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1 de fevereiro de 2026

ADULTOS - Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

1º Trimestre de 2026

Título: A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Comentarista: Douglas Baptista

 

Lição 6: O Filho como o Verbo de Deus

Data: 8 de fevereiro de 2026

 

TEXTO ÁUREO

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14).

ENTENDA O TEXTO ÁUREO:

👉 João 1.14 encontra-se no Prólogo do Evangelho de João (1.1–18), considerado um dos textos cristológicos mais elevados do Novo Testamento. O prólogo funciona como uma lente teológica através da qual todo o Evangelho deve ser lido. João escreve para uma comunidade cristã confrontada por: Tendências gnósticas incipientes, que negavam a verdadeira humanidade de Cristo; Concepções judaicas que esperavam um Messias político, mas não um Deus encarnado; Influência helenista, onde logos era entendido como princípio racional impessoal. Contra essas visões, João afirma: o Logos eterno não apenas veio ao mundo: Ele se fez carne.

O Verbo se fez carne (καὶ ὁ λόγος σὰρξ ἐγένετο)

       a) ὁ λόγος (ho lógos) O termo Logos remete: À Palavra criadora de Deus (Gn 1; Sl 33.6); À sabedoria personificada (Pv 8); À revelação divina ativa e pessoal. João já afirmou nos versos anteriores que o Logos: É eterno (1.1), É distinto do Pai (πρὸς τὸν θεόν), É Deus (θεὸς ἦν ὁ λόγος). Logo, o Logos não é um atributo divino, mas uma Pessoa divina.

       b) σὰρξ ἐγένετο (sarx egeneto) O verbo ἐγένετο (“tornou-se”) indica entrada real em uma nova condição, não mera aparência. O termo sarx (“carne”) não significa apenas corpo físico, mas a condição humana em sua fragilidade, limitação e historicidade. João não diz que o Verbo assumiu um corpo, mas que se fez carne. Isso afirma: A verdadeira humanidade de Cristo; A união hipostática: uma só Pessoa, duas naturezas, sem confusão, divisão ou mistura. Contra o docetismo, João afirma: Deus sangrou, sentiu fome, chorou e morreu.

E habitou entre nós (καὶ ἐσκήνωσεν ἐν ἡμῖν): O verbo ἐσκήνωσεν vem de σκηνή, tabernáculo. Essa expressão carrega profundo simbolismo veterotestamentário: O tabernáculo era o lugar da presença manifesta de Deus (Êx 25.8); A glória de Deus enchia o tabernáculo (Êx 40.34). João está dizendo: Jesus é o novo Tabernáculo. Nele, Deus habita permanentemente com seu povo. Não mais uma tenda temporária, mas uma presença encarnada e definitiva.

Vimos a sua glória (καὶ ἐθεασάμεθα τὴν δόξαν αὐτοῦ): O verbo ἐθεασάμεθα indica contemplação consciente e testemunhal, não uma visão superficial. A glória aqui não é meramente esplendor visível, mas a manifestação do caráter divino, percebida: Nos sinais (Jo 2.11), Na autoridade de suas palavras, Sobretudo, na cruz (Jo 12.23; 17.1). Em João, a glória de Cristo culmina paradoxalmente no Calvário.

Glória como do Unigênito do Pai (δόξαν ὡς μονογενοῦς παρὰ πατρός)

       a) μονογενοῦς (monogenēs): Não significa “criado”, mas único em natureza, singular, incomparável. Jesus é: O Filho eterno, De mesma essência (homoousios) com o Pai, Não adotado, mas gerado eternamente. Essa glória não é delegada, é intrínseca.

Cheio de graça e de verdade (πλήρης χάριτος καὶ ἀληθείας): Essa expressão ecoa Êxodo 34.6: “Deus compassivo e misericordioso, longânimo e grande em benignidade e fidelidade.” João identifica em Jesus: A graça (χάρις): favor imerecido que salva; A verdade (ἀλήθεια): revelação fiel de quem Deus é.

        Cristo não apenas ensina a verdade; Ele é a verdade.

        Ele não apenas concede graça; Ele é a graça encarnada.

João 1.14 ensina que: Deus entrou na história sem perder sua divindade; A revelação máxima de Deus não é uma lei, mas uma Pessoa; A glória divina se revela plenamente na humildade, no amor e na cruz; Em Cristo, o transcendente se torna acessível. Cristologia correta gera adoração verdadeira. Não adoramos um mestre moral, mas o Deus encarnado. A encarnação santifica a vida comum. Deus não despreza o corpo, o trabalho, a dor e a história. A Igreja é chamada a refletir graça e verdade Assim como Cristo veio cheio de graça e verdade, a Igreja não pode escolher uma sem a outra.

 

VERDADE PRÁTICA

Jesus Cristo, o Verbo eterno, é a revelação plena e visível de Deus ao mundo, manifestando graça, verdade e a glória do Pai.

ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:

👉 Jesus Cristo, o Verbo eterno que se fez carne e tabernaculou entre nós, é a revelação definitiva e visível do Deus invisível; n’Ele, a glória do Pai se manifesta de forma acessível, redentora e transformadora, de modo que conhecer a Deus, experimentar Sua graça salvadora e caminhar na verdade só é possível por meio da pessoa e da obra de Cristo.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 1.1-5,14.

Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

 

1 No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

👉 Esses versículos constituem o prólogo que apresenta vários dos temas mais importantes dos quais João tratará, especialmente o tema principal de que "Jesus é o Cristo, o Filho de Deus'' (vs. 12-14; cf. 20.31). Várias palavras-chave repetidas ao longo do Evangelho (p. ex., vida, luz, testemunho, glória) aparecem aqui. O restante do Evangelho desenvolve o tema do prólogo no sentido de como o “Verbo" eterno de Deus, Jesus, o Messias e o Filho de Deus, se tornou carne e ministrou entre os seres humanos, para que todo aquele que nele crer seja salvo. Embora João tenha escrito o prólogo no mais simples vocabulário do NT, as verdades que o mesmo transmite são as mais profundas. Seis verdades básicas sobre Cristo como o Filho de Deus, são tratadas no prólogo: 1) o Cristo eterno (vs. 1-3); 2) o Cristo encarnado (vs. 4-5); 3) o precursor de Cristo (vs. 6-8); 4) o Cristo não reconhecido (vs. 9-11); 5) o Cristo onipotente (vs. 12-13); e 6) o Cristo glorioso (vs. 14-18). No princípio. Em contraste com 1 Jo 1.1, onde João usa frase semelhante ("desde o princípio") para referir-se ao ponto inicial do ministério de Jesus e da pregação do evangelho, essa frase é paralela a Gn 1.1, onde a mesma é usada. João usou a frase no sentido absoluto para referir-se ao princípio do tempo-espaço material do universo, era. O verbo "ser" destaca a preexistência eterna do Verbo, ou seja, Jesus Cristo. Antes que o universo tivesse princípio, a segunda pessoa da Trindade já existia, ou seja, ele sempre foi (cf. 8.58). Essa palavra é usada em contraste com o verbo "foi feito" no v. 3, que indica um começo no tempo. Pelo fato do tema de João ser Jesus Cristo é Deus eterno, a segunda pessoa da Trindade, ele não incluiu uma genealogia, como fazem Mateus e Lucas. Conquanto cm termos de sua humanidade Jesus teve uma genealogia humana, em termos de sua divindade, ele não tem genealogia, o Verbo. João tomou emprestado o termo "Verbo" do vocabulário do AT bem como da filosofia grega, na qual o termo era essencialmente impessoal, significando o princípio racional da "razão divina", "mente" ou mesmo "sabedoria". João, porém, imbuiu o termo inteiramente de significados do AT e cristão (p. ex., Gn 1.3, onde a palavra de Deus trouxe o mundo à existência; SI 33.6; 107.20; Pv 8.27, onde a palavra de Deus é sua poderosa autoexpressão na criação, sabedoria, revelação e salvação) e fez com que ele referisse a uma pessoa, ou seja, a Jesus Cristo. O uso filosófico grego, portanto, não é o pano de fundo exclusivo do pensamento de João. Estrategicamente, o termo "Verbo" serve como palavra-ponte para alcançar não apenas judeus, mas também gregos não salvos. João escolheu esse conceito porque tanto os judeus como os gregos estavam familiarizados como o mesmo, o Verbo estava com Deus. O Verbo, a segunda pessoa da Trindade, estava em íntima comunhão com Deus, o Pai, por toda a eternidade. No entanto, embora o Verbo usufruísse de todo esplendor e eternidade com o Pai (Is 6.1-13; 12.41; 17.5), ele voluntariamente abriu mão de sua posição celestial, assumindo forma humana, e sujeitando-se à morte na cruz (Fp 2.6-S). era Deus. A construção grega enfatiza que o Verbo tinha toda a essência ou todos os atributos da divindade, ou seja, Jesus, o Messias, era plenamente Deus (cf. Cl 2.9). Mesmo na encarnação, quando se esvaziou, ele não deixou de ser Deus, mas assumiu natureza e corpo genuinamente humanos e voluntariamente abstraiu-se do exercício independente dos atributos da divindade.

