LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
ADULTOS
1º Trimestre de 2026
Título: A Santíssima
Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas
Baptista
Lição 7: A Obra do Filho
Data: 15 de fevereiro de 2026
TEXTO ÁUREO
“Pelo que também Deus o exaltou
soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome.” (Fp 2.9).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 Filipenses 2.9 ocupa uma posição central no chamado Hino
Cristológico (Fp 2.6–11) e marca a transição decisiva da humilhação voluntária
do Filho para a sua exaltação gloriosa. O versículo não pode ser interpretado
isoladamente, pois está intrinsecamente ligado à obediência descrita no verso
anterior: “sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Fp 2.8). Assim, Paulo
estabelece uma relação clara de causa e consequência entre a obra redentora de
Cristo e sua exaltação pelo Pai. Pelo que também (διὸ καὶ) A
expressão grega dio kai possui forte valor inferencial e conclusivo. Ela aponta
diretamente para tudo o que foi afirmado nos versículos 6–8. A exaltação de
Cristo não é arbitrária, mas é a resposta divina à sua humilhação obediente.
Trata-se de um princípio teológico recorrente nas Escrituras: Deus exalta
aquele que se humilha diante dEle (cf. Pv 15.33; Mt 23.12). Nesse sentido,
Paulo não sugere que Cristo “mereceu” a exaltação no sentido humano de
recompensa, mas que a exaltação é a vindicação pública e cósmica da perfeita
obediência do Filho. A cruz, vista como vergonha no mundo romano, é
reinterpretada à luz da ressurreição e da exaltação como o caminho da
verdadeira glória. Deus o exaltou soberanamente (ὁ Θεὸς αὐτὸν ὑπερύψωσεν) O
sujeito da ação é explicitamente Deus Pai. Isso preserva a distinção de pessoas
na Trindade e revela a harmonia da obra redentora: o Filho se humilha
voluntariamente, e o Pai o exalta gloriosamente. O verbo hyperypsōsen é um
termo intensivo, formado pela junção de hyper (acima, além de) e hypsóō
(exaltar). A ideia não é apenas exaltação, mas exaltação suprema, incomparável
e definitiva. Paulo afirma que Cristo foi elevado a uma posição acima de toda
autoridade criada, visível e invisível (cf. Ef 1.20–22). Teologicamente, essa
exaltação inclui: a ressurreição; a ascensão; a entronização à destra do Pai; o
reconhecimento universal de sua soberania. Cristo não retorna simplesmente ao
estado anterior à encarnação, mas agora é exaltado como o Deus-Homem
glorificado, mediador eterno entre Deus e os homens (1Tm 2.5). E lhe
deu (καὶ ἐχαρίσατο αὐτῷ) O verbo charízomai deriva da raiz charis
(graça). Isso é teologicamente significativo: o Pai “concede” ao Filho, em
termos funcionais e históricos, aquilo que corresponde à sua missão cumprida.
Não se trata de uma concessão ontológica (como se Cristo não possuísse dignidade
divina), mas de uma concessão econômica, relacionada ao papel messiânico do
Filho após a obra da redenção. Essa linguagem preserva tanto a plena divindade
de Cristo quanto a realidade de sua missão mediadora. O que Ele recebe, recebe
como o Messias vitorioso e Redentor exaltado. Um nome que é sobre todo o nome
(τὸ ὄνομα τὸ ὑπὲρ πᾶν ὄνομα) Na mentalidade bíblica, nome não é apenas um
título verbal, mas representa autoridade, identidade, caráter e posição. O
“nome sobre todo o nome” não se refere meramente ao som da palavra “Jesus”, mas
à senhoria absoluta que lhe é atribuída. O contexto imediato (Fp 2.10–11)
esclarece que esse nome está ligado à confissão universal: “Jesus Cristo é o
Senhor”. O termo Kyrios (Senhor) é particularmente importante, pois no Antigo
Testamento grego (LXX) é o termo usado para traduzir o nome divino YHWH. Paulo,
portanto, aplica a Jesus a linguagem e a honra que pertencem exclusivamente ao
Deus de Israel (cf. Is 45.23). Isso significa que: Cristo compartilha da
autoridade divina; toda criatura está sujeita ao seu domínio; sua soberania é
absoluta, universal e eterna.
Filipenses 2.9 afirma, de forma
inequívoca, que a cruz não foi o fim da história, mas o caminho para a glória.
A exaltação de Cristo confirma que sua obra foi aceita, suficiente e vitoriosa.
Ele reina hoje como Senhor, não apenas da Igreja, mas de toda a criação. Para a
Igreja, esse texto tem implicações profundas: fundamenta a adoração cristã
centrada em Cristo; reafirma a exclusividade da autoridade de Jesus; chama os
crentes a viverem sob o senhorio daquele que se humilhou por amor. Assim,
Filipenses 2.9 proclama que o Cristo crucificado é o Cristo exaltado. Aquele
que desceu às profundezas da humilhação foi elevado ao mais alto trono do
Universo. Diante dEle, todo joelho se dobrará para a glória de Deus Pai.
VERDADE PRÁTICA
A humilhação voluntária de Cristo, sua obra redentora e sua exaltação
gloriosa revelam que somente Ele é digno de toda adoração e obediência.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 A trajetória redentora do Filho, da humilhação voluntária na
encarnação e na cruz, passando pela obra sacerdotal perfeita e suficiente, até
a sua exaltação soberana à destra do Pai, revela de forma inequívoca que Jesus
Cristo é o centro do plano eterno de Deus. Sua obediência perfeita satisfez
plenamente a justiça divina, sua morte vicária garantiu redenção eterna aos que
creem, e sua exaltação gloriosa confirma sua autoridade absoluta sobre toda a
criação. Portanto, somente Cristo, o Senhor exaltado, é digno de adoração
exclusiva, fé confiante e obediência integral, pois nele Deus reconciliou o
mundo consigo mesmo e estabeleceu o fundamento eterno da salvação e do senhorio
divino.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Filipenses 2.5-11; Hebreus 9.24-28.
Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses
teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.
Filipenses 2
5 De sorte
que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
👉 Sentimento
(phroneō) – mente, disposição interior, modo contínuo de pensar. O termo
phroneō não indica apenas emoção, mas uma mentalidade governante, uma
cosmovisão moldada pelo caráter de Cristo. As três Bíblias destacam que Paulo
não apresenta Cristo apenas como Salvador, mas como modelo ético supremo. Ter a
mente de Cristo significa viver sob o princípio da humildade, renúncia e
obediência. A verdadeira espiritualidade não se mede por dons ou posição, mas
por quanto o caráter de Cristo governa nossas decisões diárias.
6 que,
sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus.
👉 Forma
(morphē) – natureza essencial, aquilo que algo é em si mesmo. Igual a Deus;
plena igualdade ontológica. Morphē indica que Cristo possuía plenamente a
natureza divina, não uma aparência. MacArthur enfatiza que Cristo não tentou se
tornar Deus, Ele já era Deus. A Bíblia Pentecostal ressalta que a igualdade não
foi usada para autoexaltação. Cristo não se agarrou aos seus direitos. Aqui
aprendemos que verdadeira grandeza não está em afirmar privilégios, mas em
servir por amor.
7 Mas
aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos
homens;
👉 Aniquilou-se
(kenóō) – esvaziar-se voluntariamente. Servo (doulos) – escravo, alguém sem
direitos próprios. A kénosis não significa perda da divindade, mas renúncia
voluntária da glória e dos privilégios divinos. Plenitude destaca a
identificação total de Cristo com a humanidade. Cristo se fez servo para
libertar escravos do pecado. A Igreja é chamada não a dominar, mas a servir com
o mesmo espírito de entrega.
8 e, achado
na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte
de cruz.
👉 Humilhou-se –
abaixar-se voluntariamente. Obediente – submissão total à
vontade do Pai.
Cruz –
símbolo de maldição e vergonha. A obediência de Cristo foi ativa e passiva: Ele
viveu perfeitamente e morreu substitutivamente. A Bíblia MacArthur enfatiza que
a cruz foi o ponto máximo da humilhação. Nossa salvação está firmada na
obediência de Cristo, não na nossa. Isso gera gratidão e nos chama a obedecer
mesmo quando o caminho é difícil.
