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14 de janeiro de 2020

(ADULTOS) Lição 3: A NATUREZA DO SER HUMANO


ANO 11 | Nr 1.362 | 2020
LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS - 1º Trimestre de 2020
Título: A Raça Humana: Origem, Doutrina e Redenção. Comentário: Claudionor de Andrade
PLANO DE AULA PREPARADO POR:
LIÇÃO 3
19 DE JANEIRO DE 2020
A NATUREZA DO SER HUMANO


TEXTO ÁUREO
“E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23).

VERDADE PRÁTICA
Nossa tríplice natureza — física, mental e espiritual — deve ser plenamente consagrada a Deus, para que o mundo veja, em nosso ser, a imagem e a semelhança do Criador.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Gênesis 1.26-28; 2.7

INTRODUÇÃO
||Na aula de hoje, estudaremos as partes que constituem a natureza humana. Veremos que o nosso ser, em virtude das partes que o compõem, é de tal forma maravilhoso, que chega a ser inexplicável (Sl 139.14). Além da substância física (o corpo), possuímos também uma substância imaterial (o espírito e a alma). Habilitou-nos Deus, assim, a relacionar tanto com o mundo físico quanto com o mundo espiritual. O objetivo desta lição não é apenas explorar a natureza humana, mas levar você a consagrar inteiramente o seu corpo, a sua alma e o seu espírito ao Criador e Mantenedor de todas as coisas||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- É importante iniciar esta aula informando que o homem é um ser tricotomo (1Ts 5.23; Hb 4.12), isto é, tri-partido, contendo em si mesmo três partes, o corpo, a alma e o espírito. Veja que Deus assinou a obra prima da criação, sendo Ele próprio Deus Trino! Quando o homem foi formado, Deus o fez “...do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7). O homem tem um corpo. O homem tem uma alma. O homem tem um espírito. O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e, assim, tem uma natureza tríplice.
 Considerar o ser humano uma unidade condicional resulta em várias implicações. Primeira: o que afeta um elemento do ser humano afeta a pessoa inteira. A Bíblia vê a pessoa como um ser global, ‘e o que toca numa parte afeta a totalidade’. Em outras palavras, uma pessoa portadora de doença crônica (no corpo) por certo terá afetadas as emoções e a mente e até o canal da comunhão normal com Deus. Erickson observa: ‘O cristão que deseja ter saúde espiritual dedicará atenção a questões tais como a dieta, o repouso e o exercício’. De modo semelhante, a pessoa que sofre certas pressões mentais poderá manifestar sintomas físicos ou até mesmo doenças físicas” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. RJ: CPAD, 1996, p.252).
- Esse conceito da tricotomia crê que o homem é uma triunidade composta e inseparável. Só a morte física é capaz de separar as partes: o corpo de sua parte imaterial. Vamos pensar maduramente a fé cristã?
I – A COMPLEXIDADE DO SER HUMANO
||A natureza do ser humano é distinta tanto em relação a Deus quanto em relação aos anjos. Vejamos por quê.

