LIÇÕES BÍBLICAS CPAD
JOVENS
1º Trimestre de 2026
Título: Plano Perfeito — A salvação da
Humanidade, a mensagem central das Escrituras
Comentarista: Marcelo Oliveira
Lição 8: A Eleição na Salvação
Data: ´22 de fevereiro de 2026
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83 9 8730-1186
TEXTO PRINCIPAL
“Como
também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e
irrepreensíveis diante dele em amor.” (Ef 1.4).
ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:
👉 Efésios 1.4 está inserido em uma única e longa doxologia que vai
do versículo 3 ao 14, onde Paulo louva a Deus por sua obra redentora em Cristo.
O versículo não é um argumento isolado sobre predestinação, mas parte de um
hino teológico que celebra a iniciativa divina da salvação. A ênfase inicial
recai sobre a ação de Deus: “como também nos elegeu”. O verbo grego eklegomai
indica uma escolha deliberada, intencional, que parte exclusivamente da vontade
de quem escolhe. O sujeito da ação é Deus, e o objeto é “nós”, entendido aqui
não como indivíduos desconectados, mas como a comunidade dos que estão em
Cristo, a Igreja.
A expressão decisiva do texto é “nele”
(en autō). Toda a eleição descrita por Paulo é mediada por Cristo. Não somos
eleitos fora dele, nem antes dele, mas exclusivamente em união com ele. Isso
desloca o centro da eleição do indivíduo para Cristo como o Eleito por
excelência. Ele é o locus da escolha divina. Assim, a eleição não é apresentada
como um decreto abstrato, mas como uma realidade relacional: Deus escolhe um
povo ao escolher Cristo, e todos os que estão unidos a ele participam dessa
eleição. Esse detalhe gramatical sustenta uma leitura cristocêntrica e
corporativa do texto.
Quando Paulo afirma que essa eleição
ocorreu “antes da fundação do mundo” (pro katabolēs kosmou), ele não está
estimulando especulações metafísicas, mas enfatizando a anterioridade e a
gratuidade da graça. A salvação não é reação divina ao pecado humano, mas parte
do plano eterno de Deus. Isso reforça que a eleição não se baseia em obras,
méritos ou previsões de comportamento, mas na livre iniciativa de Deus em
Cristo. O tempo verbal aponta para a soberania do propósito divino, não para um
fatalismo determinista.
O apóstolo também deixa claro o
objetivo da eleição: “para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele”.
O termo hagios (santos) carrega a ideia de separação para Deus, enquanto amōmos
(irrepreensíveis) era usado no contexto sacrificial para indicar algo sem
defeito. A eleição, portanto, não é um fim em si mesma, mas um meio para uma
vida transformada. Ela não apenas garante pertencimento, mas estabelece um
chamado ético e espiritual. Ser eleito implica ser moldado à imagem de Cristo,
vivendo de forma coerente com a presença de Deus.
Por fim, a frase “em amor” (en agapē)
funciona como chave interpretativa de todo o versículo. Gramaticalmente, pode
qualificar tanto o ato de Deus ao eleger quanto o modo como os eleitos vivem
diante dele. Em ambos os casos, o amor é o fundamento e o ambiente da eleição.
Deus escolhe por amor, e os eleitos são chamados a viver diante dele em amor.
Assim, Efésios 1.4 apresenta a eleição não como um conceito frio ou
especulativo, mas como uma realidade profundamente pastoral, enraizada no amor
eterno de Deus, realizada em Cristo e direcionada a uma vida santa, relacional
e comprometida com o propósito divino.
RESUMO DA LIÇÃO
A compreensão da Eleição nos
impulsiona a uma vida de entrega total a Deus, refletindo sua glória e
cumprindo seu propósito no mundo.
ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:
👉 Compreender a doutrina bíblica da eleição não é um exercício
meramente intelectual, mas um encontro profundo com a iniciativa graciosa de
Deus na história da salvação. A eleição nos desloca do centro e nos ensina que
a fé cristã começa em Deus antes de chegar a nós. Ela nos conduz a reconhecer
que nossa salvação não nasce do acaso, da força de vontade ou do mérito
espiritual, mas do propósito eterno de Deus realizado em Cristo. Esse
entendimento produz reverência, não especulação; adoração, não arrogância.
Quando a eleição é corretamente
compreendida, ela redefine a forma como enxergamos nossa relação com Deus. Não
somos apenas receptores passivos da graça, mas participantes conscientes de um
chamado santo. Deus nos escolhe em Cristo para que vivamos diante dele,
conscientes de sua presença e submissos à sua vontade. Essa escolha não nos
afasta da responsabilidade humana, mas aprofunda nosso compromisso com uma fé
viva, marcada por arrependimento, obediência e perseverança.
A eleição também ilumina o sentido da
entrega total a Deus. Ela revela que a vida cristã não é fragmentada, onde Deus
ocupa apenas espaços pontuais da existência, mas integral. Fomos escolhidos
para pertencer inteiramente a ele, em pensamento, caráter, decisões e testemunho.
Essa entrega não é forçada, mas fruto de uma resposta amorosa à graça que
primeiro nos alcançou. Quanto mais entendemos a eleição, mais percebemos que
viver para Deus é um privilégio antes de ser um dever.
Além disso, a eleição está
inseparavelmente ligada ao propósito de Deus no mundo. Deus forma um povo em
Cristo não para isolamento espiritual, mas para participação ativa em sua
missão redentora. Os eleitos são chamados a refletir a glória de Deus por meio
de uma vida santa, visível e comprometida com o anúncio do Evangelho. A
eleição, longe de produzir acomodação, desperta responsabilidade missionária e
senso de pertencimento ao plano maior de Deus para a humanidade.
Por fim, a compreensão bíblica da
eleição nos conduz a uma espiritualidade madura e equilibrada. Ela nos livra
tanto do orgulho espiritual quanto do medo paralisante, ensinando-nos a
descansar na graça sem negligenciar a obediência. Somos eleitos em Cristo para
viver para a glória de Deus, cooperando com sua obra no mundo, até que todas as
coisas sejam reunidas nele. Assim, a eleição se torna não apenas uma doutrina
confessada, mas uma verdade vivida, que molda nossa fé, nossa esperança e nossa
maneira de viver diante de Deus e das pessoas.
TEXTO BÍBLICO
Efésios 1.3-14.
Observação
editorial: os
comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às
linhas interpretativas das obras citadas.
3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou
com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo,
👉
Paulo inicia com uma doxologia. A salvação não começa no homem,
mas na adoração a Deus. As três Bíblias concordam que “todas as bênçãos
espirituais” não se referem a prosperidade material, mas aos benefícios da
redenção.
A
Bíblia Pentecostal destaca que essas bênçãos são mediadas pelo Espírito Santo e
vivenciadas na comunhão com Cristo.
MacArthur
enfatiza que essas bênçãos já foram concedidas, não são promessas futuras.
A
Plenitude ressalta que “nas regiões celestiais” aponta para a nova posição
espiritual do crente em Cristo, acima do domínio do pecado.
