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9 de abril de 2022

LIÇÃO 3: JESUS, O DISCÍPULO E A LEI

 


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TEXTO ÁUREO

Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.” (Mt 5.20)

VERDADE PRÁTICA

Os seguidores de Jesus são chamados a viver a justiça do Reino de Deus. Essa justiça, baseada na Nova Aliança em Cristo, nasce no interior do crente e reflete no exterior da vida.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 5.17-20

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos a respeito da relação de Jesus com a Lei e o que Ele deseja de seus discípulos. Veremos que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei, destacaremos a diferença entre a Letra da Lei e o Espírito e, finalmente, analisaremos a justiça do Reino de Deus. No Sermão do Monte, podemos perceber, com clareza, que nosso Senhor não destruiu a Lei nem o ensino dos profetas, mas os cumpriu e os aperfeiçoou. Assim, como seus seguidores, a nossa justiça deve transcender a dos escribas e fariseus (Mt 5.20).

COMENTÁRIO

Ao chegarmos no texto de Mateus 5.20 “se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus”, encontramos Jesus conclamando os seus discípulos a uma santidade mais profunda e radical do que a dos fariseus. O farisaísmo tinha uma tendência de suavizar as exigências da lei ao concentrar-se apenas na obediência exterior. Nos versículos que se seguem, porém, Jesus revela o pleno significado moral da lei e mostra que a justiça à qual a lei chama de fato envolve uma conformidade interior ao espírito da lei, em vez de simples concordância exterior com a letra. Por outro lado, isso coloca uma barreira impossível para a salvação pelas obras, pelos méritos próprios, pela observância de ritos, cerimônias. A Escritura ensina repetidamente que os pecadores não são capazes de nada senão uma justiça falha e imperfeita (Is 64.6). Portanto, a única justiça pela qual os pecadores podem ser justificados é a perfeita justiça de Deus que é imputada àqueles que creem (Gn 15.6; Rm 4.5).

 

I- JESUS CUMPRIU TODA A LEI

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1. Um compromisso com o passado. Quando nosso Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas. A expressão “não pensem” revela exatamente isso (Mt 5.17 – NAA). Ora, Jesus sabia que o ensino da antiga dispensação era valioso, verdadeiro, bom e belo. Ele jamais ousara ser um revolucionário, portador de um espírito destrutivo, como o apóstolo Paulo também não (cf. Rm 3.31). Assim, aprendemos, com Jesus, que não é possível construir um futuro bom se não preservarmos as coisas boas que os antigos nos legaram.

COMENTÁRIO

Jesus não estava nem concedendo uma nova lei nem modificando a antiga, mas em vez disso, explicando o verdadeiro significado do conteúdo morai da lei de Moisés e do restante do Abtigo Testamento. A expressão "a Lei ou os Prortas" no versículo 17, fala da inteireza da Escritura do Antigo Testamento, não das interpretações rabínicas delas. “Cumprir” Fala do cumprimento no mesmo sentido em que a profecia é cumprida. Cristo estava indicando que ele é o cumprimento da lei em todos os aspectos. Ele cumpriu a lei moral ao respeitá-la perfeitamente. Ele cumpriu a lei cerimonial ao ser a incorporação cm tudo a que os tipos e símbolos da lei apontavam. E ele cumpriu a judicial ao personificar a perfeita justiça de Deus (Mt 12.18,20).

Assim, aprendemos, com Jesus, que não é possível construir um futuro bom se não preservarmos as coisas boas que os antigos nos legaram” Essa observação do comentarista precisa ser bem pensada, dado que, o extraído do texto em apreço aponta para uma exposição correta da lei face à interpretação farisaica, assim, Jesus rompeu com esse modo de interpretação e trouxe à tona o que de fato Deus requer do seu povo, Jesus rompeu para construir um futuro bom sem preservar o modo imperfeito de interpretação! Jesus não veio para desfazer da Lei, mas para defendê-la daqueles que a interpretavam ao seu bel prazer, porém o primeiro problema que irá surgir é quanto à pessoa que daria essa nova explicação.

Se uma escola de interpretação está sendo tendenciosa, é preciso sim romper e voltar ao sentido real e único do texto bíblico. Há um desvio de objetivos na pregação, uma falta de compromisso com o estudo da Palavra que possa apresentar ao homem de nossos dias uma exposição bíblica Cristocêntrica que glorifique a Deus, uma pregação que apresente o estado caído do homem e lhe mostre o caminho da salvação.

O Dr Sproul comenta esse trecho de Mateus assim: “Há algo aqui no grego que simplesmente não pode ser traduzido para a nossa língua. A palavra grega para “lei” é nomos, da qual se origina o termo antinomianismo. No entanto, a palavra que Jesus emprega no início do versículo 17 é parte do verbo nomizõ, que significa “pensar ou conjeturar”. Ela tem um significado mais forte que a simples tradução “Não penseis”. Certa vez, enquanto procurava uma vaga para estacionar, deparei-me com uma placa que dizia: “Nem pense em estacionar aqui.” Ela transmitia bem o recado. Tal é a força do que Jesus está dizendo aqui: “Não permitam que este tipo de pen sarnento entre em sua mente. Não pensem que vim destruir a lei.” O verbo ali, kataluõ, vem da raiz lyõ, que significa “soltar, desprender, destruir”. Esta era a palavra utilizada na cultura grega quando uma construção era demolida. Jesus estava dizendo: “Não pensem, nem mesmo por um minuto, que eu vim destruir a lei.””. Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 85.

 

2. Jesus não veio destruir a Lei. Para muitos opositores, Jesus era um agitador, revolucionário, destruidor da tradição recebida (Jo 5.15). Por isso, nosso Senhor foi alvo de falsas acusações pelos seus críticos (Mt 26.59-61). Entretanto, os Evangelhos deixam claro que Jesus ensinou sobre a justiça conforme o que Moisés, a Lei e os profetas ensinaram. No lugar de enfraquecer a Lei, Ele devolvia o verdadeiro sentido dela, já abandonado pelos mestres judeus (Mt 8.4; Mc 7.10; Lc 16.31; Jo 5.46). Jesus enfatizou o sentido perfeito da Lei (Mc 7.5-13). Ele mesmo, a continuação da revelação divina, mostrava que essa revelação é progressiva para a perfeição, não retrógrada nem estática. Nesse sentido, a fé e o ensino da Palavra de Deus devem nos levar ao verdadeiro crescimento espiritual, com o bem ensinou o salmista (SI 1.2,3; 119.1,97).

COMENTÁRIO

Os opositores de Jesus insinuavam que ele estava sabotando a revelação de Deus dada a Moisés. Porém, longe disso, Jesus afirmou categoricamente que nem um i ou um til da lei jamais passarão até que tudo se cumpra.

