Classe Virtual:

3 de janeiro de 2022

LIÇÃO 2: A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

 


LIÇÃO 2: A INSPIRAÇÃO DIVINA DA BÍBLIA

Presbítero Francisco Barbosa

Para o Blog Aula Extra

 

TEXTO AUREO

Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça.” (2 Tm 3.16) 

 

VERDADE PRÁTICA

A inspiração da Bíblia Sagrada é divina, verbal e plenária. Portanto, a Bíblia toda nos ensina, corrige e instrui.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Timóteo 3.14-17; 2 Pedro 1.19-2 1

 

INTRODUÇÃO

A inspiração divina das Escrituras foi operada sobrenaturalmente pelo Espírito Santo, que nos deu a Bíblia, a única revelação escrita de Deus para a humanidade. Nesta lição, veremos que a inspiração da Bíblia é divina, verbal e plenária. Nesse sentido, a Bíblia Sagrada é para o crente salvo a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus.   

 

Comentários

Inspiração é o conceito teológico segundo o qual obras e feitos de seres humanos intimamente ligados a Deus, sobretudo as Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos, receberam uma supervisão especial do Espírito Santo, de tal sorte que as palavras ali registradas expressam, de alguma maneira, a revelação de Deus. É a influência sobrenatural do Espírito de Deus sobre os autores bíblicos, garantindo que, aquilo que escreveram era precisamente o que Deus pretendia que eles escrevessem para a transmissão da verdade divina, podendo, por isso, dizer-se realmente "inspirados" ou theopneustos, literalmente, "soprados por Deus" (2Tm 3.16). Como já não é novo para nós este assunto, limitar-nos-emos agora a corrigir alguns equívocos.

A "inspiração" que garante a comunicação infalível da verdade revelada é bem distinta da "inspiração" do artista criador. Nada de confusões. A inspiração não só não implica estado anormal do espírito do escritor, -por exemplo, visões ou audição de vozes estranhas, -como não supõe, também, a aniquilação da sua personalidade. Deus providencialmente preparou os meios humanos de inspiração para que os escritores pudessem cumprir a sua tarefa; e, na maior parte dos casos, apenas através das faculdades normais. Muitos estados de espírito são na realidade compatíveis com a inspiração. Não é necessário supor-se que os autores tinham sempre a consciência de que estavam a ser inspirados, quer dizer, que sabiam estar a escrever as Escrituras Canônicas. Nem há razão para afirmar-se que um documento inspirado não possa, na providência divina, ter sido compilado ou extraído de fontes por um processo vulgar de composição histórica, passando por várias edições até atingir a sua forma definitiva. O que deve admitir-se é que no fim de contas a obra foi theopneustos, e que através dela Deus quis comunicar aos homens a Sua graça salvadora. Sendo assim, só podemos admitir a inspiração verbal. E se as palavras da Escritura são inspiradas por Deus, é quase uma blasfêmia não admitir a infalibilidade da sua doutrina, e a ausência de erro nessas palavras. São prerrogativas que não podemos aprovar, ou desaprovar, através da argumentação vulgar; porque as consideramos artigos de fé, baseadas que são na doutrina de Cristo e no testemunho do Espírito a confirmarem que as Escrituras Canônicas foram inspiradas por um Deus que não pode mentir. Quem as nega rejeita o testemunho de Cristo, dos apóstolos e da própria Igreja Cristã relativo à natureza da "Palavra de Deus" escrita, e com certeza não possui nem compreende o testemunho interno do Espírito Santo.

 

I – A DOUTRINA DA INSPIRAÇÃO BÍBLICA

 

1.   A inspiração bíblica é divina. Nas páginas do Antigo Testamento, a expressão “Assim diz o Senhor” e similares são usadas mais de 3.800 vezes. Ao receber a revelação no Monte Sinai, Moisés “ escreveu todas as palavras do Senhor” (Êx 24.4). Jeremias foi advertido: “não esqueças nem uma palavra” (Jr 26.2). No texto do Novo Testamento, Paulo disse que usava as palavras “que o Espírito Santo ensina” (1 Co 2.13). João assegura que o Senhor lhe revelou “coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1). E o Senhor Jesus asseverou que até os sinais diacríticos do texto hebraico eram inspirados: “nem um jota ou um til se omitirá da lei” (Mt 5.18). Assim sendo, as Escrituras reivindicam que a mensagem bíblica veio da parte de Deus.

 

Comentários

A Bíblia é a revelação de Deus escrita para a humanidade. Disso decorre o fato de ela ser nossa exclusiva fonte de autoridade espiritual. Sua inspiração divina e sua soberania como única regra de fé e prática para a nossa vida constituem a doutrina basilar da fé cristã. Essa inspiração é um fato singular que ocorreu na história da redenção humana. O enfoque da presente lição é sobre a importância e o significado dessa inspiração divina. Inspiração é o registro dessa revelação sob a influência do Espírito Santo, que penetra até as profundezas de Deus (1Co 2.10-13). Divinamente inspirados são os 66 livros da Bíblia. Os escritores sagrados foram os receptáculos da revelação: “homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21 — ARA). Eles receberam os oráculos divinos de forma especial, exclusiva, única e milagrosa. Ninguém mais, além deles, foi usado por Deus dessa maneira específica.