4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que
fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor,
👉
Aqui Paulo afirma que a eleição ocorre “em Cristo”. A Bíblia
Pentecostal destaca o caráter cristocêntrico e relacional da eleição,
rejeitando uma leitura fatalista. MacArthur vê a eleição como parte do decreto
soberano eterno de Deus, enfatizando a iniciativa divina. A Plenitude sublinha
que o propósito da eleição é ético e espiritual, santidade e vida irrepreensível,
não privilégio abstrato. O amor é tanto a motivação divina quanto o ambiente da
vida cristã.
5 e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si
mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
👉
Predestinação aqui não é apresentada como exclusão arbitrária,
mas como destino gracioso. A Bíblia Pentecostal entende a adoção como convite
relacional que exige resposta de fé. MacArthur ressalta que a adoção é um ato
soberano de Deus que concede identidade e herança. A Plenitude destaca a restauração
da filiação perdida no Éden. O foco está na vontade graciosa de Deus, não na
capacidade humana.
6 para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no
Amado.
👉
A salvação tem um fim maior: a glória da graça de Deus. As três Bíblias
concordam que a ênfase está na gratuidade. Pentecostal: a graça é experimentada
e celebrada na vida da igreja. MacArthur: a salvação exclui qualquer mérito
humano. Plenitude: o “Amado” é Cristo como o Filho eterno, por meio de quem
recebemos favor.
7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas,
segundo as riquezas da sua graça,
👉
Redenção aponta para libertação mediante pagamento. A Bíblia
Pentecostal enfatiza o valor do sangue de Cristo como base da salvação e da
vida espiritual. MacArthur reforça a doutrina da expiação substitutiva. A
Plenitude destaca que a graça não é limitada, mas rica e abundante. O perdão é
completo, não parcial.
8 que Ele tornou abundante para conosco em toda a sabedoria e prudência,
👉
Deus não concede graça de forma desordenada. Pentecostal: a
sabedoria aqui inclui discernimento espiritual. MacArthur: sabedoria refere-se
ao plano redentor revelado. Plenitude: prudência aponta para maturidade
espiritual na vida cristã. A salvação envolve mente e coração.
9 descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito,
que propusera em si mesmo,
👉
Mistério não é algo oculto, mas agora revelado. Pentecostal: o
Espírito revela progressivamente esse plano à igreja. MacArthur: o mistério é
Cristo como centro da redenção universal. Plenitude: Deus age conforme um plano
intencional, não improvisado.
10 de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da
plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
👉
Este versículo apresenta o escopo cósmico da redenção. Cristo
restaura a criação e a ordem espiritual. MacArthur: todas as coisas estarão sob
o governo de Cristo. A história caminha para a restauração plena em Cristo. A
salvação é pessoal, mas também cósmica.
11 nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido
predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o
conselho da sua vontade,
👉 Os crentes são herdeiros e também
herança de Deus. A herança envolve vida no Espírito e promessa futura. Predestinação
reafirma o plano soberano de Deus. A herança aponta para identidade e missão.
12 com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que primeiro
esperamos em Cristo;
👉
A vida cristã tem direção doxológica. Esperança viva gera
testemunho. Os primeiros crentes judeus são incluídos no plano. Viver para a
glória de Deus é a essência da fé.
13 em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o
evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o
Espírito Santo da promessa;
👉
Aqui aparece claramente a resposta humana. Ouvir, crer e
responder ao Evangelho. A fé como meio da aplicação da salvação. O papel da
pregação na inclusão dos gentios.
14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus,
para louvor da sua glória.
👉
O Espírito Santo é garantia, não substituto da herança. O
Espírito é experiência viva e contínua. O selo garante segurança da salvação. A
herança futura motiva perseverança presente. Tudo culmina novamente na glória
de Deus.
Síntese Final
Efésios
1.3–14 revela uma salvação planejada pelo Pai, realizada no Filho e aplicada
pelo Espírito Santo. As três Bíblias, apesar de ênfases distintas, convergem em
um ponto essencial: a eleição e a redenção não são especulação teológica, mas
fundamento para adoração, santidade, missão e esperança viva. Esse texto nos
ensina não apenas no que cremos, mas como vivemos diante de Deus.
INTRODUÇÃO
A Salvação e a Eleição estão intimamente ligadas à obra redentora de
Cristo, que, por meio de seu sacrifício na cruz, nos oferece o perdão e a vida
eterna. Por isso, a Eleição é uma escolha de Deus, não fundamentada em
determinismos e incondicionalidades, mas em sua infinita graça e amor. Deus nos
escolheu porque, em Cristo, Ele decidiu misericordiosamente nos chamar para uma
vida transformada, dependente de sua graça. Assim, nesta lição, veremos que a
Eleição é um ato de amor que nos convida a nos entregar plenamente a Deus,
vivendo conforme sua vontade.
👉
Antes de perguntarmos se fomos eleitos, a Escritura nos força a
encarar uma pergunta mais profunda: eleitos para quê, e em quem? Paulo não
inicia Efésios falando de escolhas humanas, mas conduz a igreja a contemplar um
Deus que age antes do tempo, antes do mérito e antes mesmo da história existir.
A eleição, portanto, não nasce de curiosidade teológica, mas do espanto diante
de um Deus que planejou a redenção em Cristo antes que houvesse um mundo a ser
salvo. Ao longo da história da igreja, poucos temas geraram tanta confusão
quanto a doutrina da eleição. Para alguns, ela soa fria, determinista e
distante da experiência viva da fé; para outros, parece um privilégio
individual desconectado da missão e da santidade. No entanto, quando lida a
partir do próprio texto bíblico, especialmente de Efésios 1.3–14, a eleição se
revela como um ato profundamente relacional, redentor e pastoral, enraizado no
amor gracioso de Deus e plenamente realizado em Cristo. Paulo afirma que fomos
eleitos “nele”, e essa pequena expressão muda tudo. A eleição não começa em
nós, nem termina em nós. Ela está centrada em Jesus, o Eleito por excelência, o
Cordeiro separado antes da fundação do mundo para reconciliar todas as coisas
com Deus. Fora de Cristo, não há eleição; em Cristo, há um povo chamado,
redimido e destinado a viver para a glória de Deus. Essa perspectiva preserva
tanto a soberania divina quanto o chamado humano à fé, ao arrependimento e à
obediência. Nesta lição, veremos que a eleição bíblica é, antes de tudo,
corporativa e missional. Deus não escolheu indivíduos isolados para um
privilégio privado, mas formou um povo em Cristo, assim como fez com Israel no
Antigo Testamento, agora ampliando esse chamado à Igreja composta por judeus e
gentios. A eleição sempre esteve ligada ao propósito de Deus de revelar sua
glória ao mundo e de conduzir a humanidade à salvação por meio do Evangelho. Por
fim, refletiremos sobre as implicações práticas dessa doutrina para a vida
cristã. A eleição não produz passividade, mas responsabilidade; não gera
orgulho espiritual, mas santidade; não nos afasta da missão, mas nos lança ao
serviço. Ser eleito em Cristo significa viver de modo coerente com essa
chamada, ouvindo a voz do Pastor, respondendo em fé e permitindo que a graça
que nos alcançou molde nossa vida, nosso caráter e nosso compromisso com o
Reino de Deus.
