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19 de dezembro de 2020

4 Tri 20 | Lição 13 Quando Deus Restaura o Justo | Pb Francisco Barbosa

 

4º TRIMESTRE 2020

ANO 13 | EDIÇÃO Nº 686

L  I  Ç  Ã  O

 

Quando Deus

13

Restaura o Justo

27 DEZ 20

A Fragilidade Humana e a Soberania Divina

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD REVISTA ADULTOS  -  QUARTO TRIMESTRE DE 2020







 

 

Texto Áureo

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. ” (Jó 42.10)

 

Verdade Prática

A restauração do ser humano acontece em razão do amor e da misericórdia de Deus, e não como consequência do esforço pessoal, piedade ou atos de bondade.

 

Leitura Bíblica em Classe

Jó 42:1-17

 

INTRODUÇÃO

Nesta última lição trataremos sobre a restauração de Jó. Veremos que ela se dá quando ele se humilha diante de Deus e intercede por seus amigos. Constatamos também que o testemunho de Deus sobre Jó provou ser verdadeiro, e seus amigos tiveram de se retratar. Durante toda provação, ele se manteve íntegro e não lhe foi atribuída impiedade alguma. Pelo contrário, o Senhor o restaurou de forma grandiosa.

- O arrependimento c confissão de Jó finalmente aconteceram. Ele ainda não sabia por que havia sofrido tanto, mas havia parado de reclamar, questionar e desafiar a sabedoria e a justiça de Deus. Jó foi totalmente humilhado e esmagado pelo peso da grandeza do Deus; por isso, tudo o que podia fazer era arrepender-se de sua insolência. Sem ter obtido respostas a todas as suas questões, Jó, em silêncio, ajoelhou-se em humilde submissão diante de seu Criador e admitiu que Deus era soberano. O mais importante para a mensagem do livro é que Jó continuava doente, sem seus filhos e sem posses, e Deus não havia mudado nada (com exceção da humildade do coração do seu servo). ficou provado que Satanás estava errado nas acusações que havia feito contra Jó em achar que poderia destruir a verdadeira fé salvadora; os companheiros de Jó estavam totalmente errados nas acusações que fizerem contra ele; porém, o pior de tudo, o próprio Jó estava errado nas acusações que havia feito contra Deus. Jó expressou seu profundo arrependimento por não ter simplesmente aceitado a vontade de Deus sem tais perguntas e queixas ignorantes.

- Como escreve Matthew Henry: “Tudo isto está escrito para o nosso aprendizado, para que nós, quando estivermos sob estes e outros motivos semelhantes de desânimo que viermos a enfrentar, pela paciência e consolação desta escritura possamos ter esperança”. (HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 203-204). Vamos pensar maduramente a nossa fé?

 

I – A HUMILHAÇÃO DE JÓ

 

1. O Jó humilhado. Os capítulos 38, 39 e 40 demonstram como Deus expôs a Jó sua onipotência na Criação e sapiência em preservá-la. Ele mostrou que o patriarca era incapaz de, não apenas compreender a dinâmica da Criação, mas, sobretudo, fazer algo parecido com ela. Jó se convenceu de que seus próprios questionamentos eram injustos. Se ele não era capaz de fazer o que Deus fez, então, com que direito criticava os caminhos divinos? Se apenas uma das criaturas de Deus era capaz de impor terror em Jó, como se comportaria ele diante do Criador dessas criaturas?

