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1 de dezembro de 2021

A D U L T O S - LIÇÃO 10: PAULO E SEU AMOR PELA IGREJA

 

TEXTO AUREO

Porque o amor de Cristo nos constrange” (2 Co 5.14a)

 

VERDADE PRATICA

O amor cristão não é o sentimento egoísta, mas o sacrifício dos próprios desejos para o bem dos outros.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Tessalonicenses 1.1-10

 

INTRODUÇÃO

Pelo menos duas caraterísticas marcaram a igreja de Tessalônica: seu amor ao Senhor Jesus e o amor reciproco entre os irmãos. A luz do exemplo dessa igreja, e do sentimento do apóstolo Paulo por ela, o nosso propósito é mostrar que, como seguidores de Jesus e membros de uma igreja local, devemos amá-la e expressar esse amor na comunhão dos santos.

Comentário

Como introdução, é importante diferenciar o termo igreja utilizado por Paulo, daquilo que a maioria pensa ser hoje. Teologicamente, Igreja é o conjunto de fiéis unidos pela mesma fé e que celebram as mesmas doutrinas; Sociologicamente, é um grupo religioso organizado e institucionalizado. Esta última definição é o que a maioria crê e se refere. Não é o caso do texto bíblico, este se refere ao conjunto de fiéis, não à instituição. Nesse sentido, nosso amor é direcionado a todos os irmãos na fé, demonstrada através da comunhão, não apenas aos da igreja local.

Tessalônica (atual Salônica) situa-se perto do antigo local das termas no golfo Térmico na parte setentrional do mar Egeu. Essa cidade tornou-se a capital da Macedônia (c. 168 a.C.) e desfrutou da posição de "cidade livre", a qual era governada pelos seus próprios cidadãos (At 17.6) sob o Império Romano.

 

 

I – O AMOR DE PAULO PELA IGREJA

 

1. O Amor como o de um pai para um filho. A Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses atesta o amor do apóstolo pelos membros dessa igreja (1.2.3). Esse sentimento não se deu apenas pela igreja de Tessalônica, mas por todas as que Paulo plantou no mundo gentílico. Trata-se de um amor como o de um pai para um filho. Veja o que o apóstolo diz a respeito dos coríntios: “Porque, ainda que vocês tivessem milhares de instrutores em Cristo, não teriam muitos pais, pois eu gerei vocês em Cristo Jesus, pelo evangelho” (1 Co 4.15-NAA). Uma declaração que revela o amor de um “pai espiritual” pelos seus “filhos espirituais”.

Comentário

Notem que se apresentam no início dessa carta, Paulo – o ex-Saulo de Tarso (At 9.11), e Silvano, também chamado de Silas, companheiro de Paulo durante a segunda viagem missionária (At 15—18), posteriormente, um escritor para Pedro (1Pe 5.12); também Timóteo, o discípulo mais notável de Paulo (Fp 2.1-23) que viajou na segunda e terceira viagens missionárias e ficou perto de Paulo durante a sua primeira prisão em Roma (Fp 1.1; Cl 1.1; Fm 1), e mais tardo, serviu em Éfeso (1Tm 1.3) e passou algum tempo na prisão (Hb 13.23). A primeira carta de Paulo a Timóteo, enquanto ele estava ministrando na igreja em Éfeso, instruiu-o com relação à vida na igreja (1Tm 3.15). Em sua segunda carta, na ocasião em que enfrentava a morte e estava prestes a entregar o ministério a Timóteo, Paulo o exortou a ser forte (2Tm 2.1) e a pregar fielmente (2Tm 4.1-8). Posto terem sido os judeus os primeiros convertidos de Paulo, de modo inequívoco ele deixou claro que essa igreja não era uma congregação de judeus, e sim que se reunia em nome de Jesus, o Filho de Deus (At 17.2-3), o qual é o Senhor Deus e o Messias. Essa ênfase na igualdade entre Deus e o Senhor Jesus é parte da introdução de todas as epístolas paulinas (1Jo 2.23). É notável também que, Paulo e seus companheiros oravam frequentemente por rodo o rebanho e três dessas orações são apresentadas na epístola aos Tessalonicenses (1.2-3; 3.11-13; 5.23-24). A combinação dos três vértices — a fé, a esperança e o amor — é a favorita de Paulo, a isso ele chama de “a operosidade da vossa fé”. O apóstolo refere-se aqui ao cumprimento das obrigações do ministério resultantes dessas três atitudes espirituais.

O Pastor Hernandes Dias Lopes escreve: “Paulo fala do pai espiritual: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo” (4.15). A palavra “preceptor” aqui é paidagogos. E o escravo que tinha a responsabilidade de cuidar de uma criança e conduzi-la à escola. Ele não era o professor, mas aquele que levava o filho à escola e o deixava aos pés do mestre. E Paulo diz: Vocês podem ter muitos que levam instrução até vocês ou, levam vocês à instrução. Porém, vocês só têm um pai. A minha relação com vocês é estreita, sentimental, familiar, e íntima. E uma relação de coração e de alma. Eu sou o pai de vocês! Eu gerei vocês!(LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 82).

