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22 de fevereiro de 2026

ADULTOS: Lição 9: Espírito Santo — O Regenerador

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

1º Trimestre de 2026

Título: A Santíssima Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas

Comentarista: Douglas Baptista

 

Lição 9: Espírito Santo — O Regenerador

Data: 1º de março de 2026

 

TEXTO ÁUREO

Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.” (Jo 3.3).

ENTENDA O TEXTO ÁUREO:

👉 A declaração de Jesus começa com a solene fórmula “na verdade, na verdade” (amēn amēn), recurso típico do Evangelho de João para introduzir uma verdade absoluta, inegociável e revelatória. Cristo não está oferecendo uma opinião religiosa, mas estabelecendo um axioma do Reino. Diante de Nicodemos, homem religioso, moralmente respeitável e profundamente instruído na Lei, Jesus desmonta toda confiança em herança religiosa, mérito ou conhecimento teológico. O acesso ao Reino não começa no exterior da religião, mas no interior do coração regenerado. A expressão “nascer de novo” traduz o verbo gennēthē (ser gerado, nascer) associado ao advérbio anōthen, que possui duplo sentido: “novamente” e “do alto”. João intencionalmente preserva essa ambiguidade teológica. O novo nascimento é, ao mesmo tempo, uma experiência real e consciente na vida do ser humano e uma obra que procede exclusivamente de Deus. Não se trata de uma repetição biológica, mas de uma geração espiritual cuja origem é celestial. O Reino de Deus não é alcançado por evolução moral, mas por intervenção sobrenatural do Espírito. Jesus afirma ainda que, sem esse novo nascimento, ninguém “pode ver” o Reino. O verbo idein (ver) vai além de percepção visual. Envolve discernimento, compreensão espiritual e participação na realidade do Reino. Isso revela uma verdade crucial: o ser humano, em seu estado natural, está espiritualmente incapaz de perceber as coisas de Deus. Antes da regeneração, o Reino é invisível, incompreensível e inacessível. Somente o Espírito Santo pode abrir os olhos do coração para essa nova realidade. Na perspectiva pentecostal e arminiana, essa palavra de Jesus não elimina a responsabilidade humana. O novo nascimento é obra exclusiva do Espírito, mas ocorre no contexto do chamado divino que requer resposta. Nicodemos é confrontado com a necessidade de uma decisão pessoal. A graça de Deus se antecipa, chama, convence e ilumina, mas não violenta a vontade. O novo nascimento acontece quando o pecador, convencido pelo Espírito, responde em fé e arrependimento à revelação de Cristo. Por fim, João 3.3 estabelece a regeneração como o ponto inaugural de toda a vida cristã. Antes de dons, ministério, ética ou serviço, é necessário nascer do alto. Sem regeneração, não há Reino percebido, vivido ou anunciado. Com ela, inicia-se uma nova existência, marcada por nova identidade, nova direção e nova esperança. Jesus ensina que a porta do Reino não é uma tradição a ser herdada, mas uma vida a ser gerada pelo Espírito Santo.

 

VERDADE PRÁTICA

A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o pecador se torna uma nova criatura.

ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:

👉 A regeneração é a obra soberana e graciosa do Espírito Santo pela qual o pecador, espiritualmente morto, é vivificado por Deus, recebe uma nova natureza e passa a existir em Cristo como nova criatura. Não se trata de reforma moral, ajuste comportamental ou aprimoramento religioso, mas de uma transformação interior profunda, realizada do alto, que altera a condição espiritual, a identidade e a direção da vida. Nesse ato divino, o coração endurecido é renovado, a mente é iluminada para a fé, e o ser humano é capacitado a responder a Deus em arrependimento, obediência e comunhão viva, iniciando uma nova caminhada marcada pela presença, santificação e frutificação do Espírito.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 3.1-8.

Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

 

1 E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

👉 fariseus. A palavra "fariseu" provavelmente provém de uma palavra hebraica que significa "separar" e, por isso, possivelmente significa "os separados". Os fariseus não eram separatistas no sentido de isolacionismo, mas no sentido de puritanismo, ou seja, eles eram muito zelosos pela pureza ritual e religiosa, tanto segundo a lei de Moisés como segundo suas próprias tradições, que eles haviam acrescentado à legislação do AT. Embora a origem deles seja desconhecida, parece que surgiram como uma ramificação dos "hasidim" ou "piedosos", durante a era dos Macabcus. Geralmente provinham da classe média dos judeus e na maioria consistiam do laicato (homens de negócio), e não de sacerdotes ou levitas. Representavam o cerne da ortodoxia do judaísmo e influenciavam fortemente o povo comum de Israel. Segundo Josefo, no tempo de Herodes, o Grande, havia 6.000 fariseus. Jesus os condenou porque eles se concentravam de modo extremo nos aspectos externos da religião (regras e regulamentações) em vez de centrarem-se na transformação espiritual interior (vs. 3,7). Nicodemos. Embora Nicodemos fosse fariseu, seu nome, que significa "vencedor sobre o povo", era de origem grega. Era um fariseu proeminente e membro do Sinédrio ("um dos principais dos judeus"). Nada se sabe sobre o seu pano de fundo familiar. No final, ele passou a crer em Jesus (7.50-52), tendo arriscado a sua própria vida e reputação ao ajudar a dar um sepultamento decente ao corpo de Jesus (19.38-42). um dos principais dos judeus. Essa é uma referência ao Sinédrio (veja nota em Mt 26.59), o principal corpo governante dos judeus na Palestina. Era a "suprema corte" judaica ou conselho governante da época; surgiu provavelmente durante o período persa. No tempo do NT, o Sinédrio era composto pelo sumo sacerdote (presidente), pelos principais sacerdotes, pelos anciãos (chefes de famílias) e pelos escribas, num total de 71 membros. O método de nomeação era tanto hereditário quanto político. Executava jurisdição civil e criminal, segundo a lei judaica. Entretanto, os casos de pena de morte requeriam a sanção do procurador romano (18.30-32). Após 70 d.C. e depois da destruição de Jerusalém, o Sinédrio foi abolido e substituído pela Beth Din (corte de julgamento), que era composta de escribas, cujas decisões possuíam apenas autoridade moral e religiosa.

 

2 Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

👉 Este, de noite, foi ter com Jesus. Conquanto alguns pensem que a visita de Nicodemos a Jesus à noite representa, de algum modo, as trevas espirituais do coração (cf. 1.5; 9.4; 11.10; 13.30) ou que ele tenha decidido ir nessa hora porque disporia de mais tempo com Jesus e não precisaria apressar-se na conversação, talvez a explicação mais lógica encontra-se no fato de que, por ser um dos principais dos judeus, Nicodemos temia as implicações de associar-se abertamente numa conversa com Jesus. Fie escolheu a noite para manter na clandestinidade o encontro com Jesus, em vez de arriscar-se ao desfavor dos colegas fariseus, por quem Jesus não era benquisto em geral. O vento sopra onde quer. O que Jesus quis dizer é que, assim como vento não pode ser controlado ou compreendido pelos seres humanos, mas os seus efeitos podem ser testemunhados, assim também acontece com o Espírito Santo. Ele não pode ser controlado ou compreendido, mas a prova de sua obra é aparente. Onde o Espírito atua, ali há evidência inegável e certa.