No registro de Mateus do que é comumente chamado de O Sermão da Montanha, as seguintes palavras de Jesus foram registadas: "Não penseis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim destruir, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará da lei um só i ou um só til, até que tudo seja cumprido" (Mateus 5:17-18).

Argumenta-se frequentemente que se Jesus não "destruiu" a lei, então ela ainda tem que ser vinculativa. Se esse fosse o caso, então certos componentes (como o dia de sábado) ainda devem estar valendo, talvez juntamente com vários outros elementos da Lei mosaica. Essa suposição tem como fundamento um mal entendimento das palavras e das intenções desta passagem. Cristo não quis sugerir aqui que o caráter vinculativo da lei de Moisés permaneceria em vigor eternamente. Este ponto de vista iria contradizer tudo o que aprendemos sobre o equilíbrio do registro do Novo Testamento (Romanos 10:4; Gálatas 3:23-25, Efésios 2:15). Considere os seguintes pontos.

De especial importância neste estudo é a palavra "destruir". Ela vem do termo grego kataluo, o qual significa literalmente "demolir, dissolver, abolir". A palavra é encontrada dezessete vezes no Novo Testamento. É utilizada, por exemplo, da destruição do templo judeu pelos romanos (Mateus 26:61; 27:40; Atos 6:14), e da dissolução do corpo humano na morte (2 Coríntios 5:1). O termo também pode ter o sentido de "dar um fim", ou seja, "tornar inútil, privar do sucesso". No grego clássico, essa palavra foi utilizada em ligação a instituições, leis, etc, para transmitir a idéia de "invalidar".

É especialmente importante notar como a palavra é usada em Mateus 5:17. Neste contexto, "destruir" é colocado em contraste com "cumprir". Cristo veio "... não para destruir, mas cumprir". Isso significa que Jesus não veio a esta terra com a finalidade de atuar como um adversário da lei. Seu objetivo não era impedir a sua realização. Pelo contrário, ele honrou, amou, obedeceu e cumpriu a lei. Ele cumpriu as emissões proféticas da lei sobre Si mesmo (Lucas 24:44). Cristo cumpriu as exigências da lei mosaica de uma obediência perfeita para que uma "maldição" não fosse imposta (veja Gálatas 3:10,13). Neste sentido, o plano divino para a lei vai ter um efeito duradouro. Ela sempre cumprirá a finalidade para a qual foi proferida.

Se, no entanto, a lei de Moisés tem a mesma relação (em termos de sua posição) com os homens de hoje como tinha antes de Cristo vir, então ela não foi cumprida, e Jesus falhou em sua missão. Por outro lado, se o Senhor realizou o que Ele veio cumprir e a lei foi realmente cumprida, então ela não é uma instituição jurídica vinculativa para os hoje. Além disso, se a lei de Moisés não foi cumprida por Cristo e, portanto, ainda permanece como um sistema jurídico vinculativo, então ela não é apenas um sistema vinculativo parcial. Pelo contrário, ela é um sistema totalmente obrigatório. Jesus disse claramente que nem um "i ou um til" (representantes das menores marcações do hebraico) passariam até que todas as suas palavras fossem cumpridas. Por conseguinte, nada da lei era para falhar até que tivesse alcançado seu objetivo por completo. Jesus cumpriu a lei. Jesus cumpriu toda a lei. Não podemos dizer que Jesus cumpriu o sistema de sacrifício, mas deixou de cumprir os outros aspectos da lei. Ou Jesus cumpriu todas as obrigações legais, ou nada cumpriu. O que a morte de Jesus significa para o sistema de sacrifício também significa para os outros aspectos da lei”. https://www.gotquestions.org/Portugues/Jesus-cumpriu-lei.html

 

3. Jesus cumpriu e aperfeiçoou a lei. O verbo “Cumprir” (Mt 5.17), do grego plêroô, traz a ideia de tornar cheio, completar, encher até o máximo fazer abundar, fornecer ou suprir liberalmente. Assim, a perspectiva pela qual Jesus cumpriu a Lei é que Ele lhe deu perfeição, conforme nos revela essa expressão: “ […] foi dito aos antigos: […] Eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22). Ora, em momento algum Jesus conflitou com as Escrituras do Antigo Testamento, mas as harmonizou plenamente. Por isso, diferentemente dos escribas e fariseus, que usavam da Lei para abusar do povo (Mt 23.4; Lc 11.46), o Senhor Jesus a aperfeiçoou (Mt 5.19). O que era visto com a sombra cedeu espaço para a realidade do pleno cumprimento profético (Lc 4.16 -21). Em Jesus, o que era visto por meio do Decálogo e dos profetas, concretizou-se fielmente em nosso Senhor, conforme nos revela o escritor aos Hebreus (Hb 1.1-3).

COMENTÁRIO

Jesus não estava alterando os termos da lei em nenhuma dessas passagens. Em vez disso, ele estava corrigindo o que eles "ouviram" — a compreensão rabínica da lei. Jesus afirma muitas coisas nas duas frases do versículo 17. Ele nos lembra de que já veio. Em outros lugares, ele nos diz de onde veio. Aquele que ascendeu ao céu no final da vida é o mesmo que primeiro desceu do céu. Jesus também diz aqui que uma das razões pelas quais ele veio foi o cumprimento da lei de Deus. Sabemos que tanto a lei quanto os profetas apontam para a vinda de Jesus, e, quando ele veio, esta expressão reveladora foi cumprida. Entenda definitivamente, que a Lei não foi destruída, perdeu o seu valor. Isso está errado. O contexto deixa claro que, quando Jesus fala sobre o cumprimento da lei, ele não apenas cumpre todos os seus aspectos em perfeita obediência, como o faz sem destruí-la, conforme veremos na exposição dos mandamentos.

Hernandes Dias Lopes comenta Mateus e escreve: “Antigo Testamento traz a revelação da lei e dos profetas, e o Novo Testamento apresenta Jesus e o evangelho.

Não há conflito nem contradição entre a antiga e a nova dispensações. Jesus não veio para deitar por terra a lei e os profetas. Veio para cumprir tudo que a lei simbolizava e tudo o que os profetas disseram. A lei é a promessa; Jesus é o cumprimento da promessa. A lei era a sombra; Jesus é a realidade.

Jesus não veio para desautorizar a lei, mas para cumpri-la. Não veio para refutar os profetas, mas para ser a essência de tudo o que eles disseram. Jesus cumpriu a lei em seu nascimento, em seus ensinamentos e em sua morte e ressurreição. Nessa mesma linha de pensamento, John Charles Ryle escreve: Tomemos cuidado para não desprezar o Antigo Testamento, sob nenhum pretexto. A religião do Antigo Testamento é o embrião do cristianismo. O Amigo testamento é o evangelho em botão; o Novo Testamento é evangelho aberto em Hor. O Antigo Testamento é o evangelho brotando; o Novo Testamento é o evangelho já em espiga formada. Os santos do Antigo Testamento enxergaram muitas coisas como que por um espelho, obscuramente. Porém, todos contemplavam pela fé o mesmo salvador e foram guiados pelo mesmo Espírito Santo que hoje nos guia.