9 Pelo que
também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome,
👉 Exaltou soberanamente
(hyperypsōsen) – elevar acima de tudo. A exaltação é a resposta do Pai à
obediência do Filho. Pentecostal destaca a vitória pública; MacArthur aponta a
entronização messiânica. A cruz não foi derrota, mas caminho para a glória.
Deus ainda exalta os que se humilham diante dEle.
10 para que
ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e
debaixo da terra,
👉 Todo joelho –
submissão universal. Céus, terra e inferno – totalidade
da criação. Refere-se à soberania absoluta de Cristo. Plenitude enfatiza a
autoridade espiritual presente; MacArthur destaca o juízo futuro. Hoje dobramos
os joelhos voluntariamente; no futuro, todos o farão. Adoração agora é
privilégio; depois será reconhecimento inevitável.
11 e toda
língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
👉 Senhor
(Kyrios) – título divino (YHWH). Glória de Deus Pai – finalidade
última. Confessar Jesus como Senhor é atribuir-Lhe a identidade e autoridade do
Deus do Antigo Testamento. Toda a cristologia culmina na glória de Deus.
Confessar Cristo hoje é viver sob seu senhorio diariamente.
Hebreus 9
24 Porque
Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no
mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus;
👉 Santuário verdadeiro –
o céu. Comparecer por nós – intercessão contínua. Cristo ministra no
santuário celestial, não em sombras. Pentecostal destaca a intercessão viva;
MacArthur enfatiza a superioridade do sacerdócio de Cristo. Temos um Salvador
ativo no céu. Nossa fé descansa em alguém que intercede continuamente por nós.
25 nem
também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano
entra no Santuário com sangue alheio.
👉 Muitas vezes –
repetição ineficaz. Sangue alheio – sacrifícios imperfeitos. O sistema levítico era
provisório. Cristo rompe com a repetição ritual. Religião repete; Cristo
resolve. Não precisamos de novos sacrifícios, apenas de fé viva.
26 Doutra
maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo;
mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o
pecado pelo sacrifício de si mesmo.
👉 Aniquilar –
remover definitivamente. Consumação dos séculos – clímax do
plano divino. A cruz é o centro da história. Plenitude destaca a vitória sobre
o pecado; MacArthur ressalta a suficiência absoluta. O pecado foi tratado na
raiz. Não vivemos mais sob culpa, mas sob graça transformadora.
27 E, como
aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo,
👉 Juízo –
prestação de contas. A vida é linear, não cíclica. Não há reencarnação nem
segunda chance pós-morte. O evangelho é urgente. Hoje é o dia de reconciliação
com Deus.
28 assim
também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos,
aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação..
👉 Uma vez –
sacrifício completo. Segunda vez – retorno glorioso. Salvação
final – glorificação. A primeira vinda tratou do pecado; a segunda
consumará a redenção. Vivemos entre a cruz e a glória. A esperança cristã não é
fuga do mundo, mas expectativa do retorno de Cristo.
SÍNTESE FINAL
👉
Esses textos revelam um Cristo humilhado, redentor e exaltado. Ele é o
Servo sofredor, o Sumo Sacerdote perfeito e o Senhor soberano. À luz disso, a
Igreja é chamada não apenas a crer nessas verdades, mas a viver moldada por
elas, até o dia em que Ele voltará em glória.
INTRODUÇÃO
Jesus Cristo é o Filho eterno de Deus, que assumiu a forma humana, viveu
uma vida sem pecado, morreu em nosso lugar e ressuscitou vitoriosamente. Sua
missão abrange não apenas o perdão dos pecados, mas a revelação do caráter do
Pai e a restauração de toda a criação. Esta lição visa apresentar a
profundidade da obra do Filho em três dimensões: sua humilhação, sua redenção e
sua exaltação.
👉 Como pode o Deus eterno, criador de todas as coisas, escolher o
caminho da humilhação, da cruz e da morte para revelar plenamente sua glória?
Essa pergunta está no coração da fé cristã e conduz diretamente ao centro da
Obra do Filho. Diferentemente de qualquer líder religioso ou herói moral da
história, Jesus Cristo não apenas ensinou sobre Deus, Ele é Deus que age na
história para redimir, reconciliar e reinar.
A Escritura revela que a obra de
Cristo não pode ser compreendida de forma fragmentada ou superficial. Ela se
desenvolve em um movimento teológico profundo e progressivo: humilhação
voluntária, redenção eficaz e exaltação gloriosa. Em Filipenses 2.5–11, o
apóstolo Paulo apresenta esse movimento como o paradigma supremo do agir divino
e, ao mesmo tempo, como o modelo ético para a vida cristã. Já em Hebreus
9.24–28, somos conduzidos ao coração da obra sacerdotal de Cristo, que supera
definitivamente o sistema levítico e inaugura uma redenção eterna.
Esta lição parte da convicção de que a
obra do Filho é histórica, substitutiva, suficiente e escatológica. Histórica,
porque se manifesta na encarnação real do Verbo; substitutiva, porque Cristo
assume o lugar do pecador diante da justiça divina; suficiente, porque seu
sacrifício é único e definitivo; e escatológica, porque culmina na exaltação de
Cristo e em seu retorno glorioso. Não se trata apenas do perdão dos pecados
individuais, mas da revelação plena do caráter do Pai, da restauração da
comunhão entre Deus e os homens e da afirmação da soberania universal de
Cristo.
Ao longo desta lição, veremos como o
Filho se humilhou sem deixar de ser Deus, como sua morte foi o sacrifício
perfeito e final pelos pecados, e como sua exaltação confirma sua autoridade
suprema sobre toda a criação. Esse percurso não apenas esclarece a doutrina
cristológica, mas confronta o leitor com uma resposta inevitável: se Cristo é
quem a Escritura afirma que Ele é, então somente Ele é digno de adoração,
obediência e entrega total da vida. Esta é a obra do Filho e ela redefine tudo.
Palavra-Chave: OBRA
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 Na teologia cristã, a palavra obras adquire sentido pleno e
definitivo quando relacionada à pessoa e à missão de Jesus Cristo.
Diferentemente de uma compreensão meramente moral ou religiosa, as obras, à luz
da Lição 7, dizem respeito prioritariamente à obra única, histórica e redentora
do Filho, e somente de forma secundária às obras humanas que dela decorrem.
Assim, falar de obras nesta lição é, antes de tudo, contemplar aquilo que
Cristo fez por nós, e não o que o ser humano tenta fazer para Deus. As obras do
Filho abrangem todo o arco da redenção: da encarnação à exaltação. Elas começam
na humilhação voluntária, quando o Verbo eterno assume a forma de servo, sem
abdicar de sua divindade, mas renunciando aos privilégios de sua glória (Fp
2.6–7). Essa obra inicial não é um ato isolado, mas o fundamento de toda a
economia da salvação. A encarnação já é, em si mesma, uma obra graciosa, pois
revela um Deus que se aproxima, que entra na história e que se solidariza com a
condição humana, exceto no pecado (Hb 4.15). No coração dessa palavra-chave
está a obra redentora realizada na cruz. Aqui, obras não significam esforços
repetidos ou rituais contínuos, como no sistema levítico, mas um ato único,
perfeito e suficiente. O autor de Hebreus deixa claro que Cristo “se ofereceu
uma vez” (Hb 9.28), usando o termo hápax, para afirmar a eficácia definitiva de
sua obra. Em contraste com as obras ineficazes da Antiga Aliança, a obra de
Cristo remove o pecado, satisfaz a justiça divina e inaugura uma redenção
eterna. Nada pode ser acrescentado ao que foi consumado no Calvário (Jo 19.30).
A palavra obras também aponta para a substituição vicária. A obra do Filho não
foi apenas exemplar ou inspiradora, mas profundamente judicial e
representativa. Cristo agiu em nosso lugar, assumindo a culpa, a condenação e a
penalidade que pertenciam ao pecador (Rm 3.25–26; 2Co 5.21). Dessa forma, as
obras humanas perdem qualquer pretensão meritória diante de Deus, pois a
salvação não se fundamenta no que fazemos, mas no que Cristo já fez. Como afirma
Paulo, somos salvos “não por obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8–9). Entretanto,
a obra do Filho não termina na cruz. Ela se estende à sua exaltação gloriosa,
quando o Pai autentica publicamente a suficiência da obra redentora ao
exaltá-lo soberanamente e conceder-lhe um nome acima de todo nome (Fp 2.9). A
entronização de Cristo à destra do Pai declara que a obra está completa, aceita
e eficaz. Hoje, Ele continua a agir por meio de sua obra intercessória (Rm
8.34) e governativa, conduzindo a história ao seu desfecho escatológico. Por
fim, à luz dessa grande obra, surgem as obras do cristão, não como causa da
salvação, mas como seu fruto inevitável. A vida transformada passa a refletir a
mente de Cristo, expressa em obediência, humildade e serviço (Fp 2.5; Rm 12.1).