I. O CONCEITO BÍBLICO DE ELEIÇÃO
1. A Eleição como parte do plano redentor de Deus. A Doutrina Bíblica da Salvação é de
grande importância. Ao refletirmos sobre ela, podemos nos perguntar: “Como Deus
elege os salvos para a salvação?” A Eleição bíblica para a salvação não é
incondicional, mas condicional, ou seja, ela faz parte do plano de Deus para
salvar o pecador em que este deve respondê-la com arrependimento e fé. Assim, a
eleição de Deus é condicional àqueles que ouvem e seguem a voz de Jesus, nosso
Senhor (Jo 10.27). É essencial entender que a Eleição bíblica está fundamentada
na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a
Ele. Deus escolheu um povo para si, com o propósito de ser testemunha de sua
glória e de trazer salvação ao mundo. A Eleição aponta para a obra de Cristo, o
Cordeiro escolhido, por meio do qual todos os crentes são eleitos para a
salvação (Ef 1.4,5; Rm 8.29,30).
👉
A doutrina bíblica da eleição nos conduz ao coração do plano
redentor de Deus e nos obriga a fazer a pergunta certa, não apenas como Deus
escolhe, mas como Ele salva. A Escritura não apresenta a eleição como um enigma
filosófico, mas como parte orgânica da obra salvadora realizada em Cristo. Em
Efésios 1.4, Paulo afirma que fomos eleitos “nele”, expressão que no grego
aparece como en autō, indicando esfera, união e relacionamento. A eleição não
acontece à margem da história, nem fora do Evangelho, mas dentro da ação
concreta de Deus em Cristo. Antes de falarmos da resposta humana, o texto nos
leva a contemplar a iniciativa graciosa de Deus, que age primeiro, chama
primeiro e oferece salvação antes mesmo de qualquer mérito humano. Ao
perguntarmos como Deus elege para a salvação, a própria Bíblia nos impede de
respostas simplistas. A eleição, à luz do testemunho bíblico completo, não é
arbitrária nem fatalista, mas relacional e responsiva. Jesus afirma: “As minhas
ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem” (Jo 10.27, NVI). O
verbo “ouvem” (akouousin) indica escuta contínua e obediente. A eleição,
portanto, se manifesta no encontro entre o chamado gracioso de Deus e a
resposta humana de fé e arrependimento. Como bem observa Stanley Horton, Deus
toma a iniciativa soberana na salvação, mas nunca anula a responsabilidade
humana de responder ao chamado do Evangelho. É essencial compreender que a
eleição bíblica está firmemente ancorada na pessoa e na obra de Jesus Cristo.
Ele não é apenas o meio da salvação, mas o Eleito por excelência. Em linguagem
bíblica, Cristo é o Cordeiro separado antes da fundação do mundo, e todos os
que estão unidos a Ele participam dessa eleição. O foco não está em indivíduos
isolados, mas em um povo formado em Cristo. Essa compreensão preserva o caráter
cristocêntrico da salvação e impede que a eleição seja transformada em um
privilégio abstrato. Como destaca Gordon Fee, Paulo jamais fala de eleição fora
da realidade viva da união com Cristo e da atuação do Espírito Santo na
comunidade dos crentes. Quando a Escritura afirma que Deus escolheu um povo
para si, ela também revela o propósito dessa escolha. A eleição nunca é um fim
em si mesma. Desde Israel no Antigo Testamento até a Igreja no Novo, o padrão
se repete: Deus chama para enviar, separa para testemunhar, salva para
manifestar sua glória. A eleição tem um horizonte missionário. Fomos escolhidos
para sermos “santos e irrepreensíveis”, não como status espiritual, mas como
vocação ética e testemunhal no mundo. A santidade, nesse sentido, não é
isolamento, mas fidelidade a Deus em meio à história. Por fim, compreender
corretamente a eleição nos livra de dois extremos perigosos: a presunção
espiritual e a passividade religiosa. A eleição bíblica nos chama à entrega
total a Cristo, à perseverança na fé e à obediência diária. Ela nos lembra que
pertencemos a Deus, mas também que somos responsáveis por permanecer em Cristo.
Como ensinam os comentaristas pentecostais clássicos, a eleição é graça que
chama, sustenta e direciona, mas que espera uma resposta viva, contínua e
sincera. Assim, a doutrina da eleição deixa de ser apenas um conceito teológico
e se torna um convite pastoral a viver com reverência, compromisso e profunda
dependência da graça de Deus.
1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
2. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
4. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do
Brasil, 2008.
6. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
2. A Eleição no Antigo Testamento: Israel como povo escolhido. Quando observamos a eleição no
Antigo Testamento, percebemos que se trata de uma eleição corporativa, ou seja,
a eleição bíblica para salvar não diz respeito a indivíduos, mas a um povo —
exceto quando se refere a uma eleição para um ministério específico, como nos
casos de Abraão, Davi e Jeremias. Essa mesma perspectiva será encontrada no
Novo Testamento. No Antigo Testamento, a eleição foi dirigida a Israel, não por
méritos do povo, mas pela graça de Deus. O propósito da eleição de Israel era claro:
ser a nação por meio da qual a promessa de salvação para o mundo seria
cumprida, especialmente pela vinda do Messias (Dt 7.6-8; Is 45.4).