- Tudo o que restava fazer era arrepender-se! As cinzas em que o homem destruído se sentou não haviam mudado; mas o coração do servo sofredor de Deus, sim. não precisou se arrepender de alguns pecados que Satanás e seus acusadores haviam levantado. Mas ele havia exercitado a presunção e feito alegações de injustiça contra seu Senhor, e odiou-se por causa disso de uma maneira que clamava por quebrantamento e contrição. CHAMPLIN escreve assim sobre O Arrependimento de Jó (42.1-6): “O primeiro discurso divino reduziu Jó a um silêncio atônito, mas não arrancou dele nenhuma ação. Ver Jó 40.3-5. Ele confessou que “nada significava” e pôs a mão sobre a boca. Mas agora ele agia, respondendo positivamente, ao ver a luz no fim do túnel de seus sofrimentos. Jó confessou sua ignorância e arrogância. Ele esteve errado ao abusar de Deus com suas queixas amargas. Ele falou de assuntos sobre os quais pouco ou nada sabia; confessou que havia coisas “altas demais para ele”, e que não deveria ter saído a falar infantilmente sobre elas. Jó, porém, experimentou uma espécie de experiência mística (vs. 5), vendo Deus, ou seja, Sua teofania. Por conseguinte, ele se “arrependia” e abominava a si mesmo. Naturalmente, ele era um pecador, mas as coisas tinham ficado claras, já que ele não sofria por causa de algum estado pecaminoso, nem era punido em razão desse estado. Ver Jó 2.3. Seus sofrimentos tinham sido grandes demais para serem lançados na conta de sua vida moral. Não obstante, quando fitou a Deus, Jó viu a massa lamentável em que se transformara e arrependeu-se de todas as palavras duras e de todos os atos maus que tinham caracterizado sua vida. O humilhado Jó podia agora avançar para a cura e para a restauração, o que encontramos no epílogo do livro. “Na primeira reação de Jó (ver Jó 40.3-5), ele admitiu seu caráter finito diante da exibição divina de numerosas maravilhas da natureza, acima, neste mundo e debaixo da terra. Mas ele não se submeteu à soberania de Deus para livrar-se de seu orgulho. Agora, em sua segunda reação e resposta, Jó confessava essas duas coisas. Avassalado pela força de beemote e leviatã, Jó sentiu sua inadequação para conquistar e controlar o mal que eles representavam. Portanto, Jó viu novamente a grandeza do poder e da soberania de Deus… Seus esforços por cortar o plano de Deus foram, agora, vistos como fúteis” (Roy B. Zuck, in loc.). (CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2037).

 

2. Reverência e submissão. Diante da assombrosa visão da Criação de Deus, Jó agora exclama: “Bem sei eu que tudo podes” (Jó 42.2). Esse versículo demonstra sua atitude de reverência e submissão diante de Deus. Ele percebe que tudo o que aconteceu em sua vida tinha um desígnio divino e, portanto, era tolice discutir ou questionar com a sapiência divina: “Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso, falei do que não entendia” (Jó 42.3; cf. 38.2). Ao repetir a censura que Deus lhe fizera anteriormente, no capítulo 38, Jó demonstra não ver mais injustiça alguma nas ações de Deus. Ele admite que agiu com presunção, pois desconhecia os sábios propósitos divinos.

- Jó mencionou duas vezes as declarações que Deus havia feito em seu interrogatório. A primeira menção "Quem é este que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento?" (30.2) acusava o orgulho e a presunção de Jó com relação ao conselho de Deus. A segunda: "Eu te perguntarei e lume farás saber" (38-3; 40.7) expressava a autoridade judicial de Deus em exigir as respostas de seu próprio acusador, Jó. As duas menções demonstraram que Jó compreendeu a admoestação divina e confessa: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (42.2). Tudo quanto sabemos de Deus, a respeito do seu poder, da sua bondade, do seu amor por este mundo, não chega ao ponto de podermos dispensar o livro de Jó. Para nós, é o mais expressivo documentário que existe sobre teologia, teogonia e muitas outras ciências, que só nos últimos tempos se tomaram mais ou menos conhecidas. Então bem haja a ferida aberta nas carnes de Jó, os seus lamentos, as suas queixas infundadas, pois por meio delas fomos beneficiados com esta obra.

 

3. Uma experiência viva com Deus. A postura de Jó diante de Deus muda drasticamente. Ele ainda continua a se dirigir a Ele, mas não da mesma forma que fazia. Agora sua atitude é humilde, reflexo de uma experiência viva com Deus, conforme descrita nas seguintes palavras: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42.3). Para Jó, Deus era conhecido apenas de ouvido, mas agora o patriarca viu o Criador

