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13 de fevereiro de 2020

(JOVENS) Lição 7: O SENHORIO DE JESUS CRISTO SOBRE OS DEMÔNIOS


ANO 11 | Nr 1.369 | 2020
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LIÇÕES BÍBLICAS CPAD JOVENS - 1º Trimestre de 2020
Título: Jesus Cristo — Filho do Homem, Filho de Deus
Comentarista: Thiago Brazil

LIÇÃO 7
16 DE FEVEREIRO DE 2020
O SENHORIO DE JESUS CRISTO SOBRE OS DEMÔNIOS


TEXTO DO DIA
 ||Quem pratica o pecado é do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo(1Jo 3.8). ||

SÍNTESE
|| Devemos estudar sobre a natureza e operação dos demônios como um caminho para compreendermos como se manifestam os milagres vindos da parte do Senhor Deus. ||

TEXTO BÍBLICO
Marcos 5.1-9.

COMENTÁRIO DA LIÇÃO

INTRODUÇÃO
|| A Palavra de Deus é muito clara ao afirmar que o objetivo do império das trevas é tríplice: eliminar os filhos de Deus, usurpar as bênçãos que vem do Altíssimo, e arruinar a criação de Deus (Jo 10.10). Dediquemo-nos a este tema com o objetivo de superarmos misticismos irracionais. Estudar acerca da autoridade de Jesus sobre os demônios pode revelar-nos preciosas verdades sobre o poder do Cristo. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- A lição inicia com um equivoco hermenêutico na interpretação do texto de João 10.10, na tentativa de embasar que o ‘ladrão’ é o diabo, quando na verdade, Jesus está aplicando em todo o texto dos versículos 9-10, uma maneira proverbial de insistir que a fé em Jesus como o Messias e o Filho de Deus é o único meio para ser "salvo" do pecado e do inferno, e receber vida eterna. Somente Jesus Cristo é a única fonte verdadeira de conhecimento de Deus e a única base para a segurança espiritual. Considerando o contexto, o assunto abordado pelo Senhor Jesus são os falsos mestres e falsos pastores de Israel. Ele não estava falando diretamente do diabo como alguns pensam, mas dos líderes de Israel que, por conta da forma como agiam, eram ladrões que roubavam, matavam e destruíam vidas, pois lideravam de uma forma que não agradava a Deus. Sabemos que isso se enquadra precisamente na forma como os fariseus conduziam suas vidas e liderança de hipocrisia. Embora o diabo apresente essas características malignas, não podemos dizer que João 10.10 se refira a ele, é um erro dizer que o texto diz aquilo especificamente sobre o diabo. Vamos pensar maduramente a fé cristã?

