UM COMENTÁRIO APROFUNDADO DA LIÇÃO, PARA FAZER A DIFERENÇA!

Nosso objetivo é claro: disponibilizar, semanalmente, um subsídio fiel à Bíblia, claro, conciso, profundo e prático. Aqui, professores e alunos da Escola Bíblica Dominical têm acesso a conteúdo confiável e gratuito, preparado com excelência acadêmica por um Especialista em Exegese Bíblica do Novo Testamento, utilizando o que há de melhor da teologia em língua portuguesa. Obrigado por sua visita! Boa leitura e seja abençoado!

Classe Virtual:

14 de julho de 2011

Lição 4 – A Comissão Cultural e a Grande Comissão

24 de julho de 2011

Texto Áureo

“Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.” (Mt 28.19).

O tema de Mateus é Cristo como Rei, e a incumbencia final de Jesus aos seus súditos reflete uma perspectiva global. O ministério terreno de Cristo foi dirigido a Israel (Mt10.5,6), mas a proclamação do seu Reino e a adesão à sua autoridade estende-se a todas as nações. A forma pela qual os discípulos devem reconhecer abertamente sua lealdade a Cristo é através do batismo em águas, ministrado em nome da Trindade.

Verdade Prática

A evangelização requer da Igreja a proclamação integral do Evangelho ao mundo todo.

Leitura Bíblica em Classe

Gênesis 1.26-30; Marcos 16.15-18,20

Objetivos

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Compreender que a missão integral é uma ordenança divina;
- Saber que a Comissão Cultural é uma convocação à igreja, e
- Conscientizar-se de que o Senhor Jesus comissionou-nos a pregar, a batizar e a fazer discípulos em todo o mundo.

Palavra-Chave

MISSÃO INTEGRAL

Proclamação da mensagem da salvação mediante a pregação e as ações que seguem-se a esta, tendo sempre a visão total do homem.

Comentário

(I. Introdução)

Ao ensinar a vida e princípios do Reino, Jesus guia seus discípulos a pensar, viver e orar para que seu Reino alcance todo o planeta (Mt 6.10). Isso é visto claramente nos ensinos de suas parábolas no capítulo 13 de Mateus. A missão de pregar em ‘todos os lugares’ que ‘o reino de Deus está chegando’ dada por Jesus aos discípulos também reflete esse caráter expansivo do reino. Em nosso Texto de Ouro, o Rei deu-nos a ‘Grande Comissão’, a incumbência máxima de ir a todas as nações, ensinando e batizando a fim de integrá-las ao seu Reino. Escatológicamente, Cristo afirma que o fim somente chegaria quando ‘este evangelho do Reino’ fosse pregado ‘em todo o mundo’ (Mt 24.14). A Igreja é responsável por essa ‘Missão Integral’ e deve proclamar o evangelho mediante a pregação, bem como, de ações que se seguem a esta, visando o bem do homem como um todo. Esse entendimento teremos ao fim desta lição, compreendendo que a Missão Integral é uma ordenança divina. Boa Aula!

(II. Desenvolvimento)

I. MISSÃO INTEGRAL – UMA ORDENANÇA DIVINA

1. Uma responsabilidade que vai além da evangelização. Deus é o Criador e o Juíz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo o tipo de opressão. Nossa responsabilidade, portanto, vai além da proclamação do evangelho, deve levar em conta a constituição tricotômica do homem, que possui tabém necessidades fisicas e emocionais. É isso que se infere do texto de 1Ts 5.23 quando Paulo ora por seus convertidos para que estes sejam inteiramente santificados, isto é, em todo o seu ser – corpo, alma e espírito. A Grande Comissão de Cristo a todos os seus seguidores, em todas as gerações, declaram o alvo, a responsabilidade e a autorga da tarefa missionária da Igreja. É digno de nota que, esse imperativo de Jesus nos ordena a concentrar forças para alcançar os perdidos e não em ‘cristianizar’ a sociedade ou assumir o controle político de uma nação; nosso interesse não deve ser o de aumentar o número de membros de nossa denominação, mas sim, fazer discíplos que observem os mandamentos do Senhor e que o seguem de toda a mente, coração e vontade (Jo 8.31).

