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23 de março de 2026

JOVENS: Lição 13: A consumação da Salvação

 

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

JOVENS

1º Trimestre de 2026

Título: Plano Perfeito — A salvação da Humanidade, a mensagem central das Escrituras

Comentarista: Marcelo Oliveira

 

Lição 13: A consumação da Salvação

Data: ´29 de março de 2026

 

TEXTO PRINCIPAL

 

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.” (1Co 15.49).

ENTENDA O TEXTO PRINCIPAL:

👉 Paulo estabelece aqui uma das declarações mais profundas da escatologia cristã. A palavra “imagem” (gr. eikōn) não aponta apenas para aparência externa, mas para identidade, natureza e participação real. Hoje carregamos a marca de Adão, marcada pela queda; porém, em Cristo, carregaremos plenamente a realidade do último Adão. Essa transição não é simbólica, é ontológica. Não se trata apenas de mudança moral, mas de transformação da própria condição de existência. Segundo a teologia paulina, a salvação culmina na conformidade total com Cristo (Rm 8.29). O texto revela que a história humana não termina na queda, mas na restauração plena. A imagem deformada pelo pecado será perfeitamente restaurada pela graça. Aqui está a esperança cristã: não apenas sermos perdoados, mas refeitos. O Comentário Bíblico Pentecostal destaca que essa transformação aponta para um estado glorificado, no qual o corpo e a alma estarão perfeitamente alinhados à vontade de Deus¹. Portanto, viver hoje é viver entre duas imagens: a que carregamos e a que carregaremos. E essa tensão deve moldar nossa identidade espiritual diária.

 

RESUMO DA LIÇÃO

 

A certeza da glorificação final nos impulsiona a viver como cidadãos celestiais, mesmo em um mundo em desordem.

ENTENDA O RESUMO DA LIÇÃO:

👉 A glorificação não é um detalhe da salvação, mas seu clímax. Ela aponta para o momento em que tudo aquilo que Deus iniciou será plenamente consumado. A vida cristã, portanto, não é apenas sobre o passado da cruz ou o presente da santificação, mas também sobre o futuro da glória. Essa dimensão escatológica sustenta o crente em meio às lutas. Segundo Stanley Horton, a esperança da glorificação é essencial para a espiritualidade pentecostal, pois conecta a experiência presente do Espírito com a promessa futura da plenitude². Essa certeza redefine a forma como o cristão vive. Ele não pertence mais a este sistema caído. Sua identidade já está ancorada na eternidade. Assim, o salvo vive com os olhos no céu, mas com responsabilidade na terra.

 

TEXTO BÍBLICO 

1 Coríntios 15.42-49; Apocalipse 22.1-5.

 Observação editorial: os comentários abaixo não são citações literais, mas sínteses teológicas fiéis às linhas interpretativas das obras citadas.

1 Coríntios 15

 

42 Assim também a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo em corrupção, ressuscitará em incorrupção.

43 Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

44 Semeia-se corpo animal, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo animal, há também corpo espiritual.

👉 Paulo usa quatro contrastes: corrupção/incorrupção, desonra/glória, fraqueza/poder, natural/espiritual. O termo “natural” (gr. psychikos) indica o homem governado pela alma caída; “espiritual” (pneumatikos) indica o homem plenamente governado pelo Espírito.

45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o animal; depois, o espiritual.

47 O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

👉 Adão é chamado “alma vivente”, Cristo “espírito vivificante”. Cristo não apenas vive, Ele comunica vida. Aqui está a superioridade do último Adão.

48 Qual o terreno, tais são também os terrenos; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

👉 Há uma solidariedade espiritual. Quem pertence a Adão reflete sua natureza. Quem pertence a Cristo refletirá sua glória.

 

Apocalipse 22

 

1 E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro.

2 No meio da sua praça e de uma e da outra banda do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a saúde das nações.

👉 O rio da vida e a árvore da vida apontam para restauração do Éden, mas agora em estado superior. Não há mais possibilidade de queda.

3 E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.

4 E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome.

5 E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.

👉 A expressão “verão a sua face” revela intimidade plena. No AT, ver a face de Deus era impossível. Aqui, torna-se realidade eterna.

 

INTRODUÇÃO

A salvação não se limita à justificação, regeneração e santificação. Ela será plenamente consumada na glorificação final — esta é a gloriosa esperança da Igreja de Cristo. Por isso, concluiremos este trimestre contemplando o novo começo de Deus como a consumação do plano redentor. A Palavra de Deus revela que nosso corpo será completamente transformado, toda a criação será restaurada, e estaremos para sempre com o Senhor. Essa certeza deve orientar a nossa vida no presente, levando-nos a viver como verdadeiros salvos em Cristo.

👉 A salvação precisa ser compreendida em sua totalidade. Reduzi-la à conversão inicial é empobrecê-la. Deus não apenas nos salva do pecado; Ele nos conduz à glória. A glorificação é o ponto final da obra redentora. É quando aquilo que foi iniciado na regeneração atinge sua perfeição. Berkhof afirma que a glorificação é a etapa em que o pecado é completamente removido e o crente é plenamente conformado à imagem de Cristo³. Essa verdade muda nossa perspectiva de vida. O presente deixa de ser o centro. Ele passa a ser o caminho. Além disso, a esperança da glorificação não é fuga da realidade, mas combustível espiritual. Ela sustenta o crente em meio ao sofrimento. Portanto, estudar a consumação da salvação é aprender a viver com propósito eterno.

1. COMENTÁRIO BÍBLICO PENTECOSTAL DO NOVO TESTAMENTO. Rio de Janeiro: CPAD.

2. HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD.

3. BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã.

4. KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD.

 

I. DO TERRENO AO CELESTIAL

1. A corrupção dará lugar à incorrupção. A glorificação é a última etapa da salvação. Quando ela ocorrer, os salvos terão seus corpos transformados. O corpo, hoje, está sujeito à finitude: ele envelhece, adoece e morre. Essa é a corrupção de que o apóstolo Paulo trata em 1 Coríntios 15: a condição física limitada que herdamos desde o Éden. Na glorificação, nossos corpos não envelhecem, não adoecem nem morrem (1Co 15.42-44). Não por acaso, o apóstolo Paulo compara o corpo atual ao corpo glorificado, mostrando a transição do terreno para o celestial. Viveremos, então, em uma nova dimensão de existência.

