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15 de fevereiro de 2026

JOVENS - Lição 8: A Eleição na Salvação

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

1º Trimestre de 2026

Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras

Comentarista: Marcelo Oliveira

 

Lição 8: A Eleição na Salvação

Data: ´22 de fevereiro de 2026

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TEXTO PRINCIPAL

 

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor.” (Ef 1.4).

ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:

👉 Efésios 1.4 está inserido em uma única e longa doxologia que vai do versículo 3 ao 14, onde Paulo louva a Deus por sua obra redentora em Cristo. O versículo não é um argumento isolado sobre predestinação, mas parte de um hino teológico que celebra a iniciativa divina da salvação. A ênfase inicial recai sobre a ação de Deus: “como também nos elegeu”. O verbo grego eklegomai indica uma escolha deliberada, intencional, que parte exclusivamente da vontade de quem escolhe. O sujeito da ação é Deus, e o objeto é “nós”, entendido aqui não como indivíduos desconectados, mas como a comunidade dos que estão em Cristo, a Igreja.

 

A expressão decisiva do texto é “nele” (en autō). Toda a eleição descrita por Paulo é mediada por Cristo. Não somos eleitos fora dele, nem antes dele, mas exclusivamente em união com ele. Isso desloca o centro da eleição do indivíduo para Cristo como o Eleito por excelência. Ele é o locus da escolha divina. Assim, a eleição não é apresentada como um decreto abstrato, mas como uma realidade relacional: Deus escolhe um povo ao escolher Cristo, e todos os que estão unidos a ele participam dessa eleição. Esse detalhe gramatical sustenta uma leitura cristocêntrica e corporativa do texto.

 

Quando Paulo afirma que essa eleição ocorreu “antes da fundação do mundo” (pro katabolēs kosmou), ele não está estimulando especulações metafísicas, mas enfatizando a anterioridade e a gratuidade da graça. A salvação não é reação divina ao pecado humano, mas parte do plano eterno de Deus. Isso reforça que a eleição não se baseia em obras, méritos ou previsões de comportamento, mas na livre iniciativa de Deus em Cristo. O tempo verbal aponta para a soberania do propósito divino, não para um fatalismo determinista.

 

O apóstolo também deixa claro o objetivo da eleição: “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele”. O termo hagios (santos) carrega a ideia de separação para Deus, enquanto amōmos (irrepreensíveis) era usado no contexto sacrificial para indicar algo sem defeito. A eleição, portanto, não é um fim em si mesma, mas um meio para uma vida transformada. Ela não apenas garante pertencimento, mas estabelece um chamado ético e espiritual. Ser eleito implica ser moldado à imagem de Cristo, vivendo de forma coerente com a presença de Deus.

 

Por fim, a frase “em amor” (en agapē) funciona como chave interpretativa de todo o versículo. Gramaticalmente, pode qualificar tanto o ato de Deus ao eleger quanto o modo como os eleitos vivem diante dele. Em ambos os casos, o amor é o fundamento e o ambiente da eleição. Deus escolhe por amor, e os eleitos são chamados a viver diante dele em amor. Assim, Efésios 1.4 apresenta a eleição não como um conceito frio ou especulativo, mas como uma realidade profundamente pastoral, enraizada no amor eterno de Deus, realizada em Cristo e direcionada a uma vida santa, relacional e comprometida com o propósito divino.

 

RESUMO DA LIÇÃO

 

A compreensão da Eleição nos impulsiona a uma vida de entrega total a Deus, refletindo sua glória e cumprindo seu propósito no mundo.

ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:

👉 Compreender a doutrina bíblica da eleição não é um exercício meramente intelectual, mas um encontro profundo com a iniciativa graciosa de Deus na história da salvação. A eleição nos desloca do centro e nos ensina que a fé cristã começa em Deus antes de chegar a nós. Ela nos conduz a reconhecer que nossa salvação não nasce do acaso, da força de vontade ou do mérito espiritual, mas do propósito eterno de Deus realizado em Cristo. Esse entendimento produz reverência, não especulação; adoração, não arrogância.

 

Quando a eleição é corretamente compreendida, ela redefine a forma como enxergamos nossa relação com Deus. Não somos apenas receptores passivos da graça, mas participantes conscientes de um chamado santo. Deus nos escolhe em Cristo para que vivamos diante dele, conscientes de sua presença e submissos à sua vontade. Essa escolha não nos afasta da responsabilidade humana, mas aprofunda nosso compromisso com uma fé viva, marcada por arrependimento, obediência e perseverança.

 

A eleição também ilumina o sentido da entrega total a Deus. Ela revela que a vida cristã não é fragmentada, onde Deus ocupa apenas espaços pontuais da existência, mas integral. Fomos escolhidos para pertencer inteiramente a ele, em pensamento, caráter, decisões e testemunho. Essa entrega não é forçada, mas fruto de uma resposta amorosa à graça que primeiro nos alcançou. Quanto mais entendemos a eleição, mais percebemos que viver para Deus é um privilégio antes de ser um dever.

 

Além disso, a eleição está inseparavelmente ligada ao propósito de Deus no mundo. Deus forma um povo em Cristo não para isolamento espiritual, mas para participação ativa em sua missão redentora. Os eleitos são chamados a refletir a glória de Deus por meio de uma vida santa, visível e comprometida com o anúncio do Evangelho. A eleição, longe de produzir acomodação, desperta responsabilidade missionária e senso de pertencimento ao plano maior de Deus para a humanidade.

 

Por fim, a compreensão bíblica da eleição nos conduz a uma espiritualidade madura e equilibrada. Ela nos livra tanto do orgulho espiritual quanto do medo paralisante, ensinando-nos a descansar na graça sem negligenciar a obediência. Somos eleitos em Cristo para viver para a glória de Deus, cooperando com sua obra no mundo, até que todas as coisas sejam reunidas nele. Assim, a eleição se torna não apenas uma doutrina confessada, mas uma verdade vivida, que molda nossa fé, nossa esperança e nossa maneira de viver diante de Deus e das pessoas.

 

TEXTO BÍBLICO 

Efésios 1.3-14.

 Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

 

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,

👉 Paulo inicia com uma doxologia. A salvação não começa no homem, mas na adoração a Deus. As três Bíblias concordam que “todas as bênçãos espirituais” não se referem a prosperidade material, mas aos benefícios da redenção.

A Bíblia Pentecostal destaca que essas bênçãos são mediadas pelo Espírito Santo e vivenciadas na comunhão com Cristo.

