados pela fé somente, mas a fé que justifica nunca
permanece sozinha. Ela produz frutos, molda escolhas e forma uma vida sensível
à direção do Espírito Santo. Como destaca Frank Macchia, a graça justificadora
sempre caminha em direção à transformação do ser⁴.
Essa
verdade confronta as falsas seguranças espirituais. Não vivemos de aparência
religiosa, nem de desempenho moral. Vivemos de uma fé viva, enraizada na cruz e
confirmada pelo testemunho interior do Espírito (Rm 8.16). Jovens justificados
não caminham dominados pela culpa do passado, nem paralisados pelo medo do
futuro. Eles caminham com identidade, sabendo que pertencem a Deus, que foram
aceitos em Cristo e que agora vivem para a glória dEle. Por isso, a
justificação pela fé não nos conduz à acomodação, mas à gratidão obediente. Ela
nos liberta para servir, para amar e para perseverar. O jovem que compreende
essa verdade não vive tentando provar seu valor diante de Deus, mas responde à
graça com uma vida de fé, santidade e compromisso. O Deus que justifica é o
mesmo que sustenta, corrige e conduz até o fim. Viver essa verdade não é apenas
crer corretamente, mas caminhar diariamente à luz da cruz, com humildade,
esperança e alegria no Espírito.
Ao
concluir esta preciosa lição, tiramos três aplicações práticas, uma para cada
tópico da lição, formuladas direto à vida dos jovens:
1. Viva a partir da sua nova posição
em Cristo, não do seu passado: Se Deus já declarou você
justo em Cristo, não continue vivendo como alguém condenado. A justificação
muda sua posição diante de Deus de forma definitiva. Isso significa que a culpa
não governa mais sua identidade, nem seus erros passados definem seu futuro
espiritual. O jovem justificado aprende a confessar seus pecados, mas não a
habitar neles. Ele se levanta diariamente lembrando que sua aceitação diante de
Deus não depende do seu desempenho espiritual, mas da justiça de Cristo que lhe
foi imputada. Viva em paz com Deus e permita que essa paz molde suas decisões,
relacionamentos e prioridades.
2. Confie em Deus antes de ver resultados,
como Abraão confiou: A fé que justifica não espera evidências para obedecer. Abraão
creu quando ainda não havia sinais visíveis do cumprimento da promessa. Da
mesma forma, o jovem cristão é chamado a confiar no caráter de Deus mesmo
quando o futuro parece incerto. Isso significa continuar fiel, íntegro e
dependente do Senhor, mesmo quando respostas não chegam no tempo desejado. Fé
não é otimismo, é confiança perseverante em quem Deus é. Quando você aprende a
crer antes de ver, sua fé amadurece e sua caminhada se torna mais profunda e
estável; e
3. Recuse viver sob culpa e caminhe
sensível à voz do Espírito Santo: A justificação não apenas
remove a condenação eterna, mas também quebra o domínio da culpa que paralisa a
vida espiritual. Muitos jovens conhecem a Bíblia, frequentam a igreja, mas
ainda vivem presos a acusações internas e inseguranças espirituais. Se você foi
justificado, o Espírito Santo testifica em seu coração que você é filho de
Deus. Aprenda a discernir a diferença entre a convicção do Espírito, que
restaura, e a acusação do inimigo, que oprime. Caminhe em liberdade, ouvindo o
Espírito, respondendo à graça e vivendo com coragem, santidade e esperança.
1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura
Cristã, 2012.
2. MACCHIA, Frank D. Batizados no Espírito: uma teologia global
da renovação pentecostal. São Paulo: Reflexão, 2014.
3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 2017.
4. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de
Janeiro: CPAD, 2016.
5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2014.
HORA DA REVISÃO
1. O que significa ser justificado diante de
Deus, segundo a doutrina bíblica?
Significa que Deus nos concede a
justiça de Cristo quando cremos.
2. Por que a doutrina da Justificação não é apenas uma teoria?
A doutrina da Justificação não é
apenas uma teoria, mas uma experiência real. Quando você compreende que foi
justificado pela fé, passa a viver com uma nova identidade, tanto psicológica,
no tocante às emoções à personalidade, quanto espiritual.
3. Qual é o lugar da fé no ato divino de justificar o pecador?
A fé ocupa um lugar central no ato
divino de justificar o pecador. Ela é o gesto de plena dependência de Deus para
viver neste mundo.
4. O que a doutrina bíblica da Justificação traz consigo?
A doutrina bíblica da Justificação
pela fé traz consigo o livramento da condenação eterna e da culpa que o pecado
impõe sobre a vida humana (Rm 8.1).
5. O que acompanha a experiência da Justificação pela fé?
A experiência da Justificação pela fé
é acompanhada pelo testemunho interior do Espírito Santo, que confirma: “O
mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm
8.16).
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
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