2. A Missão Integral da Igreja. O comentarista da lição define muito bem o termo “Missão Integral” e o papel que esta ocupava na Igreja Primitiva. Hoje, nós sabemos que o papel da Igreja não está restrito apenas ao sagrado, mas ela é também exerce as funções de uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos, e que tem por finalidade principal, anunciar o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. A Igreja pode e deve criar e manter serviços de evangelização concomitantes com a assistência social, inclusive, assessorias educacional e cultural, inclusive, havendo oportunidade, celebrar convênios com entidades públicas ou privadas que comunguem dos mesmos objetivos da Igreja, visando a aplicabilidade dos projetos sociais, desde que, não firam os princípios bíblicos que norteiam a Igreja.

3. O marco histórico da Missão Integral. As ulltimas décadas têm sido influênciadas, em termos de missões, por vários movimentos. O comentarista da lição destacou o Movimento de Lausanne. A partir da conferência de Lausanne, na Suiça, em 1974, o mundo evangélico é levado a refletir sobre sua tarefa missionária e sobre a cooperação no cumprimento da missão. Com o lema “toda a Igreja levando todo o Evangelho a todo o Homem em todo o Mundo”, a conferência alcançou bem mais do que os participantes, criando um movimento mundial com benefícios incalculáveis para as missões. Conferências regionais foram realizadas e, em 1989, Lausanne II em Manilla, Filipinas. O movimento Lausanne quer:

a. dar uma orientação teológica, baseada na Biblia, acerca da motivação missionária e seu conteúdo;

b. estimular os cristãos a uma responsabilidade maior pela evangelização que já vem ocorrendo nas diferentes denominações e movimentos;

c. inspirar os cristãos, individualmente, a um serviço intensivo de intercessão e de ofertar bem mais para missões;

d. conscientizar os cristãos de que evangelização e ação social devem acompanhar um ao outro; e

e. possibilitar contatos ecumênicos entre a cristandade evangélica para melhor planejamento e cooperação[1].

É digno de nota que, houveram outros movimentos de destaque no decorrer do último século, entre eles, o Movimento do Crescimento da Igreja, iniciado por Donald McGravan, professor de Missões no Fuller Theological Seminary, Passadena, EUA. Este movimento tem sido fortemente criticado por só se preocupar com o crescimento numérico mas, ultimamente, os seus defensores vêm enfatizando o ‘crescimento equilibrado da Igreja’, incluindo, além do crescimento quantitativo, também o qualitativo e o orgânico. Também, o Movimento Ano 2000 (AD 2000), surgido de uma reunião em janeiro de 1989, em Singapura, onde foi realiazada uma Consulta Global de Evangelização Mundial para o ano 2000 e Além. Esta consulta deu origem ao movimento denominado AD 2000. Este movimento deu enfoque principal à chamada ‘janela 10/40’[2].

Sinópse do Tópico (1)

A evangelização deve contemplar o homem como um todo – corpo, alma e espírito.