Warren Wiersbe diz corretamente que Jesus cumpriu os tipos e as cerimônias do Antigo Testamento para que esses não fossem mais necessários ao povo de Deus (Hb 9-10).

Colocou de lado a antiga aliança e firmou uma nova. Nessa mesma linha de pensamento, A. T. Robertson explica que a palavra “cumprir” significa “encher por completo”.

Foi o que Jesus fez com a lei cerimonial, que apontava para ele. Jesus também guardou a lei moral. “Ele veio completar a lei, revelar a total profundidade do significado que estava ligado a quem a guardava”. Resta claro que Jesus não contradiz o que foi dito, mas o coloca em foco ético mais nítido, numa espécie de intensificação radical das exigências da lei”. LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 192-193.

O Dr STTOT escreve “O verbo traduzido por “cumprir” (plërösai) significa literalmente “encher” e indica, como Crisóstomo disse, que “suas palavras (sc. de Cristo) não eram uma revogação daquelas primeiras, mas uma exposição e o cumprimento delas”. Para captarmos o sentido total dessas palavras, precisamos nos lembrar de que “a lei e os profetas”, isto é, o Velho Testamento, contêm diversos tipos de ensinamentos. A relação de Jesus Cristo com eles difere, mas a palavra “cumprimento” abrange todos eles.

Primeiro, o Velho Testamento contém ensinamento doutrinário. “Tora”, geralmente traduzido por “lei”, significa, na verdade, “instrução revelada”; e o Velho Testamento realmente instrui-nos sobre Deus, sobre o homem, sobre a salvação, etc. Todas as grandes doutrinas bíblicas se encontram nele. Mas, ainda assim, foi apenas uma revelação parcial. Jesus o “cumpriu” todo, no sentido de completá-lo com a sua pessoa, seus ensinamentos e sua obra. O Rev. Ryle resumiu-o assim: “O Velho Testamento é o Evangelho em botão, o Novo Testamento é o Evangelho em flor. O Velho Testamento é o Evangelho no limbo; o Novo Testamento é o Evangelho na espiga.” Segundo, o Velho Testamento contém profecia preditiva. Grande parte dela contempla o dia do Messias, profetizando-o por meio de palavras ou apresentando-o em figuras e tipos. Mas não passa de previsões. Jesus a “cumpriu” integralmente, no sentido de que o predito aconteceu com ele. A primeira declaração do seu ministério público foi: “O tempo está cumprido…” (Mc 1:14). Suas próprias palavras aqui, (Eu) vim, denotam essa mesma verdade.

Repetidas vezes ele declarou que as Escrituras deram testemunho dele, e Mateus enfatiza isto mais do que qualquer outro evangelista, através da sua repetida fórmula: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta . . .” O clímax foi a sua morte na cruz, na qual todo o sistema cerimonial do Velho Testamento, sacerdócio e sacrifício, cumpriu-se perfeitamente. Então as cerimônias cessaram. Sim, como Calvino com razão comentou: “Apenas o uso deles foi abolido, pois o seu significado foi confirmado mais plenamente.” Não passavam de uma “sombra” do que estava por vir; a “substância” pertencia a Cristo. Terceiro, o Velho Testamento contém preceitos éticos, ou a lei moral de Deus. Mas eles são frequentemente mal interpretados e até mesmo desobedecidos. Jesus os “cumpriu”, em primeiro lugar, obedecendo-os, pois ele “nasceu sob a lei” e estava determinado (como já dissera João Batista) a “cumprir toda a justiça”. “Ele, na verdade, nada tinha a acrescentar aos mandamentos de Deus”, escreveu Bonhoeffer, “exceto isto, que ele os guardou”. Ele fez mais do que obedecê-los pessoalmente; ele explica o que a obediência implicará para os seus discípulos. Ele rejeita a interpretação superficial da lei, dada pelos escribas c fornece ele mesmo a verdadeira interpretação. O seu propósito não é mudar a lei, muito menos anulá-la, mas “revelar toda a profundidade do significado que pretendia conter”. Portanto, ele a cumpre, anunciando as exigências radicais da justiça de Deus”.

É isto que ele destaca no restante de Mateus 5, apresentando exemplos, conforme veremos. Em cada geração da era cristã, sempre houve aqueles que não conseguiram acomodar-se à atitude de Cristo para com a lei. O famoso herege do segundo século, Marcion, que reescreveu o Novo Testamento, eliminando as referências que este faz ao Velho, naturalmente apagou esta passagem. Alguns dos seus discípulos foram mais além. Atreveram-se até a inverter o seu significado, mudando os verbos de modo que a sentença, então, passasse a dizer o seguinte: “Eu vim, não para cumprir a lei e os profetas, mas para aboli-los!” Seus correlativos hoje em dia parecem ser aqueles que abraçaram a chamada “nova moralidade”, pois declaram que a própria categoria da lei fica abolida para o cristão (embora Cristo tenha dito que não veio para aboli-la), que nenhuma lei tolhe agora o povo cristão, exceto a lei do amor, e que na realidade a ordem para amar é agora o único absoluto. Sobre estes, voltarei a falar mais tarde. Por ora, basta enfatizar que, de acordo com este versículo (v. 17), a atitude de Jesus para com o Velho Testamento não foi de destruição e descontinuidade mas, antes, de continuidade construtiva, orgânica. Ele resumiu sua posição numa simples palavra: não “abolição”, mas “cumprimento””. STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag. 34-35.

 

II- A LETRA DA LEI, A VERDADE DO ESPÍRITO

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1. O que a expressão “letra da Lei” significa? De acordo com as cartas de Paulo, a expressão “letra da Lei” diz respeito ao Antigo Concerto. Essa letra expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revelam o pecado e levam à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25. Em suma, dominado pela fraqueza da carne e sem força, o homem seria levado à morte diante da letra da Lei. A função da Lei é mostrar a malignidade do pecado e a impossibilidade do homem em salvar-se. Nesse sentido, ela serviu com o paidagôgos (do grego), isto é, um pedagogo, um guia, que nos levou a Cristo (Gl 2.4). Um exemplo que revela essa função é a relevância dos profetas do Antigo Testamento para despertar o povo ao verdadeiro arrependimento diante de Deus. Entretanto, o judaísmo transformou a “letra da Lei” em um sistema de normas frias e sem vida.