1. A natureza de Deus. Ao contrário do homem, Deus é um ser simples; possui uma única natureza. Por essa razão, Ele foi definido, pelo próprio Filho, como sendo espírito (Jo 4.24). Isso significa que, para existir, o Senhor não necessita, como nós, de uma natureza composta de corpo, alma e espírito. O Todo-Poderoso define a si mesmo como aquele que simplesmente é: “EU SOU O QUE SOU” (Êx 3.14). Ele existe por si mesmo (Jo 5.26)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- Com a palavra “natureza” indica-se as características que diferenciam um ser dos demais: a natureza angélica, a natureza humana, a natureza dos animais. Foi o apóstolo Paulo que nos possibilitou falarmos da natureza de Deus quando disse que os crentes da Galácia, antes de serem convertidos, serviam aqueles que por natureza não eram deuses (Gl 4.8). Isto claramente implica a existência de alguém que por natureza é Deus.
- João 4.24 representa a afirmação clássica sobre a natureza de Deus como Espírito. A frase significa que Deus é invisível (Cl 1.15; ITm 1.17; Hb 11.27), como oposto à natureza física ou material do ser humano (1.18; 3.6). A ordem das palavras dessa frase coloca a ênfase em "Espírito", e a afirmação é essencialmente enfática. O ser humano jamais compreenderia o Deus invisível a não ser que ele se revelasse, como o fez na Escritura e na encarnação.
- Uma nota importante sobre o nome divino ‘Eu Sou’:
Esse nome de Deus (Eu SOU O Que Sou) aponta para a sua autoexistência e para o fato de que ele é eterno; indica "Eu sou o que é/será", o que é definitivamente a melhor e mais bem contextualizada opção dentre algumas teorias sobre o seu significado e a sua fonte etimológica. A importância de "Deus de vossos pais" é imediatamente discernível: ele é o mesmo Deus ao longo de todos os tempos! As consoantes da palavra hebraica YHWH, combinadas com as vogais do nome divino Adonai (Mestre ou Senhor, compõem o nome "Jeová" (embora os estudiosos prefiram a pronúncia Javé). Pelo fato do nome Yawé ter sido considerado tão sagrado que não deveria ser pronunciado, os massoretas inseriram as vogais de Adonai para que se lembrassem de pronunciá-lo quando o liam, em lugar de dizer Yawé. Tecnicamente, essa combinação de consoantes é conhecida como o "tetragrama sagrado'” (Nota textual Gn 3.14, Bíblia de Estudo MacArthur. SBB, pág 93)
||2. A natureza dos anjos. Seres criados e finitos, os anjos possuem igualmente apenas uma natureza. Eles são descritos como espíritos (Hb 1.14). E, diferentemente de nós, não se reproduzem através do sexo (Lc 20.34-36). O corpo angélico é espiritual (1Co 15.44; Hb 1.14)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- A afirmativa do comentarista "Seres criados e finitos"  é verdadeira na primeira caracteristica porém, na segunda, é difícil dizer o que ele quer transmitir com o adjetivo substantivo "finito" (que ou o que tem um fim, um limite). Os anjos são criaturas espirituais e invisíveis aos seres humanos. Eles são sobrenaturais e, como os humanos, possuem natureza racional. São em grandes multidões no céu (Hb 12.22; Ap 5.11). Como criaturas, não são autônomos nem independentes; não agem como tal e nunca receberam adoração. A habitação deles é o céu, e eles veem sempre a face do Pai (Mt 18.10). Não possuem corpo físico ou material, mas podem se apresentar na forma humana, quando ocorrem as manifestações angelofânicas (Gn 18.19; Sl 104.4; Hb 1.7; Ef 6.2; Mt 8.16; 12.45; Lc 7.21; Ap 16.14). Essas aparições ocasionais são bíblicas (Jz 13.6; Hb 13.2). Os anjos são assexuados, não se reproduzem nem estão sujeitos à dissolução: nunca morrem. A imortalidade dos anjos se deriva de Deus e depende de Sua vontade. Os anjos são isentos da morte, porque assim Deus os fez (Lc 20.35,36).
