Classe Virtual:

24 de outubro de 2021

LIÇÃO 5: “JESUS CRISTO, E ESTE CRUCIFICADO” – A Mensagem do Apóstolo

 



 

TEXTO AUREO

“Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos.” (1 Co 1.23)

 

VERDADE PRATICA

O Cristo Crucificado, o centro da mensagem da cruz, é a encarnação da verdadeira sabedoria para a salvação.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Coríntios 1.18-25; 2.1-5

 

INTRODUÇÃO

Paulo descobriu a verdade sobre o Cristo crucificado e ressurreto e, por isso, sua missão de vida foi pregar aos judeus e aos gentios. O Cristo Crucificado era o Salvador prometido nas profecias dos antigos profetas de Israel. Assim, o Crucificado foi sua mensagem central. Para ressaltar essa centralidade, devemos prestar atenção nas expressões que se destacam em suas cartas: “Evangelho de Cristo”, “Cristo Crucificado” e “Cristo Ressurreto”. Nesta lição, veremos o quanto a mensagem da cruz traz impacto à nossa vida espiritual e pessoal. 

 

Comentário

Paulo só tem uma mensagem: Cristo crucificado é o poder de Deus para os judeus e a sabedoria de Deus para os gregos. Nós somos chamados à comunhão por causa da nossa união com Cristo: Ele morreu por nós. Nós fomos batizados em Seu nome. Nós estamos identificados com Sua cruz. Que maravilhosa base para a unidade espiritual!

Cristo crucificado. O único sinal verdadeiro e a única sabedoria verdadeira. Era somente essa a mensagem que Paulo pregaria (At 2.2) porque somente ela tinha poder para salvar todo aquele que cresse. Embora Paulo tivesse exposto todos os desígnios de Deus à igreja (At 20.27) e ensinado aos coríntios a Palavra de Deus (At 18.11), o foco de sua pregação e de seu ensino aos incrédulos era Jesus Cristo, o qual pagou na cruz a penalidade pelo pecado (At 20.20; 2Co 4.2; 2Tm 4.1-2). Até que as pessoas compreendam e creiam no evangelho, não há nada mais a ser dito a elas. A pregação da cruz (1.18) era tão dominante na Igreja primitiva que os cristãos eram acusados de adorar um homem morto!

J. Oswald Sanders escreve em ‘Paulo, O Líder Uma visão para a liderança cristã hodierna (Vida): “Na opinião de Paulo, a fé cristã girava em torno de dois centros — o Calvário e o Pentecoste — acontecimentos históricos bem documentados. No momento de sua conversão, raiou-lhe na alma o verdadeiro significado da Cruz, e imediatamente depois ele experimentou as bênçãos do Espírito Santo trazidas pelo Pentecoste. Daí para a frente ele expressou sua atitude de modo coerente: “Longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo” (Gálatas 6:14). O Calvário foi uma magnífica demonstração de amor sacrificial, mas sem a dinâmica liberada pelo Espírito Santo no Pentecoste, não teríamos vida espiritual. O Pentecoste foi o complemento necessário do Calvário. A descida do Espírito Santo tornou real na experiência dos crentes aquilo que o Calvário fizera possível”. (Sanders. J. Oswald. Paulo, O Líder Uma visão para a liderança cristã hodierna. Editora: Vida. pag. 54).

 

I – A CENTRALIDADE DA PREGAÇÃO DE PAULO

 

1. O ministério de pregação e o Cristo Crucificado. Sem menosprezar os demais escritores do Novo Testamento, indiscutivelmente, o apóstolo Paulo foi o maior teólogo cristão e doutrinador do Cristianismo. Suas cartas, baseadas na fidelidade aos ensinos de Cristo, lançaram os fundamentos das doutrinas cristãs. Embora Paulo não tenha convivido fisicamente com Jesus, ele recebeu toda a revelação do próprio Cristo (Gl 1.12) para pregar o Evangelho sem se opor aos ensinos dos outros apóstolos. Por intermédio desse ministério, judeus e gregos, orgulhosos de sua religiosidade e conhecimento, descobriram que a manifestação da sabedoria de Deus ao mundo é o “Cristo Crucificado”. Por isso, judeus e gentios são chamados por Deus para ver no “Crucificado” o único meio de salvação e de verdadeira sabedoria (1 Co 1.24).

 

Comentário

A origem do evangelho de Paulo não é humana, mas ele recebeu por revelação, da parte do Senhor Jesus. Mais uma vez, ele defende seu evangelho, mostrando de forma eloquente que este não é segundo o homem e não foi aprendido de homem algum. Nem a fonte do seu evangelho nem o método pelo qual Paulo o recebeu eram humanos. O evangelho lhe veio por revelação de Jesus Cristo: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem, porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum...” (Gl 1.11,12a).

Para todos os "chamados", a mensagem da cruz, que parece tão sem propósito e irrelevante para a mente natural e orgulhosa do ser humano, na verdade exibe a grandeza do poder e da sabedoria de Deus. Quando alguém olha para Jesus, vê nele o poder de Deus. Paulo fala para os judeus e para que aqueles que estão querendo milagres, que Jesus é o maior milagre. Ele é o poder de Deus. Paulo olha para os gregos que estão buscando sabedoria e diz: Jesus é a sabedoria de Deus. Jesus é quem revelou Deus. Jesus é a síntese da sabedoria. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria (Cl 2.3). A sabedoria de Deus está no evangelho. Os gregos não olharam para a cruz do ponto de vista de Deus. Paulo pergunta ao sábio, ao escriba e ao filósofo se eles conheceram a Deus por intermédio de seus estudos (1.20,21)? Não! Eles conheceram a Deus por meio do evangelho. O Pastor Hernandes Dias Lopes, citando Adolf Pol, escreve: ““O Crucificado é a realidade que sustenta tudo e sem a qual todo o nosso mundo pereceria. Ela constitui praticamente o mar da verdade que nos rodeia de todos os lados””. (LOPES. Hernandes Dias. GÁLATAS A Carta da Liberdade Cristã; Editora HAGNOS; pág 27).

