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21 de fevereiro de 2022

LIÇÃO 9: AS HISTÓRIAS E AS POESIAS FALAM AO CORAÇÃO

 



TEXTO ÁUREO

Estou aflitíssimo; vivifica-me, ó Senhor, segundo a tua palavra.” (SI 119.107)

 

VERDADE PRÁTICA

Os livros históricos e poéticos mostram a soberania e a sabedoria divinas. O relato dessas verdades produz fé e esperança em nossos corações.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Deuteronômio 6.20-25; Salmos 119.105-108

 

INTRODUÇÃO

A Bíblia faz uso de gêneros literários para expressar a revelação divina. Para contar as histórias do povo de Deus, os livros históricos servem-se da literatura chamada de “narrativa”. Os livros poéticos e de sabedoria recorrem ao “texto lírico” com o propósito de despertar sentimentos. Em vista disso, na lição de hoje, estudaremos as experiências e as instruções relatadas nesses livros, cuja mensagem fortalece os nossos corações.

 

COMENTÁRIO

Na Bíblia encontramos diversos gêneros literários e figuras de linguagem em abundância. Quanto aos gêneros literários podemos mencionar Evangelhos, Epístolas, Profecia, Parábolas, Apocalipse, Salmos, Narrativas do Antigo Testamento, Leis, Sabedoria, Poesia, Atos, dentre outros. ‘Gênero’ é um padrão de linguagem, que tanto pode ser oral quanto escrito, que se repete e pode ser reconhecido a partir de certas características. É, a rigor, uma abstração teórica baseada na observação de exemplos concretos específicos. Em outras palavras, de tanto ver poesia, a pessoa acaba por aprender o que é poesia. Os antigos conheciam três gêneros literários: poético, épico, dramático. Um gênero não pode ser reduzido a um conjunto de informações. Dividem-se assim os diversos gêneros literários encontrados na Bíblia:

a) narrativo-didático

b) narrativo-histórico

c) Legislativo

d) Sapiencial

e) Profético

f) Salmos

g) Apocalíptico.

 

I – AS HISTÓRIAS DO ANTIGO TESTAMENTO

 

1. Os livros históricos. Após a morte de Moisés, Deus chamou Josué para liderar o povo na conquista da Terra Prometida (Js 1.1,2). As gerações seguintes, para assegurar a herança, disputaram o espaço com outras nações. Os registros dessa experiência com Deus, e da posse da terra, são chamados de “livros históricos”. São um total de 12 volumes, que retratam a história de Israel desde a entrada em Canaã (cerca de 1400 a.C.) até o tempo de Esdras e Neemias (cerca de 400 a.C.). Nesse período, Israel experimentou a providência, a proteção e o juízo divino. Esses relatos demonstram que Deus controla o curso da história (Js 21.45).

 

COMENTÁRIO

Os Livros Históricos da Bíblia são: Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias e Ester. Todos esses livros fazem parte do Antigo Testamento. Os estudiosos também consideram o livro de Atos dos Apóstolos como o livro histórico do Novo Testamento. Os Livros Históricos do Antigo Testamento registram a história do povo de Israel desde a conquista da Terra Prometida sob a liderança de Josué, até a restauração de Jerusalém após o cativeiro babilônico. Isso significa que a narrativa dos Livros Históricos compreende um período de centenas de anos. Nesse espaço de tempo, os Livros Históricos também relatam o início da monarquia em Israel com o reino unificado, depois o reino dividido, e as quedas do Reino do Norte e do Reino do Sul diante dos impérios assírio e babilônico respectivamente. Já o livro de Atos dos Apóstolos no Novo Testamento, conta a história do início da Igreja Cristã. Ele se concentra no período apostólico, após a ascensão de Jesus ao Céu. Os livros históricos não são simplesmente registro de fatos históricos, mas são a Palavra de Deus nos dias de hoje para os cristãos. Deus é Senhor do tempo e do espaço, e portanto, soberano sobre a História da humanidade, razão com que grande parte dos escritos sagrados de Israel tenham sido narrativas históricas. A história é tão importante para o Cânon judaico quanto para o Cristão. O Cânon cristão agrupa os livros de natureza predominantemente histórica, livros que narram a história de Israel de um ponto de vista religioso.