||3. A natureza dos homens. Já os seres humanos possuem uma natureza, que pode ser descrita como dupla: uma física (o corpo) e uma espiritual (a alma e o espírito — 1Ts 5.23). Para vivermos neste mundo, necessitamos de nossa natureza completa. Se uma apartar-se da outra, morremos (1Rs 17.21,22)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- O homem é distintamente espírito, alma e corpo. O espírito e a alma constituem o “homem interior”: “E todo o vosso espírito, e alma (homem interior) e corpo (homem exterior), sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Ts 5.23). Embora distintos, espírito e alma (Hb 4.12) nunca são separados. Todos os homens, como seres criados por Deus consiste de espírito, alma e corpo, mas o cristão tem o que o homem natural não tem (1Co 2.14). Sendo o cristão nascido de novo (Jo 3.3-5) tem recebido uma nova natureza (2Co 5.17) e esta nova natureza é chamada “espírito”, isto é, possui as características do “homem interior”: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de ter dito: necessário vos é nascer de novo. “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz , mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo 3.6).
A natureza humana é o que nos torna distintamente humanos. Nossa natureza é distinta da dos animais e do resto da criação porque podemos pensar e sentir. Uma das distinções principais entre os seres humanos e o resto da criação é a nossa capacidade de raciocinar. Nenhuma outra criatura tem essa capacidade, e não há dúvida de que este é um presente singular dado por Deus. Nossa razão nos permite refletir sobre a nossa própria natureza e a natureza de Deus e derivar conhecimento da vontade de Deus para a sua criação. Nenhuma outra parte da criação de Deus tem uma natureza capaz de raciocínio. A Bíblia ensina que Deus criou os seres humanos à Sua imagem. Isto significa que Ele nos permite ter algum entendimento dEle e do Seu design vasto e complexo. Nossa natureza humana reflete alguns dos atributos de Deus, embora de forma limitada. Nós amamos porque somos feitos à imagem de Deus, que é amor (1 João 4:16). Porque somos criados à Sua imagem, podemos ser compassivos, fiéis, gentis, verdadeiros, pacientes e justos. Em nós, esses atributos são distorcidos pelo pecado, o qual também reside em nossa natureza. Originalmente, a natureza humana era perfeita por ter sido criada assim por Deus. A Bíblia ensina que os seres humanos foram criados "muito bons" por um Deus amoroso (Gênesis 1:31), mas que a bondade foi manchada pelo pecado de Adão e Eva. Posteriormente, toda a raça humana foi vítima da natureza do pecado. A boa notícia é que no momento em que uma pessoa confia em Cristo, ela recebe uma nova natureza. Segundo Coríntios 5:17 nos diz: "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." A santificação é o processo pelo qual Deus desenvolve a nossa nova natureza, permitindo-nos assim crescer em mais santidade com o tempo. Este é um processo contínuo, com muitas vitórias e derrotas devido à luta da nova natureza com o "tabernáculo" (2 Coríntios 5:4) no qual residem o velho homem, a velha natureza e a carne. Apenas quando formos glorificados no céu a nossa nova natureza será livre para viver a eternidade na presença do Deus em cuja imagem fomos criados” (gotquestions)