As boas obras não competem com a obra de Cristo; antes, são evidências de que
ela foi aplicada ao coração do crente (Ef 2.10). Assim, toda obra cristã
autêntica nasce da cruz, é sustentada pela graça e visa a glória de Deus. Portanto,
a palavra-chave Obras resume a essência do evangelho: Cristo fez o que nós
jamais poderíamos fazer. Ele se humilhou, redimiu e foi exaltado. Diante disso,
resta-nos confiar plenamente em sua obra consumada, viver em gratidão obediente
e proclamar, com a vida e com os lábios, que somente Jesus Cristo é o Senhor,
para a glória de Deus Pai.
I. A
HUMILHAÇÃO VOLUNTÁRIA DO FILHO
1. A submissão de Cristo. Paulo exorta
a igreja de Filipos à unidade e à humildade (Fp 2.1-4). O apóstolo adverte
aqueles irmãos a terem a mente de Cristo: “De sorte que haja em vós o mesmo
sentimento que houve também em Cristo Jesus” (Fp 2.5). O termo grego traduzido
como “sentimento” é phroneō, que também pode significar “modo de pensar” e
“disposição mental”. Dessa forma, os crentes devem assumir o mesmo modo de
pensar e viver que foi demonstrado por Cristo (1Jo 2.6). Refere-se a uma
consciência moldada pela humildade, amor e obediência (Jo 13.15). Imitar a
mente de Cristo significa renunciar ao egoísmo, buscar o bem do próximo e viver
para a glória de Deus (Rm 12.2). Como cristãos, somos chamados não apenas a
crer em Cristo, mas a pensar e agir como Ele (Mt 11.29).
👉 Paulo inicia sua exortação aos filipenses não com uma doutrina
abstrata, mas com um chamado pastoral urgente à unidade e à humildade, virtudes
indispensáveis para a saúde espiritual da igreja. Em Filipenses 2.1–4, ele
prepara o terreno ao confrontar o egoísmo, a vanglória e a busca por interesses
próprios. É nesse contexto comunitário concreto que surge a ordem central do
texto: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus” (Fp 2.5, NVI). A
cristologia paulina aqui não é apenas confessional, mas formativa. Cristo não é
apresentado somente como objeto de fé, mas como o padrão que molda o caráter e
o comportamento da comunidade cristã. O termo grego traduzido por “sentimento”
é phroneō, que vai muito além de um estado emocional passageiro. Trata-se de
uma disposição interior contínua, um modo de pensar que governa decisões, prioridades
e relações. Gordon Fee observa que phroneō envolve orientação prática da vida,
não mera reflexão intelectual. Paulo, portanto, chama a igreja a adotar a
cosmovisão de Cristo. Uma mente treinada pela humildade, pelo amor sacrificial
e pela obediência ao Pai. Essa mente não nasce naturalmente no coração humano.
Ela é fruto da obra regeneradora do Espírito Santo e do exercício diário da
vida cristã, como ensina Romanos 12.2. Ter a mente de Cristo significa alinhar
a consciência à lógica do Reino, que é oposta à lógica do mundo. Enquanto o
mundo exalta a autopromoção, Cristo escolheu o caminho da submissão. Enquanto a
cultura busca poder, Ele abraçou o serviço. Jesus mesmo declarou ter deixado um
exemplo a ser seguido: “Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes
fiz” (Jo 13.15, NVI). Aqui não se trata de mera imitação externa, mas de
conformação interior. Anthony Palma destaca que essa submissão de Cristo é
voluntária, consciente e orientada pelo amor. Ela revela não fraqueza, mas
força moral e espiritual. Essa submissão se manifesta de forma prática na
renúncia do egoísmo e na busca sincera pelo bem do próximo. Viver segundo a
mente de Cristo implica deslocar o centro da vida do “eu” para Deus e para o
outro. João afirma que “aquele que afirma permanecer nele, deve andar como ele
andou” (1Jo 2.6, NVI). Isso confronta uma fé apenas teórica. A espiritualidade
bíblica é visível, relacional e ética. Ela se expressa em escolhas diárias que
glorificam a Deus, mesmo quando exigem renúncia pessoal. Por fim, essa verdade
nos conduz a uma aplicação pastoral inevitável. Crer em Cristo é inseparável de
pensar como Cristo e agir como Cristo. A submissão do Filho ao Pai torna-se o
fundamento da submissão do crente à vontade de Deus. Aprender de Cristo, que é
“manso e humilde de coração” (Mt 11.29, NVI), não é um convite à passividade,
mas à transformação profunda do caráter. Uma igreja moldada pela mente de
Cristo será uma igreja mais humilde, mais unida e mais fiel à sua missão no
mundo.
1. FEE, Gordon D. Comentário
Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. PALMA, Anthony
D. O Espírito Santo: Uma Introdução Bíblica e Teológica. Rio de Janeiro: CPAD,
2008.
4. HUGHES, R. Kent.
Disciplinas do Homem Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
2. O esvaziamento de sua glória. O apóstolo
recorda que Jesus, “sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a
Deus” (Fp 2.6). Sendo Ele igualmente Deus, compartilhando da mesma natureza do
Pai (Jo 1.1) — preferiu privar-se de seus direitos — não da sua divindade.
Trata-se de um contraste com o primeiro Adão, que almejou ser “como Deus” (Gn 3.5),
enquanto Cristo, o segundo Adão, sendo Deus, preocupou-se com o bem-estar dos
outros (Fp 2.4b). Essa realidade é confirmada quando Jesus “aniquilou-se a si
mesmo, tomando a forma de servo” (Fp 2.7a), isto é, esvaziou-se voluntariamente
(gr. kénosis), assumindo a natureza humana na forma de servo (Fp 2.7b; Hb
4.15). Isso não significa a perda de sua divindade, mas a renúncia da glória
que Ele possuía na eternidade com o Pai (Jo 17.5).
👉 Ao afirmar que Jesus, “sendo em forma de Deus, não considerou
que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se” (Fp 2.6, NVI), o
apóstolo Paulo nos conduz ao coração da cristologia bíblica. A expressão “forma
de Deus” traduz o termo grego morphē, que indica a natureza essencial e
imutável de Cristo. Ele não apenas se assemelhava a Deus. Ele é Deus em sua
plena essência, conforme João declara ao afirmar que “o Verbo era Deus” (Jo
1.1, NVI). Paulo, portanto, não começa falando da humilhação de alguém
inferior, mas do autoesvaziamento daquele que possui plena igualdade com o Pai.
O ponto central do texto não é a perda da divindade, mas a maneira como Cristo
lidou com seus direitos divinos. A expressão “não teve por usurpação” revela
que Jesus não considerou sua igualdade com Deus como algo a ser explorado em
benefício próprio. Aqui está o contraste radical com o primeiro Adão. Em
Gênesis 3.5, Adão desejou ser como Deus, mesmo sendo criatura. Cristo, o
segundo Adão, sendo Deus, escolheu não se valer dessa condição para sua própria
vantagem. Gordon Fee observa que esse movimento revela a lógica invertida do
Reino. A verdadeira glória não está em tomar, mas em se doar. Paulo prossegue
afirmando que Cristo “esvaziou-se a si mesmo” (Fp 2.7, NVI). O verbo grego
kenóō, de onde vem o termo kénosis, não indica anulação da divindade, mas
renúncia voluntária de status, prerrogativas e glória. Jesus não deixou de ser
quem era. Ele escolheu não viver a partir de seus privilégios divinos. Stanley
Horton ressalta que o esvaziamento está ligado à encarnação real e completa. O
Filho assume a condição humana sem deixar de ser Deus. Ele se torna
verdadeiramente homem, sujeito às limitações da existência humana, exceto o
pecado (Hb 4.15). Esse esvaziamento se expressa de forma concreta ao “tomar a
forma de servo”. O termo doulos descreve alguém sem direitos próprios,
totalmente submetido à vontade de outro. Cristo assume a posição mais baixa na
escala social e religiosa do mundo antigo. Frank Macchia observa que essa
escolha revela a profundidade do amor divino. Deus não salva à distância. Ele entra
na condição humana e a redime por dentro. O esvaziamento de Cristo é, portanto,
um ato ativo de amor e obediência, não uma diminuição de sua identidade divina.