MacArthur enfatiza que essas bênçãos já foram concedidas, não são promessas futuras.

A Plenitude ressalta que “nas regiões celestiais” aponta para a nova posição espiritual do crente em Cristo, acima do domínio do pecado.

4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,

👉 Aqui Paulo afirma que a eleição ocorre “em Cristo”. A Bíblia Pentecostal destaca o caráter cristocêntrico e relacional da eleição, rejeitando uma leitura fatalista. MacArthur vê a eleição como parte do decreto soberano eterno de Deus, enfatizando a iniciativa divina. A Plenitude sublinha que o propósito da eleição é ético e espiritual, santidade e vida irrepreensível, não privilégio abstrato. O amor é tanto a motivação divina quanto o ambiente da vida cristã.

5 e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

👉 Predestinação aqui não é apresentada como exclusão arbitrária, mas como destino gracioso. A Bíblia Pentecostal entende a adoção como convite relacional que exige resposta de fé. MacArthur ressalta que a adoção é um ato soberano de Deus que concede identidade e herança. A Plenitude destaca a restauração da filiação perdida no Éden. O foco está na vontade graciosa de Deus, não na capacidade humana.

6 para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.

👉 A salvação tem um fim maior: a glória da graça de Deus. As três Bíblias concordam que a ênfase está na gratuidade. Pentecostal: a graça é experimentada e celebrada na vida da igreja. MacArthur: a salvação exclui qualquer mérito humano. Plenitude: o “Amado” é Cristo como o Filho eterno, por meio de quem recebemos favor.

7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

👉 Redenção aponta para libertação mediante pagamento. A Bíblia Pentecostal enfatiza o valor do sangue de Cristo como base da salvação e da vida espiritual. MacArthur reforça a doutrina da expiação substitutiva. A Plenitude destaca que a graça não é limitada, mas rica e abundante. O perdão é completo, não parcial.

8 que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,

👉 Deus não concede graça de forma desordenada. Pentecostal: a sabedoria aqui inclui discernimento espiritual. MacArthur: sabedoria refere-se ao plano redentor revelado. Plenitude: prudência aponta para maturidade espiritual na vida cristã. A salvação envolve mente e coração.

9 descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

👉 Mistério não é algo oculto, mas agora revelado. Pentecostal: o Espírito revela progressivamente esse plano à igreja. MacArthur: o mistério é Cristo como centro da redenção universal. Plenitude: Deus age conforme um plano intencional, não improvisado.

10 de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

👉 Este versículo apresenta o escopo cósmico da redenção. Cristo restaura a criação e a ordem espiritual. MacArthur: todas as coisas estarão sob o governo de Cristo. A história caminha para a restauração plena em Cristo. A salvação é pessoal, mas também cósmica.

11 nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade,

👉 Os crentes são herdeiros e também herança de Deus. A herança envolve vida no Espírito e promessa futura. Predestinação reafirma o plano soberano de Deus. A herança aponta para identidade e missão.

12 com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro esperamos em Cristo;

👉 A vida cristã tem direção doxológica. Esperança viva gera testemunho. Os primeiros crentes judeus são incluídos no plano. Viver para a glória de Deus é a essência da fé.

13 em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa;

👉 Aqui aparece claramente a resposta humana. Ouvir, crer e responder ao Evangelho. A fé como meio da aplicação da salvação. O papel da pregação na inclusão dos gentios.

14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para louvor da sua glória.

👉 O Espírito Santo é garantia, não substituto da herança. O Espírito é experiência viva e contínua. O selo garante segurança da salvação. A herança futura motiva perseverança presente. Tudo culmina novamente na glória de Deus.

 

Síntese Final

Efésios 1.3–14 revela uma salvação planejada pelo Pai, realizada no Filho e aplicada pelo Espírito Santo. As três Bíblias, apesar de ênfases distintas, convergem em um ponto essencial: a eleição e a redenção não são especulação teológica, mas fundamento para adoração, santidade, missão e esperança viva. Esse texto nos ensina não apenas no que cremos, mas como vivemos diante de Deus.

 

INTRODUÇÃO

 

A Salvação e a Eleição estão intimamente ligadas à obra redentora de Cristo, que, por meio de seu sacrifício na cruz, nos oferece o perdão e a vida eterna. Por isso, a Eleição é uma escolha de Deus, não fundamentada em determinismos e incondicionalidades, mas em sua infinita graça e amor. Deus nos escolheu porque, em Cristo, Ele decidiu misericordiosamente nos chamar para uma vida transformada, dependente de sua graça. Assim, nesta lição, veremos que a Eleição é um ato de amor que nos convida a nos entregar plenamente a Deus, vivendo conforme sua vontade.

👉 Antes de perguntarmos se fomos eleitos, a Escritura nos força a encarar uma pergunta mais profunda: eleitos para quê, e em quem? Paulo não inicia Efésios falando de escolhas humanas, mas conduz a igreja a contemplar um Deus que age antes do tempo, antes do mérito e antes mesmo da história existir. A eleição, portanto, não nasce de curiosidade teológica, mas do espanto diante de um Deus que planejou a redenção em Cristo antes que houvesse um mundo a ser salvo. Ao longo da história da igreja, poucos temas geraram tanta confusão quanto a doutrina da eleição. Para alguns, ela soa fria, determinista e distante da experiência viva da fé; para outros, parece um privilégio individual desconectado da missão e da santidade. No entanto, quando lida a partir do próprio texto bíblico, especialmente de Efésios 1.3–14, a eleição se revela como um ato profundamente relacional, redentor e pastoral, enraizado no amor gracioso de Deus e plenamente realizado em Cristo. Paulo afirma que fomos eleitos “nele”, e essa pequena expressão muda tudo. A eleição não começa em nós, nem termina em nós. Ela está centrada em Jesus, o Eleito por excelência, o Cordeiro separado antes da fundação do mundo para reconciliar todas as coisas com Deus. Fora de Cristo, não há eleição; em Cristo, há um povo chamado, redimido e destinado a viver para a glória de Deus. Essa perspectiva preserva tanto a soberania divina quanto o chamado humano à fé, ao arrependimento e à obediência. Nesta lição, veremos que a eleição bíblica é, antes de tudo, corporativa e missional. Deus não escolheu indivíduos isolados para um privilégio privado, mas formou um povo em Cristo, assim como fez com Israel no Antigo Testamento, agora ampliando esse chamado à Igreja composta por judeus e gentios. A eleição sempre esteve ligada ao propósito de Deus de revelar sua glória ao mundo e de conduzir a humanidade à salvação por meio do Evangelho. Por fim, refletiremos sobre as implicações práticas dessa doutrina para a vida cristã. A eleição não produz passividade, mas responsabilidade; não gera orgulho espiritual, mas santidade; não nos afasta da missão, mas nos lança ao serviço. Ser eleito em Cristo significa viver de modo coerente com essa chamada, ouvindo a voz do Pastor, respondendo em fé e permitindo que a graça que nos alcançou molde nossa vida, nosso caráter e nosso compromisso com o Reino de Deus.