II - AS CARACTERÍSTICAS DO CORPO HUMANO
||O corpo humano tem as seguintes características: materialidade, visibilidade e mortalidade.
- O homem como criatura tem uma natureza derivada (At 17.28).É finito, é dependente e precisa receber revelação.

1. Materialidade. Ao contrário dos anjos — seres espirituais —, criados de uma só vez pela palavra divina (Sl 33.6), o homem — ser material e físico — veio à vida a partir de uma matéria já existente: a terra. Deus, pois, formou Adão, o primeiro genitor da humanidade, do pó de nosso planeta (Gn 2.7). O mesmo pode-se dizer de Eva, que, provinda do homem, possui a mesma substância deste (Gn 2.21,22). Desde a sua criação, o ser humano vem reproduzindo-se e enchendo a terra (Gn 1.28; At 17.26)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- O homem como criatura tem uma natureza derivada (At 17.28).É finito, é dependente e precisa receber revelação.
Muitas das palavras usadas nesse relato da criação do homem retratam um artesão mestre em atividade formando uma obra de arte à qual ele dá vida {1 Co 15.45). Isso acrescenta detalhes às afirmações encontradas em 1.27 (cf. 1Tm 2.13). Cf. S1139.14. Feito de barro, o valor do ser humano não está nos componentes físicos que formam o seu corpo, mas na qualidade de vida que forma a sua alma (veja Jó 33.4).(Nota textual Gn 2.7, Bíblia de Estudo MacArthur. SBB, pág 19)