👉
Quando olhamos para a eleição no Antigo Testamento, a primeira
lição que aprendemos é que Deus não começa sua obra salvadora escolhendo
indivíduos isolados, mas formando um povo. A eleição bíblica nasce em um
contexto histórico, relacional e redentor. Israel não surge como um conjunto de
heróis espirituais, mas como uma comunidade chamada pela graça. Em Deuteronômio
7.6, o Senhor declara que escolheu Israel para ser seu povo especial, não
porque fosse numeroso ou virtuoso, mas porque decidiu amá-lo. O verbo hebraico
bachar, traduzido por “escolher”, carrega a ideia de decisão soberana e
intencional, sem qualquer sugestão de mérito humano. Essa eleição, porém, nunca
teve como objetivo final a salvação automática de cada israelita. A escolha era
corporativa e vocacional. Deus separou Israel para um propósito dentro da
história. Quando indivíduos como Abraão, Davi ou Jeremias são eleitos, o texto
bíblico deixa claro que se trata de uma eleição para serviço e missão, não de
uma garantia individual de redenção eterna. Jeremias, por exemplo, é chamado
antes de nascer para ser profeta às nações, não para escapar das exigências da
obediência. A eleição, portanto, cria responsabilidade, não privilégio
espiritual. Esse ponto é enfatizado tanto pelo Comentário Bíblico Pentecostal
quanto por Stanley Horton ao tratar da natureza ética do chamado divino. Israel
foi escolhido pela graça, mas chamado a responder em fidelidade. A eleição não
anulava a necessidade de fé, obediência e arrependimento. Pelo contrário, ela
tornava essas respostas ainda mais urgentes. O Antigo Testamento mostra
repetidamente que pertencer ao povo eleito não garantia comunhão automática com
Deus. A aliança exigia resposta. Textos como Isaías 45.4 revelam que Deus chama
Israel “por amor”, mas os profetas deixam claro que a infidelidade traz
consequências reais. Aqui já percebemos uma tensão saudável entre soberania
divina e responsabilidade humana, que será plenamente esclarecida no Novo
Testamento. O propósito da eleição de Israel sempre foi maior do que a própria
nação. Desde a promessa feita a Abraão, Deus deixa claro que, por meio desse
povo, todas as famílias da terra seriam abençoadas. Israel foi eleito para ser
instrumento da revelação divina, guardião da Palavra e caminho histórico para a
vinda do Messias. Como observa Craig Keener, a eleição de Israel deve ser
entendida dentro da lógica missional de Deus, que age na história para alcançar
o mundo. A eleição nunca foi um fim em si mesma, mas um meio para a redenção
universal. Essa compreensão lança luz sobre a continuidade entre Antigo e Novo
Testamento. O mesmo Deus que escolheu Israel forma agora, em Cristo, um novo
povo composto por judeus e gentios. A lógica permanece a mesma. Deus chama pela
graça, forma um povo e espera uma resposta viva de fé e obediência. Para os
jovens da igreja hoje, essa verdade confronta uma fé acomodada e nos lembra que
ser parte do povo de Deus significa viver em aliança, carregar uma missão e
responder diariamente ao chamado do Senhor. A eleição, desde o Antigo Testamento,
nunca foi sobre status, mas sobre propósito, fidelidade e compromisso com o
plano redentor de Deus.
1. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
2. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Antigo e
Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
3. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
4. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. A Eleição no Novo Testamento: A Igreja como povo eleito em Cristo. Agora, por meio da Aliança realizada
no Calvário, a Eleição é cumprida em Cristo. A ênfase do Novo Testamento sobre
a Eleição recai no fato de que todos os crentes que estão em Cristo foram
eleitos para a salvação, por isso ela continua sendo corporativa. Nesse
sentido, a eleição se estende aos gentios por meio da pregação do Evangelho. A
Igreja, então, é chamada a viver conforme essa eleição, refletindo o caráter de
Deus no mundo (Ef 1.4-6; 1Pe 2.9,10). Portanto, Deus chamou um povo para si, em
Cristo, e aqueles que ouvem sua voz e seguem seus passos são eleitos para fazer
parte de sua obra no mundo, vivendo em harmonia com sua vontade.
👉
No Novo Testamento, a doutrina da eleição atinge sua plena
clareza quando é firmemente colocada em Cristo. A cruz não apenas inaugura a
nova aliança, mas revela o modo como Deus sempre escolheu agir na história.
Paulo afirma que fomos eleitos “nele” (Ef 1.4), e essa expressão não é
decorativa. No grego, en Christō indica esfera de existência e união vital. A
eleição não acontece fora de Cristo, nem antes dele, mas dentro da relação viva
com o Filho. O Novo Testamento, portanto, não apresenta a eleição como um
decreto abstrato, mas como uma realidade relacional que se concretiza na
comunhão com Jesus.
Essa
perspectiva esclarece por que a eleição continua sendo corporativa. Assim como
Israel foi escolhido como povo no Antigo Testamento, agora a Igreja é formada
como o povo eleito em Cristo. O foco não está em indivíduos isolados, mas em
uma comunidade redimida que participa da vida do Eleito por excelência. Gordon
Fee observa que Paulo nunca trata a salvação de forma individualista, pois a
obra do Espírito sempre forma um corpo. Estar eleito significa pertencer a esse
corpo, viver inserido nele e participar ativamente de sua missão no mundo. A
novidade do Novo Testamento é que essa eleição se estende aos gentios por meio
da proclamação do Evangelho. O que antes estava concentrado em uma nação agora
se amplia a todas as etnias, culturas e povos. Isso não ocorre por
substituição, mas por cumprimento. A promessa feita a Abraão alcança sua
plenitude em Cristo. Como destaca Craig Keener, a inclusão dos gentios revela o
caráter missionário da eleição. Deus chama um povo não para exclusividade
espiritual, mas para manifestar sua graça de forma universal. A eleição cresce
à medida que o Evangelho avança.
A
Igreja, portanto, não é apenas beneficiária da eleição, mas portadora de sua
responsabilidade. Pedro afirma que somos “nação santa, povo exclusivo de Deus”
para anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz (1Pe
2.9,10, NVI). A eleição gera identidade, mas também vocação. O verbo “anunciar”
revela que a escolha divina exige testemunho público. Stanley Horton ressalta
que a eleição nunca anula a resposta humana, mas cria um chamado contínuo à
obediência, à fé perseverante e à vida no Espírito. Por fim, o Novo Testamento
deixa claro que são eleitos aqueles que ouvem a voz de Cristo e o seguem. O
verbo “ouvir” (akouō) aponta para uma escuta obediente, constante e responsiva.
A eleição não é um título estático, mas uma relação viva que precisa ser
cultivada. Deus chama um povo em Cristo, sustenta esse povo pela graça e o
conduz pelo Espírito, mas espera uma resposta real de fé e fidelidade. Para a
Igreja de hoje, especialmente para os jovens, essa verdade confronta uma fé
passiva e nos convida a viver em harmonia com a vontade de Deus, como
participantes conscientes de sua obra redentora no mundo.
1. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
6. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do
Brasil, 2008.
7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
SUBSÍDIO I
Professor(a), esclareça aos alunos
que a “escolha de Deus sobre aqueles que aceitam a Cristo pela fé é um ensino
fundamental do apóstolo Paulo (veja Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.1,5,28; Cl 3.12; 1Ts
1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). Eleição (gr. eklegō) refere-se à escolha de Deus para
reivindicar um povo para si, com base na escolha deste povo de aceitar o seu
perdão e confiar a vida a Jesus Cristo, o que os mantém espiritualmente puros e
reservados para os seus propósitos especiais (cf. 2Ts 2.13). Paulo vê esta
escolha como uma expressão do amor de Deus na qual Ele recebe voluntariamente a
todos os que de bom grado recebem o seu Filho, Jesus Cristo (Jo 1.12). Essencialmente,
Deus escolhe aceitar aqueles que voluntariamente decidem aceitar a liderança e
a autoridade de Cristo em suas vidas”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para
Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1642).