I. A ATUAÇÃO DOS DEMÔNIOS NO NOVO TESTAMENTO
||1. Evidências bíblicas sobre a existência de demônios. Para o estabelecimento de um ponto de partida mínimo nesta lição é necessário tomarmos como verdade alguns pressupostos elementares: Existe uma realidade para além do mundo físico-material; há uma intrínseca conexão entre a realidade física e a realidade espiritual, onde ações e escolhas em cada um destes campos têm possíveis repercussões entre si; as diferentes características destas duas realidades implicam, necessariamente, qualidades diferentes entre os seres que habitam e transitam nelas. O modo mais fácil de atestar a realidade dos espíritos malignos é analisar os inúmeros casos em que o Senhor Jesus confrontou e destruiu o poder das forças malignas (Lc 4.19), este inclusive era um dos destacáveis fatos do ministério de Jesus conforme defendiam os apóstolos na Igreja Primitiva (At 10.38). A existência de seres espirituais da maldade é tão evidente nas Escrituras que um dos sinais designados por Jesus, para caracterizar aqueles que seriam seus discípulos, é a autoridade para expulsar demônios (Mt 10.8; Mc 16.17). || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- Lucas 4.19 se refere ao ano aceitavel do Senhor, ou o ano do favor do Senhor. A passagem lida por Jesus é Isaías 61.1-2. Ele parou na metade do versículo 2, o restante do versículo profetiza juízo no dia da vingança de Deus. Uma vez que essa parte do versículo refere-se ao segundo advento, ele não a leu. É estranho quando o comentarista afirma: “um dos sinais designados por Jesus, para caracterizar aqueles que seriam seus discípulos, é a autoridade para expulsar demônios” e emprega os textos de Mt 10.8 e Mc 16.17. Ali, o expelir demônios era um sinal que acompanharia a pregação do Evangelho. O sinal que caracteriza e distingue o verdadeiro cristão não é a operação de sinais, mas sim o amor: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35).
- “Os demônios são anjos caídos, como Apocalipse 12:9 indica: "E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos." A queda de Satanás do céu é simbolicamente descrita em Isaías 14:12-15 e Ezequiel 28:12-15. Quando caiu, Satanás levou alguns dos anjos com ele - um terço deles, de acordo com Apocalipse 12:4. Judas 6 também menciona anjos que pecaram. Então, biblicamente, os demônios são anjos que, juntamente com Satanás, decidiram rebelar-se contra Deus. Alguns dos demônios já estão guardados "sob trevas, em algemas eternas" (Judas 1:6) pelo seu pecado. Outros estão livres para vaguear e são referidos como "os dominadores deste mundo tenebroso.... as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" em Efésios 6:12 (cf. Colossenses 2:15). Os demônios ainda seguem a Satanás como seu líder e batalham contra os santos anjos em uma tentativa de frustrar o plano de Deus e atrapalhar o Seu povo (Daniel 10:13). Os demônios, como seres espirituais, têm a capacidade de tomar posse de um corpo físico. A possessão demoníaca ocorre quando o corpo de uma pessoa é totalmente controlado por um demônio. Isso não pode acontecer com um filho de Deus, uma vez que o Espírito Santo habita no coração do crente em Cristo (1 João 4:4). Jesus, durante o Seu ministério terreno, encontrou muitos demônios. Claro que nenhum deles era mais poderoso que o próprio Cristo: "Chegada a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e ele meramente com a palavra expeliu os espíritos..." (Mateus 8:16). A autoridade de Jesus sobre os demônios é uma das provas de que Ele era realmente o Filho de Deus (Lucas 11:20). Os demônios que O encontraram sabiam quem Ele era, e temiam: "E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?" (Mateus 8:29). Os demônios sabem que o seu fim será um de tormento. Satanás e seus demônios agora têm o objetivo de destruir a obra de Deus e enganar qualquer pessoa (1 Pedro 5:8, 2 Coríntios 11:14-15). Os demônios são descritos como espíritos do mal (Mateus 10:1), espíritos imundos (Marcos 1:27), espíritos mentirosos (1 Reis 22:23) e os anjos de Satanás (Apocalipse 12:9). Satanás e seus demônios enganam o mundo (2 Coríntios 4:4), promulgam a falsa doutrina (1 Timóteo 4:1), atacam os cristãos (2 Coríntios 12:7, 1 Pedro 5:8) e combatem os santos anjos (Apocalipse 12 :4-9). Os demônios/anjos caídos são inimigos de Deus, mas são inimigos derrotados. Cristo tem despojado "os principados e as potestades”, e “publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz" (Colossenses 2:15). À medida que nos submetemos a Deus e resistimos ao diabo, não temos nada a temer. "Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo" (1 João 4:4)” (gotquestions)
||2. Características dos demônios no Novo Testamento. Nosso conhecimento sobre estes seres é muito limitado e absolutamente condicionado àquilo que as Escrituras falam, por isso é importante concentrarmo-nos no que a Palavra diz, e nunca em crendices populares ou fábulas religiosas. Eles são compreendidos como seres angelicais que, em virtude de pecados e rebeldias (2Pe 2.4; Jd 6), perderam seu status celeste e tornaram-se operadores do império da morte (Hb 2.14). Eles são conhecedores da existência e do poder de Deus (Tg 2.19), bem como da divindade de Cristo (Mc 1.34). Em muitos casos a atuação destes seres espirituais está diretamente associada a enfermidades e acontecimentos trágicos (Lc 6.18). As forças da maldade podem operar de modo isolado ou em conjunto, e é evidente que a operação em grupo traz consequências muito mais devastadoras aos oprimidos (Mt 12.43-45; 17.21; Mc 5.9; Lc 8.2). || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- Esses anjos caídos, de acordo com Jd 6, ''não guardaram o seu estado original", ou seja, possuíram homens que coabitavam com mulheres de maneira promiscua. Ao que parece, essa e uma referencia aos anjos caídos de Gênesis 6 (filhos de Deus):
 1) antes do dilúvio (v. 5; Gn 1.6-3), que deixaram seu estado normal e cobiçaram mulheres e
 2) antes da destruição de Sodoma e Gomorra (Gn 19).
- Pedro toma emprestada uma palavra da mitologia grega usada para inferno, "tartarus". Os gregos ensinavam que o tartarus era um lugar abaixo do Hades reservado para os seres humanos, deuses e demônios mais perversos. Os judeus, no final, passaram a usar esse termo para descrever o lugar para onde os anjos caídos foram enviados. Para eles, o termo definia o lugar mais baixo do inferno, as profundezas do abismo, o lugar mais terrível de tortura e sofrimento eterno. Jesus, em espírito, entrou nesse lugar quando o seu corpo eslava no tumulo e, durante o período de tempo entre a sua morte e a sua ressurreição, proclamou o seu triunfo sobre os demônios (Cl 2.14; IPe 3.18-19).
- Os demônios tinham medo de ir para esse lugar e rogaram a Jesus durante a vida dele na terra que não os enviasse para lá (Mt 8.29; Lc 8.31). Nem todos os demônios estão presos. Muitos vagam pelos céus e pela terra (cf. Ap 12.7-9). Alguns estão temporariamente presos (Ap 9.1-12). Por causa de seu pecado em Gn 6, esses demônios estão permanentemente presos nas trevas, reservados para juízo. Esses demônios permanentemente encarcerados são como presos que estão esperando a sentença final, tartarus é somente um lugar temporário no sentido de que, no dia do juízo, os anjos maus confinados ali serão, por fim, lançados no lago de fogo (Ap 20.10).