 

2 Ele estava no princípio com Deus.

👉 João 1.2 funciona como uma reiteração enfática do que já foi afirmado em João 1.1, reforçando a eternidade e a distinção pessoal do Verbo. οὗτος (houtos, “Ele”) retoma diretamente o Logos, identificando-o como uma Pessoa, não um princípio impessoal. ἦν (ēn, “estava”) está no imperfeito do verbo eimi, indicando existência contínua no passado, sem ponto de início. O Verbo não passou a existir; Ele já existia. ἐν ἀρχῇ (en archē, “no princípio”) ecoa Gênesis 1.1, situando o Verbo antes da criação, fora do tempo criado. πρὸς τὸν θεόν (pros ton Theon, “com Deus”) expressa relacionamento pessoal íntimo e face a face, afirmando distinção sem separação entre o Verbo e o Pai. João 1.2 afirma que o Verbo eterno existia desde toda a eternidade em comunhão pessoal com Deus Pai, confirmando que Jesus não é um ser criado nem subordinado, mas coeterno, coigual e consubstancial com Deus, fundamento indispensável para a fé cristã e para uma cristologia ortodoxa.

 

3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

👉 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele. Jesus Cristo foi agente do Pai envolvido na criação de todas as coisas no

universo (Cl 1.16-17; Hb 1.2).

 

4 Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;

👉 vida,., luz.,, trevas. João apresenta ao leitor os temas contrastantes que ocorrem ao longo de todo o Evangelho. "Vida" e "luz" são qualidades do Verbo, que não são apenas compartilhadas pelo Pai (5.26), mas também por aqueles que respondem à mensagem do evangelho de Jesus Cristo (8.12; 9.5; 10.28; 11.25; 14.5). João usa a palavra "vida" c. 36 vezes no seu Evangelho, muito mais do que qualquer outro livro do NT. A palavra refere-se não apenas num sentido amplo à vida física e material que o Filho concedeu ao mundo criado por meio de seu envolvimento como agente da criação (v. 3), mas especialmente à vida espiritual e eterna concedida como dom por meio da fé nele (3.15; 17.3; Ef 2.5). Na Escritura, "luz" e "trevas" são símbolos bastante conhecidos. Intelectualmente, "luz" se refere à verdade bíblica e "trevas" se refere a erro ou falsidade (cf. SI 119.105; Pv 6.23). Moralmente, "luz" se refere à santidade ou pureza (1 Jo 1.5) e "trevas” se refere ao pecado ou à prática do mal (1.3.19; 12.35,46; Rm 13.11-14; 1Ts5.4-7;1Jo 1.6; 2.8-11). "Trevas" assumem significado especial em relação a Satanás (e seus companheiros demoníacos), que domina o presente mundo espiritual em trevas (1 Jo 5.19) como "o príncipe da potestade do ar", promovendo trevas espirituais e rebelião contra Deus (Ef 2.2). João usa o termo "trevas" 14 vezes (oito no Evangelho e seis em 1 João) do total de 17 ocorrências no NT, tornando o termo quase que exclusivamente uma palavra joanina. Em João, "luz" e "vida" têm significado especial em relação ao Senhor Jesus Cristo, o Verbo (v. 9; 9.5; 1 Jo 1.5-7; 5.12,20).

 

5 e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

👉  prevaleceram. As "trevas" não são capazes de vencer ou conquistar a luz. Assim como uma única lâmpada proporciona luminosidade a toda uma sala em trevas, do mesmo modo também os poderes das trevas são vencidos pela pessoa e obra do Filho por meio de sua morte na cruz (cf. 19.11a).

 

14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

👉 o Verbo se fez carne. Conquanto Cristo como Deus seja não criado e eterno, a palavra "tornou-se" enfatiza Cristo assumindo a humanidade (cf. Hb 1.1-3; 2.14-18). Esse fato é certamente o mais profundo de todos porque indica que o infinito tornou-se finito; o Eterno foi conformado ao tempo; o Invisível tornou-se visível; o Ser sobrenatural reduziu-se ao natural. Na encarnação, entretanto, o Verbo não deixou de ser Deus, mas tornou-se Deus em carne humana, ou seja, plena divindade em forma humana como um homem (1Tm 3.1b). habitou. Significa "fincar o tabernáculo" ou "morar numa tenda". O termo lembra o tabernáculo do AT, onde Deus se encontrava com Israel antes do templo ser construído (Êx 25.8). Chamava-se "a tenda da congregação" (Êx 33.7; "tabernáculo do testemunho", Septuagirita), onde "falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo'' (Êx 33.11). No NT. Deus escolheu habitar entre o seu povo de uma maneira muito mais pessoal, tornando-se homem. No AT, quando o tabernáculo foi concluído, a gloriosa presença de Deus encheu toda a estrutura (Êx 40.34; cf. I Rs 8.10). Quando o Verbo se tornou carne, a gloriosa presença da divindade estava incorporada nele (cf. Cl 2.9). cheio de graça e de verdade. João provavelmente tinha em mente Êx 33—34. Naquela ocasião, Moisés pediu que Deus lhe mostrasse a sua glória. O Senhor respondeu a Moisés que desfilaria toda a sua "bondade" perante ele, e, então,, enquanto desfilava, ele declarou: "o SENHOR... compassivo, demente e longânimo e grande em misericórdia e fidelidade" (Êx 33.18-19; 34.5-7). Esses atributos da glória de Deus enfatizam a bondade do caráter de Deus, especialmente em relação à salvação. Jesus como Javé do AT (8.58; "Eu SOU") exibiu os mesmos atributos divinos quando habitou entre os homens na era do NT (Cl 2.9). vimos a sua glória. Embora a sua divindade estivesse oculta em carne humana, há traços de sua divina majestade nos Evangelhos. Os discípulos viram relances de sua glória no monte da transfiguração (Mi 17.1-8). A referência à glória de Cristo, porém, não foi apenas visível, mas também espiritual. Eles viram-no exibir os atributos ou características de Deus (graça, bondade, misericórdia, sabedoria, verdade, etc.; cf. Êx 33.18-23). glória como... do Pai. Jesus, na qualidade de Deus, exibiu a mesma glória que a do Pai. Eles são um em natureza essencial (cr. 5.17-30; 8.19; 10.30). unigênito. A palavra "unigênito" traz a ideia de "o único amado". Portanto, expressa a ideia de peculiaridade singular, de ser amado como ninguém outro. Por essa palavra, João enfatiza o caráter exclusivo do relacionamento entre o Pai e o Filho na divindade (cf. 3.10,1 8; 1Jo 4.9). Não traz a conotação de origem, mas de proeminência singular; por exemplo, foi usada para referir-se a Isaquc (Hb 11.17), que foi o segundo filho de Abraão (Ismael foi o primeiro (Gn 16.1 5; 21.2-3).

 

INTRODUÇÃO

 

O prólogo do Evangelho de João apresenta o Verbo eterno como Deus, Criador e Revelador. Ele se fez carne e revelou de forma plena e completa a glória do Pai. O apóstolo João afirma que viu a glória do Deus Unigênito, cheia de graça e de verdade. Nesta lição, veremos que essa revelação marca o clímax da encarnação do Verbo — o Filho de Deus — onde o invisível se tornou visível, o eterno entrou no tempo e o insondável foi manifestado em Cristo Jesus.

👉 Como o Deus invisível pode ser plenamente conhecido por homens finitos, limitados pelo tempo e pela matéria? A resposta do cristianismo não é uma ideia, um sistema filosófico ou uma experiência mística, mas uma Pessoa: o Verbo eterno que se fez carne. O prólogo do Evangelho de João nos conduz ao coração da fé cristã ao afirmar que, antes de qualquer coisa existir, o Logos já era, já estava com Deus e já era Deus. Aqui não estamos diante de poesia abstrata ou especulação teológica, mas de uma declaração solene sobre a identidade de Jesus Cristo como o próprio Deus revelado. João escreve em um contexto marcado por tensões teológicas profundas: de um lado, o pensamento grego, que concebia o logos como um princípio racional impessoal; de outro, correntes proto-gnósticas, que viam a matéria como inferior e negavam a possibilidade de Deus assumir carne. Contra ambos, o apóstolo proclama uma verdade escandalosa e gloriosa: o Logos não apenas é pessoal e divino, como entrou na história, assumiu natureza humana e revelou visivelmente a glória do Pai. O eterno entrou no tempo; o Criador se aproximou da criatura; o Deus transcendente se fez imanente sem deixar de ser Deus.

Nesta lição, veremos que a encarnação do Verbo não é um detalhe secundário da fé, mas o clímax da revelação divina. João nos apresenta o Filho como Deus eterno, agente da criação, fonte da vida, luz que vence as trevas e, sobretudo, a revelação plena e definitiva do Pai. Ao longo do estudo, compreenderemos como a doutrina do Logos fundamenta a cristologia bíblica, sustenta a fé trinitária e responde às heresias antigas e modernas que tentam reduzir Jesus a um ser criado, um mestre moral ou um intermediário espiritual. Assim, este texto nos convida a contemplar o mistério central do Evangelho: em Cristo, Deus não apenas falou; Deus se mostrou. Conhecer o Verbo é conhecer o Pai; rejeitar o Verbo é permanecer nas trevas. Diante dessa revelação, somos chamados não apenas a compreender, mas a adorar, confessar e proclamar que Jesus Cristo é o Verbo eterno, cheio de graça e de verdade, a perfeita manifestação da glória de Deus entre nós.