- Ao final, disse ter compreendido o Deus que havia visto pelos olhos da fé. Ele nunca havia compreendido tão bem a grandeza, a majestade, a soberania e a independência de Deus como nesse momento! “Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho?” Com essas palavras, Jó citou a voz divina que lhe tinha sido endereçada e confessou que a verdade fazia parte da pergunta. Ele estava ocultando o conselho, mediante seus discursos tolos. A citação foi feita a partir das palavras de Deus, em Jó 38.2, proferidas no início do primeiro discurso divino. O Pr batista Antônio Neves Mesquita, escreve: “Essa experiência mudou-lhe a forma de ser. Segundo o teólogo Roy Zuck, Jó possuía um conhecimento de Deus apenas por tradição, de segunda ou terceira mão; mas agora ele o conhecia por meio de uma experiência pessoal. Não podemos nos contentar com um conhecimento teórico acerca de Deus, mas devemos experimentá-lo. Quando temos experiências vivas com o Altíssimo, renunciamos aos nossos “achismos” (42.3), confessamos nossa miséria “no pó e na cinza” (42.6), rejeitamos o nosso orgulho e rebeldia. Deus é glorificado em todas as áreas da vida. Em terceiro lugar, Jó é agora um crente que se regozija na experiência da comunhão com Deus (41:4-6). A sua enfermidade já passou a outro plano; agora se sente alegre e feliz no conhecimento que teve do seu Criador (v. 5). Comparada a sua fé atual com o seu intelectualismo e bazófia anterior, ele se apresenta como uma criança, dócil e humilde ante o seu Senhor. A sua religião antes era puramente exterior, religião que denominaríamos de farisaísmo. Ele não tinha visto ainda a Deus, na realidade da vida, mas agora confessa: os meus olhos te vêem, e por isso me abomino (v. 6). Que diferença! Antes um homem arrogante e desafiador de Deus, pedindo uma explicação razoável para o seu caso; agora um humilde e penitente adorador, considerando-se abominável. As perfeições humanas, vistas à luz da perfeição divina, dão esse resultado. A religião, anterior de Jó era, quando muito, um eco do que deveria ser, e jamais chegaria a realizar-se religiosamente diante de Deus sem essa doença terrível. Seria então o caso de dizermos: “Abençoada doença!”. Sem desejarmos aumentar palavras, podemos concluir esta apreciação, confessando que Jó não foi o último a fazer esta descoberta. Quantos cristãos sinceros são levados a fazer juízos falsos a respeito do tratamento que recebem de Deus, apenas porque são bons freqüentadores da igreja, pagam dízimos, cantam e oram! Na verdade, tudo isto é bom e necessário; mas, sem uma experiência pessoal e íntima da pessoa de Deus na vida, tais práticas se parecem com aquela oração do fariseu referida por Jesus em Lucas 18:9-14. Nós diríamos que Jó não havia ainda recebido a unção do Espírito divino. Sim, não a teria recebido nos termos do ensino de Atos. Mas ainda que a tivesse recebido, isso não bastaria, porque tantos hoje, que devem ter recebido o Espírito Santo, são uma miniatura de Jó”. (Mesquita. Antônio Neves de. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP).

 


 

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II – A INTERCESSÃO DE JÓ

 

1. A ira de Deus. Após ter se dirigido a Jó, o Senhor volta-se para Elifaz, o temanita: “A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42.7). Estas palavras dizem muito sobre o conteúdo teológico do livro de Jó. Demonstram que as exposições feitas pelos seus amigos não eram todas verdadeiras, pois partiam de premissas falsas. Eles não apenas acusaram o patriarca, mas associaram o seu sofrimento a algum pecado cometido por ele. Jó havia se humilhado, mas não do que lhe acusavam. Ele humilhou-se a respeito de suas falas precipitadas que revelavam orgulho e falta de bom senso. Em outras palavras, ele errou durante o seu sofrimento, mas não por conta de pecados cometidos antes do atual sofrimento.