||3. A superioridade do Reino de Deus sobre o império das trevas. Uma verdade importante que precisa ser dita com relação a batalha espiritual é que ela é absolutamente assimétrica, isto é, os conjuntos de forças e os participantes deste conflito cósmico-espiritual possuem forças diferentes. Por exemplo, é óbvio que anjos e demônios são mais fortes do que humanos (2Cr 32.21; Sl 8.5; Hb 2.7). Dentre os seres espirituais existe uma hierarquia de tal modo que entre anjos existe pelo menos um que é chamado de “anjo principal” ou arcanjo (Dn 10.13; 1Ts 4.16; 2Pe 2.11; Jd 9; Ap 12.7) e entre os espíritos malignos também (Lc 11.15). Todavia, sobre tudo e todos, há a soberania de nosso Deus que — conforme sua onipotência — tem poder infinitamente superior (Ne 9.32). A diferença fundamental entre o Reino de Deus e o império do mal é que enquanto este organiza-se apenas para a destruição da humanidade, o Reino do Pai veio para trazer o bem e a felicidade ao mundo (Jo 10.20,21). O Novo Testamento declara o poder soberano de Jesus sobre os demônios (Mt 12.28); ainda que o maligno insista em tentar prejudicar os filhos de Deus, temos em Jesus e no seu poder um socorro bem presente em nossos instantes de guerra e conflito espiritual. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- “Cristo é o centro do universo. Em Romanos 11.36 diz: porque dEle, e por meio dEle, e para Ele são todas as coisas. A Ele, pois, a glória eternamente amém! Sim, as Escrituras com propriedade, falam e descrevem a Pessoa do Senhor, tanto no sentido da Sua humilhação quanto da Sua exaltação. Um dia todo joelho se dobrará, toda língua confessará que Jesus é o Senhor. Mas seria muito bom se as Escrituras falassem só de Cristo, todavia elas nos falam também da obra do inimigo das nossas almas, satanás.
- Existem dois reinos, o de Deus e o de Satanás. O homem ao pecar contra o seu Criador abandonou o reino divino e seu comando e se colocou ao lado do reino de Lúcifer e debaixo de suas ordens. O poder das trevas tem grande influência sobre toda a humanidade, por isso, para compreender a obra redentora de Cristo também precisamos levar em conta a obra desagregadora de Satanás.
- Satanás, antes da sua revolta nos céus, era a criatura mais perfeita que Deus havia criado; foi-lhe dada autoridade sobre os outros anjos. Vivia dia e noite na presença da divindade. Mas com seu orgulho, com sua vaidade, com sua revolta foi expulso da presença de Deus e veio à terra.
Os anjos caídos continuam com o poder que receberam de Deus, assim também o mandato cultural que o homem recebeu de Deus no Edem continua com ele. Quanto aos anjos as Escrituras denominam de tronos, dominações, principados e potestades. Assim sendo satanás tem certo poder na esfera celeste bem como na esfera terrestre sobre as criaturas caídas. Contudo, não há um dualismo entre Deus e o diabo, eles não medem forças, pois o Todo poderoso é somente o Deus Trino, o Senhor. Satanás atua dentro da esfera em que Deus permite ele atuar.
Jesus disse: Eu sou a Luz do mundo, quem me segue não andará em trevas, pelo contrário, terá a luz da vida (João 8.12). Jesus veio para destruir as obras do diabo, para libertar o homem da escravidão de satanás e instaurar o Reino de Deus. Paulo declara com toda a clareza que não é contra adversários de carne e sangue que o homem tem de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes (Efésios 6.12).
Jesus venceu Satanás através do seu sacrifício na cruz; foi na cruz que Ele esmagou a cabeça da serpente; foi na cruz que Ele pagou todo escrito de dívida que havia contra o homem. Jesus disse: Se eu, pelo dedo de Deus, expulso os demônios, significa que chegou até vós o Reino de Deus (Lucas 11.20). Jesus é o valente, o mais forte, aquele que amarrou o diabo, espoliou-o e sufocou-o. Os dias estão contados para a ação satânica sobre a criação. Haverá o fim da história sobre a terra, o juízo final, a ressurreição dos mortos.
Ao ser avisado por alguns fariseus de que Herodes Antipas, filho do Herodes, o Grande, tinha a intenção de matá-lo, Jesus destemidamente o chama de raposa, ou seja, um assassino, sanguinário, adúltero e outros mais, dizendo que Ele, Jesus, continuaria o seu ministério de expulsar os demônios e curar os enfermos. Não se amedrontou diante de tal informação, não fugiu, e tão pouco parou de realizar o que devia realizar, ou seja, cumprir integralmente a Sua obra de evangelizar até o fim.
Jesus serenamente caminhou para Jerusalém mesmo sabendo que seria lá que Ele morreria a cidade que apedrejava e matava os profetas. Ele profere duas profecias a que veio cumprir-se. Uma delas foi que a multidão o aclamaria como Messias, dizendo: Bendito o que vem em nome do Senhor (Lucas 13.35), o que aconteceu na sua entrada triunfal em Jerusalém, quando montado num jumentinho foi saudado pelas pessoas que colocavam ramos para Ele passar. A segunda profecia cumpriu no ano 70 DC quando o general romano Tito invadiu e assolou a cidade de Jerusalém, deixando a casa deserta – ou seja, a cidade de Jerusalém.
A luta contra Satanás abrange toda humanidade – todos os homens, em todos os tempos e em todos os lugares. Porém, em certas épocas da história e em certos acontecimentos o poder de Satanás se faz sentir mais fortemente. Por exemplo: quando Jesus foi tentado logo após o seu batismo, foi um fato que demonstra a ousadia do maligno em tentar destruir o plano de salvação do homem. Nas sociedades históricas, ao estudarmos o comportamento social, podemos notar algumas manifestações do diabo, mais intensas do que em outras. Hoje em dia há um agir satânico no meio de jovens e adolescentes para dar fim a própria vida.
O reino das trevas usa todas as ideologias possíveis para influenciar as pessoas a por fim na própria vida. Muitos dizem que a causa dos suicídios é a falta de sentido da vida ou a depressão não tratada. Sabemos que esses são fatores que contribuem, mas atrás de tudo isso está a mão maligna do Inimigo agindo para ceifar vidas incautas.
O reino de Cristo veio para dar vida ao homem. Jesus mesmo foi quem disse: eu vim para que tenham vida e vida em abundancia. A vida plena só pode ter aquele que aceita o reino de Cristo e todas as implicações resultantes de estar nesse reino. Entrar no reino de Deus é ser perdoado, purificado e constantemente se santificando pela Graça maravilhosa do Senhor.”” (Reino de Cristo vs Reino de Satanás, por Rev. Washington Paulo Emrich, disponível em: IPSW)