HORTOn escreve: “O conceito de inspiração deve levar em conta tudo quanto é necessário para a revelação divina ser comunicada com exatidão. O modo correto de inspiração deve incluir todos os elementos que a Bíblia postula tanto no ato de inspirar quanto nos efeitos desse ato. Deve também reservar um lugar apropriado à atividade de Deus e à atividade humana. Ao examinarmos os dados fornecidos nas Escrituras, vários elementos envolvidos no ato de inspirar são apresentados com clareza. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus; , procede da boca de Deus (2 Tm 3.16). (2) Os autores da Escritura falaram inspirados pelo Espírito Santo (2 Pe 1.21). (3) Os escritores sagrados não falavam segundo a própria vontade, mas de acordo com a vontade divina. (4) Todavia, eles tomavam parte ativa e dinâmica na produção das Escrituras. Não eram meros robôs (Lc 20.42; Jo 12.39; At 3.22). Semelhantemente, a Escritura fornece soluções quanto ao ato de inspirar. (1) Toda a Escritura é respirada por Deus e, portanto, toda a Escritura é a Palavra de Deus (1 Co 14.37; 2 Tm 3.16). (2) Toda a Escritura é proveitosa; é uma regra completa e suficiente para a fé e prática (2 Tm 3.16,17). (3) Nenhuma linha da Escritura pode ser deixada de lado, anulada ou destruída; a totalidade da Escritura tem de ser aceita em sua integridade e plenitude (Jo 10.35). (4) A Escritura é mais fidedigna que qualquer observação meramente humana, seja empírica, seja científica, seja filosófica (2 Pe 1.12-19). (5) Nenhuma parte da Escritura é condicionada, quanto à sua veracidade, por nenhuma limitação de seu autor humano (2 Pe 1.20). O condicionamento histórico normal, bem como a pecaminosidade e finitude humanas, são contrabalançados pela supervisão do Espírito Santo. À luz dessas observações, extraídas da própria Escritura, pode-se fazer uma avaliação dos cinco modos de inspiração sugeridos. Tais conceitos, por considerarem a inspiração meramente um dom natural de iluminação, não prestam a devida atenção ao fato de Deus haver “soprado”‘a Escritura. O conceito da orientação dinâmica, que entende serem as questões de fé e práticas devidamente inspiradas, em contraste com os assuntos mais corriqueiros, não fornece nenhum método seguro para determinar o que é inspirado e o que não o é. Nem sequer leva em conta a declaração bíblica de que toda a Escritura é inspirada, inclusive os versículos tidos como obscurosHORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.     

 

2.   A inspiração bíblica é verbal. Ratificamos que a Bíblia é “divinamente inspirada” (2 Tm 3.16). Essa tradução vem do termo grego theopneustos, que significa literalmente “soprada por Deus”. Desse modo, a inspiração é chamada de verbal porque Deus soprou nos escritores sagrados aquilo que deveria ser escrito (Ap 19.9; 1 Co 14.37). Porém, os autores bíblicos não foram usados automaticamente como se escrevessem um ditado; eles foram instrumentos de Deus e, cada qual com sua própria personalidade e talento, escreveram “ inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.21). Essa ação divina foi tão intensa que todas as palavras registradas na Bíblia eram exatamente as que Deus queria ver em pregadas nas Escrituras.     

 

Comentário

O processo de comunicação divina aos profetas do Antigo Testamento se desenvolveu por meio da palavra e da visão, do som e da imagem (Jr 1.11-13). A revelação aos apóstolos no Novo Testamento veio diretamente do Senhor Jesus Cristo (Gl 1.11,12; 2Pe 1.16-18; 1Jo 1.3) e do Espírito Santo (Ef 3.4,5). A frase “veio a palavra do SENHOR a”, “veio a mim a palavra do SENHOR” ou fraseologia similar, tão frequente no Antigo Testamento, diz respeito a uma revelação direta, externa e audível. Essa forma de comunicação não aparece no Novo Testamento na comunicação divina aos apóstolos, exceto uma única vez no ministério de João Batista: “veio no deserto a palavra de Deus a João, filho de Zacarias” (Lc 3.2), pois ele é o último profeta da dispensação da lei (Lc 16.16). “Toda a Escritura é inspirada por Deus” (v.16, ARA). A palavra grega, aqui traduzida por “inspirada por Deus” ou “divinamente inspirada”, é theopneustos. Ela só aparece uma única vez na Bíblia, vinda de duas palavras gregas: theos, “Deus”, e pneo, “respirar, soprar”. Isso significa que o texto sagrado foi “soprado por Deus”. A palavra teopneustia significa “inspiração divina da Bíblia”. Segundo o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa, de Caudas Aulete, o termo quer dizer “inspiração divina que presidiu à redação das Sagradas Escrituras”. Josefo, o historiador judeu, e Fílon de Alexandria, disseram que as Escrituras são divinamente inspiradas, mas usaram outros termos.