👉 A esperança cristã não termina na conversão, nem se esgota na santificação. Ela aponta para um clímax glorioso: a redenção completa do ser humano. Paulo conduz nosso olhar para esse momento em Primeira Epístola aos Coríntios 15, quando afirma que “o que é corruptível se reveste de incorruptibilidade” (1Co 15.53, NVI). A palavra “corrupção”, no grego phthora, descreve não apenas a morte física, mas todo o processo de deterioração que marca a existência humana desde a Queda. Não se trata apenas de um corpo que morre, mas de um corpo que já está morrendo. A glorificação, portanto, não é um adorno final da salvação, mas sua consumação plena, onde Deus reverte completamente os efeitos do pecado sobre a criação humana.

Desde Gênesis 3, o corpo humano carrega as marcas da queda. O envelhecimento, a doença e a morte não são naturais no sentido original da criação, mas consequências do rompimento com Deus. Como bem observa Stanley Horton, teólogo pentecostal, a salvação em Cristo não visa apenas a alma, mas o ser integral¹. Isso corrige uma visão reducionista do evangelho. O que está em jogo não é escapar do corpo, mas vê-lo redimido. Aqui está uma verdade profunda que muitos negligenciam: Deus não abandonou a matéria. Ele a restaurará.

Paulo, então, estabelece um contraste poderoso. Ele fala de um corpo “natural” (psychikón) e de um corpo “espiritual” (pneumatikón) (1Co 15.44). Não significa que deixaremos de ter corpo, mas que ele será plenamente governado pelo Espírito. Gordon Fee explica que o corpo espiritual não é imaterial, mas transformado e capacitado para uma nova ordem de existência². Isso muda completamente nossa compreensão da eternidade. Não viveremos como espíritos flutuantes, mas como seres plenamente humanos, restaurados e glorificados, aptos para habitar a realidade celestial sem as limitações atuais.

Essa transformação não é gradual, mas instantânea. Paulo descreve isso como um evento súbito, “num abrir e fechar de olhos” (1Co 15.52, NVI). Aqui está um ponto pastoral importante: a nossa esperança não está na melhora progressiva deste corpo, mas na intervenção definitiva de Deus. Louis Berkhof destaca que a glorificação é um ato soberano, no qual Deus completa a obra iniciada na regeneração³. Isso confronta a mentalidade moderna que deposita sua esperança na ciência ou no prolongamento da vida. A verdadeira vitória sobre a morte não virá da tecnologia, mas da ressurreição. Se estamos destinados à incorruptibilidade, como devemos viver hoje? Paulo responde no final do capítulo: “sejam firmes e constantes” (1Co 15.58, NVI). A esperança futura redefine a prática presente. O jovem cristão não vive para o agora, mas à luz da eternidade. Cada escolha, cada renúncia, cada ato de fidelidade ganha novo significado. A glorificação não é apenas uma doutrina para ser estudada, mas uma verdade que sustenta a perseverança. Quem entende o que será, aprende a viver de forma diferente no que é.

 

¹ HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

² FEE, Gordon D. A Primeira Epístola aos Coríntios. Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

³ BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

 

2. Alma vivente e espírito vivificante. Para aprofundar ainda mais essa transição, o apóstolo apresenta outro contraste: agora entre Adão e Cristo. O primeiro, como “alma vivente”, foi aquele que recebeu a vida diretamente de Deus (1Co 15.45). O segundo, nosso Senhor, é o “espírito vivificante”, ou seja, aquEle que concede vida, anima, transforma e renova o ser humano pecador. Assim como herdamos a natureza adâmica, inclinada ao pecado, também herdaremos, para sempre, a natureza redimida que procede de Cristo (1Co 15.45-47). Portanto, a finitude dará lugar à infinitude; a corrupção, à incorrupção; e a morte, à vida eterna.

👉 O apóstolo Paulo aprofunda sua argumentação ao estabelecer um contraste que revela toda a história da redenção: Adão e Cristo. Em Primeira Epístola aos Coríntios 15.45, ele afirma que “o primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente; o último Adão, espírito vivificante” (NVI). Aqui, Paulo ecoa Gênesis 2.7, onde o termo hebraico nephesh descreve o homem como “alma vivente”, alguém que recebeu vida. Já Cristo é apresentado como aquele que não apenas possui vida, mas a comunica. No grego, “espírito vivificante” (pneuma zōopoioun) revela uma ação contínua: Ele é a fonte ativa e permanente de vida espiritual. Não é apenas uma comparação, é uma revelação do plano eterno de Deus.

Essa distinção revela algo profundo sobre a condição humana. Adão recebeu vida, mas não podia transmiti-la em termos espirituais redentivos. Sua queda afetou toda a humanidade. Como destaca o Comentário Bíblico Pentecostal, a expressão “alma vivente” indica dependência, limitação e vulnerabilidade¹. Já Cristo, como “espírito vivificante”, é autossuficiente e doador. Ele não apenas restaura o que foi perdido, mas inaugura uma nova humanidade. Aqui está um ponto crucial: em Adão, herdamos a vida natural marcada pelo pecado; em Cristo, recebemos vida espiritual marcada pela redenção. Isso redefine completamente nossa identidade.

Paulo segue mostrando que essa ordem não é aleatória. “Não foi o espiritual que veio antes, mas o natural; depois dele, o espiritual” (1Co 15.46, NVI). Isso revela um princípio divino: Deus trabalha em progressão redentiva. O primeiro homem, “da terra, terreno”; o segundo homem, “do céu” (1Co 15.47). Gordon Fee observa que essa distinção não trata apenas de origem, mas de natureza e destino². O que é terreno aponta para a transitoriedade; o que é celestial aponta para a eternidade. O jovem cristão precisa compreender isso: viver apenas segundo a lógica do “primeiro Adão” é permanecer preso ao que é passageiro.