- Deus inocenta Jó diretamente ao afirmar que ele havia agido de maneira correta ao rejeitar o erro de seus amigos. Eles, então, foram repreendidos pelas falsas alegações repletas de insensibilidade e arrogância. Isso não quer dizer que tudo o que haviam dito estava errado, mas haviam feito declarações incorretas sobre o caráter e as obras de Deus, como feito alegações incorretas contra Jó. Não disseram o que era reto, perante Deus. Portadores dos conceitos da sua época, cheios de conhecimentos teológicos mal aplicados, não tiveram uma palavra que pudesse desanuviar o caminho tenebroso em que Jó estava metido sem o saber. MESQUITA, em obra já citada, escreve: “Para eles, tudo se resumia num principio falso de que todo sofrimento é resultante de pecado cometido; nada mais sabiam do que isso. O que conheciam de Deus era de um Ser vindicativo, que não tem complacência para com o pobre pecador. A misericórdia, a graça, a bondade de Deus eram desconhecidas no seminário onde haviam estudado, apesar de essas virtudes divinas sempre terem sido conhecidas na antiguidade. Por isso falsearam a doutrina a respeito de Deus. Não Assestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó (v. 7). Jó recebeu o maior elogio que um grande crente pode esperar de seu Deus. A teologia de Jó, mesmo com as suas falhas, era correta, e isso foi reconhecido. Era natural que se sentisse atingido, sem uma causa razoável, embora no conjunto, sempre tivesse Deus em sua mira dialogal, recebendo agora o justo prêmio. Não houve censura para Eliú. Por quê? Talvez por dissentir da teologia comum, de que todo sofrimento é resultante de pecado. Mesmo querendo forçar Jó a mudar de atitude para com Deus, jamais afinou pelo diapasão dos seus colegas mais velhos. Colocar Jó numa posição de penitente era o seu esforço. É, fácil de ver que a teologia dos três amigos falseava o caráter divino nos seus fundamentos, dando-o como um Deus vingativo, cruel, à moda dos deuses pagãos. Deus pune o pecado, mas esta punição é amorosa e misericordiosa tanto que mandou o seu Filho ao mundo “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Esse é o caráter divino, que os três amigos ignoravam. Certo que Jesus ainda não tinha vindo ao mundo em carne, para revelar a bondade e a misericórdia de Deus, porém, nos muitos tratos com o povo israelita, Deus se tinha mostrado magnânimo e perdoador, num grau que não podia deixar dúvidas, quanto à sua maneira de tratar com os transgressores. Afinal, Deus é amor”. (MESQUITA. Antônio Neves de. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP).

 

2. O pecado dos amigos de Jó. Representados por Elifaz (42.7.9), o mais velho, o pecado dos amigos de Jó foi evidentemente exaltar a justiça de Deus, mas limitar seu poder soberano. Para eles, todo sofrimento deveria ser uma consequência de um juízo divino como resposta a um pecado praticado. Como o livro de Jó demonstra, quando dentro dos propósitos de Deus, o sofrimento é uma manifestação de seu amor e graça e não uma forma de punição (Jó 1.8-12). Paulo corrobora esse princípio quando diz que nos foi concedida a graça de padecermos por Cristo e não apenas de crermos nele (Fp 1.29). Nisto os amigos de Jó pecaram e, por isso, precisavam da intercessão do homem de Uz.

- Do mesmo modo que Deus foi gracioso com Jó, ele foi com os amigos dele, por meio do sacrifício e da oração. Aqui. O livro aponta para a necessidade do sacrifício pelo pecado; essa exigência se cumpriu no Senhor Jesus Cristo, que se entregou a si mesmo como uma oferta pelos pecados e está vivo para interceder (1Tm 2.5). Mesmo antes do sacerdócio levítico, líderes familiares agiam como sacerdotes, oferecendo sacrifícios e mediando pela oração. Deus não aprovou a atitude que Jó teve em relação a Ele, mas Deus também não aprovou a atitude dos três amigos no seu debate com Jó. Deus se dirige a Elifaz: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque o erro de vocês é mais sério do que o de Jó. Ele então os instrui a pedir que Jó ore em favor deles. Isso foi feito, como o Senhor lhes dissera.

 

3. A oração de Jó. Deus dirige-se aos amigos de Jó e aconselha-os irem ao patriarca para que este interceda por eles (Jó 42.7,8). Esse episódio mostra que uma teologia errada, evidentemente, conduz para uma crença igualmente equivocada. Os amigos de Jó defenderam Deus de forma enérgica e sincera, mas errada. O sofrimento do patriarca não veio como uma punição, mas como provação. A fidelidade de Jó foi provada por Deus e ele foi aprovado pelo Criador, pois continuava íntegro e com seu caráter reto, conforme sua humilhação demonstrou. Agora, esse homem, outrora acusado de pecador pelos seus amigos, os socorrerá por meio da oração.

