LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
ADULTOS
1º Trimestre de 2026
Título: A Santíssima
Trindade — O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas
Comentarista: Douglas
Baptista
Lição 9: Espírito Santo — O
Regenerador
Data: 1º de março de 2026
TEXTO ÁUREO
“Jesus respondeu e disse-lhe: Na
verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o
Reino de Deus.” (Jo 3.3).
ENTENDA O TEXTO ÁUREO:
👉 A declaração de Jesus começa com a solene fórmula “na verdade,
na verdade” (amēn amēn), recurso típico do Evangelho de João para introduzir
uma verdade absoluta, inegociável e revelatória. Cristo não está oferecendo uma
opinião religiosa, mas estabelecendo um axioma do Reino. Diante de Nicodemos,
homem religioso, moralmente respeitável e profundamente instruído na Lei, Jesus
desmonta toda confiança em herança religiosa, mérito ou conhecimento teológico.
O acesso ao Reino não começa no exterior da religião, mas no interior do
coração regenerado. A expressão “nascer de novo” traduz o verbo gennēthē (ser
gerado, nascer) associado ao advérbio anōthen, que possui duplo sentido:
“novamente” e “do alto”. João intencionalmente preserva essa ambiguidade
teológica. O novo nascimento é, ao mesmo tempo, uma experiência real e
consciente na vida do ser humano e uma obra que procede exclusivamente de Deus.
Não se trata de uma repetição biológica, mas de uma geração espiritual cuja
origem é celestial. O Reino de Deus não é alcançado por evolução moral, mas por
intervenção sobrenatural do Espírito. Jesus afirma ainda que, sem esse novo
nascimento, ninguém “pode ver” o Reino. O verbo idein (ver) vai além de
percepção visual. Envolve discernimento, compreensão espiritual e participação
na realidade do Reino. Isso revela uma verdade crucial: o ser humano, em seu
estado natural, está espiritualmente incapaz de perceber as coisas de Deus.
Antes da regeneração, o Reino é invisível, incompreensível e inacessível.
Somente o Espírito Santo pode abrir os olhos do coração para essa nova
realidade. Na perspectiva pentecostal e arminiana, essa palavra de Jesus não
elimina a responsabilidade humana. O novo nascimento é obra exclusiva do
Espírito, mas ocorre no contexto do chamado divino que requer resposta.
Nicodemos é confrontado com a necessidade de uma decisão pessoal. A graça de
Deus se antecipa, chama, convence e ilumina, mas não violenta a vontade. O novo
nascimento acontece quando o pecador, convencido pelo Espírito, responde em fé
e arrependimento à revelação de Cristo. Por fim, João 3.3 estabelece a
regeneração como o ponto inaugural de toda a vida cristã. Antes de dons,
ministério, ética ou serviço, é necessário nascer do alto. Sem regeneração, não
há Reino percebido, vivido ou anunciado. Com ela, inicia-se uma nova existência,
marcada por nova identidade, nova direção e nova esperança. Jesus ensina que a
porta do Reino não é uma tradição a ser herdada, mas uma vida a ser gerada pelo
Espírito Santo.
VERDADE PRÁTICA
A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o
pecador se torna uma nova criatura.
ENTENDA A VERDADE PRÁTICA:
👉 A regeneração é a obra soberana e graciosa do Espírito Santo
pela qual o pecador, espiritualmente morto, é vivificado por Deus, recebe uma
nova natureza e passa a existir em Cristo como nova criatura. Não se trata de
reforma moral, ajuste comportamental ou aprimoramento religioso, mas de uma
transformação interior profunda, realizada do alto, que altera a condição
espiritual, a identidade e a direção da vida. Nesse ato divino, o coração
endurecido é renovado, a mente é iluminada para a fé, e o ser humano é
capacitado a responder a Deus em arrependimento, obediência e comunhão viva,
iniciando uma nova caminhada marcada pela presença, santificação e frutificação
do Espírito.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
João 3.1-8.
Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses
teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.
1 E havia
entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
👉 fariseus. A
palavra "fariseu" provavelmente provém de uma palavra hebraica que
significa "separar" e, por isso, possivelmente significa "os
separados". Os fariseus não eram separatistas no sentido de isolacionismo,
mas no sentido de puritanismo, ou seja, eles eram muito zelosos pela pureza
ritual e religiosa, tanto segundo a lei de Moisés como segundo suas próprias
tradições, que eles haviam acrescentado à legislação do AT. Embora a origem
deles seja desconhecida, parece que surgiram como uma ramificação dos
"hasidim" ou "piedosos", durante a era dos Macabcus. Geralmente
provinham da classe média dos judeus e na maioria consistiam do laicato (homens
de negócio), e não de sacerdotes ou levitas. Representavam o cerne da ortodoxia
do judaísmo e influenciavam fortemente o povo comum de Israel. Segundo Josefo,
no tempo de Herodes, o Grande, havia 6.000 fariseus. Jesus os condenou porque
eles se concentravam de modo extremo nos aspectos externos da religião (regras
e regulamentações) em vez de centrarem-se na transformação espiritual interior
(vs. 3,7). Nicodemos. Embora Nicodemos fosse fariseu, seu nome, que
significa "vencedor sobre o povo", era de origem grega. Era um
fariseu proeminente e membro do Sinédrio ("um dos principais dos
judeus"). Nada se sabe sobre o seu pano de fundo familiar. No final, ele
passou a crer em Jesus (7.50-52), tendo arriscado a sua própria vida e
reputação ao ajudar a dar um sepultamento decente ao corpo de Jesus (19.38-42).
um
dos principais dos judeus. Essa é uma referência ao Sinédrio (veja nota
em Mt 26.59), o principal corpo governante dos judeus na Palestina. Era a
"suprema corte" judaica ou conselho governante da época; surgiu
provavelmente durante o período persa. No tempo do NT, o Sinédrio era composto
pelo sumo sacerdote (presidente), pelos principais sacerdotes, pelos anciãos
(chefes de famílias) e pelos escribas, num total de 71 membros. O método de
nomeação era tanto hereditário quanto político. Executava jurisdição civil e
criminal, segundo a lei judaica. Entretanto, os casos de pena de morte
requeriam a sanção do procurador romano (18.30-32). Após 70 d.C. e depois da
destruição de Jerusalém, o Sinédrio foi abolido e substituído pela Beth Din
(corte de julgamento), que era composta de escribas, cujas decisões possuíam
apenas autoridade moral e religiosa.
2 Este foi
ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de
Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com
ele.
👉 Este, de noite, foi ter com Jesus.
Conquanto alguns pensem que a visita de Nicodemos a Jesus à noite representa,
de algum modo, as trevas espirituais do coração (cf. 1.5; 9.4; 11.10; 13.30) ou
que ele tenha decidido ir nessa hora porque disporia de mais tempo com Jesus e
não precisaria apressar-se na conversação, talvez a explicação mais lógica
encontra-se no fato de que, por ser um dos principais dos judeus, Nicodemos
temia as implicações de associar-se abertamente numa conversa com Jesus. Fie
escolheu a noite para manter na clandestinidade o encontro com Jesus, em vez de
arriscar-se ao desfavor dos colegas fariseus, por quem Jesus não era benquisto
em geral. O vento sopra onde quer. O que Jesus quis dizer é que, assim
como vento não pode ser controlado ou compreendido pelos seres humanos, mas os
seus efeitos podem ser testemunhados, assim também acontece com o Espírito
Santo. Ele não pode ser controlado ou compreendido, mas a prova de sua obra é
aparente. Onde o Espírito atua, ali há evidência inegável e certa.
3 Jesus
respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer
de novo não pode ver o Reino de Deus.
👉 nascer de novo. literalmente,
a frase significa "nascer do alto". Jesus respondeu a uma pergunta
que Nicodemos nem mesmo fez. Ele leu o coração de Nicodemos e foi ao âmago do
problema dele, ou seja, a necessidade de transformação espiritual ou
regeneração produzida pelo Espírito Santo. O novo nascimento é um ato de Deus
pelo qual vida eterna é concedida ao crente (2Co 5.17; Tt 3.5; 1 Pe 1.3; 1Jo
2.29; 3.9; 4.7; 5.1,4,18). O texto de 1.12-13 indica que "nascer de
novo" também carrega a ideia de "tornar-se filho de Deus" por
meio da fé no nome do Verbo encarnado, não pode ver o reino de Deus. No
contexto, essa é primariamente uma referência à participação do reino milenar
no final dos tempos, fervorosamente aguardado pelos fariseus e outros judeus.