COMENTÁRIO

A expressão “letra da lei” trata-se de uma referência à legislação, à Lei Mosaica. Isso fica bem claro quando Paulo ensina em Romanos 7.7-25: “É a lei pecado?” Paulo queria ter a certeza de que seus leitores não tivessem concluído (dos versículos 4-6) que a lei por si mesma era má. Como explica ele, a lei revela o padrão divino, e na medida em que os cristãos se comparam a esse padrão, eles podem identificar, precisamente, o pecado, que e o fato de não conseguir atingir o padrão. Paulo usa o pronome pessoal "eu" por todo o restante do capítulo, usando sua própria experiência como um exemplo do que é verdadeiro em relação aos homens não redimidos e verdadeiro em relação aos cristãos.

A Lei foi o aio (palavra grega indica um escravo cuja tarefa era cuidar de uma criança até que ela chegasse à idade adulta). O "aio" levava as crianças à escola e depois ia buscá-las e zelava pelo comportamento delas em casa. Os aios, com frequência, eram disciplinadores severos, fazendo com que aqueles sob os seus cuidados ansiassem pelo dia em que estariam livres de sua custódia. A lei era nosso aio, o qual, ao mostrar os nossos pecados, estava nos levando a Cristo.

A Lei dada a Israel era muito semelhante a tal tutor. Servia para controlar a conduta dos israelitas, e, quando acatada, protegia-os contra dano físico e moral. Conforme Moisés disse ao povo: “Se escutares os mandamentos de Yahweh, teu Deus, que hoje te ordeno, de modo a amar a Yahweh, teu Deus, para andar nos seus caminhos e guardar seus mandamentos, e seus estatutos, e suas decisões judiciais, então forçosamente ficarás vivo e te multiplicarás, e Yahweh, teu Deus, terá de abençoar-te na terra à qual vais para tomar posse dela.” (Deu. 30:16) Além disso, a Lei mantinha os israelitas unidos como povo, apesar de serem conquistados e passarem a estar sob domínio estrangeiro. Preservava as condições necessárias para o aparecimento do Messias, protegia a Palavra de verdade de Deus e impedia que a adoração verdadeira fosse totalmente eclipsada e perdida de vista.

 

Mas, por causa da imperfeição dos israelitas, a Lei expunha suas transgressões e mostrava-lhes que estavam sob condenação. Os sacrifícios que tinham de oferecer, sob a Lei, eram um lembrete constante de sua pecaminosidade. (Sal. 3:10, 11, 19; Heb. 10:1-4) Ao salientar assim os erros dos israelitas, a Lei realmente os disciplinava e mostrava-lhes a necessidade de serem libertados da escravidão do pecado. Os que tiraram proveito desta disciplina puderam identificar a Jesus como sendo o prometido Messias ou Cristo. Assim, de fato, a Lei ‘entregava’ os israelitas devidamente disciplinados a Jesus Cristo, o verdadeiro Instrutor.

 

A Lei, conforme diz Hebreus 10:1, “tem uma sombra das boas coisas vindouras”. Por isso precisava ceder diante da realidade que “pertence ao Cristo”. (Col. 2:16, 17) A Lei, como sombra, dava uma ideia da forma geral ou do desenho da realidade, porque Jesus colocou as coisas prefiguradas pela Lei no domínio da verdade real. É por isso que João 1:17 declara: “A Lei foi dada por intermédio de Moisés, a benignidade imerecida e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo.”

 

Estes fatos, portanto, mostram que seria bem inapropriado que alguém insistisse em que os cristãos estão debaixo da lei mosaica. Ela serviu bem ao seu objetivo como tutor. “Mas agora que chegou a fé, [isto é, a fé em Jesus Cristo,] não estamos mais debaixo dum tutor.” (Gál. 3:25) O Instrutor designado por Deus, Jesus Cristo, assumiu o controle.

Seguindo o Pr Hernandes Dias Lopes, citando o Dr STOTT: “John Stott está absolutamente correto, quando escreve: Introduzir obras da lei e fazer a nossa aceitação depender de nossa obediência a regras e regulamentos era fazer o homem livre retroceder para a escravidão. Neste princípio Tito era um teste. Era verdade que ele era um gentio incircunciso, mas era também um cristão convertido. Tendo crido em Jesus, fora aceito por Deus em Cristo, e isso, dizia Paulo, era suficiente. Nada mais era necessário para a sua salvação, como o confirmou mais tarde o Concílio de Jerusalém (At 15.11).

Quando se tratava da defesa do evangelho, Paulo era absolutamente inflexível. Esses falsos irmãos, como espiões e traidores, como agentes de serviço secreto, introduziram-se furtivamente na igreja para perturbar os crentes e perverter o evangelho. Mas encontraram em Paulo um muro de concreto, uma rocha inabalável e um apóstolo intransigente. Paulo era flexível com os irmãos fracos, mas inflexível com os falsos irmãos. Quando se trata da verdade do evangelho não podemos ceder uma polegada nem transigir com uma vírgula. Negociar a verdade é cair na vala da apostasia. David Stern defende claramente que aqueles que insistem na circuncisão dos gentios (2.3-5) não possuem um evangelho melhor e mais puro, mas uma perversão do evangelho (1.6-9), reprovada pelas próprias pessoas para cuja autoridade eles apelavam (2.8,9; 5.11)”. LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã. Editora Hagnos. pag. 85-86.

 

2. A perspectiva teológica da Lei. Para os judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão: moral, cerimonial e judicial. A Lei Moral envolve os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17); a cerimonial refere-se à adoração do povo de Deus no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo (Êx 25.1-31.17); a judicial tem a ver com diversas responsabilidades civis (individuais e sociais) (Êx 21.1-23.19). Pelo sistema da antiga Lei, havia um falso entendimento de que o homem poderia viver de maneira justa segundo o seu próprio mérito e que, por isso, seria possível salvar-se. Ora, o apóstolo Paulo refutou sabiamente esse falso entendimento (Gl 2.16; Tt 3.5). Em suas cartas, o apóstolo deixou bem claro que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei e que, por isso, pôs fim ao Sistema de Lei Mosaico, de modo que Ele oferece um novo e vivo caminho para se chegar a Deus (Jo 14.6; Hb 10.19,20), uma nova aliança que concede justificação e paz ao salvo (Rm 5.1).

COMENTÁRIO

Como já comentei no tópico anterior, Jesus não estava nem concedendo uma nova lei nem modificando a antiga, mas em vez disso, explicando o verdadeiro significado do conteúdo moral da lei de Moisés e do restante do Antigo Testamento. A expressão "a Lei ou os Profetas" fala da inteireza da Escritura do Antigo Testamento. Jesus atesta que veio cumprir a tudo o que a respeito dele está escrito na Escrituras Judaicas, inclusive, no que diz respeito à lei cerimonial ao ser a incorporação de tudo a que os tipos e símbolos da lei apontavam.