Esse texto confronta nossas noções de poder, sucesso e espiritualidade. Seguir
a Cristo significa aprender a abrir mão do orgulho, do controle e da
autopromoção. A kénosis do Filho nos chama a uma espiritualidade marcada pela
humildade consciente e pelo serviço sacrificial. A glória que Cristo renunciou
temporariamente foi restaurada na exaltação. A glória que o cristão renuncia
por amor será transformada em maturidade espiritual. O caminho de Cristo
continua sendo o caminho do discípulo.
1. FEE, Gordon D.
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. MACCHIA, Frank
D. Jesus, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
4. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
3. Obediência sacrificial até a cruz. A obediência
de Cristo foi plena, desde a encarnação até o Calvário: “na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.8).
Ele desceu à condição mais humilde e morreu como servo (2Co 8.9). Em obediência
ao Pai e em favor dos pecadores, submeteu-se à humilhação da cruz (Hb 12.2).
Revela a Escritura que o primeiro Adão trouxe condenação pelo pecado; e,
Cristo, o segundo Adão, trouxe justiça por meio de sua perfeita obediência (Rm
5.19). Essa verdade ratifica que a Obra Redentora do Filho está fundamentada na
obediência completa de Cristo ao Pai (Jo 6.38). A nossa salvação é resultado
dessa obediência, e não de nossos méritos (Ef 2.8,9). Assim como Cristo,
devemos obedecer à vontade do Pai (Rm 12.1).
👉 A afirmação paulina de que Cristo “humilhou-se a si mesmo e foi
obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.8, NVI) nos conduz ao ponto mais
profundo da humilhação do Filho. A obediência de Jesus não foi episódica, nem
limitada a momentos específicos de sua missão. Ela atravessa toda a sua
existência encarnada, desde a manjedoura até o Calvário. O verbo grego
hypēkoos, traduzido por “obediente”, descreve alguém que se submete
voluntariamente à autoridade de outro, ouvindo com atenção e respondendo com
ação. Cristo não apenas conhecia a vontade do Pai. Ele a abraçou integralmente,
mesmo quando essa vontade o conduziu ao sofrimento extremo. Essa obediência se
torna ainda mais escandalosa quando Paulo acrescenta “e morte de cruz”. No
mundo romano, a cruz era símbolo de vergonha, maldição e rejeição pública. Não
era apenas morte, mas morte infame. Segundo o Comentário Histórico-Cultural do
Novo Testamento, a crucificação era reservada aos piores criminosos e escravos
rebeldes. Ao aceitar esse tipo de morte, Jesus assume a posição mais baixa
possível. Como afirma Paulo em outro texto, “sendo rico, se fez pobre por amor
de vocês” (2Co 8.9, NVI). Aqui não se trata de pobreza material apenas, mas de
esvaziamento existencial. O Filho eterno se coloca no lugar do servo sofredor.
O autor de Hebreus acrescenta que
Cristo suportou a cruz “pela alegria que lhe fora proposta” (Hb 12.2, NVI).
Essa alegria não estava no sofrimento em si, mas no propósito redentor que seria
cumprido. A obediência de Jesus é teleológica. Ela tem um alvo claro. A
redenção dos pecadores e a glorificação do Pai. Nesse ponto, a Escritura
estabelece um contraste teológico decisivo entre Adão e Cristo. Por meio da
desobediência do primeiro, muitos foram feitos pecadores. Por meio da
obediência do segundo, muitos são feitos justos (Rm 5.19). Cristo é o último
Adão, aquele que reescreve a história humana a partir da obediência perfeita.
Essa verdade revela o fundamento da
obra redentora. A salvação não repousa em sentimentos humanos, ritos religiosos
ou méritos pessoais. Ela está ancorada na obediência completa do Filho ao Pai.
Jesus afirmou claramente: “desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas
para fazer a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38, NVI). Stanley Horton
observa que essa obediência não diminui a divindade de Cristo, mas manifesta
sua perfeita comunhão com o Pai dentro da economia da redenção. A cruz,
portanto, não é um acidente no plano divino, mas o seu centro.
Esse texto confronta a espiritualidade
superficial e autocentrada. Somos salvos pela obediência de Cristo, não pela
nossa. “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé” (Ef 2.8–9, NVI). No
entanto, essa mesma graça nos chama a uma vida de entrega. Paulo conclui essa
lógica ao exortar os crentes a se oferecerem como sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus (Rm 12.1). A obediência de Cristo não apenas nos redime. Ela
nos ensina como viver. Seguir Jesus é aprender a obedecer mesmo quando o
caminho passa pela cruz, confiando que a vontade do Pai sempre conduz à vida.
1. FEE, Gordon D.
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3. COMENTÁRIO HISTÓRICO-CULTURAL
DO NOVO TESTAMENTO. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.
4. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 9. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
5. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.
SINOPSE I
A humilhação do Filho revela sua submissão, esvaziamento
e obediência até a cruz.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
A GLÓRIA ETERNA E O ESVAZIAMENTO DE CRISTO
“Jesus
Cristo é o Filho de Deus, possuindo em sua própria essência a natureza divina,
sendo, portanto, igual ao Pai antes, durante e depois de seu tempo na terra
(cf. Jo 1.1; 8.58; 17.24; 20.28; Cl 1.15,17; Mc 1.11; veja o artigo Os
Atributos de Deus, p.1025). Em outras palavras, Jesus é, foi e sempre será
Deus. O fato de Cristo não ter considerado ‘usurpação ser igual a Deus’
significa que Ele, voluntariamente, abriu mão de seus privilégios e de sua
glória celestial para viver na terra como homem e, por fim, entregar a sua vida
a fim de que pudéssemos ser salvos. A expressão grega utilizada é ekenōsen (do
verbo kenoō, derivado de kenos, ‘vazio, vão’), que literalmente significa ‘ele
esvaziou-se’. Isso não quer dizer que Jesus tenha renunciado à sua divindade
(isto é, à sua plena natureza como Deus), mas que voluntariamente deixou de
lado suas prerrogativas divinas, incluindo sua glória celestial (Jo 17.4),
posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9), direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o
uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19; 8.28; 14.10). Esse esvaziamento
implicou não apenas a suspensão voluntária de seus privilégios divinos, mas
também a aceitação do sofrimento humano, de maus-tratos, do ódio e, em última
instância, da maldição da morte na cruz.” (Bíblia de Estudo Pentecostal —
Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2199).
II. A OBRA
REDENTORA DO FILHO
1. A ineficácia do sacerdócio levítico. O sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos uma vez por ano, no Dia da
Expiação (Yom Kippur), levando sangue alheio — o sangue de animais — para fazer
propiciação por seus próprios pecados e pelos do povo (Lv 16.11-15). Esse
sacrifício era repetido anualmente porque não era suficiente para remover o
pecado (Hb 9.25). O sumo sacerdote terreno era uma figura (tipo) de Cristo, que
é o real e eterno Sumo Sacerdote (Hb 2.17). O santuário terreno era uma sombra
(Hb 8.5), mas Cristo entrou no céu mesmo, para interceder por nós diante do Pai
(Hb 8.1,2). A entrada única de Cristo no santuário com seu próprio sangue nos
assegura uma eterna redenção (Hb 9.12). Por ser imperfeito, o sacerdócio
levítico foi substituído por um superior, o sacerdócio de Cristo (Hb 7.23,24).
👉 A Escritura nos conduz a uma constatação inevitável. O sistema
sacrificial do Antigo Testamento, embora instituído por Deus, jamais teve poder
em si mesmo para remover o pecado. No Dia da Expiação, o sumo sacerdote entrava
no Santo dos Santos apenas uma vez por ano, levando sangue alheio, o sangue de
animais, para expiar os próprios pecados e os do povo (Lv 16.11–15). O autor de
Hebreus é direto ao afirmar que essa repetição anual revelava a limitação do
sacerdócio levítico. Se o sacrifício fosse eficaz, não precisaria ser
continuamente renovado (Hb 9.25). O ritual apontava para algo maior, ainda por
vir, e não para sua própria suficiência.
