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1 de dezembro de 2019

(ADULTOS) Lição 10: PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS


ANO 10|Nr 1.354|2019
LIÇÕES BÍBLICAS CPAD ADULTOS - 4º Trimestre de 2019
Título: O Governo divino em mãos humanas - Comentário das lições: Osiel Gomes
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L I Ç Ã O  10
8 DE DEZEMBRO DE 2019
PECADO DO HOMEM SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS
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TEXTO ÁUREO
“Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR.”
(2 Sm 11.27)
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VERDADE PRÁTICA
Somente o revestimento da graça divina, na força e no poder do Espírito Santo, pode livrar-nos do pecado – a ofensa premeditada contra Deus.
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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
2 Samuel 11.1-18
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INTRODUÇÃO
||A Bíblia não se limita a descrever as façanhas de seus heróis, mas revela igualmente seus pecados, erros e fragilidades. Homens como Noé, Abraão e Jacó cometeram graves faltas na caminhada espiritual (Gn 9.20,21; 20.1-6; 27.19), e a Bíblia não as esconde.  Davi, embora ungido do Senhor, deu lugar ao Diabo, e veio a cometer dois gravíssimos pecados. Por isso, Jesus nos alerta a orar e a vigiar constantemente (Mt 26.41). A presente lição procura mostrar que ser escolhido de Deus, para algum propósito, não evita a possibilidade de uma eventual (e evitável!) queda. Por essa razão, não podemos descuidar-nos de nossa vida espiritual. É imprescindível estar cheio do Espírito Santo, para não sucumbir aos desejos da carne, atentando seriamente para este conselho de Paulo: fugi da prostituição (1 Co 6.18; Gl 5.16)||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- Hoje veremos como escolhas erradas resultam em consequências trágicas e como devemos reagir quando isso acontecer conosco, dado o nosso pecado. Ao longo da lição farei algumas objeções ao comentarista, como julguei equívocos e ou idéia não muito clara (hachurado em amarelo). “É muito comum vermos as pessoas fazerem suas escolhas sem pensar nas consequências que elas trarão. Para muitos, e talvez para nós mesmos, o que vale na hora da escolha é o prazer imediato e a vantagem que se obterá. A preocupação com as consequências e implicações é mínima ou, até mesmo, inexistente. Esse imediatismo, infelizmente, tem afetado muitas pessoas e não são poucos os crentes que seguem por esse caminho. O resultado são inúmeros conflitos e dramas familiares. A história de Davi e de seu adultério com Bate-Seba, serve para demonstrar que na vida não podemos fazer nossas escolhas de modo inconsequente. Todas as escolhas que fizermos trarão consequências, que podem ser boas ou ruins. Elas nos aproximarão ou nos afastarão de Deus” (ultimato) Bom estudo e crescimento maduro na fé cristã!
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I – SEGUNDO O CORAÇÃO DE DEUS
||1. O homem segundo o coração de Deus. A expressão um homem segundo o seu coração fala de alguém que procura agradar ao Senhor. A Bíblia declara que Davi era esse homem (1 Sm 13.14). Davi era rei que agradava a Deus, porque em tudo priorizava a Sua vontade. Davi sabia esperar; seu coração sentia segundo os sentimentos do Senhor. Ele não se apressava, não agia precipitadamente, não frustrava os planos divinos nem buscava sua própria vontade; mas agia consciente e moderadamente (Fp 4.5). O líder segundo o coração de Deus tem intimidade com o Pai. O Senhor quer nos dar pastores segundo o seu coração (Jr 3.15)||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- “E, ‘'tendo tirado a este, levantou-lhes o rei Davi, do qual também, dando testemunho, disse: ''Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade.” (At 13.22). Lucas registra em Atos o testemunho de Paulo em Antioquia, onde em seu discurso, nos mostra a resposta concreta da pergunta: ‘Por que Davi foi um homem segundo o coração de Deus?’ Davi em toda a sua jornada, procurou executar toda a vontade divina! Alguns poderiam questionar a aplicação dessa verdade a Davi porque às vezes deu provas de ser pecador (1Sm 11.1-4; 12.9; 21.10—22.1). Nenhum homem segundo o coração de Deus é perfeito; no entanto, reconhecerá o seu pecado e se arrependerá do mesmo, como Davi fez (Sl 32; 38; 51). Em vez de Saul Deus escolheu um homem com o coração segundo o Seu, ou seja, alguém que tivesse vontade de obedecer a Deus.