 

Palavra-Chave: VERBO

(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume, direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)

ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:

👉 A palavra-chave VERBO constitui o eixo teológico e cristológico desta Lição e encontra no Evangelho de João seu desenvolvimento mais profundo e decisivo. O termo traduz o grego λόγος (lógos), uma das palavras mais densas e carregadas de significado de toda a Escritura. Em João, o Logos não é um conceito abstrato, mas uma Pessoa viva, eterna e divina: Jesus Cristo. No uso bíblico, especialmente no Antigo Testamento, a “palavra de Deus” nunca é mera comunicação verbal. Ela é ativa, criadora, reveladora e eficaz. Pela palavra, Deus cria (Gn 1; Sl 33.6), sustenta (Is 55.10–11) e se revela ao seu povo (Jr 1.4; Am 3.7). A palavra do Senhor “corre velozmente” (Sl 147.15) e jamais volta vazia. Quando João afirma: “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1), ele conecta diretamente o Logos à ação criadora de Gênesis 1 e à revelação progressiva do Antigo Testamento. O Verbo não é apenas o meio pelo qual Deus fala; Ele é Aquele por meio de quem Deus sempre agiu. Assim, o Logos é apresentado como eterno, pré-existente e plenamente divino.

João escreve a uma audiência que transita entre dois mundos: No judaísmo, o conceito da Palavra (dābār) de Deus expressava a ação poderosa e pessoal de Deus no mundo. Em textos como Gênesis 1, Salmos 33 e Isaías 55, a Palavra não é separada de Deus, mas é a manifestação eficaz do próprio Deus em ação. No mundo grego, o logos era entendido como o princípio racional que ordena o universo, uma força impessoal que dá coerência à realidade. Filósofos como Heráclito e os estoicos falavam do logos como razão universal. João se apropria do termo, mas o redefine radicalmente. Ele afirma que o Logos não é impessoal, não é criado, não é intermediário, mas é Deus, distinto do Pai e, ao mesmo tempo, da mesma essência. O Logos não apenas ordena o cosmos; Ele entra na história e se faz carne.

No prólogo (Jo 1.1–18), João apresenta o Verbo com quatro afirmações fundamentais, que estruturam toda a lição:

       O Verbo é eterno: “No princípio era o Verbo”; O Logos não teve começo. Ele já existia antes de toda a criação, compartilhando do atributo divino da eternidade.

       O Verbo é pessoal e relacional: “O Verbo estava com Deus”: A expressão pros ton Theón indica comunhão face a face, revelando distinção pessoal dentro da unidade trinitária.

       O Verbo é plenamente Deus: “O Verbo era Deus”. João afirma a identidade ontológica do Logos com o Pai. O Filho possui a mesma natureza divina (homoousios), rejeitando qualquer ideia de inferioridade ou criação.

       O Verbo se fez carne: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós”. Aqui está o ápice da revelação. O Logos eterno assume plenamente a natureza humana sem deixar de ser Deus, revelando a glória do Pai de forma visível, histórica e redentora.

No Evangelho de João, o Verbo é também:

       Criador (Jo 1.3)

       Fonte da vida (Jo 1.4)

       Luz dos homens (Jo 1.4–9)

       Revelador do Pai (Jo 1.18)

       A verdade encarnada (Jo 14.6)

Assim, tudo o que Deus deseja comunicar sobre si mesmo encontra sua expressão final e perfeita no Verbo encarnado.

Diferente dos profetas, que transmitiam a palavra do Senhor, Jesus é a Palavra do Senhor. Ele não apenas anuncia a vontade de Deus; Ele a personifica. Por isso, João afirma que “Deus nunca foi visto por alguém; o Filho unigênito… esse o revelou” (Jo 1.18). Ver o Verbo é ver o Pai; ouvir o Verbo é ouvir o próprio Deus. A encarnação do Logos marca o ponto culminante da revelação divina. Tudo o que Deus havia dito de forma fragmentada e progressiva no Antigo Testamento, agora se torna pleno, visível e definitivo em Cristo (Hb 1.1–3).

A Palavra-Chave VERBO nos conduz a verdades centrais da fé cristã:

       Sustenta a divindade plena de Cristo

       Fundamenta a doutrina da Trindade

       Afirma a realidade da encarnação

       Garante a autoridade da revelação cristã

       Chama o crente à adoração, fé e obediência

       Negar o Verbo é negar o próprio Deus revelado; confessar o Verbo é entrar na luz da vida.

No Evangelho de João, o Verbo é Deus eterno, pessoal, criador e revelador, que se fez carne para tornar o Pai conhecido. Ele é a Palavra viva, definitiva e suficiente de Deus à humanidade. Conhecer o Verbo é conhecer a verdade; receber o Verbo é receber a vida; seguir o Verbo é caminhar na luz.

 

I. O VERBO COMO DEUS ETERNO

 

1. O Verbo preexistente. O prólogo de João (dezoito versículos iniciais) é chamado de “Hino Logos”. Na abertura: “No princípio, era o Verbo” (Jo 1.1a), as palavras “no princípio” lembram o texto introdutório da Bíblia (Gn 1.1) e claramente ensinam que o Verbo sempre existiu. Esta é uma maneira de referir-se ao atributo da Eternidade que só Deus possui. A expressão “Verbo” (gr. lógos) designa Deus, referindo-se à divindade do Filho. Enquanto os gregos pensavam em um princípio impessoal e os gnósticos num ser intermediário, João apresenta o Logos como o próprio Deus Eterno — Jesus Cristo, o Filho Unigênito do Pai (Jo 1.14; 3.16). Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia. Jesus não começou a existir em Belém, pois Ele é Eterno, coexistente com o Pai desde o princípio (Cl 1.17).

👉 Antes de qualquer começo mensurável, antes do tempo, da matéria e da história, o Evangelho de João nos conduz a uma afirmação que silencia toda pretensão humana de definir Deus por categorias limitadas: “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1, NVI). Essa frase não descreve um ponto inicial, mas uma realidade eterna. João não diz que o Verbo passou a existir, mas que Ele já era. O verbo grego ēn indica existência contínua. O Logos não teve origem. Ele precede o princípio. Aqui somos levados diretamente ao atributo da eternidade, exclusivo de Deus, e confessamos que o Filho não pertence à ordem das coisas criadas, mas à própria vida divina. O prólogo joanino, frequentemente chamado de Hino do Logos, possui estrutura poética e teológica cuidadosamente construída. Como observam os comentários histórico-culturais, trata-se de um cântico cristológico primitivo, provavelmente usado na catequese e no culto da igreja apostólica. Nele, João apresenta, em forma condensada, toda a cristologia que será desdobrada ao longo do Evangelho. O Logos não é um tema periférico. Ele é o fundamento de toda a revelação. O hino começa na eternidade, atravessa a criação, entra na história pela encarnação e culmina na revelação do Pai. Nada é acidental. Tudo é confessional. Ao empregar o termo lógos, João dialoga com dois mundos sem se submeter a nenhum deles. No pensamento grego, o logos era entendido como um princípio racional impessoal que organizava o cosmos. No judaísmo, a Palavra de Deus era ativa, criadora e reveladora. João vai além de ambos. Ele afirma que o Logos é pessoal, eterno e plenamente divino. Não é uma força. Não é um intermediário. Não é uma emanação. É o próprio Filho Unigênito, que está com Deus e é Deus. Assim, João corrige o racionalismo grego e confronta o dualismo gnóstico, que rejeitava a união entre Deus e a matéria. Essa preexistência do Verbo não é uma abstração teológica, mas uma verdade que percorre toda a Escritura. Paulo afirma que “Ele é antes de todas as coisas” (Cl 1.17, NVI). O autor de Hebreus declara que por meio do Filho Deus fez o universo (Hb 1.2). O Verbo não entra em cena apenas no Novo Testamento. Ele já atua no Antigo. Muitos estudiosos pentecostais reconhecem que as manifestações do Anjo do SENHOR, que fala como Deus, recebe adoração e exerce autoridade divina, apontam para teofanias do Verbo pré-encarnado. Aquele que apareceu a Agar, a Abraão e a Moisés não era um ser criado, mas a autoexpressão pessoal de Deus na história.

Quando João afirma que o Verbo estava com Deus, ele utiliza a expressão pros ton Theón, indicando comunhão face a face. Não se trata de proximidade funcional, mas de relacionamento eterno. O Filho vive voltado para o Pai desde toda a eternidade. Aqui encontramos o fundamento da doutrina trinitária. O Verbo é distinto do Pai, mas jamais separado Dele. Essa relação eterna revela que Deus nunca foi solitário. Antes da criação, já existia comunhão, amor e glória compartilhada. Isso transforma nossa compreensão de Deus e também da vida cristã, que é chamada a refletir essa comunhão. A afirmação da preexistência do Verbo também protege a fé da igreja contra erros antigos e modernos. Jesus não começou em Belém. Ele não foi adotado como Filho. Ele não evoluiu para a divindade. Ele é eternamente o que sempre foi. Negar essa verdade compromete o Evangelho, a redenção e a adoração cristã. Somente um Salvador eterno pode oferecer uma salvação eterna. Somente Aquele que é Deus pode revelar plenamente Deus. Essa doutrina nos chama à reverência e à confiança. O Cristo que caminha conosco na história é o mesmo que governa a eternidade. O Verbo que se fez carne é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Conhecê-lo não é apenas acumular informação, mas render-se em adoração. Quem compreende que Jesus é o Verbo eterno aprende a descansar, obedecer e viver com temor santo diante dAquele que é, que era e que há de vir.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

6. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

 

2. O Verbo como pessoa distinta. No texto bíblico, João afirma que “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b). A expressão grega pros ton Theon (com Deus) comunica relacionamento face a face, ou seja, comunhão pessoal e eterna entre o Verbo (Filho) e Deus (Pai). Indica uma distinção de Pessoas dentro da unidade da Trindade (Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito Santo não são formas sucessivas de aparecimento de uma Pessoa, mas são Pessoas coexistentes desde “o princípio” (Jo 1.2; 17.5).