- CHAMPLIN comenta: “Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros. Isso para evitar que fossem severamente punidos, por causa da insensatez; eles precisariam de: 1. Sacrifícios apropriados; e 2. orações medianeiras de Jó, que devem ter sido muito amargas, sem falar no elemento surpresa contido nelas. Eles apresentaram mal a verdade, pois não falara, em favor de Deus e perseguiram Jó com falsas acusações. Nem uma única vez aqueles homens miseráveis oraram por Jó, porém, o homem perseguido seria generoso e oraria por eles. Irados, eles procuraram ferir Jó e reivindicaram estar servindo a Deus, algo tão comum entre os perseguidores nos círculos religiosos. A arrogância sempre se faz presente nesses casos. ‘Jó tinha anelado por um mediador entre si mesmo e Deus (ver Jó 16. 19-21), visto que seus três compatriotas não intercedam por ele. Ironicamente, entretanto ele mesmo se tornou o mediador em favor deles, embora eles não tivessem pedido nenhum mediador” (Roy B. Zuck, in loc.). Oferecei holocaustos. Cf. Jó 1.5, onde vemos Jó fazendo tais sacrifícios em prol de seus filhos. Jó 1.2 mostra que Jó tinha sete filhos, sendo provável, pois, que ele oferecesse sete sacrifícios. Contudo, não parece haver coisa alguma de especial quanto ao número. Provavelmente, é por pura coincidência o número de sete animais em Jó 1.5, bem como no presente versículo. O número sete representa um sacrifício completo ou total. Ver no Dicionário o verbete chamado Holocausto. Esta passagem deve ser comparada a Núm. 23.2-29. O livro de Jó foi escrito como se pertencesse à época dos patriarcas, e a discussão sobre a lei foi cuidadosamente evitada. Mas os sacrifícios expiatórios eram uma prática antiquíssima, antecedendo ao período patriarcal. Cf. também Eze. 4.22-25” (CHAMPLIN, pag. 2039-2040).

 

III – A RESTAURAÇÃO DE JÓ

 

1. Restauração moral e espiritual. A restauração de Jó acontece primeiramente nas dimensões moral e espiritual. Convém destacar que as bênçãos recebidas por ele devem ser vistas como uma restauração e não retribuição. Não há uma teologia da retribuição no Livro de Jó, onde o ímpio é sempre punido e o justo sempre recompensado. A mensagem de Jó é diametralmente oposta a esse princípio. A lição moral e espiritual do livro é que Deus abençoa os homens porque os ama e não porque estão envolvidos numa troca de favores em que prevalece uma barganha espiritual