HORTON ainda nos relata: “Paulo escreveu a Timóteo, asseverando que as Escrituras podiam fazê-lo “sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus” (2 Tm 3.15). O valor das Escrituras deriva-se de sua origem. Paulo indica que o mérito das Escrituras não está no escritor humano, mas no próprio Deus. Ele afirma: “Toda Escritura é inspirada por Deus” (2 Tm 3.16). O termo “inspiração” é derivado desse versículo, e aplicado à escrita da Bíblia. A palavra grega empregada aqui é theopneustos que, literalmente, significa “soprada por Deus”. As versões mais recentes dizem com razão: “Toda Escritura é inspirada [soprada] por Deus” (NVI). Paulo não está dizendo que Deus soprou alguma característica divina nos escritos humanos das Escrituras, ou que toda a Escritura respira um ambiente de Deus, que fala dEle. O adjetivo grego (theopneustos) é claramente predicativo, e é usado para identificar a fonte originária de todas as Escrituras.95 Deus é o Autor, em última análise. Logo, toda a Escritura é a voz de Deus, a Palavra de Deus (At 4.25; Hb 1.5-13). O contexto de 2 Timóteo 3.16 tem em vista as Escrituras do Antigo Testamento. A declaração de Paulo é que a totalidade do Antigo Testamento é a revelação inspirada da parte de Deus. O fato de que o Novo Testamento ainda estava sendo escrito, exclui a mesma reivindicação interna e explícita para ele. Mesmo assim, algumas declarações específicas feitas pelos escritores do Novo Testamento subentendem que a inspiração das Escrituras se estende à Bíblia inteira. Por exemplo, em 1 Timóteo 5.18 Paulo escreve: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário”. Paulo está citando Deuteronômio 25.4 e Lucas 10.7, considerando “Escritura” as citações tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Além disso, Pedro refere-se a todas as epístolas de Paulo que, embora tratassem a respeito da salvação divina, contêm “pontos difíceis de entender”. Por isso, algumas pessoas as “torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pe 3.16, grifos nossos). Note que Pedro coloca todas as Epístolas de Paulo na categoria de Escritura. Torcê-las é torcer a Palavra de Deus, resultando na destruição do transgressor. Os escritores do Novo Testamento comunicam “com as palavras que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13), assim como Jesus prometera (Jo 14.26; 16.13-15). Na sua segunda epístola, Pedro fala de sua morte iminente e do seu desejo de que seus leitores se mantenham na verdade que ele já lhes havia compartilhado. Mostra-lhes que a fé em Cristo não é nenhuma invenção, e lembra-lhes de que ele mesmo era testemunha ocular daqueles eventos. Pedro estava com Cristo, vendo-o e ouvindo-o pessoalmente (2 Pe 1.12-18). O apóstolo passa, então, a escrever de algo mais firme que seu testemunho pessoal (2Pe 1.19). Falando das Escrituras, afirma que os autores humanos eram “levados adiante” (pheromenoi) pelo Espírito Santo ao comunicarem as coisas de Deus. O resultado disso era uma mensagem não iniciada pelos desígnios humanos nem produzida pelo mero raciocínio e pesquisa humanos (sem serem excluídas tais coisas). Pedro afiança: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pe 1.20,21). O emprego que Pedro faz da expressão “profecia da Escritura” é um caso de pars pro tota. Ou seja: uma parte da Escritura representa a totalidade desta. “O ímpeto que levou à escrita provinha do Espírito Santo. Por essa razão, os leitores de Pedro devem prestar atenção… pois não é simplesmente a palavra dos homens, mas a Palavra de DeusHORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.    

 

3. A inspiração bíblica é plenária. A inspiração da Bíblia também é plenária, isto é, a inspiração é total e completa, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. Paulo afirma que “toda” a Escritura é inspirada (2 Tm 3.16). Nossa Declaração de Fé professa que a “inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado, tendo todos o mesmo grau de inspiração e autoridade”. Significa que nenhum texto deve ser desprezado. Aos Romanos, lemos que “tudo que dantes foi escrito para nosso ensino foi escrito” (Rm 15.4). Nesse aspecto, ratificam os que a Bíblia não apenas “contém ” ou “ torna-se” a Palavra de Deus, m as sobretudo ela é a inspirada Palavra de Deus – plena, sem erros e sem falha alguma.   

 

Comentário

Tal expressão significa que todos os livros das Escrituras são inspirados por Deus. O apóstolo Paulo deixa isso muito claro quando afirma que “toda a Escritura é divinamente inspirada”. A inspiração da Bíblia é especial e única. Não existe na Bíblia um livro mais inspirado e outro menos. Todos têm o mesmo grau de inspiração e autoridade. A Bíblia que Jesus e seus apóstolos usavam era formada pela Lei de Moisés, os Profetas e os Escritos; essa terceira parte é encabeçada pelos Salmos (Lc 24.44). O termo “Escritura” ou “Escrituras” que aparece no Novo Testamento refere-se a esse Cânon tripartido, que é o mesmo Antigo Testamento de nossa Bíblia. Cabe ressaltar que o apóstolo Paulo, ao afirmar que “toda a Escritura é divinamente inspirada”, se referia também aos escritos apostólicos.

Os escritos dos apóstolos se revestiam da mesma autoridade dos livros do Antigo Testamento já desde a Era Apostólica. Inclusive, “profetas e apóstolos”, às vezes, aparecem como termos intercambiáveis (2Pe 3.2). O apóstolo Pedro considera ainda as epístolas paulinas como Escrituras (2Pe 3.15,16). O apóstolo Paulo ensinava: “Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário” (1Tm 5.18). O apóstolo aqui coloca lado a lado citações da lei de Moisés (Dt 25.4) e dos Evangelhos (Mt 10.10; Lc 10.7), chamando ambas de “Escritura”. Outras vezes, ele deixa claro que seus escritos são de origem divina (2Co 13.3; 1Ts 2.13). Isso nos permite afirmar que a frase “Toda Escritura é divinamente inspirada” se refere à Bíblia completa, aos 66 livros do Antigo e Novo Testamento.