É preciso esclarecer que, pelo menos algumas das referências (se não todas) à Lei, a respeito de elas terem sido abolidas no Novo Testamento, referem-se a cerimônias e tipos do Antigo Testamento. Esses aspectos cerimoniais e tipológicos da Lei de Moisés foram de forma clara abolidos quando Jesus, o nosso cordeiro pascal (1Co 5.7), cumpriu os tipos e predições da Lei quando à sua primeira vinda (Hb 7-10). Nesse sentido, Jesus claramente aboliu os aspectos cerimoniais e tipológicos da Lei, não destruindo-a, mas cumprindo-a. Assim, entendemos quando Paulo diz que a lei foi o nosso pedagogo, aio. E é importante isso por que a afirmativa do comentarista “Jesus cumpriu toda a Lei e que, por isso, pôs fim ao Sistema de Lei Mosaico, de modo que Ele oferece um novo e vivo caminho para se chegar a Deus” pode nos levar a uma falsa compreensão no sentido de que a Lei passou, não serve mais para nós hoje. Jesus foi o cumprimento de tudo o que dele está escrito na Escritura Judaica, e agora ele nos favorece com uma Nova Aliança, baseada em seu sacrifício; assim, Ele pode fazer a "Eu sou" em resposta ao cético Tomé, se declarando que ele é o caminho para Deus porque ele é a verdade de Deus (Jo 1.14) e a vida de Deus (Jo 1.4; .3.15; 11.25). A exclusividade de Jesus como o único caminho para o Pai é enfática. Existe somente um caminho, não muitos caminhos, para Deus, ou seja, Jesus Cristo (10.7-9; cf. Mt 7.13-14; Lc 13.24; At 4.12) – nisto consiste a Nova Aliança, nisto consiste o fim da Lei – temos agora um novo e vivo caminho para Deus!

Norman Geisler escreve: “Para todas as pessoas que honram seus pais, Paulo declara que eles terão “longa vida sobre a terra” (Ef 6.3). De igual forma, os cristãos não mais estão debaixo dos mandamentos de Moisés para cultuarem no sábado (Êx 20.8-11), já que, depois da ressurreição, das aparições, e da ascensão (as quais ocorreram todas no domingo), os cristãos cultuam no domingo em vez de no sábado (veja At 20.7; 1 Co 16.2).

O culto do Shabbath, declarou Paulo, era no AT apenas uma “sombra” da realidade nova que foi inaugurada por Cristo (Cl 2.16-17). Já que até mesmo os Dez Mandamentos, como tais, foram expressos dentro de um contexto nacional, judeu, teocrático, então o NT pode falar corretamente que o que estava “gravado em pedras” foi, “em Cristo, removido” (2 Co 3.7, 13-14).

Entretanto, isso não significa que os princípios morais contidos nos Dez Mandamentos, que refletem a verdadeira natureza de um Deus imutável, não são mais pertinentes aos crentes nos dias de hoje. De fato, cada um dos princípios contidos nos Dez Mandamentos é restabelecido num outro contexto no NT, exceto, é claro, o mandamento para descansar e cultuar no sábado.

Os cristãos hoje não mais se acham debaixo dos Dez Mandamentos tais como foram dados por Moisés, da mesma forma como não estamos debaixo dos requisitos da Lei Mosaica de sermos circuncidados (veja At 15; Gl 3) ou de levarmos um cordeiro ao templo em Jerusalém para ser sacrificado. O fato de estarmos presos a leis morais semelhantes contra o adultério, contra a mentira, contra o roubo e contra o assassinato não prova que ainda estamos debaixo dos Dez Mandamentos, assim como de fato de haver leis de trânsito semelhantes nos diversos estados de um país não implica que um infrator da lei no estado “A” esteja sujeito à lei do estado “B”.

A verdade é que aquele que violou uma lei no estado “A” não violou lei alguma no estado “B”, nem muito menos está sujeito às penalidades impostas neste estado. Da mesma maneira, embora o AT como o NT se pronunciem contra o adultério, a punição no entanto é diferente – a pena capital no AT (Lv 20.10) e somente excomunhão da igreja no NT (1 Co 5.1-13), com a esperança de uma reintegração mediante o arrependimento (cf. 2 Co 2.6-8). Manual Popular de Enigmas e “Contradições” da Bíblia – Norman Geisler e Thomas Howe. Editora Mundo Cristão, 1992, pg. 338-339.

A lei de Deus dada a Moisés é um conjunto abrangente de diretrizes para assegurar que o comportamento dos israelitas refletiria sua posição como o povo escolhido de Deus. Ela abrange o comportamento moral, sua posição como um exemplo piedoso para outras nações e procedimentos sistemáticos para reconhecer a santidade de Deus e a pecaminosidade da humanidade. Em uma tentativa de entender melhor o propósito dessas leis, judeus e cristãos as categorizam. Isso levou à distinção entre a lei moral, a lei cerimonial e a lei judicial.

Lei Moral

As leis morais, ou mishpatim, referem-se à justiça e ao julgamento e muitas vezes são traduzidas como "ordenanças". Diz-se que mishpatim baseia-se na natureza santa de Deus. Como tal, as ordenanças são sagradas, justas e imutáveis. Seu propósito é promover o bem-estar daqueles que obedecem. O valor das leis é considerado óbvio pela razão e pelo bom senso. A lei moral abrange regulamentos sobre justiça, respeito e conduta sexual e inclui os Dez Mandamentos. Também inclui penalidades por não obedecer às ordenanças. A lei moral não aponta as pessoas para Cristo; apenas ilumina o estado caído de toda a humanidade.

Protestantes modernos estão divididos sobre a aplicabilidade da lei mishpatim na era da igreja. Alguns acreditam que a afirmação de Jesus de que a lei permanecerá em vigor até que a terra passe (Mateus 5:18) significa que os crentes ainda estão ligados a ela. Outros, no entanto, entendem que Jesus cumpriu este requisito (Mateus 5:17) e que estamos, ao contrário, sob a lei de Cristo (Gálatas 6:2), que se trata de "amar a Deus e amar o próximo" (Mateus 22:36-40). Embora muitas das leis morais do Antigo Testamento deem excelentes exemplos de como amar a Deus e ao próximo e de que a liberdade da lei não é licença para o pecado (Romanos 6:15), não estamos especificamente vinculados à lei mishpatim.

Lei Cerimonial

As leis cerimoniais são chamadas de hukkim ou chuqqah em hebraico, que literalmente significa "costume da nação"; as palavras costumam ser traduzidas como "estatutos". Essas leis parecem concentrar a atenção do adepto em Deus. Elas incluem instruções sobre como recuperar uma posição justa diante de Deus (por exemplo, sacrifícios e outras cerimônias sobre "impureza"), lembranças da obra de Deus em Israel (por exemplo, festas e festivais), regulamentos específicos destinados a distinguir os israelitas de seus vizinhos pagãos (por exemplo, restrições dietéticas e de roupas), e sinais que apontam para a vinda do Messias (por exemplo, o sábado, a circuncisão, a Páscoa e a redenção do primogênito). Alguns judeus acreditam que a lei cerimonial não seja fixa. Eles defendem que, à medida que as sociedades evoluem, as expectativas de Deus de como Seus seguidores devem se relacionar com Ele também evoluem. Essa visão não é indicada na Bíblia.