- Comentando sobre a restauração de Jó, Matthew henry escreve em ‘Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão’ (CPAD): “Ouvistes qual foi a paciência de Jó (diz o apóstolo, Tiago 5.11) e vistes o fim que o Senhor lhe deu, isto é, qual o fim que o Senhor, no final de tudo, deu às suas aflições. No início deste livro tivemos a paciência de Jó sob as suas aflições, por um exemplo; aqui, na conclusão, para o nosso incentivo a seguirmos este exemplo, temos o resultado feliz das suas aflições e a condição próspera à qual ele foi restaurado depois delas, o que nos confirma que aqueles que perseveram são felizes. Talvez, também, a prosperidade extraordinária com a qual Jó foi coroado depois das suas aflições, tivesse o propósito de ser para nós cristãos uma tipificação e uma ilustração da glória e da felicidade do céu, que as aflições deste tempo presente estão operando a nosso favor, e no que elas resultarão no final; isto será mais do que o dobro de todos os deleites e satisfações que desfrutamos agora, assim como a prosperidade posterior de Jó foi em relação à primeira, embora naquele momento ele fosse o maior de todos os homens do oriente. Aquele que suporta corretamente a tentação, quando for provado, receberá toda a riqueza, e honra, e consolação, da qual temos aqui um relato. Deus se voltou a ele em caminhos de misericórdia; e seus pensamentos a respeito dele eram pensamentos do bem e não do mal, para lhe daí’ o fim esperado (ou melhor, inesperado), Jeremias 29.11. As suas aflições começaram na malícia de Satanás, a qual Deus restringiu; a restauração dele começou na misericórdia de Deus, à qual Satanás não poderia se opor. A queixa mais angustiante de Jó, e de fato a expressão mais triste de todas as suas queixas, sobre a qual ele colocou a maior ênfase, era de que Deus se manifestou contra ele. Mas agora Deus claramente se manifestou em seu favor, e velou sobre ele para edificar e para plantar, assim como havia (pelo menos em sua compreensão) velado sobre ele para arrancar e para derribar, Jeremias 31.28. Isto colocou imediatamente uma nova face sobre estes assuntos, e todas as coisas agora pareciam muito agradáveis e promissoras, na mesma intensidade em que anteriormente pareciam melancólicas e aterrorizantes. 1. Deus virou o seu cativeiro, isto é, Ele corrigiu as suas injustiças e removeu todas as causas das suas queixas; Ele o soltou das amarras com as quais Satanás o havia amarrado por tanto tempo, e libertou-o das mãos cruéis às quais havia sido entregue. Podemos supor que agora todas as suas dores e inquietações físicas foram curadas tão subitamente e tão completamente que a cura foi quase um milagre: A sua carne se tornou mais macia do que a carne de uma criança, e ele voltou aos dias da sua mocidade; e, além disso, Jó sentiu uma alteração muito grande em sua mente; ela estava calma e tranquila, e o tumulto estava todo acabado; todos os seus pensamentos inquietantes tinham desaparecido, seus temores estavam todos calados, e as consolações de Deus eram agora o deleite da sua alma na mesma intensidade que os seus terrores tinham sido o seu fardo. A maré assim mudou, as suas aflições começaram a baixar tão rápido quanto tinham subido, exatamente quando ele estava orando pelos seus amigos, orando sobre o sacrifício que ele ofereceu por eles. A misericórdia não voltou quando ele estava discutindo com os seus amigos; não, embora ele tivesse o direito ao seu lado, mas quando ele estava orando por eles; porque Deus é melhor servido e agradado com as nossas devoções fervorosas do que com as nossas discussões acaloradas. Quando Jó concluiu o seu arrependimento através deste gesto de perdoar as transgressões dos homens, então Deus concluiu a sua remissão virando o seu cativeiro. Note que nós estamos realmente cumprindo o nosso dever quando estamos orando pelos nossos amigos, se orarmos da maneira certa, porque nestas orações não só há fé, mas amor. Cristo nos ensinou a orar com os outros e pelos outros ao nos ensinar a dizer, Nosso Pai; e, ao buscarmos a misericórdia para os outros, podemos achar misericórdia para nós mesmos. O nosso Senhor Jesus tem a sua exaltação e o seu domínio ali, onde Ele vive fazendo as intercessões. Alguns, pela virada do cativeiro de Jó, entendem a restituição que os sabeus e os caldeus fizeram do gado que tinham tirado dele. Se assim foi. Deus os inclinou, de uma forma maravilhosa, a fazer isso; e com estas coisas Ele começou o mundo outra vez. Provavelmente foi assim; aqueles saqueadores tinham engolido as suas riquezas, mas foram forçados a vomitá-las novamente, cap. 20.15”. (HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 208-209).

 

2. Restauração social e material. A restauração de Jó também aconteceu nas dimensões social e material (Jó 42.11). As calamidades que sobrevieram sobre ele, especialmente, suas feridas físicas e emocionais, o expulsaram do convívio social. Ele suportou sozinho o que pensavam ser um julgamento de Deus. Mas agora todos veem a graça divina derramada de forma abundante sobre ele. Era, portanto, a hora de voltar ao convívio social e desfrutar de tudo o que o Senhor lhe deu, pois “o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía” (Jó 42.10). A restauração que o Senhor Jesus faz na vida do ser humano leva em conta todas as dimensões da vida. Ele restaura a vida espiritual, moral, social, material, trazendo dignidade ao homem que teve, por meio da graça divina, a imagem de Deus restaurada.