II. A ELEIÇÃO BÍBLICA FUNDAMENTADA EM JESUS
1. Jesus, o Eleito de Deus: O Cordeiro Escolhido. Jesus é o “eleito” em um sentido
único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para
realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20). Sua eleição inclui o
sacrifício perfeito e definitivo que Ele ofereceu em nosso lugar, garantindo,
assim, a eleição de todos os crentes. Ele é o primeiro eleito, cujo sacrifício
na cruz assegura nossa própria eleição em Cristo. Para nós, na perspectiva
bíblica pentecostal, a eleição é profundamente cristocêntrica, pois tudo gira
em torno de Jesus e da sua obra redentora. Em passagens como 1 Pedro 1.19,20 e
Apocalipse 13.8, vemos claramente que é em Cristo que nossa eleição se torna
realidade.
👉
A Escritura nos conduz, antes de qualquer discussão sobre
eleição, à pessoa de Jesus. A eleição bíblica não começa com o ser humano, mas
com o Filho. Pedro afirma que Cristo foi conhecido antes da fundação do mundo
como o Cordeiro sem defeito e sem mácula (1Pe 1.19,20, NVI). O verbo grego
proginōskō indica conhecimento prévio com intenção relacional, não mera
previsão. Deus não apenas sabia que Cristo viria, mas o designou amorosamente
para a missão redentora. Isso revela que a eleição não nasce de um decreto
frio, mas do propósito eterno de Deus revelado em Jesus. Jesus é o Eleito em
sentido absoluto. Ele não é eleito para receber salvação, mas para ser o meio
da salvação. Nos Evangelhos, o Pai declara publicamente sua escolha ao afirmar:
“Este é o meu Filho amado, em quem me agrado” (Mt 3.17, NVI). Aqui, eleição e
missão caminham juntas. Como observa o Comentário Bíblico Pentecostal do Novo
Testamento, a escolha de Cristo envolve sofrimento, obediência e entrega total.
Ele é eleito para morrer. Isso confronta a ideia de eleição como privilégio
confortável. No centro da eleição está a cruz.
Quando
o Novo Testamento afirma que os crentes são eleitos, deixa claro que essa
eleição acontece “em Cristo” (Ef 1.4). A expressão grega en Christō aponta para
união vital e relacional. Não somos eleitos à parte dele, nem antes dele, mas
porque estamos nele. Stanley Horton destaca que, na teologia pentecostal
clássica, a eleição é sempre mediada por Cristo e condicionada à fé
perseverante. Jesus é o Eleito, e a Igreja participa dessa eleição à medida que
permanece nele. Fora de Cristo, não há eleição; nele, há vida, graça e
esperança. Apocalipse 13.8 reforça essa verdade ao afirmar que o Cordeiro foi
morto desde a criação do mundo. A linguagem não sugere um evento histórico
antecipado, mas um propósito eterno já estabelecido no coração de Deus. Craig
Keener observa que, no pensamento bíblico, o plano redentor de Deus precede a
própria queda humana. Isso significa que a eleição não é uma resposta
emergencial ao pecado, mas parte do projeto amoroso de Deus para restaurar a
criação. Jesus não é uma alternativa. Ele é o centro do plano. Essa compreensão
transforma nossa vida cristã prática. Se fomos alcançados porque estamos em
Cristo, nossa vocação é permanecer nele com fé viva, obediência sincera e
sensibilidade ao Espírito. A eleição não nos conduz à passividade, mas à
consagração. Somos chamados a refletir o caráter do Eleito em um mundo ferido.
Para os jovens da igreja, isso significa viver uma fé consciente, profunda e
responsável. Estar em Cristo é um privilégio, mas também um chamado diário à
fidelidade, à santidade e à missão.
1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. ARRINGTON, French L. Doutrinas Bíblicas: Uma Perspectiva
Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1999.
5. BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Barueri: Sociedade Bíblica do
Brasil, 2008.
6. BÍBLIA DE ESTUDO MACARTHUR. Barueri: Sociedade Bíblica do
Brasil, 2010.
7. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
2. A Eleição em Cristo: Todos os crentes são eleitos nEle. A Eleição e Jesus Cristo estão intrinsecamente
ligados, pois é em Cristo que somos escolhidos para a vida eterna (Ef 1.4,5). A
Eleição não acontece fora de Cristo, mas por estarmos unidos a Ele, somos
chamados e eleitos para viver com Deus para sempre. Essa eleição está
fundamentada na obra redentora de Cristo, que, ao sacrificar sua vida por nós,
nos dá acesso à graça divina. Portanto, a Eleição é um ato de graça, feito por
Cristo, que nos capacita a viver a vida eterna. Logo, todos os salvos da Igreja
de Cristo são eleitos nEle, em conformidade com sua vontade (2Tm 1.9).
👉
A Escritura é cuidadosa ao afirmar que a eleição cristã não
existe como uma realidade autônoma, solta no plano eterno de Deus. Paulo
declara que fomos escolhidos “nele” antes da criação do mundo (Ef 1.4, NVI). A
expressão grega en autō aponta para uma união viva, relacional e dinâmica com
Cristo. Não se trata apenas de um meio instrumental, mas do próprio ambiente
espiritual onde a eleição acontece. Fora de Cristo não há eleição salvífica,
pois é somente nele que a vida eterna se manifesta. Isso nos protege de uma
compreensão abstrata ou fatalista da doutrina e nos conduz a uma fé
profundamente cristocêntrica.
A
eleição, segundo Efésios 1.4,5, está inseparavelmente ligada à adoção. Deus nos
escolheu “para sermos adotados como filhos por meio de Jesus Cristo” (NVI). O
verbo eklegomai indica uma escolha graciosa e intencional, enquanto huiothesia
descreve a colocação legal de alguém na posição de filho. Isso revela que a
eleição não é apenas para escapar da condenação, mas para entrar em um
relacionamento familiar com Deus. Como observa Stanley Horton, a eleição no
Novo Testamento tem como objetivo principal formar um povo santo que viva em
comunhão com o Pai e sob a direção do Espírito. Ser eleito é ser chamado para
pertencer.
Essa
eleição em Cristo está firmemente fundamentada na obra redentora da cruz. O
sacrifício de Jesus não apenas torna a salvação possível, mas estabelece o
fundamento objetivo da eleição. A Bíblia de Estudo Pentecostal ressalta que a
graça precede a resposta humana, mas não a anula. Deus nos chama em Cristo,
concede graça suficiente e real, e espera uma resposta de fé perseverante. Por
isso, Paulo afirma que Deus “nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não
por causa de nossas obras, mas por causa do seu propósito e da graça” (2Tm 1.9,
NVI). A eleição é graciosa em sua origem e responsável em sua vivência.
É
importante notar que o Novo Testamento fala da eleição sempre em termos
relacionais e condicionais à permanência em Cristo. Gordon Fee destaca que
Paulo nunca trata a salvação como um evento isolado do caminhar diário com
Deus. Estar eleito em Cristo implica continuar nele. Essa verdade preserva o
equilíbrio da teologia pentecostal clássica, que afirma tanto a soberania da
graça quanto a necessidade da fé viva e obediente. A eleição não nos conduz à
acomodação espiritual, mas a uma vida de vigilância, santidade e dependência do
Espírito Santo.