Os cristãos não estão vinculados pela lei cerimonial. Como a igreja não é a nação de Israel, os festivais memoriais, como a Festa das Semanas e a Páscoa, não se aplicam. Gálatas 3:23-25 explica que, desde que Jesus veio, os cristãos não são obrigados a sacrificar ou circuncidar. Ainda há debate nas igrejas protestantes sobre a aplicabilidade do sábado. Alguns dizem que a sua inclusão nos Dez Mandamentos lhe dá o peso da lei moral. Outros citam Colossenses 2:16-17 e Romanos 14:5 para explicar que Jesus cumpriu o sábado e se tornou nosso descanso sabático. Como Romanos 14:5 diz: "Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente." A aplicabilidade da lei do Antigo Testamento na vida de um cristão tem sempre se relacionado com a sua utilidade em amar a Deus e aos outros. Se alguém achar que observar o sábado o ajuda nisso, então ele é livre para observá-lo.

Direito Judicial/Civil

A Confissão de Westminster acrescenta a categoria do direito civil ou judicial. Essas leis foram especificamente dadas para a cultura e o lugar dos israelitas e abrangem toda a lei moral, exceto os Dez Mandamentos. Isso inclui tudo, do assassinato até a restituição de um homem ferido por um boi e a responsabilidade do homem que cavou um buraco para resgatar o jumento preso do vizinho (Êxodo 21:12-36). Como os judeus não viam diferenças entre a moralidade ordenada por Deus e suas responsabilidades culturais, essa categoria é usada pelos cristãos muito mais do que pelos estudiosos judeus.

A divisão da lei judaica em diferentes categorias é uma construção humana projetada para entender melhor a natureza de Deus e definir quais leis os cristãos da era da igreja ainda precisam seguir. Muitos acreditam que a lei cerimonial não é aplicável, mas estamos vinculados aos Dez Mandamentos. Toda a lei é útil para instrução (2 Timóteo 3:16), e nada na Bíblia indica que Deus pretendia uma distinção de categorias. Os cristãos não estão debaixo da lei (Romanos 10:4). Jesus cumpriu a lei, abolindo assim a diferença entre judeus e gentios "para que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz, e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por intermédio da cruz..." (Efésios 2:15-16)”. https://www.gotquestions.org/Portugues/lei-ceremonial.html

 

3. A Lei e a verdade do Espírito. Nosso Senhor cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente à Lei, cumprindo os tipos, sombras, símbolos e profecias. A causa dessa realidade perfeita é a morte substitutiva de Jesus e, por isso, hoje, os cristãos são declarados justos pelo mérito da obra de Cristo (Rm 3.21-26; 10.4). Em conformidade com esse evento salvífico, o apóstolo Paulo diz que a letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3.6). Isso mostra que o Novo Concerto revelou-se na pessoa de Jesus, que gera vida, e não mais na letra pesada da Lei, que gera morte (Rm 6.23). Ou seja, de um código exterior de normas para um código interior e dinamizado na vida pelo Espírito; de palavras registradas em tábuas de pedra para palavras cravadas no coração. O Espírito Santo traz vida em Cristo e grava a vontade de Deus em nossa consciência e coração (Rm 8.2; 1 Co 15.45; 1Tm 1.5).

COMENTÁRIO

A letra mata de dois modos:

1) ela resulta na morte em vida. Antes de Paulo se converter, ele achava estar salvo por cumprir a lei, mas tudo o que ela fazia era matar sua paz, alegria e esperança; e

2) ela resulta na morte espiritual. Sua incapacidade de manter verdadeiramente a lei o havia sentenciado a uma morte eterna (Rm 7.9-11; 5.12 ; G l 3.10 ). Somente Jesus Cristo, por meio da ação do Espírito Santo pode dar a vida eterna àquele que crê.

Veja o que diz o Pr Hernandes Dias Lopes: “Colin Kruse interpreta esta expressão: “[…] porque a letra mata […]” (3.6), dizendo que o código escrito (a lei) mata quando usada de modo impróprio, isto é, como um sistema de regras que devem ser observadas a fim de estabelecer a auto-retidão do indivíduo (Rm 3.20; 10-14).

Usar a lei dessa forma inevitavelmente conduz à morte, visto que ninguém pode satisfazer às suas exigências e, portanto, todos ficam sob sua condenação. O ministério do Espírito é completamente diferente. E o ministério sob a nova aliança, sob a qual os pecados são perdoados para nunca mais serem lembrados, e as pessoas são motivadas e capacitadas pelo Espírito a fim de realizar aquilo que a aplicação imprópria da lei jamais poderia conseguir (Jr 31.31-34; Ez 36.25-27; Rm 8.3,4).

O ministério do Espírito traz vida, porque na nova aliança o pecador é substituído por Cristo, e, em Cristo, ele recebe o perdão de seus pecados. O Filho de Deus veio ao mundo como nosso representante e fiador. Quando ele foi à cruz, Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós (Is 53.6). Ele foi feito pecado por nós (2Co 5.21) e maldição por nós (G1 3.13). Ele foi ferido e traspassado pelas nossas transgressões. Quando estava suspenso entre a terra e o céu, o próprio sol cobriu o seu rosto e houve trevas sobre a terra.

Nem mesmo o Pai pôde ampará-lo. Naquele momento, ele bebeu sozinho todo o cálice da ira de Deus contra o pecado. Então, vitoriosamente pegou o escrito de dívida que era contra nós, rasgou-o, anulou-o, encravou-o na cruz e bradou: “Está consumado” (Jo 19.30)! Cristo morreu a nossa morte, para vivermos sua vida. Pela morte de Cristo temos vida abundante e eterna. O ministério do Espírito é aplicar em nós os benefícios da redenção de CristoLOPES, Hernandes Dias. II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade. Editora Hagnos. pag. 80-81.

 

4. Qual é o propósito da Lei para os discípulos de Cristo? Vimos que Jesus cumpriu toda a Lei. Nesse sentido, cabe perguntar: há propósito da Lei para os cristãos? O apóstolo Paulo responde essa questão mostrando que a Lei é santa (Rm 7.12), está estabelecida (Rm 3.31), se cumpre no amor (Rm 13.8-10; Gl 5.14) e opera atualmente por meio do Espírito Santo, que dinamiza a vida interior do cristão (Rm 8.2,9; Gl 5.6,25). Portanto, é Jesus Cristo quem impacta, aperfeiçoa e, por meio do Santo Espírito, implanta no interior do crente o verdadeiro sentido da Lei (Gl 4.3-7).