Leon Morsis escreve em ‘Corintos Introdução e Comentário (Mundo Cristão): “Mas essa não é a história toda. Se o homem natural, seja ele judeu ou grego, instintivamente rejeita a mensagem da cruz, o homem que é chamado por Deus, judeu ou grego, a acolhe. Há ênfase na ideia de chamamento, e nós poderíamos traduzir, ‘‘õs chamados, eles próprios” (como na VRmg). O fato relevante é que eles foram chamados por Deus. Tudo mais é sem importância. Aqui, como é costume nos escritos de Paulo, chamados contém a idéia de chamamento eficaz. Está implícito que o chamamento foi ouvido e obedecido. Os homens chamados desta forma sabem que o Cristo crucificado significa poder. Antes de serem chamados, não podiam dominar o poder do pecado. Agora podem. Cristo é o poder de Deus. Ele é também a sabedoria de Deus. Esta passagem toda está interessada na sabedoria. Evidentemente os coríntios a tinham salientado. Os gregos habitualmente a buscavam. A cruz parece nada mais que uma consumada loucura. Contudo, a cruz em que o filho de Deus foi pendurado pelos homens provou que é o poder de Deus. Nela o pecado foi derrotado. Também provou que é a sabedoria de Deus. A sabedoria do mundo não podia encontrar Deus, nem tinha poder sobre o mal. A cruz revelou Deus e deu aos homens o poder de que necessitavam. Ao nível da busca de sabedoria, aquela “ loucura” de Deus provou que é a verdadeira sabedoria (Leon Morris. I Corintos Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 37).

 

 

2. A palavra da Cruz é a loucura da pregação. Em uma das cartas de Paulo, lemos: “Porque a palavra da cruz é loucura” (1 Co 1.18). Havia uma mentalidade na época paulina em que “a palavra da cruz” era uma afronta aos religiosos e filósofos. Por exemplo, acreditar que uma execução romana podia ser um instrumento pelo qual a salvação de pecadores fosse consumada, era tolice para eles. Nesse sentido, a cruz de Cristo não produziu atração, mas rejeição, pois era um instrumento de suplício e morte.

 

Comentário

A palavra da cruz é a revelação total de Deus, ou seja, o evangelho em sua plenitude, centrado na encarnação e crucificação de Cristo; aqui está sendo considerado todo o plano divino e provisão para a redenção dos pecadores, o qual é o tema de toda a Escritura. É interessante ressaltar que o termo loucura traduz a palavra da qual "débil mental” é derivada; e se perdem ... somos salvos, cada pessoa está ou no processo de salvação (apesar de esta não se completar até a redenção do corpo, conforme Rm 8.23; 13.11) ou no processo de destruição. A resposta de uma pessoa à cruz de Cristo determina qual deles. Para os que rejeitam a Cristo, os quais estão no processo de serem destruídos (Ef 2.1-2), o evangelho é loucura. Para aqueles que são cristãos, é sabedoria poderosa!

A cruz ocupa um lugar central na proclamação do evangelho. E tanto o ponto climático de uma vida de auto-renúncia quanto o instrumento designado de salvação. Paulo introduz um contraste entre o poder do evangelho e a fraqueza da sabedoria humana. Ele mostra que os grupos que existiam dentro da igreja olharam para a cruz em três perspectivas diferentes. Paulo diz: “[...] mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1.23,24).

Calvino, comentando 1º Coríntios, afirma: “Porque a palavra da Cruz. Nesta primeira sentença, ele faz uma concessão. Porque, visto ser fácil objetar que o evangelho comumente é considerado com desdém, se ele vem a ser conhecido numa forma despida e insignificante, Paulo espontaneamente o admite. Mas quando ele acrescenta que esse é o ponto de vista daqueles que estão a perecer, significa que pouquíssimo valor se deve pôr em sua opinião. Pois quem iria querer condenar o evangelho às custas de sua perdição? Portanto, esta expressão deve ser entendida nestes termos: “A pregação da cruz é considerada loucura por aqueles que estão a perecer, justamente porque ela não possui qualquer atavio de sabedoria humana que o recomende. Seja como for, em nossa opinião, não obstante, a sabedoria de Deus está vividamente irradiando-se dela.” Paulo, contudo, indiretamente está censurando o juízo pervertido dos coríntios, os quais se deixavam facilmente fascinar-se por palavras sedutoras de mestres megalomaníacos, e ainda olhavam com desdém para o apóstolo que era dotado com o poder de Deus para a salvação deles, e procediam assim simplesmente porque ele se devotava à proclamação de Cristo. Em meu comentário aos Romanos [1.16] expliquei de que maneira a proclamação da cruz é o poder de Deus para a salvação”. (Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 56-57).