II. O ENDEMONINHADO GADARENO
||1. Uma vida devastada pelo maligno. O relato da libertação do oprimido de Gadara é um registro da força devastadora no mal na vida de uma pessoa; porém, esta mesma narrativa é reveladora da graça libertadora do Senhor Jesus. Pensemos sobre como o grande amor do Salvador vem em nosso favor para reestabelecer em nós a imagem de Deus (Cl 3.10) desgastada pelo pecado e deformada pelo maligno (2Co 4.4). A história deste homem, registrada nos sinóticos, é o enredo de uma tragédia: Privado da convivência com sua família (Mc 5.19; Lc 8.39), isolado de qualquer relação social (Mc 5.4; Lc 8.29), um homem oprimido pelo maligno a ponto de perder a própria identidade e consciência (Mc 5.9; Lc 8.30). Além disso, as forças demoníacas impeliam-no a um desejo de autodestruição e desvalorização de si tão devastador que o homem oprimido matinha práticas de automutilação (Mc 5.5), não tomava banhos nem vestia roupas (Lc 8.27) e morava num cemitério (Mt 8.28). Este é o caso nas Escrituras onde há maior riqueza de detalhes na descrição de como operava a ação demoníaca na vida de uma pessoa. Temos em Mateus 12.43-45 a clássica descrição da metodologia de ataque dos demônios na vida de uma pessoa; entretanto, o caso do gadareno demonstra o sofrimento de um indivíduo específico, atacado por espíritos malignos, há também no relato do gadareno a constatação da absoluta necessidade da intervenção de Jesus para libertação dos oprimidos do Diabo. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- A narrativa de Marcos menciona apenas um dos homens possuídos por demônios, que provavelmente era o mais destacado dos dois; Tanto Mc 5.2 quanto Lc 8.27 mencionam apenas um dos homens. Fica claro que um prevalecia sobre o outro (veja Mt 8.28). É interessante notar o lugar de habitação deste homens possídos – os sepulcros – que naqueles dias eram normalmente habitados por pessoas com problemas mentais.  Consistiam de cavernas escavadas na rocha, em torno das cidades e aldeias. O que sobressai aqui é o quão terrível era o estado destes possuídos, tendo em vista que para o judeu era vedado o contato com cadáveres, era uma grave contaminação, o que dirá, morar entre eles, viver numa área assim era um tormento adicional. Estes espíritos demoníacos que estavam controlando o homem, por si mesmos eram moralmente imundos e causavam muito dano aquele a quem possuíam. Interessante ainda, notar que esses homens clamavam e feriam-se com pedras - "clamando" descreve um grito continuo e sobrenatural, proferido com intensa emoção. As "pedras" provavelmente eram rochas feitas de pederneira com extremidades dentadas e afiadas. Os demônios sabiam que Jesus era uma divindade, o Deus-Homem, o que fica notavelmente claro com o uso da designação natural para os judeus e gentios para se referirem ao Deus único e verdadeiro de Israel e distingui-lo de todos os outros falsos deuses e ídolos: “Deus Altíssimo".