 

2. As histórias dos Juízes. Depois de Josué, os juízes governaram Israel até ao profeta Samuel (At 13.20). São cerca de 400 anos de história com a atuação de doze líderes (Jz 3.11-16.30). Nessa época não havia rei em Israel (Jz 18.1); e cada um andava como queria (Jz 21.25). Por essa razão, a nação entrou em declínio espiritual e fez “o que parecia mal aos olhos do Senhor” (Jz 3.7). Como resultado, os israelitas foram subjugados pelas nações vizinhas (Jz 3.8,12; 6.1; 10.7). Apesar disso, mediante o arrependimento do povo, Deus levantava libertadores para resgatar Israel da opressão (Jz 3.9,15; 6.7; 10.10). Essas histórias apontam para a fidelidade e a misericórdia divina (2 Tm 2.13).

 

COMENTÁRIO

De acordo com a tradição judaica foi atribuída ao profeta Samuel a autoria de Juízes. O livro de Juízes revela o estado degenerado em que Israel se encontrou após a conquista da terra prometida. Sendo também vítima de transigência religiosa. O Livro de Juízes é o segundo livro dos Primeiros Profetas no cânon judaico, e em nosso cânon o segundo livro histórico. A palavra hebraica traduzida por Juízes significa os que julgam ou governam (líderes), libertadores, ou salvadores. O livro de Juízes recebeu esse nome por nele estarem registrados o trabalho de pessoas levantadas por Deus para salvar as tribos de Israel dos seus inimigos (2.16). Essas pessoas além de Julgar o povo, executavam julgamento de Deus sobre os inimigos de Israel, eram líderes e libertadores. Exerciam funções judiciais e orientavam os exércitos de Israel contra o inimigo. Portanto, eles ditavam as normas à nação e sustentavam a causa de Jeová. Historicamente o livro de Juízes relata a história de Israel na terra prometida, sob o governo de treze juízes, desde a morte de Josué até os dias de Eli e Samuel. Teologicamente mostra o declínio espiritual e moral das tribos de Israel ao conquistarem a terra prometida. Nessa época a vida moral de Israel estava em declínio, e Javé apesar de ser considerado o Deus do povo, muitas vezes foi cultuado como um dos deuses de baal. Não se sabe ao certo de quem é a autoria dos Juízes, alguns indícios indicam que o livro de Juízes foi escrito depois da remoção da arca, de Siló, nos tempos de Eli e de Samuel, no tempo da monarquia quando Jerusalém ainda estava em poder dos jebuseus, e concluído depois do início do reinado de Saul (c. 1050 a.C.). O Talmude judaico, atribui a autoria de Juízes a Samuel, pois o livro ressalta a realidade histórica da profecia de Moisés referente a opressão que viria da parte de Deus sobre Israel como maldição caso eles abandonassem o concerto (Dt 28.25, 33, 48).

 

3. As histórias dos Reis. Por volta do ano 1050 a.C., Deus constituiu Saul como rei em Israel (1 Sm 8.5; 9.17). Porém, Saul fracassou (1 Sm 16.1). Então, Davi foi escolhido e recebeu a promessa de um reino que não teria fim (2 Sm 7.16). Salomão lhe sucedeu, e após a sua morte, o reino se dividiu: Israel no Norte; e Judá no Sul. Ambos os reinos, rebelaram-se contra Deus, e foram para o exílio. Em 722 a.C., Israel foi conquistado pelos Assírios. Em 586 a.C., Judá caiu diante da Babilônia. Contudo, em 539 a.C., cumprindo sua promessa, Deus restaurou o trono de Davi. E, do reino de Judá, a esperança messiânica se cumpriu em Jesus (Lc 1-3 2 ,33). Essas narrativas mostram que os planos do Senhor não podem ser frustrados (Jó 42.2).

 