 

I. O CONCEITO BÍBLICO DE ELEIÇÃO

1. A Eleição como parte do plano redentor de Deus. A Doutrina Bíblica da Salvação é de grande importância. Ao refletirmos sobre ela, podemos nos perguntar: “Como Deus elege os salvos para a salvação?” A Eleição bíblica para a salvação não é incondicional, mas condicional, ou seja, ela faz parte do plano de Deus para salvar o pecador em que este deve respondê-la com arrependimento e fé. Assim, a eleição de Deus é condicional àqueles que ouvem e seguem a voz de Jesus, nosso Senhor (Jo 10.27). É essencial entender que a Eleição bíblica está fundamentada na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a Ele. Deus escolheu um povo para si, com o propósito de ser testemunha de sua glória e de trazer salvação ao mundo. A Eleição aponta para a obra de Cristo, o Cordeiro escolhido, por meio do qual todos os crentes são eleitos para a salvação (Ef 1.4,5; Rm 8.29,30).

👉 A doutrina bíblica da eleição nos conduz ao coração do plano redentor de Deus e nos obriga a fazer a pergunta certa, não apenas como Deus escolhe, mas como Ele salva. A Escritura não apresenta a eleição como um enigma filosófico, mas como parte orgânica da obra salvadora realizada em Cristo. Em Efésios 1.4, Paulo afirma que fomos eleitos “nele”, expressão que no grego aparece como en autō, indicando esfera, união e relacionamento. A eleição não acontece à margem da história, nem fora do Evangelho, mas dentro da ação concreta de Deus em Cristo. Antes de falarmos da resposta humana, o texto nos leva a contemplar a iniciativa graciosa de Deus, que age primeiro, chama primeiro e oferece salvação antes mesmo de qualquer mérito humano. Ao perguntarmos como Deus elege para a salvação, a própria Bíblia nos impede de respostas simplistas. A eleição, à luz do testemunho bíblico completo, não é arbitrária nem fatalista, mas relacional e responsiva. Jesus afirma: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27, NVI). O verbo “ouvem” (akouousin) indica escuta contínua e obediente. A eleição, portanto, se manifesta no encontro entre o chamado gracioso de Deus e a resposta humana de fé e arrependimento. Como bem observa Stanley Horton, Deus toma a iniciativa soberana na salvação, mas nunca anula a responsabilidade humana de responder ao chamado do Evangelho. É essencial compreender que a eleição bíblica está firmemente ancorada na pessoa e na obra de Jesus Cristo. Ele não é apenas o meio da salvação, mas o Eleito por excelência. Em linguagem bíblica, Cristo é o Cordeiro separado antes da fundação do mundo, e todos os que estão unidos a Ele participam dessa eleição. O foco não está em indivíduos isolados, mas em um povo formado em Cristo. Essa compreensão preserva o caráter cristocêntrico da salvação e impede que a eleição seja transformada em um privilégio abstrato. Como destaca Gordon Fee, Paulo jamais fala de eleição fora da realidade viva da união com Cristo e da atuação do Espírito Santo na comunidade dos crentes. Quando a Escritura afirma que Deus escolheu um povo para si, ela também revela o propósito dessa escolha. A eleição nunca é um fim em si mesma. Desde Israel no Antigo Testamento até a Igreja no Novo, o padrão se repete: Deus chama para enviar, separa para testemunhar, salva para manifestar sua glória. A eleição tem um horizonte missionário. Fomos escolhidos para sermos “santos e irrepreensíveis”, não como status espiritual, mas como vocação ética e testemunhal no mundo. A santidade, nesse sentido, não é isolamento, mas fidelidade a Deus em meio à história. Por fim, compreender corretamente a eleição nos livra de dois extremos perigosos: a presunção espiritual e a passividade religiosa. A eleição bíblica nos chama à entrega total a Cristo, à perseverança na fé e à obediência diária. Ela nos lembra que pertencemos a Deus, mas também que somos responsáveis por permanecer em Cristo. Como ensinam os comentaristas pentecostais clássicos, a eleição é graça que chama, sustenta e direciona, mas que espera uma resposta viva, contínua e sincera. Assim, a doutrina da eleição deixa de ser apenas um conceito teológico e se torna um convite pastoral a viver com reverência, compromisso e profunda dependência da graça de Deus.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

6. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

2. A Eleição no Antigo Testamento: Israel como povo escolhido. Quando observamos a eleição no Antigo Testamento, percebemos que se trata de uma eleição corporativa, ou seja, a eleição bíblica para salvar não diz respeito a indivíduos, mas a um povo — exceto quando se refere a uma eleição para um ministério específico, como nos casos de Abraão, Davi e Jeremias. Essa mesma perspectiva será encontrada no Novo Testamento. No Antigo Testamento, a eleição foi dirigida a Israel, não por méritos do povo, mas pela graça de Deus. O propósito da eleição de Israel era claro: ser a nação por meio da qual a promessa de salvação para o mundo seria cumprida, especialmente pela vinda do Messias (Dt 7.6-8; Is 45.4).