👉 Quando João declara que “o Verbo estava com Deus” (Jo 1.1b, NVI), ele nos conduz a um dos terrenos mais santos da revelação bíblica. A expressão grega pros ton Theón não descreve mera proximidade espacial, mas comunhão viva, pessoal e intencional. O termo pros sugere movimento em direção ao outro, relação face a face, vida compartilhada. João afirma que, desde toda a eternidade, o Verbo vive em perfeita comunhão com o Pai. Não se trata de solidão divina, mas de relacionamento eterno. Antes de qualquer criatura existir, já havia comunhão, amor e glória entre o Pai e o Filho.

Essa afirmação protege a igreja de um erro recorrente na história cristã. O Verbo não é o próprio Pai sob outra forma. Ele é distinto do Pai, embora da mesma essência. João sustenta a unidade divina sem apagar a distinção pessoal. O monoteísmo bíblico permanece intacto, conforme Deuteronômio 6.4, mas agora é revelado de modo mais pleno. Há um só Deus, mas esse Deus subsiste eternamente em comunhão. Pai, Filho e Espírito Santo não são manifestações temporárias de uma única Pessoa, mas Pessoas reais, coexistentes e eternas. A teologia trinitária nasce aqui, não de especulação filosófica, mas da revelação do próprio Deus em Cristo.

Essa verdade transforma nossa fé e nossa prática. Se o Verbo vive eternamente em comunhão com o Pai, então a comunhão não é acessória à vida cristã. Ela é essencial. Fomos criados e redimidos para participar dessa vida relacional de Deus. A oração, a adoração e a vida comunitária não são deveres frios, mas respostas ao Deus que é relação em sua própria essência. Conhecer o Filho é ser introduzido nessa comunhão eterna. E viver em Cristo é aprender, dia após dia, a refletir na terra a comunhão que sempre existiu no céu.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

 

3. O Verbo é da mesma essência do Pai. Ainda no versículo de abertura, João revela “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c). Aqui, a palavra grega para Deus (Theós) aparece sem o artigo definido — fato que tem gerado discussões exegéticas. Porém, na estrutura grega, a ausência do artigo não implica indefinição ou inferioridade. Essa construção enfatiza a qualidade ou a natureza do sujeito. A omissão do artigo não significa “um deus”, como sustentam traduções heréticas, mas é um indicativo da natureza do Verbo. Esclarece que o Verbo compartilha da mesma essência divina (Jo 10.30; 14.9). Desse modo, o Verbo é como o Pai: eterno (Jo 1.2) e criador (Jo 1.3). Portanto, a expressão “o Verbo era Deus” ensina que Jesus é da “mesma substância” do Pai, isto é, Deus em sua totalidade (Cl 1.15; 2.9).

👉 A afirmação “o Verbo era Deus” (Jo 1.1c, NVI) é uma das declarações cristológicas mais densas de toda a Escritura. João não suaviza sua linguagem nem deixa margem para ambiguidades. Ele conduz o leitor ao coração do mistério divino ao afirmar que o Logos não apenas estava com Deus, mas é Deus em sua própria natureza. Aqui, o apóstolo nos chama a ir além da linguagem comum e a contemplar a identidade do Filho à luz da revelação eterna. Não se trata de função, cargo ou autoridade delegada, mas de essência. No texto grego, João utiliza o termo Theós sem o artigo definido. Essa construção tem sido alvo de distorções ao longo da história, especialmente por leituras que desconhecem a gramática grega ou que se aproximam do texto com pressupostos teológicos equivocados. No entanto, como bem observam os comentários pentecostais e históricos, a ausência do artigo não indica inferioridade nem indefinição. Pelo contrário, ela enfatiza a natureza do Verbo. João não diz o que o Verbo faz, mas quem Ele é. O Logos possui plenamente a qualidade da divindade. Ele compartilha da mesma natureza que o Pai, sem confusão de pessoas e sem divisão de essência. Essa verdade é reafirmada ao longo do Evangelho. Quando Jesus declara “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30, NVI), Ele não está falando apenas de unidade de propósito, mas de unidade ontológica. Da mesma forma, ao afirmar “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14.9, NVI), Jesus revela que nEle habita a plenitude da divindade. Paulo ecoa essa verdade ao declarar que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9, NVI). A igreja primitiva reconheceu que essa linguagem exige a confissão de que o Filho é homoousios, da mesma substância do Pai. Essa não é uma formulação filosófica tardia, mas uma conclusão fiel ao testemunho bíblico. Compreender que o Verbo é da mesma essência do Pai também ilumina a doutrina da criação. João afirma que todas as coisas foram feitas por meio dele (Jo 1.3). A criação é obra exclusiva de Deus. Logo, se o Verbo cria, Ele é Deus. Não há gradação de divindade no Filho. Ele não é um Deus menor nem um ser exaltado. Ele é eterno como o Pai, criador como o Pai, digno de adoração como o Pai. Essa verdade sustenta toda a fé cristã e protege o Evangelho de reducionismos perigosos. Essa confissão transforma nossa relação com Cristo. Quando oramos a Jesus, não falamos com um intermediário distante, mas com o próprio Deus que se fez próximo. Quando confiamos em sua obra redentora, descansamos na suficiência de Deus em sua totalidade. O Verbo que nos salva é plenamente Deus. E exatamente por isso Ele é plenamente capaz de nos sustentar, perdoar, transformar e conduzir até o fim. Conhecer essa verdade não é apenas um exercício intelectual. É um convite à adoração reverente e à confiança absoluta naquele que é Deus conosco.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

6. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

 

SINOPSE I

O Verbo é eterno, distinto do Pai e da mesma essência divina, plenamente Deus.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 “O VERBO. João começa o seu Evangelho (isto é, o relato das ‘boas-novas’ e da verdadeira história de Jesus Cristo) chamando Jesus de ‘o Verbo’ (gr. logos). Ao usar este termo para definir Jesus, o apóstolo o apresenta como a Palavra pessoal de Deus, por meio da qual todas as coisas vieram à existência (v.3; cf. Gn 1.3,6,9,14,20,24). A Bíblia afirma que Deus tem falado conosco através de seu Filho (Hb 1.1-3); e, evidentemente, as próprias palavras de Jesus procedem diretamente de Deus (Jo 8.28; 14.24). A Palavra escrita de Deus declara que Jesus Cristo é a sabedoria divina para nós em todos os aspectos, ajudando-nos a compreender, manifestar e realizar os propósitos do Senhor (1Co 1.30; Ef 3.10,11; Cl 2.2,3). Além disso, a Escritura descreve Jesus como a perfeita revelação da natureza e da personalidade do Pai (Jo 1.3-5,14,18; Cl 2.9) — Cristo é Deus em forma humana. Assim como as palavras de uma pessoa revelam seu coração e sua mente, Cristo, como ‘o Verbo’ (isto é, a Palavra), revela o coração e a mente de Deus (Jo 14.9).

[...] A relação entre o Verbo e o Pai. (a) Cristo estava ‘com Deus’ antes da criação do mundo (cf. Cl 1.15). Ele é uma pessoa que existe eternamente — não tem começo nem fim — diferentemente de Deus Pai, mas em um relacionamento eterno e uniforme com Ele. (b) Cristo é divino (‘o Verbo era Deus’), tem a mesma natureza, o mesmo caráter e o mesmo modo de ser que o Pai (Cl 2.9)” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1837).

 

II. O VERBO COMO CRIADOR

 

1. O agente da criação. A Bíblia declara que “no princípio, criou Deus” (Gn 1.1a). A expressão “criou” traduz a palavra hebraica ‘bārā’, termo reservado à atividade criadora de Deus (Gn 1.21,27; 2.4; 5.1,2; 6.7). Afirma que o universo foi criado por Deus a partir do nada — do latim ex nihilo (Hb 11.3). A doutrina de Deus como Criador possui fundamentos tanto no Antigo Testamento (Sl 33.6; Is 45.12; Ne 9.6) quanto no Novo Testamento (At 17.24; Rm 1.20; Ap 4.11). Nesse sentido, João apresenta Jesus também como Criador: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Este versículo enfatiza a divindade do Verbo, uma vez que a criação é obra exclusiva de Deus (Cl 1.16,17). Desse modo, o Filho é o agente ativo na criação do universo (Hb 1.2).

👉 A Escritura inicia sua revelação afirmando que “no princípio, criou Deus” (Gn 1.1, NVI). O verbo hebraico bārā não descreve um simples rearranjo de matéria pré-existente, mas um ato soberano, exclusivo e livre de Deus. Criar, no sentido bíblico, é trazer à existência aquilo que antes não existia. A fé cristã confessa que o universo não é fruto do acaso nem de forças autônomas, mas da vontade consciente do Criador. Hebreus afirma que “o universo foi formado pela palavra de Deus” (Hb 11.3, NVI). Desde o início, a criação está ligada à Palavra. Deus cria falando. Deus cria revelando sua vontade.