 

 

2. O amor motivado pelo modo de viver o Evangelho. Um dos elogios de Paulo aos tessalonicenses foi a respeito do modo como eles receberam a Palavra e sua prática em coerência com o ensino recebido. Os cristãos de Tessalônica eram o objeto de amor do apóstolo, pois, neles, ele via o fruto do seu ministério. Os versículos 5-10 da nossa leitura bíblica em classe mostram a indizível alegria de Paulo ao constatar a expressão do amor de Deus na vida da igreja. Essa igreja era formada por pessoas que abandonaram a crença em ídolos e, pela fé, abraçaram o Evangelho. Logo, o Evangelho não é só discurso, mas implica práticas convictas. Essa disposição dos tessalonicense tocava o coração do apóstolo (v.6).  

Comentário

Os tessalonicenses haviam se tornado a terceira geração do imitadores de Cristo. Cristo é a primeira; Paulo é a segunda; e os tessalonicenses são a terceira (1 Co 4.16; 11.1). No versículo 6, Paulo fala da alegria do Espírito Santo (Rm 14.17), a alegria em meio ao sofrimento evidenciava a realidade da salvação deles, a qual incluía a habitação do Espírito Santo (ICo 3.16; 6.19).

O Pastor Hernandes Dias Lopes escreve em seu comentário 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo (Hagnos): “Em primeiro lugar, a igreja imitou o modelo certo (1.6). A igreja de Tessalônica imitou os missionários e o Senhor Jesus (iC o 11.1). A palavra “imitadores”, mimetai, (de onde vem a nossa palavra mímica) descreve alguém que imita outra pessoa, particularmente para seguir seu exemplo ou ensino .A igreja de Tessalônica recebeu não apenas as boas-novas do evangelho, mas também, uma nova vida em Cristo. Ela abraçou não apenas informação, mas também, transformação. Ela possuía não apenas uma boa teologia, mas também, uma nova ética. Em segundo lugar, a igreja recebeu a mensagem certa (1.6b). A igreja de Tessalônica recebeu “a Palavra” mesmo sob um forte clima de hostilidade e perseguição. A igreja nasceu saudável porque sua fé foi estribada numa base certa, a semente cresceu e frutificou porque nasceu de um solo fértil. Hoje, muitas igrejas nascem doentes porque recebem palavras de homens, e não a Palavra de Deus.

São alimentadas com o farelo das doutrinas humanas e não com o trigo da verdade divina. Os púlpitos estão pobres e almas estão famintas. Existe pouco de Deus nos púlpitos e muito do homem. O evangelho da graça, como pão nutritivo de Deus, está sendo negado ao povo e, em lugar dele, os pregadores estão dando uma sopa rala à igreja. Muitos púlpitos já abandonaram a pregação fiel e os pregadores já se renderam ao pragmatismo, buscando mais os aplausos dos homens que a glória de Deus; mais o lucro que a salvação; mais a prosperidade que a piedade. Em terceiro lugar, a igreja teve a reação certa (1.6c). A igreja de Tessalônica recebeu a Palavra, em meio a muita tribulação, mas com alegria do Espírito Santo.

A igreja de Tessalônica não ficou escandalizada nem decepcionada com. Deus por causa das tribulações. Ela não perdeu a alegria devido às perseguições. Atualmente, há muitos obreiros fraudulentos que pregam um falso evangelho, prometendo às pessoas um evangelho sem cruz, sem dor, sem renúncia, sem sofrimento. O poder do evangelho está não apenas em nos livrar das tribulações, mas nos dar poder para enfrentá-las vitoriosamente. Em quarto lugar, a igreja tornou-se um modelo certo (1.7). Os imitadores tornam-se exemplos. William Hendriksen assegura que quem não é imitador não pode se tornar exemplo. A igreja não apenas seguiu o exemplo de Cristo e dos missionários, mas também, tornou-se exemplo para os demais crentes. A palavra utilizada por Paulo para “modelo”, typos, significa marca visível, cópia, imagem, padrão, arquétipo, e, por conseguinte, exemplo. Originalmente a palavra denotava a marca deixada por um golpe. Depois foi usada num sentido ético de um padrão de conduta, mas, mais comumente, como aqui, de um exemplo a ser seguido. Trata-se daquilo que deixa uma impressão desejável. Os crentes tessalonicenses eram a “impressão” de Cristo. I. Howard Marshall por sua vez diz que a palavra “modelo” também significa um molde, ou a impressão feita por um carimbo. No sentido de “exemplo” pode significar não apenas um exemplo que outros devem seguir como também um padrão que os influencia. A igreja de Tessalônica aprendeu e depois passou a ensinar. Ela se tornou fonte de inspiração para os crentes da sua província, a Macedônia, no norte da Grécia, e também para os crentes da província da Acaia, no sul da Grécia. A igreja de Tessalônica inspirou pessoas da sua região e de lugares mais distantes. Tornou-se um luzeiro perto e também uma luz para os povos mais distantes”. (LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 38-39).

 

 

3. O amor deve nortear a nossa vida na igreja local. Num tempo em que muitos vivem de criticar a igreja local é hora de demonstrar amor pela igreja em que congregamos. Esse é o lugar que Deus nos plantou. O lugar onde servimos a Ele, compartilhamos a comunhão com outros irmãos e realizamos a sua obra. O amor de Paulo pela Igreja tocar o nosso coração e, assim, sermos encorajados a manifestá-lo na igreja local em que congregamos

Comentário

Mais uma vez retomo a advertência inicial, Igreja, no texto bíblico, não é a denominação, a instituição, o edifício, a igreja local. Igreja são todas as pessoas, em todo o mundo, que se converteram a Jesus Cristo e seguem Sua Palavra. É como um Corpo. Uma igreja é formada por pessoas, não por construções físicas (templos). As pessoas não se reúnem na igreja. É a igreja que se reúne em um lugar. Em 1 Coríntios 12:12-27 está escrito que o corpo de Cristo se reúne em vários lugares. Quando se reúnem, temos uma congregação. Sl 22.22: “A meus irmãos declararei o teu nome; cantar-te-ei louvores no meio da congregação”. Congregar significa agregar com outros membros do Corpo.

Permitam-me abrir um parênteses aqui para contar uma experiência vivida nessas minhas andanças pelo Brasil: “como militar do Exército, tive a oportunidade de servir em diversos Estados da Federação, em uma dessas transferências, fomos para um Estado, na capital, onde há dois ministérios da mesma igreja, Assembleia de Deus Missão (CGADB), mas duas igrejas que não se misturam, não se conversam, não se permitem seus membros visitarem a outra; uma nítida disputa de território...”. Num ambiente assim, onde está o amor à igreja – Corpo de Cristo? Não fica evidente o amor à placa denominacional? Que equívoco!

A Igreja, o Corpo de Cristo, que está espalhado pelo mundo todo, organiza-se na forma de igrejas locais. A Igreja Local é aquela que se reúne em uma cidade ou localidade específica. A Bíblia traz inúmeros exemplos dessa prática (Igreja em Éfeso, Igreja em Tessalônica, Igreja em Corinto, etc.). Infelizmente, as pessoas acabaram se dividindo ao longo dos anos por divergências de opinião e doutrinas, criando as mais diversas denominações evangélicas. Existem dezenas de milhares de denominações cristãs no Brasil e no mundo. No entanto, se essas denominações comungam da mesma fé que caracteriza os verdadeiros seguidores de Jesus, são parte da Igreja, o Corpo de Cristo.

Nesse sentido, CHAMPLIN escreve: “Nenhum Indivíduo É Uma Ilha Isolada. Em certo sentido, cada indivíduo é uma ilha, porquanto é responsável diante de Deus por seus próprios atos, não havendo quem possa substituí-lo nessa responsabilidade. Outrossim, dentro daquela sorte que cabe ao homem, envolvendo sofrimento e tragédia, por muitas vezes cada um de nós tem que se firmar sozinho.

  1. Em um outro sentido, não obstante, nenhum homem é uma ilha isolada, porquanto a sua vida está em contato com as vidas de outras pessoas, sendo ele responsável pela influência—boa ou má—que exerce sobre elas.
  2. Por razões assim, é que a frequência à igreja se faz necessária. Precisamos «unir-nos com a comunidade», juntando o nosso peso ao dos demais, a fim de deixar uma segura impressão sobre este mundo de trevas.
  3. As operações do Espírito são facilitadas quando «um ensina a outro», e quando todos compartilham de suas experiências e de seu conhecimento espiritual. Acresça-se a isso que precisamos do poder da opinião sobre as nossas vidas, pois é possível, com frequência, que outras pessoas possam perceber onde labutamos em erro, naqueles pontos onde temos conseguido enganar a nós mesmos, no tocante às nossas qualidades espirituais.
  4. A força do exemplo se reveste de suprema importância. Precisamos oferecer nosso exemplo bom a nossos semelhantes, e também receber deles o seu bom exemplo de fé sincera.

Consideremos a ilustração abaixo: Dentro do ministério de Dwight L. Moody, conta-se o episódio em que, em certa ocasião, ele visitou um homem, no seu lar, encorajando-o a aceitar a Cristo e fazer de Jesus o ponto central de sua vida. O homem argumentou que poderia ser tão bom crente dentro como fora da igreja. Moody não deu resposta, mas deu um passo na direção da lareira; e, tendo removido uma brasa viva do meio do fogo, deixou-a de lado, sozinha. Dentro de pouco tempo a brasa perdera seu brilho e seu calor, e finalmente, se apagou de todo. Os dois homens contemplaram a cena em silêncio. Finalmente, o homem exclamou simplesmente: Percebo! Foi uma vivida lição objetiva, que fez a impressão necessária”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 686).

 

 

II – AMOR E FÉ NA IGREJA

 

1. Amor, uma palavra proeminente nas cartas de Paulo. No ensino de Paulo, Deus manifestou o seu amor salvífico por meio de seu Filho, Jesus Cristo. O apóstolo mostra que a expressão suprema desse amor é a crucificação de Jesus no Calvário, seu doloroso sacrifício. Ele confirma isso ao escrever aos Romanos: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nos ainda pecadores” (Rm 5.8) Entretanto, é preciso que o ser humano responda esse amor, cuja reciprocidade se dá nos seguintes termos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). É preciso crer para responder a esse amor.

Comentário

O ágape só pode ser produzido por que nasceu de novo. O homem natural não é capaz de demonstrar a forma mais pura de amor, o amor de Deus, o ágape!

O Pastor Hernandes vai mais além e afirma: “A manifestação do amor de Deus se dá por meio de um evento histórico – a cruz. A prova mais eloquente do amor de Deus é a cruz de Cristo. William Greathouse destaca que em nenhum lugar existe uma revelação de amor como a que encontramos na cruz. Pela cruz temos uma abertura ao coração de Deus e vemos que se trata de um amor que se dá e se sacrifica. Cristo morreu no momento determinado por Deus e de acordo com seu eterno propósito (Jo 8.20; 12.27; 17.1; G14.4; Hb 9.26). Segundo Adolf Pohl, não aconteceu na cruz um heroísmo na potência máxima, mas humilhação extrema, um contrassenso escandaloso (Fp 2.8). Irrompeu o amor jamais decifrável por nós pecadores. Paulo já havia provado que, na cruz, Deus revelou sua plena justiça (3.25,26); agora, ele afirma que, na cruz, Deus revelou seu abundante amor (5.8).

O amor de Deus não é apenas um sentimento, é uma ação. O amor não consiste apenas em palavras; é uma dádiva. O amor não é uma dádiva qualquer, mas uma dádiva de si mesmo. Deus deu seu Filho. Ele deu tudo, deu a si mesmo. Deus não amou aqueles que nutriam amor por ele, mas aqueles que lhe viraram as costas. Deus amou aqueles que eram inimigos. De acordo com John Stott, a intensidade do amor é medida, em parte, pelo preço que custou a dádiva ao seu doador, e, em parte, por quanto o beneficiário é digno ou não dessa doação.

Quanto mais custa o presente ao doador, e quanto menos o receptor o merece, tanto maior demonstra ser esse mesmo amor. Medido por esses padrões, o amor de Deus é singular, pois, ao enviar seu Filho para morrer pelos pecadores, ele estava dando tudo, até a si mesmo, àqueles que dele nada mereciam, exceto juízo. Cranfield segue a mesma trilha de pensamento ao declarar que a morte de Cristo evidencia não apenas o amor de Deus por nós, mas também a natureza desse amor. Trata-se de um amor completamente imerecido. Sua origem de modo algum está no objeto amado, mas inteiramente em Deus”. (LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 213-214).

 

 

2. A fé e o amor no ensino de Paulo. O apóstolo nos diz que o amor é a fonte da justiça de Deus imputada ao pecador, concedida pela graça por meio da fé. Assim, fé e amor têm uma correlação inigualável. Aos efésios, Paulo escreveu “Pelo que, ouvindo eu também até que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos (Ef 1.15). Em 2 Tessalonicenses, ele arremata: “Sempre devemos, irmãos, dar Graças a Deus por vós, como é de razão porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros” (2 Ts 1.3). Portanto, segundo o ensino do apóstolo, há uma correlação necessária entre a fé em Cristo e o amor entre os irmãos. Logo, na fé crista, o único débito que temos como crentes em Jesus é o amor reciproco para com os outros. Esse amor deve ser demonstrado na igreja local.    

Comentário

CHAMPLIN elucida: “«…tendo ouvido a fé que há entre vás no Senhor…» Temos aqui menção acerca da fé evangélica, em Cristo, e não mera crença em qualquer credo doutrinário que porventura sigamos. A fé em Cristo inclui, naturalmente, certas crenças a respeito de sua pessoa; mas a própria fé consiste da entrega da alma às mãos de Cristo Jesus, a confiança que parte da própria alma, o que, na realidade, é o começo da conversão. A conversão se compõe da atitude dupla da fé e do arrependimento, e ambos esses seus aspectos são obra do Espirito Santo. (Ver Gál. 5:22 a respeito da «fé» como um dos aspectos do fruto do Espírito Santo. Ver as notas expositivas completas sobre a «fé», em Heb. 11:1. Comparar com o trecho de Gál. 3:26, onde se lê: «…todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus»). Por mais intensa que seja a crença ou profissão verbal e intelectual de qualquer «lista ortodoxa» de doutrinas, isso não pode substituir a fé que se origina na própria alma; pois essas duas coisas não são uma e a mesma coisa. Na fé verdadeira, o indivíduo entrega sua alma eterna a Cristo, a fim de participar do destino prometido aos remidos pelo sangue do Cordeiro. Essa entrega de si mesmo é que recebe o nome de fé, e essa atitude da alma é produzida pelo poder do Espírito Santo(CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 544).

 

3. A dimensão prática do amor na igreja. No ministério de Paulo, o amor tem um caráter prático. E, de acordo com o ensino do nosso Senhor, principalmente conforme apresentado na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), o amor se manifesta na atitude concreta em relação ao outro. Num contexto em que nos acostumamos a denominar o amo como algo abstrato, é preciso mostra-la de maneira concreta no ambiente da igreja local: pastorear com fidelidade os crentes, suprir a necessidade de quem precisa, visitar os irmãos em suas enfermidades, orar uns pelos outros e tudo quanto se apresentar como oportunidade de amar (Rm 13.10).    

Comentário

Ágape significa amor, mas um tipo específico de amor. O amor ágape é muito importante na Bíblia. Só no Novo Testamento aparece 158 vezes. O amor ágape não trata apenas de sentir ou de fazer isso ou aquilo, é um ato de obediência, altruísta, com propósito de fazer o bem àquela determinada pessoa. Um amor que age e que pode ser evidenciado pela relação que Jesus tem com o Pai e conosco (João 3:16; João 13:34-35). É um amor incondicional, que não exige nada. Hernandes Dias Lopes mais uma vez é claro ao afirmar “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (13.10). O amor é benigno, e não maligno. O amor é altruísta, e não egoísta. O amor coloca sempre o outro na frente do eu. O amor respeita a vida do outro, por isso quem ama não mata. O amor respeita a honra e a família do outro, por isso quem ama não adultera. O amor respeita os bens e a propriedade do outro, por isso quem ama não furta. O amor respeita o bom nome do outro, por isso quem ama não se presta ao falso testemunho. O amor não deseja o que é do outro; antes, está contente com o que Deus lhe deu, por isso quem ama não cobiça. William Hendriksen diz que cada mandamento negativo (“Não”) está na base de um mandamento positivo. Portanto, eis o significado: Você amará, e por isso não cometerá adultério, mas preservará a sacralidade dos laços conjugais. Você amará, e por isso não matará, mas ajudará seu próximo a conservar-se vivo e bem. Você amará, e por isso nada furtará que pertença a seu próximo, mas, antes, protegerá suas possessões. Você amará, e como resultado não cobiçará o que pertença a seu próximo, mas se alegrará no fato de que ele possui algo”. (LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 435-436).    

 

 

III – AS TRES VIRTUDES NA IGREJA DE TESSALONICA: FE, AMOR E ESPERANÇA

 

1. As três virtudes teologais (1 Ts 1.3). Veja o que o apóstolo diz em sua oração: “Lembrando-nos, sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai” (1 Ts 1.3 – Grifos nosso). Aos coríntios Paulo escreveu: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” (1 Co 13.13). Assim, as três virtudes que formam uma tríade especial nos ensinos de Paulo são a fé, o amor e a esperança. Tais virtudes devem participar da vida da igreja local.

Comentário

Os Tessalônicenses, novos na caminhada cristã, demonstravam as marcas da maturidade na fé! Possuíam as três virtudes cardeais da vida cristã: fé, amor e esperança (1Co 13.13). Destes três, o maior é o amor. Os propósitos da fé e da esperança serão cumpridos e perfeitamente realizados no céu, mas o amor, a virtude de Deus, é eterno (1Jo 4.8). O céu será o lugar para a expressão de nada a não ser o perfeito amor para com Deus e de uns para com os outros. No dizer de Hernandes Dias Lopes, “O amor é a afeição que é expressa no cuidado altruísta alguém, o tipo de amor que o próprio Deus demonstrou ao enviar Jesus para morrer por nós (Rm 5.8); os cristãos devem demonstrá-lo uns aos outros e para todos os homens (3.12), e sua atitude diante de Deus deve ser da mesma qualidade, expressando-se em completa devoção a Ele (3.6,12; 5.8,13). A esperança é a expectativa confiante de que Deus continuará a cuidar do Seu povo e que o fará vencer as provações e os sofrimentos até chegar à bem-aventurança futura na Sua presença (2.19; 4.13; 5.8)”. (LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 33).

CHAMPLIN também comenta nesse sentido: “Paulo expõe aqui uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido. Vê-se também essa tríada em I Tes. 1:3; 5:8 e Col. 1:4,5. E apesar dos gnósticos terem uma declaração similar, que envolvia quatro virtudes (a fé, o conhecimento, o amor e a esperança), não é provável que Paulo tivesse modificado o pensamento gnóstico para uma tríada. Pelo contrário, ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espirito Santo (ver Gál. 5:22.23_L embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rom. 8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.

A menção de uma «tríada» de valores não diminui a grandiosidade do amor, pois é deixado bem claro que o amor é a maior dessas virtudes; e a sua própria grandeza é ilustrada pelo fato que por maior que sejam a fé e a esperança, o amor ainda é maior. «…o amor…» (Quanto a definições do «amor», ver o primeiro versículo deste capítulo. Quanto a outras notas expositivas sobre o «amor», além das expostas nessa exposição, ver João 14:21 e 15:10). O amor figura nas Escrituras como a maior das virtudes cristãs, pelos seguintes motivos: 1. Porque Deus é amor, que é a maior característica do seu ser. (Ver I João 4:8,16).

  1. Conforme temos podido observar, os dons espirituais, desacompanhados do amor, nada são; pois é através do amor que eles são conduzidos à sua expressão mais perfeita. Assim sendo, o amor é a energia da fé, agora e na eternidade, bem como da esperança, posto que assegura a conquista do grande alvo. Confiamos em um Deus amoroso, no sentido de que as coisas que ele nos confere, como a fé e a esperança são realidades.
  2. Considerando que a natureza divina se caracteriza pelo amor, sabemos que a imortalidade tem de ser um fato, porquanto um Deus amoroso não haveria de criar o homem, dotado de fé e de esperança, para ser reduzido a nada por ocasião da morte física. A mera sobrevivência após a morte física também não explica tudo, pois o amor de Deus exige a realidade de uma elevada inquirição espiritual, na forma de transformação segundo a imagem de Cristo. A fé e a esperança, por conseguinte, bem como todas as demais virtudes, repousam sobre o amor de Deus, para terem valor inerente.
  3. Este capítulo salienta o amor como a maior dessas virtudes cristãs, devido à sua utilidade superior. O amor é finalmente altruísta, e não egoísta. Até mesmo a fé e a esperança podem assumir formas egoísticas, embora não devem as coisas ser assim; mas o amor jamais pode assumir cal deturpação egoística, noraue o amor é a essência mesma do altruísmo.
  4. O amor é a base de toda ação moral. O amor cumpre a lei inteira (ver Rom. 13:9 e ss.).
  5. Em si mesmo, o amor é a maior das virtudes espirituais (ver Gál. 5:22), a raiz de todas as demais virtudes.
  6. Também é comprovação de espiritualidade, baseado como está o amor sobre o novo nascimento (ver I João 4:7,8).

«O amor, como dissemos, é símbolo da eternidade. Apaga todo o senso do tempo, destruindo toda a memória de um começo, e sem qualquer temor de um fim». (Madame de Stael, em Corina). «Retire alguém o amor da vida, e será retirado todo o seu prazer». (Molière, em Cavalheiro Burguês). O amor se assemelha ao resto da vida. Sem amor, a vida perde o seu sabor. A fé desaparecerá da visão, A esperança se esvaziará no deleite, O amor no céu brilhará mais, Portanto, dai-nos o amor! «O amor ocupa uma posição suprema; de fato, tanto a fé como a esperança pereceriam sem o amor». (Shore, in loc.). Sim, o amor é a «maior» dessas virtudes porque, no dizer de De Wett, (in loc.): «…contém em si mesmo a raiz das duas outras virtudes: cremos em alguém a quem amamos, e esperamos somente naquilo que amamos». «Nada no mundo vive e prospera senão à sombra do amor. Correi a série orgânica inteira, e encontrá-lo-eis por toda a parte, e presidindo aos destinos da vida… Subi às regiões etéreas, onde os astros colossais percorrem em órbitas infinitas a rota que a mão do Criador lhes imprimiu, subi nas asas do pensamento, e vereis que os mundos não se precipitam nos abismos incomensuráveis do espaço, produzindo a mais pavorosa das catástrofes, antes giram harmônicos e submissos à lei suprema da ordem, porque os dirige uma força misteriosa e soberana—a atração universal, outra forma de amor»”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 213).

 

2. A virtude da fé. A primeira virtude é a fé. Na Carta aos Tessalonicenses, a fé se refere ao efeito prático que o apóstolo denomina de “obra da fé”. Essa obra estava presente na igreja dos tessalonicenses e Paulo sentia-se grato a Deus por isso. Assim, somos encorajados a produzir frutos na igreja local como reflexo da nossa fé (Tg 2.18).    

Comentário

A fé produz obras. Quando uma pessoa crê verdadeiramente em Jesus, ela se torna operosa no Reino de Deus. Matthew Henry diz que onde quer que exista uma fé verdadeira, encontraremos obra, pois a fé sem obras é morta (Tg 2.14).4′ Salvação conduz ao serviço. Quanto mais robusta é a fé que um povo tem em Cristo, tanto mais dedicado é o seu trabalho para Ele. A palavra traduzida por “operosidade” é ergon, trabalho ativo ou todo o trabalho cristão governado e energizado pela fé. William Hendriksen diz que cuidar dos doentes, consolar os que estão à morte, instruir os incultos, tudo isso e muito mais ocorre à lembrança. Contudo, considerando os versículos 6-10 deste capítulo, parece que o apóstolo se refere, sobretudo, à obra de propagar o evangelho, e de fazer isso até mesmo em meio a terrível perseguição. Isso, sim, foi uma obra resultante da fé”. (LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 33-34).

É muito importante centramos aqui o que Paulo denomina de «…a operosidade da vossa fé …». CHAMPLIN esclarece: “Nas páginas do N.T., a «…fé…» quase sempre é a fé «evangélica», em seu sentido «subjetivo». Em outras palavras, há aqui alusão à «fé deles», ao exercício de sua confiança em Cristo e em seu evangelho—a fé salvadora, enfim. Trata-se da «confiança que parte da alma», e não apenas de confiança em Cristo, embora isso também diga uma verdade. (Notas expositivas completas são dadas acerca da natureza desse tipo de fé em Heb. 11:1). Toda a fé, inicial e progressiva, é fruto do Espírito Santo (ver Gál. 5:22) são dádiva de Deus. (Isso é comentado em Efé. 2:8 e Fil. 1:29). Em contraste com esse aspecto da «fé», a fé «objetivação dos «princípios básicos» da fé, como um credo ou sistema doutrinário, como um conjunto de crenças que caracteriza algum grupo ou algum indivíduo. O justo vive (em sua vida espiritual, no exercício da mesma) «de fé em fé». (Ver Rom. 1:17 quanto a notas expositivas relativas a esse conceito). A « …operosidade …» da fé, neste caso, é a atividade, o desenvolvimento espiritual, o esforço evangélico que a fé cristã inspira; é também a prática da fé cristã diária, tanto no que diz respeito ao próprio crente individual como no que concerne àqueles que o circundam.

Conforme comenta Robertson (in lo c .) : «É interessante observarmos a incisiva junção dessas duas palavras, por Paulo. Somos justificados pela fé; mas a fé também produz boas obras (ver Rom. 6 – 8), conforme João Batista ensinava, conforme Jesus ensinava, e conforme Tiago o faz, no segundo capítulo de sua epístola». E isso pode ser confrontado com o trecho de Gál. 5:6, onde se aprende que aquilo que tem valor, diante de Cristo, não é a religião legalista e cerimonial, mas a fé, que «…opera pelo amor…» Por conseguinte, está aqui em foco toda a atividade e spiritual que tem esse alicerce e essa motivação. É Deus quem opera em nós «…tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade» (Fil. 2:13). E essa é a razão pela qual, por nossa vez, ocupamo-nos de obras santas, desenvolvendo nossa salvação, conforme se vê no versículo anterior ao que acabamos de citar”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 168).

 

3. A virtude do amor. Em 1ºTessalonicenses 1.3, o apóstolo fala do “trabalho do amor”. Ora, o que podemos entender por isso? Havia um senso coletivo nos Tessalonicenses de que os seguidores de Jesus deveriam trabalhar motivados pelo amor ao nosso Senhor. O “trabalho do amor” era algo muito concreto. Em Tessalônica não existia doutrina destituída de amor. Estamos diante de uma igreja doutrinária e cheia de amor prático.

Comentário

O amor produz serviço intenso. A palavra usada por Paulo para “abnegação” é kópos, trabalho exaustivo, labor. A palavra denota o trabalho árduo e cansativo, que envolve suor e fadiga. Enfatiza o cansaço que decorre da utilização de todas as energias da pessoa. Nós evidenciamos o nosso amor por Cristo por aquilo que fazemos para Ele. Nós demonstramos amor ao próximo não apenas com palavras, mas com atitudes concretas de serviço”. (LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 34).

Trata-se de ardor, um exercício cansativo. O trecho de 2Ts 1.11 diz: “cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé…”, o que expressa uma menção ainda ‘mais enfática da mesma atividade e realização, que se espera aparecer devido à fé viva, que se agita na alma do cristão, advinda da força do Espírito Santo que habita em nós, é Ele quem empresta energia divina a todo o nosso trabalho espiritual.

Ê o amor cristão que produz essa espécie de «operosidade» ou «labor». O amor é o poder que transcende ao que é terreno, que não conhece limite para o que é mortal e mundano. Esse é o poder divino, outorgado aos homens. Todo o autêntico amor que se manifesta no mundo, nos crentes e mesmo nos incrédulos, vem através do Espírito de Deus. O amor é um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo» (Gl 5.22).

 

 

4. A virtude da esperança. O apóstolo usa também a expressão “paciência da esperança”. A palavra “paciência” tem o sentido de resistência e perseverança. A ideia sugere uma “perseverança da esperança”. O que Paulo tinha em mente ao usar a expressão “paciência da esperança” era o sofrimento dos tessalonicenses com a perseguição que estavam suportando por amor a Cristo. E eles se comportavam assim com a alegria do Espírito Santo. O exemplo da igreja de Tessalônica nos ensina que a esperança cristã traz alegria ao coração de quem está suportando grandes tribulações e adversidades por amor a Cristo. Isso tocou o coração do apóstolo. E deve também tocar o nosso, encorajando-nos a perseverar alegremente na fé e no cuidado de Deus (At 5.41. Tg 1.2: 1 Pe 4.13).    

Comentário

A esperança produz paciência triunfadora. A igreja de Tessalônica estava com os pés na terra, mas com os olhos no céu. Ela servia no mundo, mas aguardava a glória do céu. Sua esperança não era vaga, mas firme. A palavra que Paulo usou para “firmeza” é uma das mais ricas da língua grega. E hupomone, que significa paciência triunfadora. Fritz Rienecker diz que hupomone é o espírito que suporta as coisas, não com mera resignação, mas com uma viva esperança. É o espírito que suporta as coisas porque sabe que elas estão a caminho de um alvo de glória”. (LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 34).

CHAMPLIN vai concluir nossa lição de hoje nos ensinando que “A palavra «…esperança… » pode ser entendida aqui em sentido «subjetivo», isto é, a esperança que exercemos, aguardando a plena fruição de nossa salvação; e, no presente versículo, em particular, salienta-se a segunda vinda de Cristo, que será um grande salto para diante, na experiência da salvação e da glorificação. Mas a esperança também pode ter um sentido «objetivo», isto é, «a realidade esperada», como a «esperança guardada nos céus», a «fruição» ou «realização» daquilo que se espera. (Ver Col. 1:5). No presente versículo, entretanto, devemos entendê-la como «subjetiva». Está em pauta aquela atitude de confiança em Cristo, crendo que ele cumprirá as suas promessas. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «esperança», tanto em seu sentido subjetivo como em seu sentido objetivo, ver Rom. 8:24,25). E vemos que essa esperança cria em nós a «firmeza». «…firmeza da vossa esperança…» No grego temos o vocábulo «upomone», que significa «paciência», «constância», «resistência». Neste ponto a esperança é pintada como uma simples «espera paciente». Todavia, a ideia de «paciência», neste caso, não é o que geralmente se pensa sobre o termo, isto é, uma espécie de atitude que nos faz «sorrir e esperar», o aguardo manso pela melhoria ou pelo resultado que esperamos. Antes, a esperança se baseia aqui na ideia da «constância», da «resistência», que se mostra constante, a despeito das perseguições. Trata-se da «constância» nos propósitos e no labor, enquanto o crente aguarda o retorno de Jesus Cristo, o que, por sua vez, nos inspira a constância”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 168).

 

CONCLUSÃO

Esta lição nos ensina que devemos amar a igreja em que congregamos. Esse era o sentimento do apóstolo pela igreja de Tessalônica. Seu coração se alegrava pela fidelidade e lealdade dos tessalonicenses aos ensinos de Cristo. A igreja local é a forma visível da Igreja de Cristo, por isso devemos amá-la.    

Comentário

Mais uma não é de mais lembrar, nosso amor é direcionado ao Corpo de Cristo, a igreja que foi escolhida soberana e livremente pelo Pai desde a eternidade. Foi remida pelo sangue de Cristo e selada pelo Espírito Santo. A igreja é o corpo de Cristo em ação na terra, é o santuário da habitação de Deus, a noiva do Cordeiro, a coluna e baluarte da verdade. A igreja deve ser depositária e portadora da verdade. Fora da verdade não há evangelho para pregar, não há salvação para receber nem esperança que sirva de âncora para a alma.

Logicamente, a comunidade onde estamos inseridos, deve ser alvo do nosso zelo, dedicação, trabalho, mas não podemos incorrer no erro de entender que nossa devoção amorosa à igreja é à igreja local e somente a esta. A lição deve ser ministrada com muito cuidado para não levar ao erro!

Muito respeito ao comentarista da revista pela história cristã e devocional, mas creio que há um equívoco quando ele conclui “A igreja local é a forma visível da Igreja de Cristo, por isso devemos amá-la”. A única forma que o mundo tem para ver a Cristo é através da Igreja, o Corpo de Cristo. A igreja é um organismo vivo, caminhando por toda a extensão dessa terra, infiltrada nas mais diversas áreas de atuação, buscando conhecer a vontade de Deus para ser parte de um projeto eterno, pelo qual Ele cumprirá o seu propósito de redenção do homem, domínio do Reino de Deus e restauração de todas as coisas (Ef 1:22,23; Ef 1:7-10). Ser cristão significa viver em união com Jesus e com o resto da igreja (1Co 12.12-13). Precisamos estar unidos a Jesus, porque ele nos dá a vida e a salvação. Sem Jesus, não podemos fazer nada. Mas também precisamos ter comunhão com outros cristãos. Sozinhos não conseguimos crescer nem viver uma vida cristã saudável. É necessário participar de um grupo de fiéis unidos pela mesma fé e que celebram as mesmas doutrinas religiosas - a igreja local é um grupo de cristãos que se reúnem regularmente em nome de Cristo para confirmar e supervisionar legitimamente a participação uns dos outros em Jesus Cristo e em Seu Reino, mediante a pregação do evangelho e a prática de suas ordenanças (Jonathan Leeman).

 

PARA REFLETIR

A respeito de “Paulo e seu Amor pela Igreja”, responda:  

·         O que a Primeira Carta de Paulo aos tessalonicenses atesta?

A primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses atesta o amor do apóstolo pelos membros dessa igreja (1.2,3).  

·         Qual elogio Paulo fazia aos tessalonicenses?

Um dos elogios de Paulo aos tessalonicenses era a respeito do modo como eles receberam a Palavra e sua prática em coerência com o ensino recebido  

·         O que o apóstolo mostra como expressão suprema do amor?

O apóstolo mostra que a expressão suprema desse amor é a crucificação de Jesus no Calvário, seu doloroso sacrifício.  

·         O que há entre a fé e o amor no ensino de Paulo?

Uma correlação inigualável  

·         Quais as três virtudes que formam uma tríade especial nos ensinos de Paulo?

Fé, amor e esperança.