👉 Quando olhamos para a eleição no Antigo Testamento, a primeira lição que aprendemos é que Deus não começa sua obra salvadora escolhendo indivíduos isolados, mas formando um povo. A eleição bíblica nasce em um contexto histórico, relacional e redentor. Israel não surge como um conjunto de heróis espirituais, mas como uma comunidade chamada pela graça. Em Deuteronômio 7.6, o Senhor declara que escolheu Israel para ser seu povo especial, não porque fosse numeroso ou virtuoso, mas porque decidiu amá-lo. O verbo hebraico bachar, traduzido por “escolher”, carrega a ideia de decisão soberana e intencional, sem qualquer sugestão de mérito humano. Essa eleição, porém, nunca teve como objetivo final a salvação automática de cada israelita. A escolha era corporativa e vocacional. Deus separou Israel para um propósito dentro da história. Quando indivíduos como Abraão, Davi ou Jeremias são eleitos, o texto bíblico deixa claro que se trata de uma eleição para serviço e missão, não de uma garantia individual de redenção eterna. Jeremias, por exemplo, é chamado antes de nascer para ser profeta às nações, não para escapar das exigências da obediência. A eleição, portanto, cria responsabilidade, não privilégio espiritual. Esse ponto é enfatizado tanto pelo Comentário Bíblico Pentecostal quanto por Stanley Horton ao tratar da natureza ética do chamado divino. Israel foi escolhido pela graça, mas chamado a responder em fidelidade. A eleição não anulava a necessidade de fé, obediência e arrependimento. Pelo contrário, ela tornava essas respostas ainda mais urgentes. O Antigo Testamento mostra repetidamente que pertencer ao povo eleito não garantia comunhão automática com Deus. A aliança exigia resposta. Textos como Isaías 45.4 revelam que Deus chama Israel “por amor”, mas os profetas deixam claro que a infidelidade traz consequências reais. Aqui já percebemos uma tensão saudável entre soberania divina e responsabilidade humana, que será plenamente esclarecida no Novo Testamento. O propósito da eleição de Israel sempre foi maior do que a própria nação. Desde a promessa feita a Abraão, Deus deixa claro que, por meio desse povo, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Israel foi eleito para ser instrumento da revelação divina, guardião da Palavra e caminho histórico para a vinda do Messias. Como observa Craig Keener, a eleição de Israel deve ser entendida dentro da lógica missional de Deus, que age na história para alcançar o mundo. A eleição nunca foi um fim em si mesma, mas um meio para a redenção universal. Essa compreensão lança luz sobre a continuidade entre Antigo e Novo Testamento. O mesmo Deus que escolheu Israel forma agora, em Cristo, um novo povo composto por judeus e gentios. A lógica permanece a mesma. Deus chama pela graça, forma um povo e espera uma resposta viva de fé e obediência. Para os jovens da igreja hoje, essa verdade confronta uma fé acomodada e nos lembra que ser parte do povo de Deus significa viver em aliança, carregar uma missão e responder diariamente ao chamado do Senhor. A eleição, desde o Antigo Testamento, nunca foi sobre status, mas sobre propósito, fidelidade e compromisso com o plano redentor de Deus.

 

1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

4. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

3. A Eleição no Novo Testamento: A Igreja como povo eleito em Cristo. Agora, por meio da Aliança realizada no Calvário, a Eleição é cumprida em Cristo. A ênfase do Novo Testamento sobre a Eleição recai no fato de que todos os crentes que estão em Cristo foram eleitos para a salvação, por isso ela continua sendo corporativa. Nesse sentido, a eleição se estende aos gentios por meio da pregação do Evangelho. A Igreja, então, é chamada a viver conforme essa eleição, refletindo o caráter de Deus no mundo (Ef 1.4-6; 1Pe 2.9,10). Portanto, Deus chamou um povo para si, em Cristo, e aqueles que ouvem sua voz e seguem seus passos são eleitos para fazer parte de sua obra no mundo, vivendo em harmonia com sua vontade.

👉 No Novo Testamento, a doutrina da eleição atinge sua plena clareza quando é firmemente colocada em Cristo. A cruz não apenas inaugura a nova aliança, mas revela o modo como Deus sempre escolheu agir na história. Paulo afirma que fomos eleitos “nele” (Ef 1.4), e essa expressão não é decorativa. No grego, en Christō indica esfera de existência e união vital. A eleição não acontece fora de Cristo, nem antes dele, mas dentro da relação viva com o Filho. O Novo Testamento, portanto, não apresenta a eleição como um decreto abstrato, mas como uma realidade relacional que se concretiza na comunhão com Jesus.

Essa perspectiva esclarece por que a eleição continua sendo corporativa. Assim como Israel foi escolhido como povo no Antigo Testamento, agora a Igreja é formada como o povo eleito em Cristo. O foco não está em indivíduos isolados, mas em uma comunidade redimida que participa da vida do Eleito por excelência. Gordon Fee observa que Paulo nunca trata a salvação de forma individualista, pois a obra do Espírito sempre forma um corpo. Estar eleito significa pertencer a esse corpo, viver inserido nele e participar ativamente de sua missão no mundo. A novidade do Novo Testamento é que essa eleição se estende aos gentios por meio da proclamação do Evangelho. O que antes estava concentrado em uma nação agora se amplia a todas as etnias, culturas e povos. Isso não ocorre por substituição, mas por cumprimento. A promessa feita a Abraão alcança sua plenitude em Cristo. Como destaca Craig Keener, a inclusão dos gentios revela o caráter missionário da eleição. Deus chama um povo não para exclusividade espiritual, mas para manifestar sua graça de forma universal. A eleição cresce à medida que o Evangelho avança.

A Igreja, portanto, não é apenas beneficiária da eleição, mas portadora de sua responsabilidade. Pedro afirma que somos “nação santa, povo exclusivo de Deus” para anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz (1Pe 2.9,10, NVI). A eleição gera identidade, mas também vocação. O verbo “anunciar” revela que a escolha divina exige testemunho público. Stanley Horton ressalta que a eleição nunca anula a resposta humana, mas cria um chamado contínuo à obediência, à fé perseverante e à vida no Espírito. Por fim, o Novo Testamento deixa claro que são eleitos aqueles que ouvem a voz de Cristo e o seguem. O verbo “ouvir” (akouō) aponta para uma escuta obediente, constante e responsiva. A eleição não é um título estático, mas uma relação viva que precisa ser cultivada. Deus chama um povo em Cristo, sustenta esse povo pela graça e o conduz pelo Espírito, mas espera uma resposta real de fé e fidelidade. Para a Igreja de hoje, especialmente para os jovens, essa verdade confronta uma fé passiva e nos convida a viver em harmonia com a vontade de Deus, como participantes conscientes de sua obra redentora no mundo.

 

1. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

6. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

SUBSÍDIO I

Professor(a), esclareça aos alunos que a “escolha de Deus sobre aqueles que aceitam a Cristo pela fé é um ensino fundamental do apóstolo Paulo (veja Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.1,5,28; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). Eleição (gr. eklegō) refere-se à escolha de Deus para reivindicar um povo para si, com base na escolha deste povo de aceitar o seu perdão e confiar a vida a Jesus Cristo, o que os mantém espiritualmente puros e reservados para os seus propósitos especiais (cf. 2Ts 2.13). Paulo vê esta escolha como uma expressão do amor de Deus na qual Ele recebe voluntariamente a todos os que de bom grado recebem o seu Filho, Jesus Cristo (Jo 1.12). Essencialmente, Deus escolhe aceitar aqueles que voluntariamente decidem aceitar a liderança e a autoridade de Cristo em suas vidas”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1642).