Uma vez que os fariseus eram sobrenaturalisias, naturalmente aguardavam com
ansiedade a profetizada ressurreição dos santos e a inauguração do reino
messiânico (Is 11.1-16; Dn 12.2). O problema deles era que pensavam que a mera
linhagem física e a observância das exterioridades religiosas os qualificavam
para entrar no reino, e não a necessidade de transformação espiritual, a qual
Jesus enfatizou (cf. 8.33-39; Gl 6.15). A vinda rio reino no final dos tempos
pode ser descrita como a "regeneração" do mundo (Mt 19.28); porém, a
regeneração da pessoa é requerida antes do fim do mundo para que ele possa
entrar no reino.
4 Disse-lhe
Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a
entrar no ventre de sua mãe e nascer?
👉 Na qualidade de mestre, Nicodemos compreendia o método rabínico
do uso de linguagem figurativa para ensinar verdades espirituais, e ele estava
meramente retomando o simbolismo de Jesus.
5 Jesus
respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e
do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
👉 nascer da água e do Espírito.
Jesus não se refere aqui à água literal, mas à necessidade de
"purificação" (p. ex., Ez 36.24-27). No AT, quando a água é usada de
maneira figurada, isso geralmente se refere à renovação ou purificação
espiritual, especialmente quando usada em conjunção com "espírito"
(Nm 19.17-19; SI 51.9-10; Is .32.15; 44.3-5; Jr 2.13; Jl 2.28-29). Portanto,
Jesus fez referência à lavagem espiritual ou purificação da alma realizada pelo
Espírito Santo por meio da palavra de Deus no momento da salvação (cf. Ef 5.26;
Tt 3.5), requerida para poder pertencer ao reino.3.8
6 O que é
nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
👉 Aqui Jesus estabelece uma distinção absoluta entre natureza
humana e natureza espiritual. Carne, em João, refere-se à condição humana
caída, incapaz de gerar vida espiritual. Nenhuma herança religiosa, esforço
moral ou linhagem espiritual pode produzir regeneração. Somente o Espírito gera
espírito. MacArthur enfatiza que este versículo destrói qualquer teologia
sinergista da regeneração. A carne não coopera. Ela apenas recebe.
7 Não te
maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
👉 Jesus amplia a aplicação. Não é apenas Nicodemos. “Vos é
necessário” inclui todo Israel, toda a humanidade. A palavra “necessário” (dei)
indica obrigação divina, não opção religiosa. Segundo MacArthur, aqui Jesus
desmonta o orgulho nacional judaico. Descendência de Abraão não garante entrada
no Reino. Regeneração não é recomendação; é exigência.
8 O vento
assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde
vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
👉 O vento sopra onde quer. O
que Jesus quis dizer é que, assim como vento não pode ser controlado ou
compreendido pelos seres humanos, mas os seus efeitos podem ser testemunhados,
assim também acontece com o Espírito Santo. Ele não pode ser controlado ou
compreendido, mas a prova de sua obra é aparente. Onde o Espírito atua, ali há
evidência inegável e certa.
SÍNTESE FINAL
👉
João 3.1–8 ensina que a regeneração é absolutamente necessária,
totalmente sobrenatural e exclusivamente operada pelo Espírito Santo. Jesus
confronta a falsa segurança religiosa e declara que o Reino só se abre para
aqueles que recebem vida do alto. A passagem não exalta a capacidade humana,
mas a graça soberana de Deus que gera filhos espirituais onde antes havia
apenas morte. Este texto continua sendo um divisor de águas entre religião e
novo nascimento, entre moralidade e vida, entre tradição e regeneração.
INTRODUÇÃO
O Novo Nascimento é uma obra indispensável à salvação. Jesus ensinou que
para entrar no Reino é necessário nascer de novo. Não se trata de uma mera
mudança exterior, mas de uma obra de transformação interior. Esta lição
apresenta o Espírito Santo operando no plano trinitário da Salvação como o
agente da Regeneração. Sua atuação revela o milagre divino que regenera a
natureza humana decaída, concedendo nova vida em Cristo.
👉 O que, de fato, diferencia um religioso sincero de alguém
verdadeiramente salvo? Jesus respondeu a essa pergunta de forma direta e
desconcertante ao afirmar que ninguém pode ver o Reino de Deus sem nascer de
novo (Jo 3.3, NVI). Essa declaração, feita a Nicodemos, um mestre respeitado em
Israel, revela que conhecimento bíblico, tradição religiosa e moralidade
elevada não são suficientes para produzir vida espiritual. O problema do ser
humano não é apenas comportamental, mas ontológico. Ele está espiritualmente
morto e precisa receber vida que venha do alto.
O novo nascimento não é uma metáfora
para mudança de hábitos nem um processo de autoaperfeiçoamento moral. Trata-se
de uma intervenção soberana e sobrenatural de Deus na interioridade do pecador.
O verbo grego gennēthē indica ser gerado, e o advérbio anōthen aponta para a
origem dessa vida. Não vem da carne, nem da vontade humana, mas de Deus. A
regeneração é, portanto, um ato criativo do Espírito Santo, que comunica uma
nova natureza àquele que crê, tornando-o participante da vida divina em Cristo.
Nesta lição, veremos que a regeneração
é uma obra essencialmente trinitária. O Pai a planejou antes da fundação do
mundo, movido por seu amor gracioso. O Filho a tornou possível por meio de sua
morte e ressurreição redentoras. E o Espírito Santo a aplica de maneira eficaz
no coração humano, convencendo do pecado, produzindo arrependimento e gerando
fé salvadora. Sem essa ação do Espírito, não há conversão genuína nem entrada
no Reino.
Também examinaremos a natureza
espiritual dessa obra. Jesus deixa claro que o que nasce da carne permanece
limitado à carne, mas o que nasce do Espírito recebe uma nova dimensão de
existência. A regeneração não melhora a velha natureza, ela a substitui. O
coração de pedra é removido, e um coração sensível à vontade de Deus é
concedido. Essa nova vida interior se manifesta em uma nova disposição
espiritual, em novos desejos e em uma nova relação com Deus.
Por fim, a lição mostrará que o novo
nascimento produz evidências concretas. Justificação pela fé, santificação
progressiva e o fruto do Espírito não são acréscimos opcionais, mas
consequências inevitáveis da regeneração. Onde o Espírito gera vida, há
transformação visível. Assim, ao longo deste estudo, seremos conduzidos a
compreender não apenas o que é nascer de novo, mas como essa obra gloriosa
redefine completamente quem somos, como vivemos e para onde caminhamos em
Cristo.
Palavra-Chave: REGENERAÇÃO
(Palavra-chave é o termo ou expressão central que resume,
direciona e organiza uma ideia, tema ou conteúdo, funcionando como o ponto de foco da comunicação. Ela é
importante porque guia o leitor, clarifica o assunto principal e facilita a
compreensão, memorização e busca de informações. Para usar bem uma
palavra-chave, escolhe-se um termo preciso, repetido estrategicamente ao longo
do texto, e que represente fielmente o núcleo da mensagem, servindo como um
farol que orienta todo o desenvolvimento do conteúdo.)