- Nenhum homem é capaz de frustrar os planos divinos! “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado” (Jó 42.2). Todos nós somos pecadores, inimigos de Deus, destinados ao inferno até que Deus nos alcance por Sua infinita misericórdia, mas mesmo tendo sido justificados por Cristo, ainda assim estamos sujeitos ao pecado, de modo que, se caímos não frustramos a Deus.

||2. Davi era o escolhido de Deus, mas deu lugar ao Diabo. Davi era o escolhido de Deus, mas, infelizmente, cometeu pecados graves; não foi um exemplo de perfeição absoluta como líder espiritual nem como homem público. A grande diferença entre Davi e Saul foi o arrependimento. O Salmo 51 revela a confissão de Davi, sua súplica por perdão e seu rogo por renovação espiritual. Ele não escondeu as suas transgressões; confessou-as e buscou o perdão. Enquanto o nosso corpo não for plenamente redimido lutaremos contra a tentação e o pecado. Mas chegará o dia que o que é “mortal se revestirá de imortalidade e o que é corrupto, de incorruptibilidade” (1 Co 15.54). Enquanto isso, trilhemos o caminho da santidade, da oração, da leitura da Bíblia e da fuga da aparência do mal (1 Ts 5.22; 4.12). Deixo, porém, este alerta: é possível, sim, termos uma vida irrepreensível tanto diante de Deus quanto diante dos homens||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- O Salmo 51 registra as palavras de arrependimento de Davi depois do confronto com Natã a respeito do seu pecado com Bate-Seba; também o Salmo 32 registra Davi exprimindo sua agonia depois da confrontação de Natã. Nesse confronto é notável a astúcia do profeta (2Sm 12.1-4) “dois homens... um rico e outro pobre” - para entender essa parábola, basta apenas reconhecer que o homem rico representava Davi, o homem pobre, Urias e a ovelha era Bate-Seba. De acordo com Êx 22.1, a pena por roubar e matar um boi ou uma ovelha não era a morte, mas a sua restituição. Entretanto; na parábola, o roubo e o assassinato da ovelha representavam o adultério com Bate-Seba e o assassinato de Urias por Davi. De acordo com a lei mosaica, tanto o adultério (Lv 20.10) quanto o assassinato requeriam a pena de morte. Ao pronunciar esse julgamento sobre o homem rico na história, Davi, inconscientemente condena-se à morte! Em Êx 22.1 há a exigência de que para o roubo de cada ovelha fosse feita uma restituição de cinco ovelhas. Existe aqui uma alusão às mortes subsequentes de quatro dos filhos de Davi: o primogênito de Bate-Seba, Amnom, Absalão e Adonias.
- Em 2Sm 12.9 Natã faz a acusação: ‘'Por que, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o que era mau perante ele?’. Desprezar a palavra do Senhor era como violar os seus mandamentos, portanto passível de castigo (Nm 15.31). Ao resumir as violações de Davi, a sua culpa foi divinamente afirmada. Veja que o homem segundo o coração de Deus chegou ao nível de desprezar a palavra do Senhor! Mas esta falha não frustrou os planos de Deus, pelo contrário, reafirmou-os: Davi não procurou racionalizar nem justificar o seu pecado. Quando foi confrontado pelos fatos - Pequei contra o SENHOR.