||2. Uma libertação extraordinária. Não há qualquer tipo de espetacularização da libertação do homem de Gadara, muito menos algum tipo de concessão ao maligno. Vemos no ato de Jesus um compromisso com a restauração da espiritualidade e dignidade daquela pessoa. Este não é o único caso nos Evangelho de um indivíduo opresso por mais de uma entidade demoníaca, Lucas 8.2 registra que Maria Madalena fora liberta de sete demônios. Jesus fez, através do amor, aquilo que os poderes humanos, com suas correntes de ferro esmiuçadas (Lc 8.29), foram incapazes de realizar. Não são protocolos humanos, palavras mágicas ou rituais místicos que libertam a humanidade da dominação do mal, mas apenas o poder de Jesus Cristo (Rm 16.20). A restauração foi imediata e radical, de tal forma que aquele homem ficou assombrosamente liberto e em paz, segundo o próprio testemunho dos demais moradores da cidade (Mc 5.15; Lc 8.35). Este é o resultado das ações de Deus na vida de cada um dos seus filhos: alegria e restauração (2Co 5.17; Rm 8.1). || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- “Conjuro-te... que não me atormentes!” Marcos acrescenta a palavra "conjuro"; que mostra que o demônio tentou fazer com que Jesus suavizasse a severidade do seu inevitável destino. O mais provável é que Jesus tenha feito essa pergunta em vista do apelo do demônio para que não fosse atormentado. Contudo, ele não precisava saber o nome do demônio para que pudesse expulsa-lo. Em vez disso, Jesus fez a pergunta para destacar a realidade e a complexidade desse caso. Legião é um termo latino conhecido tanto pelos judeus como pelos gregos dessa época, que definia uma unidade militar romana composta por 6.000 homens de infantaria. Ao identificar-se por Legião, indicou que o homem era controlado por um numero muito grande de espíritos malignos militantes, uma verdade reiterada pela expressão "porque somos muitos". O demônio entendeu que Jesus tinha todo o poder sobre ele e dirigiu-se a Jesus com um intenso desejo de que o seu pedido fosse atendido, não mandasse para fora do pais, queriam permanecer na mesma área onde estavam exercendo seus poderes malignos. de acordo com seus propósitos soberanos, Jesus permitiu que os demônios entrassem nos porcos e os destruíssem, o texto não nos fornece outra explicação, mas, ao fazer isso, Jesus deu ao homem uma poderosa, visível e clara lição da imensidade do mal do qual ele fora liberto. Agora, todos podiam testificar a condição pacífica deste homem liberto, em total contraste com o seu estado anterior de agitação e desassossego, livre da agitação frenética impulsionada pela legião que o possuía.