 

 

3. Para os judeus e gregos. A cruz era considerada loucura porque chocava a sabedoria humana. Enquanto os judeus queriam sinais físicos, milagres visíveis, os gregos desejavam argumentos filosóficos que mostrassem a lógica da mensagem. Assim, o conteúdo da mensagem de Paulo gerava escândalo para os judeus, pois a cruz não era um espetáculo suntuoso; e, ao mesmo tempo, contrariava a retórica erudita dos filósofos gregos por causa de sua simplicidade (2 Co 11.3). Entretanto, embora simples, a mensagem de Paulo era poderosa em Deus (1.18). A palavra da cruz preenche as necessidades da alma humana, enquanto a sabedoria humana não o faz. O Evangelho é poderoso para salvar o homem que crê. Logo, para os que perecem, a palavra da cruz é loucura; mas para nós, os cristãos, é o poder de Deus para salvar o ser humano.

 

Comentário

Hernandes Dias Lopes escreve em ‘II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade (Hagnos): “Em segundo lugar, seu temor (11.3). “Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo” (11.3). Os falsos apóstolos estavam pregando em Corinto uma nova versão do evangelho. Eles eram servos de Satanás, e não de Deus. Estavam a serviço da mentira, e não da verdade. O propósito deles era enganar, e não edificar. A bandeira deles era desviar os crentes da simplicidade e pureza devidas a Cristo. O termo traduzido por “simplicidade” significa “sinceridade, devoção única”. Um coração dividido conduz a uma vida corrompida e a um relacionamento destruído. A arma desses falsos apóstolos era a mesma da serpente, a astúcia. No jardim do Eden a serpente enganou Eva questionando a Palavra de Deus, negando a Palavra de Deus e, por fim, substituindo-a pela própria mentira. De igual forma, os falsos apóstolos torciam a Palavra de Deus com o propósito de enganar. Suas setas eram dirigidas à mente. Enganam-se aqueles que pensam que o sexo era o fruto proibido, que os nossos primeiros pais comeram. A sedução da serpente atingiu a mente de Eva. O primeiro ataque de Satanás não é moral, mas teológico. Primeiro, as pessoas se desviam da verdade, depois, elas corrompem-se, moralmente. Primeiro, a mente corrompe-se, depois, o coração endurece. Primeiro, vem a impiedade, depois, a corrupção (Rm 1.18). Bruce Barton lança luz sobre o assunto quando escreve, O foco aqui é a mente dos coríntios. O pecado começa com os pensamentos. A serpente, primeiro tentou convencer Eva que a Palavra de Deus não era o melhor para ela, que havia mais vantagens em desobedecer a Deus do que obedecê-lo. Satanás sabia que se a mente fosse convencida, as ações seguiriam imediatamente. Eva foi persuadida pela mentira de Satanás, e, em seguida, comeu do fruto proibido. Da mesma forma, os falsos mestres eram servos de Satanás, enganando os coríntios para abandonarem sua devoção a Cristo. Paulo sabia que a mente é o principal campo de batalha na guerra espiritual (10.5). Por essa razão, tratou com os falsos mestres de forma tão incisiva(LOPES, Hernandes Dias. II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade. Editora Hagnos. pag. 242-243).

 

 

II – EXPRESSÕES-CHAVE NA DOUTRINA DE PAULO

Há algumas expressões de grande importância no ministério de pregação do apóstolo Paulo: “Evangelho de Cristo”, “Cristo crucificado” e “Cristo ressurreto”. Vejamos:

 

1. “Evangelho de Cristo”. Além de aparecer nos quatro Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), a palavra “evangelho” também aparece nas cartas de Paulo: “evangelho de Cristo” (Rm 1.16). Das 76 ocorrências dessa palavra no NT, 54 vezes a encontramos nas cartas paulinas. Por isso, podemos dizer que ela é central para a doutrina ensinada pelo apóstolo. No Novo Testamento, a palavra grega para “evangelho” é evangelion. O prefixo eu é uma forma neutra da palavra que significa “bom, bem feito”. Assim, a palavra “evangelho” significa “boa-nova; boa notícia que se leva às pessoas”. Nosso Senhor ordenou que fosse levada a boa-nova da sua doutrina a toda criatura (Mc 16.15). Paulo fez assim e, não por acaso, identificava sua pregação como “o evangelho de Deus” (1 Ts 2.2,8,9; 2 Co11.7; Rm 1.1,15,16). O seu Evangelho era a manifestação do poder de Deus (Rm 1.16,17). É um poder divino e dinâmico que atua de maneira imediata na vida do pecador.

 

Comentário

O significado de evangelho é “boa notícia”, “boa nova”. Sua origem vem do grego euangelion. Apesar do termo “evangelho” poder ser aplicado em outros contextos, como em seu sentido clássico e original para se referir a recompensa dada pela entrega de boas notícias, obviamente sua aplicação mais conhecida é o sentido que possui na literatura cristã, no caso, referente à mensagem essencial da salvação. O evangelho é uma notícia muito boa! Todos nós pecamos e, por isso, merecemos castigo. O castigo do pecado é a morte e a separação eterna de Deus. Deus é justo mas Ele também nos ama e não quer nossa destruição. Por isso, Ele enviou Jesus para pagar o preço por nós (Rm 3.23-24). Jesus veio para morrer em nosso lugar. Na cruz, Jesus levou nossos pecados, pagando o castigo que nós merecemos. Mas Jesus não permaneceu morto. No terceiro dia ele ressuscitou! O preço estava completamente pago (1Pd 2.24).

Em Gálatas 1.6-10, Paulo afirma que há um só evangelho, e que este evangelho é o critério pelo qual todas as opiniões humanas devem ser testadas. É o evangelho que Paulo apresentou.

O Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento (CPAD) nos traz a seguinte afirmativa: “Paulo conclui sua extensa abertura da carta, na qual ele se esmerou em se apresentar a si mesmo e ao evangelho que ele prega, com uma declaração temática sobre a natureza do seu evangelho. Por causa da oposição que sua mensagem instigava, tanto dentro de círculos cristãos (cf. Rm 3.8) quanto fora, ele prefacia sua declaração com forte afirmação: “[Eu] não me envergonho do evangelho de Cristo”. Usando esta frase, Paulo identifica sua pregação com o mesmo evangelho do qual Jesus ordenou que seus seguidores não tivessem vergonha (Mc 8.38; Lc 9-26). Paulo não se envergonha do evangelho porque nada mais é que o veículo do “poder [dynamis] de Deus”, capacitando todos os que creem a serem salvos da ira, tanto agora (cf. v. 18) como no tempo do fim. O evangelho, a proclamação da obra de Deus em Cristo, efetua a salvação que descreve. Como afirma Wright: “O evangelho […] não é apenas sobre o poder de Deus que salva pessoas. É o poder de Deus em ação para salvar pessoas” (1997, p. 6l). Quando o evangelho é pregado, vicias são tocadas e transformadas pelo poder de Deus. A ordem de salvação dada ao término do versículo 16: “Primeiro do judeu e também do grego”, reflete a primazia dos judeus como povo escolhido de Deus. A ordem aparece neste contexto não tanto como uma declaração de prioridade, mas como uma proclamação da abrangência do evangelho. Dito de outra maneira, Paulo está dizendo que este é o meio exclusivo de salvação para judeus e gentios. O que ele quer dizer com isso ficará evidente na carta: A lei já não é um fator na equação da justiça(Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 819).

Paulo bradava: “Sou devedor! Estou pronto! Não me envergonho!” Essa deve ser a razão pela qual a igreja de hoje deve lutar, deve se esforçar em manter a sua pureza, deve afastar toda e qualquer inovação que intente retirar a centralidade do Evangelho de nossos púlpitos! E note: a centralidade do Evangelho indica que ele é pregado de forma que os ouvintes entendam, é aplicado de forma que os ouvintes vivam o que aprenderam!

 

2. “Cristo Crucificado”. Em Gálatas 3.1, Paulo escreve: “[…] Não foi diante dos olhos de vocês que Jesus Cristo foi exposto como crucificado?” (NAA). A palavra da cruz, na lógica paulina, é o tema dominante na mensagem do Evangelho. Se o mundo julgava como loucura a mensagem do Messias Crucificado, o apóstolo afirmava que a mensagem era a mais sublime demonstração da sabedoria de Deus. Ora, a cruz traz uma ideia de fraqueza ou loucura a quem não crê, mas “poder” e “sabedoria” de Deus para os que creem no Senhor. Esse contraste entre “sabedoria” e “loucura” está presente na mensagem de Paulo (1 Co 2.6). Os homens não conseguem alcançar a sabedoria divina, pois estão escravos do pecado e, por isso, para eles essa sabedoria é loucura. Por isso que o Evangelho não foi anunciado por mera sabedoria humana, mas apresentado por meio de “Jesus Cristo, o Crucificado” (1 Co 2.2). Não podemos deixar de pregar o Cristo Crucificado. O tema da expiação dos pecados deve ser mais pregado e ensinado em nossas igrejas.

 

Comentário

O evangelho que Paulo pregava, é o mesmo evangelho que a nossa igreja prega. Sim ou não? Essa deve ser a pergunta que nos levará a um patamar mais elevado! Os homens mudaram, os tempos mudaram, mas o evangelho continua sendo o mesmo, a mensagem de salvação não mudou e nunca mudará. Por isso o verdadeiro cristão não se envergonha do evangelho, e nem faz vergonha ao evangelho. A pregação de Paulo havia apresentado o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo publicamente diante dos gálatas, esse é o significado da palavra “exposto” usada pelo apóstolo em Gl 3.1. A crucificação de Cristo foi um fato histórico único com resultados permanentes para toda a eternidade. A morte sacrifical de Cristo forneceu o pagamento eterno pelos pecados dos cristãos (Hb 7.25), e não precisa ser complementado por quaisquer obras humanas.

O Pastor Elienai Cabral escreve em sua obra de apoio a esta lição: “A segunda expressão-chave da pregação de Paulo é “Cristo crucificado” de 1 Coríntios 1.23: “Mas nós pregamos a Cristo crucificado”. Sem dúvida, a centralidade da cruz na pregação e ensino de Paulo é o evangelho caracterizado em sua própria declaração: “Mas nós pregamos a Cristo Crucificado”. Martinho Lutero comparou a teologia da glória que alguns teólogos preferiam com uma “teologia da cruz”, uma vez que alguns teólogos relegavam a mensagem da cruz como algo vergonhoso. Ora, a teologia da cruz é aquela na qual que Deus revelou o “Cristo crucificado”. “Para Lutero, a cruz não era apenas a base da salvação humana, era a base da auto-revelação divina, na qual se encontrava a verdadeira teologia e o conhecimento de Deus”. Na verdade, o centro de gravidade da teologia de Paulo está na morte e ressurreição de Jesus. Esses dois elementos da obra salvadora de Deus exercem papel decisivo como solução para o perdão dos pecados. Paulo disse aos gálatas (3.1) que “Jesus Cristo foi exposto diante dos olhos de todos como crucificado” (NAA). O Cristo crucificado diante dos judeus foi inaceitável tanto quanto foi loucura para os gentios. A crucificação era para os judeus a mais degradante e vergonhosa das mortes que os romanos faziam. Por isso, um Cristo poderoso, Filho de Deus e o Messias Prometido não podia ser aquEle que foi crucificado pelos romanos. Mas Paulo entendeu pelo Espírito que o “Cristo Crucificado” era “poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Co 1.24). A palavra da cruz, na lógica de Paulo, era o tema dominante da mensagem do evangelho. O mundo julgava loucura a mensagem do Messias crucificado, mas Paulo afirmava que essa mensagem era a mais sublime demonstração da sabedoria de Deus. A ideia que a cruz oferece é de fraqueza e loucura, mas para os que creem em Cristo é “poder de Deus e sabedoria de Deus”. O contraste entre loucura e sabedoria é demonstrada por Paulo quando este declara que “a sabedoria deste mundo se reduz a nada” quando comparada e contrastada com a sabedoria de Deus (1 Co 2.6). A sabedoria de Deus, quando contrastada com a mensagem da cruz, torna-se impossível de ser reconhecida pelos ímpios. Por isso, o conteúdo de sua mensagem não era a linguagem atrativa de sabedoria humana, mas “Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Co 2.2). Paulo insiste que sua mensagem era uma mensagem de sabedoria (1 Co 2.6). Esta é a mensagem que precisa ser resgatada no meio cristão: “O Cristo crucificado e ressuscitado”. Está faltando nos nossos púlpitos evangélicos mensagens que centralizem a morte de Jesus e sua ressurreição, não apenas em datas comemorativas, mas sempre. A doutrina da expiação precisa ser mais pregada e ensinada. Somos tentados a pregar temas modernos com linguagem rebuscada na sabedoria secular, mas o Espírito quer resgatar o conteúdo de nossa mensagem voltando às origens do evangelho que não se envergonha da cruz de Cristo”. (Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021).  

 

3. “Cristo Ressurreto”. Não há importância na morte de Cristo se Deus não o tivesse ressuscitado. Sem a ressurreição, a cruz não teria sentido. Em vão seria a nossa pregação sobre a morte de Jesus Cristo (1 Co 15.14). Por isso, o apóstolo descreve de maneira sublime: “Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3,4). A ressurreição de Cristo é reafirmada pelo apóstolo; ela completou a obra de salvação, consumando a nossa libertação do domínio do pecado e a nossa justificação diante do Senhor. Logo, a relação entre a cruz e o túmulo vazio de Jesus expressa o real significado da cruz. Ora, a crucificação e a ressurreição formam uma unidade. Portanto, nosso Senhor é proclamado como o Crucificado e, ao mesmo tempo, o Ressurreto.

 

Comentário

Escrevendo à Igreja Coríntia, Capítulo 15.13-19, Paulo apresenta seis consequências desastrosas caso não houvesse ressurreição:

1) a pregação de Cristo não teria sentido (v. 14);

2) a fé em Cristo seria inútil (v. 14);

3) todas as testemunhas e pregadores da ressurreição seriam mentirosos (v. 15);

4 ) ninguém seria redimido do pecado (v. 1 7);

5) todos os cristãos antigos teriam perecido (v. 18); e

6) os cristãos seriam as pessoas mais infelizes da terra (v. 19).

O mais incrível da mensagem do Cristo Ressurreto, é que as duas ressurreições, a de Cristo e a dos cristãos, estão interligadas; se não há ressurreição, então Cristo está morto!

Me permitam citar Calvino, escrevendo em “Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios” (Edições Parakletos): “Então é vã nossa pregação, não simplesmente porque ela inclua um certo elemento de falsidade, mas porque é indigna e um completo logro. Pois o que fica se Cristo foi devorado pela morte: se foi aniquilado; se sucumbiu-se sob a maldição do pecado; se, finalmente, ficou cativo de Satanás? Numa palavra, uma vez que o princípio fundamental foi removido, tudo o que resta será de nenhum valor. Pela mesma razão ele adiciona que a fé deles seria inútil; pois que solidez de fé pode haver, quando nenhuma esperança de vida vigora? Mas que na morte de Cristo, considerada em si mesma,84“ nada descobrimos senão motivo para desespero; pois aquele que foi completamente vencido pela morte não pode efetuar a salvação de outros. Lembremo-nos. pois, que o principal fundamento de todo o evangelho é a morte e ressurreição de Cristo; de sorte que devemos dedicar especial atenção a ambas, caso queiramos fazer bom e normal progresso no evangelho, ou antes, se não quisermos permanecer estéreis e infrutíferos [2Pe 1.8]”. (Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 465).

 

 

III – OS EFEITOS DA MENSAGEM DA CRUZ

 

1. Uma vida no poder de Deus. A mensagem da cruz é uma mensagem de poder (1 Co 1.18). Por isso, devemos esperar a manifestação do poder ativo de Deus em nossa vida. O Senhor Jesus pode nos usar como instrumentos para salvar o pecador, curar enfermos e libertar as almas dos demônios (Mc 16.15-18). Os milagres da salvação, cura e libertação devem acompanhar a nossa vida no serviço do Reino de Deus. A mensagem que pregamos não é filosofia humana, mas o poder divino para a transformação da vida de quem crê no Evangelho (Rm 10.17).

 

Comentário

Quando o Evangelho verdadeiro é pregado, e como já afirmado acima, só há um Evangelho, todos os demais são falsos! Mas, quando nossos púlpitos prezam pela exposição sincera e sem misturas, sem enfeites, do verdadeiro Evangelho, os efeitos são poderosos em Deus! Afinal, a palavra da cruz, a revelação total de Deus, ou seja, o evangelho em sua plenitude, centrado na encarnação, na crucificação de Cristo e na ressurreição de Cristo - todo o plano divino e provisão para a redenção dos pecadores – é o tema de toda a Escritura, portanto, é o tema de toda a pregação! T. Robertson escreve: “Pregai o evangelho a toda criatura. Esta comissão em Marcos é provavelmente outra versão da Carta Magna missionária de Mateus 28.16-20, a qual foi dita no monte na Galileia. Jesus já dera uma comissão (Jo 20.21-23). A terceira comissão aparece em Lucas 24.44-49, que é igual a Atos 1.3-8. 16.16. E for batizado. A omissão de batizado com não-crer mostra que Jesus não torna o batismo essencial para a salvação. A condenação apoia-se na não-crença e não na falta de batismo. Portanto, a salvação apoia-se na crença. O batismo é meramente a figura da nova vida, e não o meio de obtê-la. Mesmo que o texto ligue o batismo com a salvação, a sua canonicidade questionável não pode exceder em valor outros textos indisputáveis que claramente ensinam que só a fé (não a obra do batismo) é necessária para a salvação. 16.17. Falarão novas línguas. Vimos a expulsão de demônios no ministério de Jesus. Porém, falar línguas entra na era apostólica (At 2.3,4; 10.46; 19.6; 1 Co 12.28; 14.1-40). 16.18. Pegarão nas serpentes. Jesus dissera algo semelhante em Lucas 10.19, e Paulo passou incólume pela serpente em Malta (At 28.3-6). E, se beberem alguma coisa mortífera. Este é o único exemplo no Novo Testamento da antiga palavra grega (“mortífera”, “fatal”). Tiago 3.8 tem (“mortal”). A. B. Bruce considera esses versículos em Marcos “um grande lapso do alto nível da versão de Mateus das palavras de despedida de Jesus” e defende que “pegar em serpentes venenosas e beber venenos mortais parecem nos apresentar ao crepúsculo da história apócrifa”. A grande dúvida relativa à autenticidade desses versículos (em minha opinião, são provas bastante conclusivas contra eles) toma ininteligente aceitá-los como fundamento de doutrina ou prática, a menos que sejam apoiados por outras porções genuínas do Novo Testamento”. (T. ROBERTSON. Comentário Mateus & Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 544-545

 

2. Uma vida de humildade. Quem é sábio em Deus contrasta a sabedoria da cruz com a deste mundo (1 Co 1.20). Esta exclui a Deus, enaltece o narcisismo humano e recusa reconhecer Jesus Cristo como o Filho de Deus; enquanto aquela nos faz prostrar diante de Deus (Mt 2.11), reconhecer a nossa miséria (Is 6.5) e descobrir quem verdadeiramente é Jesus, manso e humilde de coração (Mt 11.29). A mensagem da cruz nos constrange a viver a humildade.

 

Comentário

Em 1Co 1.20, Paulo parafraseou Isaías 19.12: “Onde está o sábio?”. Onde o profeta estava se referindo aos homens sábios do Egito, os quais prometeram, mas nunca produziram sabedoria. A sabedoria humana sempre demonstra ser não confiável e temporária. Deus, de maneira sábia, estabeleceu que os homens não poderiam vir a conhecê-lo por meio da sabedoria humana. Isso exaltaria o ser humano, de modo que Deus planejou salvar os pecadores impotentes por meio da pregação de uma mensagem tão simples que os "sábios do mundo" a consideraram loucura (Rm 1.18-23). É nesse sentido que CHAMPLIN escreve: “…tornou Deus louca a sabedoria do mundo… Deus tornou morosa esta chamada era da sabedoria humana, ou seja, embotada, estupida, insensata, desde que permitiu que brilhasse a luz de Cristo. (Com essa declaração paulina confrontar os trechos de Rom. 1:22,23; Isa. 19:11 e 44:25,33). A passagem citada da epistola aos Romanos e o melhor comentário acerca desse pensamento, e as notas expositivas a respeito são amplas. Deus provou, portanto, que a chamada sabedoria dos homens e uma insensatez. Demonstrou sua fraqueza e sua irrelevância para com o verdadeiro destino dos homens, para com a elevada chamada de Deus, em Cristo Jesus, porquanto e em Cristo que existimos, nos movemos e temos o nosso ser. A sabedoria humana tem errado porque se tem esquecido da fonte originaria de toda a sabedoria, que é Deus, e esta manifestada na pessoa do Senhor Jesus Cristo, (Ver o trigésimo versículo deste mesmo capitulo). E, dessa maneira, Deus demonstrou que a suposta sabedoria humana não passa de pura ignorância, estando destituída de qualquer valor espiritual, não tendo podido aproximar em coisa alguma as almas de Deus, o qual é o verdadeiro alvo de toda a existência humana. (Ver I Cor. 8:6). A palavra …mundo…, neste caso, não é a mesma palavra traduzida neste versículo como século, embora seja sinônimo virtual da mesma; pois a alusão, neste caso, e a comunidade dos homens, que populam esta terra física, e não ao globo terrestre propriamente dito. Os homens e quem fazem a sabedoria deste mundo tornar-se o que ela e. O mundo, lugar da matéria crassa e grosseira, sob hipótese alguma poderia produzir a sabedoria celestial, não podendo nem mesmo compreende-la, sem o auxílio da iluminação divina. (Quanto aos diversos significados do vocábulo grego kosmos, mundo, ver as notas expositivas sobre Joao 1:10. Essa nota também dá a lista das várias palavras gregas que são traduzidas por mundo, nas páginas do N.T.)”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 19).

 

3. Uma vida na dependência do Espírito. Nada melhor do que a mensagem da cruz para revelar quem nós somos (2 Co 2.3). Como o apóstolo Paulo (v.3), devemos ter a plena consciência das nossas fraquezas humanas, limitações pessoais, medos interiores. Por isso, as Escrituras nos estimulam a jamais depender ou confiar em nós mesmos, mas exclusivamente do Espírito Santo (1 Co 2.4). O Espírito nos faz agir, ter criatividade e fazer as coisas de modo que glorifiquem a Deus. A mensagem da cruz nos ensina a depender exclusivamente do Espírito.

 

Comentário

Aqui está, ao meu ver, o ápice da lição! Neste ponto, devemos compreender, assim mesmo como o apóstolo entendia, que nossa dependência é total, além de necessária, do Espírito Santo! É Ele quem chama! É Ele quem capacita! É Ele que nos fortalece para lançarmos as redes e é Ele quem traz os peixes para serem apanhados! Quem é o pregador sem o Espírito Santo?

É nesse sentido que CHAMPLIM escreve: “Alguns pregadores não passam de atores de palco, que erraram de profissão. Paulo procurava evitar esses espetáculos teatrais na igreja. Por outro lado, homens ignorantes, com seus discursos e pregações de baixo nível, não podem melhorar essas condições, pois os tais nem possuem eloquência e nem o poder de Deus; e as igrejas que caem sob a liderança de tais homens tem reuniões maçantes, ao passo que os sofistas pelo menos dirigem reuniões interessantes e divertidas. Paulo, entretanto, não aprovava nem um e nem outro desses dois extremos, como também não aprovava qualquer tendência para o espetáculo. No entanto, como esses defeitos se tornaram comuns hoje em dia! ...minha palavra… Mui provavelmente temos aqui uma menção de sua doutrina, o tema de suas pregações; e a sua forma de apresentação ele indica pelas palavras …minha pregação… Nem seus temas e nem seu modo de apresentação seguiam o modelo dos sofistas e retóricos. Alguns estudiosos pensam que-palavra significa aqui discursos privados, e que pregação significa discursos em público, mas essa explicação não é satisfatória. Ainda outros eruditos opinam que palavra e equivalente ao que se lê em I Cor. 1:18, o evangelho, ao passo que pregação seria a proclamação real desse evangelho. Uma distinção parecida com isso deve ter sido utilizada por Paulo. …persuasiva…, isto e, convincente. Deriva-se de um vocábulo grego escrito de forma estranha, pithos, sem dúvida uma variação de peithos, que era uma palavra rara, e que em todo o N.T. e encontrada exclusivamente aqui. Nos manuscritos, pois, essa palavra tem sido sujeita a diversas modificações. Sem importar qual a forma original em que foi gravada, mui provavelmente se deriva de peithos, que significa convencer, persuadir, conquistar para os pontos de vista de. Paulo não declara que não tentava convencer ou persuadir aos homens, e, sim, que não procurava usar de métodos dúbios para isso, como também não lançava mão de uma linguagem floreada e lisonjeadora, para conquistar os homens com esses golpes baixos. Não tinha mesmo necessidade de apelar para tais métodos, porquanto o Espirito de Deus estava sobre ele, operando por seu intermédio; e o Espirito Santo e o melhor agente persuasor dos homens, utilizando-se tanto de prodígios como de palavras. …demonstração Literalmente traduzida, a palavra grega por detrás desse termo daria exibição. Os argumentos de Paulo não eram meramente plausíveis, mas também eram exibições reais, em sua vida, em suas palavras, e no poder e sabedoria do Espirito Santo. E essa demonstração era feita pelo Espirito, era …do Espirito…, isto e, provinha do Espirito Santo. A fé não repousa sobre argumentos persuasivos, e, sim, sobre a obra de Deus nos corações dos homens. E o Espirito que torna possível a fé. Conforme veremos em I Cor. 12:9, a fé mesma e um dom do Espirito. (C.T. Craig, in loc.). A palavra grega aqui traduzida por demonstração, pode significar tanto uma exibição como também uma prova inequívoca. E bem provável que Paulo a tenha empregado com este último sentido, embora ele não estivesse falando sobre alguma prova empírica ou cientifica. As provas por ele expostas eram espirituais, místicas, e só podiam ser aceitas e reconhecidas intuitivamente. A mera sabedoria humana pode ofuscar e entreter, mas a sabedoria divina convence a alma; e isso e o que importa, afinal de contas. -…do Espirito, e não do espirito (humano), conforme essa expressão grega poderia ser gramaticalmente traduzida. O Espirito de Deus e que e o grande agente divino da sabedoria e do poder de Deus na vida dos homens, o transformador dos remidos segundo a imagem de Cristo, o agente santificador. E, nesta passagem, ele aparece como confirmador da pregação que tem por centro a pessoa de Jesus Cristo. ...de poder Temos aqui novamente o confronto entre o poder de Deus e poder do homem, conforme já viramos em I Cor. 1:18,24,25. O poder de Deus se acha personificado em Cristo, conforme mostram esses citados versículos; e opera por meio do evangelho, o que inclui a palavra da cruz (ver I Cor. 1:23,24). (E com isso se pode comparar os trechos de I Tes. 1:5 e 2:13). O evangelho surgiu no mundo não apenas na forma de palavras, mas também revestido do poder do Espirito Santo. Mui provavelmente Paulo quer dar a entender aqui, embora não o diga diretamente, que esse poder inclui as provas, sinais e prodígios operados por intermédio dele. Ora, se um ministro do evangelho dispõe dessas provas, da demonstração do Espirito e de poder, jamais precisara das habilidades retoricas para confirmar a validade de sua mensagem. Sem essas qualidades, porém, todas as qualidades retoricas de nada aproveitarão, nem ao pregador e nem aos seus ouvintes. …dos homens são palavras ligadas com o termo sabedoria, de conformidade com algumas traduções, as quais acompanham os mss Aleph (3), ACLP e as versões cópticas. Mas os mss P(46), Aleph(l), BD e muitas outras autoridades, omitem essas palavras. Trata-se de uma glosa escriba, procurando identificar o tipo de sabedoria a que Paulo fazia menção aqui, procurando fazer harmonia com os trechos d e i Cor. 1:19,21 e 2:5”. (CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 29).

Outra vez peço licença para citar CALVINO, “E minha pregação não consistiu de palavras persuasivas. Ao dizer “de palavras persuasivas de sabedoria humana”, sua referência é à oratória seleta que se empenha e lança mão de artifícios, sem se preocupar com a verdade; e ao mesmo tempo ele aponta também para a aparência de refinamento, o que fascina as mentes dos homens. Ele está certo ao atribuir a persuasão à sabedoria humana. Porque, por sua própria majestade, a Palavra do Senhor nos concita, de forma mui veemente, a prestarmos-lhe obediência. Em contrapartida, a sabedoria humana tem seu encanto com que se insinua73 e se apresenta em seus ornamentos pomposos, por assim dizer, por meio dos quais atrai para si as mentes de seus ouvintes. Contra isso Paulo estabelece a “demonstração do Espírito e de poder”, o que a maioria dos intérpretes limita aos milagres. Quanto a mim, o entendo num sentido mais amplo, ou, seja, como sendo a mão de Deus estendendo-se para agir poderosamente e de todas as maneiras através dos apóstolos. Tudo indica que Paulo pôs “Espírito e poder” à guisa de hipálage, equivalente a poder espiritual’, ou, seguramente, a fim de realçar, por meio de sinais e efeitos, como a presença do Espírito era evidente em seu ministério. É seu o uso apropriado do termo (demonstração). Pois nosso embotamento, quando olhamos mais de perto as obras de Deus, é tal que, ao fazer uso de instrumentos inferiores, seu poder se oculta como se fosse por meio de muitos véus [Is 52.10], de tal maneira que seu poder já não nos é claramente perceptível”. (Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 78-79).

 

 

CONCLUSÃO

A mensagem da Igreja é a cruz de Cristo. Essa cruz dá conta do Cristo Crucificado e do Ressurreto. Essa mensagem traz escândalo ao mundo, mas poder para nós. Ela salva, cura e liberta o pecador; ao mesmo tempo que nos revela uma vida de poder de Deus, humildade e dependência do Espírito. A mensagem gloriosa da cruz transforma o homem inteiro.

 

Comentário

O caráter da pregação de Paulo era Cristo, e este crucificado. Não podemos permitir que de nossos púlpitos sejam bradadas outras palavras que não seja esta: Cristo, e este crucificado! Embora Paulo tivesse exposto todos os desígnios de Deus à igreja (At 20.27) e ensinado aos coríntios a Palavra de Deus (At 18.11), o foco de sua pregação e de seu ensino aos incrédulos era Jesus Cristo, o qual pagou na cruz a penalidade pelo pecado (At 20.20; 2Co 4.2; 2Tm 4.1-2). Até que as pessoas compreendam e creiam no evangelho, não há nada mais a ser dito a elas. A pregação da cruz era tão dominante na Igreja primitiva que os cristãos eram acusados de adorar um homem morto! Precisamos resgatar esta mensagem, a pregação do Cristo crucificado, o verdadeiro Evangelho, que é poder de Deus para salvação de todo pecador!

Embora a mensagem possa soar como loucura para alguns (1Co 1.18), o evangelho é efetivo porque carrega em si a onipotência de Deus (Êx 15.6; Dt 32.39; Jó 9.4; Sl 33.8-9; 89.13; 106.8-9; Is 26.4; 43.13; Jr 10.12; 27.5; Mt 28.18; Rm 9.21). Somente o poder de Deus é capaz de dominar a natureza pecaminosa do homem e dar a ele uma nova vida (Rm 5.6; 8.3; Jo 1.12; ICo 1.18,23-25; 2.1-4; 4.20; IPe 1.23). O poder do evangelho liberta as pessoas da perdição (Mt 18.11), da ira de Deus (Rm 5.9), da ignorância espiritual deliberada (Os 4.6; 2Ts 1.8), da autoindulgência pecaminosa e das trevas da falsa religião (Cl 1.13; lPe 2.9). Ela resgata o pecador do castigo final pelos seus pecados, ou seja, a separação eterna de Deus e o castigo eterno! Voltemos à pregação do Evangelho!

 

 

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Comentário elaborado pelo Presbítero Francisco Barbosa. Ao compartilhar, favor citar fonte.

 

 

PARA REFLETIR

A respeito de “‘Jesus Cristo, e Este Crucificado’ – A Mensagem do Apóstolo”, responda:    

Que mentalidade havia na época de Paulo?

Havia uma mentalidade na época paulina em que “a palavra da cruz” era uma afronta aos religiosos e filósofos. 

Por que a cruz era considerada loucura?

A cruz era considerada loucura porque chocava a sabedoria humana.

O que significa a palavra “Evangelho”?

A palavra “evangelho” significa “boa-nova; boa notícia que se leva as pessoas”.

Segundo a lição, por que os homens não conseguem alcançar a sabedoria divina?

Os homens não conseguem alcançar a sabedoria divina, pois estão escravos do pecado e, por isso, para eles é loucura.

O que a mensagem da cruz nos ensina?

A mensagem da cruz nos ensina a depender do Espírito, não de nós mesmos