Há ainda uma implicação espiritual que não pode ser ignorada. Paulo afirma que “assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial” (1Co 15.49, NVI). A palavra “imagem” (eikōn) carrega a ideia de representação plena. Hoje, refletimos Cristo de forma parcial; na glorificação, essa semelhança será completa. Anthony D. Palma ressalta que essa transformação não é apenas externa, mas envolve toda a estrutura do ser humano³. Isso nos leva a uma verdade poderosa: a salvação não é apenas livramento do pecado, mas conformação plena à pessoa de Cristo.

A finitude cede lugar à infinitude. A corrupção é vencida pela incorrupção. A morte é engolida pela vida. Mas essa realidade futura exige uma resposta presente. Viver como quem pertence ao “último Adão” implica rejeitar os padrões do velho homem e abraçar a vida no Espírito. Não se trata apenas de esperar o céu, mas de viver agora sob a influência daquele que já nos vivificou. Quem entende essa verdade não vive mais para si mesmo, mas para Aquele que é, em si mesmo, a própria vida.

 

¹ ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

² FEE, Gordon D. A Primeira Epístola aos Coríntios. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

³ PALMA, Anthony D. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

 

3. O homem terreno e o homem celestial. Nesta era, carregamos a imagem do homem terreno. Lutamos contra a natureza pecaminosa enquanto não experimentamos plenamente a redenção eterna. Por isso, enfrentamos as complexidades e contradições da nossa própria natureza. A Palavra de Deus revela que o Senhor Jesus suportou as contradições dos pecadores (Hb 12.1-3). Contudo, temos a promessa de que seremos conformados à imagem celestial, sem pecado e em comunhão eterna com Deus. As contradições humanas desaparecerão. Viveremos, enfim, aquilo que Deus planejou para nós desde o princípio.

👉 Vivemos, hoje, sob uma tensão silenciosa, porém real: carregamos a imagem do homem terreno enquanto ansiamos pela plenitude do homem celestial. O apóstolo Paulo afirma em Primeira Epístola aos Coríntios 15.49 que “assim como tivemos a imagem do homem terreno, teremos também a imagem do homem celestial” (NVI). A palavra “imagem”, do grego eikōn, não aponta apenas para aparência, mas para identidade e natureza. Em Adão, herdamos uma condição marcada pela fragilidade moral e inclinação ao pecado. Não se trata apenas de atos pecaminosos, mas de uma disposição interna desordenada. Essa é a raiz das contradições que sentimos diariamente.

Essa luta interior é descrita de forma honesta nas Escrituras. Há um conflito entre o que sabemos ser certo e o que, muitas vezes, ainda desejamos fazer. Esse estado revela que a redenção já começou, mas ainda não foi consumada. O Comentário Bíblico Beacon observa que essa tensão faz parte da experiência cristã autêntica, pois o crente vive entre dois mundos: o já e o ainda não¹. Por isso, a vida cristã não é ausência de conflito, mas presença de esperança no meio dele. Jovens que entendem isso não se desesperam com suas lutas, mas aprendem a enfrentá-las com maturidade espiritual.

O autor de Epístola aos Hebreus nos direciona ao exemplo perfeito: Cristo, que “suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo” (Hb 12.3, NVI). A palavra “oposição”, do grego antilogia, carrega a ideia de contradição intensa, resistência hostil. Jesus não apenas enfrentou o pecado ao seu redor, mas suportou a tensão de viver em um mundo caído sem jamais ceder a ele. Craig S. Keener destaca que Cristo é o modelo de perseverança em meio à pressão moral e espiritual². Isso significa que nossa luta não é sinal de fracasso, mas parte do processo de conformação à sua imagem.

Entretanto, a promessa vai além da luta. Paulo aponta para um futuro onde essa tensão será completamente resolvida. Seremos plenamente conformados à imagem do homem celestial. Segundo Louis Berkhof, a glorificação implica não apenas ausência de pecado, mas perfeição positiva em santidade³. Isso significa que não apenas deixaremos de pecar, mas desejaremos perfeitamente aquilo que agrada a Deus. Aqui está uma das verdades mais profundas da escatologia cristã: a nossa vontade será finalmente alinhada, sem conflito, com a vontade divina. As contradições internas desaparecerão porque a raiz do pecado será totalmente removida.

Diante dessa esperança, surge um chamado prático e urgente: Não fomos chamados a viver resignados à nossa condição atual, mas comprometidos com a transformação progressiva. Cada decisão de santidade é um reflexo antecipado do que seremos plenamente. O jovem cristão precisa compreender que sua identidade não está definida pelo “homem terreno”, mas pelo “homem celestial” que já foi revelado em Cristo. Viver à luz dessa verdade muda tudo: nossas escolhas, nossos desejos e nossa perspectiva de futuro. Quem entende o destino glorioso que o aguarda passa a viver, hoje, de forma coerente com a eternidade.

 

¹ BEACON. Comentário Bíblico Beacon. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.

² KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

³ BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

 

SUBSÍDIO I

Professor(a), explique que mesmo no corpo de carne, lutamos contra essa natureza e somos orientados por Paulo a pensar nas coisas que são de cima (Cl 3.2). “Pelo fato de nossas vidas e identidades como cristãos estarem agora entrelaçadas em nosso relacionamento com Cristo (v.3), temos de ocupar nossas mentes com assuntos espirituais e deixar que nossas atitudes sejam determinadas pelas coisas que são de cima. Nossos maiores afetos e prioridades devem estar centrados em coisas que vão durar para sempre, e os nossos maiores esforços devem ser para armazenar ‘tesouros no céu’ (Mt 6.19,20). Devemos avaliar, julgar e considerar todas as coisas a partir de uma perspectiva eterna e celestial. Nossas metas e objetivos devem consistir em buscar as coisas espirituais (vv.1-4), resistir ao pecado (vv.5-11) e desenvolver o caráter de Cristo (vv.12-17). Em nossa busca por objetivos eternos, Cristo disponibilizou-nos os recursos do céu, os quais Ele irá proporcionar para aqueles que sinceramente pedirem, buscarem e baterem em sua porta com persistência (veja Lc 11.1-13; 1Co 12.11; Ef 1.3; 4.7,8). Se nos mantivermos fiéis a Cristo, podemos estar confiantes da glória, honra e recompensa supremas com Ele no céu (Mt 25.21; 2Tm 2.12)”. (Bíblia de Estudo Pentecostal para Jovens. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.1675).

 

II. UMA NOVA ORDEM DO COSMOS (Ap 22.1-5)

 

1. O rio puro de água viva. A salvação não será consumada apenas no ser humano, mas também em toda a criação. A Bíblia mostra que o pecado trouxe caos não apenas ao homem, mas a toda a ordem criada (Rm 8.20,21). Contudo, Deus consumará sua obra ao estabelecer novo céu e nova terra (Ap 21.1). Nessa perspectiva, o apóstolo João nos apresenta a cena gloriosa da cidade eterna. Nela, há um rio que flui do trono de Deus. Esse rio, além de seu sentido literal, simboliza a presença contínua do Espírito Santo (Jo 7.37-39). Sua presença produz uma restauração completa, na qual pulsa a vida de Deus. São as doces águas do Espírito, em contraste com as águas amargas do tempo presente (Ap 22.1; Rm 8.18).

👉 A consumação da salvação ultrapassa os limites da experiência individual e alcança toda a ordem criada. O apóstolo Paulo afirma em Epístola aos Romanos 8.20-21 que a criação foi sujeita à frustração (mataiotēs, no grego, ideia de futilidade, vazio), aguardando sua libertação da corrupção. Isso revela uma verdade muitas vezes negligenciada: o pecado não desorganizou apenas o coração humano, mas afetou a harmonia do cosmos. Contudo, Deus não abandonou sua criação. A promessa de Apocalipse de João 21.1, “novo céu e nova terra”, aponta para uma restauração total, onde tudo será reordenado segundo a perfeita vontade divina.

É nesse cenário que João contempla uma das imagens mais profundas da eternidade: “o rio da água da vida, claro como cristal, que fluía do trono de Deus e do Cordeiro” (Ap 22.1, NVI). Esse rio não é apenas um elemento paisagístico da Nova Jerusalém. Ele carrega um significado teológico profundo. No texto grego, “água da vida” (hydōr zōēs) comunica vitalidade contínua, uma vida que não se esgota nem se corrompe. Diferente dos rios terrenos, que podem secar ou poluir-se, este flui diretamente do trono de Deus. Sua origem revela sua natureza: é vida que procede do próprio Deus, pura, constante e inesgotável.

Essa imagem se conecta diretamente com as palavras de Jesus em Evangelho de João 7.37-39, quando Ele declara que “rios de água viva fluirão de dentro de quem crer”. João explica que Ele se referia ao Espírito Santo. Aqui está um elo teológico essencial: o rio do Apocalipse aponta para a plenitude daquilo que hoje experimentamos parcialmente. O Espírito, que hoje habita no crente como penhor da redenção, será então experimentado em sua manifestação plena e ininterrupta. Gordon Fee destaca que o Espírito é a antecipação da realidade futura, a presença de Deus já atuando na história¹. O que hoje sentimos em momentos de comunhão será, então, a atmosfera permanente da existência.

Essa realidade também estabelece um contraste marcante com o tempo presente. Paulo declara em Romanos 8.18 que “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada”. Vivemos em um mundo de “águas amargas”, marcado por dor, frustração e instabilidade. Mas o rio da vida aponta para uma reversão completa dessa condição. O Comentário Histórico-Cultural ressalta que, no contexto bíblico, a água é símbolo de purificação, renovação e sustento². Assim, o rio que flui do trono não apenas sustenta a vida, mas cura as feridas da criação caída.

Somos chamados a uma reflexão profunda. Se o destino final do povo de Deus é viver na plenitude da presença do Espírito, como estamos respondendo à sua atuação hoje? O rio já começou a fluir no coração do crente, ainda que de forma antecipada. Ignorar essa realidade é viver aquém do propósito de Deus. O jovem cristão precisa aprender a discernir e valorizar a presença do Espírito em sua vida diária. Quem prova dessas águas agora desenvolve sede pela eternidade. E quem tem sede de Deus hoje, certamente se deleitará plenamente no rio que jamais cessará.

 

¹ FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

² KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

 

2. Produção de vida verdadeira. Apocalipse 22 também nos apresenta a imagem de uma árvore — a Árvore da Vida. Diferentemente do relato de Gênesis, agora ela está acessível a todos os salvos, dentro de um contexto de redenção consumada. Essa árvore simboliza a verdadeira vida, em que não haverá mais sofrimento físico, emocional ou espiritual. Experimentaremos cura, plenitude e alimento eterno que procedem diretamente de Deus (Ap 22.2,3). Tudo terá sido completamente redimido. Trata-se de uma forma de vida que, para muitos hoje, não passa de um imaginário, de um anseio por um mundo melhor. No entanto, essa realidade não é fruto da imaginação humana, mas faz parte do plano de redenção do Deus Altíssimo, preparado desde antes da fundação do mundo (cf. Ef 1.4; Ap 13.8).

👉 Ao avançar na visão da eternidade, João nos apresenta uma imagem que ecoa desde o princípio das Escrituras: a Árvore da Vida. Em Apocalipse de João 22.2, ela aparece no centro da cidade de Deus, acessível a todos os redimidos. Isso contrasta diretamente com Gênesis 3, quando o acesso à árvore foi interditado por causa do pecado. Aqui está uma verdade profunda: aquilo que foi perdido na queda não apenas será restaurado, mas plenamente ampliado na redenção. A árvore, antes guardada, agora é compartilhada. Isso revela o coração do plano divino, que sempre foi conduzir o ser humano à vida plena em comunhão com Ele.