ENTENDA A PALAVRA-CHAVE:
👉 Na perspectiva pentecostal e arminiana, a regeneração é a obra
sobrenatural e graciosa do Espírito Santo pela qual o pecador, respondendo em
fé e arrependimento ao chamado divino, recebe nova vida em Cristo. Não se trata
de reforma moral nem de mera adesão religiosa, mas de um ato espiritual
profundo, no qual Deus comunica vida onde antes havia morte espiritual. Jesus
descreve essa experiência como “nascer do alto” (Jo 3.3), indicando que sua
origem é divina, embora seja experimentada conscientemente pelo ser humano que
acolhe a graça. Biblicamente, a regeneração envolve a renovação interior
operada pelo Espírito. Paulo a chama de “lavagem da regeneração” (palingenesía)
em Tito 3.5, destacando um novo começo real, uma nova condição espiritual. O
Espírito convence do pecado, desperta o arrependimento e capacita o pecador a
crer. Nesse sentido, a regeneração não anula a responsabilidade humana, mas
acontece em cooperação com a resposta livre à graça preveniente de Deus,
conforme enfatiza a teologia arminiana. Essa nova vida recebida não permanece
oculta. A regeneração produz uma nova natureza, novos desejos e uma nova
direção de vida. O regenerado passa a amar o que antes desprezava, a rejeitar o
pecado e a buscar a santidade. O fruto do Espírito torna-se a evidência visível
dessa obra invisível, confirmando que houve, de fato, um novo nascimento.
Assim, regeneração é o ponto de partida da vida cristã, a porta de entrada no
Reino e a base sobre a qual se desenvolvem a justificação, a santificação e
toda a caminhada com Deus, até a glorificação final.
I. REGENERAÇÃO:
UMA OBRA TRINITÁRIA
1. A doutrina bíblica da Regeneração. A expressão
“nascer de novo” (Jo 3.3) é tradução do verbo grego gennēthē — “ser gerado” ou
“nascer”, e do advérbio anōthen — “do alto”, “de cima”, “de novo”. No diálogo
com Nicodemos, Jesus explica que o “nascer de novo” não é físico, mas
espiritual (Jo 3.5) — uma segunda origem, não humana —, um renascimento a
partir do alto, isto é, de Deus. Por isso, certas versões bíblicas traduzem
como “nascer do alto”. Nesse sentido, Paulo ensina que somos salvos “pela
lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5b). Aqui
“regeneração” (gr. palingenesia) significa “novo nascimento” e está intimamente
ligado à conversão. Trata-se da renovação interior realizada pelo Espírito,
ocasião em que a pessoa se torna uma nova criatura (2Co 5.17).
👉 Jesus rompe com toda lógica religiosa ao afirmar que a entrada
no Reino de Deus não começa com esforço humano, tradição ou mérito espiritual,
mas com um novo nascimento. A expressão “nascer de novo”, em João 3.3, traduz o
verbo grego gennēthē, que indica ser gerado, e o advérbio anōthen, cujo sentido
principal é “do alto”. O próprio contexto esclarece que Jesus não fala de
repetição biológica, mas de uma origem completamente nova, que procede de Deus.
Trata-se de uma vida que não nasce da carne, nem da vontade humana, mas da ação
soberana do céu sobre o coração do pecador.
Esse novo nascimento é essencialmente
espiritual. Quando Jesus afirma que é necessário “nascer da água e do Espírito”
(Jo 3.5), Ele retoma a promessa veterotestamentária de purificação e renovação
interior, especialmente anunciada em Ezequiel 36.25–27. A água aponta para a
limpeza do pecado; o Espírito, para a transformação da natureza. Não são duas
experiências distintas, mas uma única obra regeneradora. A regeneração,
portanto, não é reforma moral nem adesão religiosa, mas a criação de uma nova
realidade espiritual dentro do ser humano.
Paulo aprofunda essa verdade ao
declarar que Deus nos salvou “pela lavagem da regeneração e da renovação do
Espírito Santo” (Tt 3.5, NVI). O termo grego palingenesía descreve um recomeço
radical, uma recriação interior. Não se trata apenas de perdão de pecados, mas
de concessão de vida nova. O Espírito Santo não apenas remove a culpa, mas
comunica uma nova disposição, novos afetos e uma nova direção espiritual. Aqui,
regeneração e conversão se encontram, sem se confundirem. A regeneração é a
obra graciosa de Deus; a conversão é a resposta consciente do ser humano a essa
graça.
Essa obra é profundamente trinitária.
O Pai a planejou desde a eternidade, o Filho a tornou possível por meio da
encarnação, morte e ressurreição, e o Espírito Santo a aplica de forma eficaz
no coração do pecador. A regeneração, portanto, não é uma experiência isolada
da economia da salvação, mas o ponto inicial da vida cristã, onde a graça
divina alcança o ser humano em sua condição de morte espiritual e o faz
participante da vida de Deus.
O resultado dessa obra é descrito por
Paulo de forma inequívoca: “se alguém está em Cristo, é nova criatura” (2Co
5.17, NVI). O novo nascimento inaugura uma nova identidade, uma nova relação com
Deus e uma nova maneira de viver. Onde há regeneração, há transformação real,
ainda que progressiva. Essa verdade confronta a fé meramente nominal e convida
a Igreja a examinar não apenas sua confissão, mas a realidade da vida gerada
pelo Espírito em seu interior.
1. BÍBLIA DE ESTUDO
PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.
2. BÍBLIA DE ESTUDO
MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. CHAMPLIN,
Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Hagnos, 2002.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
2. A Regeneração como exigência de Jesus. Cristo declarou
que: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3).
Equivale dizer que a regeneração é absolutamente necessária (Mt 18.3). Ela é a
porta de entrada no Reino, a obra inicial da graça que principia a
transformação do pecador (1Co 6.9-11). No milagre do novo nascimento, há fé e
arrependimento (Mt 4.17). Tornar-se uma nova criatura é uma exigência absoluta,
uma condição essencial para a salvação (Gl 6.15). Portanto, o plano divino para
a Regeneração deve ser pregado com prioridade (Mc 16.15).
👉 Jesus não apresenta o novo nascimento como uma possibilidade
entre outras, mas como uma necessidade absoluta. Sua declaração a Nicodemos é
direta e inegociável: “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de
Deus” (Jo 3.3, NVI). O verbo implícito na afirmação de Jesus aponta para a
incapacidade humana de acessar a realidade do Reino por meios naturais,
religiosos ou morais. Sem a regeneração, o Reino permanece invisível e
inacessível. Cristo desmonta toda confiança em herança religiosa, posição
social ou conhecimento teológico. A entrada no Reino não ocorre por acúmulo de
virtudes, mas por uma obra divina que concede vida onde havia morte espiritual.
Essa exigência ecoa o ensino de Jesus sobre a necessidade de uma transformação
radical. Quando Ele afirma que é preciso “tornar-se como crianças” para entrar
no Reino (Mt 18.3), aponta para a mesma realidade espiritual: uma mudança
profunda de natureza e de relação com Deus. A regeneração não é uma condição no
sentido meritório ou contratual, mas uma necessidade ontológica: sem vida
espiritual, não há como participar do Reino. É o início da obra da graça que
rompe com o passado e inaugura uma nova existência. Paulo confirma essa verdade
ao declarar que “nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor algum; o que
importa é ser nova criação” (Gl 6.15). O apóstolo não estabelece um requisito
humano para a salvação, mas descreve o resultado inevitável da ação salvadora
de Deus. Portanto, tornar-se nova criatura não é algo que o pecador produz para
ser salvo, mas aquilo que Deus realiza no pecador quando o salva. A regeneração
não antecede a graça nem a condiciona; ela é fruto da graça salvadora em
operação. Como ensina Tito 3.5, Deus nos salvou “mediante o lavar regenerador e
renovador do Espírito Santo”. A nova criação não é a causa da salvação, mas sua
expressão viva e concreta. Onde a graça alcança, a regeneração acontece; onde o
Espírito age, uma nova vida emerge.
No milagre do novo nascimento, fé e
arrependimento caminham juntos como respostas humanas à iniciativa divina.
Jesus inicia seu ministério proclamando: “arrependam-se e creiam” (Mc 1.15). O
arrependimento não produz a regeneração, mas acompanha a obra do Espírito como
mudança sincera de mente e direção. A fé, por sua vez, não é mérito humano, mas
o meio pelo qual o pecador acolhe a ação graciosa de Deus. Assim, a nova
criatura não é um estado conquistado, mas uma realidade recebida, resultado da
atuação vivificadora do Espírito Santo. Essa exigência de Jesus, portanto, não
contradiz a graça; ao contrário, a exalta. Ao afirmar que é necessário nascer
de novo, Cristo revela que somente Deus pode realizar aquilo que o Reino exige.