||2. Visibilidade e tangibilidade. Envolto num corpo material, o ser humano pode ser visto e tocado. Aliás, a visibilidade e a tangibilidade (aquilo que se pode tocar) foram as provas que o Senhor Jesus apresentou a Tomé como evidências de sua ressurreição física (Jo 20.27). O discípulo incrédulo só veio a convencer-se da verdade depois de ter visto e tocado as feridas do Cordeiro de Deus (Jo 20.29)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- Além do que está descrito pelo comentarista, é importante que se diga que o seu corpo não lhe pertence mais! Ele foi comprado por Cristo na cruz para Deus! Não apenas o corpo, mas corpo, alma e espírito! (“Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele” - 1Co 6.19-20). Quando o homem foi formado, Deus o fez “...do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente” (Gn 2.7). O homem tem um corpo. O homem tem uma alma. O homem tem um espírito.
O corpo: É a parte inferior do homem que se constitui de elementos químicos da terra como oxigênio, carbono, hidrogênio, nitrogênio, cálcio, fósforo, potássio, enxofre, sódio, cloro, iodo, ferro, cobre, zinco e outros elementos em proporções menores. Porém, o corpo com todos esses elementos da terra, sem os elementos divinos, são de ínfimo valor. No hebraico, a palavra corpo é basar. No grego do Novo Testamento, a palavra corpo é somma. Portanto, o corpo é apenas a parte tangível, visível e temporal do homem (Lv 4.11; 1Rs 21.27; Sl 38.4; Pv 4.22; Sl 119.120; Gn 2.24; 1Co 15.47-49; 2Co 4.7). O corpo é a parte que se separa na morte física.” (Pr Elienai Cabral - cpadnews)
||3. Mortalidade. Apesar de material, o corpo humano foi criado com a possibilidade de manter-se vivo para sempre. Se não fosse o pecado, Adão e Eva estariam, hoje, entre nós (Gn 2.16,17). Mas, por causa de sua desobediência, morreram; o salário do pecado é a morte (Gn 5.5; Rm 6.23). O apóstolo Paulo ensina, porém, que, quando do arrebatamento da Igreja, o que é mortal revestir-se-á da imortalidade (1Co 15.53,54). O homem, portanto, foi criado imortal. Ou seja: com a possibilidade de viver para sempre, caso não houvesse pecado. Mas, quando recebemos a Jesus, como nosso Salvador, passamos a desfrutar, desde já, a vida eterna (Jo 3.15). Ele é Jesus Cristo, o Filho de Deus! Crer nisso depende a nossa eternidade||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- Os primeiros homens atestaram uma extensão de vida incomum, Talvez graças ao ambiente pré-diluviano proporcionado pelo fato de a terra estar sob um dossel de água, que filtrava os raios ultravioletas do sol e produziam condições muito mais moderadas e saudáveis. Deus havia dito a Adão que, se comesse da árvore da qual não devia comer, certamente morreria (Gn 2.17). Isso significava morte espiritual imediata e morte física posterior. Morte tem sentido de ‘separação’, quer física, quer espiritual. Deus criou o homem para seu propósito eterno e nada no período pós-queda pode trazer plena satisfação para o homem (Ec 3.11). A morte é conseqüência do pecado. Deus não criou o homem para que este viesse a morrer. No entanto, por causa do pecado, a morte entrou no mundo, passando a vitimar, indistintamente, homens, mulheres e crianças. O pecado de Adão, o primeiro ser humano, foi transmitido a toda a sua descendência.
III - ALMA, O NOSSO ELO COM O MUNDO EXTERIOR
||Só viremos a entender claramente a nossa natureza espiritual, se aceitarmos esta proposição: espírito e alma são inseparáveis. A partir daí, veremos a alma como a janela, através da qual acessamos o mundo exterior. Nesse sentido, a morte física é a separação entre a alma e o corpo.