O texto afirma que essa árvore “dá doze colheitas, produzindo um fruto a cada mês” (Ap 22.2, NVI). No grego, a ideia sugere continuidade e abundância ininterrupta. Não há escassez, nem interrupção. Trata-se de uma vida sustentada diretamente por Deus. Além disso, “as folhas da árvore servem para a cura das nações”. A palavra “cura” (therapeia) não indica tratamento de doenças no sentido atual, mas restauração completa, manutenção da vida em perfeita harmonia. Segundo o Comentário Bíblico Pentecostal, isso aponta para a remoção total de toda consequência do pecado, inclusive aquelas que afetaram relações humanas e estruturas coletivas¹. Não haverá mais ruptura, trauma ou dor.

Essa árvore, portanto, simboliza mais do que alimento. Ela representa uma nova ordem de existência. Diferente da vida atual, marcada por limitações físicas, emocionais e espirituais, a vida eterna será plena em todas as dimensões. Stanley Horton enfatiza que a redenção final envolve a restauração integral do ser humano, incluindo corpo, alma e espírito². Isso corrige uma visão superficial do céu como um estado meramente espiritual. A eternidade bíblica é concreta, relacional e cheia de significado. Comer da árvore da vida aponta para dependência contínua de Deus, não por necessidade, mas por deleite.

Outro detalhe essencial está em Apocalipse de João 22.3: “Já não haverá maldição” (NVI). A maldição introduzida em Gênesis 3 é completamente removida. Isso significa que todas as distorções da existência humana desaparecem. Louis Berkhof afirma que a glória futura não consiste apenas na ausência do mal, mas na presença plena do bem³. Aqui está um ponto que muitos não percebem: a eternidade não será apenas livre de dor, mas saturada de alegria, propósito e comunhão perfeita com Deus. Aquilo que hoje sentimos apenas como lampejos espirituais será a experiência constante da alma redimida.

Por fim, essa realidade não é fruto de imaginação religiosa ou desejo humano por um mundo melhor. Ela está enraizada no decreto eterno de Deus. Paulo declara em Epístola aos Efésios 1.4 que fomos escolhidos “antes da criação do mundo”, e João aponta para o Cordeiro que foi morto “desde a fundação do mundo” (Ap 13.8). Isso revela que a redenção não é um plano emergencial, mas um propósito eterno. Diante disso, somos confrontados: estamos vivendo com os olhos nessa realidade? O jovem que compreende essa verdade não trata a fé como algo superficial. Ele entende que há uma vida real, plena e eterna preparada por Deus. E essa convicção transforma a maneira como ele vive, escolhe e espera.

 

¹ ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (eds.). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

² HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

³ BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

 

3. Deus como centro para sempre. Apocalipse 22 também revela que o trono de Deus e do Cordeiro estará no centro da cidade, no meio do seu povo. É Deus como o centro da vida. Ele será o sol e a luz que ilumina eternamente. Seremos sustentados por sua presença contínua. Então, o serviremos para sempre e contemplaremos, de forma gloriosa, a sua face (Ap 22.3-5). Essa esperança é o que move a vida do verdadeiro salvo. Quem foi justificado, regenerado e santificado anseia por ser glorificado, a fim de adentrar no Reino Celestial e contemplar a face do Senhor por toda a eternidade.

👉 A revelação final das Escrituras nos conduz a uma verdade central e inegociável: Deus não apenas habitará com o seu povo, mas será, para sempre, o centro absoluto de toda a existência. Em Apocalipse de João 22.3, João afirma que “o trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade” (NVI). O trono, no contexto bíblico, não é apenas símbolo de autoridade, mas de governo ativo e presença manifesta. Isso significa que toda a realidade eterna será organizada em torno de Deus. Não haverá descentralização, distração ou concorrência. Tudo convergirá para Ele. Aqui está uma correção necessária: o céu não é centrado no homem, mas em Deus. E é justamente isso que o torna perfeito.

Essa centralidade divina redefine completamente o conceito de luz. O texto afirma que “não haverá mais noite” e que não precisarão da luz do sol, “pois o Senhor Deus os iluminará” (Ap 22.5, NVI). A palavra “iluminar” (phōtizei) carrega a ideia de revelar, tornar visível, dar sentido. Deus não apenas ilumina o ambiente, Ele ilumina a própria existência. Craig S. Keener observa que, no mundo antigo, a luz estava associada à vida, verdade e ordem¹. Portanto, viver sob a luz de Deus significa viver sem confusão, sem engano e sem escuridão moral. Tudo será plenamente compreendido à luz da sua presença.

Além disso, João declara que “os seus servos o servirão” (Ap 22.3, NVI). O verbo grego latreuō indica serviço contínuo, culto prestado com devoção e alegria. Isso desmonta a ideia de uma eternidade estática ou entediante. A vida eterna será dinâmica, significativa e profundamente relacional. Segundo Stanley Horton, o serviço no estado eterno não será um peso, mas a expressão máxima de satisfação em Deus². Serviremos não por obrigação, mas porque estaremos plenamente alinhados com sua vontade. Aqui está um ponto profundo: a eternidade não anula o propósito humano, ela o aperfeiçoa.

O ápice dessa experiência é descrito de forma simples, mas teologicamente densa: “eles verão a sua face” (Ap 22.4, NVI). No Antigo Testamento, ver a face de Deus era algo impossível ao homem caído. Agora, isso se torna a maior promessa da redenção. A palavra “ver” (opsontai) implica contemplação direta, sem véus, sem mediação. Louis Berkhof afirma que essa visão beatífica representa a mais alta bem-aventurança do ser humano³. Não se trata apenas de enxergar Deus, mas de conhecê-lo plenamente, em comunhão perfeita e ininterrupta. Essa é a satisfação final de toda busca espiritual.