A regeneração não é uma barreira imposta ao ser humano, mas a ponte que Deus
mesmo constrói para conduzi-lo à vida. Onde não há novo nascimento, não há vida
espiritual; mas onde o Espírito age, a vida irrompe com poder transformador. Essa
verdade nos conduz não à insegurança, mas ao discernimento. A pergunta central
não é apenas se conhecemos a linguagem cristã, mas se fomos alcançados pela
obra regeneradora do Espírito. A regeneração produz novos afetos, nova
sensibilidade espiritual e uma nova direção de vida. Onde Cristo exige o novo
nascimento, Ele também concede, pela graça, tudo o que é necessário para que
ele aconteça. Essa exigência não oprime; ela liberta, pois aponta para a única
fonte verdadeira de vida: a obra soberana e graciosa de Deus no coração humano.
3. O Pai como o autor da salvação. A regeneração,
ou novo nascimento, tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai (Ef
1.4,5). É Ele quem inicia a obra da redenção, movido por seu amor imensurável e
por sua vontade de salvar os pecadores (Jo 3.16). Esse amor divino é a fonte
primária da salvação — não condicionado aos méritos humanos, mas oferecido por
graça divina, mediante a fé (Jo 1.13; Ef 2.8,9). Essa verdade gloriosa exalta o
Pai como a fonte de toda boa dádiva e o autor da nova vida que recebemos (Tg
1.17,18).
👉 Antes que o ser humano percebesse sua própria perdição, Deus já
havia revelado Seu propósito eterno de salvar. A regeneração não nasce de uma
iniciativa humana tardia, mas do conselho soberano do Pai, estabelecido “antes
da criação do mundo” (Ef 1.4, NVI). Paulo conduz a Igreja a olhar para trás,
para a eternidade passada, e ali enxergar um Deus que planeja, escolhe e age
movido por amor, não por reação ao pecado, mas por vontade graciosa. A salvação
começa em Deus, não no homem.
O verbo “escolheu” em Efésios 1.4
traduz o grego eklegomai, que carrega a ideia de uma decisão deliberada,
pessoal e graciosa. Não se trata de favoritismo arbitrário, mas de um ato
soberano que visa um fim claro: “para sermos santos e irrepreensíveis”. A
eleição, portanto, não é um fim em si mesma, mas o início de um processo
redentor que culmina em transformação de vida. O Pai não apenas decide salvar;
Ele decide transformar aqueles que salva.
Em Efésios 1.5, Paulo aprofunda essa
verdade ao afirmar que Deus “nos predestinou para adoção como filhos”. O termo
huiothesía descreve mais do que um status legal; aponta para uma nova relação,
marcada por pertencimento, intimidade e herança. A regeneração está diretamente
ligada a essa adoção. Não somos apenas perdoados, somos inseridos na família de
Deus. O novo nascimento não nos torna apenas vivos espiritualmente, mas filhos
que agora participam da vida do Pai.
Essa obra tem uma motivação clara: o
amor. João 3.16 revela que a iniciativa salvífica brota do amor divino, não da
atratividade humana. O Pai ama antes que o pecador responda, chama antes que
haja arrependimento e oferece vida antes que haja fé consciente. Como afirmam
as Escrituras, “os filhos não nascem da vontade humana, nem da decisão de um
marido, mas nascem de Deus” (Jo 1.13, NVI). A regeneração, portanto, não é
produzida pela fé; ela é o solo onde a fé pode florescer.
Essa verdade preserva a graça em sua
pureza. Efésios 2.8,9 deixa claro que a salvação é dom, não recompensa. A fé
não é moeda de troca, mas o meio pelo qual recebemos aquilo que Deus já decidiu
conceder. A regeneração não é uma condição imposta ao pecador para que Deus o
aceite; é a operação graciosa do Pai que torna possível qualquer resposta
humana ao evangelho. O Pai age primeiro, para que o homem possa responder.
Tiago reforça essa perspectiva ao
declarar que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto” (Tg 1.17). Em
seguida, afirma que foi Deus quem “nos gerou pela palavra da verdade” (Tg
1.18). A linguagem é clara e intencional: a nova vida é um ato gerador de Deus.
Regenerar é gerar vida onde antes havia morte. É o Pai exercendo sua
paternidade eterna na história humana.
Essa doutrina nos conduz à humildade e
à segurança. Humildade, porque ninguém nasce de novo por mérito ou esforço
espiritual. Segurança, porque a obra que começa no coração do Pai não é frágil
nem instável. A regeneração nos lembra que a salvação não depende da força da
nossa decisão, mas da fidelidade daquele que nos escolheu em amor. Viver essa
verdade é descansar na graça, responder com fé obediente e caminhar como filhos
que sabem de onde vieram e para quem pertencem.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
6. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
4. O Espírito como agente da Regeneração. A regeneração
é um ato da misericórdia divina (Tt 3.5). É o Pai que a decreta (Ef 1.4), o
Filho que a torna possível por sua morte e ressurreição (Ef 1.7), e o Espírito
que a realiza no coração do pecador (Jo 16.8). Jesus explicou essa ação do
Espírito ao dizer: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do
Espírito é espírito” (Jo 3.6). Isso indica que onde o Espírito opera, ocorre
transformação espiritual. Essa mudança se torna visível por meio do Fruto do
Espírito na vida do regenerado (Gl 5.22).
👉 A regeneração é, antes de tudo, um ato de misericórdia soberana.
Paulo afirma que Deus “nos salvou, não por causa de atos de justiça praticados
por nós, mas devido à sua misericórdia, por meio do lavar regenerador e
renovador do Espírito Santo” (Tt 3.5, NVI). A nova vida cristã não começa com
esforço humano, mas com uma intervenção graciosa do Espírito. Onde Ele age, a
morte espiritual é vencida e a vida de Deus é implantada no interior do
pecador. Essa obra revela a harmonia perfeita da Trindade na salvação. O Pai a
decreta em seu eterno propósito redentor (Ef 1.4). O Filho a torna
historicamente possível por meio de sua morte substitutiva e ressurreição
vitoriosa (Ef 1.7). O Espírito Santo, por sua vez, é quem aplica eficazmente
essa obra no coração humano. Ele não apenas informa sobre o evangelho, mas
convence, desperta e transforma (Jo 16.8). A regeneração, portanto, não é mera mudança
de comportamento, mas uma recriação espiritual. Jesus esclarece essa verdade ao
afirmar: “O que é nascido da carne é carne, mas o que é nascido do Espírito é
espírito” (Jo 3.6, NVI). Aqui, o Senhor estabelece uma distinção absoluta entre
natureza humana e vida espiritual. Carne, no contexto joanino, aponta para a
condição caída, incapaz de produzir vida divina. Espírito indica a nova origem,
a nova fonte de vida. A regeneração não melhora a carne; ela concede uma nova
natureza, gerada pelo Espírito.
O verbo “nascer” usado por Jesus
remete à ideia de origem, não de esforço. O novo nascimento não é resultado de
disciplina moral ou decisão religiosa isolada, mas da ação soberana do Espírito
que gera vida onde antes havia morte. Como ensinam os comentaristas
pentecostais, trata-se de uma obra interior, invisível aos olhos, mas
profundamente real e eficaz. O Espírito cria novas disposições, novos afetos e
um novo direcionamento para a vida. Essa transformação interior inevitavelmente
se manifesta exteriormente. Paulo ensina que o fruto do Espírito é amor,
alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio
próprio (Gl 5.22, NVI). O termo “fruto”, no singular, traduz o grego karpós,
indicando uma obra orgânica e unificada. Não são virtudes isoladas produzidas
pelo esforço humano, mas evidências naturais da vida do Espírito no regenerado.
É importante notar que Paulo contrasta
o fruto do Espírito com as obras da carne. Obras são produzidas pelo homem.
Fruto é gerado pela vida que habita nele. A regeneração não nos torna
instantaneamente perfeitos, mas inaugura um processo contínuo de transformação.