 

3 Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

👉 nascer de novo. literalmente, a frase significa "nascer do alto". Jesus respondeu a uma pergunta que Nicodemos nem mesmo fez. Ele leu o coração de Nicodemos e foi ao âmago do problema dele, ou seja, a necessidade de transformação espiritual ou regeneração produzida pelo Espírito Santo. O novo nascimento é um ato de Deus pelo qual vida eterna é concedida ao crente (2Co 5.17; Tt 3.5; 1 Pe 1.3; 1Jo 2.29; 3.9; 4.7; 5.1,4,18). O texto de 1.12-13 indica que "nascer de novo" também carrega a ideia de "tornar-se filho de Deus" por meio da fé no nome do Verbo encarnado, não pode ver o reino de Deus. No contexto, essa é primariamente uma referência à participação do reino milenar no final dos tempos, fervorosamente aguardado pelos fariseus e outros judeus. Uma vez que os fariseus eram sobrenaturalisias, naturalmente aguardavam com ansiedade a profetizada ressurreição dos santos e a inauguração do reino messiânico (Is 11.1-16; Dn 12.2). O problema deles era que pensavam que a mera linhagem física e a observância das exterioridades religiosas os qualificavam para entrar no reino, e não a necessidade de transformação espiritual, a qual Jesus enfatizou (cf. 8.33-39; Gl 6.15). A vinda rio reino no final dos tempos pode ser descrita como a "regeneração" do mundo (Mt 19.28); porém, a regeneração da pessoa é requerida antes do fim do mundo para que ele possa entrar no reino.

 

4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

👉 Na qualidade de mestre, Nicodemos compreendia o método rabínico do uso de linguagem figurativa para ensinar verdades espirituais, e ele estava meramente retomando o simbolismo de Jesus.

 

5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

👉 nascer da água e do Espírito. Jesus não se refere aqui à água literal, mas à necessidade de "purificação" (p. ex., Ez 36.24-27). No AT, quando a água é usada de maneira figurada, isso geralmente se refere à renovação ou purificação espiritual, especialmente quando usada em conjunção com "espírito" (Nm 19.17-19; SI 51.9-10; Is .32.15; 44.3-5; Jr 2.13; Jl 2.28-29). Portanto, Jesus fez referência à lavagem espiritual ou purificação da alma realizada pelo Espírito Santo por meio da palavra de Deus no momento da salvação (cf. Ef 5.26; Tt 3.5), requerida para poder pertencer ao reino.3.8

 

6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

👉 Aqui Jesus estabelece uma distinção absoluta entre natureza humana e natureza espiritual. Carne, em João, refere-se à condição humana caída, incapaz de gerar vida espiritual. Nenhuma herança religiosa, esforço moral ou linhagem espiritual pode produzir regeneração. Somente o Espírito gera espírito. MacArthur enfatiza que este versículo destrói qualquer teologia sinergista da regeneração. A carne não coopera. Ela apenas recebe.

 

7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

👉 Jesus amplia a aplicação. Não é apenas Nicodemos. “Vos é necessário” inclui todo Israel, toda a humanidade. A palavra “necessário” (dei) indica obrigação divina, não opção religiosa. Segundo MacArthur, aqui Jesus desmonta o orgulho nacional judaico. Descendência de Abraão não garante entrada no Reino. Regeneração não é recomendação; é exigência.

 

8 O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

👉 O vento sopra onde quer. O que Jesus quis dizer é que, assim como vento não pode ser controlado ou compreendido pelos seres humanos, mas os seus efeitos podem ser testemunhados, assim também acontece com o Espírito Santo. Ele não pode ser controlado ou compreendido, mas a prova de sua obra é aparente. Onde o Espírito atua, ali há evidência inegável e certa.

 

SÍNTESE FINAL

👉 João 3.1–8 ensina que a regeneração é absolutamente necessária, totalmente sobrenatural e exclusivamente operada pelo Espírito Santo. Jesus confronta a falsa segurança religiosa e declara que o Reino só se abre para aqueles que recebem vida do alto. A passagem não exalta a capacidade humana, mas a graça soberana de Deus que gera filhos espirituais onde antes havia apenas morte. Este texto continua sendo um divisor de águas entre religião e novo nascimento, entre moralidade e vida, entre tradição e regeneração.

 

INTRODUÇÃO

 

O Novo Nascimento é uma obra indispensável à salvação. Jesus ensinou que para entrar no Reino é necessário nascer de novo. Não se trata de uma mera mudança exterior, mas de uma obra de transformação interior. Esta lição apresenta o Espírito Santo operando no plano trinitário da Salvação como o agente da Regeneração. Sua atuação revela o milagre divino que regenera a natureza humana decaída, concedendo nova vida em Cristo.

👉 O que, de fato, diferencia um religioso sincero de alguém verdadeiramente salvo? Jesus respondeu a essa pergunta de forma direta e desconcertante ao afirmar que ninguém pode ver o Reino de Deus sem nascer de novo (Jo 3.3, NVI). Essa declaração, feita a Nicodemos, um mestre respeitado em Israel, revela que conhecimento bíblico, tradição religiosa e moralidade elevada não são suficientes para produzir vida espiritual. O problema do ser humano não é apenas comportamental, mas ontológico. Ele está espiritualmente morto e precisa receber vida que venha do alto.

O novo nascimento não é uma metáfora para mudança de hábitos nem um processo de autoaperfeiçoamento moral. Trata-se de uma intervenção soberana e sobrenatural de Deus na interioridade do pecador. O verbo grego gennēthē indica ser gerado, e o advérbio anōthen aponta para a origem dessa vida. Não vem da carne, nem da vontade humana, mas de Deus. A regeneração é, portanto, um ato criativo do Espírito Santo, que comunica uma nova natureza àquele que crê, tornando-o participante da vida divina em Cristo.

Nesta lição, veremos que a regeneração é uma obra essencialmente trinitária. O Pai a planejou antes da fundação do mundo, movido por seu amor gracioso. O Filho a tornou possível por meio de sua morte e ressurreição redentoras. E o Espírito Santo a aplica de maneira eficaz no coração humano, convencendo do pecado, produzindo arrependimento e gerando fé salvadora. Sem essa ação do Espírito, não há conversão genuína nem entrada no Reino.

Também examinaremos a natureza espiritual dessa obra. Jesus deixa claro que o que nasce da carne permanece limitado à carne, mas o que nasce do Espírito recebe uma nova dimensão de existência. A regeneração não melhora a velha natureza, ela a substitui. O coração de pedra é removido, e um coração sensível à vontade de Deus é concedido. Essa nova vida interior se manifesta em uma nova disposição espiritual, em novos desejos e em uma nova relação com Deus.

Por fim, a lição mostrará que o novo nascimento produz evidências concretas. Justificação pela fé, santificação progressiva e o fruto do Espírito não são acréscimos opcionais, mas consequências inevitáveis da regeneração. Onde o Espírito gera vida, há transformação visível. Assim, ao longo deste estudo, seremos conduzidos a compreender não apenas o que é nascer de novo, mas como essa obra gloriosa redefine completamente quem somos, como vivemos e para onde caminhamos em Cristo.