HORTON explica que por Plenária, entende-se: “A inspiração é a combinação entre a expressão natural dos escritores e a iniciação e orientação especiais dos seus escritos concedidas pelo Espírito Santo. Mas o Espírito Santo não somente dirigia os pensamentos, ou conceitos dos escritores, como também supervisionava a seleção das palavras para a totalidade do texto (e não somente para as questões de fé e prática). O Espírito Santo garantia a exatidão e a suficiência de tudo quanto era escrito como a revelação da parte de Deus. Ditado divino. A inspiração é a superintendência infalível da reprodução mecânica das palavras divinas à medida que o Espírito Santo as ditava aos autores bíblicos. Estes, como obedientes estenógrafos, tudo registravam segundo as ordens especiais do Espírito Santo quanto ao conteúdo, vocabulário e estiloHORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.    

 

 

II – INSPIRAÇÃO DIVINA E OS AUTORES DA BÍBLIA

 

1. A Inspiração dos autores. O Espírito Santo garantiu a liberdade dos escritores bíblicos conforme a capacitação de cada um. Portanto, a Bíblia possui particularidades quanto ao gênero literário, gramática, vocabulários e outros. Apesar disso, os autores não se tornaram intérpretes do divino. Isso porque Deus não inspirou aos escritores apenas os pensamentos ou as ideias. O Espírito Santo também inspirou cada uma das palavras que expressam com exatidão a mensagem divina (l Co 2.10,11).   

 

Comentário

Essa característica bíblica significa que cada palavra foi inspirada pelo Espírito Santo (1Co 2.13); e também que as ideias vieram de Deus (2Pe 1.21). O tipo de linguagem, o vocabulário, o estilo e a personalidade são diversificados nos textos bíblicos porque Deus usou cada escritor em sua geração e em sua cultura, com seus diversos graus de instrução. Isso mostra que quem produziu esses livros sagrados eram seres humanos que viveram em várias regiões e pertenceram a diversas gerações desde Moisés até o apóstolo João, passaram-se cerca de mil anos. Eles não foram tratados como meras máquinas, mas como instrumentos usados pelo Espírito Santo. Deus “soprou” nos escritores sagrados. Uns produziram som de flauta e outros de trombetas, mas era Deus quem soprava. Assim, eles produziram esse maravilhoso som que são as Escrituras Sagradas. O Espírito Santo garantiu a liberdade dos escritores bíblicos conforme a capacitação de cada um. Portanto, a Bíblia possui particularidades quanto ao gênero literário, gramática, vocabulário e outros. Apesar disso, reafirma-se que os autores não se tornaram intérpretes do divino. Isso porque Deus não inspirou aos escritores apenas os pensamentos ou as ideias. Desse modo, reitera-se que o Espírito Santo também inspirou cada uma das palavras que expressam com exatidão a mensagem divina (1 Co 2.10,11).

HORTON concorda: “No tocante à orientação do escritor pelo Espírito, tem-se sugerido que a influência do Espírito estendeu-se somente ao impulso original para se escrever, ou somente à seleção dos tópicos, ou apenas aos pensamentos ou ideias do autor, conforme este achasse melhor. Na inspiração plenária e verbal, todavia, a orientação do Espírito estendia-se até às próprias palavras que o escritor selecionava para expressar os seus pensamentos. O Espírito Santo não ditava as palavras, mas guiava o escritor para que este, livremente, escolhesse as palavras que realmente expressavam a mensagem de Deus. (Por exemplo, o escritor poderia ter escolhido “casa” ou “construção”, segundo a sua preferência, mas não poderia ter escolhido “campo”, pois isso teria mudado o conteúdo da mensagem.)HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.    

 

2.   As limitações dos autores. Os escolhidos por Deus para escreverem a Bíblia eram pessoas assim como nós, inclinadas às mesmas paixões e falhas (Tg 5.17). Moisés, por exemplo, mesmo sendo O autor do Pentateuco, foi impedido de entrar na Terra Prometida porquanto transgredira contra o Senhor no deserto de Zim (Dt 32.51,52). Entretanto, nenhum texto das Escrituras, quanto à sua inspiração e veracidade, está condicionado às limitações de seus autores humanos (2 Co 4.7).   

 

Comentário

Não há união hipotética ou conjunção de natureza na Palavra Escrita; na verdade, há uma enorme diferença a ser observada: enquanto a humanidade de Cristo não era caída e de nenhum modo sujeita à natureza Adâmica, os autores da Bíblia eram caídos, cujo pecado é mencionado no Texto Sagrado, sem hesitação. No caso da Palavra Viva, a natureza humana nunca poderia pecar, visto que ela nunca poderia agir fora de sua revelação com a natureza divina. No caso da palavra escrita, o elemento humano foi mantido na única tarefa de um escritor inspirado, que de modo algum tendia a governar a conduta pessoal do autor humano, nem a área em si continuava além do tempo exigido para completa-la. No registro das escrituras, os autores humanos escreveram com tal liberdade a ponto de deixarem evidencias de suas características humanas pessoais; todavia estes autores não cometeram erros, enquanto estavam na tarefa de escrever, não lhes foi permitido agir à parte ou ao contrário da mente precisa de Deus, de quem eles escreveram a Palavra. Eles foram literalmente movidos elo Espirito Santo (1 Pe 1.21)”. Chafer., Lewwis Sperry. Teologia Sistemática. Vol I e II. Editora Hagnos. 1 Ed. 2003. pag. 110.    