||3. Sobre nossa imagem restaurada em Cristo. O pecado roubou a plenitude da glória de Deus de nossas vidas (Rm 3.23). Todo o plano de Deus na história da humanidade através de Jesus de Nazaré tem como finalidade principal restaurar esta gloriosa comunhão perdida (Jo 17.21,22). Desta forma, vencer as forças do maligno não significa demonstrar habilidades especiais de domesticação de espíritos imundos, como pensavam os filhos de Cevas (At 19.13-17), mas de uma vida restaurada em relacionamentos — com Deus e com os homens — e em dignidade (Rm 5.10; 1Co 15.52). Há lugares e igrejas onde a prática de exorcismos tornou-se instrumento de poder e lucro por parte de líderes religiosos pseudocristãos. Com relação a esta questão o Evangelho contemporâneo precisa voltar a sua essência, isto é, a pregação com poder e autoridade sobre as forças das trevas, visando a liberdade das pessoas e não uma forma de enriquecimento a partir do sofrimento alheio. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- Em Romanos 1.18-3.20, Paulo apresenta os seus argumentos a respeito da condição espiritual de todo homem e apresenta a esmagadora evidencia da pecaminosidade do ser humano, revelando o quão desesperadamente ele precisa dessa justiça que somente Deus pode fornecer. Ele apresenta a acusação de Deus contra o descrente e imoral pagão (Rm 1.18-32; os gentios), a pessoa exteriormente religiosa e moral (Rm 2.1-3.8; os judeus) e conclui mostrando que todas as pessoas merecem o castigo de Deus (Rm 3.9-20).
- Sobre a afirmativa “o Evangelho contemporâneo precisa voltar a sua essência, isto é, a pregação com poder e autoridade sobre as forças das trevas,”, sabemos que a Igreja é o Corpo de Cristo e a única maneira de o mundo enxergar a Cristo é através do Seu Corpo, a Igreja - “Grande é este mistério: digo-o, porém, a respeito de Cristo e da Igreja” (Ef 5.32). Assim, a finalidade única desse Corpo é fazer o Nome do Senhor conhecido através da evangelização. Nos textos de Jo 13-16; Lc 10.1-20; At 1.1-8, há instruções de Jesus sobre a vida da igreja sobressai-se a obra missionária. Uma igreja que não prega o evangelho fielmente, cristocêntrico, não sente a responsabilidade pelo bem-estar moral e espiritual dos que a rodeiam, nem expressa interesse pelos pobres e necessitados onde quer que eles sejam encontrados, perdeu seu direito à autenticidade, constituindo-se numa negativa viva de seu Senhor. Uma igreja verdadeira é reconhecida, sobretudo, pela sua pregação de Cristo em palavras e ordenanças, e pelo seu compromisso com a obra missionária.