COMENTÁRIO

Os livros de Reis narram a história da monarquia de Israel desde Salomão até a tomada de Jerusalém por Nabucodonosor e seu poderoso exército babilônico em 587 a.C. Neste livro a obediência encontra-se em contraste com a desobediência mostrando assim as suas consequências. Primeiro e Segundo Reis, iniciam com a história do rei Salomão (970 a.C.) ao exílio babilônico (586 a.C.). Primeiro Reis relata a história de 120 anos que são quarenta anos do reinado de Salomão e aproximadamente os primeiros oitenta anos após a divisão do reino. No cânon judaico bem como no Antigo Testamento hebraico, Primeiro e Segundo Reis formavam um só livro. Esses livros estão entre os profetas anteriores no cânon judaico e no cânon protestante, entre os livros históricos. Seu conteúdo é continuação da história registrada nos livros de Samuel. Não se pode afirmar com segurança, mas a impressão que se tem é que o livro é obra de um único autor, e que o mesmo foi testemunha da queda de Jerusalém, todavia a tese mais provável é a que atribui essa autoria ao profeta Jeremias, o qual deu por finalizada a obra provavelmente antes de 538 a.C. O objetivo de Primeiro e Segundo Reis era prover ao povo hebreu uma versão bíblica de sua história, para que assim pudessem entender a divisão da nação em 930 a.C., a queda do Reino do Norte, Israel, em 722 a.C., e a queda do reino davídico e Jerusalém em 586 a.C. O livro de Segundo Reis cobre um período de cerca de 300 anos desde o reinado de Acazias (o nono rei de Israel) 853 a.C. até a libertação do rei Joaquim em 560 a.C. Registra os últimos 130 anos da história de Judá, que durou 345 anos, e relata os motivos que levaram à queda dos reinos de Israel e Judá. Por se tratar originalmente de um único livro, e por se atribuir a autoria de Primeiro Reis a um único autor, provavelmente o autor de Primeiro Reis é o mesmo de Segundo Reis. Com o mesmo conteúdo de Primeiro Reis, Segundo Reis continua o registro da história escrita nos livros de Samuel. O Título Reis é derivado da tradução latina de Jerônimo (Vulgata), em referência aos reis que governaram durante esse período.

 

II – OS LIVROS POÉTICOS (E DE SABEDORIA) DO ANTIGO TESTAMENTO

 

1. Os livros sapienciais e poéticos. Cinco livros do Antigo Testamento são chamados de “escritos sapienciais” e “poéticos” porque ensinam a sabedoria por meio da poesia ou da prosa, são eles: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão. Eclesiastes foi escrito quase todo em prosa e os outros livros foram redigidos, em sua maioria, em forma de poesia. De modo geral, a prosa retrata o modo como normalmente falamos. E a poesia expressa sentimentos e pensamentos mediante versos que atingem o intelecto e as emoções. Na Bíblia, esse gênero literário trata da aplicação da verdade divina à experiência humana, refere-se à sabedoria prática mais do que teórica (Jó 28.28; Sl 19.7; Pv 23.12; Ec 7.12, Ct 8.7).

 

COMENTÁRIO

São chamados “sapienciais” porque de um modo ou de outro estão envolvidos com o tema da sabedoria. Este conjunto compreende os livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão; nas Bíblias de versões católicas também aparecem Eclesiástico e Sabedoria. Os livros Hagiógrafos do Antigo Testamento são para os judeus o que nós chamamos de Livros Poéticos e compreendem: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, e Cantares, alguns dos nossos estudiosos incluem neste grupo as Lamentações de Jeremias. No cânon hebraico tradicional, contudo, apenas Jó, Salmos, e Provérbios são chamados de “poesia”. Eclesiastes e Cantares fazem parte do grupo de livros chamados “os rolos”, lidos anualmente por ocasião das 5 festas sagradas dos judeus. Estes livros não são chamados poéticos por romancearem seus relatos ou por tratarem de assuntos imaginários ou irreais, mas este nome se deve à forma literária em que foram escritos, à elegância do estilo e das expressões usadas e ao Paralelismo de ideias.

 

2. Eclesiastes, Provérbios e Jó. O tema de Eclesiastes está na frase “é tudo vaidade” (Ec 1.2), indicando a efemeridade da vida humana. Por isso, ao final, o autor declara que o sentido da vida é “ teme a Deus e guarda os seus mandamentos” (Ec 12.13). O tema de Provérbios afiança que “o temor do Senhor é o princípio da ciência [sabedoria]” (Pv 1.7), ensinando que observar os princípios divinos nos faz pessoas sábias. Portanto, ao concluir, o escritor enfatiza que uma pessoa temente a Deus é digna de ser honrada (Pv 31.30). O tema de Jó é o sofrimento (Jó 1.21), mostrando que a dor não é racional e que é preciso sempre confiar no Senhor.