Onde o Espírito gerou vida, Ele também produz caráter. A ausência desse fruto
levanta sérias questões sobre a autenticidade da experiência regeneradora. Essa
doutrina nos chama à reflexão e à responsabilidade espiritual. Se fomos
regenerados pelo Espírito, somos chamados a andar no Espírito. A nova vida não
é apenas um ponto de partida, mas um chamado diário à submissão, sensibilidade
e obediência. Viver a regeneração é permitir que o Espírito governe
pensamentos, atitudes e relações, até que o caráter de Cristo seja plenamente
formado em nós.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
6. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
SINOPSE I
A Regeneração é uma obra trinitária:
decretada pelo Pai, realizada pelo Filho e aplicada pelo Espírito Santo.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
“A REGENERAÇÃO
Quando correspondemos ao chamado divino e ao
convite do Espírito e da Palavra, Deus realiza atos soberanos que nos
introduzem na família do seu Reino: regenera os que estão mortos nos seus
delitos e pecados; justifica os que estão condenados diante de um Deus santo; e
adota os filhos do inimigo. Embora estes atos ocorram simultaneamente na vida
que crê, é possível examiná-los separadamente. A regeneração é a ação decisiva
e instantânea do Espírito Santo, mediante a qual Ele cria de novo a natureza
interior. O substantivo grego (palingenesia) traduzido por ‘regeneração’
aparece apenas duas vezes no Novo Testamento. Mateus 19.28 emprega-o com
referência a novos tempos do fim. Somente em Tito 3.5 se refere à regeneração
do indivíduo. [...] O Novo Testamento apresenta a figura do ser criado de novo
(2Co 5.17) e da renovação (Tt 3.5), porém a mais comum é a de ‘nascer’ (gr.
gennáō, ‘gerar’ ou ‘dar à luz’). Jesus disse: ‘Na verdade, na verdade te digo
que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus’ (Jo 3.3). Pedro
declara que Deus, em sua grande misericórdia, ‘nos gerou de novo para uma viva
esperança’ (1Pe 1.3). É uma obra que somente Deus realiza. ‘Nascer de novo’ diz
respeito a uma transformação radical. Mas ainda se faz mister um processo de
amadurecimento.” (HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma
Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.371,372).
AMPLIANDO O CONHECIMENTO
O NASCIMENTO ESPIRITUAL
“Em
João 3.1-8, Jesus discute uma das doutrinas fundamentais (isto é, ensinamentos,
princípios básicos, as bases da crença) da fé cristã: Regeneração (Tt 3.5), ou
nascimento espiritual. Sem ‘nascer de novo’ no contexto espiritual, uma pessoa
não pode se tornar parte do Reino de Deus. Isso significa que a vida de uma
pessoa deve ser espiritualmente renovada para que ela possa ser salva e receber
o dom divino que é a vida eterna através da fé em Jesus.” Amplie mais o seu
conhecimento, lendo a obra Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global,
editada pela CPAD.
II. A
NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO
1. Uma transformação interior. Nicodemos revelou incompreensão
espiritual ao questionar Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo
3.4). A pergunta reflete sua visão limitada ao plano natural (1Co 2.14). O
principal entre os judeus interpretou o “nascer de novo” como se fosse algo
físico (da carne). Esse fato evidencia que a mente religiosa, espiritualmente
morta, e presa à lógica humana, é incapaz de compreender que a justiça de Deus
não advém das obras (Rm 10.3). Ele estava apegado à ideia de mérito para entrar
no Reino de Deus, mas Jesus exigiu algo totalmente novo: uma transformação
interior operada pelo Espírito, não um mero aperfeiçoamento de conduta ou
aprimoramento moral, mas um Novo Nascimento, operado de dentro para fora, como
obra do Espírito Santo (Jo 3.5).
👉 A pergunta de Nicodemos revela mais do que curiosidade. Ela
expõe uma limitação espiritual profunda. Ao questionar: “Como pode um homem
nascer, sendo velho?” (Jo 3.4, NVI), Nicodemos demonstra que sua compreensão
está restrita ao plano natural. Embora fosse mestre em Israel, sua leitura da
realidade espiritual ainda estava aprisionada à lógica da carne. Paulo descreve
essa condição ao afirmar que “o homem natural não aceita as coisas do Espírito
de Deus” (1Co 2.14, NVI). O problema de Nicodemos não era falta de religião,
mas falta de vida espiritual.
Essa incompreensão nasce de uma
teologia baseada no mérito. Como fariseu, Nicodemos estava habituado à ideia de
que a justiça diante de Deus era alcançada por meio da observância da Lei.
Contudo, essa confiança nas obras obscurecia a verdade mais profunda do
evangelho. Paulo afirma que Israel, ao buscar estabelecer sua própria justiça,
não se submeteu à justiça que vem de Deus (Rm 10.3, NVI). A religião, quando
desconectada da ação vivificadora do Espírito, torna-se incapaz de conduzir ao
Reino. Jesus, então, corrige radicalmente essa perspectiva. Ele não propõe um
ajuste moral nem um aperfeiçoamento da antiga vida. Ele declara a necessidade
de algo inteiramente novo. Em João 3.5, o Senhor afirma: “Ninguém pode entrar
no Reino de Deus se não nascer da água e do Espírito” (NVI). O verbo grego
gennēthē indica um nascimento produzido por outro, não um ato autônomo. Trata-se
de uma obra que vem de fora do homem, mas que acontece no mais profundo do seu
ser.
A expressão “água e Espírito” tem sido
amplamente discutida, mas o contexto favorece uma leitura espiritual e não
ritual. A água aponta para a purificação interior prometida pelos profetas,
especialmente em Ezequiel 36.25–27, onde Deus promete aspergir água pura, dar
um novo coração e colocar o seu Espírito dentro do povo. Jesus, portanto, não
fala de dois nascimentos distintos, mas de uma única obra regeneradora, na qual
o Espírito purifica e vivifica. A regeneração é, ao mesmo tempo, limpeza do
pecado e geração de nova vida. Essa obra não melhora a velha natureza. Ela cria
uma nova. O novo nascimento é uma intervenção soberana do Espírito Santo que
transforma o interior do pecador e redefine sua relação com Deus. A mudança
verdadeira não começa no comportamento, mas no coração. Onde o Espírito opera,
a justiça deixa de ser buscada por esforço humano e passa a ser vivida como
fruto da graça. A regeneração é o ponto de partida da vida cristã autêntica. Essa
verdade confronta tanto o legalismo quanto o formalismo religioso. Não basta
conhecer a Escritura, frequentar a igreja ou manter uma moral respeitável. É
necessário nascer do Espírito. A vida cristã não se sustenta em aparência, mas
em transformação interior. A pergunta que permanece não é se somos religiosos,
mas se fomos regenerados. Onde o Espírito gera vida, Ele também inaugura um
novo modo de viver, para a glória de Deus.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
6. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
2. Uma obra soberana do Espírito. Jesus ensina a Nicodemos que, para
entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5).
Isso significa uma transformação espiritual completa: ser purificado dos
pecados e receber renovação interior pelo poder do Espírito (Ef 3.16; 5.26).
Essa mudança não pode ser produzida pela carne, mas somente pelo Espírito.
Cristo assegura que “o vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Assim como o vento é
livre, o Espírito opera de modo soberano na salvação, sem ser controlado por
nenhum esquema humano (1Co 2.11,12). É somente por essa ação divina que o
pecador nasce espiritualmente e passa a ter uma nova vida (2Co 5.17). Assim, um
cristão regenerado é aquele que teve o coração transformado e passou a viver
segundo essa nova natureza espiritual (Ez 36.26,27).
👉 Jesus conduz Nicodemos ao coração do evangelho ao afirmar que a
entrada no Reino de Deus exige nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5, NVI).