COMENTÁRIO

Em 5.18, “até que o céu e a terra p assem ... até que tudo se cumpra”, Cristo afirma a total inerrância e a absoluta autoridade do Antigo Testamento como Palavra de Deus — chegando até o último “i” ou “til”. Mais uma vez, isso sugere que o Novo Testamento não deve ser visto como algo que substitui ou anula o Antigo Testamento, mas como cumprimento e explicação dele. Todas as exigências cerimoniais da lei mosaica, por exemplo, foram cumpridas em Cristo e não precisam mais ser observadas pelos cristãos (Cl 2.16-17). Contudo, nem um “i” ou um “til” devem ser, por isso, eliminados; a verdade subjacente da Escritura permanece — e, de fato, os mistérios por trás dela são agora revelados sob a luz mais brilhante do evangelho. Um "i" refere-se à menor letra hebraica, o iode, que é um pequeno traço da pena, como um acento ou um apóstrofo. O "til" é uma pequena extensão numa letra hebraica, como a serifa nas fontes modernas.

Cristo, com seu sacrifício perfeito e eterno na cruz, aboliu as leis cerimoniais, mas não as leis morais (os Dez Mandamentos). Isto significa que, de todas as leis do Antigo Testamento, as únicas que ainda valem são os Dez Mandamentos (com exceção de guardar o sábado, pois este foi abolido por Jesus no Novo Testamento – Marcos 2:13-18), e também a lei que condena a homossexualidade, visto que ela também é dita no Novo Testamento (Romanos 1:25-32; 1 Coríntios 6:9-10). Quando o cristão se depara com esse texto: “Porque o Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4), prontamente entende que se Jesus já cumpriu toda a Lei, então não há necessidade alguma de se voltar para o Antigo Testamento, podendo rejeitá-lo por completo. É preciso muito cuidado nesse sentido, pois muitos estão rejeitando o Antigo Testamento para ficar apenas com o Novo, esquecendo-se de que ambos se completam.

Um dos aspectos mais importantes da experiência dos israelitas no monte Sinai, comenta Donald Stamps, “foi o de receberem a lei de Deus através do seu líder, Moisés. A Lei Mosaica (hb. torah, que significa “ensino”), admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1 — 23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (24.12 — 31.18). Note os seguintes fatos no tocante à natureza e à função da lei no Antigo Testamento.

(1) A lei foi dada por Deus em virtude do concerto que Ele fez com o seu povo. Ela expunha as condições do concerto a que o povo devia obedecer por lealdade ao Senhor Deus, a quem eles pertenciam. Os israelitas aceitaram formalmente essas obrigações do concerto (24.1-8).

(2) A obediência de Israel à lei devia fundamentar-se na misericórdia redentora de Deus e na sua libertação do povo (19.4).

(3) A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1—24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (20.2). Antes, pela lei Deus ensinou ao seu povo como andar em retidão diante dEle como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo. Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (Dt 28.1,2; 30.15-20).

(4) Tanto no AT quanto no NT, a total confiança em Deus e na sua Palavra (Gn 15.6), e o amor sincero a Ele (Dt 6.5), formaram o fundamento para a guarda dos seus mandamentos. Israel fracassou exatamente nesse ponto, pois constantemente aquele povo não fazia da fé em Deus, do amor para com Ele de todo o coração e do propósito de andar nos seus caminhos, o motivo de cumprirem a sua lei. Paulo declara que Israel não alcançou a justiça que a lei previa, porque “não foi pela fé” que a buscavam (Rm 9.32).

(5) A lei ressaltava a verdade eterna que a obediência a Deus, partindo de um coração cheio de amor (ver Gn 2.9 nota; Dt 6.5 nota) levaria a uma vida feliz e rica de bênçãos da parte do Senhor (cf. Gn 2.16 nota; Dt 4.1,40; 5.33; 8.1; Sl 119.45; Rm 8.13; 1Jo 1.7).

(6) A lei expressava a natureza e o carácter de Deus, i.e., seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal. Os fiéis israelitas deviam guardar a lei moral de Deus, pois foram criados à sua imagem (Lv 19.2).

(7) A salvação no AT jamais teve por base a perfeição mediante a guarda de todos os mandamentos. Inerente no relacionamento entre Deus e Israel, estava o sistema de sacrifícios, mediante os quais, o transgressor da lei obtinha o perdão, quando buscava a misericórdia de Deus, com sinceridade, arrependimento e fé, conforme a provisão divina expiatória mediante o sangue.

(8) A lei e o concerto do AT não eram perfeitos, nem permanentes. A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26). O antigo concerto agora foi substituído pelo novo concerto, no qual Deus revelou plenamente o seu plano de salvação mediante Jesus Cristo (Rm 3.24-26; ver Gl 3.19, nota com matéria adicional sobre a natureza e função da lei no AT).

(9) A lei foi dada por Deus e acrescentada à promessa “por causa das transgressões” (Gl 3.19); i.e., tinha o propósito (a) de prescrever a conduta de Israel; (b) definir o que era pecado; (c) revelar aos israelitas a sua tendência inerente de transgredir a vontade de Deus e de praticar o mal, e (d) despertar neles o sentimento da necessidade da misericórdia, graça e redenção divinas (Rm 3.20; 5.20; 8.2)”. STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

III- A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS

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1. Quem é grande no Reino de Deus? Mateus 5.18-19, mostra que são considerados ‘‘grande no Reino de Deus” os que se acham fiéis e cumpridores de toda a lei de Cristo. Consequentemente, são rebaixados à condição de menores os que negligenciam, removem, separam, violam o menor dos mandamentos de Deus e não atentam para a sua instrução, quer por omissão, quer por transgressão. Assim, como discípulos de Cristo e cidadãos do Reino de Deus, devemos cumprir e ensinar a lei divina a partir do poder do Espírito Santo que transforma, aperfeiçoa e concede-nos graça e verdade (Jo 1.16,17).

COMENTÁRIO

A consequência de praticar ou ensinar desobediência a qualquer coisa da Palavra de Deus é ser chamado de “mínimo no reino dos céus” (Tg 2.10). O estabelecimento de graduação no reino dos céus é prerrogativa total de Deus (Mt 20.23), e Jesus declara que terá pouca consideração por aqueles que tiverem pouca consideração pela sua Palavra. Não há impunidade para os crentes que desobedecem, desacreditam ou depreciam a lei de Deus (2Co 5.10). A não referência à perda de salvação fica clara a partir do fato que, embora os ofensores sejam chamados de mínimos, eles ainda estarão no reino dos céus. O resultado positivo é que todo aquele que cumpre e ensina a Palavra de Deus será chamado de grande no reino dos céus. Aqui, mais uma vez, Jesus menciona os dois aspectos de fazer e ensinar. Os cidadãos do reino devem se apegar a todas as partes da lei de Deus, tanto no seu viver quanto no seu ensino. “A pessoa que minimiza o significado da antiga lei à parte da interpretação de Jesus da lei será chamado o menor no Reino (Mt 5.19). A palavra lyo (v. 19) significa relaxar, quebrar ou anular. Mais tarde, quando o gnosticismo menosprezou o mundo material e segregou a salvação a uma jurisdição espiritual, mítica ou não-histórica, os pais da igreja primitiva foram prontos em insistir na validade da obra de salvação de Deus no tempo, no espaço e na história como demonstrado no Antigo Testamento. Sem o contexto histórico, precedente e a promessa do velho, a declaração do novo pode significar qualquer coisa que algum autodenominado profeta queira significar. A pressuposição de que Jesus estava perpetuando o mero legalismo e elevando o lance legalista evapora-se no calor da advertência de Jesus encontrada no versículo 20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus”. A questão era a qualidade e fim da lei, e não sua quantidade”. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 45.

 

2. A Justiça do reino de Deus. A compreensão da justiça do Antigo Testamento, baseada no binômio lei-obra, gerou orgulho pessoal e confiança nas próprias ações dos judeus para justificarem a si mesmos. No Novo Testamento, há exemplos a esse respeito: o jovem rico que agiu assim para atingir o supremo bem (Mt 19 .16 -26); o fariseu que, por meio de sua justiça própria, achava-se melhor que o publicano (Lc 18.9-17); o sacerdote e o levita que, firmados numa justiça própria, não atentaram para a aflição do próximo (Lc 10.25-37). Mas Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha justiça exterior, cerimonial e legalista. Por isso, a justiça exigida pelo Senhor Jesus aos seus discípulos é superior à dos escribas e fariseus. É uma justiça mais sublime, elevada e interior. Essa justiça só pode ser obtida mediante a fé, nos permitindo viver de maneira justa e piedosa (Rm 3.21,22; Rm 8.2-5) e, assim, entrar no Reino de Deus.

COMENTÁRIO

Preste atenção aqui: Jesus está dizendo que precisamos fazer tudo aquilo que os fariseus faziam e ainda mais! Por um lado, Jesus estava conclamando os seus discípulos a uma santidade mais profunda e radical do que a dos fariseus. O farisaísmo tinha uma tendência de suavizar as exigências da lei ao concentrar-se apenas na obediência exterior. Nos versículos que se seguem, porém, Jesus revela o pleno significado moral da lei e mostra que a justiça à qual a lei chama de fato envolve uma conformidade interior ao espírito da lei, em vez de simples concordância exterior com a letra, jamais entrareis no reino dos céus. Por outro lado, isso coloca uma barreira impossível para a salvação pelas obras. A Escritura ensina repetidamente que os pecadores não são capazes de nada senão uma justiça falha e imperfeita (Is 64.6). Portanto, a única justiça pela qual os pecadores podem ser justificados é a perfeita justiça de Deus que é imputada àqueles que creem (Gn 15.6; Rm 4.5).

O Pr Hernandes Dias Lopes escreve sobre “Uma justiça de faixada não é suficiente para entrar no reino dos céus (5.20). Jesus deixa claro que os escribas e fariseus, que torciam a lei e oprimiam o povo com um discurso legalista, ostentando uma santidade aparente e uma justiça apenas exterior, estavam fora do reino dos céus. Para entrar no reino dos céus, é necessário não ostentar, mas ser humilde de espírito.

E necessário não se gabar de sua justiça, mas chorar pelos seus pecados. E necessário não defender seus direitos, mas ser manso. E necessário ter fome não de prestígio, mas de justiça. E necessário não oprimir os órfãos e as viúvas, mas ser misericordioso. E necessário não agasalhar hipocritamente toda sorte de imundícia no coração, mas ser limpo de coração. E necessário não ferir as pessoas com seu legalismo pesado, mas ser pacificador. E necessário não criar contendas e odiar as pessoas em nome de Deus, mas se dispor a sofrer por causa da justiça. Essa é a justiça que excede em muito a justiça dos escribas e fariseus”. LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 195.

 

CONCLUSÃO

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Jesus não veio para desfazer a Lei, nem viveu com um legalista. Porém, soube conservar o que havia de bom na antiga Lei, dando-lhe uma nova dinâmica de vida. Nosso Senhor deseja que nossas vidas sejam elevadas espiritualmente, semelhantes ao caráter e conduta dEle, deixando de lado toda frieza espiritual e, aquecidos pelo Espírito Santo, abraçando o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus Cristo.

COMENTÁRIO

Não, Jesus não aboliu a Lei, Jesus cumpriu a Lei. Jesus mudou nosso relacionamento com a Lei. Ele mostrou que o mais importante é a atitude do coração, não as cerimônias exteriores. Em Mateus 5.17-18, Jesus disse que tinha vindo para cumprir a Lei, não para abolir. Ele explicou que a Lei de Deus não pode ser abolida. A Lei de Deus é justa e precisa ser cumprida. Por outro lado, Hebreus 7.18-19 diz que a Lei foi revogada! Várias passagens da Bíblia dizem que a Lei é eterna e precisa ser cumprida mas várias outras dizem que a morte de Jesus na cruz revogou a Lei. Jesus cumpriu toda a Lei, tanto a Lei moral quanto a Lei cerimonial. A Lei moral de Deus continua perfeita e válida para nós hoje e deve ficar gravado em nossos corações (Hb 8.10). As regras exteriores da Lei cerimonial sempre apontaram para o que mais importava: o interior. Essas regras foram revogadas, porque agora Jesus cumpre a Lei, purificando nosso coração de forma direta e perfeita. Portanto, o fato de estarmos debaixo da graça (e não da lei), não nos isenta de obedecermos aos mandamentos de Deus (Rm 6.15). Precisamos entender, contudo, que, em Jesus Cristo, a observância da lei moral do Reino não é um mérito pessoal conquistado pelo esforço próprio, mas algo que parte de um coração regenerado e transformado interiormente. Hoje, vivemos a Lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus (Rm 8.2). Glorifiquemos a Deus por isso!

 

Espero ter ajudado...

Em Cristo,

Francisco Barbosa

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REVISANDO O CONTEÚDO

1. Segundo a lição, Jesus tinha o propósito de destruir a Lei?

® Quando nosso Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas.

2. Qual é a tríplice divisão da Lei?

® Para os judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão: moral, cerimonial, judicial.

3. De acordo com a lição, o que a letra da Lei expressa?

® Essa letra expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revela o pecado e leva à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25.

4. Como o Senhor Jesus cumpriu todo o Antigo Testamento?

® Nosso Senhor cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente a Lei, cumprindo os tipos, sombras, símbolos e profecias.

5. O que é a justiça no Reino de Deus?

® Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha a justiça exterior, cerimonial e legalista.