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6 de outubro de 2020

4 Tri 20 | Lição 2: QUEM ERA JÓ | Pb Francisco Barbosa

 

 

 4º TRIMESTRE 2020

ANO 12 | EDIÇÃO Nº 675

 

 

QUEM ERA JÓ

L I Ç Ã O

02

A Fragilidade Humana e a Soberania Divina

11 OUT 20






LIÇÕES BÍBLICAS CPAD REVISTA ADULTOS - QUARTO TRIMESTRE DE 2020

 

Texto Áureo

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.”(Jó 1.1)

 

Verdade Prática

Quem zela por um caráter irrepreensível obtém testemunho acerca de sua integridade

 

Leitura Bíblica em Classe

Jó 1.1-5

 

INTRODUÇÃO

O autor sagrado não elabora uma biografia de Jó, mas traça um perfil que diz muito sobre esse gigante da fé. Jó foi um homem diferente, não em natureza, pois ele era igual aos demais de sua época. Todavia, foi, sem dúvida, distinto na espiritualidade. Ele foi um homem que não apenas possuía bens materiais e uma família sólida, mas mantinha profunda comunhão com Deus. Assim, nesta lição destacaremos alguns traços da vida e espiritualidade de Jó.

- A história começa na terra com Jó como a figura central. Ele era um homem rico, que tinha sete filhos e três filhas; estava na meia-idade e com a família já formada, mas era jovem o bastante para gerar mais dez filhos. Era bom, um homem de família, rico e bastante conhecido, íntegro e reto, temente a Deus... se desviava do mal. Jó não era perfeito nem sem pecado (Jó 6.24; 7.21; 9.20); todavia, é aparente, pela linguagem empregada, que ele havia colocado em Deus sua confiança para a redenção, que levava uma vida fiel e sincera que honrava a Deus, com integridade e consistência nos aspectos pessoal, marital (2.10) e familiar (1.4-5). Vamos pensar maduramente a nossa fé?

 

 

I – UM HOMEM DE CARÁTER IRRETOCÁVEL

1. Íntegro (sincero) (v.1). O caráter define o que uma pessoa é de verdade. Ela é vista a partir dos valores que governam a sua vida interior. O “mau-caráter” define uma pessoa que não merece confiança, que é desonesta e que, portanto, não possui valores nobres. Jó não era um homem sem pecado, mas tinha um caráter irretocável. Nesse sentido, os primeiros versículos do livro possuem vários adjetivos que descrevem o seu caráter. No primeiro, o autor o apresenta como um homem íntegro. A palavra “íntegro”, que traduz o hebraico tām, possui o sentido de inocente, sem culpa. No grego, segundo a Septuaginta, a palavra alethinós remete ao que é verdadeiro. Assim, podemos afirmar que Jó era sincero nas intenções, afeições e diligente nos esforços para cumprir seus deveres para com Deus e os homens.

- Íntegro (latim integrum, não tocado, intato, inteiro); que tem comportamento exemplar, honrado, reto. A palavra (latim sincerus; puro, são, inteiro, real, natural, genuíno); vem da junção de duas palavras do latim: sine cera. Em tempos difíceis como esses, em que há falta de integridade e caráter, precisamos prezar por uma vida íntegra em todo o tempo. Estas qualidades não são naturais no cristão, mas fruto da entrega e confiança de que Deus é soberano e misericordioso. Jó não era um exemplo de perfeição e certamente cometeu muitos pecados em sua vida, no entanto, pela linguagem empregada no livro, percebe-se que Jó confiou inteiramente no Senhor para a redenção e assim, pode viver de maneira que honrasse a Deus em tudo.

- “O vocábulo sincero vem de duas palavras latinas, “sine” sem e “cera”. Alguns trabalhadores cobririam imperfeições nas esculturas com cera. O senado romano teria decretado que toda escultura deveria ser entregue “sine cera”, ou seja “sem cera”. A partir daí, o termo teria assumido o significado de “sem trapaça”, e posteriormente, sincero. O crente em Cristo também precisa viver uma vida “sem cera”, ou seja, deve ser autêntico. Muitos hoje em dia são como aquelas esculturas da Roma antiga, querem maquiar suas ações reprováveis. Jesus disse que somos a luz do mundo (Mt 5.14), e que nossas obras devem resplandecer para glorificarem a Deus Pai (Mt 5.16). O oposto de sincero é falso, fingido, hipócrita. Jesus chamou de hipócritas os mestres da Lei e fariseus que exigiam das pessoas coisas que eles não conseguiam fazer, além da vaidade exterior que se esforçavam em possuir, mas cujo interior era como um sepulcro (Mt 23.1-31)(LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS, 4º Trimestre de 2019. Título: Poder, Cura e Salvação — O Espírito Santo agindo na Igreja em Atos. Comentarista: Henrique Pesch; Lição 4: Ananias e Safira e a mentira ao Espírito Santo, Data: 27 de outubro de 2019)

 

2. Reto (v.1). Ele também era um homem reto que, no hebraico yāšār, tem um sentido de alguém justo, direito. Na Septuaginta, de acordo com o grego amemptos, possui o sentido de irrepreensível. Portanto, o homem de Uz era justo, reto, direito e se comportava de maneira irrepreensível.