Somos confrontados com uma pergunta essencial: o que ocupa o centro da nossa vida hoje? A promessa da glorificação não é apenas futura, ela molda o presente. Quem foi justificado, regenerado e está sendo santificado desenvolve um desejo crescente pela presença de Deus. O jovem cristão precisa aprender a recentralizar sua vida agora, colocando Deus no lugar que Ele já ocupa na eternidade. Viver assim é antecipar o céu. É alinhar o coração com o destino final. E é nessa jornada que a esperança deixa de ser teoria e se torna força viva que sustenta, corrige e transforma.

 

¹ KEENER, Craig S. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

² HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

³ BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.

 

III. VIVENDO O FUTURO GLORIOSO NO PRESENTE TRABALHOSO

1. Vivendo como glorificados. A esperança cristã em relação à glorificação final nos convida a agir no presente com um estilo de vida coerente com o Reino de Deus. Não se trata de um chamado à inatividade, muito menos a uma vida alienada, desconectada das questões reais da existência. Pelo contrário, essa esperança nos motiva a viver com um propósito que procede de Deus — é uma realidade do céu que já se manifesta em nós (cf. Rm 8.23). Assim, se essa esperança molda a nossa fé, somos desafiados a viver como se já fôssemos glorificados: que morremos com Cristo, ressuscitamos com Ele, ascendemos com Ele aos céus e agora vivemos no mundo como cidadãos celestiais (Cl 3.1-3). O Reino de Deus já opera em nós!

👉 A esperança da glorificação não nos afasta da realidade. Ela nos reposiciona dentro dela. O apóstolo Paulo afirma em Epístola aos Romanos 8.23 que “temos as primícias do Espírito” (NVI). A palavra “primícias”, do grego aparchē, indica o início de algo maior que ainda virá em plenitude. Isso significa que a vida futura já começou, ainda que de forma antecipada. Não vivemos apenas esperando o céu. Vivemos a partir dele. Aqui está uma verdade transformadora: a glorificação futura projeta efeitos reais no presente. O cristão não vive apenas com esperança, mas a partir dela.

Por isso, Paulo nos chama a uma mudança de perspectiva em Epístola aos Colossenses 3.1-3: “Busquem as coisas do alto… pois vocês morreram, e agora a sua vida está escondida com Cristo em Deus” (NVI). Observe a linguagem. Não é apenas algo futuro. É uma realidade espiritual já estabelecida. Morremos com Cristo, ressuscitamos com Ele e, de forma posicional, já participamos da sua exaltação. Segundo Gordon Fee, essa união com Cristo redefine completamente a identidade do crente¹. Não somos mais definidos pelo passado adâmico, mas pela realidade celestial inaugurada em Cristo.

Essa compreensão corrige dois extremos perigosos. De um lado, a alienação espiritual, que ignora o mundo presente. De outro, o materialismo prático, que vive como se esta vida fosse tudo. A esperança cristã bíblica equilibra ambos. Como destaca Stanley Horton, o crente vive no mundo, mas orientado pelo Reino de Deus². Isso significa que nossas escolhas, valores e prioridades são governados por uma realidade superior. O Reino não é apenas futuro. Ele já opera em nós pelo Espírito Santo. Aqui está um ponto profundo: o cristão maduro aprende a viver o “já” da salvação sem perder de vista o “ainda não”.

Viver como glorificado, portanto, não é fingir perfeição, mas alinhar a vida com a nova identidade em Cristo. Paulo afirma que devemos “fazer morrer” a natureza terrena (Cl 3.5). Isso revela responsabilidade prática. A graça não anula o esforço espiritual. Ela o fundamenta. Anthony D. Palma observa que a vida no Espírito exige cooperação contínua do crente³. Isso significa que cada decisão diária se torna um campo onde a realidade futura se manifesta no presente. Santidade deixa de ser obrigação e passa a ser coerência com quem já somos em Cristo. Se já pertencemos ao céu, por que ainda vivemos presos à lógica da terra? O jovem cristão precisa compreender que sua identidade não está em construção, mas em revelação. Ele já é, em Cristo, aquilo que um dia será plenamente. Viver como glorificado é permitir que essa verdade governe pensamentos, escolhas e atitudes. É andar na contramão de um mundo caído, não por esforço humano, mas pela vida do Espírito que já habita em nós. Quem entende isso deixa de viver de forma superficial e passa a caminhar com propósito, consciência e esperança viva.

 

¹ FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

² HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

³ PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

2. Sendo canais da água da vida. O mundo vive em desordem e, como reflexo da desordem da Criação, as pessoas também vivem em desordem interior e exterior. Contudo, nós temos “rios de água viva” que correm no coração do salvo por intermédio do Espírito Santo (Jo 7.38,39). Assim como esse rio cura, restaura e renova, somos chamados a levá-lo àqueles que se encontram no profundo deserto espiritual. Somos os canais pelos quais o Espírito Santo deseja saciar a sede do sedento, curar as feridas do ferido e fluir na vida de quem perdeu o propósito (Is 55.1; Ap 22.17). Somos esses canais divinos para esse tempo!

👉 Vivemos em um mundo marcado pela desordem. Essa desordem não é apenas social ou emocional, mas espiritual. Ela reflete a ruptura original entre a criação e o Criador. O profeta já descrevia essa realidade como uma terra seca e sedenta, onde falta vida verdadeira. Contudo, em meio a esse cenário, Jesus faz uma declaração surpreendente em Evangelho de João 7.38: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (NVI). No grego, “fluirão” (rheusousin) indica um fluxo contínuo, abundante e ativo. Isso revela que o cristão não foi chamado apenas para receber vida, mas para transbordá-la.

O próprio texto explica que Jesus estava se referindo ao Espírito Santo (Jo 7.39). Aqui está um ponto essencial: o Espírito não habita no crente de forma estática, mas dinâmica. Gordon Fee destaca que a presença do Espírito é capacitadora e missionária, nunca passiva¹. Isso significa que a vida de Deus em nós tem direção. Ela busca alcançar outros. O rio que flui do trono em Apocalipse de João 22 agora encontra expressão no coração do salvo. O que será pleno na eternidade já começa a se manifestar por meio da Igreja.

Essa verdade redefine nossa identidade. Não somos reservatórios, mas canais. Um reservatório acumula. Um canal transmite. A vida cristã não pode ser vivida de forma autocentrada. O profeta convida: “Venham, todos vocês que estão com sede” (cf. Livro de Isaías 55.1, NVI). E, em Apocalipse de João 22.17, a Igreja se une ao Espírito dizendo: “Vem!”. Isso revela uma cooperação profunda. O Espírito chama, e a Igreja ecoa esse chamado. Stanley Horton enfatiza que o crente cheio do Espírito se torna instrumento ativo na obra redentora de Deus². Aqui está um ponto que muitos não percebem: Deus decidiu agir no mundo por meio de pessoas cheias do Espírito.

Entretanto, ser canal exige alinhamento. Um canal obstruído não flui. Pecado não tratado, vida espiritual negligenciada e falta de sensibilidade ao Espírito impedem esse transbordar. Anthony D. Palma observa que a atuação do Espírito na vida do crente requer rendição contínua³. Isso nos leva a uma reflexão pastoral séria: não basta ter recebido o Espírito, é necessário viver sob sua direção. O fluxo da vida divina depende de um coração disponível, sensível e obediente.

Há pessoas ao nosso redor vivendo em um verdadeiro deserto espiritual. Feridas, vazias, sem direção. E Deus escolheu você como canal. O jovem cristão precisa compreender que sua vida tem propósito além de si mesmo. Cada palavra, cada atitude, cada expressão de amor pode se tornar meio pelo qual o Espírito toca alguém. Viver assim é participar ativamente da obra de Deus no mundo. É permitir que as águas que já fluem em nós alcancem outros. E, nesse processo, descobrimos algo profundo: quanto mais o rio flui, mais ele transborda.

 

¹ FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

² HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

³ PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

3. Uma mentalidade teocêntrica em um mundo antropocêntrico. Viver com Deus no centro de tudo é caminhar na contramão de um mundo que coloca o ser humano numa posição que deve pertencer somente ao nosso Deus. Por isso, os valores do mundo são outros, suas prioridades são diferentes, seu estilo de vida é distinto, e suas decisões seguem outra lógica (Rm 12.2). Em contraste com um mundo centrado no ego, o salvo vive centrado em Deus, por meio de seu Filho, na força do Espírito Santo. Seus valores refletem os de Cristo, suas prioridades estão alinhadas com as de Cristo, seu estilo de vida imita o de Cristo, e suas decisões são guiadas pela vontade de Cristo (Gl 2.20; Cl 3.1-3). Neste mundo centrado no homem, Deus é o nosso centro!

👉 Vivemos em uma cultura que deslocou o centro da existência. O que antes pertencia a Deus agora é reivindicado pelo próprio homem. Essa mentalidade antropocêntrica redefine valores, prioridades e até a noção de verdade. No entanto, a Escritura nos chama a um caminho oposto. Em Epístola aos Romanos 12.2, Paulo ordena: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente” (NVI). A palavra “amoldar” (syschēmatizesthe) sugere assumir uma forma externa imposta. Já “transformar” (metamorphousthe) aponta para uma mudança interna profunda. Isso revela que viver com Deus no centro começa na mente, na forma como pensamos, interpretamos e reagimos à realidade.

Essa transformação não é meramente comportamental, mas teológica. Trata-se de uma mudança de eixo. O mundo vive a partir do “eu”; o cristão vive a partir de Deus. Como destaca Epístola aos Gálatas 2.20, “fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (NVI). Aqui está uma das declarações mais radicais da fé cristã. A vida centrada em Deus não é uma melhoria do ego, mas a sua rendição. Gordon Fee enfatiza que essa união com Cristo redefine completamente o sujeito da vida cristã¹. Não é mais o “eu” no controle, mas Cristo governando todas as dimensões da existência.

Essa nova centralidade se expressa de forma prática. Em Epístola aos Colossenses 3.1-3, Paulo nos chama a buscar “as coisas do alto”. Isso não significa desprezar a vida terrena, mas orientá-la por valores eternos. Stanley Horton observa que o crente passa a viver sob a perspectiva do Reino, onde Cristo é o padrão absoluto². Isso afeta tudo. Nossos desejos são reordenados. Nossas prioridades são redefinidas. Nosso estilo de vida deixa de ser moldado pela cultura e passa a refletir o caráter de Cristo. Aqui está um ponto profundo: viver de forma teocêntrica não é isolamento do mundo, mas transformação dentro dele.

Entretanto, essa caminhada exige discernimento constante. O mundo não apenas oferece alternativas, ele pressiona por conformidade. A mentalidade antropocêntrica se infiltra de forma sutil, exaltando autonomia, prazer e autossuficiência. Anthony D. Palma alerta que a vida no Espírito é a única forma de resistir a essa pressão³. Isso significa que não basta decisão humana. É necessária dependência contínua do Espírito Santo. Ele realinha nossos afetos, ilumina nossa mente e fortalece nossa vontade para permanecermos centrados em Deus. Quem está no centro da sua vida hoje? Essa não é uma pergunta teórica, mas prática. Ela se revela nas escolhas diárias, nos desejos cultivados e nas decisões tomadas. O jovem cristão é chamado a viver na contramão de sua geração, não por rebeldia, mas por fidelidade. Em um mundo que exalta o homem, o crente exalta a Deus. E é justamente essa centralidade que dá sentido, direção e estabilidade à vida. Quando Deus ocupa o centro, tudo encontra o seu devido lugar. E é assim que começamos a viver, aqui e agora, a realidade do Reino que jamais será abalado.

