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12 de janeiro de 2012

Lição 4: A prosperidade em o Novo Testamento

Lições Bíblicas CPAD Jovens e Adultos - 1º Trimestre de 2012. Título: A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante; Comentarista: José Gonçalves. Elaboração de pesquisa e subsídio: Francisco A. Barbosa.

Lição 4: A prosperidade em o Novo Testamento

22 de Janeiro de 2012

TEXTO ÁUREO

Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo(Rm 14.17).As leis dietéticas são triviais, e seu cumprimento não é essencial ao Reino de Deus. De muito mais importância é o fruto do Espírito Santo. A justiça está relacionada com a palavra de Deus e a dependência de Deus (Mt 5.10); A paz está relacionada com a vida em comunhão. Isto quer dizer que nada pode se interpor no relacionamento entre crentes. Só podemos viver em paz, quando compreendemos que somos uma família e somos membros uns dos outros. Os filhos de Deus se esforçam por preservar a unidade do Espírito pelo vínculo da Paz. A paz com todas as pessoas é a garantia de que veremos a Deus (Hb 12.14,15); A alegria no Espírito Santo está relacionada com o Fruto do Espírito; todo crente em Jesus recebeu o Poder para ser feito filho de Deus, e este Poder é o Espírito Santo que habita nele e manifesta o Fruto do Espírito que é: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, fé e domínio próprio. Em que cada situação que passamos no nosso dia a dia, podemos exercitar todas as qualidades do caráter de Cristo nas nossas vidas (1Pe 4.12-14).

VERDADE PRÁTICA

O conceito de prosperidade em o Novo Testamento vai muito além da aquisição de bens terrenos; ele está fundamentado nas promessas do reino de Deus na época vindoura.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2º Coríntios 8.1-9.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

· Saber que a prosperidade em o Novo Testamento é escatológica;

· Conscientizar-se de que a prosperidade em o Novo Testamento é mais uma questão de ser que de ter; e

· Compreender que a prosperidade em o Novo testamento é sempre uma questão filantrópica.

Palavra Chave

Filantropia: Desprendimento, generosidade para com outrem; caridade.

COMENTÁRIO

(I. introdução)

[...] não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes; não sejais sábios em vós mesmos;” (Rm 12.16). Este texto de Romanos aconselha aos crentes a estarem satisfeitos, tendo as coisas essenciais desta vida, como alimento, vestuário e teto. Certamente haverá necessidades financeiras específicas, e nesse caso, devemos confiar na providência divina (Sl 50.15), enquanto continuamos a trabalhar (2Ts 3.7,8), a ajudar os necessitados (2Co 8.2,3), e servir a Deus com contribuições generosas (2Co 8.3; 9.6,7). Também sugere que os crentes não devem ambicionar riquezas (vv. 9-11), já que no pensamento paulino, os ricos caem em muitas tentações. O Salmista também discorre sobre o ‘estar contentado’: ”SENHOR, o meu coração não se elevou, nem os meus olhos se levantaram; não me exercito em grandes assuntos, nem em coisas muito elevadas para mim. Decerto, fiz calar e sossegar a minha alma; qual criança desmamada para com sua mãe, tal é a minha alma para comigo. Espere Israel no SENHOR, desde agora e para sempre” (Sl 131.1-3). Nesta lição teremos uma visão acerca da prosperidade para o cristão (1Co 16.2; 3Jo 2) e no por fim, a convicção de que a prosperidade para os crentes da Nova Aliança vai muito além de possuir abundância de bens materiais. No dizer de Paulo em Rm 12.16, Aquele que muito quer nada tem. Quando desejamos coisas altas demais corremos o risco de não alcançá-las e depois sofrer com o sentimento de incapacidade e frustração. Muitas vezes buscamos glória e reconhecimento para nós mesmos, mas não é essa a recomendação bíblica. Deus quer que estejamos satisfeitos com as coisas humildes, e caso Ele achar que convém nos dará as coisas grandes para que Seu nome seja glorificado. Jesus optou por ter um estilo de vida simples e nunca incentivou seus discípulos a buscarem ou acumularem tesouros na terra (Mt 6.19-21). Ele nos ensinou a buscar o Reino de Deus e a sua justiça em primeiro lugar (Mt 6.33). Para o Salvador o que importa não é o ter, mas o ser. Assim, a verdadeira prosperidade consiste em ter um relacionamento perfeito com o Pai Celeste. Ter vida próspera é ter paz interior. E essa paz fortuna nenhuma pode comprar. Boa Aula!