 

II. A ELEIÇÃO BÍBLICA FUNDAMENTADA EM JESUS

 

1. Jesus, o Eleito de Deus: O Cordeiro Escolhido. Jesus é o “eleito” em um sentido único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20). Sua eleição inclui o sacrifício perfeito e definitivo que Ele ofereceu em nosso lugar, garantindo, assim, a eleição de todos os crentes. Ele é o primeiro eleito, cujo sacrifício na cruz assegura nossa própria eleição em Cristo. Para nós, na perspectiva bíblica pentecostal, a eleição é profundamente cristocêntrica, pois tudo gira em torno de Jesus e da sua obra redentora. Em passagens como 1 Pedro 1.19,20 e Apocalipse 13.8, vemos claramente que é em Cristo que nossa eleição se torna realidade.

👉 A Escritura nos conduz, antes de qualquer discussão sobre eleição, à pessoa de Jesus. A eleição bíblica não começa com o ser humano, mas com o Filho. Pedro afirma que Cristo foi conhecido antes da fundação do mundo como o Cordeiro sem defeito e sem mácula (1Pe 1.19,20, NVI). O verbo grego proginōskō indica conhecimento prévio com intenção relacional, não mera previsão. Deus não apenas sabia que Cristo viria, mas o designou amorosamente para a missão redentora. Isso revela que a eleição não nasce de um decreto frio, mas do propósito eterno de Deus revelado em Jesus. Jesus é o Eleito em sentido absoluto. Ele não é eleito para receber salvação, mas para ser o meio da salvação. Nos Evangelhos, o Pai declara publicamente sua escolha ao afirmar: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17, NVI). Aqui, eleição e missão caminham juntas. Como observa o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, a escolha de Cristo envolve sofrimento, obediência e entrega total. Ele é eleito para morrer. Isso confronta a ideia de eleição como privilégio confortável. No centro da eleição está a cruz.

Quando o Novo Testamento afirma que os crentes são eleitos, deixa claro que essa eleição acontece “em Cristo” (Ef 1.4). A expressão grega en Christō aponta para união vital e relacional. Não somos eleitos à parte dele, nem antes dele, mas porque estamos nele. Stanley Horton destaca que, na teologia pentecostal clássica, a eleição é sempre mediada por Cristo e condicionada à fé perseverante. Jesus é o Eleito, e a Igreja participa dessa eleição à medida que permanece nele. Fora de Cristo, não há eleição; nele, há vida, graça e esperança. Apocalipse 13.8 reforça essa verdade ao afirmar que o Cordeiro foi morto desde a criação do mundo. A linguagem não sugere um evento histórico antecipado, mas um propósito eterno já estabelecido no coração de Deus. Craig Keener observa que, no pensamento bíblico, o plano redentor de Deus precede a própria queda humana. Isso significa que a eleição não é uma resposta emergencial ao pecado, mas parte do projeto amoroso de Deus para restaurar a criação. Jesus não é uma alternativa. Ele é o centro do plano. Essa compreensão transforma nossa vida cristã prática. Se fomos alcançados porque estamos em Cristo, nossa vocação é permanecer nele com fé viva, obediência sincera e sensibilidade ao Espírito. A eleição não nos conduz à passividade, mas à consagração. Somos chamados a refletir o caráter do Eleito em um mundo ferido. Para os jovens da igreja, isso significa viver uma fé consciente, profunda e responsável. Estar em Cristo é um privilégio, mas também um chamado diário à fidelidade, à santidade e à missão.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.

5. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2008.

6. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2010.

7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

2. A Eleição em Cristo: Todos os crentes são eleitos nEle. A Eleição e Jesus Cristo estão intrinsecamente ligados, pois é em Cristo que somos escolhidos para a vida eterna (Ef 1.4,5). A Eleição não acontece fora de Cristo, mas por estarmos unidos a Ele, somos chamados e eleitos para viver com Deus para sempre. Essa eleição está fundamentada na obra redentora de Cristo, que, ao sacrificar sua vida por nós, nos dá acesso à graça divina. Portanto, a Eleição é um ato de graça, feito por Cristo, que nos capacita a viver a vida eterna. Logo, todos os salvos da Igreja de Cristo são eleitos nEle, em conformidade com sua vontade (2Tm 1.9).

👉 A Escritura é cuidadosa ao afirmar que a eleição cristã não existe como uma realidade autônoma, solta no plano eterno de Deus. Paulo declara que fomos escolhidos “nele” antes da criação do mundo (Ef 1.4, NVI). A expressão grega en autō aponta para uma união viva, relacional e dinâmica com Cristo. Não se trata apenas de um meio instrumental, mas do próprio ambiente espiritual onde a eleição acontece. Fora de Cristo não há eleição salvífica, pois é somente nele que a vida eterna se manifesta. Isso nos protege de uma compreensão abstrata ou fatalista da doutrina e nos conduz a uma fé profundamente cristocêntrica.

A eleição, segundo Efésios 1.4,5, está inseparavelmente ligada à adoção. Deus nos escolheu “para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo” (NVI). O verbo eklegomai indica uma escolha graciosa e intencional, enquanto huiothesia descreve a colocação legal de alguém na posição de filho. Isso revela que a eleição não é apenas para escapar da condenação, mas para entrar em um relacionamento familiar com Deus. Como observa Stanley Horton, a eleição no Novo Testamento tem como objetivo principal formar um povo santo que viva em comunhão com o Pai e sob a direção do Espírito. Ser eleito é ser chamado para pertencer.

Essa eleição em Cristo está firmemente fundamentada na obra redentora da cruz. O sacrifício de Jesus não apenas torna a salvação possível, mas estabelece o fundamento objetivo da eleição. A Bíblia de Estudo Pentecostal ressalta que a graça precede a resposta humana, mas não a anula. Deus nos chama em Cristo, concede graça suficiente e real, e espera uma resposta de fé perseverante. Por isso, Paulo afirma que Deus “nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não por causa de nossas obras, mas por causa do seu propósito e da graça” (2Tm 1.9, NVI). A eleição é graciosa em sua origem e responsável em sua vivência.