Essa ineficácia não estava no
propósito de Deus, mas na natureza provisória do sistema. O sacerdócio levítico
era tipológico. O termo bíblico indica uma figura pedagógica, um modelo que
prepara o entendimento do povo para a realidade definitiva. O sumo sacerdote
terreno prefigurava Cristo, que se tornaria misericordioso e fiel Sumo
Sacerdote nas coisas referentes a Deus (Hb 2.17). Gordon Fee observa que a
tipologia em Hebreus não diminui o valor do Antigo Testamento, mas revela sua
função preparatória na economia da redenção. O problema não era a Lei, mas sua
incapacidade de transformar o coração humano de forma plena e definitiva.
O autor de Hebreus aprofunda essa
ideia ao contrastar o santuário terreno com o celestial. O tabernáculo e, mais
tarde, o templo eram apenas sombra e cópia das realidades celestiais (Hb 8.5).
Cristo, porém, não entrou em um espaço feito por mãos humanas. Ele entrou no
próprio céu, agora comparecendo diante de Deus em nosso favor (Hb 9.24). Aqui
está um ponto teológico decisivo. A obra redentora de Cristo não se limita ao
passado da cruz, mas se estende ao presente de sua intercessão. Seu sacerdócio
é vivo, ativo e contínuo, fundamentado em sua obra consumada.
A diferença essencial está no
sacrifício oferecido. Enquanto os sacerdotes levíticos levavam sangue alheio,
Cristo entrou no santuário com o seu próprio sangue, obtendo eterna redenção
(Hb 9.12). O termo grego usado para redenção comunica a ideia de libertação
definitiva mediante pagamento pleno. Não se trata de um alívio temporário da
culpa, mas de uma libertação eterna do poder do pecado. As Bíblias de Estudo
Pentecostal e Plenitude destacam que essa redenção possui efeitos espirituais
contínuos, alcançando consciência, culto e comunhão com Deus. A obra de Cristo
não apenas perdoa, ela transforma o relacionamento do crente com Deus.
Por isso, o sacerdócio levítico foi
superado por um sacerdócio superior. Os sacerdotes antigos eram muitos, porque
a morte os impedia de permanecer. Cristo, porém, vive para sempre e possui um
sacerdócio imutável (Hb 7.23–24). Essa verdade não é apenas doutrinária. Ela é
profundamente pastoral. Nossa segurança não repousa em ritos, líderes humanos
ou esforços religiosos, mas em um Sumo Sacerdote eterno que intercede
continuamente por nós. Viver à luz dessa redenção é abandonar a confiança em
obras mortas e aprender a descansar, obedecer e servir a partir da obra
perfeita de Cristo.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
6. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2010.
2. O Sacrifício único e suficiente. Na Antiga Aliança, ofereciam-se
sacrifícios continuamente pelo pecado por causa da ineficácia dessas ofertas
(Hb 9.25; 10.1-4). Diferente do sistema levítico, a morte de Jesus foi
definitiva, completa e eficaz: “assim também Cristo, oferecendo-se uma vez,
para tirar os pecados de muitos” (Hb 9.28a). A expressão “uma vez” (gr. hápax)
indica que não há necessidade de repetição: o que Ele fez é perfeito e eterno
(Hb 10.10). A salvação não é por causa dos méritos ou rituais, mas ela é plena
e gratuita, alcançada pela fé na obra consumada de Jesus (Jo 19.30). Cristo, ao
morrer, rasgou o véu que separava o homem da presença de Deus (Mt 27.51). Não
há outro meio de salvação, nenhuma outra oferta, nenhum outro nome (At 4.12). O
Calvário é suficiente. Jesus é tudo!
👉 A fragilidade do sistema sacrificial da Antiga Aliança não
estava na ordem divina, mas em sua função provisória. Os sacrifícios eram
oferecidos continuamente porque jamais conseguiam remover o pecado de modo
definitivo. Hebreus afirma que essa repetição constante revelava sua limitação
espiritual e pedagógica. Eles apontavam para a gravidade do pecado, mas não
transformavam a consciência humana (Hb 9.25; 10.1–4). O altar precisava ser
revisitado porque a culpa permanecia. Assim, Deus estava ensinando ao seu povo
que algo maior seria necessário para lidar, de forma plena, com a ruptura
causada pelo pecado. É nesse contexto que o sacrifício de Cristo se revela
absolutamente singular. O autor de Hebreus declara que Ele se ofereceu “uma
vez” para tirar os pecados de muitos (Hb 9.28). O termo grego hápax não
comunica apenas um evento isolado no tempo, mas uma ação definitiva,
irrepetível e com efeitos permanentes. Stanley Horton observa que hápax
expressa a suficiência absoluta do sacrifício de Cristo, em contraste com a
repetição impotente dos sacrifícios levíticos. O que foi feito não precisa ser
renovado, corrigido ou complementado. A cruz não foi um ensaio, mas a
consumação do plano eterno de Deus. Essa suficiência está diretamente ligada à
eficácia da obra de Cristo. Pela sua morte, fomos santificados de uma vez por
todas, não por ritos, mas pela oferta do seu próprio corpo (Hb 10.10). Aqui, a
redenção deixa de ser ritual e se torna relacional. Jesus não apenas morreu por
nós; Ele nos levou para dentro da presença de Deus. Quando declara “Está
consumado” (Jo 19.30), Ele afirma que a dívida foi paga integralmente. Silas
Queiroz destaca que a redenção alcança corpo, alma e espírito, restaurando o
ser humano em sua totalidade. Nada ficou pendente no Calvário.
O rasgar do véu do templo confirma
essa verdade de forma visível e teológica (Mt 27.51). Aquilo que separava o
homem da presença santa de Deus foi removido, não por iniciativa humana, mas
pela ação soberana do Filho. Não há mais barreiras cerimoniais, mediadores
humanos ou sacrifícios adicionais. Cristo abriu um novo e vivo caminho. As
Escrituras são categóricas ao afirmar que não existe outro meio de salvação,
nem outro nome dado entre os homens pelo qual devamos ser salvos (At 4.12).
Qualquer tentativa de acrescentar algo à cruz é, na prática, negar sua
suficiência. Diante disso, a aplicação pastoral é inevitável. Muitos ainda
vivem como se o Calvário não fosse suficiente, buscando segurança em obras,
méritos ou práticas religiosas. A fé cristã madura aprende a descansar na obra
consumada de Cristo e a obedecer a partir dessa segurança, não para
conquistá-la. O Calvário não precisa ser repetido. Ele precisa ser crido,
vivido e proclamado. Jesus é suficiente para salvar, sustentar e conduzir o seu
povo até o fim. Nele, não falta nada.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.
5. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.
6. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
7. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2010.
3. A substituição vicária. A expressão “vicária” vem do latim
vicarius, que significa “em lugar de outro”. A substituição vicária é
inseparável da justiça divina (Rm 3.26). O pecado não pode ser ignorado, e
precisa ser punido (Rm 5.21). Em virtude disso, Deus não poupou seu próprio
Filho, mas o entregou para morrer em nosso lugar, assumindo sobre si a
penalidade que nos era destinada (Rm 8.32). No sistema sacrificial da Lei, os
animais oferecidos tipificavam essa substituição, mas não removiam o pecado (Hb
10.4). Em Cristo, o Cordeiro de Deus, a substituição é perfeita e definitiva:
“na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo
sacrifício de si mesmo” (Hb 9.26b). Assim, em adoração devemos viver para
Cristo que por nós morreu (2Co 5.15).
👉 A cruz não foi um gesto simbólico, mas um ato jurídico e
redentor. O termo “vicária”, do latim vicarius, comunica a ideia de alguém que
ocupa o lugar de outro. Biblicamente, isso significa que Cristo assumiu uma
posição que não era sua para que recebêssemos um destino que não merecíamos. Em
Romanos 3.26, Paulo afirma que Deus é, ao mesmo tempo, justo e aquele que
justifica o pecador. Essa tensão só é resolvida na cruz. O pecado não é
ignorado, relativizado ou varrido para debaixo do tapete. Ele é julgado. A
justiça divina não é suspensa; é satisfeita.
A Escritura ensina que o salário do
pecado é a morte e que o reinado do pecado produz condenação (Rm 5.21). Deus,
sendo santo, não poderia simplesmente absolver o culpado sem que a penalidade
fosse aplicada. Por isso, “não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por
todos nós” (Rm 8.32). Aqui se revela o coração do evangelho. O Pai entrega o
Filho, e o Filho se entrega voluntariamente. Não há injustiça divina nesse ato,
pois o próprio Deus, na pessoa do Filho, assume a pena. Gordon Fee observa que
a cruz não é um conflito entre amor e justiça, mas a manifestação suprema de
ambos atuando em perfeita harmonia.