 

3. Os diferentes gêneros literários e figuras de linguagem. Cada autor fez uso de gêneros literários distintos, tais como: narrativa (1 e 2 Samuel), poesia (Salmos), provérbios (livro de Provérbios) etc. Os autores sagrados também fizeram uso de figuras de linguagem, tais com o: o emprego de parábolas e enigmas (Jz 14.14; Ez 17.2); de alegorias (G1 4-22-24; Hb 9.9); de hipérboles (Jo 21.25; Cl 1.23); de metáforas e símiles (Zc 2.8; Tg 3 3 – 5); de vocabulário simples ou rebuscado a depender do grau de instrução do autor (2 Pe 3.15,16). O emprego dos recursos literários evidencia a cultura do escritor, mas em hipótese alguma invalida a inspiração da Palavra de Deus (Pv 2.6; Tg 1.17).   

 

Comentário

Na Bíblia encontramos diversos gêneros literários e figuras de linguagem em abundância. Quanto aos gêneros literários podemos mencionar Evangelhos, Epístolas, Profecia, Parábolas, Apocalipse, Salmos, Narrativas do Antigo Testamento, Leis, Sabedoria, Poesia, Atos, dentre outros.

GISLER escreve: “Apresentada em termos humanos. Apesar de a Bíblia alegar ser a Palavra de Deus, ela também é as palavras de seres humanos. Afirma ser a comunicação de Deus às pessoas, na sua linguagem e expressões.

Todos os livros na Bíblia foram composições de escritores humanos.

A Bíblia manifesta estilos literários diferentes, desde a métrica fúnebre de Lamentações à poesia exaltada de Isaías, desde a gramática simples de João até o grego complexo de Hebreus. A escolha de metáforas demonstra que autores diferentes usaram 0 próprio contexto histórico e seus interesses. Tiago se interessa pela natureza. Jesus usa metáforas urbanas e Oséias as da vida rural.

A Bíblia manifesta perspectivas e emoções humanas; Davi falou no salmo 23 do ponto de vista de um pastor; o livro dos Reis foi escrito de um ponto de vista profético, e Crônicas, do ponto de vista sacerdotal; Atos manifesta um interesse histórico e 2Timóteo, o coração de um pastor. Paulo expressou tristeza pelos israelitas que rejeitaram a Deus (Rm 9.2).

A Bíblia revela padrões e processos do pensamento humano, incluindo a razão (Romanos) e a memória (1C0 1.14-16).

Os autores da Bíblia usaram recursos humanos para informação, incluindo pesquisa histórica (Lc 1.1 – 4) e obras não canônicas (Js 10.13; At 17.28; 1C0 15.33; Tt 1.12; Jd 9,14)”. GEISLER. Norman. Enciclopédia De Apologética, respostas aos críticos da fé cristã. Editora Vida. 1 Ed. 2002. pag. 120-121.   LEIA MAIS AQUI

 

4. A linguagem do senso comum. Na descrição de fenômenos científicos, por exemplo, os autores sagrados usaram a fraseologia comum e popular. Para citar um dos casos, ao descrever a herança dos rubenitas, também dos gaditas e à meia tribo de Manassés, Josué fez alusão ao “nascer do sol” (Js 1.15); e, na batalha contra os amorreus, ele registrou que o “sol parou” (Js 10.13). Essa linguagem não ignora os fundamentos científicos, nem desacredita a inspiração da Palavra de Deus, apenas busca alcançar a compreensão de todos (1 Co 14.9-11).   

 

Comentário

Dave Hunt escreve: “Por que Deus Permitiu Aparentes Contradições na Bíblia? Questão: Vocês cristãos parecem ter sempre uma maneira de “conciliar” qualquer contradição ou inconsistência que os “incrédulos” possam descobrir na Bíblia. Entretanto, não importa quão convincente possa parecer a “conciliação”, tenho uma pergunta pessoal que é recorrente: por que parece haver tantos problemas na Bíblia que vocês se esforçam tanto para resolver? Parece-me, na verdade, que há tantas inconsistências (mesmo que supostamente vocês consigam resolver algumas) que isso em si mesmo é uma evidência de que a Bíblia é muito falha e, portanto, não pode ser a Palavra de Deus.

Resposta: Ao contrário, as muitas aparentes contradições e inconsistências da Bíblia são provas convincentes de sua credibilidade. Se três testemunhas atestam que presenciaram um acidente e cada uma delas o descreve exatamente da mesma maneira, palavra por palavra, quem ouvir o relato terá bons motivos para suspeitar de fraude e descartar o testemunho destes. Entretanto, se cada um descreve com suas próprias palavras e a partir de sua perspectiva pessoal, a pessoa passa a acreditar nelas. Além disso, se parece haver conflito em seus testemunhos, mas este foi resolvido por meio de uma sondagem profunda do incidente, isso acrescenta significante credibilidade ao testemunho deles. É o mesmo que acontece com as aparentes contradições encontradas na Bíblia. Irwin Linton, em A Lawyer Examines the Bible (“Um Advogado Examina a Bíblia”), expõe isso muito bem: “As narrativas isentas e sem artifícios da Bíblia, obviamente tão despreocupadas de querer dar uma aparência de consistência, mostram com muita clareza aquelas irregularidades que são as marcas honestas quer no trabalho de artesão em um tapete oriental quer na espontaneidade de um testemunho humano, as quais, muitas vezes, atraíram oponentes que tentavam colocá-la sob um destrutivo fogo cruzado que, entretanto, trouxe mais claramente à luz a verdade e a consistência da Bíblia”.5 Um dos pontos mais fortes da Bíblia, em sua reconciliação, portanto, é o poderoso reforço das aparentes inconsistências que provam a veracidade de suas narrativas. William Paley chama a atenção para este fato em seus escritos:

Agora, em pesquisas históricas, uma inconsistência reconciliada torna-se vim argumento positivo. Primeiro, por que um impostor geralmente se previne a fim de não dar uma aparência de inconsistência. Segundo, por que quando as aparentes inconsistências são encontradas, é raro que algo, exceto a verdade, os torna capaz de reconciliação. A existência de dificuldade comprova a ausência daquele cuidado que geralmente acompanha a consciência de fraude; e a solução comprova que não é o conluio de proposições fortuitas com os quais temos de lidar que preserva cada circunstância em seu lugar, mas que o fio da verdade envolve o todo”.Hunt. Dave., Em defesa da fé. Editora CPAD. 1 edição/2006. pag. 92-93.    