-  Esse ‘alerta’ do comentarista não é apenas um ‘alerta’, mas para o cristão é uma obrigação! Em Efésios 4.1 Paulo descreve tanto o propósito quanto o resultado da escolha de Deus daqueles que são salvos. Homens iníquos são declarados justos, pecadores indignos são declarados dignos da salvação, tudo porque são escolhidos em Cristo. Paulo fala da justiça imputada de Cristo concedida a nós, a justiça perfeita que coloca os cristãos numa posição santa e irrepreensível diante de Deus (Cl 2.10), embora no viver diário não consigamos atingir o seu padrão santo, em amor. Mas, por sabermos a nossa nova posição em Cristo, temos a obrigação de vivermos neste mundo de maneira sóbria, justa e piedosa

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II - O AMBIENTE EM QUE DAVI PECOU
||1. Criando um ambiente propício ao pecado. O texto inicia dizendo que Davi não partiu para guerra, quando deveria ter ido (1 Sm 11.1). A indolência do rei era o primeiro passo que lhe preparava para a queda, pois quanto mais tempo desocupado, mais chance de ser tentado. Davi não pecou apenas por ter visto Bate-Seba, mas porque seu olhar foi pecaminoso; ele não procedeu como Jó, que fez concerto com os seus olhos para não pecar (Jó 31.1). No lugar de andar ocioso pelo palácio, Davi deveria ter fugido da aparência do mal. Ser tentado não é pecado, mas ceder à tentação é. Jesus foi tentado, mas não cedeu à tentação; repreendeu o Diabo com as Escrituras (Mt 4.1; Hb 2.18). A tentação pode vir tanto de fora (do mundo e do Diabo) quanto de dentro de nós (Tg 1.14)||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- É interessante estudarmos o contexto histórico do oriente próximo daquela época. Havia um costume dos reis batalharem somente em determinada época do ano. Veja que a narrativa de 2Sm 11 inicia dizendo: “no tempo em que os reis costumam sair para a guerra”. No Oriente Próximo, os reis normalmente saíam para a guerra na primavera, por causa do bom tempo e da abundância de alimentos disponíveis ao longo do caminho. No entanto, segue o escritor de 2º Samuel, Davi despachou Joabe, capitão de seu exército, com seus soldados mercenários e o exército de Israel para continuar a guerra contra Amom iniciada no ano anterior (2Sm 10.14). No ano anterior, Abisai havia derrotado o exército amonita em campo aberto; em seguida, os amonitas remanescentes haviam fugido para trás dos muros da cidade de Rabá em busca de proteção (10.14). Joabe retornou no ano seguinte para sitiar a cidade, porém Davi ficou em Jerusalém. Talvez tenha julgado desnecessário sua presença nesta missão ta pequena, no entanto, permanecer em casa numa situação como essa não era o costume de Davi (2Sm 5.2; 8.1-14; 10.17); Interessante notar que esse comentário explícito do autor é uma crítica a Davi por ter ficado para trás, bem como um modo de criar o cenário para sua devastadora iniqüidade.
- A posição mais elevada do telhado do palácio permitiu que Davi enxergasse o que acontecia no pátio da casa vizinha. Mais tarde, esse mesmo telhado se tornaria palco de outras imoralidades pecaminosas (2Sm 16.22).
- Também é interessante notar que tanto Davi como Bate-Seba eram culpados pelo adultério. Podemos ver também, na ótica atual, um caso de abuso e assédio. Sobre este assunto e como tratá-lo hoje em nosso meio – mulheres que sofrem assédio e abuso no meio da igreja – leia aqui este excelente artigo baseado na experiênica de Bate-Seba: (reforma21)

||2. Os meios que contribuem para a prática do pecado. Em geral, quando uma pessoa começa a desejar o pecado, ela aprofunda esse desejo, fecha-se para as coisas de Deus, levando o Espírito Santo a retirar-se dela. Assim foi com Davi. Ele indaga sobre a mulher que se banhava e, por meio de seus poderes reais, ordenou que a buscassem (2 Sm 11.4). Ele mandou buscá-la, mesmo sabendo que se tratava de uma senhora casada. Nada mais podia detê-lo no caminho do pecado, mesmo a informação de que Bate-Seba era mulher de um dos seus oficiais mais fiéis. Nessas condições, Davi já estava longe de Deus. Todas as ações descritas no texto mostram que ele abriu a porta do coração para o pecado e não desviou os olhos da vaidade (Sl 119.37). Frente ao mau exemplo de Davi, e de acordo com as Escrituras, o cristão deve fugir do pecado e resguardar-se em Cristo, pois somente nEle é que se consegue vencer os ataques do Maligno||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- O Espírito Santo pode em algum tempo abandonar o Cristão? Há um equívoco aqui que precisa ser esclarecido, isso porque se entendermos que o Espírito Santo abandona o crente, Deus retirou Seu selo dele, e não há nas Escrituras nenhum texto que corrobore com essa afirmativa do comentarista. O Espírito Santo nunca abandona um crente, pelo menos, é o que temos em muitas passagens diferentes no Novo Testamento: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Aqui claramente afirma que se alguém não tem o Espírito Santo habitando dentro de si, não é salvo; portanto, se o Espírito Santo fosse deixar um crente, este teria perdido seu relacionamento com Cristo e perdido sua salvação. A não ser que, este seja o caso! Veja ainda outros textos: Jo 14.16; Ef 1.13-14 (O retrato de ser selado com o Espírito Santo é um de posse e propriedade – Pertencemos ao Senhor!); 2Co 1.22; Ef 4.30.