II. COMISSÃO CULTURAL – UMA CONVOCAÇÃO À IGREJA

1. Um chamado à responsabilidade. O cristianismo visto como uma cosmovisão de mundo é um importante aspécto para a transformação da sociedade amalgamando-a numa cultura debaixo do senhorio de Cristo. A Comissão Cultural diz respeito à restauração da criação através da construção de uma sociedade para a glória de Deus. Através da graça comum*, o homem pode produzir uma cultura que reflita a ordem original da criação em todos os aspéctos da vida humana. Deus criou o homem para ser seu agente em seu reino, para governar e dominar o resto da criação. O poder e autoridade do ser humano para o exercício desse governo tem a sua origem no desejo de Deus de fazer o ser humano à sua própria imagem e semelhança. A graça comum é a fonte de toda a ordem, o refinamento, a cultura, a virtude comum, etc., que encontramos no mundo, e através dela é que o poder moral da verdade no coração e na consciência é aumentado, e as paixões maléficas dos homens são restringidas. Na verdade, é a graça comum que impede este mundo de ser transformado num inferno. Contudo, sem a iluminação do Espírito Santo, a graça comum é incapaz de produzir salvação. O parágrafo seguinte, escrito pelo Dr. S. G. Craig estabelece de maneira muito clara as limitações da graça comum: - "O Cristianismo entende que educação e cultura, que deixam Jesus Cristo fora de consideração, enquanto possam fazer homens mais inteligentes, polidos, brilhantes, não têm o poder para mudar dos seus caracteres. Quando muito tais coisas em si mesmas podem limpar o exterior do recipiente, sem no entanto afetar a natureza do seu conteúdo. Aqueles que depositam a sua confiança na educação, na cultura e em coisas afins, assumem que tudo o que seja necessário para transformar uma oliveira selvagem numa oliveira boa é regar, podar, cultivar e assim por diante, enquanto que o que a árvore precisa, em primeiro lugar, é seja enxertada com um broto de uma oliveira boa. E até que isto seja feito, todo trabalho dispensado à árvore é na maior parte jogado fora. Nós não subestimamos o valor da educação e da cultura, e todavia alguém poderia tanto supor-se capaz de purificar as águas de um rio simplesmente em melhorando as margens do mesmo, como também supor que estas coisas, próprias de si mesmos são capazes de transformar os corações dos filhos dos homens .... como um antigo provérbio Judeu diz: "pegue uma árvore de frutos amargos e plante-a no jardim do Éden e regue-a com as águas dali; e deixe o anjo Gabriel cuidar dela, e a árvore ainda assim produzirá frutos amargos." [3]

2. Restaurando a dignidade humana. A habilidade do ser humano para manter o seu papel como governador delegado da terra repousará na sua obediência contínua ao governo de Deus como o Rei de tudo. O seu poder para reinar na vida apenas irá até onde vai a sua fidelidade em obedecer à lei de Deus. O homem é distinto do restante da criação. O Conselho divino e triúno determinou que o ser humano deveria ter a ‘imago Dei’. O homem é um ser espiritual que não é apenas corpo, mas também alma e espírito. Ele é um ser moral cuja inteligência, percepção, autodeterminação excedem em muito os de qualquer outro ser terreno. Capacidade e habilidade constituem responsabilidade. Nós nunca deveríamos estar felizes em viver num nível de existência inferior àquele em que Deus tornou possível que nós vivêssemos. Nessa percepção, devemos lutar para ser o melhor que podemos ser e alcançar os níveis mais altos que pudermos atingir. Fazer menos que isso é ser servo infiel da vida que nos foi concedida (ver Sl 8.4,5; 139.13,14).

(*) Graça comum é um conceito teológico do protestantismo, primariamente em círculos calvinistas ou reformados, que se refere à graça de Deus que é comum a toda a humanidade. Ela é comum porque seus benefícios se estendem a todos os seres humanos sem distinção. Ela é graça porque é concedida por Deus em Sua soberania. Neste sentido, a graça comum distingue-se da concepção calvinista de graça especial ou graça salvadora, que se estende somente aos escolhidos por Deus para a redenção. Deus faz com que o Seu sol nasça sobre o mau e sobre o bom, e manda chuva sobre o justo e sobre o injusto. Ele provê estações frutíferas e dá muitas coisas as quais contribuem para a felicidade da humanidade em geral. Entre as bênçãos mais comuns que devem ser atribuídas à esta fonte, podemos enumerar a saúde, a prosperidade material, a inteligência em geral, os talentos para a arte, música, oratória, literatura, arquitetura, comércio, invenções e etc.