É nesse ponto que o prólogo de João aprofunda e ilumina a revelação do Antigo Testamento. Ao declarar que “todas as coisas foram feitas por meio dele” (Jo 1.3, NVI), o apóstolo identifica o Verbo como o agente ativo da criação. O texto grego é enfático e não admite exceções. Nada do que existe veio à existência à parte do Logos. João não está acrescentando uma nova doutrina, mas revelando quem sempre esteve por trás da obra criadora. O Deus que cria em Gênesis é o mesmo que cria por meio do Filho. A criação, portanto, já é uma obra trinitária em sua origem, ainda que essa verdade só seja plenamente revelada no Novo Testamento. Essa afirmação tem profundo peso cristológico. A criação é uma obra que pertence exclusivamente a Deus. Se o Verbo cria, então o Verbo é Deus. Paulo confirma essa verdade ao afirmar que “nele foram criadas todas as coisas” e que “tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.16, NVI). O Filho não é um instrumento passivo, mas o mediador soberano da criação. Como observa a teologia pentecostal clássica, o Filho é o agente pelo qual o Pai traz o universo à existência, e o Espírito é aquele que sustenta e vivifica essa obra. Aqui não há divisão de glória, mas perfeita harmonia na ação divina.

Essa doutrina corrige visões reducionistas de Cristo e confronta qualquer tentativa de vê-lo apenas como mestre moral ou líder espiritual. O Jesus que caminha pelas estradas da Galileia é o mesmo que chamou os céus e a terra à existência. O Verbo que se fez carne é o Criador que sustenta todas as coisas pela sua palavra. Essa verdade amplia nossa compreensão da encarnação. O Criador não se afastou de sua criação, mas entrou nela para redimi-la. Aquele que fez o mundo conhece profundamente sua dor, sua queda e sua necessidade de restauração. Reconhecer o Verbo como Criador transforma nossa forma de viver. Se tudo existe por meio dele e para ele, então nossa vida também lhe pertence. Nada é neutro. Nada é sem propósito. O Cristo que nos salva é o mesmo que nos criou. Isso gera humildade, responsabilidade e esperança. Vivemos em um mundo sustentado pelo Verbo. E caminhamos rumo à consumação conduzidos pelo mesmo Senhor que disse, no princípio, “haja luz”, e que continua trazendo luz às trevas do coração humano.

A Questão do “Verbo” e a Suposta Lacuna entre Gênesis 1:1 e 1:2

Uma Avaliação Bíblica, Cristológica e Doutrinária

Ao tratarmos do Verbo (Logos) como revelação plena de Deus no Evangelho de João, somos inevitavelmente levados ao tema da criação. João não começa seu Evangelho por acaso com as palavras: “No princípio…” (ἐν ἀρχῇ – en archē), ecoando diretamente Gênesis 1:1. O apóstolo deseja deixar claro que o mesmo Verbo eterno que se fez carne é o agente direto da criação, sem qualquer ruptura, lacuna ou caos fora do controle soberano de Deus (Jo 1.1–3; Cl 1.16; Hb 1.2). Entretanto, algumas correntes interpretativas, como a trazida pela Bíblia de Estudo Dake (CPAD) e o chamado Criacionismo da Lacuna (Gap Theory), sugerem que entre Gênesis 1:1 e 1:2 ocorreu um longo período não descrito, marcado por uma primeira criação perfeita, seguida pela queda de Lúcifer, que teria trazido juízo cósmico, resultando no estado da terra como “sem forma e vazia” (tohu vabohu).

1. O que defende a Teoria da Lacuna?

De forma resumida, essa interpretação propõe que:

       Gênesis 1:1 descreve uma criação original perfeita;

       Entre os versículos 1 e 2 teria ocorrido a queda de Lúcifer (cf. Is 14; Ez 28);

       Gênesis 1:2 retrataria uma terra arruinada, em caos, fruto de juízo divino;

       Os seis dias seguintes seriam uma obra de restauração, não de criação inicial.

Essa leitura foi popularizada no século XIX, sobretudo para tentar conciliar o texto bíblico com teorias geológicas antigas da Terra, e ganhou projeção no meio pentecostal brasileiro por meio da Bíblia de Estudo Dake.

 

2. Problemas Exegéticos da Teoria da Lacuna

Apesar de sua difusão, essa posição enfrenta sérias dificuldades bíblicas e teológicas:

       a) O texto hebraico não exige uma lacuna

       O verbo hebraico הָיְתָה (hayetah) em Gênesis 1:2 é corretamente traduzido como “era”, não “tornou-se”. A leitura natural do texto indica continuidade narrativa, não ruptura:

       “No princípio criou Deus os céus e a terra. A terra era sem forma e vazia…”

       Não há no texto qualquer marcador gramatical que indique juízo, destruição ou reconstrução.

 

b) “Sem forma e vazia” não significa juízo

A expressão tohu vabohu descreve estado inicial não organizado, não um mundo destruído. O próprio texto mostra que Deus organiza progressivamente aquilo que inicialmente não estava estruturado. Trata-se de ordenação, não de restauração pós-juízo.

 

c) O Novo Testamento rejeita qualquer caos fora da soberania do Verbo

João afirma explicitamente:

       “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3).

 

Não há espaço para uma criação paralela, autônoma ou corrompida antes da obra do Logos. O Verbo não apenas restaura; Ele origina e sustenta todas as coisas (Cl 1.16–17).

 

d) A queda de Satanás não é colocada na criação material

Textos como Isaías 14 e Ezequiel 28 tratam, primariamente, de reis históricos, usando linguagem simbólica e poética. A leitura que os transforma em narrativas literais da queda de Lúcifer antes de Gênesis 1:2 é teologicamente especulativa e exegeticamente frágil.

 

3. Cristologia do Verbo versus a Lacuna

A doutrina do Verbo encarnado nos ensina que:

       Cristo é o princípio absoluto da criação;

       Nele não há improviso, reparo ou correção de falhas anteriores;

       A criação não nasce do caos causado por Satanás, mas da palavra soberana de Deus.

“Disse Deus… e assim se fez.”

O Logos não reage ao caos, Ele governa a criação desde o princípio.

Introduzir uma lacuna dominada por forças caóticas enfraquece a cristologia joanina, pois desloca a centralidade do Verbo como Senhor da história e da criação.

 

4. Por que a CPAD suspendeu a publicação da Bíblia de Estudo Dake?

A Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) decidiu suspender a publicação da Bíblia de Estudo Dake no Brasil por razões doutrinárias e pastorais, entre elas:

Posições teológicas controversas e não consensuais, como:

       A Teoria da Lacuna;

       Especulações sobre anjos, demônios e mundos pré-adâmicos;

       Anotações excessivamente dogmáticas, muitas vezes apresentadas como verdades bíblicas absolutas, quando são interpretações particulares;

       Risco de confusão doutrinária para igrejas locais e alunos de EBD;

Desalinhamento com a doutrina oficial histórica das Assembleias de Deus no Brasil, que adota uma leitura mais cautelosa, cristocêntrica e bíblica da criação.

Importante destacar: a suspensão não foi um ataque pessoal a Finis Jennings Dake, mas uma decisão editorial e pastoral, visando preservar a clareza doutrinária e evitar especulações que ultrapassam o texto bíblico.

 

5. Síntese Teológica

À luz da Palavra-chave: VERBO, aprendemos que:

       O Logos é eterno, criador e soberano;

       A criação não começa em ruína, mas em propósito;

       O caos inicial não é fruto da queda de Lúcifer, mas o palco onde a Palavra de Deus manifesta ordem, vida e luz;

       Em João, o Verbo não apenas cria o mundo; Ele entra nele para redimi-lo.

Portanto, nossa fé não repousa em lacunas especulativas, mas na certeza gloriosa de que:

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1.14)

Ele é o princípio da criação, o centro da revelação e o fim de todas as coisas.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

 

2. A fonte da vida. O apóstolo João enfatiza com clareza que “nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se ao Verbo eterno — Jesus Cristo. Esta declaração revela que o Verbo é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida, tanto física quanto espiritual e eterna (Jo 3.36; 1Jo 5.11,12). A expressão denota a autossuficiência do Verbo, uma característica específica da divindade (At 17.25). Jesus não depende de nada ou ninguém para viver. Ele compartilha da mesma substância divina: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Essa verdade afirma que a vida, eterna e imutável, que está no Pai está igualmente no Filho, apontando para a mesma essência dentre as Pessoas da Trindade (Jo 10.30; 14.9; 17.5).