 

COMENTÁRIO

Eclesiastes: - O título de Eclesiastes é uma tradução grega do hebraico qôhelet, significando “aquele que convoca uma congregação” a fim de pregar para ela. Por isso, a expressão “pregador” usada por alguns é perfeitamente adequada (Ec 1.1). O livro afirma “que sua sabedoria vem do ‘único pastor’, e que ao ultrapassar os limites de tal sabedoria, o pretendente a sábio deve exercer o máximo de cuidado (Ec 12.11ss)”. Assim como Ester, o nome do livro não é o nome do seu autor, mas do seu personagem principal.

Provérbios: - na Bíblia hebraica, o título é "Provérbios de Salomão", como também na versão grega, a Septuaginta. O livro reúne os 513 provérbios mais importantes dentre os mais de 3.000 expostos por Salomão (lRs 4.32; Ec 12.9), ao lado de alguns provérbios de outros autores que certamente foram influenciados por esse rei. A palavra "provérbio" significa "ser como"; assim, Provérbios é um livro de comparações entre as imagens comuns e concretas da vida com suas verdades mais profundas. Os provérbios são declarações (ou ilustrações) morais simples que destacam e ensinam as realidades fundamentais da vida. Salomão buscava a sabedoria de. Deus (2Cr 1.8-12) e forneceu "ditos práticos" criados para levar os homens a contemplar 1) o temor de Deus e 2) a vida segundo a sabedoria divina (1.7; 9.10). A síntese dessa sabedoria está personificada no Senhor Jesus Cristo (ICo 1.30).

Jó: - Como acontece com outros livros da Bíblia, Jó traz o nome do personagem principal da narrativa. Esse nome pode ter derivado da palavra hebraica usada para "perseguição”, significando, assim, "o perseguido", ou de uma palavra árabe que significava "arrepender-se", designando, dessa maneira, "o arrependido". O autor relata uma época na vida de Jó em que ele foi testado e o caráter de Deus, revelado. Escritores do Novo Testamento citam Jó diretamente por duas vezes (Rm 11.35; ICo 3.19); adicionalmente, Ez 14.14,20 e Tg 5.11 mostram que Jó foi uma pessoa real. O livro não menciona o nome de seu autor Jó é um candidato improvável porque a mensagem do livro está baseada na sua ignorância quanto ao que havia acontecido no céu e qual a relação desses acontecimentos com suas aflições. Uma tradição talmúdica sugere Moisés como o autor, já que a terra de Uz (1.1) ficava próxima de Midiã, onde Moisés viveu por 40 anos, e poderia ter obtido um registro da história nesse lugar. Salomão também é uma boa possibilidade tanto pela semelhança do conteúdo com partes do livro de Eclesiastes, como pelo fato de que Salomão escreveu os outros livros de sabedoria (com exceção do de Salmos, do qual foi o autor apenas dos SI 72 e 127). Apesar de ter vivido bem depois de Jó, é possível que Salomão tenha escrito sobre acontecimentos que tiveram lugar muito antes de sua época, da mesma maneira que Moisés foi inspirado a escrever sobre Adão e Eva. Eliú, isaías, Ezequias, Jeremias e Esdras também têm sido sugeridos como possíveis autores, mas sem apoio.

 

3. Salmos e Cantares de Salomão. Salmos em hebraico significa “louvor” e sinaliza que a mensagem principal do livro é louvor, oração e adoração. Também é um livro de instruções, porque nos mostra como servir ao Senhor. E ainda fala profeticamente acerca do Messias. Nesses aspectos, considera-se como verso-chave o Salmos 29.2: “Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor na beleza da sua santidade”. O livro de Cantares ilustra o compromisso, a intimidade e o amor que deve existir no casamento. Refere-se ao plano original de Deus acerca do relacionamento conjugal. O versículo-chave sintetiza o ideal da fidelidade entre marido e a sua mulher: “Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu” (Ct 6.3).