- Reto (latim rectus); tem os seguintes significados:

1. Sem curvaturas nem sinuosidades. = alinhado, direito

2. Que corresponde à distância mais curta entre dois pontos. = direito

3. Perpendicular ao horizonte; a prumo. = vertical

4. [Figurado]  Sincero, verdadeiro.

5. Justo, equitativo, imparcial.

6. [Figurado] Que segue o caminho da honra, da probidade.

7. Sem desvios.

- É interessante que, Jó, fazendo uma retrospectiva em sua vida, não se achou perfeito, mas ele se considerou justo. Ele não reconhecia nenhum pecado que traria sobre ele a ira de Deus. Até sentiu a confiança para falar para Deus: “Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado” (13.23). É difícil alguém se apresentar com tanta confiança diante do Santo Deus. Hoje, nós podemos ter confiança diante do trono de Deus somente por causa da intervenção de Jesus, o nosso Sumo Sacerdote e sacrifício perfeito e eficaz (Hb 4.14-16; 10.19-22).

 

3. Temente a Deus e desviava-se do mal (v.1). Jó é descrito como alguém temente a Deus, que desviava-se do mal. Estas palavras, de acordo com os termos relativos ao hebraico, sur e yare, traduzem a ideia de alguém que prestava reverência a Deus e evitava o mal. Já na Sepetuaginta, os termos relativos ao grego, theosebés e apecho, trazem o sentido de alguém devotado ao culto e à adoração a Deus e que, por isso, mantinha o mal sempre à distância. As Escrituras mostram que, muito antes de Salomão, Jó praticava o que o homem mais sábio do mundo, posteriormente, ensinaria: “Teme ao SENHOR e aparta-te do mal” (Pv 3.7).

- Por sua "misericórdia e pela verdade", Deus "expia", ou cobre o pecado, levando o pecador arrependido ter a predisposição de afastar-se do mal. A reverência a Deus é um tema que se sobressai na vida de Jó (Jó 20.20; SI 34.11). Essa admiração reverente e temor submisso são fundamentais para todo conhecimento espiritual e sabedoria (Jó 28.28; SI 111.10; Ec 12.13). O homem sem Deus poderá até fazer declarações sobre a vida e a verdade, no entanto, ele não terá o conhecimento verdadeiro e absoluto até que desfrute de um relacionamento redentor com Deus que inclua a admiração reverente. O temor do Senhor é um estado mental em que as atitudes, desejos, sentimentos, ações e objetivos de uma pessoa são substituídos pelos de Deus (SI 42.1).

- “Há muitas perspectivas divergentes, até sobre cada um de nós. A nossa própria perspectiva é importante, mas não é uma avaliação garantida. O homem pode ter uma consciência limpa, mas ainda estar errado diante de Deus. Paulo se achava certo ao perseguir cristãos (cf. Atos 22:3-5; 23:1). Algumas pessoas que se acham fiéis terão uma surpresa eternamente desagradável no Dia final (Mateus 7:21-23). Mas, devemos buscar a integridade para manter a consciência limpa. Jó sabia de sua própria conduta, e viveu conforme os princípios de Deus (31:1-40). Ele falou que vigiava para manter a pureza sexual, até nos pensamentos (31:1,9-12; cf. Mateus 5:27-29). Ele foi honesto em todos os aspectos da sua vida (31:5-8). Tratava bem as pessoas, inclusive servos e pobres (31:13-23). Não confiava nas coisas materiais (31:24-28). Não odiava e não se vingava (31:29-30). Não escondia seus erros (31:33-34). Nós precisamos fazer como Jó, e comparar as nossas vidas aos princípios revelados por Deus para ter confiança da nossa comunhão com o Senhor: “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos” (1 João 2:3). A avaliação de outros pode nos ajudar, especialmente quando pessoas fiéis ao Senhor corrigem os nossos pecados. Mas outras pessoas podem errar, condenando os justos e aprovando os pecadores. Não é a opinião popular que nos julgará, e muito menos a avaliação do Adversário! No final das contas, a única avaliação que realmente importa é a de Deus. O que ele acha da minha vida, e da sua? Ele é o Juiz perfeitamente certo em todas as suas decisões. Todos nós seremos julgados pela palavra de Jesus (João 12:48). Deus dará a recompensa da vida eterna aos fiéis, porque ele é o reto juiz. Paulo disse: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Timóteo 4:8). Mas o mesmo Juiz tomará “vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho do nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder” (2 Tessalonicenses 1:8-9). Davi, no seu arrependimento, disse: “Bem-aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto” (Salmo 32:1). A avaliação de Deus da nossa vida pode mudar. Ele pode esquecer dos nossos pecados e nos aceitar como pessoas justas – justificadas pelo sangue de Jesus. “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos” (Efésios 2:4-5; cf. 1 Coríntios 6:9-11). “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 7:25). Graças a Deus mesmo!” (x)