 

Palavra-Chave: REGENERAÇÃO

(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume, direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)

ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:

👉 Na perspectiva pentecostal e arminiana, a regeneração é a obra sobrenatural e graciosa do Espírito Santo pela qual o pecador, respondendo em fé e arrependimento ao chamado divino, recebe nova vida em Cristo. Não se trata de reforma moral nem de mera adesão religiosa, mas de um ato espiritual profundo, no qual Deus comunica vida onde antes havia morte espiritual. Jesus descreve essa experiência como “nascer do alto” (Jo 3.3), indicando que sua origem é divina, embora seja experimentada conscientemente pelo ser humano que acolhe a graça. Biblicamente, a regeneração envolve a renovação interior operada pelo Espírito. Paulo a chama de “lavagem da regeneração” (palingenesía) em Tito 3.5, destacando um novo começo real, uma nova condição espiritual. O Espírito convence do pecado, desperta o arrependimento e capacita o pecador a crer. Nesse sentido, a regeneração não anula a responsabilidade humana, mas acontece em cooperação com a resposta livre à graça preveniente de Deus, conforme enfatiza a teologia arminiana. Essa nova vida recebida não permanece oculta. A regeneração produz uma nova natureza, novos desejos e uma nova direção de vida. O regenerado passa a amar o que antes desprezava, a rejeitar o pecado e a buscar a santidade. O fruto do Espírito torna-se a evidência visível dessa obra invisível, confirmando que houve, de fato, um novo nascimento. Assim, regeneração é o ponto de partida da vida cristã, a porta de entrada no Reino e a base sobre a qual se desenvolvem a justificação, a santificação e toda a caminhada com Deus, até a glorificação final.

 

I. REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA

 

1. A doutrina bíblica da Regeneração. A expressão “nascer de novo” (Jo 3.3) é tradução do verbo grego gennēthē — “ser gerado” ou “nascer”, e do advérbio anōthen — “do alto”, “de cima”, “de novo”. No diálogo com Nicodemos, Jesus explica que o “nascer de novo” não é físico, mas espiritual (Jo 3.5) — uma segunda origem, não humana —, um renascimento a partir do alto, isto é, de Deus. Por isso, certas versões bíblicas traduzem como “nascer do alto”. Nesse sentido, Paulo ensina que somos salvos “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5b). Aqui “regeneração” (gr. palingenesia) significa “novo nascimento” e está intimamente ligado à conversão. Trata-se da renovação interior realizada pelo Espírito, ocasião em que a pessoa se torna uma nova criatura (2Co 5.17).

👉 Jesus rompe com toda lógica religiosa ao afirmar que a entrada no Reino de Deus não começa com esforço humano, tradição ou mérito espiritual, mas com um novo nascimento. A expressão “nascer de novo”, em João 3.3, traduz o verbo grego gennēthē, que indica ser gerado, e o advérbio anōthen, cujo sentido principal é “do alto”. O próprio contexto esclarece que Jesus não fala de repetição biológica, mas de uma origem completamente nova, que procede de Deus. Trata-se de uma vida que não nasce da carne, nem da vontade humana, mas da ação soberana do céu sobre o coração do pecador.

Esse novo nascimento é essencialmente espiritual. Quando Jesus afirma que é necessário “nascer da água e do Espírito” (Jo 3.5), Ele retoma a promessa veterotestamentária de purificação e renovação interior, especialmente anunciada em Ezequiel 36.25–27. A água aponta para a limpeza do pecado; o Espírito, para a transformação da natureza. Não são duas experiências distintas, mas uma única obra regeneradora. A regeneração, portanto, não é reforma moral nem adesão religiosa, mas a criação de uma nova realidade espiritual dentro do ser humano.

Paulo aprofunda essa verdade ao declarar que Deus nos salvou “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5, NVI). O termo grego palingenesía descreve um recomeço radical, uma recriação interior. Não se trata apenas de perdão de pecados, mas de concessão de vida nova. O Espírito Santo não apenas remove a culpa, mas comunica uma nova disposição, novos afetos e uma nova direção espiritual. Aqui, regeneração e conversão se encontram, sem se confundirem. A regeneração é a obra graciosa de Deus; a conversão é a resposta consciente do ser humano a essa graça.

Essa obra é profundamente trinitária. O Pai a planejou desde a eternidade, o Filho a tornou possível por meio da encarnação, morte e ressurreição, e o Espírito Santo a aplica de forma eficaz no coração do pecador. A regeneração, portanto, não é uma experiência isolada da economia da salvação, mas o ponto inicial da vida cristã, onde a graça divina alcança o ser humano em sua condição de morte espiritual e o faz participante da vida de Deus.

O resultado dessa obra é descrito por Paulo de forma inequívoca: “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co 5.17, NVI). O novo nascimento inaugura uma nova identidade, uma nova relação com Deus e uma nova maneira de viver. Onde há regeneração, há transformação real, ainda que progressiva. Essa verdade confronta a fé meramente nominal e convida a Igreja a examinar não apenas sua confissão, mas a realidade da vida gerada pelo Espírito em seu interior.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

4. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2002.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

2. A Regeneração como exigência de Jesus. Cristo declarou que: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Equivale dizer que a regeneração é absolutamente necessária (Mt 18.3). Ela é a porta de entrada no Reino, a obra inicial da graça que principia a transformação do pecador (1Co 6.9-11). No milagre do novo nascimento, há fé e arrependimento (Mt 4.17). Tornar-se uma nova criatura é uma exigência absoluta, uma condição essencial para a salvação (Gl 6.15). Portanto, o plano divino para a Regeneração deve ser pregado com prioridade (Mc 16.15).

👉 Jesus não apresenta o novo nascimento como uma possibilidade entre outras, mas como uma necessidade absoluta. Sua declaração a Nicodemos é direta e inegociável: “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3, NVI). O verbo implícito na afirmação de Jesus aponta para a incapacidade humana de acessar a realidade do Reino por meios naturais, religiosos ou morais. Sem a regeneração, o Reino permanece invisível e inacessível. Cristo desmonta toda confiança em herança religiosa, posição social ou conhecimento teológico. A entrada no Reino não ocorre por acúmulo de virtudes, mas por uma obra divina que concede vida onde havia morte espiritual. Essa exigência ecoa o ensino de Jesus sobre a necessidade de uma transformação radical. Quando Ele afirma que é preciso “tornar-se como crianças” para entrar no Reino (Mt 18.3), aponta para a mesma realidade espiritual: uma mudança profunda de natureza e de relação com Deus. A regeneração não é uma condição no sentido meritório ou contratual, mas uma necessidade ontológica: sem vida espiritual, não há como participar do Reino. É o início da obra da graça que rompe com o passado e inaugura uma nova existência. Paulo confirma essa verdade ao declarar que “nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor algum; o que importa é ser nova criação” (Gl 6.15). O apóstolo não estabelece um requisito humano para a salvação, mas descreve o resultado inevitável da ação salvadora de Deus. Portanto, tornar-se nova criatura não é algo que o pecador produz para ser salvo, mas aquilo que Deus realiza no pecador quando o salva. A regeneração não antecede a graça nem a condiciona; ela é fruto da graça salvadora em operação. Como ensina Tito 3.5, Deus nos salvou “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo”. A nova criação não é a causa da salvação, mas sua expressão viva e concreta. Onde a graça alcança, a regeneração acontece; onde o Espírito age, uma nova vida emerge.