III. JESUS EXPULSA UM DEMÔNIO DE UM HOMEM MUDO
||1. Uma doença que oprimia. A Escritura está repleta de relatos de pessoas que sofriam de enfermidades e que foram curadas de suas doenças graças ao poder de Jesus de Nazaré (Mt 9.22; Mc 10.52; Lc 17.19); por outro lado, existem também vários registros de indivíduos que foram libertos de opressões demoníacas (Mc 1.23-27; 3.11,12; 5.2-20; 7.25-30). Há, todavia, um conjunto mais específico de milagres realizados pelo Salvador que envolviam não apenas a cura, mas também a libertação espiritual de pessoas (Mc 9.25; Lc 9.42). Analisemos um caso específico de cura por meio da libertação: Mateus 9.30-33. A palavra grega para designar a doença deste homem (v.32) se refere a uma incapacidade de comunicar-se com as pessoas. É uma enfermidade que comprometia o indivíduo em um amplo espectro comunicacional, às vezes é traduzida por mudez, em outros contextos surdez ou podem ser as duas enfermidades ao mesmo tempo. E uma última possibilidade de compreensão, caracterização desta palavra grega, seria uma pessoa com problemas cognitivos severos. Assim, a cura realizada por Jesus restaurou àquele homem a capacidade de compreender o mundo, de tornar-se novamente alguém autônomo, livre para decidir sozinho. Essa é uma das características mais marcantes do ministério de Jesus: o poder para ministrar não apenas a cura, mas a libertação por meio da cura (Lc 4.16-21; At 10.38); desta forma, esse também deve ser um dos diferenciais na atuação de um seguidor de Cristo, isto é, comprometer-se com o bem-estar integral — físico e espiritual — da sociedade. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- A unidade da igreja procede de seu fundamento do único Deus (Ef 4.1-6). Todos os que pertencem verdadeiramente à igreja são um só povo e, portanto, a igreja verdadeira será distinguida por sua unidade. Isso implica cuidado especial, zeloso pelo bem-estar integral daqueles que são integrados ao Corpo de Cristo, bem como, daqueles oprimidos pelo diabo. Isso faz parte da missão da Igreja, qual seja: estabelecer o Reino de Deus. Participar da construção do Reino de Deus em nosso mundo, pelo Espírito Santo, constitui-se na tarefa evangelizante da Igreja. Envolver-se com o Deus da Bíblia significa estar sujeito e disposto ao envio e sustento missionário.

||2. A manifestação de um milagre. Diferente de muitos supostos curandeiros ou exploradores da fé alheia, a libertação na vida daquele homem não foi algo lento, que aconteceu depois de uma série de rituais ou protocolos cerimoniais; ao contrário, atesta-nos Mateus que imediatamente após as palavras de Jesus, o homem passou a comunicar-se naturalmente com as pessoas (v.33). É assim que se identifica um milagre: não há condicionantes ou impedimentos, quando Deus realiza sua obra ninguém pode impedir (Is 43.13). Por isso, tenha muito cuidado com quem cria pré-requisitos religiosos para a realização de milagres. Nunca se deve utilizar do momento de uma ação milagrosa de Deus para fazer-se marketing religioso ou autopromoção ministerial; todo o milagre glorifica exclusivamente ao Senhor. Desta forma, se um ato incrível não render glórias ao Altíssimo, nunca poderá ser definido como milagre (Jo 6.14). || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- A Bíblia informa pelo menos três propósitos para um milagre:
(1)   glorificar a natureza de Deus (Jo 2.11; 11.40);
(2)   confirmar as credenciais de certas pessoas na posição de porta-vozes de Deus (At 2.22; Hb 2.3,4); e
(3)   propiciar evidências para que haja fé em Deus (Jo 6.2,14; 20.30,31).
- Obviamente, nem todas as pessoas acreditam que um evento assim seja um ato de Deus, mesmo tendo testemunhado um milagre. Mas neste evento, de acordo com o Novo Testamento, o milagre é uma testemunha contra elas. João se lamentou pelo povo: “E, ainda que tivesse feito tantos sinais diante deles, não criam nele” (Jo 12.37). O próprio Jesus falou nestes termos ao se referir a algumas pessoas: “Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco acreditarão, ainda que algum dos mortos ressuscite” (Lc 16.31). Portanto, neste sentido, o resultado (e não o propósito) da descrença em milagres se constitui em condenação para o incrédulo (cf. Jo 12.31,37). (Texto extraído da obra “Teologia Sistemática: Introdução à Teologia, A Bíblia, Deus, a Criação, editada pela CPAD).