Sinópse do Tópico (2)

Deus concedeu ao homem a responsabilidade pela administração da terra.

III. GRANDE COMISSÃO – A IGREJA PROCLAMA O EVANGELHO AO MUNDO

1. A Grande Comissão. Ide... ensinai...batizando”, estas palavras constituem a Grande Comissão de Cristo a todos os seus seguidores, em todas as gerações. Declaram o alvo, a responsabilidade e a autorga da tarefa missionária da Igreja. A igreja deve ir a todo o mundo e pregar o evangelho a todos de conformidade com a revelação do Novo Testamento, da parte de Cristo e dos apóstolos. Esta tarefa inclui a responsabilidade primordial de enviar missionários a todas as nações (At 13.1-4). O evangelho pregado centraliza-se no arrependimento e na remissão de pecados (Lc 24.47), na promessa do recebimento de ”o dom do Espírito Santo” (At 2.38), e na exortação de separar-nos desta geração perversa (At 2.40), ao mesmo tempo em que esperamos a volta de Jesus, do céu (At 3.19, 20; 1Ts 1.10)[4].

2. O “ide”. O próprio Cristo instituiu a obra missionária cristã como uma tarefa santa e obrigatória da Igreja. “E, quando saiam, encontraram um homem cirineu, chamado Simão, a quem constrangeram a levar a sua cruz” (Mt 27.32) – esse texto nos lembra de que as diferentes culturas foram representadas no Calvário e na Igreja:

1) Simão: homens sábios de todas as idades teriam a honra de poder realizar a tarefa que era concedida a Simão de Cirene, um homem negro do noroeste da África. Independentemente de serem voluntárias ou obrigadas, as mãos negras foram estendidas para ajudar o Salvador a carregar sua cruz;

2) O eunuco etíope da África (At 8.26) foi o primeiro convertido gentio citado pelo nome nos Atos dos Apóstolos. A história relata que ele retornou à Etiópia para fundar a Igreja Cristã Abssínia, que existe até hoje[5].

3. A ordem é fazer discípulos em todas as nações. O termo grego ethne, traduzido por nações no versículo 19, significa ‘grupos de pessoas’ – hoje em dia estima-se que haja cerca de 24.000 etnias no mundo. A exemplo de Paulo, que centralizou seu esforço ministerial nas missões, principalmente nas áreas onde o evangelho não tinha sido pregado suficientemente e assim facultou áqueles que não tinham ouvido a oportunidade de aceitarem a Cristo. Paulo questiona: “Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14). Um ‘púlpito’ pessoal é designado a cada crente – em casa, na comunidade, no trabalho ou na escola – para mostrar e contar aos outros as boas novas. Como diz Paulo: ‘eu sou devedor’, para demonstrar seu senso de obrigação de anunciar o evangelho.

Sinópse do Tópico (3)

O Senhor Jesus comissionou a Igreja para que pregue, batize e faça discípulos em todo o mundo.

(III. Conclusão)

toda a Igreja levando todo o Evangelho a todo o Homem em todo o Mundo”, este é o lema da Missão Integral, e quantas vezes temos esquecido ou negligenciado isso e consideramos a atividade evangelizadora à parte da atividade social? O Pacto de Lausanne afirma: “Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo” (Mt 5.13; Lc 6.47,48).

"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

Questionário

1. Porque a evangelização deve contemplar o ser humano como um todo?

R. Porque o ser humano não é composto apenas de alma e espírito, mas também possui necessidades fisicas e emocionais.

2. O que é Missão Integral?

R. Proclamar a mensagem da salvação mediante a pregação e as ações que a esta se seguem, tendo sempre a visão total do homem.

3. O Evangelho visa somente a salvação do homem do pecado e do inferno? Por quê?

R. Não. Porque visa levá-lo a agir como instrumento transformador da sociedade na qual acha-se inserido.

4. Quais são os objetivos da Grande Comissão?

R. a) proclamar o Evangelho em palavras e ações a toda criatura; b) discipular os novos conversos; c) integrá-los espiritual e socialmente na igreja local.

5. O que você tem feito em favor da Grande Comissão?

R. Resposta pessoal.

Notas Bibliográficas

[1]. Adaptado de EKSTRÖN, Bertil, História de Missões – Um guia de estudo da história missionária, Editora Betânia, Belo Horizonte, MG, 1993, p. 60;
[2].Ibidem, pp. 61, 62;
[3].Extraído do texto ‘Graça Comum’, por Loraine Boettner, disponível no Blog Monergismo: http://www.monergismo.org.br/;
[4].Adaptado de Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, Nota textual de Mt 28.19, p.1452;
[5].Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Dinâmica do Reino, p.990.
Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

auxilioaomestre@bol.com.br

7 de julho de 2011

Lição 3 – A Vida do Novo Convertido

17 de julho de 2011

Texto Áureo

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2Co 5.17).

A união com Cristo resume a nossa experiência de redenção. Segundo se infere de Ef 1.4,11, o crente foi eleito, de Rm 8.1, foi justificado, de 1Co 1.2: santificado, e em 2Co 3.18, glorificado em Cristo.Nosso texto de ouro enfoca a importante significação da união do crente com o seu Salvador. Cristo é o ‘último Adão’, aquele em quem a humanidade é recriada (1Co 15.45; Gl 6.16).

Verdade Prática

Mediante o novo nascimento, mantemos plena comunhão com Deus, reconhecendo o seu senhorio em todas as esferas de nossa vida.

Leitura Bíblica em Classe

2º Coríntios 5.17; Tito 2.11-13; 3.3-8

Objetivos

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Compreender que pela fé em Cristo nos tornamos novas criaturas;
- Conscientizar-se de que em Jesus tudo se faz novo, o passado fica para traz, e
- Saber que quando estamos em Cristo temos um novo olhar, uma nova atitude e uma vida abençoada.

Palavra-Chave

N O V O N A S C I M E N T O

Transformação interior operada pelo Espírito Santo na vida daquele que crê em Jesus Cristo e o aceita como Salvador.

Comentário

(I. Introdução)

A mensagem. Boa Aula!

(II. Desenvolvimento)

I. O NOVO CONVERTIDO É UMA NOVA CRIATURA

1. Uma nova criação. Paulo tem uma expressão bem peculiar para se referir ao que é ser um cristão – estar em Cristo (2Co 5.17). A morte e a ressurreição de Cristo por nós e nossa identificação com ele através da fé tornam a existencia possível como uma nova criatura. Atualmente, essa nova criação é apenas parcialmente experimentada, mas deve ser o foco da caminhada cristã, visto que é garantida a conclusão da recriação (2Co 4.16-5.5). Nosso relacionamento com Cristo afeta todos os aspectos da vida. Strong define o termo ‘nova’ como ‘não usado’, ‘diferente’, ‘recente’. O termo significa novo em relação a forma ou qualidade, ao invés de novo referindo-se a tempo, um pensamento comunicado por neos [1]. Todo crente é um templo do Espírito Santo e por Ele é guiado. Um bom resumo do processo de santificação (crescimento em santidade) na vida cristã, é o ‘mortificardes as obras do corpo’ (Rm 8.14). O homem recriado é guiado pelo Espírito, este é o estilo de vida daqueles que são filhos de Deus.

2. Transformação radical. O texto de Ef 2.10 diz: ‘Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas’. Strong define o termo feitura (grego poiema do verbo poieo, fazer). Este termo significa o que é fabricado, um produto, um projeto realizado por um artesão. Poiema enfatiza Deus como ‘Projetista Mestre’, o universo como sua criação. Antes da conversão, a vida de qualquer homem é sem razão, a conversão traz harmonia, simetria e ordem. O homem convertido ao Senhor, é o poema do Altíssimo, Sua obra de arte! [2] Não podemos pensar que, uma vez convertido, tudo está feito; com a decisão de seguir a Cristo, a obra apenas iniciou, e perdurará por toda a vida. Eu, particularmente admito, que para um homem ou mulher verdadeiramente convertido, o perigo principal já não mais existe; ele(a) está seguro no amor e cuidado de Cristo Jesus, e ninguém poderá tirá-lo das suas mãos. Mas isto é apenas parte da verdade; a outra parte também deve ser reconhecida, junto com esta, ou estaremos nos enganando a nós mesmos. Há ainda uma grande obra a ser realizada; e a santidade é o caminho da felicidade. Muito cuidado e diligência é requerido do crente. Que nós seremos salvos por Cristo não é mais certo, do que seremos guardados na fé, amor, e santa obediência a Ele.

3. Uma nova dimensão de vida. Tito 2.12 diz: ‘Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente’, o termo sóbria, que no texto original é sophronos (de sozo, ‘salvar’ e phren, ‘a mente’), encerra o sentido de ‘agir de maneira responsável’, ‘com sensibilidade’, ‘prudencia’, ‘estar em autocontrole e em total possessão de faculdades intelectuais e emocionais’. O pré-requisito para uma vida piedosa é a graça de Deus. O crente tem seu quinhão nessa nova dimensão, ele deve certificar-se de que o fundamento (alicerce) foi bem estabelecido, tanto na mente quanto no coração; ou de outro modo, jamais poderá alcançar a confirmação nem ser salvificamente edificado. O senso comum admite que é tolice tentar edificar um prédio de boa estatura sobre fundamentos deficientes.

Sinópse do Tópico (1)

Nascer de novo é sofrer uma transformação radical de vida, começando pelo interior, abrangendo todo o coração, desejo e vontade.

II. O PASSADO SE FOI E EIS QUE TUDO É NOVO

1. O passado ficou para trás.Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos’ (1Pe 1.3). Os termos ‘Nos gerou de novo’ refere-se a um novo nascimento daquele que aceita pela fé, o dom gratuito de Deus. O Cristo ressurreto possibilita uma viva esperança, que em toda a Bíblia, não é incerteza ou expressão de desejo, mas sim, uma expectativa confiante de futura benção, baseada em fatos e em promessas! E digno de nota que, o termo ‘viva’ indica o caráter imortal e permanente dessa esperança! Agora, o crente é, juntamente com Cristo, herdeiro de Deus, e sua sorte chama-se salvação! (Rm 8.16,17; Hb 1.14; 1 Pe 1.5). Alegremente, devemos entoar com toda a alma, a doxologia de Paulo em Romanos 8.31-39.

2. “Eis que tudo se fez novo”. M. Lloyd-Jones afirma: “O cristão deve saber por que é cristão. O cristão não é uma pessoa que simplesmente diz que lhe sucedeu algo maravilhoso... está sempre preparado e pronto a dar a «razão da esperança que há nele». Se não o pode fazer melhor será que trate de ter certeza de sua posição. O cristão sabe por que ele é o que é, e sabe qual a sua situação. Foi-lhe apresentada a doutrina; recebeu a verdade. Esta «forma de sã doutrina» (Rm 6.17 e Tt 2.1) o alcançou. Alcançou-lhe a mente, e sempre há de começar com sua mente. A Verdade vem à mente e ao entendimento iluminados pelo Espírito Santo”. O homem que sabe e crê que «ressuscitou com Cristo», inevitavelmente desejará andar em novidade de vida com Ele [3]. A nova vida em Cristo nos conduz a uma mudança completa na maneira de sermos. Isto começa com o pensamento voltado para o alto, para Deus e para as coisas espirituais. Haverá uma mudança nas motivações da nossa vida. Os alvos da nossa vida levarão sempre em conta a transitoriedade da vida terrena. Sempre teremos em mente que a vida terrena é passageira, sendo a vida além túmulo, eterna. Buscaremos em tudo a orientação de Deus para cada passo da nossa nova vida.

3. É tempo de avançar. Paulo impressiona com sua singular explicação quanto ao dever de avançar sempre na caminhada em santidade quando afirma: “Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,” (Fp 3.13). Essa confissão de Paulo nos arremete a imagem de um atleta, esforçando-se com cada músculo do seu corpo enquanto corre até a sua meta, com a mão estendida para alcançá-la. E nesse sentido que ele, Paulo, afirma em Hb 12.1: “[...] corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta [...]”, numa analogia com as competições atléticas dos gregos, ele fala da característica da vida cristã: a semelhança do corredor, o cristão deve estar numa atividade constante que o levará ao objetivo final, apesar dos oponentes. Essa luuta exige esforço, perseverança e foco em Jesus, o único ‘Autor e consumador da fé’ e exemplo supremo de fé na carreira!

Sinópse do Tópico (2)

Em Cristo o nosso passado de transgressão e desobediência fica para trás.

III. QUANDO ESTAMOS EM CRISTO

1. Temos um novo olhar. Carecemos reconhecer que as inclinações da natureza carnal devem ser dominadas. Mesmo vivendo num mundo em que toda a ênfase são para o prazer imediato, nós precisamos ter o domínio sobre todas as tentações que este mundo oferece. O alvo da nossa vida é a santidade. Sabemos que enquanto estivermos neste corpo nunca alcançaremos a perfeição, mas é nosso dever dia após dia, vencer as inclinações carnais. Mas não obstante isso, o crente que possui a mente de Cristo, serve bem aos outros, deixando seus próprios desejos pelo bem comum de todos os santos. Muitos reinos caíram por causa do egoísmo e da ganância. Mas o reino do céu está estabelecido no serviço desinteressado aos outros. Jesus Cristo -- o próprio Rei -- veio como um servo e serviu a toda a humanidade vivendo sem pecado e morrendo numa cruz para tornar a salvação um fato! Se Jesus pode humilhar-se para descer do céu e servir os homens, estes podem humilhar-se para descer de seu orgulho e servir os outros.

2. Temos uma nova atitude. Que atitude deve ter o crente quando afrontado, mesmo que tenha razão? O escritor da epístola aos Hebreus afirma: “Segui a paz com todos [...]”. Apesar de muitas vezes, nos sentirmos tentados na perseguição a retribuir o mal com o mal, o autor desta epístola diz que devemos viver em paz com todos, “quanto depender de vós”(Rm 12.18), da mesma forma como procedeu o Senhor Jesus, que, “quando maltratado, não fazia ameaças” (1Pe 2.23). "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18).

3. Temos uma nova vida abençoada. Transcrevo a seguir, um artigo do Pr Hernandes Dias Lopes, que tem por título ‘Abençoados para sermos abençoadores’:

A igreja é o povo mais abençoado do mundo. Somos abençoados com toda sorte de bênção em Cristo Jesus. Somos filhos de Deus, herdeiros de Deus e a menina dos olhos de Deus. Fomos amados desde a eternidade. Fomos chamados com santa vocação. Fomos transformados pela graça. Recebemos um novo nome, um novo coração, uma nova vida, uma nova família, uma nova pátria.O propósito de Deus, entretanto, não é apenas nos abençoar, mas tornar-nos abençoadores. Não somos apenas o receptáculo da bênção, mas sobretudo, seu canal. Três verdades preciosas nos chamam a atenção acerca desse momentoso assunto.

1. Somos abençoados para sermos abençoadores porque somos portadores de boas novas num mundo marcado por más notícias. O mundo está cansado de ouvir más notícias. A mídia despeja todos os dias em nossos ouvidos dezenas de informações trágicas: é a violência que campeia sem controle na cidade e no campo; é a corrupção que se infiltra em todos os setores da sociedade; é a devassidão moral que solapa os valores morais e desestabiliza a família. A igreja de Deus não é trombeta do mal, mas portadora de boas novas. Temos a única mensagem capaz de trazer esperança para o homem atormentado pela culpa. Temos o único remédio capaz de curar o homem de sua enfermidade espiritual. Somos embaixadores de Deus a proclamar ao mundo a boa notícia de que Deus ama o pecador e enviou seu Filho para salvar a todos os que se arrenpendem e colocam sua confiança em Jesus.

2. Somos abençoados para sermos abençoadores porque somos construtores de pontes onde o pecado só cavou abismos. O pecado separa o homem de Deus, de si mesmo e do próximo, mas o evangelho lhe restaura a alma, oferecendo-lhe reconciliação com Deus. Neste mundo timbrado pelo ódio, somos arautos do amor de Deus. Neste mundo de guerras, somos embaixadores da paz. Neste mundo onde se aprofundam os abismos da inimizade, somos pacificadores. Deus nos confiou o ministério da reconciliação. Somos agentes de Deus na maior missão de paz do mundo, pois nosso ministério é rogar aos homens que se reconciliem com Deus. É sublime o privilégio de construirmos pontes onde o pecado cavou abismos. É glorioso o trabalho de lutar pela salvação dos perdidos. É maravilhoso saber que Deus nos confiou um ministério que os anjos gostariam de fazê-lo.

3. Somos abençoados para sermos abençoadores porque recebemos a maior, a mais urgente e a mais importante incumbência do mundo. A evangelização é a mais importante missão do mundo. É uma tarefa imperativa, intransferível e impostergável. Fomos chamados para sermos enviados. Não podemos nos calar quando temos a única mensagem capaz de salvar os que estão perdidos. Não podemos silenciar nossa voz quando nenhuma outra instituição humana pode realizar essa tarefa a nós confiada. Não podemos adiar a proclamação dessa boa notícia, quando tantos perecem em seus pecados, sem esperança e sem Deus no mundo. O privilégio de sermos abençoados implica na responsabilidade de sermos abençoadores. Deus nos chamou das trevas para a luz para sermos um luzeiro no mundo. Deus nos tirou da escravidão para a liberdade para anunciarmos aos cativos que se o Filho de Deus os libertar verdadeiramente serão livres. Deus nos arrancou desse mundo tenebroso para sermos conduzidos de volta ao mundo, a fim de anunciarmos que Deus reina e exige que todos se dobrem aos pés do seu Filho, adorando-o como Salvador e Senhor. Unimos nossa voz à do salmista, quando clamou: “Abençoe-nos Deus, e todos os confins da terra o temerão” (Sl 67.7) [4].

Sinópse do Tópico (3)

Quando estamos em Cristo temos um novo olhar, novas atitudes e uma vida abençoada.

(III. Conclusão)

A vida cristã é resultado de um novo e verdadeiro relacionamento com Deus que se inicia com o novo nascimento. Nesse encontro de perdão com Deus nasce a verdadeira alegria. Todo novo convertido é a pessoa mais feliz e alegre que já se viu. Certamente muitos crentes, na medida em que a vida passa, a rotina e o descuido tomam conta e o pecado passa a ter domínio sobre áreas da vida, perdem o viço, o bom perfume e o frescor da alegria resultante do fato de ser nova criatura, e o mais triste, para muitos, isso apenas foi uma experiência do passado.

- Há momentos que sua vida cheira mal?

É no relacionamento e no cultivo da presença de Cristo que alegria se evidencia na vida do cristão.

- Sl. 16. 11 ‘Na tua presença há plenitude de alegria'.

"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

Notas Bibliográficas

[1]. Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Palavra-Chave, p.1204;
[2]. Adaptado de Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 2001,Palavra-Chave, p.1226;
[3].Adaptado de http://bereianos.blogspot.com/2010/03/nova-vida-em-cristo.html;
[4].Disponível em http://hernandesdiaslopes.com.br/2010/08/abencoados-para-sermos-abencoadores/

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/, na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

auxilioaomestre@bol.com.br