O sistema sacrificial da Lei apontava
para essa verdade, mas não tinha poder para concretizá-la. Os animais
oferecidos no altar morriam no lugar do pecador, mas seu sangue não removia a
culpa, apenas a cobria temporariamente (Hb 10.4). Eram sombras pedagógicas, não
soluções definitivas. O Comentário Bíblico Beacon destaca que esses sacrifícios
funcionavam como sinais proféticos, preparando o entendimento do povo para a
necessidade de um substituto perfeito. A repetição constante denunciava sua
insuficiência. Algo maior estava por vir. Em Cristo, essa expectativa se cumpre
plenamente. Hebreus declara que Ele se manifestou “uma vez por todas” para
aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo (Hb 9.26). O verbo usado indica
uma ação eficaz, não apenas declarativa. Jesus não apenas encobre o pecado; Ele
o remove. Ele não oferece algo externo a si. Ele oferece a si mesmo. Frank
Macchia ressalta que a substituição vicária em Cristo não é apenas penal, mas
também restauradora, pois reconcilia o ser humano com Deus e inaugura uma nova
vida no Espírito. A resposta a essa obra não pode ser superficial. Se Cristo
morreu em nosso lugar, nossa vida não nos pertence mais. Paulo afirma que fomos
chamados a viver para aquele que por nós morreu e ressuscitou (2Co 5.15). A
cruz redefine nossa identidade, nossa obediência e nossa adoração. Não
obedecemos para sermos aceitos. Obedecemos porque fomos aceitos. A substituição
vicária não apenas nos livra da condenação; ela nos convoca a uma vida rendida,
grata e profundamente transformada diante de Deus.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. MACCHIA, Frank
D. Justified in the Spirit. Grand Rapids: Eerdmans, 2010.
6. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
7. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2010.
SINOPSE II
A obra
redentora de Cristo é única, suficiente e vicária, garantindo nossa salvação.
AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO
“O SANGUE DE JESUS CRISTO. O sangue de Jesus
Cristo, que representa o seu sacrifício pelos nossos pecados, está intimamente ligado
ao conceito de redenção no Novo Testamento, isto é, à salvação espiritual
[...]. Ao morrer na cruz, Jesus derramou o seu sangue inocente para remover os
nossos pecados e restaurar a possibilidade de desfrutarmos de um relacionamento
correto com Deus (Rm 5.8,19; Fp 2.8; cf. Lv 16). Por meio de seu sangue, Jesus
realizou uma grande obra: (1) Seu sangue fornece o perdão para os pecados de
todos aqueles que se convertem de suas próprias maneiras e depositam sua fé em
Cristo (Mt 26.28). (2) Seu sangue resgata (isto é, restaura) todos os
verdadeiros crentes do controle de Satanás e dos poderes malignos (At 20.28; Ef
1.7; 1Pe 1.18,19; Ap 5.9; 12.11). (3) Seu sangue justifica (isto é, torna
correto com Deus) todos os que confiam a vida a Ele (Rm 3.24,25).” (Bíblia de
Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.2315).
III. A
EXALTAÇÃO GLORIOSA DO FILHO
1. Recebido à destra do Pai. Após sua humilhação voluntária, o
Filho foi entronizado nos céus com glória eterna: “pelo que também Deus o
exaltou soberanamente” (Fp 2.9a). A exaltação de Cristo está ligada à sua
obediência perfeita (Fp 2.8). O verbo “exaltou” (gr. hyperypsōsen) denota uma
elevação acima de toda medida. Cristo não apenas venceu a morte, mas foi
exaltado à posição suprema no Universo. Ocupou o lugar de honra à destra do Pai
— símbolo de autoridade, glória e soberania (Hb 1.3). Estar assentado ali
expressa o reconhecimento divino da obra completa do Filho (Jo 17.4,5). Cristo
não apenas voltou para o céu, Ele assentou-se no trono (Ap 3.21). Sua exaltação
garante nosso acesso à presença de Deus. Ele intercede por nós (Rm 8.34), e
reina como Rei dos reis (Ap 19.16).
👉 A exaltação de Cristo não é um acréscimo tardio à sua obra, mas
o selo divino que confirma tudo o que Ele realizou na humilhação. Filipenses
2.9 afirma que Deus “o exaltou soberanamente”, ligando de forma direta a
exaltação à obediência descrita no versículo anterior. O Pai responde à entrega
total do Filho com uma elevação que ultrapassa qualquer categoria humana. Não
se trata apenas de retorno à glória pré-encarnada, mas da entronização pública
do Filho como o Senhor vitorioso da história da redenção. A cruz não foi o fim.
Foi o caminho para o trono.
O verbo grego traduzido por “exaltou”,
hyperypsōsen, carrega a ideia de elevação máxima, acima de toda medida e
comparação. É uma palavra rara, intensiva, que comunica supremacia absoluta.
Como observam a Bíblia de Estudo Pentecostal e Gordon Fee, Paulo não descreve
apenas honra, mas supremacia cósmica. Cristo é elevado acima de toda autoridade
criada, espiritual ou terrena. Sua exaltação não é simbólica, mas real,
objetiva e universal. Ele não apenas venceu a morte. Ele reina sobre tudo o que
existe.
A expressão “à destra do Pai”,
amplamente atestada nas Escrituras, não descreve um lugar físico, mas uma
posição de autoridade e governo. Hebreus 1.3 afirma que, depois de realizar a
purificação dos pecados, o Filho assentou-se à direita da Majestade nas
alturas. Sentar-se indica obra consumada. O sacrifício foi aceito. A redenção
foi concluída. Diferente dos sacerdotes levíticos, que permaneciam em pé
oferecendo repetidos sacrifícios, Cristo se assenta porque nada mais precisa
ser feito. A Bíblia de Estudo MacArthur destaca que esse assentar-se é a
declaração divina de que a obra do Filho foi perfeita e suficiente.
Essa exaltação também possui um
caráter intercessório e pastoral. Romanos 8.34 afirma que Cristo está à direita
de Deus e intercede por nós. O Cristo exaltado não é distante da igreja. Ele
reina e, ao mesmo tempo, cuida. Sua autoridade não o afasta do povo redimido.
Pelo contrário, garante nosso acesso contínuo à presença do Pai. Como enfatiza
Frank Macchia, a exaltação de Cristo inaugura uma nova fase do seu ministério,
agora exercido em favor da igreja, no poder do Espírito.
Por fim, a exaltação do Filho redefine
nossa fé e nossa prática. Ele não apenas voltou ao céu. Ele foi entronizado.
Apocalipse 3.21 revela que Ele venceu e se assentou com o Pai no trono. Isso
nos chama à confiança, à submissão e à perseverança. O Cristo exaltado reina
sobre a história, sustenta a igreja e governa o futuro. Vivemos, servimos e
adoramos não um Cristo derrotado, mas um Senhor glorificado, presente, ativo e
soberano. Essa verdade fortalece a fé, corrige nossa visão de sofrimento e nos
chama a viver sob o senhorio daquele que reina eternamente.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. MACCHIA, Frank
D. Justified in the Spirit. Grand Rapids: Eerdmans, 2010.
6. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
2. Um nome acima de todo nome. Cristo recebeu de Deus Pai “um nome
que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Na Bíblia, o nome carrega o sentido de
caráter e autoridade. Dessa forma, dizer que Cristo recebeu um nome
sobre-excelente, a Escritura afirma que nenhuma autoridade, seja visível ou
invisível, se compara ao seu poder e posição (Ef 1.21a). Isso significa que
Cristo foi exaltado acima de toda eminência do bem e do mal, e de todo título
que se possa conferir nessa era e no porvir (Ef 1.21b). Não existe poder algum
que seja maior e nem mesmo igual ao poder de Cristo (1Pe 3.22). Portanto, o
nome de Jesus não é apenas um símbolo de fé, mas uma fonte real de autoridade
espiritual. O Senhor delegou à Igreja o uso de seu nome, para curar, libertar,
pregar e vencer as forças do mal (Mc 16.17,18).