👉 Quando João afirma que “nele estava a vida” (Jo 1.4a, NVI), ele não está descrevendo apenas um atributo de Jesus, mas revelando Sua identidade divina. O termo grego usado para vida é zōē, que em João nunca se limita à existência biológica, mas aponta para a vida que procede de Deus, plena, eterna e qualitativamente superior. O Verbo não apenas comunica vida. Ele é a própria fonte dela. Toda vida criada encontra sua origem nele, e toda vida redentora flui dele. João conduz o leitor a compreender que não existe vida fora do Logos, nem no plano natural nem no espiritual. Essa afirmação carrega um peso cristológico profundo. João ensina que a vida não é algo que o Verbo recebeu posteriormente, mas algo que sempre esteve nele. A construção do texto indica permanência e essência, não concessão temporária. Isso ecoa o testemunho de Atos 17.25, onde Deus é descrito como aquele que não depende de nada para existir. A autossuficiência da vida no Verbo revela um atributo exclusivo da divindade. Criaturas vivem por dependência. O Filho vive por essência. Aqui João rompe com qualquer tentativa de reduzir Jesus a um ser criado ou subordinado ontologicamente ao Pai. Essa verdade é explicitada em João 5.26, quando Jesus declara que o Pai concedeu ao Filho “ter vida em si mesmo”. A expressão não indica origem temporal, mas comunhão eterna. O Pai não cria a vida do Filho. Ele compartilha a mesma vida. Trata-se da aseidade divina participada pelo Filho, uma doutrina central para a fé trinitária. O Verbo possui a mesma substância do Pai, como o próprio João reafirma em outros textos. Quem vê o Filho vê o Pai. Quem recebe o Filho recebe a vida que sempre existiu em Deus. Do ponto de vista pastoral, essa doutrina confronta uma fé superficial que busca vida em fontes secundárias. João afirma que a vida eterna não é um conceito, nem uma recompensa futura isolada do presente. Ela está em uma Pessoa. “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3.36, NVI). Não se trata apenas de duração infinita, mas de comunhão restaurada. Fora do Verbo, o ser humano pode até existir, mas permanece espiritualmente morto. A vida verdadeira começa quando somos unidos a Cristo pela fé. Para a vida cristã diária, essa verdade nos chama a um realinhamento profundo. Muitos crentes conhecem doutrinas, frequentam cultos e cumprem disciplinas, mas continuam espiritualmente esgotados porque se desconectaram da fonte. João nos lembra que toda vitalidade espiritual flui da comunhão viva com o Verbo. Permanecer nele não é um detalhe devocional, é uma necessidade vital. Onde o Verbo governa, a vida floresce. Onde Ele é negligenciado, até a fé se torna estéril.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

3. A luz dos homens. O texto bíblico assevera que “a vida era a luz dos homens; e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1.4b,5). A metáfora da Luz simboliza o caráter de Deus, porque nEle não há trevas alguma (1Jo 1.5). Nesse contexto, Jesus é apresentado como a Luz verdadeira (Jo 1.9). Ele não apenas possui luz; Ele é a própria Luz (Jo 8.12). Ele dissipa as trevas, ilumina os perdidos e revela o pecado (Mt 4.16; Jo 3.19). A declaração “as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5 — NAA) mostra que as forças do mal não têm poder sobre Cristo. O verbo grego katalambánō pode ser traduzido como “compreender”, “apoderar” ou “dominar”, e nesse caso expressa que as trevas do pecado não podem resistir à Luz do Filho de Deus (Rm 13.12).

👉 João afirma que “a vida era a luz dos homens” (Jo 1.4b, NVI), unindo dois temas inseparáveis em seu Evangelho. Vida e luz não são conceitos abstratos, mas realidades pessoais reveladas no Verbo. A luz aqui não é mera iluminação intelectual, mas revelação salvadora. No Antigo Testamento, a luz está associada à própria presença de Deus, à Sua santidade e à Sua ação redentora. Quando João declara que essa vida se tornou luz para os homens, ele está dizendo que o próprio Deus se deu a conhecer em Cristo. A luz não surge do homem em busca de Deus, mas de Deus vindo ao encontro do homem perdido.

Ao afirmar que “a luz resplandece nas trevas” (Jo 1.5), João descreve um conflito espiritual real. O verbo grego phaínō indica brilho contínuo, persistente, que não se apaga. As trevas representam o estado espiritual da humanidade caída, marcada pelo pecado, ignorância e rebelião. João então utiliza o verbo katalambánō, que pode significar compreender, dominar ou sufocar. A afirmação é poderosa. As trevas não conseguem entender plenamente a luz, nem dominá-la, nem apagá-la. O mal não é um rival equivalente. Ele é parasita, derrotado desde o início pela presença ativa do Verbo. Isso corrige leituras dualistas e reafirma a soberania absoluta de Cristo sobre a criação e sobre a história.

Quando João identifica Jesus como “a luz verdadeira” (Jo 1.9) e o próprio Cristo declara “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12), somos confrontados pastoralmente. A luz não apenas consola, ela expõe. Ela revela o pecado, desmascara ilusões religiosas e chama à conversão. Muitos preferem as trevas porque elas escondem, mas a luz cura porque revela. Caminhar na luz é submeter-se diariamente ao governo do Verbo, permitindo que Ele ilumine motivações, escolhas e afetos. Onde Cristo governa, as trevas recuam. Onde Ele é acolhido, a vida floresce. A pergunta que permanece não é se a luz venceu, pois ela já venceu, mas se estamos dispostos a sair das sombras e viver plenamente diante dela.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

SINOPSE II

Como Criador, o Verbo é fonte de vida e luz, e nenhuma força de trevas pode prevalecer contra Ele.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“A VIDA ERA A LUZ DOS HOMENS. (1) A ‘vida’ (gr. zōē) é um dos temas centrais do Evangelho de João, aparecendo 36 vezes. Jesus é descrito como o Pão da Vida (Jo 6.35,48) e a Água da Vida (Jo 4.10,11; 7.38). Suas palavras são palavras de vida eterna (Jo 6.68). Ele é quem dá a vida (Jo 6.33; 10.10), e essa vida é um dom de Cristo (Jo 10.28). Na verdade, Cristo é ‘a vida’ (Jo 14.6). Em outras palavras, a verdadeira vida encontra-se em Cristo (cf. Jo 14.6) e é experimentada por meio de um relacionamento pessoal com Ele (Jo 17.3). (2) A ‘luz’ (gr. phōs) é mencionada 23 vezes no Evangelho de João, mais do que em qualquer outro livro do Novo Testamento. A vida de Jesus é a luz para todas as pessoas, o que significa que Ele nos revelou a Deus e aos seus planos para nossa existência, mostrando-nos o caminho de volta a Ele. A verdade, a natureza e o poder de Deus foram manifestados em Cristo e estão disponíveis a todos por meio dEle (Jo 8.12; 12.35,36,46). Em Jesus também podemos tornar-nos filhos da luz (Jo 12.36) e andar na luz (1Jo 1.7).” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1837).

 

III. O VERBO COMO REVELAÇÃO DO PAI

 

1. A encarnação do Verbo. João também apresenta o Verbo como o supremo meio de autorrevelação do Pai: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (Jo 1.14a). Esta afirmação marca o ponto culminante da revelação divina: o Verbo se tornou homem sem deixar de ser Deus (Fp 2.6-8). O termo grego eskēnōsen (habitou) significa literalmente “armou sua tenda”. Essa linguagem faz alusão ao Tabernáculo (Êx 25.8,9), onde a presença de Deus habitava no meio do povo de Israel. O corpo de Cristo é assim comparado a esse tabernáculo: nele, a glória de Deus se manifestou visível entre os homens (Cl 2.9). Ele revela a união hipostática das duas naturezas do Filho: divina e humana. Ele é o Emanuel, o Deus conosco (Mt 1.23) — a plena revelação do Pai (Hb 1.1).

👉 A declaração de João “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14a, NVI) é uma das afirmações mais densas de toda a Escritura. Aqui não estamos diante de uma metáfora poética, mas de um acontecimento histórico e redentor. O Verbo eterno, que estava com Deus e era Deus, entrou plenamente na condição humana. A expressão “se fez carne” aponta para a realidade concreta da encarnação. Sárx não descreve apenas corpo físico, mas a totalidade da existência humana, frágil, limitada e sujeita ao sofrimento. O Filho não apenas visitou a humanidade, Ele a assumiu. Sem deixar de ser Deus, tornou-se verdadeiramente homem, inaugurando o mistério central da fé cristã.

João afirma que o Verbo “habitou” entre nós, usando o verbo grego eskēnōsen, literalmente armou sua tenda. Essa escolha vocabular é profundamente teológica. Remete ao Tabernáculo do deserto, onde a glória de Deus se manifestava no meio de Israel. Assim como a shekinah enchia a tenda, agora a presença divina se manifesta de forma plena na pessoa de Cristo. Não se trata mais de um lugar sagrado, mas de uma pessoa. Jesus é o novo e definitivo Tabernáculo. Nele, Deus não apenas se aproxima, mas se torna acessível, visível e relacional. A encarnação redefine completamente a maneira como conhecemos a Deus. João acrescenta “e vimos a sua glória”. A glória não foi percebida por sinais externos de poder político ou militar, mas revelada em graça, verdade e obediência ao Pai. Essa glória culmina na cruz, onde a fraqueza aparente revela a sabedoria e o amor de Deus. Em Cristo, a glória divina não elimina a humanidade, mas se expressa por meio dela. Paulo ecoa essa verdade ao afirmar que “em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9, NVI). Não há fragmentação. Não há divisão. A revelação é plena e suficiente.