 

III – O ESPÍRITO SANTO E A BÍBLIA

 

1. A inspiração do Antigo Testamento. A Bíblia é categórica em reiterar sua inspiração divina. O registro de Juízes ensina que os livros de Moisés são mandamentos do Senhor (Jz 3.4). Esdras reconhece como inspirados os livros de Jeremias, Ageu e Zacarias (Ed 1.1; 5.1). A respeito da inspiração da Lei de Moisés e dos profetas, Zacarias ensinou que os seus escritos eram “as palavras que o Senhor dos Exércitos enviara pelo seu Espírito, mediante os profetas precedentes” (Zc 7.12). O próprio Cristo mencionou a Lei de Moisés, os Profetas e os Escritos como livros inspirados (Lc 24.44). Essas declarações atestam o Espírito Santo como a fonte originária de inspiração do Antigo Testamento.   

 

Comentário

O Antigo Testamento vindica para si a inspiração divina, com base no fato de se apresentar perante o povo de Deus e ser por esse povo recebido como pronunciamento profético. Os livros escritos pelos profetas de Deus eram conservados em lugar sagrado. Moisés colocara sua lei na arca de Deus (Dt 10.2). Mais tarde, ela seria mantida no tabernáculo, para ensino das gerações futuras (Dt 6.2). Cada profeta, depois de Moisés, acrescentou seus escritos sagrados à coleção existente. Aliás, o segredo da inspiração do Antigo Testamento está na função profética de seus escritores.

HORTON afirma: “Considerando que toda testemunha tem o direito de se expressar por si mesma, será examinada, em primeiro lugar, a reivindicação que os próprios escritores bíblicos fazem à inspiração divina. Muitos dos que compuseram as Escrituras eram participantes, ou testemunhas oculares, dos eventos a respeito dos quais escreveram. O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada), o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1 Jo 1.1-3). Cada um deles, seja Moisés, Davi, Jeremias, Mateus, João, Pedro, ou Paulo, escreveu com base em suas próprias experiências à medida que Deus se revelava a eles (Ex 4.1-17; SI 32; Jr 12; At 1.1-3; 1 Co 15.6-8; 2 Co 1.3-11; 2 Pe 1.14-18). Mas seus escritos eram mais que relatos de pessoas envolvidas. Declaravam que escreviam não somente a respeito de Deus, mas também em prol de Deus. A sua palavra era a Palavra de Deus; a sua mensagem era a mensagem de Deus. Em todo o Antigo Testamento, deparamo-nos com expressões tais como: “Falou o SENHOR a Moisés, dizendo” (Ex 14.1); “A palavra que veio a Jeremias, da parte do SENHOR, dizendo” (Jr 11.1); “Tu, pois, ó filho do homem, profetiza… e dize: Assim diz o SENHOR Deus” (Ez 39.1); “Assim diz o SENHOR” (Am 2.1). Tais declarações são usadas mais de 3.800 vezes, e demonstram com clareza que os escritores tinham consciência de estar entregando uma mensagem autorizada da parte de Deus”. HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.      

LEIA MAIS SOBRE ISTO AQUI

 

2. A inspiração do Novo Testamento. O Novo Testamento possui dois pressupostos básicos de sua inspiração: a) a promessa de Cristo de enviar o Espírito Santo para guiar os discípulos (Jo 14.26); b) os escrito s bíblicos que vindicam esse cumprimento (At 2.4; 1 Co 2.10; Ef 3.5). Nesse aspecto, Paulo declara que escreve sob orientação do Espírito, e que suas epístolas são a Palavra de Deus (Rm 15.15,16; 1 Co 14.37; G1 1.12; 1 Ts 2.13). Pedro reconhece essa verdade e classifica os livros de Paulo como Escrituras (2 Pe 3.16). Nessa direção, vários outros textos apontam para a ação do Espírito Santo nos escritos da Nova Aliança (Jo 16.13).   

 

Comentário

Há dois movimentos básicos na compreensão das reivindicações do Novo Testamento a respeito de sua inspiração. Primeiramente temos a promessa de Cristo de que o Espírito Santo guiaria os discípulos no ensino de suas verdades, que constituem o fundamento da igreja. Em segundo lugar, há o cumprimento aclamado disso no ensino apostólico e nos escritos do Novo Testamento.

Outra vez HORTON: “Os escritores do Novo Testamento não tinham, também, a menor dúvida de estarem falando em nome de Deus. Jesus não somente ordenou que os discípulos pregassem, mas também lhes disse o que deviam pregar (At 10.41-43). Suas palavras não eram “palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, comparando as coisas espirituais com as espirituais” (1 Co 2.13). Esperavam que as pessoas reconhecessem que, por escrito, estavam elas recebendo “mandamentos do Senhor” (cf. 1 Co 14.37). Paulo podia garantir aos gálatas que, “acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto” (Gl 1.20), porque o tinha recebido da parte de Deus (Gl 1.6-20). Os tessalonicenses foram elogiados por terem recebido a mensagem “não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus” (1 Ts 2.13).