Para
os jovens da igreja, essa doutrina traz um chamado profundo e prático. Se fomos
eleitos em Cristo, nossa identidade está nele, e nossa vida precisa refletir
essa união. Não vivemos por mérito, mas por graça. Não caminhamos por medo, mas
por gratidão. A eleição nos convida a viver de modo digno do chamado que
recebemos, com consciência espiritual, compromisso com a Palavra e
sensibilidade à voz do Espírito. Estar em Cristo é o maior privilégio da fé
cristã, e permanecer nele é a responsabilidade diária de todo crente que deseja
viver para a glória de Deus.
1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. A Eleição em Cristo: Uma eleição com propósito. A Eleição em Cristo não é arbitrária,
mas está sempre voltada para o cumprimento de um propósito divino (Ef 1.11,12).
O propósito da Eleição é que os crentes vivam para a glória de Deus, refletindo
seu caráter e amor no mundo. No entanto, essa vivência deve ser tanto
deliberada quanto espontânea, pois nossa resposta à chamada de Deus precisa ser
intencional e genuína. A santidade e o serviço a Deus são aspectos essenciais
dessa vivência, mas dependem da nossa disponibilidade de nos entregarmos
totalmente a Ele (1Pe 1.2). A Eleição nos chama a viver de forma fiel e
obediente ao plano divino, para que tudo seja feito para a glória de Deus.
👉
A eleição revelada nas Escrituras nunca é apresentada como um
ato arbitrário ou desconectado da história e da vida prática do crente. Paulo
afirma que fomos escolhidos em Cristo “conforme o plano daquele que faz todas
as coisas segundo o propósito da sua vontade” (Ef 1.11, NVI). O termo grego
prothesis indica um desígnio previamente estabelecido, carregado de intenção e
direção. Deus não elege ao acaso. Ele chama um povo para participar
conscientemente de sua obra no mundo. A eleição, portanto, não começa no
indivíduo isolado, mas no propósito eterno de Deus que se revela em Cristo e se
concretiza na história. Esse propósito tem um alvo bem definido. Paulo declara
que fomos eleitos “a fim de que sejamos para o louvor da sua glória” (Ef 1.12,
NVI). A eleição não termina na salvação pessoal, mas se projeta na vida pública
da fé. Deus forma um povo que reflita o seu caráter. Aqui, a Bíblia desloca o
centro da eleição do privilégio para a responsabilidade. Como observam os
comentários pentecostais, a eleição não é um abrigo contra o compromisso, mas
um chamado para viver de modo coerente com a graça recebida. Ser eleito é
tornar visível, no cotidiano, aquilo que Deus é.
Essa
vivência, contudo, não acontece de forma automática. A eleição em Cristo exige
resposta. Pedro afirma que somos “eleitos segundo a presciência de Deus Pai,
pela obra santificadora do Espírito, para a obediência” (1Pe 1.2, NVI). O verbo
hagiasmos aponta para um processo contínuo de consagração, conduzido pelo
Espírito, mas acolhido voluntariamente pelo crente. A teologia pentecostal
clássica mantém esse equilíbrio com clareza. Deus chama, capacita e conduz, mas
não substitui a entrega consciente do ser humano. Santidade não é um estado
imposto, mas uma caminhada assumida.
Aqui
surge um ponto que muitas vezes passa despercebido pelos leitores mais atentos.
A obediência que nasce da eleição não é mecânica nem forçada. Ela é, ao mesmo
tempo, deliberada e espontânea. Deliberada porque envolve decisão, renúncia e
disciplina espiritual. Espontânea porque flui do amor derramado pelo Espírito
no coração do crente. Gordon Fee observa que a ética cristã paulina sempre
nasce da identidade em Cristo e não de uma pressão externa. Vivemos em
santidade porque pertencemos a Deus, não para tentar pertencer. Para os jovens
da igreja, essa verdade tem implicações profundas. A eleição em Cristo nos
chama a alinhar escolhas, afetos e projetos ao propósito eterno de Deus. Não
fomos eleitos apenas para esperar o céu, mas para viver de forma fiel aqui e
agora. Cada ato de obediência, cada serviço prestado e cada decisão guiada pelo
Espírito tornam visível o propósito da eleição. Viver para a glória de Deus não
é um ideal distante, mas uma resposta diária à graça que nos alcançou em
Cristo. E quando compreendemos isso, a eleição deixa de ser um debate abstrato
e se torna um chamado vivo que transforma a maneira como caminhamos com Deus.
1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
SUBSÍDIO II
Professor(a) ao final do tópico 2,
explique aos alunos que a “eleição para a salvação espiritual através da fé em
Cristo é oferecida a todas as pessoas (Jo 3.16,17; 1Tm 2.4-6; Tt 2.11; Hb 2.9).
No entanto, torna-se uma realidade para os indivíduos apenas à medida que eles
admitem e se convertem de seus próprios caminhos pecaminosos, aceitam o perdão
provido por Cristo, confiam suas vidas a Ele e ingressam em um relacionamento
pessoal com Deus baseado na fé (Ef 2.8; 3.17; cf. At 20.21; Rm 1.16; 4.16).
Nesse ponto da fé, o crente é adicionado ao corpo de Cristo (a igreja) pelo
Espírito Santo (1Co 12.13). Como resultado, ele ou ela se torna um dos eleitos
— parte do povo escolhido de Deus. Desta forma, tanto Deus como os seres
humanos têm uma decisão a tomar sobre a eleição espiritual, ou seja, ambos
estão envolvidos nesta eleição (2Pe 1.1-11)”. (Bíblia de Estudo Pentecostal
para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, pp.1642,1643).
III. IMPLICAÇÕES DA ELEIÇÃO BÍBLICA
1. A Eleição e o Propósito Global: A missão de proclamar as Boas-Novas. A Eleição divina não é uma escolha
isolada, mas tem um propósito global, como vemos em Mateus 28.19,20, onde a
missão de proclamar o Evangelho é dada a todos os crentes. Essa
responsabilidade de participar ativamente dessa missão envolve levar as Boas-Novas
de salvação a todas as nações, reunindo todos os eleitos em Cristo (At 13.47).
Visto que participamos dessa missão, a Eleição nos coloca no centro do plano
redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de
Cristo (2Co 5.18-20). Por consequência, a Igreja, como povo eleito, é chamada a
ser luz para as nações, refletindo o caráter de Deus e proclamando sua
salvação. Assim, nossa missão é levar a mensagem de Jesus aos confins da terra,
cumprindo o propósito divino para a humanidade.
👉
A eleição bíblica nunca foi pensada como um privilégio fechado
ou uma experiência espiritual voltada apenas para dentro da igreja. Desde o
princípio, ela carrega um movimento para fora. Em Mateus 28.19,20, Jesus não
entrega a missão apenas a líderes ou a um grupo específico, mas à comunidade
inteira dos seus discípulos. A eleição, portanto, nos insere no fluxo da missão
de Deus no mundo. O verbo “ide” no grego, poreuthéntes, indica movimento
contínuo. Ser eleito é estar em marcha, é viver a fé em estado de envio.