Essa afirmação conduz à doutrina da união hipostática. O Filho possui duas naturezas distintas, divina e humana, unidas em uma única pessoa, sem confusão, sem mudança, sem divisão e sem separação. Essa verdade não é fruto de especulação filosófica, mas nasce da leitura fiel das Escrituras. Filipenses 2.6–8 mostra que o esvaziamento do Filho não foi abandono da divindade, mas renúncia voluntária de prerrogativas. Ele assumiu a forma de servo para revelar o coração do Pai. Aqui aprendemos que a verdadeira revelação de Deus é marcada por humildade e entrega. É nesse contexto que surge a discussão histórica sobre o título Theotokos, que significa aquela que dá Deus à luz. O termo foi amplamente debatido no Concílio de Éfeso, em 431 d.C., quando a Igreja enfrentou o ensino de Nestório, que separava excessivamente as naturezas de Cristo. Ao afirmar Maria como Theotokos, a Igreja não exaltou Maria acima do que as Escrituras permitem, mas protegeu uma verdade cristológica essencial. Aquele que nasceu dela não era apenas um homem no qual Deus habitou, mas o próprio Filho eterno encarnado. Negar o título, naquele contexto, significava enfraquecer a unidade da pessoa de Cristo.

O Concílio de Éfeso foi, portanto, uma resposta pastoral e doutrinária. Ele reafirmou que Jesus Cristo é uma única pessoa divina, plenamente Deus e plenamente homem desde a encarnação. A ênfase não estava em Maria, mas na identidade de Cristo. Essa definição preserva o ensino bíblico de que Deus realmente entrou na história humana. Para a tradição pentecostal e reformada continuísta, essa confissão não é um apego a terminologias antigas, mas um compromisso com a fidelidade bíblica e com a centralidade de Cristo como único mediador. João conclui essa seção apontando que o Verbo é a revelação final do Pai. Hebreus afirma que Deus falou de muitas maneiras no passado, mas agora falou pelo Filho (Hb 1.1–2). Isso significa que não buscamos revelações paralelas ou superiores. Toda revelação autêntica do Espírito nos conduz ao Cristo encarnado, crucificado e glorificado. O Espírito não cria um novo Cristo, Ele ilumina o Cristo revelado. Aqui encontramos equilíbrio teológico e maturidade espiritual. A encarnação nos confronta e nos consola. Confronta, porque não podemos conhecer a Deus à nossa maneira. Ele se revelou como quis, em Cristo. Consola, porque esse Cristo conhece nossas dores, limites e tentações. Ele não observa a humanidade à distância. Ele caminhou entre nós. Sofreu. Chorou. Obedeceu. Redimiu. Seguir o Verbo encarnado é aprender a viver uma fé encarnada, que ama pessoas reais, enfrenta o sofrimento com esperança e revela o Pai por meio de uma vida transformada.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

2. A plenitude da graça e da verdade. João, testemunha ocular da encarnação do Verbo, declara ser a “glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b). A palavra “glória” (gr. dóxa) remete ao conceito da shekinah — a presença gloriosa de Deus entre o seu povo (Êx 40.34,35). Porém, enquanto a glória na Antiga Aliança se manifestava parcialmente, em Cristo ela se mostra plenamente (Jo 2.11; 17.1-5). A frase “cheio de graça e de verdade” revela o conteúdo dessa glória. Diferente da Lei dada por Moisés (Jo 1.17a), Cristo encarnou a própria graça salvadora e a verdade eterna. Ele não apenas ensina a verdade — Ele é a verdade (Jo 14.6). E não apenas oferece graça — Ele é a plenitude da graça de Deus, uma provisão contínua que se manifestou salvadora a todos os homens (Tt 2.11).

👉 João afirma que contemplou “a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14b, NVI). Essa não é uma percepção mística distante, mas o testemunho de quem caminhou com Cristo, ouviu Suas palavras e viu Sua vida de perto. A palavra grega dóxa aponta para peso, valor e manifestação visível da presença divina. No Antigo Testamento, essa glória se revelava de forma localizada e momentânea, como na shekinah que enchia o Tabernáculo e o Templo. Em Cristo, porém, a glória não visita um espaço sagrado. Ela habita permanentemente em uma pessoa. A revelação deixa de ser episódica e torna-se relacional.

Essa glória é a do “Unigênito do Pai”. O termo grego monogenḗs não descreve apenas alguém gerado no tempo, mas único em sua categoria, singular em essência e relação. João está afirmando que a glória vista em Jesus é a mesma glória que procede eternamente do Pai. Não há distância entre o que Deus é e o que Cristo revela. Quem vê o Filho vê o Pai. Aqui a cristologia joanina atinge seu centro. A revelação não é fragmentada, nem progressiva em Cristo. Ela é plena, final e suficiente.

João então nos mostra o conteúdo dessa glória. Ela é “cheia de graça e de verdade”. Essas duas realidades não competem entre si. Elas caminham juntas. A graça sem verdade se torna permissividade. A verdade sem graça se transforma em condenação. Em Jesus, ambas se encontram de forma perfeita. A palavra cháris aponta para o favor imerecido de Deus, que alcança o pecador e o restaura. Já alḗtheia expressa aquilo que é firme, confiável e revelador da realidade divina. Cristo não apenas comunica verdades sobre Deus. Ele é a própria verdade encarnada (Jo 14.6).

João faz um contraste cuidadoso com a Lei dada por meio de Moisés (Jo 1.17). A Lei foi santa, justa e necessária, mas limitada em sua função. Ela revelou o pecado, mas não tinha poder para transformá-lo. Em Cristo, a graça não substitui a verdade da Lei, mas a cumpre e a supera. A graça agora não é apenas um conceito teológico, mas uma pessoa viva que perdoa, regenera e sustenta. Como ensinam os comentaristas pentecostais, essa graça não é estática. Ela continua fluindo do Verbo encarnado para a Igreja pelo agir do Espírito.

Pastoralmente, essa verdade nos chama a uma fé madura e equilibrada. Muitos desejam a glória, mas rejeitam a verdade que confronta. Outros defendem a verdade, mas se esquecem da graça que acolhe e restaura. Em Cristo, aprendemos que a verdadeira espiritualidade nasce do encontro com o Verbo cheio de graça e de verdade. Segui-Lo é permitir que Sua graça nos cure e que Sua verdade nos transforme diariamente. É viver uma fé que não mascara o pecado, mas também não nega a possibilidade real de redenção.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

3. O revelador do Deus invisível. No último versículo de seu prólogo, João afirma: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18). Aqui, o apóstolo enfatiza que Deus é invisível e inacessível (Êx 33.20; 1Tm 6.16). No entanto, o Verbo o revelou de forma plena e perfeita. A expressão “Deus unigênito” (gr. monogenēs theos) significa literalmente “o Deus único gerado”. Refere-se a Cristo — o Filho da mesma substância (gr. homoousios) do Pai. Essa declaração reafirma a eternidade e a plena divindade do Filho. Cristo é a autorrevelação completa do Pai: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9).

👉 O prólogo de João alcança seu ponto mais elevado quando afirma: “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, este o fez conhecer” (Jo 1.18, NVI). Aqui não há apenas uma conclusão literária, mas uma declaração teológica definitiva. João começa falando do Verbo eterno e termina afirmando que esse Verbo é o único intérprete autorizado de Deus. O Deus invisível, inacessível aos sentidos humanos e inalcançável por esforço religioso, decidiu dar-se a conhecer. E o fez não por conceitos, símbolos ou visões fragmentadas, mas por meio de uma pessoa viva. A afirmação “Deus nunca foi visto” não contradiz as teofanias do Antigo Testamento. Moisés viu a glória pelas costas. Isaías contemplou o Senhor em visão. Contudo, ninguém jamais percebeu a essência plena de Deus. A Escritura é clara ao afirmar que Deus habita em luz inacessível (1Tm 6.16). João nos conduz além dessas experiências parciais. Ele afirma que aquilo que sempre esteve oculto agora foi revelado de forma plena e definitiva no Filho. Não se trata de mais uma revelação. Trata-se da revelação final. O texto grego é teologicamente denso. Algumas testemunhas manuscritas trazem a expressão monogenḗs theós, literalmente “Deus unigênito”. Longe de enfraquecer a divindade de Cristo, essa leitura a aprofunda. João não está dizendo que o Filho é um deus menor, mas que Ele é o Deus único revelado em relação filial. Monogenḗs não descreve origem temporal, mas singularidade de essência e relação. O Filho é Deus em sua plena natureza, distinto do Pai quanto à pessoa, mas da mesma substância. Aqui está a base joanina para aquilo que a Igreja mais tarde chamaria de consubstancialidade. João acrescenta que esse Filho “está no seio do Pai”. A expressão grega eis ton kólpon tou Patrós comunica intimidade contínua, comunhão eterna, proximidade sem ruptura. Não se trata apenas de um estado passado, mas de uma realidade permanente. Mesmo encarnado, o Filho jamais deixou de estar em perfeita comunhão com o Pai. Isso significa que tudo o que Jesus disse, fez e revelou brota dessa intimidade eterna. Ele não fala sobre Deus por observação externa. Ele fala de dentro da comunhão divina. O verbo final é decisivo. João afirma que o Filho “o fez conhecer”. O termo grego exēgésato é a raiz da palavra exegese. O Filho é o exegeta do Pai. Ele interpreta Deus para a humanidade. Isso significa que não há conhecimento verdadeiro de Deus fora de Cristo. Toda tentativa de compreender o Pai sem o Filho resulta em distorção, projeção ou idolatria. Em Jesus, Deus não apenas fala. Ele se explica, se revela e se entrega.