 

¹ FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

² HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

³ PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

PROFESSOR(A), “O Deus que iniciou a boa obra em cada um de nós continuará a realizá-la durante toda a nossa vida e a concluirá quando o encontrarmos face a face. A obra de Deus por nós começou quando Cristo morreu em nosso lugar na cruz. Sua obra dentro de nós começou quando cremos nEle pela primeira vez. Agora, o Espírito Santo vive em nós e nos permite ficar, a cada dia, mais semelhantes a Cristo. Paulo está descrevendo o processo do crescimento e da maturidade do cristão, que se iniciou quando aceitamos a Jesus, e que continuará até a sua volta.” (Extraído de Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.1661).

 

CONCLUSÃO

 

A salvação não é apenas uma realidade passada ou presente, mas também uma promessa futura gloriosa. Ela será plenamente consumada na glorificação do crente e na renovação de toda a criação. Isso nos impulsiona a viver com propósito, santidade e esperança. Jovens cheios do Espírito Santo vivem com os olhos voltados para a eternidade e os pés firmes no presente. Mesmo em meio às lutas, dúvidas e desafios, sabemos para onde estamos indo. Nossa caminhada tem direção: estamos indo ao encontro da glória que nos está prometida em Cristo.

👉 A salvação bíblica não pode ser reduzida a um evento isolado no passado, nem apenas a uma experiência presente. Ela aponta para um futuro glorioso, onde tudo aquilo que Deus iniciou será plenamente consumado. O apóstolo Paulo afirma em Epístola aos Romanos 8.30 que “aos que justificou, também glorificou” (NVI). Observe o tempo verbal. A glorificação futura é tratada como uma realidade certa. Isso revela a segurança do plano redentor. Deus não começa algo para deixar incompleto. A salvação é um processo que culmina na restauração total do ser humano e da criação.

Essa consumação envolve não apenas o crente, mas toda a ordem criada. A promessa de novos céus e nova terra aponta para uma renovação cósmica, onde não haverá mais os efeitos do pecado. Segundo Stanley Horton, a redenção final é abrangente e integral, alcançando tudo aquilo que foi afetado pela queda¹. Isso amplia nossa visão. O céu não é fuga da realidade, mas sua restauração plena. Aqui está uma verdade que precisa ser recuperada: Deus não desistiu do mundo. Ele o redimirá completamente.

Diante dessa esperança, a vida cristã ganha propósito. Não vivemos de forma aleatória ou sem direção. Em meio às lutas, dúvidas e desafios, existe uma certeza que sustenta o coração: sabemos para onde estamos indo. Como afirma Paulo, “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada” (Rm 8.18, NVI). Gordon Fee destaca que essa esperança futura não aliena o crente, mas o fortalece para perseverar². O futuro ilumina o presente. A eternidade dá sentido às escolhas de hoje.

Isso nos conduz a uma vida de santidade prática. A esperança da glorificação não produz passividade, mas compromisso. Quem entende o destino eterno passa a viver de forma coerente com ele. Anthony D. Palma ressalta que a atuação do Espírito Santo na vida do crente o capacita a viver de maneira santa e perseverante³. Jovens cheios do Espírito não vivem guiados pelas pressões do mundo, mas pela realidade do Reino que já opera em seus corações. Santidade deixa de ser obrigação e se torna expressão natural de uma vida transformada.

Por fim, essa esperança redefine nossa caminhada. Não estamos andando sem rumo. Estamos avançando em direção à glória prometida em Cristo. Cada passo, cada luta, cada vitória faz parte dessa jornada. O jovem cristão precisa manter os olhos na eternidade e os pés firmes no presente. Viver assim é caminhar com consciência, fé e esperança viva. E é essa esperança que sustenta, orienta e transforma, até o dia em que aquilo que hoje cremos se tornará plenamente visível na presença de Deus.

 

¹ HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

² FEE, Gordon D. Paulo, o Espírito e o Povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

³ PALMA, Anthony D. O Espírito Santo: Uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

 

Esp. FRANCISCO BARBOSA (@pr.assis) SIGA-ME no Instagran!

• Graduado em Gestão Pública;

• Teologia pelo Seminário Martin Bucer (S.J.C./SP);

• Bacharel Ministerial em Teologia pelo Instituto de Formação FATEB;

• Curso Superior Sequencial em Teologia Bíblica, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Pós-Graduado em Teologia Bíblica e Exegese do Novo Testamento, pela Faculdade Cidade Viva (J.P./PB);

• Pós-Graduado em Psicanálise Clínica na Abordagem Cristã, pelo Instituto de Formação FATEB;

• Professor de Escola Dominical desde 1994 (AD Cuiabá/MT, 1994-1998; AD Belém/PA, 1999-2001; AD Pelotas/RS, 2001-2004; AD São Caetano do Sul/SP, 2005-2009; AD Recife/PE (Abreu e Lima), 2010-2014; Igreja Cristo no Brasil, Campina Grande/PB, desde 2015).

• Pastor em tempo integral (voluntário) da Igreja de Cristo no Brasil em Campina Grande/PB servo, barro nas mãos do Oleiro.]

 

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HORA DA REVISÃO

 

1. Quais são as características da finitude humana?

O corpo, hoje, está sujeito à finitude: ele envelhece, adoece e morre.

2. Qual o contraste que o apóstolo Paulo faz para ensinar a respeito da transição entre “alma vivente” e “espírito vivificante”?

O contraste entre Adão e Cristo.

3. Segundo a lição, o que a Árvore da Vida simboliza?

Essa árvore simboliza a verdadeira vida, em que não haverá mais sofrimento físico, emocional ou espiritual.

4. Qual é o convite da esperança cristã em relação à glorificação final?

A esperança cristã em relação à glorificação final nos convida a agir no presente com um estilo de vida coerente com o Reino de Deus.

5. Em contraste com um mundo centrado no ego, como o salvo vive?

Em contraste com um mundo centrado no ego, o salvo vive centrado em Deus, por meio de seu Filho, na força do Espírito Santo.