 

COMENTÁRIO

Salmos: - No texto hebraico, a coleção completa dos Salmos chama-se "Louvores". Mais tarde, os rabinos passaram a chamá-la de "O livro dos louvores". A Septuaginta, tradução grega do Antigo Testamento, chamou-a de "Salmos". O verbo grego do qual o substantivo "salmos" deriva indica, basicamente, "tocar ou tanger em cordas", o que sugere uma associação com acompanhamento musical. O título em português deriva do te fino grego e seu contexto. Os Salmos constituíam o antigo "hinário" de Israel inspirado por Deus (2Tm 3.16), que definia o espírito apropriado e o conteúdo da adoração. Há 116 salmos que contêm inscrições ou "títulos". O texto hebraico inclui esses títulos nos próprios versículos. Quando os títulos são observados individualmente e estudados como um fenômeno geral, encontramos importantes indicações de que foram acrescentados aos seus respectivos salmos logo após a sua composição, e que esses títulos contêm informações confiáveis. Esses títulos transmitem vários tipos de informação como autoria, dedicatória, contexto histórico, indicação litúrgica para um líder de adoração, instruções litúrgicas, mais outras informações técnicas de significado incerto por serem muito antigas. Uma preposição hebraica bem pequena aparece anexada na maioria dos títulos dos Salmos. Ela pode transmitir diferentes relacionamentos, como, por exemplo, "de", "ao”, "para", "em referência a", "sobre". Às vezes, ela aparece mais de uma vez, até mesmo em títulos curtos, normalmente comunicando "de” ou "por" Fuiano... "para" a informação de Beltrano... Todavia, na maioria das vezes, essa pequena preposição indica a autoria de um salmo, seja "de" Davi, o perfeito salmista de Israel, ou "por" Moisés, Salomão, Asafe ou os filhos de Corá. Da perspectiva divina, o saltério aponta para Deus como seu autor. Considerando a autoria a partir do lado humano, pode-se identificar uma lista de mais de sete compositores. O rei Davi escreveu pelo menos 73 dos 150 salmos. Aos filhos de Corá são atribuídos dez (SI 42; 44—49; 84—85; 87); e Asafe contribuiu com 12 (SI 50; 73—83). Entre os outros autores estão Salomão (SI 72; 127), Moisés (SI 90), Hemã (Sl 88) e Etã (SI 89). Os 50 salmos restantes permanecem anônimos em sua autoria, ainda que se considere que Esdras seja o autor de alguns. O período dos salmos se estende de Moisés, c. 1410 a.C. (SI 90) ao período pós-exílio do final do século 6º ou começo do século 5º (SI 126), que abrange c. 900 anos da história judaica.

Cântico dos Cânticos de Salomão: - A versão grega (Septuaginta) e a versão latina (Vulgata) seguem o hebraico (texto massorético) com a tradução literal das duas primeiras palavras em 1.1 — "Cântico dos cânticos". Algumas versões na nossa língua traduziram como "Cantares de Salomão", fornecendo, desse modo, o sentido completo de 1.1. O superlativo, "Cântico dos cânticos", indica que esse cântico é o melhor dentre as 1.005 obras musicais de Salomão (lRs 4.32). A palavra traduzida por cântico normalmente se refere à música que honra ao Senhor (cf. ICr 6.31-32; Sl 33.3; 40.3; 144.9). Salomão, que governou o reino unido por 40 anos (971-931 a.C.), é citado pelo nome sete vezes nesse livro (1.1,5; 3.7,9,11; 8.11-12). Diante de suas habilidades de escritor, do seu talento musical (lRs 4.32), e do significado de autoria, e não de dedicatória, de 1.1, essa parte da Escritura pode ter sido escrita em qualquer momento durante o seu reinado. Uma vez que as cidades do norte e do sul são citadas nas descrições e viagens de Salomão, tanto o período retratado como a época em que o livro foi escrito apontam para o reino antes de sua divisão, o que ocorreu após o término do seu reinado. Como essa parte das Escrituras contém um cântico escrito por um único autor, é melhor considerá-la como um acréscimo à literatura poética e de sabedoria em vez de uma série de poemas de amor sem um tema ou autor comum.

 

III – UMA MENSAGEM AO CORAÇÃO

 

1. Uma mensagem de soberania. A Bíblia descreve o que Deus fez na vida das pessoas e por meio delas. Por exemplo, Deus conduziu Josué na travessia do Jordão (Js 3.13). O feito favoreceu o acesso à Terra Prometida (Js 5.1). Deus levantou nações para punir a rebeldia de seu povo e ainda proveu o meio de escape, a fim de evitar a extinção da nação eleita (Rm 9.29). Ele resgatou da Babilônia o remanescente conforme a promessa feita a Davi (Ed 9-13). Foi Ele que conservou a nação de Judá e assim preparou o caminho para a vinda do Messias prometido (At 13.17-23). Assim sendo, nosso coração deve se aquietar, porque Deus é soberano, Ele age na história e nada acontece fora da sua vontade (Mt 10.29,30).

 

COMENTÁRIO

A soberania indica o domínio absoluto de Deus sobre todas as obras criadas: a terra, os céus, a vastidão do universo, os seres espirituais, os animais, os homens, e sobre todo o curso da história: “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam” (Sl 24.1); “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Dn 4.25). A soberania é demonstrada, dentre outros atributos, pela sua Onipotência que executa o plano eterno e opera no controle de tudo e de todos (Rm 9.15-19). O termo soberania, denota uma situação em que uma pessoa, com base em sua dignidade e autoridade, exerce o poder supremo, sobre qualquer área, em sua província, que esteja sob a sua jurisdição. Um “soberano” pois, exerce plena autonomia e desconhece imunidades rivais.

 

2. Uma mensagem de sabedoria. Deus é a fonte da sabedoria (Pv 2.6), e o propósito da sabedoria é agradar a Deus (Pv 3.5). Desse modo, todo o conselho prático está subordinado à sabedoria divina. Dentre eles, citam os: andar retamente (Pv 2.7); fugir da luxúria (Pv 2.16); não ser preguiçoso (Pv 6.6); manter boa reputação (Pv 22.1); tomar cuidado no falar (Ec 5.2); não confiar no dinheiro (Ec 5.10); viver com alegria (Ec 9.7); remir o tempo (Ec 12.1); manter a integridade (Jó 1.22); aceitar a repreensão (Jó 5.17); confiar no Senhor (Jó 19.25); e desfrutar do verdadeiro amor (Ct 8.7). No entanto, essas ações não devem ser observadas de forma legalista, elas devem ser o resultado do toque divino no coração humano (Pv 4.23).

 

COMENTÁRIO

Como já visto nesta obra, a sabedoria é a habilidade de aplicar o conhecimento para fazer escolhas certas no momento oportuno. Refere-se à prática da prudência que ultrapassa o mero conhecimento intelectual ou acadêmico. A Bíblia Sagrada ensina que temer ao Senhor e observar os seus preceitos nos fazem viver como pessoas sábias (Ef 5.15) e os que rejeitam ao Senhor e sua Palavra vivem na ignorância (Sl 14.1).18 Nos chamados livros “sapienciais” ou ‘poéticos”, Deus inspirou seus autores para nos agraciar com uma mensagem de sabedoria a ser executada em nosso viver diário.

CHAMPLIN defende: «…e, sim, como sábios…» Neste ponto é empregada a palavra que usualmente significava «sábio», isto é, “«sophos», ainda que em sentido espiritual. Essa palavra indica aqueles que foram espiritualmente iluminados, para que se tornem sábios, dotados de discernimento. Os atos de Deus são todos efetuados com base na sabedoria, conforme o trecho de Efé. 1:8, onde também tal termo é comentado. Notemos que viver no pecado é demonstração de loucura; e que viver na retidão é prova de sabedoria. A totalidade do N.T. é demonstração das razões pelas quais as coisas são assim. O texto presente vincula as «trevas» e a «morte» com a «insensatez do pecado», ao mesmo tempo que a «vida» e a «luz» são ligadas à «sabedoria da santidade». E nossa consciência também faz essa equiparação. E aquele que no homem interior testifica sobre essa verdade é o Espírito Santo. Cumpre-nos observar que este versículo é paralelo de Col. 4:5CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 623.

 

3. Uma mensagem de adoração. Os salmos possuem a peculiaridade de expressar as mais profundas emoções do coração humano, tais como: medo, angústia e tristeza (SI 116.3); força, segurança e alegria (SI 118.14). Também refletem o ideal divino da espiritualidade e adoração. Entre outros retratos da vida espiritual, destacam-se: o coração que confia (SI 3.3); o coração contrito (SI 6.1); o coração que glorifica (SI 8.1), o coração agradecido (Sl 30.1), e o coração arrependido (Sl 51.1). A fim de manter a verdadeira adoração em todas as circunstâncias da vida, o salmista descreveu a conduta por ele adotada: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119.11).

 

COMENTÁRIO

As Escrituras ensinam que somente o Deus único e verdadeiro deve ser adorado (Êx 20.1-5). A adoração faz parte do culto prestado a Deus tanto individual como coletivo. Em geral, os elementos da adoração compreendem a oração, o louvor, os cânticos, o meditar na Palavra de Deus, dentre outros. O Dicionário Vine esclarece que a palavra hebraica sãhãh ocorre mais de 170 vezes no Antigo Testamento sendo “usada como termo comum para se referir a ir diante de Deus em adoração (Jr 7.2)”. No Novo Testamento, o verbo grego proskuneõ é empregado 59 vezes com o significado de adorar (cf. Mt 2.2,8,11; 4.10; Jo 4.21-24; 9.38; 1 Co 14.25; Hb 1.6; Ap 4.10; 5.14; etc.).

Ainda CHAMPLIN: “Guardo no coração as tuas palavras. Qualquer criança que frequente a escola dominical conhece este versículo e qualquer crente adulto também o conhece, mas porventura nós o observamos? Este versículo é largamente usado para falar sobre a sabedoria da memorização da Bíblia e, embora provavelmente não seja esse o sentido pretendido, é uma boa aplicação.  Naturalmente, este versículo fala sobre a lei, empregando a terceira das dez palavras listadas no vs. 1. Guardo. Isto é, “escondo” (conforme diz a Revised Standard Version), aludindo à metáfora de um tesouro escondido. O homem que tem o tesouro escondido em seu coração tem menor inclinação a ceder à tentação. “A palavra de Cristo deve habitar nele ricamente. Caso contrário, em breve ele pode ser surpreendido por algum pecado teimoso” (Adam Clarke, in loc.). Habite ricamente em vós a palavra de Cristo, instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos coraçõesCHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 2433.

 

CONCLUSÃO

A experiência do povo de Deus na conquista e posse da Terra Prometida aponta para a soberania divina. O texto bíblico em prosa e poesia revela a sabedoria divina, que deve ser aplicada em nosso viver diário. Essa mensagem alegra o nosso coração, serve de bom remédio, e conserva saudável nosso espírito, alma e corpo (Pv 17.22).

 

COMENTÁRIO

Nos escritos sapienciais, não só se escuta a voz dos sábios de Israel, mas também, às vezes, se deseja ouvir a dos sábios de outros povos (Pv 30.1 31.1). E, em certas ocasiões, inclusive a Sabedoria (personificada) fala e convida a todos a receberem o seu ensinamento, que é tesouro de valor incomparável (Pv 8.10-11). Como uma diligente dona de casa, a Sabedoria preparou um banquete do qual deseja que todos participem (cf. Pv 9.1-6). Em contraposição a ela, e também personificada, a Loucura tenta atrair com seduções e falsos encantos os ingênuos e os inexperientes (Pv 9.13-18). Numa etapa posterior da sua história, o povo hebreu identificou a sabedoria com a Lei (lit. “instrução”) promulgada por Moisés no monte Sinai. Assim, Pv 1.7 estabelece que “o temor do SENHOR é o princípio do saber” (cf. Sl 111.10 Pv 9.10) e Jó 28.28 afirma que “o temor do Senhor é a sabedoria, e o apartar-se do mal é o entendimento”, o que contém uma admoestação característica da lei mosaica e também de toda a Bíblia. Jó havia feito a ligação que os outros não haviam conseguido. Conquanto as características específicas da sabedoria de Deus possam não ter sido reveladas a nós, o alfa e o ômega da sabedoria está em reverenciar a Deus e evitar o pecado (SI 111.10; Pv 1.7; 9.10; Ec 12.13-14), deixando as perguntas não respondidas para ele, em confiante submissão. Tudo o que podemos fazer é confiar e obedecer (Ec 12.13), e isso já é sabedoria suficiente (essa é a sabedoria de Pv 1.7—2.9). Talvez uma pessoa nunca venha a conhecer os motivos para os sofrimentos da vida.

Pb Francisco Barbosa

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

O que Israel experimentou no período dos livros históricos?

Israel experimentou a providência, a proteção e o juízo divino.

Para onde as histórias desses livros apontam?

Essas histórias apontam para a fidelidade e a misericórdia divina.

Cite os cincos livros que são classificados como livros sapienciais ou poéticos.

Eclesiastes, Provérbios E Jó, Salmos e Cantares de Salomão.

O que acontece quando observamos os princípios divinos?

Observar os princípios divinos nos faz pessoas sábias.

Quem conservou a nação e preparou o caminho para a vinda do Messias?

Deus