No milagre do novo nascimento, fé e arrependimento caminham juntos como respostas humanas à iniciativa divina. Jesus inicia seu ministério proclamando: “arrependam-se e creiam” (Mc 1.15). O arrependimento não produz a regeneração, mas acompanha a obra do Espírito como mudança sincera de mente e direção. A fé, por sua vez, não é mérito humano, mas o meio pelo qual o pecador acolhe a ação graciosa de Deus. Assim, a nova criatura não é um estado conquistado, mas uma realidade recebida, resultado da atuação vivificadora do Espírito Santo. Essa exigência de Jesus, portanto, não contradiz a graça; ao contrário, a exalta. Ao afirmar que é necessário nascer de novo, Cristo revela que somente Deus pode realizar aquilo que o Reino exige. A regeneração não é uma barreira imposta ao ser humano, mas a ponte que Deus mesmo constrói para conduzi-lo à vida. Onde não há novo nascimento, não há vida espiritual; mas onde o Espírito age, a vida irrompe com poder transformador. Essa verdade nos conduz não à insegurança, mas ao discernimento. A pergunta central não é apenas se conhecemos a linguagem cristã, mas se fomos alcançados pela obra regeneradora do Espírito. A regeneração produz novos afetos, nova sensibilidade espiritual e uma nova direção de vida. Onde Cristo exige o novo nascimento, Ele também concede, pela graça, tudo o que é necessário para que ele aconteça. Essa exigência não oprime; ela liberta, pois aponta para a única fonte verdadeira de vida: a obra soberana e graciosa de Deus no coração humano.

 

3. O Pai como o autor da salvação. A regeneração, ou novo nascimento, tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai (Ef 1.4,5). É Ele quem inicia a obra da redenção, movido por seu amor imensurável e por sua vontade de salvar os pecadores (Jo 3.16). Esse amor divino é a fonte primária da salvação — não condicionado aos méritos humanos, mas oferecido por graça divina, mediante a fé (Jo 1.13; Ef 2.8,9). Essa verdade gloriosa exalta o Pai como a fonte de toda boa dádiva e o autor da nova vida que recebemos (Tg 1.17,18).

👉 Antes que o ser humano percebesse sua própria perdição, Deus já havia revelado Seu propósito eterno de salvar. A regeneração não nasce de uma iniciativa humana tardia, mas do conselho soberano do Pai, estabelecido “antes da criação do mundo” (Ef 1.4, NVI). Paulo conduz a Igreja a olhar para trás, para a eternidade passada, e ali enxergar um Deus que planeja, escolhe e age movido por amor, não por reação ao pecado, mas por vontade graciosa. A salvação começa em Deus, não no homem.

O verbo “escolheu” em Efésios 1.4 traduz o grego eklegomai, que carrega a ideia de uma decisão deliberada, pessoal e graciosa. Não se trata de favoritismo arbitrário, mas de um ato soberano que visa um fim claro: “para sermos santos e irrepreensíveis”. A eleição, portanto, não é um fim em si mesma, mas o início de um processo redentor que culmina em transformação de vida. O Pai não apenas decide salvar; Ele decide transformar aqueles que salva.

Em Efésios 1.5, Paulo aprofunda essa verdade ao afirmar que Deus “nos predestinou para adoção como filhos”. O termo huiothesía descreve mais do que um status legal; aponta para uma nova relação, marcada por pertencimento, intimidade e herança. A regeneração está diretamente ligada a essa adoção. Não somos apenas perdoados, somos inseridos na família de Deus. O novo nascimento não nos torna apenas vivos espiritualmente, mas filhos que agora participam da vida do Pai.

Essa obra tem uma motivação clara: o amor. João 3.16 revela que a iniciativa salvífica brota do amor divino, não da atratividade humana. O Pai ama antes que o pecador responda, chama antes que haja arrependimento e oferece vida antes que haja fé consciente. Como afirmam as Escrituras, “os filhos não nascem da vontade humana, nem da decisão de um marido, mas nascem de Deus” (Jo 1.13, NVI). A regeneração, portanto, não é produzida pela fé; ela é o solo onde a fé pode florescer.

Essa verdade preserva a graça em sua pureza. Efésios 2.8,9 deixa claro que a salvação é dom, não recompensa. A fé não é moeda de troca, mas o meio pelo qual recebemos aquilo que Deus já decidiu conceder. A regeneração não é uma condição imposta ao pecador para que Deus o aceite; é a operação graciosa do Pai que torna possível qualquer resposta humana ao evangelho. O Pai age primeiro, para que o homem possa responder.

Tiago reforça essa perspectiva ao declarar que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tg 1.17). Em seguida, afirma que foi Deus quem “nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1.18). A linguagem é clara e intencional: a nova vida é um ato gerador de Deus. Regenerar é gerar vida onde antes havia morte. É o Pai exercendo sua paternidade eterna na história humana.

Essa doutrina nos conduz à humildade e à segurança. Humildade, porque ninguém nasce de novo por mérito ou esforço espiritual. Segurança, porque a obra que começa no coração do Pai não é frágil nem instável. A regeneração nos lembra que a salvação não depende da força da nossa decisão, mas da fidelidade daquele que nos escolheu em amor. Viver essa verdade é descansar na graça, responder com fé obediente e caminhar como filhos que sabem de onde vieram e para quem pertencem.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

4. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

4. O Espírito como agente da Regeneração. A regeneração é um ato da misericórdia divina (Tt 3.5). É o Pai que a decreta (Ef 1.4), o Filho que a torna possível por sua morte e ressurreição (Ef 1.7), e o Espírito que a realiza no coração do pecador (Jo 16.8). Jesus explicou essa ação do Espírito ao dizer: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Isso indica que onde o Espírito opera, ocorre transformação espiritual. Essa mudança se torna visível por meio do Fruto do Espírito na vida do regenerado (Gl 5.22).

👉 A regeneração é, antes de tudo, um ato de misericórdia soberana. Paulo afirma que Deus “nos salvou, não por causa de atos de justiça praticados por nós, mas devido à sua misericórdia, por meio do lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5, NVI). A nova vida cristã não começa com esforço humano, mas com uma intervenção graciosa do Espírito. Onde Ele age, a morte espiritual é vencida e a vida de Deus é implantada no interior do pecador. Essa obra revela a harmonia perfeita da Trindade na salvação. O Pai a decreta em seu eterno propósito redentor (Ef 1.4). O Filho a torna historicamente possível por meio de sua morte substitutiva e ressurreição vitoriosa (Ef 1.7). O Espírito Santo, por sua vez, é quem aplica eficazmente essa obra no coração humano. Ele não apenas informa sobre o evangelho, mas convence, desperta e transforma (Jo 16.8). A regeneração, portanto, não é mera mudança de comportamento, mas uma recriação espiritual. Jesus esclarece essa verdade ao afirmar: “O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6, NVI). Aqui, o Senhor estabelece uma distinção absoluta entre natureza humana e vida espiritual. Carne, no contexto joanino, aponta para a condição caída, incapaz de produzir vida divina. Espírito indica a nova origem, a nova fonte de vida. A regeneração não melhora a carne; ela concede uma nova natureza, gerada pelo Espírito.

O verbo “nascer” usado por Jesus remete à ideia de origem, não de esforço. O novo nascimento não é resultado de disciplina moral ou decisão religiosa isolada, mas da ação soberana do Espírito que gera vida onde antes havia morte. Como ensinam os comentaristas pentecostais, trata-se de uma obra interior, invisível aos olhos, mas profundamente real e eficaz. O Espírito cria novas disposições, novos afetos e um novo direcionamento para a vida. Essa transformação interior inevitavelmente se manifesta exteriormente. Paulo ensina que o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22, NVI). O termo “fruto”, no singular, traduz o grego karpós, indicando uma obra orgânica e unificada. Não são virtudes isoladas produzidas pelo esforço humano, mas evidências naturais da vida do Espírito no regenerado.

É importante notar que Paulo contrasta o fruto do Espírito com as obras da carne. Obras são produzidas pelo homem. Fruto é gerado pela vida que habita nele. A regeneração não nos torna instantaneamente perfeitos, mas inaugura um processo contínuo de transformação. Onde o Espírito gerou vida, Ele também produz caráter. A ausência desse fruto levanta sérias questões sobre a autenticidade da experiência regeneradora. Essa doutrina nos chama à reflexão e à responsabilidade espiritual. Se fomos regenerados pelo Espírito, somos chamados a andar no Espírito. A nova vida não é apenas um ponto de partida, mas um chamado diário à submissão, sensibilidade e obediência. Viver a regeneração é permitir que o Espírito governe pensamentos, atitudes e relações, até que o caráter de Cristo seja plenamente formado em nós.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

3. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

4. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

SINOPSE I

A Regeneração é uma obra trinitária: decretada pelo Pai, realizada pelo Filho e aplicada pelo Espírito Santo.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“A REGENERAÇÃO

Quando correspondemos ao chamado divino e ao convite do Espírito e da Palavra, Deus realiza atos soberanos que nos introduzem na família do seu Reino: regenera os que estão mortos nos seus delitos e pecados; justifica os que estão condenados diante de um Deus santo; e adota os filhos do inimigo. Embora estes atos ocorram simultaneamente na vida que crê, é possível examiná-los separadamente. A regeneração é a ação decisiva e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza interior. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por ‘regeneração’ aparece apenas duas vezes no Novo Testamento. Mateus 19.28 emprega-o com referência a novos tempos do fim. Somente em Tito 3.5 se refere à regeneração do indivíduo. [...] O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo (2Co 5.17) e da renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de ‘nascer’ (gr. gennáō, ‘gerar’ ou ‘dar à luz’). Jesus disse: ‘Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’ (Jo 3.3). Pedro declara que Deus, em sua grande misericórdia, ‘nos gerou de novo para uma viva esperança’ (1Pe 1.3). É uma obra que somente Deus realiza. ‘Nascer de novo’ diz respeito a uma transformação radical. Mas ainda se faz mister um processo de amadurecimento.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.371,372).

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

O NASCIMENTO ESPIRITUAL

 “Em João 3.1-8, Jesus discute uma das doutrinas fundamentais (isto é, ensinamentos, princípios básicos, as bases da crença) da fé cristã: Regeneração (Tt 3.5), ou nascimento espiritual. Sem ‘nascer de novo’ no contexto espiritual, uma pessoa não pode se tornar parte do Reino de Deus. Isso significa que a vida de uma pessoa deve ser espiritualmente renovada para que ela possa ser salva e receber o dom divino que é a vida eterna através da fé em Jesus.” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global, editada pela CPAD.

 

II. A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

 

1. Uma transformação interior. Nicodemos revelou incompreensão espiritual ao questionar Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo 3.4). A pergunta reflete sua visão limitada ao plano natural (1Co 2.14). O principal entre os judeus interpretou o “nascer de novo” como se fosse algo físico (da carne). Esse fato evidencia que a mente religiosa, espiritualmente morta, e presa à lógica humana, é incapaz de compreender que a justiça de Deus não advém das obras (Rm 10.3). Ele estava apegado à ideia de mérito para entrar no Reino de Deus, mas Jesus exigiu algo totalmente novo: uma transformação interior operada pelo Espírito, não um mero aperfeiçoamento de conduta ou aprimoramento moral, mas um Novo Nascimento, operado de dentro para fora, como obra do Espírito Santo (Jo 3.5).

👉 A pergunta de Nicodemos revela mais do que curiosidade. Ela expõe uma limitação espiritual profunda. Ao questionar: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo 3.4, NVI), Nicodemos demonstra que sua compreensão está restrita ao plano natural. Embora fosse mestre em Israel, sua leitura da realidade espiritual ainda estava aprisionada à lógica da carne. Paulo descreve essa condição ao afirmar que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1Co 2.14, NVI). O problema de Nicodemos não era falta de religião, mas falta de vida espiritual.

Essa incompreensão nasce de uma teologia baseada no mérito. Como fariseu, Nicodemos estava habituado à ideia de que a justiça diante de Deus era alcançada por meio da observância da Lei. Contudo, essa confiança nas obras obscurecia a verdade mais profunda do evangelho. Paulo afirma que Israel, ao buscar estabelecer sua própria justiça, não se submeteu à justiça que vem de Deus (Rm 10.3, NVI). A religião, quando desconectada da ação vivificadora do Espírito, torna-se incapaz de conduzir ao Reino. Jesus, então, corrige radicalmente essa perspectiva. Ele não propõe um ajuste moral nem um aperfeiçoamento da antiga vida. Ele declara a necessidade de algo inteiramente novo. Em João 3.5, o Senhor afirma: “Ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito” (NVI). O verbo grego gennēthē indica um nascimento produzido por outro, não um ato autônomo. Trata-se de uma obra que vem de fora do homem, mas que acontece no mais profundo do seu ser.

A expressão “água e Espírito” tem sido amplamente discutida, mas o contexto favorece uma leitura espiritual e não ritual. A água aponta para a purificação interior prometida pelos profetas, especialmente em Ezequiel 36.25–27, onde Deus promete aspergir água pura, dar um novo coração e colocar o seu Espírito dentro do povo. Jesus, portanto, não fala de dois nascimentos distintos, mas de uma única obra regeneradora, na qual o Espírito purifica e vivifica. A regeneração é, ao mesmo tempo, limpeza do pecado e geração de nova vida. Essa obra não melhora a velha natureza. Ela cria uma nova. O novo nascimento é uma intervenção soberana do Espírito Santo que transforma o interior do pecador e redefine sua relação com Deus. A mudança verdadeira não começa no comportamento, mas no coração. Onde o Espírito opera, a justiça deixa de ser buscada por esforço humano e passa a ser vivida como fruto da graça. A regeneração é o ponto de partida da vida cristã autêntica. Essa verdade confronta tanto o legalismo quanto o formalismo religioso. Não basta conhecer a Escritura, frequentar a igreja ou manter uma moral respeitável. É necessário nascer do Espírito. A vida cristã não se sustenta em aparência, mas em transformação interior. A pergunta que permanece não é se somos religiosos, mas se fomos regenerados. Onde o Espírito gera vida, Ele também inaugura um novo modo de viver, para a glória de Deus.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

4. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

2. Uma obra soberana do Espírito. Jesus ensina a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Isso significa uma transformação espiritual completa: ser purificado dos pecados e receber renovação interior pelo poder do Espírito (Ef 3.16; 5.26). Essa mudança não pode ser produzida pela carne, mas somente pelo Espírito. Cristo assegura que “o vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Assim como o vento é livre, o Espírito opera de modo soberano na salvação, sem ser controlado por nenhum esquema humano (1Co 2.11,12). É somente por essa ação divina que o pecador nasce espiritualmente e passa a ter uma nova vida (2Co 5.17). Assim, um cristão regenerado é aquele que teve o coração transformado e passou a viver segundo essa nova natureza espiritual (Ez 36.26,27).

👉 Jesus conduz Nicodemos ao coração do evangelho ao afirmar que a entrada no Reino de Deus exige nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5, NVI). Essa declaração não descreve um rito externo nem um processo humano, mas uma intervenção divina profunda. Trata-se de uma obra espiritual que alcança o interior do ser, onde o pecado domina e a vida precisa ser recriada. O novo nascimento não começa na conduta visível, mas na raiz da existência, onde somente o Espírito pode operar. A referência à “água” aponta para a purificação espiritual prometida nas Escrituras. Em Efésios 5.26, Paulo afirma que Cristo santifica a Igreja “pela lavagem da água mediante a palavra” (NVI). O termo grego loutrō carrega a ideia de limpeza completa, não superficial. Essa purificação não é moralismo religioso, mas libertação real da culpa e do domínio do pecado, operada pela Palavra aplicada pelo Espírito ao coração humano. Ao mesmo tempo, essa obra é fortalecedora e vivificadora. Paulo ora para que os crentes sejam “fortalecidos com poder, mediante o Espírito, no homem interior” (Ef 3.16, NVI). O verbo grego krataiōthēnai indica capacitação interior contínua. A regeneração não apenas limpa o passado, mas implanta uma nova fonte de vida, pela qual o Espírito passa a sustentar, renovar e conduzir o crente em sua caminhada com Deus.