Essa verdade confronta tanto o intelectualismo religioso quanto o misticismo sem Cristo. Não conhecemos Deus por especulação filosófica, nem por experiências espirituais desconectadas do Verbo. Conhecemos o Pai olhando para o Filho, ouvindo Suas palavras e obedecendo Seu caminho. Como ensinam os comentaristas pentecostais, essa revelação não é apenas informativa, mas transformadora. Conhecer a Deus em Cristo é ser chamado à comunhão, à santidade e à vida no Espírito. João 1.18 nos chama a uma fé centrada em Cristo. Muitos falam sobre Deus, mas poucos se deixam revelar por Ele. Quem se aproxima do Filho não encontra um Deus distante, mas um Pai que se deixa conhecer. Seguir Jesus é aprender a viver à luz dessa revelação diária. É abandonar imagens distorcidas de Deus e permitir que o Verbo revele quem o Pai realmente é. Misericordioso, santo, fiel e próximo. Em Cristo, o invisível se fez conhecido. E isso muda tudo.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2019.

 

SINOPSE III

O Verbo encarnado revela de forma plena o Pai, manifestando graça e verdade.

 

CONCLUSÃO

 

Jesus Cristo é o Deus unigênito que revela o Pai. Nele, a glória, a graça e a verdade de Deus são plenamente manifestas. A encarnação do Verbo não é apenas uma doutrina essencial da fé cristã, mas também um chamado à adoração e proclamação daquEle que é a imagem visível do Deus invisível. O Senhor Jesus é a perfeita revelação do Pai à humanidade. Que cada crente reconheça que conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus, e que proclamar essa verdade é tornar a glória do Pai conhecida no mundo.

👉 O Evangelho de João apresenta Jesus Cristo como o Deus unigênito (monogenḗs Theós, Jo 1.18), aquele que procede eternamente do Pai e que O revela de maneira plena, final e definitiva. Não se trata apenas de uma revelação parcial ou progressiva, como ocorreu por meio dos profetas, mas da auto-revelação pessoal de Deus na história. Em Cristo, Deus não apenas fala; Deus se dá a conhecer em Pessoa. Tudo o que o Pai é em sua natureza, caráter e propósito redentor se manifesta no Filho. A glória, a graça e a verdade de Deus encontram em Jesus sua expressão máxima. João afirma que o Verbo “se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória” (Jo 1.14). A palavra glória (dóxa) não aponta para brilho externo apenas, mas para o peso da presença divina, aquilo que no Antigo Testamento se manifestava no tabernáculo e no templo. Agora, essa glória não habita em tendas feitas por mãos humanas, mas na própria humanidade do Filho. A encarnação, portanto, é o clímax da revelação divina: Deus se aproxima, assume nossa condição e caminha entre nós. A encarnação do Verbo não é apenas uma doutrina essencial da fé cristã; ela é o coração do evangelho. Negá-la é esvaziar a própria identidade cristã. O Deus que se faz carne não apenas revela o Pai, mas torna possível a reconciliação entre Deus e os homens. Em Cristo, vemos a santidade que confronta o pecado, a graça que acolhe o pecador e a verdade que liberta. Ele não apenas ensina sobre Deus; Ele é Deus conosco (Emmanuel), a imagem visível do Deus invisível (Cl 1.15). Essa verdade tem implicações profundamente pastorais e missionais. Se conhecer a Cristo é conhecer o próprio Deus (Jo 14.9), então a fé cristã não se baseia em conceitos abstratos, mas em um relacionamento vivo com o Filho. Adorar a Cristo é adorar o Pai; ouvir a Cristo é ouvir o Pai; obedecer a Cristo é submeter-se à vontade do Pai. Não há outro caminho para o conhecimento de Deus senão por meio do Verbo encarnado.

Por isso, a igreja é chamada não apenas a crer nessa verdade, mas a proclamá-la. Tornar Cristo conhecido é tornar a glória do Pai conhecida no mundo. Em um contexto de pluralismo religioso e relativização da verdade, afirmar que Jesus é a perfeita revelação do Pai não é arrogância teológica, mas fidelidade ao testemunho bíblico. A missão da igreja é anunciar, com palavras e vida, que em Jesus Cristo Deus se revelou, se aproximou e ofereceu salvação. Conhecer o Filho é entrar na vida eterna; proclamá-Lo é participar do propósito eterno de Deus para a humanidade.

Considerando a Lição 6, que se estrutura em três grandes tópicos cristológicos (o Verbo eterno, o Verbo revelador/criador e o Verbo encarnado), seguem três aplicações práticas, uma para cada tópico, bíblico e aplicável à vida cristã e à EBD.

1. Submissão à soberania de Cristo: Se o Verbo já existia “no princípio”, então Cristo não entra na nossa história para nos servir, mas nós entramos na história dEle para servi-Lo. Isso confronta a fé utilitarista. O crente é chamado a viver sob o senhorio de Cristo em todas as áreas da vida: decisões, planos, ministério e relacionamentos.

2. Valorização da Palavra escrita. Se o Verbo é o meio pelo qual Deus cria e revela, então desprezar a Palavra é desprezar o próprio Cristo. O crente é chamado a cultivar disciplina bíblica diária, leitura reverente e estudo sério das Escrituras.

3. Fé relacional, não apenas intelectual: Se o Verbo se fez carne, então o cristianismo não é apenas doutrina correta, mas relacionamento vivo com Cristo. O crente é chamado a caminhar com Jesus diariamente em oração, dependência e obediência.

 

Crer que Jesus é o Verbo eterno, revelador e encarnado não é apenas afirmar uma verdade teológica, mas viver uma fé transformada por essa verdade. Ele governa nossa história, ilumina nosso entendimento e caminha conosco. Conhecer o Verbo é conhecer a Deus; segui-Lo é viver para a glória do Pai.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Como é chamado o prólogo de João (dezoito versículos iniciais)?

“Hino Logos.”

2. O que os gregos pensavam a respeito do Verbo?

Que o Verbo era uma força ou ideia, e não plenamente pessoal e divino.

3. Qual é o texto bíblico em que João apresenta Jesus também como Criador?

João 1.3.

4. A declaração “nele, estava a vida” (Jo 1.4a), referindo-se a Jesus Cristo, revela o que a respeito do Verbo?

Que Ele é a fonte absoluta e originária de toda forma de vida.

5. A expressão “Deus Unigênito” significa literalmente o quê?

“O Deus único gerado” — o Filho da mesma essência do Pai.,

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O FILHO COMO O VERBO DE DEUS

Esta lição tem como finalidade apresentar maiores detalhes da Pessoa de Jesus como o Verbo de Deus encarnado. Ele é a revelação plena e visível de Deus neste mundo. A introdução do Evangelho de João ratifica a coexistência de Jesus e Sua participação com o Pai na criação (Gn 1.1,26). Cristo não veio a existir, mas sempre existiu e estava com o Pai na criação de todas as coisas (Jo 1.2,3). Essa é uma das verdades basilares da fé cristã que os hereges tentam distorcer. Há grupos, inclusive, que interpretam equivocadamente o capítulo 1 do Evangelho de João e afirmam que o Verbo era “um” deus, classificando o Senhor Jesus como uma Pessoa menor em relação a Deus Pai. Contudo, reafirmamos de forma contundente que o Senhor Jesus exerce Seu papel de Filho Unigênito como Pessoa da Trindade possuindo a mesma essência do Pai e é Deus em Sua totalidade. A importância de crer nesse ensino é indispensável para vida cristã, tendo em vista que a fé em Jesus é o meio pelo qual somos transformados pelo poder do Espírito Santo e recebemos o poder de sermos filhos de Deus (Jo 1.12).

[Francisco Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); • Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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A Teologia Sistemática: uma perspectiva pentecostal (CPAD) discorre: “Em João 1.12, lemos: ‘Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome’. Em outras palavras, Jesus estava redefinindo toda a realidade de alguém tornar-se filho de Deus. Até aquele momento a pessoa precisava nascer especificamente no povo de Israel, chamado segundo a aliança (ou pelo menos afiliar-se a ele), para ter aquela oportunidade. João, porém, enfatiza que a mensagem espiritual, o Evangelho poderoso, chegara às pessoas, e que elas haviam recebido Jesus, o Logos. Recebê-lo importava em obter o direito ou autoridade de se tornar filho de Deus. Alguns dos que o receberam eram judeus, e outros eram gentios. Jesus derrubou o muro divisório e franqueou a salvação a todos os que desejassem chegar a Ele e recebê-lo pela fé (Jo 1.13)” (2021, p.309). Este critério foi definido pelo próprio Deus em Sua Palavra e é verdade inegociável. Se queremos ter e manter nossa comunhão com o Pai, precisamos preservar a fé e comunhão com Seu Filho Unigênito, e nutrir a intimidade com a Pessoa do Espírito Santo. À medida que conhecemos e desenvolvemos nosso relacionamento com Jesus, prosseguimos em conhecer o próprio Pai (Jo 14.8,9). E como testemunhas do Seu amor, compartilhamos esta verdade com o mundo, para que todos conheçam que só podem ter o Pai se receberem e crerem em Seu Filho Unigênito (1Jo 2.23).

 

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