Esse
envio revela o alcance global do propósito divino. Em Atos 13.47, Paulo cita
Isaías ao afirmar que Deus constituiu seu povo como “luz para os gentios”. A
eleição, aqui, não é o ponto final, mas o meio pelo qual Deus alcança as
nações. A teologia pentecostal clássica enfatiza que o Espírito Santo não
apenas salva, mas impulsiona a igreja para o testemunho. Stanley Horton observa
que a missão nasce da ação do Espírito na comunidade, capacitando crentes
comuns a participarem do plano redentor de Deus de forma viva e eficaz.
Ao
participar dessa missão, a igreja ocupa um lugar central no projeto de
reconciliação divina. Paulo afirma que Deus nos confiou o “ministério da
reconciliação” (2Co 5.18-20, NVI). O termo grego katallagḗ aponta para a restauração
de relacionamentos rompidos. Deus não apenas reconcilia o ser humano consigo,
mas escolhe a igreja como instrumento dessa reconciliação no mundo. A eleição,
então, nos coloca entre Deus e a humanidade, não como mediadores autônomos, mas
como embaixadores que refletem o coração de Cristo.
Essa
responsabilidade redefine a identidade do povo eleito. Ser igreja é ser luz,
como afirma Pedro ao descrever o povo de Deus como “nação santa” chamada para
anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a luz (1Pe 2.9). A
luz não existe para si mesma. Ela revela, orienta e aquece. Comentários
pentecostais destacam que a santidade do povo eleito não é isolamento do mundo,
mas presença transformadora nele. O caráter de Deus se torna visível quando a
igreja vive aquilo que proclama. Essa verdade traz um chamado direto e
inadiável. A eleição não nos retira da história, mas nos lança nela com
propósito. Cada conversa, cada atitude e cada testemunho fazem parte da missão
de Deus. Fomos eleitos não apenas para receber a salvação, mas para anunciar
Jesus com palavras e vida. Quando compreendemos isso, a missão deixa de ser um
programa da igreja e passa a ser um estilo de vida. Assim, a eleição se revela
como graça que salva e como chamado que envia, conduzindo-nos a participar
ativamente do propósito eterno de Deus para toda a humanidade.
1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo
Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
4. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
5. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
6. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
2. A Eleição e o chamado para viver em santidade. A Eleição que Deus faz é o
fundamento para a santidade, pois somos chamados para viver de maneira santa,
assim como Ele é santo (1Pe 1.15,16). Já a Santificação é um processo contínuo,
operado pela ação do Espírito Santo, que nos capacita a crescer em pureza e
obediência (1Ts 4.7). Em síntese, a Eleição nos dá a capacidade de viver uma
vida transformada, marcada pela conformidade à imagem de Cristo, refletindo seu
caráter em nossas ações (2Co 7.1). Esse processo não é instantâneo, mas envolve
uma entrega diária ao Espírito, que nos guia e molda. Em Cristo, somos eleitos
para viver em santidade, como um reflexo da sua obra em nós.
👉
A eleição divina não termina no ato gracioso da salvação; ela
inaugura um caminho. Quando Pedro afirma que fomos chamados por um Deus santo
para viver em santidade (1Pe 1.15,16), ele não está descrevendo um ideal
distante, mas a consequência natural da eleição. No texto grego, o verbo kaleō
indica um chamado eficaz que exige resposta. Deus nos chama para si e, ao
fazê-lo, redefine nossa forma de viver. A santidade não é um adorno espiritual,
mas a marca visível de quem pertence ao Deus que chama. É importante perceber
que, biblicamente, eleição e santidade caminham juntas. Paulo afirma que Deus
“não nos chamou para a impureza, mas para a santificação” (1Ts 4.7, NVI). Aqui,
santificação traduz o termo hagiasmós, que aponta para um processo contínuo de
separação para Deus. Na teologia pentecostal clássica, esse processo não é
automático nem meramente posicional. Ele envolve a ação constante do Espírito
Santo e a resposta consciente do crente. Somos separados por Deus, mas somos
também chamados a viver como separados para Ele. Esse processo de santificação
revela a dinâmica da vida cristã. Não se trata de perfeição instantânea, mas de
transformação progressiva. Em 2 Coríntios 7.1, Paulo exorta os crentes a se
purificarem “de tudo o que contamina o corpo e o espírito”. O verbo usado
indica uma ação deliberada. O Espírito opera, mas não substitui nossa
responsabilidade. A eleição não anula a obediência; ao contrário, a torna
possível. Como destaca Stanley Horton, a santidade é fruto da cooperação entre
a graça divina e a submissão humana à direção do Espírito. A conformidade à
imagem de Cristo é o alvo desse processo. Ser eleito é ser chamado a parecer
com Jesus no caráter, nas escolhas e nas relações. A santidade bíblica não é
isolamento do mundo, mas uma forma distinta de viver dentro dele. Ela se
expressa em atitudes concretas, em decisões éticas e em uma espiritualidade
coerente com o evangelho. Comentários pentecostais ressaltam que a santidade é
profundamente relacional, pois reflete o caráter de Deus no cotidiano da vida
cristã. Essa verdade traz um chamado claro e pastoral. A eleição não é um
título que nos acomoda, mas uma graça que nos responsabiliza. Em Cristo, fomos
escolhidos para viver de modo transformado, sensível à voz do Espírito e
comprometido com uma vida que glorifique a Deus. A santidade, então, deixa de
ser um peso e passa a ser um testemunho. Ela revela que a eleição não apenas
nos alcançou, mas continua operando em nós, moldando-nos dia após dia à imagem
do Filho.
1. BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Edição Global. Rio de Janeiro:
CPAD, 2022.
2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD, 1996.
3. CHAMPLIN, Russell Norman. O Novo Testamento Interpretado
Versículo por Versículo. São Paulo: Hagnos, 2014.
4. FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. São Paulo:
Vida Nova, 2015.
5. LONGMAN III, Tremper (Ed.). Dicionário Bíblico Baker. Rio de
Janeiro: CPAD, 2023.
3. A Eleição e o chamado para o serviço no Reino de Deus. A Eleição é, acima de tudo, um
chamado para o serviço no Reino de Deus, como vimos em Efésios 2.10, onde somos
criados em Cristo para boas obras. Fomos eleitos para participar ativamente da
obra de Deus, seja no ministério, no ensino, na evangelização ou em qualquer
outro campo de serviço, como indicado em 1 Pedro 2.9. Essa disposição para
servir é uma manifestação dessa eleição, pois, sendo escolhidos, somos chamados
a viver não para nós mesmos, mas para cumprir os propósitos de Deus (Rm
12.1,2). Portanto, a verdadeira Eleição nos leva a uma vida de serviço,
refletindo a graça de Deus em todas as áreas de nossa vida. Enfim, devemos ser
diligentes em nossa entrega ao serviço de Deus, pois, como eleitos, estamos
aqui para fazer a diferença no seu Reino.