O Rei de Israel está onde não devia! E eu não me refiro ao passeio no telhado de sua casa mas à sua presença na cidade. A sentença adversativa no fim do primeiro verso claramente expressa que Davi, ao contrário do que se esperava de todos os outros reis, estava ocioso, aproveitando o clima pacífico de Jerusalém, enquanto seu valentes generais e corajosos soldados estavam derramando seu sangue e arriscando suas vidas pelo reino. Enquanto Davi relaxava e chochilava tranquilamente em suas dependências reais, seus exércitos dormiam em tendas improvisadas no campo de batalha sem qualquer tipo de conforto (2 Sm 11.9). Ao cair da tarde, Davi retirou-se de seus aposentos e foi para o terraço de sua casa, talvez para aproveitar a brisa fria das regiões desérticas da Palestina. Essa construção era provavelmente a mais alta da cidade, proporcionando ao Rei uma visão clara e privilegiada do seu reino. É desse local que Davi avista uma formosa mulher. Ele não sabe quem ela é. Um de seus servos a identifica como: “a filha de Eliã e a mulher de Urias” (2 Sm 11.3). Mas para Davi pouco importa se ela é filha de alguém, pouco importa se ela é a esposa de alguém. Tamanho é seu desejo por ela que ele ignora completamente tanto a lei moral, que claramente proíbe adultério, quanto a lei civil de Israel, que condena à morte por apedrejamento os adúlteros, mesmo que seja o próprio rei. Davi envia-lhe mensageiros e a toma para si (2 Sm 11.4a)” (reforma21)
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III - O ADULTÉRIO E O HOMICÍDIO DE DAVI
||1. Pecado gera pecado. No Salmo 42.7, é dito que um abismo chama outro abismo. A prática pecado gera mais pecado. Ao tomar ciência de que Bate-Seba estava grávida, Davi engendra um plano. Para esconder a gravidez adulterina de Bate-Seba, Davi força Urias a deitar-se com a esposa, a fim de se lhe atribuir o filho ali gerado. Ele fez isso por duas vezes, porém, sem sucesso (2 Sm 11.8,10). Em outra tentativa ele se dispõe a embriagá-lo, mas, mesmo assim, Urias não foi para casa (2 Sm 11.13). O oficial se revela um soldado fiel, honrado, leal, contrastando com as atitudes do próprio rei Davi. Por fim, Davi revela sua face mais cruel: escreve uma carta, e ordena que Urias a entregue a Joabe; na carta, o rei ordena ao general que coloque o valente soldado num front temerário, imprudente e belicamente infrutífero. Uma das faces do pecado é a dissimulação; leva-nos a situações inimagináveis. Atentemos, pois, para o que o apóstolo disse: “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23).||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- O autor de 2 Samuel é criterioso nos detalhes, veja que ele salienta o fato da mulher ter acabado o período da sua imundície. Nos últimos dias ela havia menstruado e conforme Levíticos 15.19-30, isso exigia uma purificação cerimonial; ao invés disto, foi seguida por uma relação adúltera. O fato de ela ter acabado de menstruar deixa claro que Bate-Seba não estava grávida de Urias quando foi se deitar com Davi.
- As únicas palavras de Bate-Seba com respeito a esse incidente reconhecem a condição que resultou do seu pecado, que se tomou evidente pela sua gravidez e que, segundo a Lei (Lv 20.10; Dt 22.22), seria passível da pena de morte. Sagazmente, Davi manda chamar Urias como um subterfúgio para fazê-lo ir para casa, a fim de que dormisse com sua mulher, de modo a parecer que ele a havia engravidado, assim evitando a vergonha pública de Davi e a possível morte de Bate-Seba. Note o linguajar lascivo de Davi ao orientar Bate-Seba no texto de 2Sm 11.8: “lava os pés”; Como isso era algo feito antes de ir para a cama, essa expressão significa ir para casa e ir para a cama. Para um soldado vindo do campo de batalha, significava claramente: "aproveite a sua mulher sexualmente". Se isso desse certo, o encontro de Davi com Bate-Seba seria encoberto pela união dela com Urias. Contrariando os planos do rei, Urias foi um exemplo de lealdade para seus soldados, que ainda estavam no campo, Urias não se aproveitou da oferta menos que honrosa do rei (2Sm 11.11). Depois que suas duas tentativas de encobrir o seu pecado com Bate-Seba falharam, Davi entrou em pânico e planejou o assassinato de Urias, aproveitando-se da lealdade inabalável deste para com ele, o rei, até mesmo fazendo com que Urias entregasse a própria sentença de morte. Desse modo, Davi se envolveu em outro crime passível da pena de morte (Lv 24.17). Essa é uma vivida prova dos extremos a que as pessoas chegam quando em busca do pecado e na ausência da graça limitadora. Seu nefasto plano desta vez logrou êxito. Joabe enviou um mensageiro com uma mensagem velada para informar a Davi que seu desejo havia sido executado. Joabe devia saber qual era o motivo por trás da insensata missão militar.

||2. O homicídio de Davi. O pecado de Davi vai tomando grandes proporções. O rei entrega Urias nas mãos de Joabe que, por seu turno, coloca-o à frente de uma peleja suicida. Esse ato não matou apenas Urias, mas também outros soldados (2 Sm 11.17). Ao ser informado da morte de seu fiel oficial, Davi se manifestou de modo brando, impassível e calculista, afirmando que tais coisas ocorrem na guerra − a espada ora devora de um lado, ora do outro (2 Sm 11.25). Davi plantou uma grande injustiça e colherá uma grande amargura. Ele sentirá o peso da espada, enviada da parte de Deus, sobre sua casa. O pecado destrói, transtorna e desfigura espiritualmente uma pessoa. O homem segundo o coração de Deus agora fazia a vontade do Diabo||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- Davi, de maneira hipócrita, demonstrou indiferença por aqueles que morreram, e consolou Joabe, autorizando-o a continuar a peleja contra Rabá. Isso traria conseqüências malignas; O trágico castigo de Davi seria prolongado. Como Urias fora morto violentamente, a casa de Davi seria afligida continuamente pela violência. Natã em sua sentença contra Davi, diz: “não se apartará a espada jamais da tua casa”(2Sm 12.10). Essas palavras prenunciaram as mortes violentas de Amnom, Absalão e Adonias. Davi havia feito mal à família de outro homem. portanto, ele receberia o mal em sua própria família, como a violação de Tamar por Amnom, o assassinato de Amnom por Absalão e a revolta de Absalão contra Davi.

||3. Davi e seu comandante. Experiente em guerra, Joabe sabia que o pedido de Davi era uma trama maldosa. Ali, a máscara de Davi cai diante de Joabe. Este não o verá mais como um rei santo, mas como alguém de caráter duvidoso, que acabara de fazer um pedido sujo. Joabe era um assassino, pois havia tirado a vida de Abner (2 Sm 3.26,27). Davi acabara de se igualar ao seu comandante. O rei de Israel não era mais o rei-modelo, espiritual e excelente. Joabe, não somente poderia blasfemar de Davi, como não mais poderia ser repreendido pelo rei a respeito de Abner (2 Sm 3.28,29). A história de Davi e seu comandante, Joabe, nos mostra que os servos do Senhor devem proceder fielmente em tudo para que o nome de Cristo não seja blasfemado.||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- Joabe foi um dos três filhos de Zeruia, a irmã de Davi. Seus dois irmãos foram Abisai e Asael, este último foi morto por Abner (2Sm 2.13-32), a quem Joabe depois matou traiçoeiramente (2Sm 3.22-27). Esta morte não teve o apoio de Davi e Joabe foi repreendido por matar traiçoeiramente. Note que, provavelmente sabendo o intento perverso de Davi ao colocar Urias onde a batalha era mais renhida, seu caráter foi profundamente manchado pela participação que ele voluntariamente teve no assassinato de Urias. O próprio Davi, já próximo da morte, orientou Salomão a executar Joabe, o que aconteceu sob a espada de Benaia (2Sm 3.29; 20.5-13).

||4. A tentativa de Davi para evitar as suspeitas do seu pecado. Em seu atoleiro pecaminoso, depois de sete dias de luto, imediatamente Davi tomou Bate-Seba como esposa. Ele pensava afastar quaisquer suspeitas de um relacionamento extraconjugal. É importante dizer que Bate-Seba teve grande participação no pecado de Davi. Ela não se resguardou; mostrou-se pecaminosamente. Era uma mulher ambiciosa, cheia de planos. Isso pode ser comprovado pelo texto de 1 Reis 1.11-31. Tudo poderia ter passado despercebido perante o povo e logo esquecido, mas o autor sagrado o contraria dizendo: “Porém essa coisa que Davi fez pareceu mal aos olhos do SENHOR” (2 Sm 11.27). Deus é onisciente, Ele sabe de tudo. Os que pecam às ocultas, pensando que Ele não vê, enganam-se; as Escrituras declaram que “todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hb 4.13; cf. Sl 33.13,14; 90.8; 139.11,12)||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
O período habitual de luto era, provavelmente, de sete dias (Gn 50.10; 1Sm 31.13). De modo bastante significativo, o texto não cita luto da parte de Davi.

- Farei aqui uma defesa de Bate-Seba, creio não ser pertinente o comentário da lição no que se refere ao caráter dessa mulher. O que está registrado em 1 Reis 1.11-31, aponta apenas para um caráter preocupado em que se cumpra o juramento do rei anti a possível tomada do trono por Adonias. Bate-Seba foi até Davi para relatar o que estava acontecendo, e a quem depois ele seguiria. A rainha-mãe tinha uma posição de influência na corte real. Se Adonias tivesse se tornado rei, as vidas de Bate-Seba e de Salomão teriam sido postas cm risco, porque, muitas vezes, no Oriente Próximo aqueles que tinham potencial para reivindicar o trono, bem como suas famílias, eram mortos (1Rs 15.29; 16.11; 2Rs 10.11). Davi havia feito uma promessa em particular (não foi registrada na Escritura), talvez tanto a Natã como a Bate-Seba. Davi fez outro juramento de cumprir o primeiro juramento que havia feito de tornar Salomão o rei.
- Teria Bate-Seba premeditado ser vista por Davi? “Uma rápida pesquisa sobre banhos durante esse período na região da Palestina nos revela que enquanto é possível que ela estive no quintal de sua casa, protegida por quatro paredes, dando-lhe a necessária sensação de privacidade. É também possível que ela estivesse tomando banho em uma das fontes públicas de Jerusalém, o que implica que ela estaria usando algum tipo de roupa de banho. O fato é que o escritor, inspirado pelo Santo Espírito, não nos revela essas informações. As possibilidades são diversas e precisamos nos ater aquilo que está escrito. O texto simplesmente nos informa que Davi à viu enquanto ele estava em seu próprio telhado. Especulações de qualquer natureza nos fazem fugir do foco do texto e terminam levando à interpretações que não foram pretendidas pelo autor original. O texto também não nos revela nada sobre o caráter ou personalidade de Bate-Seba ao ponto de podermos afirmar que sua exposição foi proposital. Na verdade, é muito provável que Bate-Seba contasse com a ausência de Davi de suas dependências reais. Não é essa a expectativa do próprio autor? Não é o próprio narrador quem esperava que Davi estivesse no campo de batalha juntamente com os outros reis? Como cidadã de Israel, e sendo seu marido um dos valentes soldados da nação, Bate-Seba possivelmente também esperava que o comandante-supremo das forças armadas de Israel estivesse lutando juntamente com seus exércitos. E o que exatamente viu Davi? Será que ele viu Bate-Seba totalmente despida? Ou será que ele viu apenas o rosto da bela Israelita enquanto ela banhava-se por trás de algum tipo de cortina? Simplesmente não sabemos. O texto diz, literalmente, que Bate-Seba “era boa de se ver”. Apenas uma expressão idiomática corretamente traduzida do Hebraico pela ARA como “era ela mui formosa”. Uma última opinião contra Bate-Seba vem daqueles que acham que ela estava em posição de dizer “não” para Davi. “Ela deveria ter resistido,” dizem eles. “Afinal de contas, ela era casada!”. O curioso é que esses não fazem a mesma exigência de Sara, em Gênesis 20, que em uma situação muito semelhante permite que Abimeleque, rei de Gerar, mande buscá-la para seu harém pensando ser ela irmã de Abraão (Gn 20.2).  Aqueles que atribuem alguma parcela de culpa a Bate-Seba por não ter dito “não” a Davi devem ser consistentes e também considerar Sara culpada por não ter resistido a Abilimeque e por não ter-lhe dito toda a verdade. Por outro lado, a despeito da inconsistência, a pergunta permanece. Será que Bate-Seba não poderia ter resisido? Será que ela não poderia ter dito não? Precisamos considerar essas perguntas do ponto de vista de Bate-Seba. O rei de Israel, a autoridade máxima do reino, manda buscá-la. Será que ela deveria dizer “não”? Não bastasse Davi ser rei, era ele temente ao Senhor, representante de Javé no meio do seu povo, homem segundo o coração de Deus. Por que ela haveria de temer ir ao palácio real? Talvez Davi tivesse notícias de seu marido. Talvez Urias tive sido terrivelmente ferido, ou até morto em batalha, e agora o rei queria avisá-la pessoalmente. E ao chegar no palácio, após descobrir as intenções de Davi, será que ela não poderia ter dito “não”?  Certamente que sim. Mas uma outra pergunta também pode ser feita nesse mesmo contexto. Será que ela de fato não disse “não”? Será que ela não lembrou a Davi seu estado civil e a lei de Israel? Talvez sim e, por consequência, a acusação de que Bate-Seba foi conivente cai por terra. Entretanto, nada disso nos foi revelado. O que nos lembra mais uma vez que precisamos nos ater ao texto. Quando nos prendemos a narrativa, é fácil perceber que seu foco é Davi e suas ações enquanto governante. Bate-Seba é retratada como agente ativo somente em quatro momentos: na sua ida ao palácio e ao voltar para sua casa (v.4), ao enviar a notícia de sua gravidez (v.5), e ao lamentar a morte do seu marido (v.26). É Davi que a vê, é ele quem pergunta a seu respeito, é ele quem a chama para si, é ele quem deita-se com ela. Perceba que Bate-Seba é quem sofre todas as ações de Davi. Gramaticalmente, Bate-Seba é somente um objeto. E a verdade gramatical não está longe de ser diferente da factual. Davi não tem a menor pretensão de ter um relacionamento duradouro com Bate-Seba e seu comportamento é marcado por abuso de poder e manipulação. É ele quem envia os mensageiros reais à casa de Bate-Seba. Por sua autoridade, ele retira Urias do campo de batalha (v.7) e o incita a ter relações com ela (v.8) para que o filho bastardo que crescia no seu ventre se tornasse o filho legítimo e prematuro do soldado. A narrativa deixa claro que para Davi, Bate-Seba não passou de uma mera diversão. Ele havia friamente utilizado de sua posição, de sua autoridade real, para conseguir o que queria. Bate-Seba foi uma triste vítima de abuso de poder, que depois de ter sido assediada sexualmente, foi descartada como um objeto qualquer, como aquele brinquedo com o qual uma criança já cansou de se entreter.” (reforma21)

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CONCLUSÃO
||O registro do pecado de Davi revela a perfeita justiça de Deus e de sua Palavra. As Escrituras mostram que a prática do pecado é sempre desastrosa. Portanto, evitemos a ociosidade, desenvolvamos os dons úteis à obra de Deus. Confessemos o nosso pecado, pois quem o oculta, torna-o mais grave ainda. Se este for o seu caso, procure o seu pastor; peça-lhe a ajuda. Quem confessa a sua transgressão e a deixa, alcançará a misericórdia||. [Lições Bíblicas CPAD, Revista Adultos, 4º Trimestre 2019. Lição 10, 8 Dezembro, 2019]
- A história do adultério de Davi nos ensina como é necessário cuidarmos de nossa vida espiritual, mantendo constante vigilância, para não fazermos escolhas erradas. Não podemos subestimar o perigo ou confiar demais em nossa condição enquanto crentes espirituais (o espírito está pronto, mas a carne é fraca – Mt 26.41). O pecado não deve ser encoberto, e sim, confessado. A confissão contínua de pecados é uma indicação da salvação genuína. O cristão genuíno deve admitir, confessar e abandonar seu pecado (Sl 32.3-5; Pv 28.13). O termo "confessar" significa dizer o mesmo que Deus diz acerca do pecado e reconhecer a perspectiva divina sobre o pecado. A confissão de pecados é uma característica dos cristãos genuínos, e Deus sempre limpa aqueles que confessam (1Jo 1.7).
Pb Francisco Barbosa