||3. A blasfêmia pelo bem realizado. A maldade dos religiosos da época era algo tão monstruoso que, após a miraculosa libertação do homem oprimido, atribuíram tal acontecimento a uma intervenção do próprio maligno (Mt 9.34). A blasfêmia deste tipo de afirmação torna-se mais evidente quando consideramos que milagres como este que Jesus realizou nada mais eram que o cumprimento de profecias anunciadas centenas de anos antes (Is 35.5,6). || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- Quando em Mt 9.34 os fariseus acusam Jesus de realizar sinais e prodígios pelo poder do maioral dos demônios, apesar de já terem visto o suficiente sobre o poder de Jesus para saber que esse poder era de Deus, no entanto, em sua obstinada descrença, disseram que o poder dele vinha de Satanás (Mt 12.24; cf. 25.41; Mc 3.22; Lc 11.15.

CONCLUSÃO
||Os casos do gadareno e do homem curado de mudez denunciam de modo contundente, que os ataques do maligno ainda podem ser articulados em conluio, isto é, em uma trama maligna de demônios. || [Lições Bíblicas CPAD, Revista Jovens, 1º Trimestre 2020. Lição 7, 16 Fevereiro, 2020]
- Em toda a história do Antigo Testamento nunca houve uma época ou pessoa que tenha exibido tão amplo poder de cura. As curas físicas foram raras no Antigo Testamento. Cristo optou por mostrar a sua divindade ao curar, ressuscitar mortos e libertar pessoas de demônios. Isso não apenas mostrou o poder do Messias sobre os mundos físico e espiritual, mas também demonstrou a compaixão de Deus para com aqueles que eram afligidos pelo pecado. Esse poder foi designado à Sua igreja, e sobre nós está esta responsabilidade de combater o reino das trevas, não numa batalha espiritual épica, mas levando a Palavra fielmente, cristocêntrica, a todos os confins da terra, começando por Jerusalém!
 Pb Francisco Barbosa

HORA DA REVISÃO

||1. Qual o pressuposto básico para toda e qualquer discussão sobre demônios?
A aceitação da existência de uma realidade para além do mundo físico, isto é, o mundo espiritual, o qual é habitado por um conjunto de seres específicos desta realidade.
2. Existe alguma relação entre mundo espiritual e realidade material?
Sim, de tal forma que aquilo que acontece no mundo material repercute no espiritual e vice-versa.
3. Que lições sobre a operação dos demônios entre nós podemos retirar a partir do caso do gadareno?
A ação deles visa desfigurar a imagem de Deus em nós; a operação dos demônios nunca atinge apenas um indivíduo, mas sempre famílias e sociedades inteiras; a demonização do homem era um resumo da demonização de toda uma sociedade.
4. A libertação do homem com mudez revela-nos o que sobre a dinâmica dos milagres segundo a Bíblia?
Que os milagres ocorrem com naturalidade e segundo o tempo de Deus; qualquer ação fora da normalidade que não rende glória a Deus jamais poderá ser chamada de milagre; milagres são ações de um Deus poderoso em favor dos marginalizados e opressos pelo Diabo.
5. Apresente mais dois casos em que a ação de Jesus produziu simultaneamente cura e libertação.
Marcos 9.25; Lucas 9.42; Lucas 6.18. ||