👉 A exaltação de Cristo atinge seu ponto mais elevado quando o Pai
lhe concede “um nome que é sobre todo o nome” (Fp 2.9b). Na Escritura, o nome
nunca é mero rótulo. Ele expressa identidade, caráter e autoridade. Ao afirmar
que Jesus recebeu um nome supremo, Paulo declara que Deus o investiu
publicamente com autoridade absoluta. Trata-se do reconhecimento divino de quem
Cristo é e do que realizou. Aquele que se humilhou até a cruz agora é revelado
como o Senhor soberano de toda a criação. O pano de fundo do texto indica que
esse “nome” está ligado ao título Kyrios, Senhor, aplicado a Jesus de forma
inequívoca nos versículos seguintes. No contexto judaico, Kyrios era o termo
usado na Septuaginta para traduzir o nome santo de Deus. Ao aplicá-lo a Cristo,
o Novo Testamento afirma sua plena participação na identidade divina. Como
observam a Bíblia de Estudo Pentecostal e Gordon Fee, Paulo não sugere uma
promoção ontológica, mas uma entronização funcional e histórica. O Filho
eterno, agora encarnado, morto e ressuscitado, é publicamente confessado como
Senhor absoluto.
Essa supremacia é descrita em termos
cósmicos. Efésios 1.21 afirma que Cristo está acima de todo principado,
potestade, poder e domínio. Nada no mundo visível ou invisível escapa à sua
autoridade. A Bíblia de Estudo MacArthur destaca que essa linguagem inclui
forças espirituais, governos humanos e qualquer sistema que pretenda rivalizar
com o senhorio de Cristo. Não há hierarquia paralela. Não há poder equivalente.
Tudo está sujeito ao Filho exaltado, como também confirma 1 Pedro 3.22. Esse
nome supremo não é apenas uma verdade doutrinária. Ele tem implicações práticas
para a vida da igreja. O Cristo exaltado delega à sua Igreja autoridade para
agir em seu nome. Em Marcos 16.17 e 18, o nome de Jesus está associado à
missão, à libertação e ao testemunho do Reino. A Bíblia de Estudo Plenitude
enfatiza que essa autoridade não é mágica nem automática. Ela flui de uma
relação viva com o Senhor exaltado e de uma vida submissa ao seu governo. Usar
o nome de Jesus é representar seu caráter e agir sob seu senhorio.
Por fim, confessar que Jesus tem um
nome acima de todo nome é um chamado à rendição. Não se trata apenas de
invocá-lo em oração, mas de dobrar o coração diante dele. O Cristo exaltado não
divide sua glória. Ele governa. Ele envia. Ele sustenta. Viver sob esse nome é
viver em obediência, confiança e missão. Quando a igreja entende quem Jesus é,
ela não teme poderes, não negocia a verdade e não vive de forma superficial.
Ela caminha com reverência, autoridade espiritual e esperança firme naquele que
reina para sempre.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. BÍBLIA DE ESTUDO
PLENITUDE. Rio de Janeiro: CPAD, 2021.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
3. Soberania universal e retorno triunfal. A Escritura revela que todas as criaturas se curvarão diante do nome de
Jesus (Fp 2.10). Essa verdade aponta para a plena soberania de Cristo (At
2.36). A confissão universal de que “Jesus Cristo é o Senhor” se dará de duas
maneiras: voluntária, por aqueles que creem e servem a Jesus como Salvador (Rm
10.9,10), e, compulsória, por aqueles que o rejeitaram, mas que o reconhecerão
em juízo (Rm 14.11; Fp 2.11). Hebreus completa a visão escatológica da
soberania de Cristo, afirmando que Ele voltará para levar para si os que o
esperam (Hb 9.28). Essa vinda será em glória, poder e juízo (Mt 24.30). Sua
glória será reconhecida por todos — para salvação ou para condenação. Ele
voltará, triunfante, para buscar a sua Igreja e reinar eternamente (Jo 14.2,3;
Ap 11.15).
👉 A exaltação de Cristo culmina na afirmação de sua soberania
absoluta sobre toda a criação. Paulo declara que “ao nome de Jesus se dobre
todo joelho” (Fp 2.10). O verbo grego kamptō indica submissão real e
inevitável. Não se trata de um gesto simbólico, mas do reconhecimento efetivo
de autoridade. O Cristo humilhado agora é confessado como Senhor universal.
Atos 2.36 confirma essa entronização histórica e teológica. Deus constituiu
Jesus como Senhor e Cristo. Aquele que foi rejeitado pelos homens foi exaltado
pelo Pai como soberano de tudo. Essa submissão será universal e inevitável.
Paulo inclui todas as esferas da existência. Nos céus, na terra e debaixo da
terra. Nada fica fora desse domínio. Anjos, seres humanos e poderes espirituais
reconhecerão a autoridade de Cristo. A Bíblia de Estudo Pentecostal observa que
essa linguagem aponta para uma realidade cósmica. O senhorio de Jesus não se
limita à igreja ou à experiência pessoal de fé. Ele governa toda a ordem
criada, visível e invisível. A soberania de Cristo é total, presente e final. A
confissão de que “Jesus Cristo é o Senhor” (Fp 2.11) ocorrerá de duas maneiras
distintas. Para os que creem, essa confissão já acontece de forma voluntária,
pela fé e pela obediência (Rm 10.9,10). Para os que rejeitam o evangelho, essa
confissão será compulsória, no contexto do juízo final (Rm 14.11). O verbo
exomologeō indica uma declaração pública e inescapável. Todos reconhecerão quem
Cristo é. A diferença estará no momento e no resultado dessa confissão. Uns o
confessam para salvação. Outros o reconhecerão para condenação. Hebreus amplia
essa visão ao afirmar que Cristo “aparecerá segunda vez, não para tirar o
pecado, mas para trazer salvação aos que o aguardam” (Hb 9.28). Sua primeira
vinda foi marcada pela humilhação. A segunda será caracterizada por glória,
poder e juízo. Como destacam o Comentário Bíblico Beacon e a Bíblia de Estudo
MacArthur, o retorno de Cristo não será secreto nem simbólico. Será visível,
histórico e definitivo. Ele virá como Rei vitorioso, não mais como Servo
sofredor. Essa verdade tem implicações pastorais profundas. A igreja vive entre
a exaltação já consumada e o retorno ainda esperado. Enquanto aguardamos, somos
chamados a viver sob o senhorio de Cristo, com fidelidade, reverência e
esperança. João 14.2 e 3 nos lembra que Ele voltará para buscar os seus.
Apocalipse 11.15 proclama que o Reino do mundo passou a ser do nosso Senhor e
do seu Cristo. Viver à luz dessa esperança transforma prioridades, fortalece a
perseverança e purifica a fé. O Cristo exaltado reina agora. E voltará,
triunfante, para reinar eternamente.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2010.
3. COMENTÁRIO
BÍBLICO BEACON. Vol. 10. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
4. FEE, Gordon D.
Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.
5. COMENTÁRIO
BÍBLICO PENTECOSTAL DO NOVO TESTAMENTO. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
SINOPSE III
A exaltação gloriosa de Cristo manifesta sua
soberania universal e assegura o triunfo final da Igreja.
CONCLUSÃO
A obra do Filho é completa, suficiente e gloriosa - da humilhação à
exaltação. Ele se humilhou para nos salvar, ofereceu-se em sacrifício vicário
para nos redimir e foi exaltado para governar eternamente. Como Igreja, somos
chamados a viver em comunhão com essa verdade, aguardando o retorno do nosso
Senhor e Salvador. Vivamos como servos daquEle que nos serviu com sua vida e
nos salvou com seu sangue.
👉 A obra do Filho de Deus não admite lacunas nem complementos
humanos. Ela é perfeita em sua origem, suficiente em seu alcance e gloriosa em
seu desfecho. Desde a humilhação voluntária da encarnação até a exaltação
soberana à destra do Pai, Cristo percorre um caminho traçado pelo próprio Deus
para a redenção do seu povo. Filipenses 2 revela que essa descida não foi perda
de glória, mas expressão de obediência. O verbo grego ekenōsen indica que o
Filho não deixou de ser Deus, mas abriu mão de seus direitos, assumindo
plenamente a condição humana para cumprir o propósito eterno da salvação.