- “As boas novas se espalharam rapidamente, e todos os ex-amigos, incluindo a terrível tríade e Eliú, bem como todos os seus parentes, reuniram-se na casa de Jó para um banquete de ação de graças. Todos eles trouxeram ao bom homem presentes, entre eles um anel de ouro, sinal especial de amizade. É provável que fosse, na realidade, um anel de nariz (ver Gên. 24.22,47 e Isa. 3.21). Esses presentes simbolizavam cortesia e amizade e, na ocasião, foram um sinal de alegria especial. A intervenção divina corrigira tudo quanto estava errado. O cativeiro de Jó (10) refere-se a todo sofrimento que ele passou. As amizades e sua honra foram restauradas (11). Sua riqueza foi duplicada (cf. 1.3 e 42.12). Ele foi agraciado com o mesmo número de filhos (cf. 1.2 e 42.13). Os nomes das suas três filhas são mencionados (14). Lemos que em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas com as filhas de Jó (15). Também é mencionado que elas compartilhariam da herança com os seus filhos. Jó foi coroado com uma vida longa depois da sua provação — cento e quarenta anos (16) — a ponto de ver a sua descendência até à quarta geração. Sua morte foi feliz porque ele havia vivido bem a sua vida. Então, morreu Jó, velho e farto de dias (17). Este livro não conta, de fato, por que os homens sofrem em nosso mundo. Ele pode ajudar aqueles que sofrem a suportar o sofrimento com paciência, e a manter a fé de acordo com os caminhos de Deus, mesmo quando esses caminhos são obscuros. Todavia, foi necessário que Alguém, carregando a cruz, mostrasse ao mundo claramente o que se pode alcançar por intermédio do sofrimento imerecido”. (Milo L. Chapman. Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 95).

 

CONCLUSÃO

 

Chegamos ao final de mais um trimestre. Aprendemos que nem sempre os ímpios são punidos e nem sempre os justos são recompensados. Mas Deus julga os perversos e abençoa os justos, pois todos fazem parte de um universo governado por leis e princípios morais. Todavia, isso não é tudo. Deus é soberano e pode atuar fora das linhas que habitualmente acreditamos que Ele opere. Assim, podemos aprender que Deus não nos prova porque deseja nos punir, mas porque nos ama. Ele deseja demonstrar ao seu adversário, o Diabo, que os homens podem servi-lo sinceramente, sem uma relação de troca. Jó provou que o Diabo estava errado e que Deus esteve sempre certo.

- “Então, morreu Jó, velho e farto de dias” (42.17). Essas palavras finais levam o leitor de volta para onde o relato começou (1.1). Jó morreu em prosperidade e seus dias foram contados como bênçãos. Nas palavras de Tiago (5.11), vimos o resultado da ação do Senhor, que "é cheio de terna misericórdia e compassivo". Mas o "acusador de nossos irmãos" (Ap 12.10) ainda "anda em derredor" (1Pd 5.8), e os servos de Deus, nas coisas que não podem compreender, ainda estão aprendendo a confiar naquele que é o mais sábio e poderoso Juiz do universo!

 

- Um feliz ano novo, repleto de bênçãos do alto! Maranata!

Presbítero Francisco Barbosa

 

PARA REFLETIR

A respeito de “Quando Deus Restaura o Justo” responda:

• O que os capítulos 38, 39 e 40, do Livro de Jó, demonstram?

R: Os capítulos 38, 39 e 40 demonstram como Deus expôs a Jó sua onipotência na Criação e sua sapiência em preservá-la.

• Qual era o conhecimento de Jó acerca de Deus?

R: Segundo o teólogo Roy Zuck, Jó possuía um conhecimento de Deus apenas por tradição, de segunda ou terceira mão; mas agora ele o conhecia por meio de uma experiência pessoal.

• De quê Jó arrependeu-se?

R: Jó humilhou-se pelas suas falas precipitadas que revelaram orgulho e falta de bom senso.

• O que o episódio dos amigos de Jó pedindo-lhe intercessão a Deus mostra?

R: Esse episódio mostra que uma teologia errada, evidentemente, conduz para uma crença igualmente errada.

• O que Jó suportou sozinho?

R: Ele suportou sozinho o que pensavam ser um julgamento de Deus.

 

 

4 Tri 20 | Lição 13  Quando Deus Restaura o Justo | Pb Francisco Barbosa