É importante notar que o Novo Testamento fala da eleição sempre em termos relacionais e condicionais à permanência em Cristo. Gordon Fee destaca que Paulo nunca trata a salvação como um evento isolado do caminhar diário com Deus. Estar eleito em Cristo implica continuar nele. Essa verdade preserva o equilíbrio da teologia pentecostal clássica, que afirma tanto a soberania da graça quanto a necessidade da fé viva e obediente. A eleição não nos conduz à acomodação espiritual, mas a uma vida de vigilância, santidade e dependência do Espírito Santo.

Para os jovens da igreja, essa doutrina traz um chamado profundo e prático. Se fomos eleitos em Cristo, nossa identidade está nele, e nossa vida precisa refletir essa união. Não vivemos por mérito, mas por graça. Não caminhamos por medo, mas por gratidão. A eleição nos convida a viver de modo digno do chamado que recebemos, com consciência espiritual, compromisso com a Palavra e sensibilidade à voz do Espírito. Estar em Cristo é o maior privilégio da fé cristã, e permanecer nele é a responsabilidade diária de todo crente que deseja viver para a glória de Deus.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

3. A Eleição em Cristo: Uma eleição com propósito. A Eleição em Cristo não é arbitrária, mas está sempre voltada para o cumprimento de um propósito divino (Ef 1.11,12). O propósito da Eleição é que os crentes vivam para a glória de Deus, refletindo seu caráter e amor no mundo. No entanto, essa vivência deve ser tanto deliberada quanto espontânea, pois nossa resposta à chamada de Deus precisa ser intencional e genuína. A santidade e o serviço a Deus são aspectos essenciais dessa vivência, mas dependem da nossa disponibilidade de nos entregarmos totalmente a Ele (1Pe 1.2). A Eleição nos chama a viver de forma fiel e obediente ao plano divino, para que tudo seja feito para a glória de Deus.

👉 A eleição revelada nas Escrituras nunca é apresentada como um ato arbitrário ou desconectado da história e da vida prática do crente. Paulo afirma que fomos escolhidos em Cristo “conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade” (Ef 1.11, NVI). O termo grego prothesis indica um desígnio previamente estabelecido, carregado de intenção e direção. Deus não elege ao acaso. Ele chama um povo para participar conscientemente de sua obra no mundo. A eleição, portanto, não começa no indivíduo isolado, mas no propósito eterno de Deus que se revela em Cristo e se concretiza na história. Esse propósito tem um alvo bem definido. Paulo declara que fomos eleitos “a fim de que sejamos para o louvor da sua glória” (Ef 1.12, NVI). A eleição não termina na salvação pessoal, mas se projeta na vida pública da fé. Deus forma um povo que reflita o seu caráter. Aqui, a Bíblia desloca o centro da eleição do privilégio para a responsabilidade. Como observam os comentários pentecostais, a eleição não é um abrigo contra o compromisso, mas um chamado para viver de modo coerente com a graça recebida. Ser eleito é tornar visível, no cotidiano, aquilo que Deus é.

Essa vivência, contudo, não acontece de forma automática. A eleição em Cristo exige resposta. Pedro afirma que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai, pela obra santificadora do Espírito, para a obediência” (1Pe 1.2, NVI). O verbo hagiasmos aponta para um processo contínuo de consagração, conduzido pelo Espírito, mas acolhido voluntariamente pelo crente. A teologia pentecostal clássica mantém esse equilíbrio com clareza. Deus chama, capacita e conduz, mas não substitui a entrega consciente do ser humano. Santidade não é um estado imposto, mas uma caminhada assumida.

Aqui surge um ponto que muitas vezes passa despercebido pelos leitores mais atentos. A obediência que nasce da eleição não é mecânica nem forçada. Ela é, ao mesmo tempo, deliberada e espontânea. Deliberada porque envolve decisão, renúncia e disciplina espiritual. Espontânea porque flui do amor derramado pelo Espírito no coração do crente. Gordon Fee observa que a ética cristã paulina sempre nasce da identidade em Cristo e não de uma pressão externa. Vivemos em santidade porque pertencemos a Deus, não para tentar pertencer. Para os jovens da igreja, essa verdade tem implicações profundas. A eleição em Cristo nos chama a alinhar escolhas, afetos e projetos ao propósito eterno de Deus. Não fomos eleitos apenas para esperar o céu, mas para viver de forma fiel aqui e agora. Cada ato de obediência, cada serviço prestado e cada decisão guiada pelo Espírito tornam visível o propósito da eleição. Viver para a glória de Deus não é um ideal distante, mas uma resposta diária à graça que nos alcançou em Cristo. E quando compreendemos isso, a eleição deixa de ser um debate abstrato e se torna um chamado vivo que transforma a maneira como caminhamos com Deus.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

SUBSÍDIO II

 

Professor(a) ao final do tópico 2, explique aos alunos que a “eleição para a salvação espiritual através da fé em Cristo é oferecida a todas as pessoas (Jo 3.16,17; 1Tm 2.4-6; Tt 2.11; Hb 2.9). No entanto, torna-se uma realidade para os indivíduos apenas à medida que eles admitem e se convertem de seus próprios caminhos pecaminosos, aceitam o perdão provido por Cristo, confiam suas vidas a Ele e ingressam em um relacionamento pessoal com Deus baseado na fé (Ef 2.8; 3.17; cf. At 20.21; Rm 1.16; 4.16). Nesse ponto da fé, o crente é adicionado ao corpo de Cristo (a igreja) pelo Espírito Santo (1Co 12.13). Como resultado, ele ou ela se torna um dos eleitos — parte do povo escolhido de Deus. Desta forma, tanto Deus como os seres humanos têm uma decisão a tomar sobre a eleição espiritual, ou seja, ambos estão envolvidos nesta eleição (2Pe 1.1-11)”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.1642,1643).

 

 

III. IMPLICAÇÕES DA ELEIÇÃO BÍBLICA

 

1. A Eleição e o Propósito Global: A missão de proclamar as Boas-Novas. A Eleição divina não é uma escolha isolada, mas tem um propósito global, como vemos em Mateus 28.19,20, onde a missão de proclamar o Evangelho é dada a todos os crentes. Essa responsabilidade de participar ativamente dessa missão envolve levar as Boas-Novas de salvação a todas as nações, reunindo todos os eleitos em Cristo (At 13.47). Visto que participamos dessa missão, a Eleição nos coloca no centro do plano redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo (2Co 5.18-20). Por consequência, a Igreja, como povo eleito, é chamada a ser luz para as nações, refletindo o caráter de Deus e proclamando sua salvação. Assim, nossa missão é levar a mensagem de Jesus aos confins da terra, cumprindo o propósito divino para a humanidade.