Jesus deixa claro que essa transformação não pode ser produzida pela carne. “O que nasce da carne é carne” (Jo 3.6, NVI). Nenhum esforço humano, disciplina religiosa ou herança espiritual é capaz de gerar vida espiritual. A carne pode reformar hábitos, mas não pode criar um novo coração. Por isso, a regeneração não é uma cooperação entre Deus e o homem, mas uma obra soberana do Espírito que precede e fundamenta a nova vida. Essa soberania é ilustrada por Jesus com a imagem do vento. “O vento sopra onde quer” (Jo 3.8, NVI). O termo grego pneuma significa tanto vento quanto espírito, revelando a liberdade e a autoridade do agir divino. O Espírito não é manipulado por métodos, fórmulas ou sistemas religiosos. Ele age conforme a vontade de Deus, revelando que a salvação não está sob controle humano, mas sob a graça soberana do Senhor (1Co 2.11–12). Quando o Espírito opera, o resultado é inconfundível. O pecador nasce espiritualmente e passa a viver uma nova realidade. “Se alguém está em Cristo, é nova criação” (2Co 5.17, NVI). Essa novidade não é apenas jurídica, mas existencial. Deus remove o coração de pedra e concede um coração de carne, sensível à sua voz (Ez 36.26–27). A regeneração inaugura uma nova natureza, marcada pelo desejo de agradar a Deus. Essa verdade nos chama à humildade e à dependência. Não somos salvos porque conseguimos mudar, mas mudamos porque fomos alcançados pelo Espírito. A vida cristã autêntica flui dessa obra inicial da graça. Onde o Espírito gera vida, Ele também sustenta, orienta e transforma. Viver como regenerado é caminhar diariamente sob a direção do Espírito, permitindo que a nova vida se manifeste em obediência, santidade e amor.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

4. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

6. ARRINGTON, French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

 

3. Uma nova vida e nova conduta. Cristo deixou bem claro que “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Essa distinção mostra que nada da carne pode produzir vida espiritual. A carne gera concupiscência e aprisiona (Gl 5.19-21); somente o Espírito gera nova vida com fruto espiritual (Gl 5.22). O que é nascido da carne permanece dominado pela natureza pecaminosa (Rm 8.5). Mas, ao nascer do Espírito, o crente passa a viver sob uma nova condição espiritual: tornando-se um novo homem, com uma nova mentalidade: “e vos renoveis no espírito do vosso sentido” (Ef 4.23). Essa nova vida se evidencia na prática da justiça, no amor fraternal, no desejo pela Palavra e na obediência a Cristo — marcas da regeneração genuína (Rm 6.4; 1Jo 3.9).

👉 Cristo esclarece a Nicodemos que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6, NVI). Essa distinção não é apenas filosófica; revela que a vida espiritual não pode surgir de recursos humanos, moralismo ou disciplina própria. A carne gera concupiscência, rebeldia e escravidão ao pecado (Gl 5.19-21), enquanto o Espírito produz uma vida nova, com frutos espirituais evidentes (Gl 5.22). O novo nascimento não transforma apenas hábitos, mas recria o ser interior, permitindo que o crente viva de acordo com a natureza de Deus. A experiência da regeneração é, portanto, a entrada em uma realidade espiritual radicalmente diferente. Romanos 8.5 nos mostra que o homem natural está centrado nas coisas da carne, enquanto aquele guiado pelo Espírito busca os propósitos de Deus. Nascer do Espírito implica não apenas ser perdoado, mas ser capacitado a viver como nova criatura, com mente e coração renovados: “e vos renoveis no espírito do vosso entendimento” (Ef 4.23, NVI; grego: ananeōthēte en tō pneumati tou noos humōn). Aqui, Paulo enfatiza a ação contínua do Espírito no processo de santificação interior, moldando pensamentos, desejos e decisões segundo a vontade divina. Essa transformação se manifesta externamente na conduta e no caráter. O crente regenerado apresenta sinais claros: prática da justiça, amor genuíno pelos irmãos, sede da Palavra e obediência a Cristo. Romanos 6.4 descreve que, assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, o crente também “andará em novidade de vida”, um viver pautado na realidade da nova natureza, não mais subjugado ao domínio do pecado. Essa não é uma obra opcional ou parcial, mas a expressão visível da regeneração operada pelo Espírito. Além disso, 1 João 3.9 reforça que “quem é nascido de Deus não vive pecando; o pecado não tem domínio sobre ele” (NVI). O texto grego usa ouk enkrataitai, indicando que o pecado perde seu poder de controlar o regenerado. Não se trata de perfeição absoluta, mas de uma mudança essencial na inclinação e direção do coração. O novo nascimento estabelece uma liberdade interior que antes era inimaginável, criando um novo horizonte para o viver diário, guiado pelo Espírito. Portanto, a regeneração une intimamente nova vida e nova conduta. Não é uma “condição” humana a ser cumprida, mas um dom gracioso do Espírito que transforma radicalmente o ser interior. A mudança interior produz frutos exteriores: caráter renovado, decisões santas, amor fraternal e comunhão com Deus. Viver como regenerado é caminhar segundo essa nova natureza, reconhecendo que a obra do Espírito é soberana, eficaz e contínua, moldando a vida do crente em conformidade com Cristo.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

 

SINOPSE II

A Regeneração é uma transformação interior operada pelo Espírito, purificando e renovando o pecador para viver em novidade de vida.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“PURIFICANDO O CRENTE. A obra do Espírito não cessa quando a pessoa reconhece sua culpa diante de Deus, mas vai crescendo a cada etapa subsequente. A segunda etapa na santificação pelo Espírito Santo na vida do indivíduo é a conversão. Esta é uma experiência instantânea. Inclui a santificação pelo Espírito, ou, em linguagem biblicamente mais correta, o processo da santificação pelo Espírito inclui a conversão. Podemos facilmente demonstrar esse fato pelas Escrituras. Considere as palavras de Paulo: ‘Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade’ (2Ts 2.13). Note que a palavra ‘salvação’ é qualificada por duas frases preposicionais, que descrevem como foram salvos os crentes de Tessalônica. A segunda frase: ‘fé na verdade’ descreve o papel do crente na salvação: ter fé no evangelho de Jesus Cristo (v.14). A primeira frase: ‘em santificação do Espírito’, é mais importante para o presente estudo. Descreve o papel do Espírito na salvação: santificar o crente.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.423,424).

 

III. SINAIS DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO

 

1. A Justificação pela Fé. Pela fé em Cristo, o pecador é justificado, recebendo uma nova posição diante de Deus, não por mérito pessoal, mas pela obra redentora do Calvário (Rm 3.24,28). O crente não é apenas perdoado, mas é declarado justo diante de Deus, isto é, absolvido da culpa, da punição e da condenação do pecado (Rm 4.7,8). Essa dádiva é recebida somente por meio da fé, como resposta à graça de Deus revelada em Cristo (Rm 3.22). A justificação, portanto, não acontece à parte da fé, mas após a pessoa crer em Cristo como Salvador (Gl 2.16). Esse é o resultado da ação do Espírito Santo que leva o pecador à fé e, consequentemente, à justificação (Jo 16.8). Os efeitos da justificação pela fé incluem a paz com Deus (Rm 5.1) e a adoção como filhos amados do Pai (Jo 1.12).

👉 A justificação é o primeiro grande sinal da regeneração. Pela fé em Cristo, o pecador não apenas é perdoado, mas é declarado justo diante de Deus (Rm 3.24,28). Esta justiça não se baseia em méritos humanos, esforço ou comportamento moral, mas unicamente na obra consumada de Cristo na cruz. Romanos 4.7-8 esclarece que o crente é absolvido da culpa, da punição e da condenação que o pecado traz, recebendo uma posição nova e irrevogável diante do Pai. Em outras palavras, a justificação é um ato judicial divino: Deus declara o pecador justo por causa de Cristo, não por causa do pecador.

A fé, portanto, não é um complemento ou requisito que acrescenta algo à obra de Cristo, mas é o meio pelo qual essa dádiva é recebida (Rm 3.22; Gl 2.16). O termo grego pistis usado em Romanos refere-se a uma confiança ativa, uma rendição total ao Senhor, fruto da ação do Espírito Santo que convence, regenera e conduz à resposta de fé (Jo 16.8). Sem essa obra do Espírito, o coração permanece insensível à justiça de Deus. A justificação é, portanto, inseparável da regeneração: onde o Espírito transforma, a fé brota, e onde há fé, a justificação se manifesta.

Os efeitos práticos da justificação são imediatos e profundos. Romanos 5.1 afirma que o crente passa a ter paz com Deus, não mais vivendo sob o peso da culpa, mas na liberdade de um filho adotivo. João 1.12 complementa: ao receber a Cristo, o crente torna-se filho amado de Deus, entrando em uma relação íntima, pessoal e contínua com o Pai. Essa filiação não é apenas legal, mas vital e relacional, refletindo a transformação interna operada pelo Espírito.

Portanto, a justificação é mais que um ato jurídico: é o sinal tangível da regeneração. Mostra que Deus cumpre Sua promessa, declarando o pecador como aceitável e amado. A nova posição diante de Deus produz mudanças no viver diário, gerando obediência, gratidão e comunhão, que evidenciam a realidade do novo nascimento em Cristo. Não se trata de esforço humano ou méritos, mas da graça soberana que transforma, capacita e sustenta o crente em toda a sua caminhada espiritual.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

4. QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

2. A vida de Santificação. Na obra da Redenção, o pecador é imediata e simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). A partir daí, inicia-se o processo contínuo de santificação, ou seja, uma vida separada do pecado e consagrada à obediência, até a sua glorificação final no dia de Cristo (2Co 3.18). O crente passa a viver segundo o Espírito e não mais como escravo da carne (1Ts 4.3,4). Conforme abordado na lição anterior, a santificação apresenta aspectos posicionais e progressivos, à medida que o crente avança em maturidade espiritual e se torna mais semelhante a Cristo (1Pe 1.15,16). Essa nova vida recebida na regeneração se manifesta pela renúncia ao pecado e pela prática contínua da justiça e santidade (Rm 6.11; Ef 4.24).

👉 A regeneração e a justificação marcam o início de uma nova existência, mas não a completam. Na obra redentora de Cristo, o pecador é simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). Esse ato divino inaugura uma vida transformada, na qual a alma já não está mais sob a escravidão do pecado. Contudo, a santificação é um processo contínuo, um crescimento diário em separação do pecado e dedicação à obediência a Deus, que culminará na glorificação final no dia de Cristo (2Co 3.18).

A santificação não é apenas um conceito moral, mas espiritual. Trata-se de viver segundo o Espírito, não segundo a carne (1Ts 4.3-4). O termo grego hagiosyne (santidade) implica separação, pureza e consagração. Ou seja, o crente, regenerado pelo Espírito, é chamado a refletir a santidade de Deus em pensamentos, palavras e ações, tornando-se um sinal vivo da obra redentora de Cristo. Essa transformação é progressiva e prática, mostrando que a fé se traduz em obediência concreta.

A santificação apresenta dois aspectos interdependentes: o posicional, que decorre da obra consumada de Cristo e da justificação inicial (1Pe 1.15-16), e o progressivo, que ocorre à medida que o crente cresce em maturidade espiritual, aprende a resistir ao pecado e se conforma cada vez mais à imagem de Cristo. A Bíblia ensina que essa vida nova não é meramente teórica ou sentimental, mas visível na renúncia diária ao pecado e na prática contínua da justiça (Rm 6.11; Ef 4.24).

Viver santificado significa experimentar uma mudança interior que afeta o exterior: pensamentos, escolhas, relacionamentos e prioridades passam a refletir a mente de Cristo (Rm 12.2). Essa é uma evidência concreta do novo nascimento: onde há regeneração, há também desejo de obedecer, amar e honrar a Deus. O Espírito Santo atua constantemente, convencendo, guiando e fortalecendo o crente na prática da santidade, tornando possível a verdadeira transformação de dentro para fora.

Portanto, a santificação é tanto um chamado quanto uma promessa. Ela demonstra que a obra de Deus na vida do crente não é estática, mas dinâmica e contínua. A nova vida recebida na regeneração não apenas nos posiciona diante de Deus como justos, mas nos capacita a viver de modo consistente com essa justiça. O progresso na santidade é, assim, um sinal claro de que o Espírito está operando, produzindo frutos que glorificam a Deus e confirmam a autenticidade do novo nascimento.

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

4. QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

3. O Fruto do Espírito. Um importante efeito visível da regeneração é o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23). Não se trata de dons espirituais, mas de virtudes que o Espírito Santo produz no caráter do regenerado como expressão de sua nova vida (Ef 2.10). Antes, era dominado pelas paixões carnais, mas agora manifesta a presença do Espírito em suas atitudes diárias (Rm 8.5). Portanto, o Fruto do Espírito é a evidência prática da Regeneração (Mt 7.16). Quem nasceu de novo passa a refletir, ainda que imperfeitamente, o caráter de Cristo em suas palavras, ações e reações (Lc 6.40). Tal postura não pode ser esporádica, mas uma marca contínua da nova vida recebida em Cristo (Mt 5.16).

👉 A regeneração não se limita a uma mudança interna; ela se manifesta externamente na vida do crente pelo fruto do Espírito. Paulo descreve essas virtudes em Gálatas 5.22-23: amor, alegria, paz, paciência (longanimidade), bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (temperança). É importante notar que este fruto não se refere aos dons espirituais, mas à transformação do caráter do regenerado, fruto da ação contínua do Espírito Santo (Ef 2.10). O crente que antes estava preso às paixões e desejos da carne passa a experimentar a presença viva do Espírito em sua mente, coração e ações (Rm 8.5). O grego para “Fruto” (karpos) enfatiza o resultado natural e inevitável de uma vida enraizada em Cristo: assim como uma árvore saudável produz frutos segundo sua natureza, o regenerado expressa, de forma crescente, o caráter de Deus. Este fruto não é ocasional ou esporádico; ele é a evidência prática da regeneração e do novo nascimento (Mt 7.16). Cada ato de amor, cada expressão de paciência e cada decisão guiada pelo Espírito são sinais concretos de que a vida do crente está sendo transformada de dentro para fora. O fruto do Espírito confirma que a salvação não é apenas positional, mas também relacional e prática, tocando todas as áreas da existência humana. Mesmo que imperfeito, o crente regenerado reflete o caráter de Cristo em suas atitudes diárias, espelhando Sua mente e conduta (Lc 6.40). O desenvolvimento desse fruto é progressivo e contínuo: quanto mais o crente permanece em comunhão com Cristo, mais o Espírito molda sua vida para glorificar Deus (Jo 15.5). Portanto, observar o fruto do Espírito na vida de alguém é testemunhar a ação transformadora do Novo Nascimento. É uma vida que gradualmente abandona o egoísmo, o pecado e a instabilidade da carne, e passa a viver de maneira coerente com a natureza de Cristo. Essa manifestação não apenas valida a regeneração, mas também serve como luz para o mundo, confirmando que o poder de Deus está operando na vida daqueles que nasceram de novo (Mt 5.16).

 

1. BÍBLIA. Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

2. BÍBLIA. Bíblia de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

3. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

4. QUEIROZ, Silas. Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.

5. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

SINOPSE III

Os sinais do novo nascimento incluem a justificação pela fé, a vida de santificação e a manifestação contínua do Fruto do Espírito.

 

CONCLUSÃO

 

A regeneração é uma obra trinitária operada pelo Espírito Santo. Não é um esforço humano, mas uma transformação espiritual profunda. Como regenerador, o Espírito concede nova vida, uma nova natureza e uma nova direção ao ser humano. É necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino. Que cada crente se deixe conduzir pelo Espírito e reflita, dia a dia, a natureza divina recebida no Novo Nascimento.

👉 A regeneração é uma obra soberana e trinitária, operada pelo Espírito Santo, que transforma o ser humano de dentro para fora. Não se trata de esforço humano nem de reforma moral superficial, mas de uma mudança espiritual radical: o pecador recebe nova vida, nova natureza e nova direção, tornando-se capaz de viver segundo a vontade de Deus. Como Jesus ensinou a Nicodemos, é necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino (Jo 3.3).

O Espírito Santo, como regenerador, atua de maneira livre e soberana, imprimindo na vida do crente evidências reais dessa transformação: justificação, santificação e fruto espiritual. Cada aspecto da nova vida aponta para a ação contínua de Deus na condução do crente, moldando pensamentos, atitudes e relações à semelhança de Cristo. O Novo Nascimento, portanto, não é um evento isolado, mas o início de uma caminhada diária de comunhão com Deus, marcada pela renovação da mente e do coração (Ef 4.23).

Que cada crente permita ao Espírito conduzir seus passos, rejeitando as demandas da carne e abraçando a nova natureza recebida. Ao refletir a vida de Cristo em palavras, ações e decisões, o cristão cumpre o chamado da regeneração: viver como nova criatura, testemunhando a graça de Deus de forma prática e transformadora.

A regeneração não apenas redefine a condição do homem diante de Deus, mas também oferece uma solução concreta para a escravidão ao pecado: confiar no Espírito e cooperar com Sua obra contínua de santificação. Quem se deixa guiar pelo Espírito experimenta vitória sobre o pecado e crescimento constante na semelhança de Cristo, vivendo uma vida que glorifica a Deus em cada aspecto. Concluímos esta preciosa loção extraindo três aplicações práticas para a vida do cristão:

1. Entregue-se diariamente ao Espírito: Busque a condução do Espírito Santo em todas as decisões e atitudes, reconhecendo que a verdadeira transformação não vem da força humana.

2. Pratique evidências do novo nascimento: Demonstre a nova natureza recebida por meio da justiça, amor fraternal, obediência e fruto do Espírito em sua vida cotidiana.

3. Renove a mente continuamente: Permita que a Palavra de Deus transforme pensamentos e valores, consolidando a santificação e fortalecendo a caminhada espiritual.

 

FRANCISCO BARBOSA (@pr.assis) SIGA-ME no Instagran!

• Graduado em Gestão Pública;

• Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP);

• Bacharel Ministerial em Teologia pelo Instituto de Formação FATEB;

• Curso Superior Sequencial em Teologia Bíblica, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Pós-Graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);

• Pós-Graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015).

• Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. De acordo com o diálogo entre Jesus e Nicodemos, o que significa a expressão “nascer de novo”?

Significa nascer do alto, uma transformação espiritual operada pelo Espírito Santo (Jo 3.3-5).

2. Como é possível constatar a ação do Espírito na vida do pecador regenerado?

Pela mudança interior e pela manifestação do fruto do Espírito na vida diária (Gl 5.22,23).

3. O que a incompreensão espiritual de Nicodemos evidencia sobre o novo nascimento?

Que a mente natural não pode compreender as coisas espirituais sem a ação do Espírito (1Co 2.14).

4. O que significa a expressão “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6)?

Que a carne gera apenas o que é carnal, mas o Espírito produz vida espiritual verdadeira (Jo 3.6).

5. Em linhas gerais, o que é o Fruto do Espírito?

O fruto do Espírito são virtudes cristãs que evidenciam a nova vida em Cristo (Gl 5.22,23).

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

O ESPÍRITO SANTO — O REGENERADOR

A experiência da salvação não seria completa sem uma profunda transformação no interior do salvo. O milagre da regeneração não se limita a mudar a aparência, mas reveste o interior do crente com uma nova vida que coaduna com a vida de Cristo (Cl 3.10). Um dos maiores desafios da vida cristã é aprender a viver como salvo em meio a uma sociedade corrompida, marcada pelo pecado. Nesse cenário, o crente recém-convertido precisa aprender a lidar com as pressões do mundo e nutrir em sua vida diária a santidade. Uma vez justificado e adotado como filho de Deus pela fé, o salvo passa por um processo contínuo de santificação. Nutrir uma vida de santificação requer submeter-se à condução do Espírito e dispor-se a não viver mais como escravo do pecado (Rm 6.17,18). Para tanto, é necessário disciplina em relação à oração, meditação frequente nas Escrituras Sagradas e posicionamento firme contra maus hábitos. Significa renunciar diariamente ao pecado para praticar a justiça que agrada a Deus, seja por palavras, atitudes ou modo de pensar. Não devemos nos conformar com o mundo, mas assumir uma postura racional e transformada pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.1,2).

No Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento (CPAD), Lawrence O. Richards explica que “a palavra usada aqui para ‘entendimento’ é ‘nous’, e não deve ser confundida com ‘conhecimento’ nem com ‘razão’. O que Paulo tem em mente é expresso mais apropriadamente como ‘perspectiva’ ou ‘modo de pensamento’. Os crentes devem resistir às pressões exercidas pelo mundo para nos conformar com seu modo de pensamento, e em vez disso ter cada uma de nossas perspectivas sobre as questões da vida a partir da perspectiva de Deus. Que grande dádiva é a Escritura. E que grande dádiva é o Espírito, que usa a Palavra para renovar nosso entendimento e transformar nossa vida” (2007, p.317). Essa postura é fruto do contato com o Evangelho da graça, através do qual, uma vez transformados por ele, experimentamos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (v.2). Quando compreendemos o modo de pensar ensinado pelo Evangelho, aprendemos que praticar a Palavra de Deus não se limita a conhecer uma nova filosofia, mas é adotar um novo estilo de vida transformado pelo poder de Deus para salvação do homem (Rm 1.16). Por essa razão, o apóstolo Paulo encoraja os filipenses a desenvolverem a salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Logo, a salvação não é apenas um estado de espírito, mas um viver diário que preservamos de modo vigilante à espera de nosso Senhor, que voltará em glória para nos buscar.