 

 

II – UM HOMEM SÁBIO E PRÓSPERO

1. Um conselheiro sábio. Há pessoas ricas que nem são sábias nem tampouco prósperas. Possuem conhecimento, mas não entendimento; riquezas, mas não prosperidade. Jó distingue-se nesse aspecto. Ele foi um homem sábio, rico e próspero. A Bíblia afirma que Jó era “maior do que todos os do Oriente” (Jó 1.3). “Maior” aqui não pode ser entendido apenas como uma referência a bens materiais, mas também à sua sabedoria. Estudiosos destacam que Jó era mais importante em sabedoria, riqueza e piedade do que qualquer outra pessoa daquela região e ressaltam o reconhecimento da sabedoria de Jó conforme se destacava a sabedoria dos orientais expressa em provérbios, canções e histórias. Isso fazia dele um homem proeminente, a quem as pessoas recorriam com frequência em busca de conselho e orientação (Jó 29.21,22).

- Na concepção hebraica, a sabedoria não se limitava ao conhecimento, mas à habilidade de ter a vida piedosa que Deus planejou para o homem (Dt 4.5-8). Sabedoria, na mentalidade hebraica, significa bom senso ou habilidade de governar-se a si mesmo pela escolha; a habilidade de conformar-se à vontade e ao padrão de Deus; uma retidão prática que se coaduna com a postura de retidão adotada pelo homem irregenerado. Jó gozava de uma posição elevada segundo qualquer padrão. Salomão teve uma reputação semelhante: "Era a sabedoria de Salomão maior do que a :e todos os do Oriente..." (IRs 4.30).

- “Os homens do Oriente eram notórios por sua grande sabedoria, que eles expressavam artisticamente em provérbios, cânticos e histórias… Jó era altamente respeitável (ver Jó 29.7-li); sábio conselheiro (29.21 -24); empregador honesto (31.13-15,38,39); hospitaleiro e generoso (31.16-21,32); e fazendeiro próspero (31.38-40)” (Roy B. Zuck, in loc.). No entanto, esse homem foi ferido pela tragédia, por razões desconhecidas(CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864).

 

2. Um homem próspero. O homem de Uz não era apenas rico, mas, sobretudo, próspero. O texto sagrado destaca que, além de sua esposa, ele tinha sete filhos e três filhas (v.2). Para os padrões da época, possuía uma família com o formato ideal. Ele também era um fazendeiro bem sucedido. Em sua fazenda havia sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; e tinha também muitíssima gente a seu serviço (v.3).

- Andersen Francis vai dizer que “Jó tinha uma família ideal de sete filhos e três filhas, sendo que os dois números, e a soma deles, são símbolos da perfeição, um claro sinal do favor divino(Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 77). Como era comum no antigo Oriente Próximo, a riqueza de Jó não era medida pelo dinheiro ou pelas terras que ele tinha, mas pelo grande rebanho, como era com os patriarcas (Gn 13.7), e pela família numerosa, que, no caso de Jó, a soma deles simbolizava a perfeição e o favor divino.

- Russell Champlin diz que “Jó tinha uma família feliz, uma boa esposa, sete filhos e três filhas. Eles formavam uma unidade familiar feliz, livre de preocupações, seja no campo econômico, seja no campo da saúde, seja em qualquer outro campo da vida diária. “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Sl 127.3)” (Samuel Terrien, in toe). Para a mente dos hebreus, Jó tinha todas as indicações da aprovação divina(CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1863).