👉
A eleição bíblica nunca aponta para o privilégio isolado, mas
para a responsabilidade assumida diante de Deus. Em Efésios 2.10, Paulo deixa
claro que fomos criados em Cristo Jesus com um propósito definido: viver as
boas obras que o próprio Deus preparou de antemão. O texto não apresenta essas
obras como algo opcional ou secundário, mas como parte essencial da nova
criação em Cristo. Ser eleito é ser inserido em um plano maior, no qual a vida
redimida encontra sentido no serviço ao Reino. Esse chamado ao serviço é
profundamente comunitário e missionário. Em 1 Pedro 2.9, a igreja é descrita
como povo escolhido para proclamar as virtudes daquele que nos chamou das
trevas para a sua maravilhosa luz. A eleição, portanto, não termina na
identidade; ela se desdobra em missão. Somos separados não para a inércia
espiritual, mas para anunciar, ensinar, servir e testemunhar. O povo eleito
existe para que a glória de Deus seja conhecida no mundo, não apenas confessada
em palavras, mas visível em ações concretas. Paulo aprofunda essa lógica quando
exorta os crentes a oferecerem seus corpos como sacrifício vivo, santo e
agradável a Deus (Rm 12.1). Aqui, o culto deixa de ser apenas litúrgico e passa
a ser existencial. A eleição nos desloca do centro da própria vontade e nos conduz
a uma vida orientada pelos propósitos divinos. Servir no Reino não é uma tarefa
reservada a alguns, mas a resposta natural de quem foi alcançado pela
misericórdia de Deus. Essa perspectiva corrige uma compreensão distorcida da
eleição como mero status espiritual. Biblicamente, ela nos chama a discernir a
vontade de Deus e a nos engajar nela com dedicação e maturidade. O serviço
cristão assume múltiplas formas: ministério, ensino, cuidado pastoral,
evangelização, hospitalidade, intercessão e testemunho no cotidiano. Em todas
essas expressões, a eleição se manifesta não como orgulho espiritual, mas como
disponibilidade humilde diante do chamado de Deus. Essa verdade traz um desafio
claro e pastoral. Fomos escolhidos não para viver para nós mesmos, mas para
refletir a graça que nos alcançou. A diligência no serviço não nasce da
obrigação, mas da compreensão de quem somos em Cristo. Quando entendemos a
eleição à luz do Reino, percebemos que nossa vida tem direção, propósito e
impacto. Servir a Deus, então, deixa de ser um peso e se torna a expressão mais
coerente de uma vida verdadeiramente eleita.
CONCLUSÃO
A Salvação e a Eleição, em última
análise, são uma demonstração do amor imensurável de Deus por nós, como visto
em sua escolha soberana em Cristo. A Eleição bíblica está centrada na obra
redentora de Cristo, que nos oferece a salvação por sua graça e sacrifício. Não
somos apenas salvos, mas, por meio da Eleição, somos chamados a viver uma vida
de santidade, comprometidos com a evangelização e o serviço ao Reino de Deus.
Portanto, a Eleição não é um fim em si mesma, mas um convite para sermos
instrumentos de transformação no mundo. Assim, somos escolhidos para cumprir o
propósito divino de proclamar o Evangelho e viver em conformidade com a sua
vontade.
👉
Quando entendemos que fomos escolhidos em Cristo, não apenas
para sermos resgatados do pecado, mas para participarmos ativamente da missão
de Deus, o conhecimento teológico deixa de ser abstrato e passa a moldar
decisões reais. Eleição, santidade e serviço não são temas paralelos; unidos,
eles constroem uma vida cristã coerente, madura e frutífera. A principal lição
é clara: a eleição não termina no céu, ela começa no cotidiano. Fomos
alcançados pela graça para refletir o caráter de Cristo e participar da sua
obra no mundo. Santidade sem serviço se torna introspecção estéril; serviço sem
santidade se esvazia de poder espiritual. A união dessas verdades é o que
produz uma fé viva, que glorifica a Deus e abençoa pessoas reais, em contextos
reais. É nesse ponto que a doutrina se torna discipulado. A aplicação é imediata e prática. O próximo passo não é aprender
mais termos teológicos, mas alinhar a vida ao chamado recebido. Pergunte-se com
honestidade: onde Deus já me colocou para servir? Que dons tenho negligenciado?
Que hábitos precisam ser ajustados para que minha vida reflita Cristo com mais
clareza? Comece com atitudes simples e intencionais: comprometa-se com um
ministério local, discipline sua vida devocional, invista tempo em alguém que
precisa ser discipulado e torne o testemunho do evangelho visível nas suas
escolhas diárias. As consequências dessa decisão são profundas. Se você aplicar
essas verdades agora, em poucos meses sua fé será mais consistente, seu serviço
mais consciente e sua caminhada mais significativa. Você deixará de viver uma
espiritualidade reativa e passará a viver com propósito. Se, porém, esse
conhecimento for ignorado, o risco é permanecer acumulando informação bíblica
sem transformação, confundindo maturidade espiritual com familiaridade
doutrinária. A eleição não foi dada para nos acomodar, mas para nos mover. Deus
não escolhe espectadores para o seu Reino, mas servos que vivem de forma
intencional. A pergunta final não é se você entende a doutrina, mas se sua vida
já começou a responder ao chamado que ela revela.
FRANCISCO BARBOSA (@pr.assis)
SIGA-ME no Instagran!
• Graduado em Gestão Pública;
• Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP);
• Bacharel Ministerial em Teologia pelo Instituto de Formação FATEB;
• Curso Superior Sequencial em Teologia Bíblica, pelo Instituto de
Formação FATEB;
• Pós-Graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela
Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);
• Pós-Graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo
Instituto de Formação FATEB;
•Manejo Clínico com Crianças na Psicanálise, pelo Instituto de Formação
FATEB;
• Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD
Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP,
2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil,
Campina Grande/PB, desde 2015).
• Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em
Campina Grande/PB servo, barro nas mãos do Oleiro.]
QUER FALAR COMIGO? TEM ALGUMA DÚVIDA?
WHATSAPP: 83 9 8730-1186
QUER ENVIAR UMA OFERTA
CHAVE PIX: assis.shalom@gmail.com
HORA DA REVISÃO
1. Em quem a Eleição bíblica está fundamentada?
A Eleição bíblica está fundamentada
na obra de nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Eleito, e em nossa total entrega a
Ele.
2. O que é eleição corporativa?
É a eleição bíblica para salvar que
não diz respeito a indivíduos, mas a um povo.
3. Como a Eleição se estende aos gentios?
A eleição se estende aos gentios por
meio da pregação do Evangelho.
4. Quem é o “eleito” em um sentido único?
Jesus é o “eleito” em um sentido
único, pois Ele é o Cordeiro de Deus, escolhido antes da fundação do mundo para
realizar a obra redentora da salvação (1Pe 1.19,20).
5. Onde a Doutrina Bíblica da Eleição nos coloca?
A Eleição nos coloca no centro do
plano redentor de Deus, que visa a reconciliação de todas as coisas por meio de
Cristo (2Co 5.18-20).