Na cruz, essa obediência alcança seu
ponto máximo. Cristo não apenas morreu, mas se ofereceu. Hebreus descreve sua
morte como um sacrifício único, definitivo e eficaz. Ele não entrou em um
santuário feito por mãos humanas, mas no próprio céu, apresentando-se diante de
Deus em nosso favor. Sua oferta vicária satisfez plenamente a justiça divina e
removeu de uma vez por todas o problema do pecado. Não há necessidade de
repetição, nem espaço para méritos adicionais. Onde o sangue de Cristo foi
aplicado, a culpa foi definitivamente resolvida.
A exaltação do Filho é a resposta do
Pai à sua obediência perfeita. Deus o exaltou soberanamente e lhe deu o Nome
que está acima de todo nome. Isso significa autoridade absoluta, senhorio
universal e governo eterno. Toda criatura, consciente ou constrangida,
reconhecerá essa realidade. A confissão de que Jesus Cristo é o Senhor não é
apenas uma declaração futura, mas uma verdade presente que redefine toda a vida
cristã. Ele reina agora, e sua soberania não está suspensa até a consumação
final.
À luz dessa verdade, a Igreja não vive
em expectativa passiva, mas em vigilância ativa. Aquele que se ofereceu uma
única vez para tirar os pecados voltará, não para lidar novamente com o pecado,
mas para consumar a salvação dos que o aguardam. Essa esperança molda nossa
ética, nossa espiritualidade e nossa missão. Vivemos entre o já da obra
concluída e o ainda não da glória plenamente revelada, sustentados pela certeza
de que o Rei voltará.
Por isso, a resposta adequada da
Igreja é comunhão, obediência e serviço. Vivemos como servos daquele que se fez
Servo. Seguimos aquele que nos amou até o fim e nos comprou com seu próprio
sangue. Cada escolha diária, cada ato de fidelidade e cada expressão de amor
cristão devem refletir essa verdade central. A obra do Filho está consumada, o
trono está ocupado e o retorno é certo. Cabe a nós viver de modo digno daquele
que nos salvou e que reina para sempre. Três aplicações práticas à luz de toda
a lição, para aplicar à nossa vida cristã:
1.
Viver sob o senhorio real de Cristo no cotidiano: Se
Cristo foi exaltado soberanamente e recebeu autoridade sobre todas as coisas,
então a fé cristã não pode ser apenas confessional, mas governamental.
Reconhecer que “Jesus Cristo é o Senhor” implica submeter decisões, valores,
prioridades e comportamentos ao seu governo. Isso alcança a vida pessoal,
familiar, profissional e eclesiástica. A aplicação prática é clara: o crente
não vive mais para si, mas responde diariamente à pergunta pastoral e espiritual:
o que o Senhor deseja que eu faça? Onde Cristo reina de fato, o ego perde o
trono e a obediência se torna um ato de adoração.
2.
Cultivar uma espiritualidade marcada pela humildade e pelo serviço: A
lição revela que o caminho da glória de Cristo passou, necessariamente, pela
humilhação voluntária. O mesmo princípio rege a vida da Igreja. A verdadeira
maturidade espiritual não se expressa em status, títulos ou visibilidade, mas
em serviço sacrificial, disposição para sofrer por amor e compromisso com o bem
do outro. Na prática, isso significa servir mesmo quando não há reconhecimento,
perdoar quando o orgulho pede vingança e amar quando o custo é alto. A Igreja
se torna mais parecida com Cristo quando aprende a descer, e não quando luta
para subir.
3.
Viver em esperança vigilante e compromisso com a missão: A
certeza do retorno glorioso de Cristo redefine a forma como a Igreja ocupa o
tempo presente. Não vivemos na ansiedade do mundo, nem na passividade
espiritual, mas em esperança ativa. Sabemos que Aquele que se ofereceu uma
única vez voltará para consumar a salvação dos que o aguardam. Isso nos chama a
uma vida santa, vigilante e missionária. Na prática, essa esperança nos move a
anunciar o evangelho, perseverar na fé, resistir ao pecado e investir no que
tem valor eterno. Quem espera o Rei vive preparado, fiel e comprometido com o
seu Reino.
REVISANDO O CONTEÚDO
1. De acordo com a lição, o que significa
imitar a mente de Cristo?
Imitar a mente de Cristo significa renunciar ao egoísmo e viver em humildade,
amor e obediência.
2. A Obra Redentora do Filho está
fundamentada em quê, e qual é o resultado dela?
Está fundamentada na obediência completa de Cristo ao Pai; o resultado é
a nossa salvação.
3. Por que o sacerdócio levítico foi
substituído pelo sacerdócio de Cristo?
Porque o sacerdócio levítico era imperfeito e não removia os pecados;
Cristo é o Sumo Sacerdote perfeito.
4. O que a exaltação de Cristo ao voltar
para o Céu e assentar-se no trono, garante para nós?
Garante-nos acesso à presença de Deus e intercessão contínua de Cristo.
5. O nome de Jesus é um símbolo de fé,
mas também uma fonte real de autoridade espiritual. O próprio Senhor delegou à
Igreja o uso de Seu nome com que finalidade?
Para curar, libertar, pregar e vencer as forças do mal.
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
A OBRA DO FILHO
Nesta lição, veremos que a morte vicária do Senhor Jesus revela o
propósito do Pai em conceder perdão aos pecadores e restaurar toda a criação. A
humilhação, redenção e exaltação do Filho Unigênito de Deus manifestam a
profundidade da obra que Ele realizou. Graças à Sua vida de obediência completa
e justiça, bem como Seu sacrifício vivo e santo sobre a cruz, temos acesso à
salvação eterna.
Enquanto esteve neste mundo, a vida de Jesus foi marcada pela submissão
à vontade do Pai. Não encontramos em momento algum de Sua vida e ministério
qualquer comportamento distinto da vontade do Pai. Muito ao contrário, Ele
obedeceu até a morte, e morte de cruz (Fl 2.8). Para assumir o compromisso fiel
de submissão, Cristo esvaziou-se da glória que compartilhava com Deus Pai desde
a eternidade, antes mesmo que todas as coisas fossem criadas (Jo 17.5).
Conforme versa a Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global (CPAD) acerca da
expressão “Aniquilou-se a si mesmo”, “esta frase em grego corresponde a
‘ekenōsen’ (verbo ‘kenoō’, derivado de ‘kenos’, ‘vazio’, ‘vão’), que
literalmente significa ‘ele esvaziou-se’. Isso não significa que Jesus
renunciou sua divindade (isto é, a sua natureza plena como Deus), mas que
voluntariamente deixou de lado suas prerrogativas como Deus, incluindo sua
glória celestial (Jo 17.4), posição (Jo 5.30; Hb 5.8), riqueza (2Co 8.9),
direitos (Lc 22.27; Mt 20.28) e o uso de seus atributos como Deus (Jo 5.19;
8.28; 14.10). Esse esvaziamento não significou apenas uma suspensão voluntária
de suas capacidades e privilégios como Deus, mas também a aceitação do
sofrimento humano, maus tratos, ódio e, em última instância, a maldição da
morte na cruz. [...] Embora tenha permanecido totalmente divino (isto é,
completamente Deus), Cristo assumiu a natureza humana com as tentações,
humilhações e fraquezas que esta vida envolve; no entanto, Ele suportou tudo
isto sem pecar. Isso significa que Ele nunca ofendeu ou desafiou a Deus Pai,
nem fez qualquer coisa errada de acordo com o padrão perfeito de Deus (vv.7,8;
Hb 4.15). É por esta razão que Ele foi capaz de fazer o sacrifício perfeito e
pagar a pena definitiva e completa pelos nossos pecados, de uma vez por todas
(1Pe 3.18). Por essa razão, o Pai o exaltou e deu um nome sobre todo o nome (Fp
2.8-11). A glória restaurada ao Filho é o sinal da aprovação de que Ele cumpriu
fielmente todas as coisas. Essa mesma glória, Cristo prometeu compartilhar com
aqueles que creram no seu testemunho e permanecem, independentemente das
circunstâncias, fiéis a Ele. Para estes, o Senhor Jesus prometeu conceder um
coroa de glória e o galardão da herança (Ap 2.10; 3.21)”.
[Francisco
Barbosa (@pr.assis) siga-me! • Graduado em Gestão Pública; • Teologia pelo
Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP); • Pós-graduado em Teologia Bíblica e
Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB); •
Pós-graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de
Formação FATEB; • Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT,
1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano
do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo
no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015). • Pastor em tempo integral
(voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB Servo, barro nas mãos do Oleiro.] Quer
falar comigo? Tem alguma dúvida? WhatsApp: 83 9 8730-1186 Quer
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