1. Alma e espírito são inseparáveis. Em nosso ser, alma e espírito acham-se tão unidos, que somente a Palavra de Deus pode alcançar-lhes a junção (Hb 4.12). Conforme veremos, a alma e o espírito formam a nossa substância imaterial. E cada um deles tem uma função específica em nosso ser||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- “O homem é um ser tricótomo (1Ts 5.23; Hb 4.12). O termo tricotomia significa “aquilo que é dividido em três” ou “que se divide em três tomos”. Em relação ao homem, o termo tricotomia refere-se às três partes do seu ser: corpo, alma e espírito. Há divergência neste ponto entre alguns teólogos. Há aqueles que entendem o homem como apenas um ser dicótomo, ou seja, que se divide em duas partes: corpo e alma (ou espírito). Os defensores da dicotomia do homem unem alma e espírito como sendo uma e a mesma coisa. Entretanto, parece-nos  mais aceitável o ponto de vista da tricotomia. Esse conceito da tricotomia crê que o homem é uma triunidade composta e inseparável. Só a morte física é capaz de separar as partes: o corpo de sua parte imaterial. [...] A alma: É preciso saber que o corpo sem a alma é inerte. A alma precisa do corpo para expressar sua vida funcional e racional. A alma é identificada no hebraico do Velho Testamento por nephesh e no grego do Novo Testamento por psiquê. Esses termos indicam a vida física e racional do homem. Os vários sentidos da palavra alma na Bíblia, como sangue, coração, vida animal, pessoa física; devem ser interpretados segundo o contexto da escritura em que está contida a palavra “alma”. De modo geral, em relação ao homem, a alma é aquele princípio inteligente que anima o corpo e usa os órgãos e seus sentidos físicos  como agentes na exploração das coisas materiais, para expressar-se e comunicar-se com o mundo exterior. Nephesh dá o sentido literal de “respiração da vida” (Sl 107.5,9; Gn 35.18; 1Rs 17.21; Dt 12.23; Lv 17.14; Pv 14.10; Jó 16.13; Ap 2.23; Ecl 11.5; Sl 139.13-16). O espírito: No hebraico é ruach e no grego, pneuma. O espírito do homem não é simples sopro ou fôlego, é vida imortal (Ec 12.7; Lc 20.37; 1Co 15.53; Dn 12.2). O espírito é o princípio ativo de nossa vida espiritual, religiosa e imortal. É o elemento de comunicação entre Deus e o homem. Certo autor cristão escreveu que “corpo, alma e espírito não são outra coisa que a base real dos três elementos do homem: consciência do mundo externo, consciência própria e consciência de Deus”.” (Pr Elienai Cabral - cpadnews).
||2. A alma é a janela para o mundo exterior. Através da alma, o ser humano se expressa e tem acesso ao mundo que o cerca. Para que isso seja possível, a alma serve-se dos órgãos sensitivos (Lc 11.34). E, por intermédio destes, o homem carnal deixa-se atrair pelas concupiscências da carne e dos olhos (Tg 1.13,14; 1Jo 2.16). Por isso, o Senhor decreta: “A alma que pecar, essa morrerá” (Ez 18.4). O pecado começa na alma e contamina o espírito e o corpo. Por isso o apóstolo recomenda a completa santificação de nosso ser (1Ts 5.23)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- A alma define quem a pessoa é (Salmos 103:1). A alma é a parte que sente emoções, raciocina e tem vontade, interpretando a experiência física do corpo. A alma é a parte não mecânica da pessoa. A criatividade, a inteligência, as emoções, as decisões – tudo que torna a vida mais que um conjunto de processos automáticos é função da alma.
A alma é o elo entre o corpo e o espírito. Está ligada à parte física da vida e à parte que não é física. O espírito é a parte que tem comunhão com Deus e a alma é a parte que torna essa experiência pessoal, individual. A alma interpreta e aplica a comunhão com Deus na vida física diária. Da mesma forma, a interpretação da alma da experiência física pode afetar a comunhão com Deus.
||3. A separação da alma e do corpo gera a morte. A morte ocorre quando a alma separa-se do corpo. É o que nos mostra a narrativa da morte de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 35.18). Saindo-lhe a alma, ela morreu. Quando isso ocorre, a alma dos justos é recolhida ao lugar de descanso, ao passo que a dos ímpios é aprisionada no inferno (Lc 16.20-31). Observe, pois, que a alma (juntamente com o espírito) permanece consciente até a ressurreição do corpo. Enfatizamos que a alma e o espírito são inseparáveis; são um único elemento de nossa imaterialidade||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- “A Bíblia implicitamente nos informa o momento em que a alma deixa o corpo quando diz: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tiago 2,26). Então, quando é que o corpo morre? Quando ele é afastado da alma. E quando é que a alma o deixa? No ponto da morte. Isto reflete um fato básico de antropologia teológica cristã: a alma não é apenas uma coisa que habita o corpo; é o princípio vital do corpo, a forma substancial do corpo; eis porque quando a alma deixa o corpo, o corpo morre e se desintegra, perdendo a forma integral que o mantinha unido [à alma]. O mesmo é verdade para as partes do corpo; quando a alma deixa uma parte do corpo (ou é forçada a deixá-lo devido a um ferimento grave), aquela parte morre e se desintegra (p.ex: devido a gangrena ou amputação). O ponto em que a alma deixa o corpo é aquele em que a ciência médica se refere como “morte somática” ou “morte corporal” (“soma” é a palavra grega empregada para “corpo”). Quando o corpo, como uma entidade única, morre – não apenas quando algumas células dele morrem ou quando alguns órgãos dele morrem (ainda que seja o cérebro ou o coração, apesar que a morte destes normalmente acaba levando à morte todo o corpo) – então é aí que a alma o deixa.”(aleteia)
- Sugiro a leitura do artigo “Será no momento em que o coração para de bater? No momento em que cessa a atividade cerebral?”, disponível em: https://pt.aleteia.org/2016/02/05/em-que-momento-a-alma-se-separa-do-corpo/.