Preceitos e mandamentos eram escritos à comunidade em nome de Jesus, e deixar de observá-los podia ocasionar motivo para a exclusão do desobediente (2 Ts 3.6-14). Assim como Deus tinha falado através dos santos profetas, agora o Senhor dava mandamentos através dos seus apóstolos (2 Pe 3.2). Receber, a vida eterna está vinculado com o ato de crer no testemunho de Deus (registrado pelos discípulos) a respeito do seu Filho (ljo 5.10-12). Nestes trechos, e em outros semelhantes, fica evidente que os escritores do Novo Testamento estavam convictos de estarem declarando “todo o conselho de Deus” em obediência ao mandamento de Cristo e sob a orientação do Espírito Santo (At 20.27). Os escritores do Novo Testamento também reconheciam a autoridade total das Escrituras do Antigo Testamento, porque Deus “falou pelo Espírito Santo” através dos autores humanos (At 4.24,25; Hb 3.7; 10.15,16)”. HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.      

 

3. A obra da regeneração e a iluminação. A Bíblia ensina que o Espírito Santo testifica de Cristo e convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 15.26; 16.8-11). Desse modo, o Espírito Santo atua no processo da salvação e produz a fé regeneradora (Ef 2.8) que vem pelo ouvir a Palavra (Rm 10.17). Nesse aspecto, o Espírito Santo não apenas inspirou as palavras da salvação, mas também as aplica ao coração humano a fim de regenerar os pecadores (1 Pe 1.23). Sem esse mover do Espírito não é possível nem aceitar e nem entender a Palavra de Deus (Mt 13.15; 1 Co 2.14). Essa ação em conduzir o pecador a compreender as verdades bíblicas chama-se iluminação (Ef 1.18). Porém, ressalta-se que o Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, não se trata de nenhuma nova revelação (G11.8,9).   

 

Comentário

“A REGENERAÇÃO A obra do Espírito Santo complementa a obra de Cristo na regeneração. Cristo morreu na Cruz a fim de possibilitar ao pecador ser revivificado para Deus. Mediante o novo nascimento espiritual, entramos no Reino de Deus (Jo 3.3). 0 Espírito Santo aplica a obra salvífica de Cristo ao coração do homem. E opera no coração deste a fim de o convencer do pecado, e para induzi-lo à fé no sacrifício expiador que Cristo oferece. Ê essa fé que leva à regeneração mediante a união com Cristo. A fé regeneradora produzida pelo Espírito Santo não deve, entretanto, ser considerada de modo abstrato. Ela não existe no vazio, mas surge do relacionamento com a Palavra de Deus. A fé provém de ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17). Não somente foi o Espírito Santo responsável por registrar a mensagem da salvação que se acha nas Escrituras, mas também dá testemunho da veracidade destas. Posto que Deus haja falado na Bíblia ao gênero humano, agora o Espírito Santo tem de convencer as pessoas quanto a isso. O Espírito convence não apenas a respeito da veracidade geral das Escrituras, mas quanto a uma aplicação poderosamente pessoal dessa verdade (Jo 16.8-11). Cristo, como Salvador pessoal, é o objeto da fé produzida no coração pelo Espírito. Essa fé está inseparavelmente ligada às promessas da graça divina que se acham em todas as partes da Bíblia. “Precisamos do Espírito e da Palavra. O Espírito lança mão da Palavra e a aplica ao coração a fim de produzir o arrependimento e a fé e, por esse meio, a vida”.118 Por essa razão, a Bíblia fala na regeneração em termos de “nascer do Espírito” e de “sendo de novo gerados… pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre” (1 Pe 1.23; ver também Jo 3.5). ILUMINAÇÃO A doutrina da iluminação do Espírito envolve a obra do Espírito Santo na pessoa, levando-a a aceitar, entender e apropriar-se da Palavra de Deus. Anteriormente, já havíamos considerado várias evidências internas e externas que confirmam ser a Bíblia a Palavra de Deus. No entanto, mais poderosa e mais convincente que todas elas é o testemunho interior do Espírito Santo. Embora as evidências sejam importantes, e o Espírito Santo possa fazer uso delas, em última análise é a voz autorizada do Espírito, no coração humano, que produz a convicção de que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus.119 Sem o Espírito Santo, a humanidade nem aceita, nem entende as verdades oriundas de Deus. A rejeição da verdade divina pelos incrédulos acha-se vinculada à sua falta de entendimento espiritual. As coisas de Deus são por eles consideradas loucuras (1 Co 1.22,23;2.14). Jesus descreveu os incrédulos como aqueles que ouvem mas não compreendem (Mt 13.13-15).

Por causa do pecado “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Rm 1.21 – ARA). “O Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho” (2 Co 4.4). Sua única esperança para receberem o entendimento espiritual, ou para perceberem a verdade da parte de Deus, é a iluminação do Espírito (Ef 1.18; 1 Jo 5.20). Essa percepção espiritual inicial resulta na regeneração, mas também abre a porta para uma nova vida de crescimento no conhecimento divino. Embora as promessas de João 14-16, a respeito da orientação e ensino a serem ministrados pelo Espírito Santo, façam referência especial aos discípulos de Jesus que seriam usados para escrever o Novo Testamento, há um sentido contínuo em que esse ministério do Espírito relaciona-se a todos os cristãos. “O mesmo Ensinador também continua a sua obra de ensino dentro de nós, não por meio de trazer uma nova revelação, mas por meio de trazer novo entendimento, nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos coloca dentro da verdade, e ajuda-nos a pô-la em prática”. 