 

3. Uma prosperidade baseada no “ser”. Jó, portanto, possuía um grande patrimônio e uma bela família. Sua prosperidade se refletia na relação harmoniosa entre ele, sua família, seus negócios e, sobretudo, Deus. Não era uma prosperidade estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

- “Entretanto, a prosperidade e a felicidade que possuem não dependem deles, tampouco está segura em suas mãos. Portanto, longe de mim o conselho dos ímpios!” (Jó 21.16). Como escreve o Pr Claudionor de Andrade: “Na verdade, não era Jó um simples fazendeiro, nem um sheik qualquer. Se levarmos em conta a utilização de seus camelos no transporte de mercadorias tanto para o Oriente quanto para o Ocidente, e se considerarmos a utilização da lã de suas ovelhas na confecção de tapetes e roupas, concluiremos ter sido o patriarca um grande capitão de indústrias e um respeitável financista internacional. Apesar de toda essas riquezas, Jó não se deixava dominar por elas, pois o seu maior bem era Deus: o Sumo Bem. Logo: não passava ele de um simples mordomo de quanto possuía. J. Caird alerta quanto aos perigos dos haveres materiais: “O que impede o homem de entrar no Reino de Deus não é o fato de possuir riquezas, mas o fato de as riquezas o possuírem”. Jó era um homem rico de espírito pobre; nada presumia de si mesmo. Nas riquezas terrenas, via apenas pobreza. Mui acertadamente, afirmou Agostinho: “As riquezas terrenas acham-se repletas de pobreza”. Mais tarde, viria o patriarca confessar que, em momento algum de sua vida, confiara nas riquezas”. (ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 37-38).

 

 

III – UM HOMEM DE PROFUNDA PIEDADE PESSOAL

1. Um homem dedicado à família. O primeiro capítulo de Jó diz: “Iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles” (1.4). O ambiente descrito aqui é de uma família em harmonia que, de forma feliz, festejava a vida. De forma alguma o texto sugere dissolução, bebedice ou licenciosidade nessas comemorações. Eram confraternizações feitas no ambiente familiar.

- Um em cada dia da semana (sete filhos); essa referência aos banquetes nos dias de semana, que aconteciam de casa em casa, demonstra que havia amor e harmonia entre os membros da família. As irmãs receberam um destaque especial a fim de demonstrar que eram tratadas com amor.

-““Os filhos desse príncipe edomita eram, ao que tudo indica, solteiros, e, no entanto, cada um deles mantinha sua casa de uma maneira real (cf. II Sam. 13.7; 14.28 ss.). Tão incomum era a harmonia fraterna, que regularmente eles se reuniam para ter banquetes em família, para os quais convidavam seus irmãos, costume excepcional no antigo Oriente” (Samuel Terrien, in loc.)”. (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864).

- “Parece que os banquetes eram uma forma de vida dos jovens ricos, de modo que, cada semana, diríamos, um oferecia a seus irmãos o banquete semanal, e neles cometiam pecados contra Deus em seus corações (v. 5). Vê-se que era uma família rica, feliz e religiosa, sendo o pai o seu sacerdote. Não temos muita informação a respeito dessa norma familiar antiga; entretanto, sendo pequenas as comunidades, e o intercurso social, muito reduzido, levaria as famílias ricas a se reunirem, para fins religiosos e sociais, por meio de banquetes”. (Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP).

 

2. Um homem de moral e piedade. Jó foi um homem que possuía uma forte moralidade e uma sólida espiritualidade. Além de seu caráter irretocável, o texto deixa claro que ele tinha uma vida piedosa (Jó 1.5). Essa piedade está presente não apenas nos primeiros capítulos, mas em todo o livro. Mesmo nos momentos de desespero, como consequência de sua provação, ele sempre mantinha seus olhos em Deus. Essa piedade era a causa da dedicação de Jó à família.

- Ao final de cada semana, Jó oferecia tantos sacrifícios quanto o número de seus filhos (Lv 1.4), oficiando semanalmente ("continuamente") como um sacerdote familiar, numa época anterior ao estabelecimento do sacerdócio araônico. Essas ofertas eram para cobrir qualquer pecado que seus filhos pudessem ter cometido durante semana, indicando como era profunda a sua devoção espiritual. Esse registro está incluído a fim de demonstrar a retidão e a virtude de Jó e de sua família, o que torna o seu sofrimento ainda mais impressionante.

- “O autor sagrado nos diz que Jó era próspero e piedoso, e que a tragédia atingiria um homem inocente; de nós espera-se que perguntemos: “Por quê?”. Jó era um homem muito rico, porquanto era rico tanto espiritual quanto materialmente. A prosperidade sempre arrasta sua própria ameaça. Os ricos acabam por voltar-se à idolatria de muitas espécies, literais e espirituais. Mas não era esse o caso de Jó. Ele provou que é melhor um crente ser rico do que pobre, e que o homem espiritual não tem dificuldade para manusear dinheiro, que, afinal, pode ser uma fonte de serviço espiritual”. (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864).

 

3. Um homem de vida consagrada. A piedade de Jó está evidente no cuidado espiritual que ele tinha com os filhos. Jó sempre orava por eles: “Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.” (Jó 1.5). Como sacerdote de seu lar, Jó cumpria o ritual do culto em favor de sua família. O levantar cedo ou de madrugada, como expressão idiomática do hebraico bíblico, é uma forma de enfatizar a piedade de Jó. Essa devoção é demonstrada pela consagração vivida por ele. O texto diz que ele se santificava”. O vocábulo português “santificava” traduz o termo  hebraico, qadash, que possui o sentido de ser separado ou consagrado. Uma pessoa que é consagrada é uma pessoa que ora, uma pessoa que ora é uma pessoa consagrada. Portanto, à luz da vida de Jó, somos instados a viver uma vida consagrada diante de Deus e dos homens.

- “Os Sacerdotes da Família. Sabemos que originalmente o pai era o sacerdote da família. Mais tarde, entre o povo hebreu, surgiu o clã sacerdotal, os levitas, o que transformou a tribo deles em uma casta religiosa. Portanto, muitos dos deveres que cabiam antes aos sacerdotes foram formalizados em adoração pública. Mas a história de Jó é posta dentro do período patriarcal, quando o chefe de uma família era também o sacerdote da família. Sem dúvida, é isso o que está por trás da cena referida neste versículo, onde Jó oferece pessoalmente os devidos sacrifícios. Presumimos que o autor sacro esteja atribuindo à sociedade árabe o tipo de condições que existiam na sociedade hebreia. Os árabes, afinal, eram filhos de Abraão e tinham as mesmas tradições essenciais dos hebreus. E blasfemado contra Deus em seu coração. Cf. Jó 2.6,9. Satanás supunha que os homens dotados de riquezas, até mesmo o piedoso Jó, privados de seus bens materiais e de seus familiares, transformar-se-iam em amaldiçoadores de Deus.(CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864).

 

 

CONCLUSÃO

Destacamos três aspectos importantes acerca da vida de Jó: caráter, prosperidade e piedade. Só compreenderemos devidamente a vida desse gigante da fé do Antigo Testamento a partir dessa matriz. É possível que alguém seja rico, mas não possua caráter algum; da mesma forma é possível que alguém possua valores morais sem, contudo, esboçar piedade alguma. Todavia, ninguém terá um caráter irretocável, não apenas fragmentos ético-morais; prosperidade, não apenas posses; piedade, não apenas religiosidade se não conhecer a Deus na intimidade. Jó era assim: íntegro, reto, temente a Deus e se desviava do mal.

- O comentarista destaca três virtudes do patriarca a fim de compreender a vida de Jó; no entanto, uma só virtude seria necessária para uma perfeita compreensão: Temos ao Senhor.

- Como escreve o Pr Claudionor de Andrade: “Assim era Jó! Um homem em todas as coisas perfeito, porque perfeito era o seu Deus. E chegado o momento de os crentes sermos conhecidos não somente por nossas palavras, mas principalmente por nossas boas obras. Como destaca o apóstolo Tiago, de nada vale a nossa fé se estiver desprovida de obras; é através destas que demonstramos a nossa confiança no Todo-Poderoso. Que o Senhor nos ajude a alcançar o mesmo padrão de excelência que fez de Jó um dos homens mais perfeitos e íntegros de toda a História Sagrada. Não é um ideal inatingível, porque o próprio Cristo nos exorta a persegui-lo: “Sede perfeitos como vosso Pai que está nos céus é perfeito!”(ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 38-39).

 

 

PARA REFLETIR

A respeito de “Quem era Jó”, responda:

• O que podemos afirmar acerca de Jó?

Podemos afirmar que Jó era sincero nas intenções, afeições e diligente nos esforços para cumprir seus deveres para com Deus e os homens.

 

• Como Jó é descrito no primeiro versículo?

Jó é descrito como alguém temente a Deus, que desviava-se do mal.

 

• O que fazia de Jó um homem proeminente a quem as pessoas recorriam com frequência em busca de conselho e orientação?

O reconhecimento de sua sabedoria.

 

• Em que estava estabelecida a prosperidade de Jó?

A prosperidade de Jó não estava estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

• Do que o homem Jó foi possuidor?

Jó foi um homem possuidor de uma forte moralidade e sólida espiritualidade.

 

 

4 Tri 20 | Lição 2: QUEM ERA JÓ | Pb Francisco Barbosa