Essa declaração não descreve um rito externo nem um processo humano, mas uma
intervenção divina profunda. Trata-se de uma obra espiritual que alcança o
interior do ser, onde o pecado domina e a vida precisa ser recriada. O novo
nascimento não começa na conduta visível, mas na raiz da existência, onde
somente o Espírito pode operar. A referência à “água” aponta para a purificação
espiritual prometida nas Escrituras. Em Efésios 5.26, Paulo afirma que Cristo
santifica a Igreja “pela lavagem da água mediante a palavra” (NVI). O termo
grego loutrō carrega a ideia de limpeza completa, não superficial. Essa
purificação não é moralismo religioso, mas libertação real da culpa e do
domínio do pecado, operada pela Palavra aplicada pelo Espírito ao coração
humano. Ao mesmo tempo, essa obra é fortalecedora e vivificadora. Paulo ora
para que os crentes sejam “fortalecidos com poder, mediante o Espírito, no
homem interior” (Ef 3.16, NVI). O verbo grego krataiōthēnai indica capacitação
interior contínua. A regeneração não apenas limpa o passado, mas implanta uma
nova fonte de vida, pela qual o Espírito passa a sustentar, renovar e conduzir
o crente em sua caminhada com Deus.
Jesus deixa claro que essa
transformação não pode ser produzida pela carne. “O que nasce da carne é carne”
(Jo 3.6, NVI). Nenhum esforço humano, disciplina religiosa ou herança
espiritual é capaz de gerar vida espiritual. A carne pode reformar hábitos, mas
não pode criar um novo coração. Por isso, a regeneração não é uma cooperação
entre Deus e o homem, mas uma obra soberana do Espírito que precede e
fundamenta a nova vida. Essa soberania é ilustrada por Jesus com a imagem do
vento. “O vento sopra onde quer” (Jo 3.8, NVI). O termo grego pneuma significa
tanto vento quanto espírito, revelando a liberdade e a autoridade do agir
divino. O Espírito não é manipulado por métodos, fórmulas ou sistemas
religiosos. Ele age conforme a vontade de Deus, revelando que a salvação não
está sob controle humano, mas sob a graça soberana do Senhor (1Co 2.11–12). Quando
o Espírito opera, o resultado é inconfundível. O pecador nasce espiritualmente
e passa a viver uma nova realidade. “Se alguém está em Cristo, é nova criação”
(2Co 5.17, NVI). Essa novidade não é apenas jurídica, mas existencial. Deus
remove o coração de pedra e concede um coração de carne, sensível à sua voz (Ez
36.26–27). A regeneração inaugura uma nova natureza, marcada pelo desejo de
agradar a Deus. Essa verdade nos chama à humildade e à dependência. Não somos
salvos porque conseguimos mudar, mas mudamos porque fomos alcançados pelo
Espírito. A vida cristã autêntica flui dessa obra inicial da graça. Onde o
Espírito gera vida, Ele também sustenta, orienta e transforma. Viver como
regenerado é caminhar diariamente sob a direção do Espírito, permitindo que a
nova vida se manifeste em obediência, santidade e amor.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Plenitude. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.
4. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
6. ARRINGTON,
French L. Doutrinas Cristãs: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD,
1999.
3. Uma nova vida e nova conduta. Cristo deixou bem claro que “O que é
nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6).
Essa distinção mostra que nada da carne pode produzir vida espiritual. A carne
gera concupiscência e aprisiona (Gl 5.19-21); somente o Espírito gera nova vida
com fruto espiritual (Gl 5.22). O que é nascido da carne permanece dominado
pela natureza pecaminosa (Rm 8.5). Mas, ao nascer do Espírito, o crente passa a
viver sob uma nova condição espiritual: tornando-se um novo homem, com uma nova
mentalidade: “e vos renoveis no espírito do vosso sentido” (Ef 4.23). Essa nova
vida se evidencia na prática da justiça, no amor fraternal, no desejo pela
Palavra e na obediência a Cristo — marcas da regeneração genuína (Rm 6.4; 1Jo
3.9).
👉 Cristo esclarece a Nicodemos que “o que é nascido da carne é
carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6, NVI). Essa distinção
não é apenas filosófica; revela que a vida espiritual não pode surgir de
recursos humanos, moralismo ou disciplina própria. A carne gera concupiscência,
rebeldia e escravidão ao pecado (Gl 5.19-21), enquanto o Espírito produz uma
vida nova, com frutos espirituais evidentes (Gl 5.22). O novo nascimento não
transforma apenas hábitos, mas recria o ser interior, permitindo que o crente
viva de acordo com a natureza de Deus. A experiência da regeneração é,
portanto, a entrada em uma realidade espiritual radicalmente diferente. Romanos
8.5 nos mostra que o homem natural está centrado nas coisas da carne, enquanto
aquele guiado pelo Espírito busca os propósitos de Deus. Nascer do Espírito
implica não apenas ser perdoado, mas ser capacitado a viver como nova criatura,
com mente e coração renovados: “e vos renoveis no espírito do vosso
entendimento” (Ef 4.23, NVI; grego: ananeōthēte en tō pneumati tou noos humōn).
Aqui, Paulo enfatiza a ação contínua do Espírito no processo de santificação
interior, moldando pensamentos, desejos e decisões segundo a vontade divina. Essa
transformação se manifesta externamente na conduta e no caráter. O crente
regenerado apresenta sinais claros: prática da justiça, amor genuíno pelos
irmãos, sede da Palavra e obediência a Cristo. Romanos 6.4 descreve que, assim
como Cristo ressuscitou dentre os mortos, o crente também “andará em novidade
de vida”, um viver pautado na realidade da nova natureza, não mais subjugado ao
domínio do pecado. Essa não é uma obra opcional ou parcial, mas a expressão
visível da regeneração operada pelo Espírito. Além disso, 1 João 3.9 reforça
que “quem é nascido de Deus não vive pecando; o pecado não tem domínio sobre
ele” (NVI). O texto grego usa ouk enkrataitai, indicando que o pecado perde seu
poder de controlar o regenerado. Não se trata de perfeição absoluta, mas de uma
mudança essencial na inclinação e direção do coração. O novo nascimento
estabelece uma liberdade interior que antes era inimaginável, criando um novo
horizonte para o viver diário, guiado pelo Espírito. Portanto, a regeneração
une intimamente nova vida e nova conduta. Não é uma “condição” humana a ser
cumprida, mas um dom gracioso do Espírito que transforma radicalmente o ser
interior. A mudança interior produz frutos exteriores: caráter renovado,
decisões santas, amor fraternal e comunhão com Deus. Viver como regenerado é
caminhar segundo essa nova natureza, reconhecendo que a obra do Espírito é
soberana, eficaz e contínua, moldando a vida do crente em conformidade com
Cristo.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
SINOPSE II
A Regeneração é uma transformação interior
operada pelo Espírito, purificando e renovando o pecador para viver em novidade
de vida.
AUXÍLIO TEOLÓGICO
“PURIFICANDO O CRENTE. A obra do Espírito não
cessa quando a pessoa reconhece sua culpa diante de Deus, mas vai crescendo a
cada etapa subsequente. A segunda etapa na santificação pelo Espírito Santo na
vida do indivíduo é a conversão. Esta é uma experiência instantânea. Inclui a
santificação pelo Espírito, ou, em linguagem biblicamente mais correta, o
processo da santificação pelo Espírito inclui a conversão. Podemos facilmente
demonstrar esse fato pelas Escrituras. Considere as palavras de Paulo: ‘Mas
devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter
Deus elegido desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e
fé da verdade’ (2Ts 2.13). Note que a palavra ‘salvação’ é qualificada por duas
frases preposicionais, que descrevem como foram salvos os crentes de
Tessalônica. A segunda frase: ‘fé na verdade’ descreve o papel do crente na
salvação: ter fé no evangelho de Jesus Cristo (v.14). A primeira frase: ‘em
santificação do Espírito’, é mais importante para o presente estudo. Descreve o
papel do Espírito na salvação: santificar o crente.” (HORTON, Stanley M. (Ed.).
Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2019,
pp.423,424).
III. SINAIS
DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO
1. A Justificação pela Fé. Pela fé em Cristo, o pecador é
justificado, recebendo uma nova posição diante de Deus, não por mérito pessoal,
mas pela obra redentora do Calvário (Rm 3.24,28). O crente não é apenas
perdoado, mas é declarado justo diante de Deus, isto é, absolvido da culpa, da
punição e da condenação do pecado (Rm 4.7,8). Essa dádiva é recebida somente
por meio da fé, como resposta à graça de Deus revelada em Cristo (Rm 3.22). A
justificação, portanto, não acontece à parte da fé, mas após a pessoa crer em
Cristo como Salvador (Gl 2.16). Esse é o resultado da ação do Espírito Santo
que leva o pecador à fé e, consequentemente, à justificação (Jo 16.8). Os
efeitos da justificação pela fé incluem a paz com Deus (Rm 5.1) e a adoção como
filhos amados do Pai (Jo 1.12).
👉 A justificação é o primeiro grande sinal da regeneração. Pela fé
em Cristo, o pecador não apenas é perdoado, mas é declarado justo diante de
Deus (Rm 3.24,28). Esta justiça não se baseia em méritos humanos, esforço ou
comportamento moral, mas unicamente na obra consumada de Cristo na cruz.
Romanos 4.7-8 esclarece que o crente é absolvido da culpa, da punição e da
condenação que o pecado traz, recebendo uma posição nova e irrevogável diante
do Pai. Em outras palavras, a justificação é um ato judicial divino: Deus
declara o pecador justo por causa de Cristo, não por causa do pecador.
A fé, portanto, não é um complemento
ou requisito que acrescenta algo à obra de Cristo, mas é o meio pelo qual essa
dádiva é recebida (Rm 3.22; Gl 2.16). O termo grego pistis usado em Romanos
refere-se a uma confiança ativa, uma rendição total ao Senhor, fruto da ação do
Espírito Santo que convence, regenera e conduz à resposta de fé (Jo 16.8). Sem
essa obra do Espírito, o coração permanece insensível à justiça de Deus. A
justificação é, portanto, inseparável da regeneração: onde o Espírito
transforma, a fé brota, e onde há fé, a justificação se manifesta.
Os efeitos práticos da justificação
são imediatos e profundos. Romanos 5.1 afirma que o crente passa a ter paz com
Deus, não mais vivendo sob o peso da culpa, mas na liberdade de um filho
adotivo. João 1.12 complementa: ao receber a Cristo, o crente torna-se filho
amado de Deus, entrando em uma relação íntima, pessoal e contínua com o Pai.
Essa filiação não é apenas legal, mas vital e relacional, refletindo a
transformação interna operada pelo Espírito.
Portanto, a justificação é mais que um
ato jurídico: é o sinal tangível da regeneração. Mostra que Deus cumpre Sua
promessa, declarando o pecador como aceitável e amado. A nova posição diante de
Deus produz mudanças no viver diário, gerando obediência, gratidão e comunhão,
que evidenciam a realidade do novo nascimento em Cristo. Não se trata de
esforço humano ou méritos, mas da graça soberana que transforma, capacita e
sustenta o crente em toda a sua caminhada espiritual.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
2. A vida de Santificação. Na obra da Redenção, o pecador é
imediata e simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho
de Deus (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). A partir daí, inicia-se o processo
contínuo de santificação, ou seja, uma vida separada do pecado e consagrada à
obediência, até a sua glorificação final no dia de Cristo (2Co 3.18). O crente
passa a viver segundo o Espírito e não mais como escravo da carne (1Ts 4.3,4).
Conforme abordado na lição anterior, a santificação apresenta aspectos
posicionais e progressivos, à medida que o crente avança em maturidade
espiritual e se torna mais semelhante a Cristo (1Pe 1.15,16). Essa nova vida
recebida na regeneração se manifesta pela renúncia ao pecado e pela prática
contínua da justiça e santidade (Rm 6.11; Ef 4.24).
👉 A regeneração e a justificação marcam o início de uma nova
existência, mas não a completam. Na obra redentora de Cristo, o pecador é
simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At
13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). Esse ato divino inaugura uma vida transformada, na
qual a alma já não está mais sob a escravidão do pecado. Contudo, a
santificação é um processo contínuo, um crescimento diário em separação do
pecado e dedicação à obediência a Deus, que culminará na glorificação final no dia
de Cristo (2Co 3.18).
A santificação não é apenas um
conceito moral, mas espiritual. Trata-se de viver segundo o Espírito, não
segundo a carne (1Ts 4.3-4). O termo grego hagiosyne (santidade) implica
separação, pureza e consagração. Ou seja, o crente, regenerado pelo Espírito, é
chamado a refletir a santidade de Deus em pensamentos, palavras e ações,
tornando-se um sinal vivo da obra redentora de Cristo. Essa transformação é
progressiva e prática, mostrando que a fé se traduz em obediência concreta.
A santificação apresenta dois aspectos
interdependentes: o posicional, que decorre da obra consumada de Cristo e da
justificação inicial (1Pe 1.15-16), e o progressivo, que ocorre à medida que o
crente cresce em maturidade espiritual, aprende a resistir ao pecado e se
conforma cada vez mais à imagem de Cristo. A Bíblia ensina que essa vida nova
não é meramente teórica ou sentimental, mas visível na renúncia diária ao
pecado e na prática contínua da justiça (Rm 6.11; Ef 4.24).
Viver santificado significa experimentar
uma mudança interior que afeta o exterior: pensamentos, escolhas,
relacionamentos e prioridades passam a refletir a mente de Cristo (Rm 12.2).
Essa é uma evidência concreta do novo nascimento: onde há regeneração, há
também desejo de obedecer, amar e honrar a Deus. O Espírito Santo atua
constantemente, convencendo, guiando e fortalecendo o crente na prática da
santidade, tornando possível a verdadeira transformação de dentro para fora.
Portanto, a santificação é tanto um
chamado quanto uma promessa. Ela demonstra que a obra de Deus na vida do crente
não é estática, mas dinâmica e contínua. A nova vida recebida na regeneração
não apenas nos posiciona diante de Deus como justos, mas nos capacita a viver
de modo consistente com essa justiça. O progresso na santidade é, assim, um
sinal claro de que o Espírito está operando, produzindo frutos que glorificam a
Deus e confirmam a autenticidade do novo nascimento.
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. O Fruto do Espírito. Um importante efeito visível da
regeneração é o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade,
benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23). Não se trata de
dons espirituais, mas de virtudes que o Espírito Santo produz no caráter do
regenerado como expressão de sua nova vida (Ef 2.10). Antes, era dominado pelas
paixões carnais, mas agora manifesta a presença do Espírito em suas atitudes
diárias (Rm 8.5). Portanto, o Fruto do Espírito é a evidência prática da
Regeneração (Mt 7.16). Quem nasceu de novo passa a refletir, ainda que
imperfeitamente, o caráter de Cristo em suas palavras, ações e reações (Lc
6.40). Tal postura não pode ser esporádica, mas uma marca contínua da nova vida
recebida em Cristo (Mt 5.16).
👉 A regeneração não se limita a uma mudança interna; ela se
manifesta externamente na vida do crente pelo fruto do Espírito. Paulo descreve
essas virtudes em Gálatas 5.22-23: amor, alegria, paz, paciência
(longanimidade), bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (temperança).
É importante notar que este fruto não se refere aos dons espirituais, mas à
transformação do caráter do regenerado, fruto da ação contínua do Espírito
Santo (Ef 2.10). O crente que antes estava preso às paixões e desejos da carne
passa a experimentar a presença viva do Espírito em sua mente, coração e ações
(Rm 8.5). O grego para “Fruto” (karpos) enfatiza o resultado natural e
inevitável de uma vida enraizada em Cristo: assim como uma árvore saudável
produz frutos segundo sua natureza, o regenerado expressa, de forma crescente,
o caráter de Deus. Este fruto não é ocasional ou esporádico; ele é a evidência
prática da regeneração e do novo nascimento (Mt 7.16). Cada ato de amor, cada
expressão de paciência e cada decisão guiada pelo Espírito são sinais concretos
de que a vida do crente está sendo transformada de dentro para fora. O fruto do
Espírito confirma que a salvação não é apenas positional, mas também relacional
e prática, tocando todas as áreas da existência humana. Mesmo que imperfeito, o
crente regenerado reflete o caráter de Cristo em suas atitudes diárias,
espelhando Sua mente e conduta (Lc 6.40). O desenvolvimento desse fruto é
progressivo e contínuo: quanto mais o crente permanece em comunhão com Cristo,
mais o Espírito molda sua vida para glorificar Deus (Jo 15.5). Portanto,
observar o fruto do Espírito na vida de alguém é testemunhar a ação
transformadora do Novo Nascimento. É uma vida que gradualmente abandona o
egoísmo, o pecado e a instabilidade da carne, e passa a viver de maneira
coerente com a natureza de Cristo. Essa manifestação não apenas valida a
regeneração, mas também serve como luz para o mundo, confirmando que o poder de
Deus está operando na vida daqueles que nasceram de novo (Mt 5.16).
1. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.
2. BÍBLIA. Bíblia
de Estudo MacArthur. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.
3. HORTON, Stanley
M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
4. QUEIROZ, Silas.
Corpo, Alma e Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2013.
5. KEENER, Craig S.
Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
SINOPSE III
Os sinais do novo nascimento incluem a
justificação pela fé, a vida de santificação e a manifestação contínua do Fruto
do Espírito.
CONCLUSÃO
A regeneração é uma obra trinitária operada pelo Espírito Santo. Não é
um esforço humano, mas uma transformação espiritual profunda. Como regenerador,
o Espírito concede nova vida, uma nova natureza e uma nova direção ao ser
humano. É necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino. Que cada crente
se deixe conduzir pelo Espírito e reflita, dia a dia, a natureza divina
recebida no Novo Nascimento.
👉 A regeneração é uma obra soberana e trinitária, operada pelo
Espírito Santo, que transforma o ser humano de dentro para fora. Não se trata
de esforço humano nem de reforma moral superficial, mas de uma mudança
espiritual radical: o pecador recebe nova vida, nova natureza e nova direção,
tornando-se capaz de viver segundo a vontade de Deus. Como Jesus ensinou a
Nicodemos, é necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino (Jo 3.3).
O Espírito Santo, como regenerador,
atua de maneira livre e soberana, imprimindo na vida do crente evidências reais
dessa transformação: justificação, santificação e fruto espiritual. Cada
aspecto da nova vida aponta para a ação contínua de Deus na condução do crente,
moldando pensamentos, atitudes e relações à semelhança de Cristo. O Novo
Nascimento, portanto, não é um evento isolado, mas o início de uma caminhada
diária de comunhão com Deus, marcada pela renovação da mente e do coração (Ef
4.23).
Que cada crente permita ao Espírito
conduzir seus passos, rejeitando as demandas da carne e abraçando a nova
natureza recebida. Ao refletir a vida de Cristo em palavras, ações e decisões,
o cristão cumpre o chamado da regeneração: viver como nova criatura,
testemunhando a graça de Deus de forma prática e transformadora.
A regeneração não apenas redefine a
condição do homem diante de Deus, mas também oferece uma solução concreta para
a escravidão ao pecado: confiar no Espírito e cooperar com Sua obra contínua de
santificação. Quem se deixa guiar pelo Espírito experimenta vitória sobre o
pecado e crescimento constante na semelhança de Cristo, vivendo uma vida que
glorifica a Deus em cada aspecto. Concluímos esta preciosa loção extraindo três
aplicações práticas para a vida do cristão:
1.
Entregue-se diariamente ao Espírito: Busque a condução do
Espírito Santo em todas as decisões e atitudes, reconhecendo que a verdadeira
transformação não vem da força humana.
2.
Pratique evidências do novo nascimento: Demonstre a nova natureza
recebida por meio da justiça, amor fraternal, obediência e fruto do Espírito em
sua vida cotidiana.
3.
Renove a mente continuamente: Permita que a Palavra de
Deus transforme pensamentos e valores, consolidando a santificação e
fortalecendo a caminhada espiritual.
FRANCISCO BARBOSA (@pr.assis)
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• Graduado em Gestão Pública;
• Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP);
• Bacharel Ministerial em Teologia pelo Instituto de Formação FATEB;
• Curso Superior Sequencial em Teologia Bíblica, pelo Instituto de
Formação FATEB;
• Pós-Graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela
Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);
• Pós-Graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo
Instituto de Formação FATEB;
• Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD
Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP,
2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil,
Campina Grande/PB, desde 2015).
• Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em
Campina Grande/PB servo, barro nas mãos do Oleiro.]
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REVISANDO O CONTEÚDO
1. De acordo com o diálogo entre Jesus e
Nicodemos, o que significa a expressão “nascer de novo”?
Significa nascer do alto, uma transformação espiritual operada pelo
Espírito Santo (Jo 3.3-5).
2. Como é possível constatar a ação do
Espírito na vida do pecador regenerado?
Pela mudança interior e pela manifestação do fruto do Espírito na vida
diária (Gl 5.22,23).
3. O que a incompreensão espiritual de
Nicodemos evidencia sobre o novo nascimento?
Que a mente natural não pode compreender as coisas espirituais sem a
ação do Espírito (1Co 2.14).
4. O que significa a expressão “O que é
nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6)?
Que a carne gera apenas o que é carnal, mas o Espírito produz vida
espiritual verdadeira (Jo 3.6).
5. Em linhas gerais, o que é o Fruto do
Espírito?
O fruto do Espírito são virtudes cristãs que evidenciam a nova vida em
Cristo (Gl 5.22,23).
SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO
O ESPÍRITO SANTO — O REGENERADOR
A experiência da salvação não seria completa sem uma profunda
transformação no interior do salvo. O milagre da regeneração não se limita a
mudar a aparência, mas reveste o interior do crente com uma nova vida que
coaduna com a vida de Cristo (Cl 3.10). Um dos maiores desafios da vida cristã
é aprender a viver como salvo em meio a uma sociedade corrompida, marcada pelo
pecado. Nesse cenário, o crente recém-convertido precisa aprender a lidar com
as pressões do mundo e nutrir em sua vida diária a santidade. Uma vez
justificado e adotado como filho de Deus pela fé, o salvo passa por um processo
contínuo de santificação. Nutrir uma vida de santificação requer submeter-se à
condução do Espírito e dispor-se a não viver mais como escravo do pecado (Rm 6.17,18).
Para tanto, é necessário disciplina em relação à oração, meditação frequente
nas Escrituras Sagradas e posicionamento firme contra maus hábitos. Significa
renunciar diariamente ao pecado para praticar a justiça que agrada a Deus, seja
por palavras, atitudes ou modo de pensar. Não devemos nos conformar com o
mundo, mas assumir uma postura racional e transformada pela renovação do nosso
entendimento (Rm 12.1,2).
No Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento (CPAD), Lawrence O.
Richards explica que “a palavra usada aqui para ‘entendimento’ é ‘nous’, e não
deve ser confundida com ‘conhecimento’ nem com ‘razão’. O que Paulo tem em
mente é expresso mais apropriadamente como ‘perspectiva’ ou ‘modo de
pensamento’. Os crentes devem resistir às pressões exercidas pelo mundo para
nos conformar com seu modo de pensamento, e em vez disso ter cada uma de nossas
perspectivas sobre as questões da vida a partir da perspectiva de Deus. Que
grande dádiva é a Escritura. E que grande dádiva é o Espírito, que usa a Palavra
para renovar nosso entendimento e transformar nossa vida” (2007, p.317). Essa
postura é fruto do contato com o Evangelho da graça, através do qual, uma vez
transformados por ele, experimentamos a boa, agradável e perfeita vontade de
Deus (v.2). Quando compreendemos o modo de pensar ensinado pelo Evangelho,
aprendemos que praticar a Palavra de Deus não se limita a conhecer uma nova
filosofia, mas é adotar um novo estilo de vida transformado pelo poder de Deus
para salvação do homem (Rm 1.16). Por essa razão, o apóstolo Paulo encoraja os
filipenses a desenvolverem a salvação com temor e tremor (Fp 2.12). Logo, a
salvação não é apenas um estado de espírito, mas um viver diário que
preservamos de modo vigilante à espera de nosso Senhor, que voltará em glória
para nos buscar.