IV - O ESPÍRITO E O NOSSO CONTATO COM DEUS
||O espírito humano, por ser o elo entre o corpo e Deus, é a sede de nossa comunhão com o Pai Celeste. Na Bíblia, espírito e alma são tomados, às vezes, como sinônimos.
- O Novo Testamento afirma que o homem tem tanto uma alma quanto um espírito (1Ts 5.23), e que a alma pode ser dividida a partir do espírito. Esta distinção é apresentada em Hebreus 4.12.

1. O que é o espírito. Em termos simples, o espírito compõe, juntamente com a alma, a parte imaterial do ser humano. Embora distintos um do outro, não podem separar-se; somente a Palavra de Deus, como já vimos, é capaz de alcançar a divisão entre ambos (Hb 4.12). Em virtude de suas faculdades, o espírito humano atua como a sede de nossas afeições espirituais (Sl 77.3,6)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- O espírito é a parte de nós que pode reconhecer e ter comunhão com Deus. O espírito é também o que nos dá vida. O espírito interage com forças espirituais. Todas as pessoas têm espírito. É Deus quem concede o espírito, e essa parte do homem que nos permite ter contato com Deus. Deus é espírito e só podemos nos unir a Deus através do espírito (Jo 4.24). Isso acontece quando nosso espírito se une ao Espírito Santo de Deus. Todos que aceitam Jesus como salvador estão unidos ao Espírito Santo (At 2.38).
||2. O elo entre o nosso corpo e Deus. É por meio de nosso espírito que nos comunicamos com Deus (Ap 1.10). Foi em seu espírito, portanto, que João recebeu a revelação do Apocalipse. Paulo, no serviço missionário, estava, no espírito, em comunhão com Deus e com os irmãos (1Co 5.4)||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- O espírito é a parte mais profunda do homem; que pode ter comunhão com Deus. O espírito é o lugar onde o Senhor habita no crente e onde Ele tem comunhão conosco (Rm 8.16; 1Co 6.17; 2Tm 4.22). É com o espírito que buscamos a Deus (Is 26.9). É pelo espírito que nós esquadrinhamos o coração (Sl 77.6). O espírito é a lâmpada do Senhor que procura todas as partes internas, o que incluiria o coração e a alma (Pv 20.27). O espírito é a fonte do ser do homem.
||3. A sede de nossa comunhão com Deus. Através de nosso espírito, temos experiências e encontros com Deus (Sl 143.4,7). Eis a experiência do profeta (Is 26.9). Portanto, a verdadeira alegria divina manifesta-se, em primeiro lugar, em nosso espírito, pois é neste que todo o nosso ser consagra-se ao serviço divino (Sl 51.12; Rm 1.9). O nosso espírito tanto fala em mistérios quanto ora (1Co 14.2,14,16). O espírito também pode abrigar o orgulho e a soberba (Pv 16.18). Por isso, quando o ímpio falece, o seu espírito (e também a alma, porquanto ambos são inseparáveis) é aprisionado até o julgamento final (1Pe 3.19).||.[Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- O coração e a alma afetam o espírito (Pv 15.13), mas o espírito deve controlar o coração e a alma (Sl 42.5; Pv 23.19). É por meio do nosso espírito que nos comunicamos com Deus (Ap 1.10). Nossa experiência e encontro com Deus acontece no âmbito do espírito: “Mas a hora está chegando, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai, em espírito e em verdade; pois são esses que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (Jo 4.23, 24). É através do meu espírito que tenho consciência de Deus e me relaciono com Ele. Deus é Espírito e só podemos perceber Deus no espírito (Ef 2.22; Jo 4.24).

CONCLUSÃO
||O homem é um ser tanto físico quanto espiritual. Por essa razão, Deus requer nossa completa e uniforme santificação (1Ts 5.23). Temos de ser santos no corpo, na alma e no espírito. Jesus morreu e ressuscitou, a fim de que sejamos santos em todo o nosso ser. E, quando do arrebatamento da Igreja, apesar de nossas limitações, o Senhor nos revestirá da imortalidade e da incorruptibilidade. Busquemos a santificação. Todo o nosso ser pertence a Deus. Somos o templo do Espírito Santo. Aleluia!|| [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 1º Trimestre 2019. Lição 3, 19 Janeiro, 2020]
- Este estudo é importante para compreendermos como o ser humano é formado e conhecermos sua estrutura. O ser humano é tripartido. Todo homem é espírito alma e corpo. O corpo é diferente da alma e a alma é diferente do espírito. Ainda que alguns teólogos digam que alma e espírito são a mesma coisa, encontramos ao longo da Escritura, textos que apontam para a tricotomia do homem em detrimento da dicotomia. A lição aponta para a necessidade de nos mantermos inteiros, ou puros, e não poluídos, em espírito, alma e corpo, até o dia de Cristo. Este tema se faz necessário já que muitos crentes perderam a noção da centralidade da santidade inteira do nosso ser; nos acostumamos com a mente católica que separa a vida em sagrado e profano. Para o crente, toda a sua vida é sagrado, é um culto ao Senhor. É preciso entender que todo crente deve trazer em si a marca de “santidade ao Senhor”, à semelhança do sacerdote da lei mosaica, que trazia esta inscrição na mitra (Êx 28.36-39).Devemos trazer à lume, nesta aula, o processo de santificação e, em especial, a santificação do corpo, uma vez que vivemos dias em que a imoralidade que impera no mundo tem entrado pelos portões da Igreja!
Pb Francisco Barbosa