👉 A eleição bíblica nunca foi pensada como um privilégio fechado ou uma experiência espiritual voltada apenas para dentro da igreja. Desde o princípio, ela carrega um movimento para fora. Em Mateus 28.19,20, Jesus não entrega a missão apenas a líderes ou a um grupo específico, mas à comunidade inteira dos seus discípulos. A eleição, portanto, nos insere no fluxo da missão de Deus no mundo. O verbo “ide” no grego, poreuthéntes, indica movimento contínuo. Ser eleito é estar em marcha, é viver a fé em estado de envio.

Esse envio revela o alcance global do propósito divino. Em Atos 13.47, Paulo cita Isaías ao afirmar que Deus constituiu seu povo como “luz para os gentios”. A eleição, aqui, não é o ponto final, mas o meio pelo qual Deus alcança as nações. A teologia pentecostal clássica enfatiza que o Espírito Santo não apenas salva, mas impulsiona a igreja para o testemunho. Stanley Horton observa que a missão nasce da ação do Espírito na comunidade, capacitando crentes comuns a participarem do plano redentor de Deus de forma viva e eficaz.

Ao participar dessa missão, a igreja ocupa um lugar central no projeto de reconciliação divina. Paulo afirma que Deus nos confiou o “ministério da reconciliação” (2Co 5.18-20, NVI). O termo grego katallagḗ aponta para a restauração de relacionamentos rompidos. Deus não apenas reconcilia o ser humano consigo, mas escolhe a igreja como instrumento dessa reconciliação no mundo. A eleição, então, nos coloca entre Deus e a humanidade, não como mediadores autônomos, mas como embaixadores que refletem o coração de Cristo.

Essa responsabilidade redefine a identidade do povo eleito. Ser igreja é ser luz, como afirma Pedro ao descrever o povo de Deus como “nação santa” chamada para anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz (1Pe 2.9). A luz não existe para si mesma. Ela revela, orienta e aquece. Comentários pentecostais destacam que a santidade do povo eleito não é isolamento do mundo, mas presença transformadora nele. O caráter de Deus se torna visível quando a igreja vive aquilo que proclama. Essa verdade traz um chamado direto e inadiável. A eleição não nos retira da história, mas nos lança nela com propósito. Cada conversa, cada atitude e cada testemunho fazem parte da missão de Deus. Fomos eleitos não apenas para receber a salvação, mas para anunciar Jesus com palavras e vida. Quando compreendemos isso, a missão deixa de ser um programa da igreja e passa a ser um estilo de vida. Assim, a eleição se revela como graça que salva e como chamado que envia, conduzindo-nos a participar ativamente do propósito eterno de Deus para toda a humanidade.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

4. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

2. A Eleição e o chamado para viver em santidade. A Eleição que Deus faz é o fundamento para a santidade, pois somos chamados para viver de maneira santa, assim como Ele é santo (1Pe 1.15,16). Já a Santificação é um processo contínuo, operado pela ação do Espírito Santo, que nos capacita a crescer em pureza e obediência (1Ts 4.7). Em síntese, a Eleição nos dá a capacidade de viver uma vida transformada, marcada pela conformidade à imagem de Cristo, refletindo seu caráter em nossas ações (2Co 7.1). Esse processo não é instantâneo, mas envolve uma entrega diária ao Espírito, que nos guia e molda. Em Cristo, somos eleitos para viver em santidade, como um reflexo da sua obra em nós.

👉 A eleição divina não termina no ato gracioso da salvação; ela inaugura um caminho. Quando Pedro afirma que fomos chamados por um Deus santo para viver em santidade (1Pe 1.15,16), ele não está descrevendo um ideal distante, mas a consequência natural da eleição. No texto grego, o verbo kaleō indica um chamado eficaz que exige resposta. Deus nos chama para si e, ao fazê-lo, redefine nossa forma de viver. A santidade não é um adorno espiritual, mas a marca visível de quem pertence ao Deus que chama. É importante perceber que, biblicamente, eleição e santidade caminham juntas. Paulo afirma que Deus “não nos chamou para a impureza, mas para a santificação” (1Ts 4.7, NVI). Aqui, santificação traduz o termo hagiasmós, que aponta para um processo contínuo de separação para Deus. Na teologia pentecostal clássica, esse processo não é automático nem meramente posicional. Ele envolve a ação constante do Espírito Santo e a resposta consciente do crente. Somos separados por Deus, mas somos também chamados a viver como separados para Ele. Esse processo de santificação revela a dinâmica da vida cristã. Não se trata de perfeição instantânea, mas de transformação progressiva. Em 2 Coríntios 7.1, Paulo exorta os crentes a se purificarem “de tudo o que contamina o corpo e o espírito”. O verbo usado indica uma ação deliberada. O Espírito opera, mas não substitui nossa responsabilidade. A eleição não anula a obediência; ao contrário, a torna possível. Como destaca Stanley Horton, a santidade é fruto da cooperação entre a graça divina e a submissão humana à direção do Espírito. A conformidade à imagem de Cristo é o alvo desse processo. Ser eleito é ser chamado a parecer com Jesus no caráter, nas escolhas e nas relações. A santidade bíblica não é isolamento do mundo, mas uma forma distinta de viver dentro dele. Ela se expressa em atitudes concretas, em decisões éticas e em uma espiritualidade coerente com o evangelho. Comentários pentecostais ressaltam que a santidade é profundamente relacional, pois reflete o caráter de Deus no cotidiano da vida cristã. Essa verdade traz um chamado claro e pastoral. A eleição não é um título que nos acomoda, mas uma graça que nos responsabiliza. Em Cristo, fomos escolhidos para viver de modo transformado, sensível à voz do Espírito e comprometido com uma vida que glorifique a Deus. A santidade, então, deixa de ser um peso e passa a ser um testemunho. Ela revela que a eleição não apenas nos alcançou, mas continua operando em nós, moldando-nos dia após dia à imagem do Filho.

 

1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

3. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.

4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo: Vida Nova, 2015.

5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023.

 

3. A Eleição e o chamado para o serviço no Reino de Deus. A Eleição é, acima de tudo, um chamado para o serviço no Reino de Deus, como vimos em Efésios 2.10, onde somos criados em Cristo para boas obras. Fomos eleitos para participar ativamente da obra de Deus, seja no ministério, no ensino, na evangelização ou em qualquer outro campo de serviço, como indicado em 1 Pedro 2.9. Essa disposição para servir é uma manifestação dessa eleição, pois, sendo escolhidos, somos chamados a viver não para nós mesmos, mas para cumprir os propósitos de Deus (Rm 12.1,2). Portanto, a verdadeira Eleição nos leva a uma vida de serviço, refletindo a graça de Deus em todas as áreas de nossa vida. Enfim, devemos ser diligentes em nossa entrega ao serviço de Deus, pois, como eleitos, estamos aqui para fazer a diferença no seu Reino.

👉 A eleição bíblica nunca aponta para o privilégio isolado, mas para a responsabilidade assumida diante de Deus. Em Efésios 2.10, Paulo deixa claro que fomos criados em Cristo Jesus com um propósito definido: viver as boas obras que o próprio Deus preparou de antemão. O texto não apresenta essas obras como algo opcional ou secundário, mas como parte essencial da nova criação em Cristo. Ser eleito é ser inserido em um plano maior, no qual a vida redimida encontra sentido no serviço ao Reino. Esse chamado ao serviço é profundamente comunitário e missionário. Em 1 Pedro 2.9, a igreja é descrita como povo escolhido para proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. A eleição, portanto, não termina na identidade; ela se desdobra em missão. Somos separados não para a inércia espiritual, mas para anunciar, ensinar, servir e testemunhar. O povo eleito existe para que a glória de Deus seja conhecida no mundo, não apenas confessada em palavras, mas visível em ações concretas. Paulo aprofunda essa lógica quando exorta os crentes a oferecerem seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm 12.1). Aqui, o culto deixa de ser apenas litúrgico e passa a ser existencial. A eleição nos desloca do centro da própria vontade e nos conduz a uma vida orientada pelos propósitos divinos. Servir no Reino não é uma tarefa reservada a alguns, mas a resposta natural de quem foi alcançado pela misericórdia de Deus. Essa perspectiva corrige uma compreensão distorcida da eleição como mero status espiritual. Biblicamente, ela nos chama a discernir a vontade de Deus e a nos engajar nela com dedicação e maturidade. O serviço cristão assume múltiplas formas: ministério, ensino, cuidado pastoral, evangelização, hospitalidade, intercessão e testemunho no cotidiano. Em todas essas expressões, a eleição se manifesta não como orgulho espiritual, mas como disponibilidade humilde diante do chamado de Deus. Essa verdade traz um desafio claro e pastoral. Fomos escolhidos não para viver para nós mesmos, mas para refletir a graça que nos alcançou. A diligência no serviço não nasce da obrigação, mas da compreensão de quem somos em Cristo. Quando entendemos a eleição à luz do Reino, percebemos que nossa vida tem direção, propósito e impacto. Servir a Deus, então, deixa de ser um peso e se torna a expressão mais coerente de uma vida verdadeiramente eleita.

 

CONCLUSÃO

 

A Salvação e a Eleição, em última análise, são uma demonstração do amor imensurável de Deus por nós, como visto em sua escolha soberana em Cristo. A Eleição bíblica está centrada na obra redentora de Cristo, que nos oferece a salvação por sua graça e sacrifício. Não somos apenas salvos, mas, por meio da Eleição, somos chamados a viver uma vida de santidade, comprometidos com a evangelização e o serviço ao Reino de Deus. Portanto, a Eleição não é um fim em si mesma, mas um convite para sermos instrumentos de transformação no mundo. Assim, somos escolhidos para cumprir o propósito divino de proclamar o Evangelho e viver em conformidade com a sua vontade.

👉 Quando entendemos que fomos escolhidos em Cristo, não apenas para sermos resgatados do pecado, mas para participarmos ativamente da missão de Deus, o conhecimento teológico deixa de ser abstrato e passa a moldar decisões reais. Eleição, santidade e serviço não são temas paralelos; unidos, eles constroem uma vida cristã coerente, madura e frutífera. A principal lição é clara: a eleição não termina no céu, ela começa no cotidiano. Fomos alcançados pela graça para refletir o caráter de Cristo e participar da sua obra no mundo. Santidade sem serviço se torna introspecção estéril; serviço sem santidade se esvazia de poder espiritual. A união dessas verdades é o que produz uma fé viva, que glorifica a Deus e abençoa pessoas reais, em contextos reais. É nesse ponto que a doutrina se torna discipulado. A aplicação é imediata e prática. O próximo passo não é aprender mais termos teológicos, mas alinhar a vida ao chamado recebido. Pergunte-se com honestidade: onde Deus já me colocou para servir? Que dons tenho negligenciado? Que hábitos precisam ser ajustados para que minha vida reflita Cristo com mais clareza? Comece com atitudes simples e intencionais: comprometa-se com um ministério local, discipline sua vida devocional, invista tempo em alguém que precisa ser discipulado e torne o testemunho do evangelho visível nas suas escolhas diárias. As consequências dessa decisão são profundas. Se você aplicar essas verdades agora, em poucos meses sua fé será mais consistente, seu serviço mais consciente e sua caminhada mais significativa. Você deixará de viver uma espiritualidade reativa e passará a viver com propósito. Se, porém, esse conhecimento for ignorado, o risco é permanecer acumulando informação bíblica sem transformação, confundindo maturidade espiritual com familiaridade doutrinária. A eleição não foi dada para nos acomodar, mas para nos mover. Deus não escolhe espectadores para o seu Reino, mas servos que vivem de forma intencional. A pergunta final não é se você entende a doutrina, mas se sua vida já começou a responder ao chamado que ela revela.

 

FRANCISCO BARBOSA (@pr.assis) SIGA-ME no Instagran!

• Graduado em Gestão Pública;

• Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP);

• Bacharel Ministerial em Teologia pelo Instituto de Formação FATEB;

• Curso Superior Sequencial em Teologia Bíblica, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Pós-Graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);

• Pós-Graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB;

•Manejo Clínico com Crianças na Psicanálise, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015).

• Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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HORA DA REVISÃO

 

1. Em quem a Eleição bíblica está fundamentada?

A Eleição bíblica está fundamentada na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a Ele.

2. O que é eleição corporativa?

É a eleição bíblica para salvar que não diz respeito a indivíduos, mas a um povo.

3. Como a Eleição se estende aos gentios?

A eleição se estende aos gentios por meio da pregação do Evangelho.

4. Quem é o “eleito” em um sentido único?

Jesus é o “eleito” em um sentido único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20).

5. Onde a Doutrina Bíblica da Eleição nos coloca?

A Eleição nos coloca no centro do plano redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo (2Co 5.18-20).