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. A PROSPERIDADE NO NOVO TESTAMENTO É ESCATOLÓGICA

1. Prosperidade e consumo. O ensino do Novo testamento quanto ao acúmulo de riquezas é desencorajador. No original, riqueza é mamom (מָמוֹן), que significa literalmente ‘dinheiro’, um termo aramaico usado para descrever riqueza material ou cobiça, na maioria das vezes, mas nem sempre, personificado como uma divindade. O termo é pejorativo e faz referência a riquezas considerado-a como um objeto de culto e seu exercício ganancioso; à riqueza como um mal, mais ou menos personificado. Pessoas ávidas por dinheiro são aqueles que cultuam Mamom. Em Mt 6.19,24 apresentam-se à pessoa duas opções: um relacionamento com Deus ou com as riquezas. É por isso que muitos cristãos, apesar das aparências, não se enquadram no modelo apresentado pela Palavra de Deus. A avidez por acumular riquezas é tão envolvente que rapidamente passa a controlar a mente e a vida da pessoa, substituindo paulatinamente a glória de Deus (Lc 6.13). Para o mundo secular, sucesso e consumo são termos que definem o que se considera hoje uma vida próspera, pois o homem natural ignora que o “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores” (1Tm 6.10). Para os judeus contemporâneos de Jesus, o pensamento predominante era de que as riquezas constituíam um sinal do favor especial de Deus, e que a pobreza era um sinal de falta de fé e do desagrado de Deus; Jesus muitas vezes foi escarnecido por ser pobre! (Lc 16.14). Esse pensamento é rejeitado pelo Mestre nas seguintes passagens: Lc 6.20; 16.13 e 18.24,25. No pensamento cristão, as riquezas são empecilho tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.24; 13.22). Jesus advertiu-nos: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.”. Ato contínuo, o Senhor contou aos seus discípulos a parábola do rico insensato que julgava ter segurança por causa de suas muitas posses (Lc 12.16-21). Cristo não condenou a posse de riquezas materiais, mas fez questão de realçar a loucura de viver em função daquilo que perecerá.

2. Prosperidade e futuridade. Para Jesus, o homem deve ser livre da ansiedade quanto às necessidades cotidianas. O Mestre ilustra a inutilidade da preocupação mostrando que é desnecessária, infrutífera e inadequada para um crente (Mt 6.26-32). O amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). O egoísta e cobiçoso já não centraliza em Deus o seu alvo e a sua realização, mas, sim, em si mesmo e nas suas possessões. Ao contrário disso, o crente é estimulado a fazer do governo soberano de Deus, e do correto relacionamento com ele, a mais alta prioridade da vida. A preocupação é incoerente com essa assertiva porque ela põe em dúvida a soberania e bondade divina e desvia o crente dos verdadeiros objetivos da vida. Os crentes primitivos tinham a consciência de que Deus satisfaria todas as necessidades daqueles que arriscam tudo por ele, daqueles que buscavam primeiro o Reino de Deus e a sua justiça (Mc 10.29,30), eles tinham os corações completamente voltados para a manifestação plena do Reino de Deus. Isso levou o apóstolo Paulo a desejar ardentemente a vinda do Senhor (1 Ts 4.17; 2 Co 5.8; 2 Tm 4.8). O coração, (isto é, sentimentos, pensamentos, desejos, valores, vontade e decisões) da pessoa é atraído pelas coisas que ela considera mais importantes. Se o reino de Deus, as coisas celestiais, a sua Palavra, a sua presença, a sua santidade e nosso relacionamento com Ele são o nosso tesouro, nosso coração será atraído às coisas do seu reino e nossa vida estará voltada para o céu e para a volta de nosso Senhor. O objetivo principal da vida do crente é agradar a Deus e promover a sua glória. Sendo assim, aquilo que não pode ser feito para a glória de Deus (em sua honra e ações de graças como nosso Senhor, Criador e Redentor) não deve ser feito de modo nenhum. Honramos a Deus mediante nossa obediência, ações de graças, confiança, oração, fé e lealdade a Ele. Viver para a glória de Deus deve ser uma norma fundamental em nossa vida, o alvo da nossa conduta, e teste das nossas ações (1Co 10.31).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Ser próspero não significa ter bens materiais, mas uma profunda comunhão com Deus.

II. A PROSPERIDADE EM O NOVO TESTAMENTO É MAIS UMA QUESTÃO DE SER DO QUE DE TER

1. Tesouros na terra. A riqueza em si não é má. Porém, o que fazemos dela pode transformar-se em algo danoso para nós e para os que nos cercam (Sl 62.10). Temos ciência da importância do dinheiro para a sobrevivência, no entanto, o amor a ele é a raiz de todos os males (1Tm 6.10). Jesus já falara do perigo do dinheiro tornar-se um deus na vida do homem (Mt 6.24). Ele afirmou que a busca das riquezas poderia exigir uma dedicação tão grande, quanto Deus exigia de seus servos. Seria, portanto, impossível servir aos dois ao mesmo tempo. Esse fato foi exemplificado por Jesus quando Ele encontrou-se com o jovem rico (Mt 19.16-22). Não que a riqueza em si fosse de todo má, mas o coração pode estar tão preso por ela que isso se constitui num obstáculo para seguir a Jesus. Quando o dinheiro se torna um deus na vida do homem, tal pessoa é capaz de usar até meios ilícitos para obtê-lo ou usá-lo. Há pessoas que mentem e enganam com a finalidade de obter lucros e vantagens pessoais (Pv 21.06); outros exploram os semelhantes em benefício próprio (Jr 22.13; Tg 5.4); muitos praticam o suborno (Is 1.23; Am 5.12); isso além dos roubos, assassinatos, assaltos e tantos outros crimes que visam a subtrair bens ou dinheiro de pessoas ou instituições. Essas práticas não resolvem o problema de ninguém porque o resultado desse lucro desonesto são as dificuldades no lar (Pv 15.27); o desapontamento (Ec 5.10); insensatez (Jr 17.11); miséria (Tg 5.3) e apostasia (1Tm 6.10). A ética bíblica nos orienta que devemos trabalhar com afinco para fazermos jus ao que recebemos. Desde o Gênesis, vemos que o homem deve empregar esforço para obter os bens de que necessita. Disse Deus: “No suor do teu rosto, comerás o teu pão...” (Gn 3.19a). No dizer do apóstolo Paulo, “Porque bem vos lembrais, irmãos, do nosso trabalho e fadiga; pois, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós, vos pregamos o evangelho de Deus” (1Ts 2.9); “e procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado” (1Ts 4.11). “Se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2Ts 3.10). Daí, o preguiçoso que recebe salário está usando de má fé, roubando e insultando os que trabalham: “não trarás o salário da prostituta nem o aluguel do sodomita para a casa do Senhor teu Deus por qualquer voto, porque uma e outra coisa são igualmente abomináveis ao Senhor teu Deus” (Dt 23.18).

2. Tesouros no céu. Para o crente, as verdadeiras riquezas consistem na fé e no amor que se expressam na abnegação e em seguir fielmente a Jesus (1Co 13.4-7; Fp 2.3-5). Sim, as verdadeiras riquezas são as espirituais e não as materiais. Uma das declarações mais surpreendentes feitas por nosso Senhor é que é muito difícil um rico entrar no reino de Deus. Este, porém, é apenas um dos seus ensinos sobre o assunto da riqueza e da pobreza. Esta sua perspectiva é repetida pelos apóstolos em várias epístolas do Novo Testamento, isso porque o amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). Para o crente, a atitude correta em relação a bens e o seu usufruto, há a obrigatoriedade de ser fiel (Lc 16.11). Ele não deve apegar-se às riquezas como um tesouro ou garantia pessoal; pelo contrário, deve abrir mão delas, colocando-as nas mãos de Deus para uso no seu reino, promoção da causa de Cristo na terra, salvação dos perdidos e atendimento de necessidades do próximo. Portanto, quem possui riquezas e bens não deve julgar-se rico em si, e sim administrador dos bens de Deus (Lc 12.31-48). John Piper comenta em seu artigo intitulado ‘O Olho é a Lâmpada do Corpo, Uma Meditação sobre Mateus 6:19-24’: “Colocadas entre o mandamento de ajuntar tesouros no céu (6:19-21) e a advertência de que não se pode servir a Deus e ao dinheiro (6:24), estão as estranhas palavras sobre o olho sendo a lâmpada do corpo. Se o olho é bom (literalmente: “simples”), todo o corpo será cheio de luz. Mas se o olho for mau, o corpo será cheio de trevas. Em outras palavras: Como você vê realmente, determina se você está em trevas ou não. Ora, por que esta afirmação sobre o olho bom e o mau está colocada entre dois ensinos sobre dinheiro? Eu penso que é por causa de uma coisa específica: o que nos mostra se o olho é bom, é como ele vê Deus em relação ao dinheiro e tudo o que este pode comprar. Este é o assunto na primeira parte desta passagem. Em 6:19-21 o assunto é: você deve desejar a recompensa celestial e não a terrena. O que, em resumo, significa: deseje Deus e não o dinheiro. Em 6:24 o assunto é se você pode servir dois senhores. Resposta: Você não pode servir a Deus e ao dinheiro.[http://www.monergismo.com/textos/meditacoes/piper_olho_lampada.htm].

SINOPSE DO TÓPICO (II)

No ensino apostólico, as verdadeiras riquezas são as espirituais e não as materiais.

III. A PROSPERIDADE EM O NOVO TESTAMENTO É FILANTRÓPICA

1. Uma igreja com diferentes classes sociais. Uma igreja local dividida não terá êxito em sua jornada terrena e jamais alcançará o objetivo de evangelização mundial. O termo ‘comunhão’, de acordo com o texto bíblico no original, tem um sentido bem amplo. Proveniente do grego koinê, o termo remetente a essa palavra é KOINONIA. Este expressa os seguintes significados: “participação, quinhão; comunicação, auxílio, contribuição; sociedade, comunhão, intimidade, ‘cooperação[1]. A idéia da palavra é expressar o vínculo perfeito de unidade fraternal dentro de uma comunidade específica cujas características essenciais são a cooperação e o relacionamento mútuo. A Igreja de Cristo é a reunião de diversas pessoas (diferentes classes sociais, sexos e etnias). Quando a Igreja teve início, pessoas de todas essas camadas sociais agregaram-se à nova fé (At 6.7). Tanto Paulo quanto os outros apóstolos a todos instruía indistintamente (1 Co 7.21; Fm 10-18). A Igreja, embora social e economicamente heterogênea, era homogênea em sua fé (At 4.32). Somos criaturas de Deus quando nascemos neste mundo e nos tornamos filhos de dEle quando cremos na obra salvífica levada a efeito por Jesus (Mt 10.32; Rm 10.9), passamos assim a ter o poder de sermos feitos filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo de suas promessas e riquezas (Jo 1.12 e Rm 8.17). Assim, apesar de pertencermos à classes sociais distintas, todos os crentes são herdeiros de uma mesma herança!
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[1]TAYLOR, W. C. Dicionário do N T Grego. 10. ed.
Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p. 119.

2. Não esquecer dos pobres. Na condição de filhos, Deus nos concede todas as bênçãos espirituais de que necessitamos (Ef 1.3; Fp 4.19; Tg 1.17) bem como as bênçãos materiais. Deus abençoa a todos sem distinção de raça, cor, credo, condição financeira, condição física ou educação. (Lc 9.23). “Porque sei que são muitas as vossas transgressões e enormes os vossos pecados; afligis o justo, tomais resgate e rejeitais os necessitados na porta. Portanto, o que for prudente guardará silêncio naquele tempo, porque o tempo será mau. Buscai o bem e não o mal, para que vivais; e assim o Senhor, o DEUS dos Exércitos, estará convosco, como dizeis.” (Am 5.12-14). Neste mundo, onde há tanto ricos quanto pobres, freqüentemente os que têm abastança material tiram proveito dos que nada têm, explorando-os para que os seus lucros aumentem continuamente (ver Sl 10.2, 9,10; Is 3.14,15; Jr 2.34; Am 2.6,7; 5.12,13; Tg 2.6). A Bíblia tem muito a dizer a respeito de como os crentes devem tratar os pobres e necessitados. Ao revelar a sua Lei aos israelitas, mostrou-lhes também várias maneiras de se eliminar a pobreza do meio do povo (ver Dt 15.7-11). Declarou-lhes, em seguida, o seu alvo global: “Somente para que entre ti não haja pobre; pois o SENHOR abundantemente te abençoará na terra que o SENHOR, teu DEUS, te dará por herança, para a possuíres” (Dt 15.4). O crente tem o dever de preocupar-se com o social, especialmente com os domésticos na fé (Gl 6.10) [Paulo de fato diz para ajudar “a todos.” Quando ele diz “especialmente” ou “principalmente” é com ênfase, mas não exclusividade]. Boa parte do ministério de JESUS foi dedicado aos pobres e desprivilegiados na sociedade judaica. Dos oprimidos, necessitados, samaritanos, leprosos e viúvas, ninguém mais se importava a não ser JESUS (cf. Lc 4.18,19; 21.1-4; Lc 17.11-19; Jo 4.1-42; Mt 8.2-4; Lc 17.11-19; Lc 7.11-15; 20.45-47). Ele condenava duramente os que se apegavam às possessões terrenas, e desconsideravam os pobres (Mc 10.17-25; Lc 6.24,25; 12.16-20; 16.13-15,19-31). Quantos de nós que, embora ricos espiritualmente, carecemos de bens materiais para a sobrevivência! Quantos irmãos nossos, co-herdeiros com Cristo, vivem em palafitas, ou estão desempregados? A estes não devemos fechar o coração, mas ajudá-los com alegria. É interessante e importante a palavra de Paulo quanto a este respeito em 1Tm 5.8: “se alguém não cuidar dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente”. A prosperidade legitima-se com a generosidade.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

A prosperidade bíblica legitima-se na generosidade.

(III. CONCLUSÃO)

Ao concluir esta lição, estou convicto de que Deus tem sido não somente bondoso conosco, mas, sobretudo, paciente. Por mais que tenhamos tentado ser bons despenseiros, todos devem reconhecer que poderiam administrar melhor os bens soberanamente a nós distribuídos. A vida abundante está relacionada a um correto relacionamento com Deus. Jesus espera que seu povo contribua generosamente com os necessitados (ver Mt 6.1-4). Ele próprio praticava o que ensinava, pois levava uma bolsa da qual tirava dinheiro para dar aos pobres (ver Jo 12.5,6; 13.29). Isto nos mostra que embora possamos ser agraciados com bens materiais, nossa vida não deve, a exemplo do homem sem Deus, ser direcionada pelo consumismo desenfreado e satisfação do ego. Quero findar registrando as palavras de Tiago quanto à verdadeira religião: “Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã. A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo" (Tg 1.26,27). No dizer de Tiago, o verdadeiro religioso, que tem uma religião que não é vã, se preocupa com os órfãos e as viúvas (Órfãos e viúvas aqui representam TODOS os que necessitam de ajuda na terra). Não esqueça o versículo que sempre fecha os subsídios:

“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa, auxilioaomestre@bol.com.br

EXERCÍCIOS

1. De acordo com ensino apostólico, o que significa prosperidade?

R. Significa o aprofundamento da comunhão do ser humano com Deus.

2. De acordo com a epístola de Tiago, o que a confiança nos bens materiais gera?

R. A confiança nos bens terrenos conduz à opressão e ao engano (Tg 2.6; 5.4).

3. As riquezas segundo as Escrituras são más? Explique.

R. A riqueza em si não é má. Porém, o que fazemos dela pode transformar-se em algo danoso para nós e para os que nos cercam (Sl 62.10).

4. Quais são os verdadeiros valores segundo a doutrina apostólica?

R. Os verdadeiros valores são os eternos e não os temporais.

5. A que está relacionada a vida abundante?

R. A vida abundante está relacionada a um correto relacionamento com Deus, que resulta em paz interior.

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante; Comentarista: José Gonçalves; CPAD;

CITAÇÕES:
-. PIPER, John. ‘O Olho é a Lâmpada do Corpo, Uma Meditação sobre Mateus 6:19-24’ http://www.monergismo.com/textos/meditacoes/piper_olho_lampada.htm
-. TAYLOR, W. C. Dicionário do N T Grego. 10. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Batista Regular, 2001, p. 119;

OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2009;

-. RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2007;

-. LIÇÃO 9 - O PRINCIPIO BÍBLICO DA GENEROSIDADE; Lições Bíblicas Aluno - Jovens e Adultos - 1º Trimestre de 2010. 2 Coríntios - "Eu, de muito boa vontade, gastarei e me deixarei gastar pelas vossas almas". Comentários da revista da CPAD: Pr. Elienai Cabral. http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/licao9-2co-oprincipiobiblicodagenerosidade.htm

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

9 de janeiro de 2012

Lição 3: Os frutos da obediência na vida de Israel

Lições Bíblicas CPAD Jovens e Adultos - 1º Trimestre de 2012. Título: A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante; Comentarista: José Gonçalves. Elaboração de pesquisa e subsídio: Francisco A. Barbosa.

Lição 3: Os frutos da obediência na vida de Israel


15 de Janeiro de 2012


TEXTO ÁUREO

E será que, havendo-te o SENHOR, teu Deus, introduzido na terra, a que vais para possuí-la, então, pronunciarás a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal” (Dt 11.29). – Este texto faz parte do discurso proferido por Moisés iniciado no capítulo 5.1. Moisés lança a possibilidade de escolha entre bênção e maldição mediante a postura adotada diante de Deus e de sua lei. Moisés utiliza dois montes de Israel para simbolizar esta dualidade entre bênção e maldição: a bênção sobre o monte Gerizim, e a maldição sobre o monte Ebal, que serviriam como lembretes perpétuos.

VERDADE PRÁTICA

A verdadeira prosperidade é o resultado de um correto relacionamento com Deus e da obediência à sua Palavra.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
Deuteronômio 11.26-32.


OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

· Compreender que obediência a Deus é a condição indispensável para um viver próspero;

· Conscientizar-se de que a desobediência é a causa da maldição; e

· Citar algumas das conseqüências da obediência na vida do crente.

PALAVRA CHAVE

Obediência: Sujeição voluntária a Deus e às suas leis.

COMENTÁRIO

(I. Introdução)

A obediência (do latim obedire = obedecer) pode ser classificada como uma das virtudes e se define como um comportamento pelo qual um ser aceita as ordens dadas por outro. O termo obediência, tal como a ação de obedecer, conduz da escuta atenta à ação, que pode ser puramente passiva ou exterior ou, pelo contrário, provocar uma profunda atitude interna de resposta. Obedecer a requisitos ou proibições realiza-se por meio de conseqüentes ações apropriadas ou omissões. Obedecer implica, em diverso grau, a subordinação da vontade a uma autoridade, o acatamento de uma instrução, o cumprimento de um pedido ou a abstenção de algo que é proibido. Nesta lição, estudaremos as promessas para Israel, bem como, as advertências, caso viessem a desobedecer a Deus. Por fim, compreenderemos que a verdadeira prosperidade é o resultado de um correto relacionamento com Deus e da obediência à sua Palavra e que obedecemos a Deus não para sermos abençoados, mas porque o amamos com todo o nosso ser e com toda a nossa alma. Boa aula!

I. OBEDIÊNCIA, UM FIRME FUNDAMENTO

1. Deus fala e quer ser ouvido. Promessas e profecias estão por toda a Bíblia como garantias da prontidão divina em abençoar seu povo, sempre com condições: a obediência à sua Palavra e à sua vontade, de modo que suas promessas alcancem os obedientes. Assim como as promessas de bênçãos são garantidas de alcançar os obedientes, os julgamentos são uma certeza anunciada aos desobedientes. Deuteronômio 28 é mais um capítulo contendo uma lista de bênçãos e maldições, aqui dadas pelo próprio Moisés durante uma cerimônia de renovação da aliança nas planícies de Moabe (Dt 29.1). Ouvir a voz do Senhor significa obedecer aos seus ensinamentos e princípios. Israel firmou uma aliança com Deus sob condições a obedecer, e assim prosperariam; uma vez que não dessem ouvidos à voz do Senhor, receberiam o justo pagamento do julgamento. Deus sempre falou com o homem a fim de que ele se convertesse dos seus maus caminhos e vivesse feliz, abençoado e próspero. No Novo Testamento, o Senhor enviou seu filho Jesus para tornar sua vontade conhecida, e o mesmo Jesus afirma: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (Jo 4.34). Jeremias 7.23 e 24 afirma: “Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. Mas não ouviram, nem inclinaram os seus ouvidos; porém andaram nos seus próprios conselhos, no propósito do seu coração malvado”; Moisés chama a atenção do povo para a necessidade de se “ouvir a voz do Senhor”, como condição indispensável para um viver próspero (Dt 28.1). Essa resolução de cumprir a lei do Senhor continuou como uma condição prévia do Concerto; somente mediante o estrito cumprimento em observar os mandamentos do Senhor e submeter-se a sua vontade é que Israel continuaria sendo a possessão preciosa de Deus e sendo alvo de copiosas bênçãos (Dt 4.2; 18.21,22).

2. A obediência e suas reais motivações. O fato do registro dessa relação de bênçãos e maldições demonstra que Deus não esperava de seu povo uma obediência perfeita, mas sim uma obediência sincera e firme. Isso por que a natureza humana está sujeita à fraqueza e Deus já sabia que fracassariam nesse negócio, e assim, ele esperava a confissão de pecados e a reconciliação. Porém, a desobediência, a rebeldia e a apostasia deliberada são julgadas severamente. A lei ordenava à Israel que mantivesse o seu relacionamento com Deus amando-O e obedecendo-O. A verdadeira obediência a Deus e aos seus mandamentos somente é possível quando brota de uma fé firmada em Deus e em seu amor (Êx 7.9; 10.12; 11.1,13,22; Mt 22.39; Jo 14.15; 21.16; 1 Jo 4.19). A condição para tal pode ser resumida na frase encontrada várias vezes no Pentateuco: “Se ouvires a minha voz e, guardares os meus estatutos” (Êx 15.26; 19.5; Lv 26.14; Dt 28.1).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Somente através da observância da Palavra de Deus, podemos experimentar a verdadeira prosperidade.

II. DESOBEDIÊNCIA, A CAUSA DA MALDIÇÃO

1. A quebra da aliança. O Concerto de Deus com os israelitas, firmado no monte Sinai, abrange dois princípios básicos: Deus estabelece as promessas e compromisso, e a Israel cabe aceitar com fé obediente. Em Jeremias 7.23 encontramos o seguinte: “Andai em todo o caminho que eu vos ordeno, para que vos vá bem”. Essa foi a palavra do Senhor para os seus contemporâneos que estavam em grande dificuldade. Israel estava sendo avisado de que seriam completamente destruídos caso não mudassem de caminho e de atitude. Lamentavelmente, aquele povo não mudou de caminho, não se converteu, e cumpriu-se a Palavra do Senhor, foram levados para o cativeiro babilônico. O salmo 1º apresenta um contraste entre os dois tipos de pessoas do ponto de vista divino: o justo, caracterizados pela vida de retidão, amor e obediência à sua Palavra; e o ímpio, caracterizado pelo andar segundo sua própria vontade e não permanece na Palavra de Deus. Observa-se que, assim como a bênção está associada à obediência a Deus, da mesma forma a maldição vem associada à desobediência! A lei da retribuição, tanto no seu sentido positivo como negativo, é bem clara no Antigo Testamento (Dt 28.47,48). A melhor definição acerca da retribuição pela desobediência é a palavra de Paulo em Romanos 1.18: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça”. O crente do Novo Testamente não estaria livre dessa justa retribuição caso não tivesse sido retirado por Jesus que “nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gl 3.13).

2. A maldição da idolatria. Idolatria tem origem nas palavras: Eidolon (imagem) + latreia (culto). Vai além do culto a imagens pagãs ou cristãs, além de se querer atribuir vida e poder a um objeto inanimado. Ídolo é qualquer coisa ou pessoa que toma o primeiro lugar em nosso coração, em que depositamos grande confiança. Nesse sentido, idolatria pode ser a dedicação a uma imagem, a um ídolo, a um líder religioso, a um deus, a um “santo”, ao ventre, ao poder e a seres ou coisas concretas ou não, reais ou imaginárias, uma vez que até deuses pagãos são criações da mente. Também é possível idolatrar um emprego, um automóvel, uma posição social, o que faz com que Deus perca a primazia. Isto significa também que não devemos obedecer a Deus, visando apenas as riquezas deste mundo. Temos de amá-lo e obedecer-lhe a Palavra independentemente de qualquer recompensa material (Mt 22.37)!

SINOPSE DO TÓPICO (II)

A maldição é resultado do desprezo aos preceitos divinos.

III. A OBEDIÊNCIA E SUAS LIÇÕES

1. A bênção como instrumento de proteção. As promessas de Deus, tema das lições bíblicas do quarto trimestre de 2007, comentada pelo Pr Geremias do Couto, apresenta o estudo das promessas de Deus, ensejando a grande necessidade de melhor conhecermos a forma como são apresentadas na Bíblia e de que maneira interagem conosco, na condição de crentes fiéis a Deus. Deus prometeu segurança ao povo de Israel (Dt 28.7), mas isto não descartava a possibilidade de a nação eleita passar por situações conflituosas. Não é o que estamos acostumados a ouvir em nossos púlpitos, o que se vê são as famosas frases de efeito do tipo: “Deus tem promessas para você”, “determine e receba o que Deus prometeu para a sua vida” ou “a promessa é sua, receba em nome de Jesus!”, sem que as pessoas muitas vezes conheçam realmente, à luz da Bíblia, o que as promessas realmente representam. Na idéia da ‘Formula da Fé’, estas frases são como “amuletos” que os crentes lançam mão, à hora que bem entenderem, a fim de suprir suas necessidades imediatas. Deus não está sujeito a nenhum outro domínio, sendo este um de seus atributos exclusivos. Assim, ele age soberanamente à luz do plano que traçou para o homem. Quanto aos propósitos, nada do que Deus faz tem a finalidade de produzir sensacionalismo ou fazer por fazer, mas cumpre objetivos coerentes com os seus desígnios soberanos. Em outras palavras, as promessas de Deus, quando aplicadas à nossa vida, só fazem sentido se tiverem em conta a soberania de Deus e o seu propósito em cada ato. Aliás, muitas são as adversidades daqueles que desejam viver piamente em Cristo (2 Tm 3.12). Mas há promessas de proteção e segurança para o crente. É só confiar! Nós somos a propriedade particular de Deus (1 Pe 2.9). A idéia de um povo santo, separado e consagrado ao Senhor permeia toda a Escritura.

2. Período tribal e monárquico. O período dos juízes engloba cerca de dois séculos da história de Israel, entre 1210 a.C. e 1030 a.C., e foi marcado por uma exacerbada instabilidade espiritual. Desde que houvesse um juiz, o povo servia a Deus. Caso não houvesse, o povo ia após os deuses de outros povos. Visto encontrarmos varias vezes a expressão: “mas os filhos de Israel fizeram o que era mal aos olhos do Senhor” (Jz 6:1). Casamentos mistos, festas religiosas em comum com outros povos, adoração dos mesmos deuses, idolatria, injustiça social e até casos de sodomia surgem neste período (Jz 19). Destacam-se ai líderes como Débora, Gedeão, Jefté e Sansão, que mantiveram juntas as tribos de Israel, resolvendo conflitos internos e externos. A designação Juizes, refere-se a uma serie de personagens ilustres que, na falta de um governo central, exerciam a função de governadores, juízes e algumas vezes sacerdotes, funções conquistadas por atos heróicos na tentativa de libertar Israel de seus opressores. O período monárquico é assaz importante no contexto da revelação de Deus. Como uma monarquia constituída, Israel possuía suas peculiaridades. Entre elas, o fato de que seus reis eram escolhidos e ungidos segundo os padrões teocráticos da Lei de Deus. Nesse período, aparece a primeira escola de profetas (1Sm 10.5,10). Isso introduz o papel importante que o profeta exerceria no período monárquico. Ele seria consultado pelos os reis como representantes de Deus para com o povo. Este profeta falaria ao rei através dos oráculos. Esse período para os profetas, em Israel, é marcado por respeito e reverência por parte da nobreza e do povo (1Sm 16.4,5). Quando a monarquia foi dividida, surge o ‘Profetismo’ - iniciou com Amós e encerrou com Malaquias. Este movimento tinha como objetivo restaurar o monoteísmo, combater a idolatria, denunciar as injustiças sociais, e proclamar o Dia do Senhor com o objetivo de reacender a esperança messiânica no povo. É interessante ressaltar que nesse período, na contra-mão do anterior, sobressai a característica do sofrimento e marginalização dos profetas; de homens dignos de reverência passaram a homens “dignos” de tratamentos mais baixos possíveis em virtude de sua mensagem denunciar os interesses escusos das lideranças religiosas e políticas de Israel e Judá (Hb 11.36-38). Esse período deixa-nos a seguinte lição: a pobreza é causada também pelas injustiças cometidas pelos governantes e a prosperidade advém como resultado do temor que os mandatários nutrem por aquele que governa todas as coisas: o Todo-Poderoso Deus (2 Cr 31.20).

3. As falsas idéias sobre maldição. A falsa doutrina do Evangelho da Maldição, um dos produtos da confissão positiva, também chamado de Quebra de Maldições, Maldições Hereditárias, Maldição de Família e Pecado de Geração, ensina que a pobreza está associada ao pecado e os infortúnios da vida a alguma maldição não quebrada. O Pr Jorge Linhares afirma que "A maldição é a autorização dada ao diabo por alguém que exerce autoridade sobre outrem, para causar dano à vida do amaldiçoado... A maldição é a prova mais contundente do poder que têm as palavras. Prognósticos negativos são responsáveis por desvios sensíveis no curso da vida de muitas pessoas, levando-as a viver completamente fora dos propósitos de Deus... As pragas se cumprem." (Jorge Linhares, em Bênção e Maldição, Pg. 16). O Site da CACP traz no artigo ‘A Verdade Sobre a Quebra de Maldições’: “Os pregadores da maldição afirmam que se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu tal pecado ou maldição a um descendente.A pessoa deve então orar a Deus a fim de que lhe seja revelado qual é a geração no passado que o está afetando. Uma vez que se saiba qual, pede-se perdão por aquele antepassado ou pela geração revelada e o problema estará resolvido, isto é, estará desfeita a maldição. Marilyn Hickey, autora norte-americana e que já esteve várias vezes no Brasil em conferências da Adhonep (Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno), promove constantemente este ensino. Note suas palavras: Se você ou algum de seus ancestrais deu lugar ao diabo, sua família poderá estar sob a “Maldição Hereditária”, e esta se transmitirá a seus filhos. Não permita que sua descendência seja atingi­da pelo diabo através das maldições de geração. Os pecados dos pais podem passar de uma a outra geração, e assim consecutivamente. Há na sua família casos de câncer, pobreza, alcoolismo, alergia, doenças do coração, perturbações mentais e emocionais, abusos sexuais, obesidade, adultério’? Estas são algumas das características que fazem parte da maldição hereditária nas famílias. Contudo, elas podem ser quebradas!” [Leia mais no site do Ministério CACP: http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1211&menu=7&submenu=4].

É bem verdade que os filhos que repetem os pecados de seus pais têm toda a possibilidade de colher o que seus pais colheram. Aqueles que nasceram em lares problemáticos têm grande possibilidade de repetir os mesmos problemas. Os que vivem blasfemando, ou na imoralidade e vícios, estão estabelecendo um padrão de comportamento que, com grande probabilidade, será seguido por seus filhos, no dizer de Paulo, “aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6:7). E isso poderá suceder até que uma geração se arrependa, volte-se para Deus e entre num relacionamento de amor com ele através de Jesus Cristo, e ai tem-se encerrada toda a maldição. Ninguém necessita participar de nenhum ritual de quebra de maldição, pois a Escritura afirma que “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Cl 3.13). As Escrituras mostram que é a desobediência à Palavra de Deus, e não uma maldição hereditária, a causa do castigo.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Muitos infortúnios na vida do crente são resultados da desobediência à Palavra de Deus e não de supostas maldições hereditárias.

CONCLUSÃO

Não olvidemos da importância desta lição principalmente pelo que temos presenciado em nossos púlpitos, muitas vezes copiados de movimentos heréticos. Não é causa de espanto que o tema ‘obediência’ esteja esquecido, haja vista a abundância de ministrações onde os temas sãobênçãos e prosperidade, todavia, não enfatizam que as bênçãos e a verdadeira prosperidade são decorrentes da obediência aos princípios divinos. Obedecer a Deus não é um fardo, mas uma alegria, pois o amamos.Quando falamos de obediência, geralmente entendemos como a observância de regras, mandamentos, ordens, etc., contudo, Jesus nos afirma que "Se me amais, guardai os meus mandamentos" (Jo 14.15). O Mestre é enfático com relação aos seus mandamentos: "Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama" (Jo 14.21); "Se alguém me amar, guardará a minha palavra (...) Quem não me ama não guarda as minhas palavras" (Jo 14.23,24). Por fim, consideremos as seguintes proposições: “Todos os homens são culpados de pecado e precisam de perdão” (Rm 3.23; 6.23; 1Jo 1.8, 10); “Deus deseja que todos os homens se convertam do pecado e sejam salvos” (1Tm 2.4; 2 Pe 3.9; Tt 2.11,12); “Jesus morreu para colocar a salvação ao alcance de todos os homens” (1Tm 2.6; Hb 2.9; Jo 3.16; Mt 11.28-30); “Para serem salvos, os homens precisam ouvir, crer e obedecer ao evangelho” (Jo 6.44,45; 8.24,32; Hb 5.9; 2Ts 1.8,9; 1Pe 1.22; Rm 6.17,18; 1.16; 10.14,17); “Deus deseja que todos os homens ouçam e aprendam Sua Palavra para que tenham oportunidade de crer e obedecê-lo” (1Tm 2.4; Mt 28.18-20; Mc 16.15,16; At 2.38,39; 17.30,31; Lc 24.47; