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9 de fevereiro de 2026

JOVENS - Lição 7: A Graça de Deus

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

1º Trimestre de 2026

Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras

Comentarista: Marcelo Oliveira

 

Lição 7: A Graça de Deus

Data: ´15 de fevereiro de 2026

 

TEXTO PRINCIPAL

 

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef 2.8,9).

ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:

👉 Efésios 2.8–9 não pode ser interpretado isoladamente. Ele é o clímax teológico do argumento iniciado em Efésios 2.1, onde Paulo descreve a condição humana antes da salvação: mortos espiritualmente, escravizados pelo pecado e sob a ira divina. Nos versículos 4–7, ocorre a virada decisiva com a expressão “Mas Deus”, revelando a iniciativa soberana da graça. Assim, os versículos 8–9 funcionam como uma síntese doutrinária, resumindo a natureza, o meio e o propósito da salvação. Paulo escreve a uma igreja composta majoritariamente por gentios, cercada por influências religiosas legalistas, místicas e meritórias. Seu objetivo é deixar claro que a salvação cristã não nasce do esforço humano nem da observância de sistemas religiosos, mas exclusivamente da ação graciosa de Deus em Cristo. Porque pela graça sois salvos a causa da salvação O termo grego traduzido por “graça” é χάριτι (cháriti), dativo instrumental de cháris, indicando o meio ou a causa eficiente da salvação. Graça, aqui, não é apenas benevolência genérica, mas o favor soberano e imerecido de Deus, que age em favor de quem nada podia oferecer em troca. A expressão “sois salvos” (ἐστε σεσῳσμένοι – este sesōsmenoi) está no tempo perfeito, indicando uma ação passada com efeitos permanentes. Isso significa que:

       a salvação foi realizada definitivamente por Deus;

       seus efeitos continuam operando na vida do crente.

Logo, Paulo ensina que a salvação não é um processo iniciado pelo homem e concluído por Deus, mas uma obra iniciada, sustentada e consumada pela graça divina. Por meio da fé o instrumento, não a causa A fé (πίστεως – pisteōs) é apresentada como o meio instrumental, não como a origem da salvação. Paulo não diz “por causa da fé”, mas “por meio da fé”. Isso é crucial teologicamente. A fé:

       não é mérito;

       não é obra;

       não é pagamento espiritual.

Ela é a resposta humana à iniciativa graciosa de Deus, o canal pelo qual a graça é recebida. Conforme o ensino bíblico mais amplo (Rm 10.17), a fé nasce da Palavra e é despertada pela ação do Espírito Santo. Assim, a fé não compete com a graça; ela depende dela. E isso não vem de vós; é dom de Deus a origem divina da salvação A expressão “isso” (τοῦτο – touto) tem sido amplamente debatida. Gramaticalmente, o pronome neutro aponta não apenas para “a fé” isoladamente, mas para todo o processo da salvação pela graça mediante a fé. Nada nesse processo tem origem no ser humano. A iniciativa é de Deus O plano é de Deus O meio é estabelecido por Deus O resultado glorifica a Deus. A salvação é chamada explicitamente de “dom” (δῶρον – dōron), um presente gratuito, não negociável, não conquistável. Um dom, por definição, exclui mérito e exige humildade daquele que o recebe. Não vem das obras a exclusão total do mérito humano O termo “obras” vem do grego ἔργων (érgōn), referindo-se a qualquer esforço humano com pretensão de justificar-se diante de Deus, sejam obras da Lei, práticas religiosas, rituais ou moralidade externa. Paulo não está desvalorizando as boas obras em si (isso será corrigido no v.10), mas negando radicalmente sua função salvífica. Nenhuma obra:

       remove o pecado,

       produz regeneração,

       compra o favor divino.

Aqui, o apóstolo desmonta qualquer sistema de salvação baseado em desempenho espiritual. Para que ninguém se glorie o propósito final. O objetivo último da salvação pela graça é eliminar toda possibilidade de vanglória humana. O verbo “gloriar-se” (καυχήσηται – kauchēsētai) está ligado à exaltação própria, ao orgulho religioso. Deus estruturou a salvação de modo que:

       ninguém possa dizer “eu consegui”;

       ninguém possa reivindicar superioridade espiritual;

       toda a glória pertença exclusivamente a Ele.

Isso prepara o terreno para o versículo 10, onde Paulo mostra que as boas obras não são a causa da salvação, mas o resultado inevitável dela.

 

SÍNTESE TEOLÓGICA

Efésios 2.8–9 ensina que:

       A graça é a causa da salvação

       A fé é o meio pelo qual essa graça é recebida

       O dom é totalmente de Deus

       As obras são excluídas como meio salvífico

       A glória pertence somente ao Senhor

Essa passagem estabelece um fundamento sólido para uma fé humilde, obediente e transformada. A salvação não anula a responsabilidade cristã, mas a fundamenta corretamente: não vivemos bem para sermos salvos; vivemos bem porque fomos salvos. Assim, Efésios 2.8–9 não apenas explica como somos salvos, mas redefine completamente a maneira como o cristão entende sua identidade, sua obediência e sua relação com Deus.

 

RESUMO DA LIÇÃO

 

A salvação pela graça é um presente imerecido de Deus, que transforma o cristão para que viva refletindo essa graça em boas obras, amor, perdão e serviço aos outros.

ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:

👉 Se a salvação é realmente pela graça, por que ela nunca deixa ninguém do mesmo jeito? Essa pergunta nos conduz ao coração do ensino bíblico apresentado em Efésios 2.1–10 e exposto nesta lição. A graça de Deus não é apenas um conceito teológico abstrato nem um simples “ato jurídico” ocorrido no passado; ela é a ação soberana, misericordiosa e transformadora de Deus que irrompe na história humana para resgatar pecadores espiritualmente mortos e inseri-los em uma nova realidade em Cristo. A salvação pela graça revela que Deus age antes de qualquer iniciativa humana. Mortos em delitos e pecados, incapazes de responder por nós mesmos, fomos alcançados não por mérito, obras ou desempenho religioso, mas pelo amor gracioso de Deus, manifestado em Cristo Jesus. Essa graça não apenas perdoa o pecado e remove a culpa, mas regenera o coração, concede nova identidade e inaugura um novo modo de viver. Assim, a fé não é uma conquista humana, mas a resposta despertada pela própria graça divina, que nos conduz a confiar plenamente na obra redentora de Cristo. Entretanto, essa salvação graciosa nunca é estéril. O mesmo Deus que nos salva gratuitamente nos recria para um propósito: vivermos como expressão visível de Sua graça no mundo. As boas obras, longe de serem o meio da salvação, tornam-se seu fruto inevitável. Amor, perdão, santidade e serviço deixam de ser meras exigências morais e passam a ser respostas naturais de uma vida transformada. A graça que justifica é a mesma que santifica, capacitando o cristão a viver de forma coerente com o Evangelho, não por obrigação legalista, mas por gratidão e obediência amorosa. Portanto, esta lição nos conduz a compreender que a salvação pela graça é, ao mesmo tempo, um dom imerecido e um chamado profundo. Somos alcançados pela misericórdia de Deus para vivermos de maneira que reflita Seu caráter, Sua bondade e Seu amor. A graça que nos salvou nos envia ao mundo para sermos testemunhas vivas dessa mesma graça, manifestando-a em atitudes concretas que glorificam a Deus e edificam o próximo.

 

TEXTO BÍBLICO 

Efésios 2.1-10.

 Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

 

1 E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados,

👉 Paulo apresenta a condição universal da humanidade sem Cristo: espiritualmente mortos. A morte aqui não é biológica, mas separação total de Deus, incapacidade espiritual e incapacidade de responder a Deus. A morte espiritual não é uma metáfora menor, mas representa incapacidade total de iniciar qualquer movimento em direção a Deus, um estado que reflete a justiça de Deus contra o pecado (conceito apontado por MacArthur e estudiosos reformados como base antropológica da salvação pela graça).

2 em que, noutro tempo, andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que, agora, opera nos filhos da desobediência;

👉 Aqui Paulo identifica a vida anterior à salvação: aqueles “mortos” não são inacessíveis à moralidade secular, mas viviam alinhados com os valores do mundo e sob influência do “governante do poder do ar”, isto é, a realidade cósmica hostil a Deus (ser revelado mais claramente como Satanás em Ef 6.12). A expressão “andar” (peripateō) descreve o estilo de vida habitual, um caminhar conformado com o sistema do mundo, não como uma fase isolada.

3 entre os quais todos nós também, antes, andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.

👉 Paulo inclui a si mesmo (“nós”) para lembrar que judeus ou gentios estavam igualmente sob a condenação: dominados pelo desejo da carne e pela mentalidade carnal (sarx/dianoia). Eles eram “filhos da ira”, isto é, pertencentes à esfera da ira justificada de Deus devido ao pecado (maciça ênfase em depravação total e justiça divina), um ponto frequentemente ressaltado por MacArthur e pelas Bíblias de estudo tradicionais como marco da depravação humana sem Cristo.

4 Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

👉 Este é o momento central da mensagem: Deus, motivado por Sua misericórdia e amor, interrompe a situação desesperadora do homem e dá nova vida. “Rico em misericórdia” aponta para o caráter de Deus antes de qualquer resposta humana. “Vivificou… juntamente com Cristo” enfatiza que a salvação está unida à obra de Cristo, o crente participa da nova vida que Cristo conquistou. No nível teológico, isso afirma o princípio da soteriologia cristocêntrica: nenhum humano se vivifica por si mesmo, mas Deus por graça efetua a regeneração em Cristo (MacArthur em suas notas sobre Efésios destaca esta “nova vida” como início de uma nova criação em Cristo).

5 estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

6 e nos ressuscitou juntamente com ele, e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus;

👉 A imagem de ser resuscitado e assentado nas regiões celestiais com Cristo não apenas descreve a salvação presente, mas a realidade já iniciada da nova criação (unificação do crente com Cristo). Isso aponta à posição espiritual do crente, não apenas perdão de pecados, mas uma união real com Cristo em Sua vitória e autoridade.

 

7 para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça, pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus.

👉 Paulo sublinha o propósito eterno dessa salvação: deus quer exibir a riqueza da graça. Não é algo escondido, mas destinado a ser manifestado para sempre. A graça não apenas salva, mas se revela eterna, rica e inesgotável, um tema central da teologia paulina sobre salvação e eleição presentes em Efésios 1.

8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.

👉 Este verso é um dos textos-chave da teologia cristã reformada:

       “Pela graça”: a causa eficiente da salvação é Deus — não o homem.

       “Mediante a fé”: a fé é o instrumento pelo qual a graça é recebida — não um mérito humano, mas uma resposta capacitada pela graça. A fé aqui não é obra, mas o meio pelo qual a graça chega ao crente.

9 Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

👉 Paulo reforça que nada na salvação provém de nós: nem fé como mérito humano, nem qualquer obra. Isso exclui orgulho espiritual e mérito competitivo. A salvação é um presente absoluto, destinado a exaltar o caráter soberano de Deus e limitar toda arrogância humana. Comentários derivam do sentido das expressões paralelas: “não vem de vós” e “não vem das obras” como ênfase dupla da ausência de mérito humano.

10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas.

👉 Este verso esclarece a finalidade da salvação:

       Não salvamo-nos pelas obras,

       mas somos salvos para boas obras.

O termo grego poiēma (obra ou poema) indica que somos a obra-prima de Deus, moldados por Ele. Deus nos faz novas criaturas em Cristo, não para meramente “crer”, mas para andar em boas obras que Ele já preparou de antemão. Isso mostra que a graça transforma nossa natureza, resultando em vida adequada ao propósito de Deus.

 

SÍNTESE TEOLÓGICA DO TEXTO

 

Efésios 2.1–10 desenha um arco teológico completo da salvação:

Estado anterior de morte espiritual (v.1–3);

Intervenção graciosa de Deus em Cristo (v.4–7);

Meio da salvação: graça mediante fé (v.8–9);

Resultado: nova criação para boas obras (v.10).

Esse texto integra visão da depravação humana, da graça soberana de Deus, e da vida transformada como fruto dessa graça, oferecendo um panorama sólido da doutrina da salvação segundo as Escrituras, um legado que permeia tanto a tradição reformada quanto a experiência pentecostal de renovação em Cristo.

 

INTRODUÇÃO

 

A graça de Deus é o fundamento da salvação cristã, mas sua importância vai muito além de um evento passado. A salvação não é apenas algo que aconteceu uma vez, mas uma realidade contínua que transforma a vida do crente, moldando seus pensamentos, sentimentos e ações. Entender a graça de Deus não só nos dá uma nova perspectiva sobre nossa relação com Ele, mas também impacta diretamente o nosso comportamento diário. Nesta lição, veremos que a graça nos chama a viver em conformidade com a vontade de Deus, refletindo em nossas atitudes o amor e o perdão que recebemos. Como cristãos, somos desafiados a viver essa graça de forma prática, demonstrando-a em nosso relacionamento com os outros e em nossas decisões diárias.

👉 Se a salvação é totalmente pela graça, por que ainda falamos tanto sobre esforço, obediência e boas obras na vida cristã? Essa pergunta revela uma das maiores tensões do pensamento cristão contemporâneo e, ao mesmo tempo, expõe muitos equívocos sobre o que realmente significa viver pela graça de Deus. Para muitos, a graça é apenas o “ponto de partida” da fé, o momento da conversão. Para outros, ela é confundida com permissividade espiritual, como se anulasse responsabilidade, disciplina e transformação. Contudo, o ensino bíblico vai muito além dessas reduções. O apóstolo Paulo, em Efésios 2.1–10, apresenta a graça não apenas como o meio da salvação, mas como o princípio estruturante de toda a vida cristã. A graça de Deus não entra na história humana para apenas resolver o problema da culpa do pecado; ela inaugura uma nova realidade existencial. Mortos espiritualmente, escravizados pelo pecado e destinados à ira (Ef 2.1–3), fomos alcançados por uma intervenção soberana e misericordiosa de Deus, que nos vivificou juntamente com Cristo. Essa iniciativa divina revela que a salvação é completamente imerecida, fruto exclusivo do amor gracioso de Deus, e não resultado de qualquer mérito humano. Entretanto, Paulo não encerra seu argumento na justificação. Ele avança e mostra que a mesma graça que salva é a graça que transforma, educa e envia. Somos salvos “pela graça, mediante a fé”, mas também somos “feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2.8–10). Assim, a graça não apenas nos livra da condenação, mas nos reinsere no propósito original de Deus: uma vida que reflete Sua glória por meio de atitudes concretas de amor, perdão, santidade e serviço. Não se trata de obras como meio de salvação, mas de obras como fruto inevitável de uma vida alcançada pela graça. Nesta lição, caminharemos por três eixos centrais. Primeiro, compreenderemos a obra da graça na salvação, analisando nossa condição antes de Cristo, a intervenção misericordiosa de Deus e o propósito transformador da salvação. Em seguida, veremos a relação correta entre graça e obras, distinguindo claramente mérito humano de resposta obediente à graça recebida. Por fim, refletiremos sobre as implicações práticas da graça na vida cristã, mostrando como ela nos capacita a amar, perdoar e servir de maneira concreta no cotidiano. Ao longo deste estudo, o objetivo não é apenas ampliar nosso entendimento teológico, mas conduzir-nos a uma fé mais consciente, humilde e coerente. Afinal, compreender a graça de Deus não é apenas saber que fomos salvos por ela, mas aprender a viver diariamente sob o seu governo transformador.

 

I. A MARAVILHOSA GRAÇA NA OBRA DE SALVAÇÃO

1. A condição humana antes da graça (Ef 2.1-3). Paulo começa este trecho lembrando aos efésios sobre a condição espiritual anterior à salvação. Os versículos 1 a 3 descrevem a humanidade como “mortos em ofensas e pecados”, vivendo segundo o curso deste mundo e sob o domínio do pecado. A vida sem Cristo é caracterizada por uma separação de Deus, sujeita à ira divina. Assim, a pessoa, que ainda não experimentou a Regeneração, não pode compreender nem aceitar a verdade sem a obra da graça de Deus. Logo, do ponto de vista bíblico, devemos ter compaixão pelos pecadores que vivem na imoralidade, no orgulho e na arrogância, pois são escravos do pecado e do Diabo (Ef 2.1,5). Além disso, precisamos entender que a nossa condição antes da graça era assim. Por isso, quando reconhecemos a gravidade do nosso pecado e a morte espiritual em que estávamos, podemos valorizar a grandeza da graça de Deus. Não merecíamos nada, mas Ele nos alcançou.

👉 Paulo inicia sua exposição com uma afirmação que confronta qualquer ilusão de autonomia espiritual. Antes da graça, não estávamos apenas fracos ou desorientados, mas “mortos em transgressões e pecados” (Ef 2.1, NVI). O verbo grego nekroús, morto, indica incapacidade total de responder a Deus por iniciativa própria. Trata-se de morte espiritual real, não simbólica. Essa condição descreve uma existência marcada pela separação de Deus, pela ausência de comunhão e pela impossibilidade de produzir vida espiritual. O ser humano, sem Cristo, não está apenas distante de Deus; está espiritualmente incapacitado, necessitado de intervenção divina. Essa morte espiritual se manifesta em um modo de viver. Paulo afirma que andávamos “segundo o curso deste mundo” (Ef 2.2), expressão que revela conformidade com um sistema de valores corrompido, hostil a Deus. O termo grego aiṓn aponta para uma mentalidade moldada por padrões espirituais que normalizam o pecado. Além disso, essa caminhada acontece sob a influência do “príncipe do poder do ar”, referência clara à atuação de Satanás na estrutura espiritual deste mundo. Aqui, Paulo nos lembra que o pecado não é apenas uma falha moral individual, mas também uma escravidão espiritual que envolve forças invisíveis e reais. No versículo 3, o apóstolo amplia o diagnóstico e inclui todos, judeus e gentios, ao dizer “entre os quais também todos nós”. Não há exceções. A expressão “satisfazendo as vontades da carne e dos pensamentos” revela que o pecado atinge tanto os desejos quanto a mente. A palavra grega sarx não se refere apenas ao corpo físico, mas à natureza humana corrompida. Já diánoia aponta para um entendimento distorcido. Isso significa que o pecado não apenas afeta o que fazemos, mas também como pensamos. Por isso, Paulo conclui que éramos “por natureza filhos da ira”, expressão que indica uma condição espiritual, não apenas atos isolados. Essa realidade exige de nós uma postura bíblica equilibrada. Ao compreendermos a profundidade da perdição humana, somos impedidos de adotar uma atitude de superioridade espiritual. A Bíblia nos ensina a ter compaixão dos que vivem presos ao pecado, não porque ele seja menos grave, mas porque conhecemos o poder que ele exerce sobre o coração humano. A graça de Deus não minimiza o pecado; ela o expõe em sua gravidade para, então, revelar a grandeza da salvação. Como afirma a teologia pentecostal clássica, a consciência da miséria humana prepara o coração para reconhecer a suficiência da graça divina. Por fim, Paulo nos convida a um exercício de memória espiritual. “Nós éramos assim.” Essa lembrança não tem o objetivo de gerar culpa, mas gratidão. Quando reconhecemos de onde Deus nos tirou, valorizamos mais profundamente o que Ele fez. Não fomos alcançados porque merecíamos, mas porque Deus é rico em misericórdia. Essa verdade confronta o orgulho, fortalece a humildade e nos chama a viver de maneira coerente com a graça que nos tirou da morte para a vida. A compreensão correta da nossa antiga condição é o solo fértil onde floresce uma vida cristã marcada por gratidão, dependência e santidade.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

7. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

8. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Thomas Nelson Brasil, 2010.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

10. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

11. BEACON. Comentário Bíblico Beacon – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

12. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

2. A intervenção da graça de Deus (Ef 2.4-7). A partir do versículo 4, Paulo muda o tom da mensagem, enfatizando a misericórdia de Deus: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, [...] nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” (Ef 2.4,5). Aqui, a graça divina é revelada como misericórdia que nasce do coração amoroso de Deus para nos arrancar da morte espiritual e nos trazer para uma nova vida em Cristo. Isso significa que a graça de Deus é a única razão pela qual passamos da morte para a vida. Esta mudança radical deve gerar gratidão em nossos corações, pois não fomos salvos por mérito próprio, mas por seu grande amor e misericórdia. A salvação é um presente imerecido. Como essa graça tem impactado nossa vida diária?

👉 Tudo muda em Efésios 2.4 com duas palavras que alteram completamente o destino humano. “Mas Deus”. Até aqui, Paulo descreveu a morte espiritual, a escravidão do pecado e a justa ira divina. Agora, ele apresenta a iniciativa soberana de Deus, não provocada por mérito humano, mas fundamentada em Seu caráter. O apóstolo afirma que Deus é “riquíssimo em misericórdia” (Ef 2.4, NVI). O termo grego éleos aponta para uma compaixão ativa diante da miséria alheia. Não se trata de pena distante, mas de uma misericórdia que se move em direção ao pecador para resgatá-lo. A salvação começa em Deus, nasce em Seu coração e se manifesta por pura graça. Paulo deixa claro que essa intervenção ocorre quando ainda estávamos mortos. Deus “nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef 2.5). O verbo synezōopoiēsen indica vivificação conjunta, isto é, uma obra realizada em união com Cristo. Aqui está um ponto essencial da soteriologia bíblica. A vida espiritual não é despertada pelo esforço humano, mas concedida por Deus em Cristo. A graça não responde a um movimento inicial do pecador; ela cria esse movimento. Na perspectiva pentecostal clássica, isso não elimina a responsabilidade humana, mas afirma que toda resposta de fé é precedida pela ação graciosa de Deus, que chama, convence e possibilita a salvação. O apóstolo reforça essa verdade ao declarar, entre parênteses, “pela graça vocês são salvos” (Ef 2.5). Essa afirmação não é um detalhe secundário, mas um lembrete intencional. Paulo antecipa qualquer tentativa de atribuir a salvação ao esforço humano. A graça, cháris, é favor imerecido, mas também poder transformador. Como ensinam Stanley Horton e French Arrington, essa graça não apenas perdoa o passado, mas inaugura uma nova realidade espiritual. O crente não recebe apenas absolvição, recebe vida. Essa vida é real, presente e relacional, pois está enraizada na comunhão com Cristo vivo.

Nos versículos 6 e 7, Paulo amplia ainda mais o alcance da graça. Deus não apenas nos vivificou, mas “nos ressuscitou com Cristo e nos fez assentar nos lugares celestiais” (Ef 2.6). Essa linguagem aponta para uma nova posição espiritual. Mesmo vivendo ainda neste mundo, o crente participa, em Cristo, de uma realidade celestial. Isso revela que a salvação não é apenas libertação do pecado, mas inclusão no propósito eterno de Deus. O objetivo final dessa obra, segundo Paulo, é que Deus manifeste “as incomparáveis riquezas da sua graça” (Ef 2.7). A salvação é, portanto, um testemunho eterno do caráter gracioso de Deus. Se fomos alcançados quando nada podíamos oferecer, não há espaço para orgulho espiritual. A graça nos chama à gratidão, à humildade e a uma vida coerente com aquilo que Deus fez em nós. A intervenção graciosa de Deus não apenas muda nosso destino eterno, mas redefine nossa maneira de viver hoje. Jovens que compreendem essa graça não vivem tentando pagar uma dívida, mas respondendo com amor, obediência e serviço Àquele que, por pura misericórdia, nos tirou da morte e nos deu vida em Cristo.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

7. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

8. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Thomas Nelson Brasil, 2010.

9. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

10. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

11. BEACON. Comentário Bíblico Beacon – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

12. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

3. A graça que nos faz produzir em Cristo (Ef 2.8-10). Nos versículos 8 a 10, Paulo ensina que somos salvos pela graça, “mediante a fé”, e que isso não vem de nós mesmos, mas é um “dom de Deus”. Isso significa que Deus concede uma medida de sua graça para os incrédulos: a de crerem no Senhor Jesus mesmo que essa graça divina possa ser resistida (Hb 12.15). É importante destacar que não são as obras que nos salvam, mas a graça de Deus, para que ninguém se glorie. O versículo 10 destaca que fomos “feitos para boas obras”, ou seja, a salvação nos prepara para viver em conformidade com a vontade de Deus. Assim sendo, a salvação não é um ponto final, mas o início de uma nova vida em Cristo. Somos chamados para viver de maneira que reflita a transformação que a graça operou em nós. O cristão não é salvo pelas obras, mas é salvo para realizar boas obras. Como estamos vivendo em resposta a essa maravilhosa graça?

👉 A graça de Deus não entra na história humana como um conceito abstrato, mas como uma intervenção poderosa em favor de pecadores espiritualmente mortos. Quando Paulo afirma que somos salvos “pela graça, por meio da fé” (Ef 2.8, NVI), ele está declarando que a iniciativa da salvação parte inteiramente de Deus. O termo grego cháris aponta para um favor imerecido, livre e soberano, concedido a quem nada podia oferecer em troca. A fé, por sua vez, não é apresentada como mérito humano, mas como o meio pelo qual respondemos à ação graciosa de Deus. Na perspectiva pentecostal clássica e arminiana, essa graça é oferecida genuinamente a todos, capacitando o ser humano a crer, ainda que essa ação divina possa ser resistida, como adverte o autor de Hebreus (Hb 12.15). Aqui já percebemos que a salvação é, ao mesmo tempo, dom divino e convite responsável. Paulo é cuidadoso ao afirmar que essa salvação “não vem de vós” e “não vem das obras” (Ef 2.8–9). Ele não desvaloriza as obras, mas redefine completamente o seu lugar na vida cristã. O problema não está nas obras em si, mas na tentativa humana de usá-las como fundamento da justificação diante de Deus. O apóstolo fecha qualquer possibilidade de vanglória, porque toda autoconfiança religiosa distorce o evangelho. Como observam os comentaristas pentecostais, a salvação não nasce do esforço humano, mas da misericórdia divina que alcança o pecador antes mesmo de ele compreender plenamente sua condição. Isso preserva tanto a glória exclusiva de Deus quanto a humildade necessária do cristão. O versículo 10 aprofunda essa verdade ao revelar o propósito da graça. Somos descritos como “feitura” de Deus, palavra que traduz o grego poiēma, indicando uma obra cuidadosamente produzida, quase como uma obra-prima. Em Cristo, Deus não apenas perdoa, mas recria. As boas obras não são improvisos posteriores, mas parte do projeto eterno de Deus para a vida do salvo. Elas foram “preparadas de antemão”, o que revela intencionalidade divina e vocação cristã. A graça que salva é a mesma graça que capacita para uma vida alinhada com a vontade de Deus, em santidade, serviço e amor prático ao próximo.

Esse ensino corrige dois extremos comuns entre os jovens cristãos. De um lado, a ideia de que basta “crer” sem que a vida seja transformada. De outro, a tentativa de medir espiritualidade pelo desempenho religioso. Paulo nos conduz por um caminho mais profundo e equilibrado. Não somos salvos pelas obras, mas também não somos salvos para a inércia espiritual. A fé salvadora se manifesta em uma vida que produz frutos visíveis, não para conquistar a salvação, mas porque foi alcançada por ela. Como destaca Gordon Fee, a nova vida no Espírito sempre se expressa em práticas concretas que refletem o caráter de Cristo. Se fomos alcançados por uma graça tão profunda, tão intencional e transformadora, como estamos respondendo a ela no cotidiano? A graça de Deus não encerra a história da salvação; ela inaugura uma caminhada. Cada escolha, cada atitude e cada relação se tornam espaço para manifestar essa obra divina em nós. Viver pela graça é permitir que aquilo que Deus já fez em Cristo continue produzindo frutos visíveis, para a glória de Deus e para o bem daqueles que caminham conosco.

 

SUBSÍDIO I

Professor(a), leia juntamente com os alunos Efésios 2.8-10. Depois explique que “o Novo Testamento enfatiza o tema da graça de Deus, por nos ter dado o seu Filho, Jesus, que de bom grado e voluntariamente deu a sua vida por pecadores que não mereciam esse seu ato. Hoje, os cristãos continuam a receber essa graça, pela presença e orientação do Espírito Santo. O Espírito transmite a misericórdia, o perdão e a aceitação de Deus, e dá aos cristãos o desejo e a capacidade de fazer a vontade de Deus (Jo 3.16; 1Co 15.10; Fp 2.13; 1Tm 1.15,16). Todo o processo e progresso da vida cristã, do princípio ao fim, dependem dessa graça”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1527).

 

II. A GRAÇA DE DEUS E AS OBRAS

 

1. A graça de Deus: o favor imerecido. A graça é amplamente compreendida como o favor imerecido de Deus, um favor concedido sem que o ser humano tenha feito algo para merecê-lo. O termo hebraico para “graça” é chen, que transmite a ideia de “favor” ou “benevolência”, especialmente um favor gratuito e imerecido (Gn 6.8). No Antigo Testamento, chen muitas vezes denota a ação de Deus em favor de seu povo, mesmo quando não a merecem (como em Gênesis 6.8, quando Noé encontra “graça” diante do Senhor). No Novo Testamento, o termo grego para “graça” é charis, que é usado de forma semelhante, mas com uma ênfase mais profunda na salvação que vem de Deus. Charis não apenas reflete um favor ou benefício, mas está ligada ao presente divino de salvação e perdão, e à capacitação que Deus concede para viver conforme sua vontade (como vemos em Ef 2.8,9). A graça de Deus, portanto, é uma ação de seu amor e misericórdia para com os pecadores, oferecendo a salvação não com base em méritos humanos, mas como um dom gratuito, disponível a todos os que creem.

👉 A Bíblia apresenta a graça não como uma ideia abstrata, mas como uma ação concreta de Deus que invade a história humana quando não havia qualquer mérito a ser apresentado. Desde o início das Escrituras, a graça se revela como iniciativa divina. Em Gênesis 6.8, lemos que Noé “achou graça aos olhos do Senhor” (NVI). O termo hebraico ḥēn comunica a ideia de favor livre, concedido por decisão soberana daquele que o oferece. Não se trata de recompensa por desempenho moral, mas de benevolência que nasce no coração de Deus. Esse detalhe é fundamental para os jovens compreenderem que a relação com Deus não começa com esforço humano, mas com a misericórdia que nos alcança primeiro. No Antigo Testamento, ḥēn frequentemente aparece em contextos de fragilidade e dependência. O favorecido reconhece que nada possui em si mesmo que o torne digno. Assim, a graça revela tanto o amor de Deus quanto a real condição do ser humano. Mesmo Noé, descrito como justo, não é apresentado como alguém que comprou o favor divino, mas como alguém que foi alcançado por ele. Esse padrão impede uma leitura moralista da fé e prepara o caminho para a revelação plena da graça no Novo Testamento. A graça não ignora o pecado, mas age apesar dele, apontando para um Deus que salva porque ama. No Novo Testamento, o termo grego cháris aprofunda esse entendimento. Mais do que favor, cháris envolve dom, dádiva e ação eficaz de Deus na vida do ser humano. Em Efésios 2.8–9, Paulo afirma que a salvação é pela graça, mediante a fé, e deixa claro que essa obra não procede do homem. Aqui, a graça não apenas perdoa, mas inaugura uma nova realidade espiritual. Conforme destacam os comentaristas pentecostais, cháris inclui tanto o ato salvífico quanto a capacitação concedida pelo Espírito para viver de modo coerente com essa nova vida. A graça salva e, ao mesmo tempo, sustenta o salvo em sua caminhada.

Essa compreensão preserva um equilíbrio essencial da teologia pentecostal clássica. A graça é oferecida de forma real e suficiente a todos, possibilitando a resposta humana da fé, sem anular a responsabilidade pessoal. Como afirmam autores como Stanley Horton e Gordon Fee, a fé não é uma obra meritória, mas a resposta obediente à iniciativa graciosa de Deus. Assim, a salvação continua sendo dom gratuito, mas jamais impessoal ou automática. Deus age primeiro, mas chama o ser humano a responder com arrependimento, fé e submissão à sua vontade. Entender a graça como favor imerecido transforma profundamente a vida cristã prática. Se fomos alcançados sem mérito, não há espaço para orgulho espiritual nem para comparação religiosa. Ao mesmo tempo, essa graça nos chama a viver de forma coerente com aquilo que recebemos. Ela nos ensina a depender de Deus diariamente, a rejeitar uma fé baseada apenas em esforço próprio e a caminhar em humildade e gratidão. A verdadeira pergunta pastoral que emerge desse ensino é simples e profunda. Temos vivido como quem realmente compreendeu que tudo o que somos e temos em Cristo procede, do começo ao fim, da maravilhosa graça de Deus?

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

7. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

2. Obras: o reflexo da Graça em nossas vidas. No contexto bíblico, as obras não se referem a ações que garantem a salvação, mas são expressões externas do comportamento de uma vida transformada pela graça de Deus. O termo hebraico para “obras” é ma’aseh, que pode ser traduzido como “ação” ou “feito”, e é frequentemente associado à prática da lei, como nas obras exigidas pela Lei de Moisés. No Novo Testamento, o termo grego mais comum para “obras” é ergon, que denota qualquer tipo de ação ou trabalho (Ef 2.9). No entanto, é importante distinguir entre as “obras da lei” e as “obras da graça”. As “obras da lei” são aquelas ações que os judeus realizavam para tentar cumprir a Lei de Moisés, buscando justificar-se diante de Deus por meio de seus próprios esforços, algo que, como Paulo explica em Efésios 2.8,9, não pode resultar em salvação, pois esta é alcançada unicamente pela graça de Deus. Por outro lado, as “obras da graça” são aquelas que surgem como fruto da salvação que já recebemos por meio da graça. Essas obras são as evidências da transformação que a graça de Deus opera em nossas vidas. Como cristãos, devemos viver de maneira que nossas ações reflitam a mudança interna causada por essa graça. As boas obras não nos salvam, mas são a resposta a essa salvação.

👉 Quando a Bíblia fala sobre obras, ela não está tratando de um caminho alternativo para a salvação, mas do resultado visível de uma obra invisível que Deus já realizou no coração. Esse ponto é decisivo para uma fé saudável. Muitos jovens conhecem bem Efésios 2.8–9, mas nem sempre percebem que Paulo não está rejeitando as obras em si, e sim uma confiança equivocada nelas. A graça não elimina a prática cristã. Ela redefine sua origem, seu propósito e seu valor diante de Deus.

No Antigo Testamento, o termo hebraico ma‘ăśeh comunica a ideia de ações concretas, aquilo que alguém faz de forma observável. Muitas vezes, essas obras aparecem ligadas à obediência à Lei de Moisés. O problema nunca foi a Lei em si, mas a tentativa humana de transformá-la em instrumento de autojustificação. Os profetas já denunciavam esse erro quando o povo mantinha práticas religiosas externas, mas sem um coração transformado. Isso revela que obras sem graça geram religiosidade, não comunhão com Deus.

No Novo Testamento, Paulo utiliza o termo grego érgon, que significa trabalho, ação ou realização. Em Efésios 2.9, ele afirma que a salvação não vem de érga, para que ninguém se glorie. Aqui, o apóstolo confronta diretamente a lógica do mérito. As chamadas “obras da lei” representam esforços humanos realizados com a intenção de conquistar aceitação diante de Deus. Como destacam os comentários pentecostais e históricos, esse tipo de obra alimenta o orgulho espiritual e esvazia a centralidade da cruz. A salvação, portanto, não é o prêmio de um bom desempenho religioso, mas o dom gracioso concedido por Deus àqueles que respondem em fé.

Entretanto, Paulo não encerra seu argumento no versículo 9. Em Efésios 2.10, ele apresenta o outro lado da verdade. Fomos criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus preparou de antemão. Aqui surge o equilíbrio bíblico. As obras não são a raiz da salvação, mas seu fruto inevitável. As chamadas “obras da graça” nascem de uma vida regenerada pelo Espírito. Elas não buscam justificar o cristão diante de Deus, mas manifestar, no cotidiano, a nova criação que ele já se tornou em Cristo. Como ensinam autores como Stanley Horton e Gordon Fee, o Espírito Santo não apenas salva, mas capacita o crente a viver de forma coerente com essa nova identidade. Se não somos salvos pelas obras, também não fomos salvos para a passividade espiritual. A graça que perdoa é a mesma que transforma, educa e envia. Cada escolha diária, cada atitude, cada serviço no Reino se torna uma resposta consciente ao que Deus já fez. O jovem cristão precisa se perguntar não apenas se crê corretamente, mas se sua vida reflete essa fé. Nossas obras não compram a salvação, mas revelam quem realmente foi alcançado por ela. A graça que nos salvou continua nos moldando, até que Cristo seja plenamente visto em nós.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

6. CHAMPLIN, R. N. Comentário Bíblico do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2013.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

3. A salvação pela graça e a necessidade das boas obras. A salvação pela graça não significa que as boas obras se tornem irrelevantes. Pelo contrário, Efésios 2.10 nos ensina que somos feitura de Deus, “criados em Cristo Jesus para boas obras”. Por isso, é importante destacar que o ensino da graça não enfraquece a prática das boas obras. Pelo contrário, a graça é o que nos capacita a realizar essas obras de forma verdadeira e eficaz. O apóstolo Tiago, em sua Carta, nos lembra de que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26). Ele não está contradizendo Paulo, mas complementando-o, enfatizando que a fé verdadeira se manifesta em ações concretas. Em outras palavras, as obras não nos salvam, mas a salvação que recebemos pela graça nos leva a viver de maneira transformada, cumprindo o propósito de Deus para nossas vidas. Assim, a graça de Deus nos chama não apenas para crer em Cristo, mas também para viver de forma prática, obedecendo aos seus mandamentos e servindo aos outros. As boas obras não são um fardo imposto pela Lei, mas o fruto espontâneo de uma vida redimida, capacitada pela graça para fazer o bem.

👉 A graça de Deus jamais conduz à passividade espiritual. Quando Paulo afirma que somos “feitura de Deus, criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2.10, NVI), ele revela que a salvação tem direção, propósito e fruto. A palavra grega poiēma traduzida por “feitura” comunica a ideia de obra-prima, algo cuidadosamente produzido pelas mãos do Criador. Não fomos apenas perdoados. Fomos refeitos em Cristo. A graça que nos alcança não nos deixa como éramos, mas inaugura uma nova existência orientada para a vontade de Deus. Esse ensino desmonta dois extremos perigosos. De um lado, o legalismo, que transforma as boas obras em meio de salvação. De outro, o antinomismo, que trata a graça como licença para uma fé sem compromisso. Paulo não enfraquece a ética cristã ao exaltar a graça. Pelo contrário, ele a fortalece. As boas obras não são descartadas, mas recolocadas em seu devido lugar. Elas não produzem salvação, mas fluem dela. Como destaca Stanley Horton, a graça salvadora também é graça capacitadora, pois o Espírito Santo opera no crente tanto o querer quanto o realizar conforme o propósito divino.

É nesse ponto que a carta de Tiago precisa ser lida com atenção e maturidade espiritual. Quando ele afirma que “a fé sem obras é morta” (Tg 2.26, NVI), não está em conflito com Paulo, mas dialogando com outra distorção. Tiago confronta uma fé meramente intelectual, verbal e estéril. Paulo combate a autoconfiança religiosa baseada em méritos humanos. Ambos concordam que a fé verdadeira é viva, dinâmica e visível. A fé que salva nunca permanece sozinha. Ela se manifesta em obediência, amor ao próximo e compromisso prático com o Reino de Deus. Do ponto de vista pentecostal clássico, essa vida de boas obras não é sustentada por esforço humano isolado, mas pela ação contínua do Espírito Santo. Gordon Fee e Frank Macchia lembram que o Espírito não apenas introduz o crente na nova vida, mas o capacita a vivê-la de modo coerente. As boas obras, portanto, não são um fardo imposto pela Lei, mas o resultado natural de uma vida governada pelo Espírito. Onde há graça operante, há transformação visível. Onde o Espírito habita, há fruto que glorifica a Deus. Crer em Cristo implica viver em Cristo. A graça nos chama não apenas à confissão correta, mas a uma prática coerente. Cada atitude, cada escolha e cada serviço se tornam respostas conscientes ao que Deus já fez em nós. As boas obras não são moeda de troca com Deus, mas testemunho vivo de que fomos alcançados por sua graça. Uma fé que não transforma o modo de viver precisa ser examinada. Afinal, fomos salvos pela graça, mas salvos para viver de forma que Deus seja visto em nós.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

5. MACCHIA, Frank D. Batizados no Espírito. São Paulo: Reflexão, 2019.

6. CHAMPLIN, R. N. Comentário Bíblico do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2013.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

8. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

III. AS IMPLICAÇÕES DA GRAÇA NA VIDA CRISTÃ

 

1. Graça para amar. A graça de Deus nos ensina a amar, não apenas aqueles que nos amam, mas também nossos inimigos. A verdadeira graça gera um amor incondicional, refletido em 1 João 4.19, onde aprendemos que “amamos porque ele nos amou primeiro”. A graça de Deus em nossas vidas nos capacita a amar como Cristo nos amou. Nesse sentido, essa graça que recebemos deve transbordar em nosso comportamento, levando-nos a um amor genuíno pelos outros. Como a graça de Deus tem moldado nossa capacidade de amar, mesmo diante de desafios? Somos chamados a amar com a mesma graça com que fomos amados.

👉 A graça de Deus não atua apenas no momento da conversão. Ela continua educando o coração do cristão e redefinindo sua maneira de se relacionar com as pessoas. Quando João afirma que “amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19, NVI), ele estabelece a origem do amor cristão. O amor não nasce do esforço humano nem da afinidade natural, mas da iniciativa graciosa de Deus. Antes de qualquer resposta nossa, houve um movimento divino em nossa direção. A graça precede o amor humano e o torna possível.

No Novo Testamento, o amor que flui da graça é descrito pelo termo grego agápē, um amor que não depende de merecimento, reciprocidade ou conveniência. Esse amor não é apenas sentimento, mas decisão orientada pela vontade de Deus. Ele se distingue do amor meramente emocional porque reflete o caráter do próprio Deus. Como destacam os comentários pentecostais, o agápē não surge espontaneamente da natureza humana caída, mas é fruto da obra do Espírito Santo no interior do crente. Amar dessa forma é sinal de que a graça está operando profundamente na vida cristã.

Esse ensino confronta diretamente nossa tendência natural de amar seletivamente. A graça nos chama a ir além do amor que responde ao afeto recebido. Jesus já havia ensinado que amar apenas quem nos ama não revela nada extraordinário. A graça, porém, nos conduz a um amor que alcança inclusive aqueles que nos ferem. Não se trata de ignorar a dor ou justificar o mal, mas de permitir que a graça transforme nossas reações. Stanley Horton observa que esse tipo de amor não anula a justiça, mas impede que o coração seja dominado pela amargura. Amar pela graça significa permitir que Deus trate nossas feridas mais profundas. Muitos jovens carregam histórias marcadas por rejeição, traição e frustração. A graça não apenas nos ordena a amar, mas nos cura para que possamos amar. À medida que compreendemos o quanto fomos alcançados quando não merecíamos, somos libertos da lógica da vingança e do fechamento emocional. A experiência da graça gera empatia, misericórdia e disposição para o perdão. Viver esse amor é um chamado diário. Não é algo automático nem fácil. É fruto de uma vida rendida à ação contínua do Espírito Santo. A graça que nos salvou é a mesma que nos capacita a amar como Cristo amou. Por isso, a pergunta pastoral permanece viva e necessária. De que maneira a graça de Deus tem moldado nossas atitudes, palavras e reações? Amar com a graça com que fomos amados é uma das evidências mais claras de que o Evangelho está, de fato, transformando nossa vida.

 

1. BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

3. ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2014.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

7. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

 

2. Graça para perdoar. Em Efésios 4.32, somos instruídos da seguinte maneira: “sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. A graça nos capacita a nos tornarmos bondosos, no lugar de malignos; a ter compaixão pelos que vivem no engano e, por isso, perdoar, assim como fomos perdoados (Cl 3.13,14). O perdão é uma resposta direta à graça recebida, pois, sem a graça de Deus, não seríamos capazes de perdoar de fato. Contudo, sabemos que perdoar não é fácil, mas a graça de Deus nos dá forças para libertar o outro e a nós mesmos da escravidão do ressentimento. Essa graça nos ensina a perdoar, não por mérito do ofensor, mas por causa do perdão que recebemos em Cristo.

👉 Perdoar é uma das evidências mais profundas de que a graça de Deus realmente nos alcançou. Em Efésios 4.32, Paulo não apresenta o perdão como um ideal distante, mas como uma consequência lógica da nova vida em Cristo: “Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo” (NVI). O verbo grego usado para “perdoar” é charízomai, da mesma raiz de cháris (graça). Isso revela algo essencial. O perdão cristão não nasce da força emocional, nem da justiça humana, mas da graça que foi concedida gratuitamente. Perdoar, biblicamente, é estender ao outro aquilo que recebemos de Deus sem merecer. Paulo escreve essas palavras a uma igreja formada por pessoas feridas por conflitos reais. O contexto de Efésios 4 mostra tensões comunitárias, palavras duras e atitudes que entristeciam o Espírito Santo. Nesse cenário, o apóstolo não manda apenas conter a ira, mas substituí-la por benignidade e compaixão. Os termos gregos chrēstós (bondoso) e eusplágchnos (compassivo) indicam uma mudança interior profunda, que atinge as disposições do coração. Como observam Arrington e Horton, essa transformação não é fruto de autocontrole moral, mas da obra contínua do Espírito Santo no crente, aplicando a graça salvadora à vida prática. O paralelo com Colossenses 3.13-14 reforça essa verdade. Paulo afirma que devemos suportar uns aos outros e perdoar “assim como o Senhor lhes perdoou”. Aqui, o padrão do perdão não é o arrependimento perfeito do ofensor, mas a ação graciosa de Cristo. O perdão cristão não nega a gravidade do pecado, mas reconhece que a cruz foi mais poderosa que a ofensa. Champlin destaca que o perdão bíblico não é esquecimento forçado, mas libertação consciente da dívida moral, entregando o juízo final a Deus. Isso preserva o coração do crente da corrosão espiritual causada pelo ressentimento.

Do ponto de vista pastoral, é fundamental compreender que a graça não minimiza a dor, mas oferece um caminho de cura. Muitos jovens convivem com mágoas profundas, traições familiares e feridas emocionais antigas. A graça não exige que a dor desapareça instantaneamente, mas concede forças para não permitir que ela governe a vida. Frank Macchia observa que o perdão é um ato espiritual que rompe cadeias invisíveis. Quem se recusa a perdoar permanece preso ao passado. Quem perdoa pela graça experimenta liberdade interior, ainda que o relacionamento precise ser restaurado com sabedoria e limites. Perdoar, portanto, é um ato de fé e obediência. Não se trata de mérito do ofensor, mas de fidelidade ao Evangelho. A graça que nos alcançou quando estávamos mortos em nossos pecados continua operando, ensinando-nos a viver como filhos da luz. Cada ato de perdão testemunha que a cruz não é apenas uma doutrina que confessamos, mas uma realidade que molda nossas relações. A pergunta que permanece diante de nós é inevitável e pastoral: temos permitido que a graça de Deus governe nossas reações, ou ainda estamos tentando resolver feridas espirituais com forças que a graça já veio substituir?

 

ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

MACCHIA, Frank D. Batizados no Espírito: Uma Teologia Global Pentecostal. São Paulo: Vida Nova, 2014.

CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

 

3. Graça para servir. A graça de Deus também nos capacita a servir aos outros. Em Tito 2.11,12, o apóstolo nos mostra que essa graça nos educa para renunciar “à impiedade e às concupiscências mundanas” para que “vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente”. Dessa forma, a graça de Deus nos faz enxergar o serviço ao próximo não como uma obrigação, mas como uma expressão de gratidão e amor. Então, servir aos outros é uma maneira de refletir a graça divina no mundo. Como podemos, em nossa vida diária, ser instrumentos de serviço e bênção para os outros, demonstrando a graça que recebemos? O cristão deve ser, assim como Cristo, um servo, e sua graça é demonstrada no serviço aos outros (Jo 13.1-15).

👉 A graça de Deus não apenas nos alcança para salvar, ela nos forma para servir. Em Tito 2.11-12, Paulo afirma que “a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos” e, em seguida, declara que essa mesma graça “nos ensina” a viver de modo diferente neste mundo (NVI). O verbo grego paideúō usado para “ensinar” carrega a ideia de educar, disciplinar e formar o caráter. A graça não é permissiva nem passiva. Ela é pedagógica. Ela nos treina para uma nova forma de vida, orientada não pelo ego, mas pelo propósito de Deus.

Esse ensino gracioso tem um alvo claro. Renunciar à impiedade e às paixões mundanas e aprender a viver de maneira sóbria, justa e piedosa no tempo presente. Aqui, Paulo conecta graça e ética cristã de modo inseparável. A sobriedade aponta para domínio próprio. A justiça para relacionamentos corretos com o próximo. A piedade para uma vida orientada para Deus. Como observa Stanley Horton, a graça não apenas nos liberta da culpa do pecado, mas também do poder do pecado, capacitando o crente a viver de modo coerente com sua nova identidade em Cristo. Servir nasce dessa transformação interior, não de imposições externas.

Nesse sentido, o serviço cristão não é um fardo religioso, mas uma resposta de gratidão. A graça muda a motivação do coração. Não servimos para sermos aceitos por Deus, servimos porque já fomos aceitos por Ele. Essa compreensão protege o cristão tanto do legalismo quanto da passividade espiritual. Berkof destaca que a verdadeira graça sempre gera frutos visíveis na vida prática. Onde a graça opera, o ego perde o centro e o amor ao próximo passa a orientar as ações. Servir, então, torna-se uma expressão concreta da fé viva.

O próprio Cristo é o modelo supremo desse serviço gracioso. Em João 13.1-15, Jesus lava os pés dos discípulos, assumindo a posição do servo mais humilde da casa. Ele não apenas realiza o gesto, mas o interpreta. “Eu lhes dei o exemplo” (NVI). O serviço cristão nasce da cruz e se expressa na humildade. Como observa Craig Keener, esse ato subverte as hierarquias humanas e redefine grandeza à luz do Reino. No Espírito, o crente é capacitado a servir não para ser visto, mas para refletir o caráter de Cristo no cotidiano. De que forma a graça tem moldado nossa maneira de servir? Em casa, na igreja, na sociedade. A graça que nos educa também nos envia. Ela nos chama a enxergar pessoas, necessidades e oportunidades com os olhos de Cristo. Servir é tornar visível, no mundo concreto, a graça invisível que nos transformou. Quando o cristão serve com humildade, amor e fidelidade, o Evangelho deixa de ser apenas anunciado e passa a ser vivido.

 

BERKOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2012.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

ARRINGTON, French L. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2013.

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2019.

 

SUBSÍDIO II

 

Professor(a), no decorrer deste tópico procure enfatizar que uma das implicações da graça na vida cristã é a graça para amar. “Amar o próximo não era um novo mandamento (ver Lv 19.18), mas amar os semelhantes, assim como Cristo os amou, era um mandamento revolucionário. Agora devemos amar aos outros baseando-nos no amor sacrificial de Jesus por nós. Tal amor não apenas levará os incrédulos a Cristo; também manterá os cristãos fortes e unidos em um mundo que é hostil a Deus. Jesus foi um exemplo vivo do amor de Deus, e nós devemos ser exemplos vivos do amor de Jesus!” (Adaptado de Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.1447).

 

CONCLUSÃO

 

A compreensão da graça de Deus não deve ser limitada a um evento isolado no passado, mas deve ser vivida e aplicada no cotidiano do cristão. A graça transforma nossa maneira de viver, de nos relacionarmos com Deus e com os outros. Ela nos capacita a perdoar, a amar e a servir, não por méritos próprios, mas como uma resposta ao imenso favor que recebemos de Deus. Portanto, a salvação pela graça é um chamado para uma vida nova, que reflete a misericórdia divina em todas as nossas ações.

👉 Compreender a graça de Deus é muito mais do que recordar um momento inicial da fé cristã. A graça não pertence apenas ao passado da conversão, mas acompanha, sustenta e molda toda a caminhada do discípulo de Cristo. Em Efésios 2, aprendemos que a mesma graça que nos tirou da morte espiritual continua operando em nós para formar um novo modo de viver. Ela redefine nossa relação com Deus, não mais baseada no medo ou na tentativa de merecimento, mas na confiança filial. Ao mesmo tempo, transforma nossa relação com o próximo, pois quem foi alcançado pela graça passa a enxergar as pessoas não a partir do julgamento, mas da misericórdia. Essa graça recebida não nos conduz à passividade espiritual, mas a uma vida intencionalmente transformada. Somos chamados a amar porque fomos amados, a perdoar porque fomos perdoados e a servir porque Cristo nos serviu primeiro. A fé que nasce da graça se expressa em atitudes concretas, visíveis e coerentes com o Evangelho. Não se trata de obras para conquistar a salvação, mas de uma nova vida que inevitavelmente produz frutos. A graça, portanto, não anula a responsabilidade cristã, antes a fundamenta e a orienta. Assim, a salvação pela graça revela-se como um chamado contínuo à novidade de vida. Ela nos convida a refletir o caráter de Deus em cada escolha, palavra e atitude. Viver pela graça é permitir que a misericórdia divina se torne visível no cotidiano, tornando o cristão um sinal vivo do Reino de Deus neste mundo. Onde a graça governa o coração, a vida passa a anunciar o Evangelho antes mesmo das palavras. Com base nesta lição, poedemos extrair três preciosas aplicações práticas para a vida do aluno:

1. Examinar diariamente se suas atitudes refletem a graça recebida, especialmente na forma como trata pessoas difíceis, lembrando que Deus o tratou com misericórdia quando ainda era pecador.

 

2. Praticar o perdão de maneira consciente e espiritual, não como sentimento momentâneo, mas como decisão baseada na obra de Cristo, permitindo que a graça liberte o coração do ressentimento.

 

3. Encarar o serviço cristão como expressão natural da fé, colocando dons, tempo e disposição a serviço de Deus e do próximo, não por obrigação, mas por gratidão à graça que transforma.

 

HORA DA REVISÃO

 

1. Como é caracterizada a vida sem Cristo?

A vida sem Cristo é caracterizada por uma separação de Deus, sujeita à ira divina.

2. Qual é a única razão pela qual passamos da morte para a vida?

A graça de Deus é a única razão pela qual passamos da morte para a vida.

3. O que são as obras da Lei?

As ‘obras da lei’ são aquelas ações que os judeus realizavam para tentar cumprir a Lei de Moisés, buscando justificar-se diante de Deus por meio de seus próprios esforços.

4. O que são as obras da Graça?

As “obras da graça” são aquelas que surgem como fruto da salvação que já recebemos por meio da graça. Essas obras são as evidências da transformação que a graça de Deus opera em nossas vidas.

5. Em relação ao amor, o que a Graça de Deus nos ensina?

A graça de Deus nos ensina a amar, não apenas aqueles que nos amam, mas também nossos inimigos.