É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo: O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade. “A revelação é derivada da Bíblia, e não da experiência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta”.121 Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santo nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras. Estas servem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida. A iluminação do Espírito Santo não visa ser um atalho para se chegar ao conhecimento bíblico, nem um substituto do estudo sincero da Palavra de Deus.

Pelo contrário: é à medida que estudamos as Escrituras que o Espírito Santo vai nos outorgando entendimento espiritual, que inclui tanto a crença quanto a persuasão. “As pesquisas filológicas e exegéticas não são usualmente “locais” para sua operação, pois é no coração do próprio intérprete que Ele opera, criando aquela receptividade interior pela qual a Palavra de Deus é realmente ‘ouvida’.” 122 O Espírito, fazendo como que a Palavra seja ouvida pelo coração, e não apenas pela cabeça, produz uma convicção a respeito da verdade que resulta numa apropriação zelosa desta mesma Palavra (Rm 10.17; Ef 3.19; 1 Ts 1.5; 2.13). A neo-ortodoxia tende a confundir a inspiração com a iluminação ao considerar que as Escrituras “se tornam” a Palavra de Deus quando o Espírito Santo aplica seus escritos aos corações humanos. Segundo a neo-ortodoxia, a Escritura é revelação somente quando e onde o Espírito Santo fala de modo existencial. O texto bíblico não tem nenhum significado objetivo específico. “Posto que não existem verdades reveladas, mas somente verdades da revelação, o modo de uma pessoa interpretar um encontro com Deus pode ser diferente da maneira como outra pessoa entende igual situação”. Os evangélicos, contudo, consideram a Escritura como a Palavra escrita e objetiva de Deus, inspirada pelo Espírito na ocasião em que foi escrita. A comunicação verdadeira a respeito de Deus está presente na forma proposicional, quer a reconheçamos, quer a rejeitemos. A autoridade da Escritura é intrínseca devido à inspiração, e não depende da iluminação. E independente do testemunho do Espírito Santo, e antecede a este. O Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, e a sua iluminação encontra-se vinculada exclusivamente com a Palavra escrita”. HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.    

 

 

CONCLUSÃO

A Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Ela foi inspirada verbalmente, e seus autores a escreveram inspirados pelo Espírito Santo. A inspiração da Bíblia é plena, todos os livros e palavras da Bíblia têm total e completa autoridade. Esse ensino concorda com a nossa Declaração de Fé que professa crer “ na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão.   

 

Comentário

Cremos que a Bíblia é a única revelação escrita de Deus para toda a humanidade e que seu texto foi preservado e sua inspiração divina é mantida nas 2.935 línguas em que ela é traduzida (segundo dados da Sociedade Bíblica do Brasil). Que cada um possa receber a Bíblia sem restrição alguma, pois ela é a Palavra de Deus em qualquer língua em que vier a ser traduzida. A autoridade e as instruções das Escrituras valem para todas as línguas em que elas forem traduzidas. É vontade de Deus que todos os povos, tribos, línguas e nações conheçam sua Palavra (Mt 28.19; At 1.8). Em que idioma essa mensagem deve ser pregada? Hebraico? Grego? Aramaico? Não! Na língua do povo. Os apóstolos citam diversas traduções gregas da Septuaginta no Novo Testamento. Isso mostra que a mesma inspiração do Antigo Testamento hebraico se manteve na Septuaginta. A citação de Salmos 8.4-6 em Hebreus 2.6-8 é um bom exemplo. A inspiração divina se conserva em outras línguas. Desde os tempos do Antigo Testamento, até hoje, Deus se manifestou e se manifesta a cada um de seus servos e suas servas no seu próprio idioma.

Em suma, portanto, a inspiração do Santo Livro baseia-se na promessa de Cristo de que seus discípulos seriam dirigidos pelo Espírito em seus ensinos a respeito do Senhor. Os discípulos creram nessa promessa e a assimilaram, havendo claros indícios de que os próprios autores do Novo Testamento, bem como os de sua época, reconheceram o cumprimento dessas promessas. Criam em que o Novo Testamento havia sido divinamente inspirado, pelo que, desde os primórdios do início dos registros cristãos, tem havido apoio unânime à doutrina da inspiração do Novo Testamento, em igualdade de condições com o Antigo Testamento.

 

Presbítero Francisco Barbosa

Para o Blog Aula Extra

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1) O que as Escrituras reivindicam?

As Escrituras reivindicam que a mensagem bíblica veio da parte de Deus. 

2) O que é Inspiração Plenária?

A inspiração plenária da Bíblia é a inspiração total e completa, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. 

3) Cite um gênero literário e três figuras de linguagens.

Narrativa; parábola, hipérbole e metáforas. 

4) Quais os dois pressupostos básicos de inspiração divina do Novo Testamento?

O Novo Testamento possui dois pressupostos básicos de sua inspiração: a) a promessa de Cristo de enviar o Espírito Santo para guiar os discípulos (Jo 14.26); b) os escritos bíblicos que vindicam esse cumprimento (At 2.4; l Co 2.10; Ef 35). 

5) O que não é possível acontecer sem que haja o m over do Espírito Santo?

Sem o mover do Espírito não é possível nem aceitar e nem entender a Palavra de Deus (Mt 13.15; 1 Co 2.14).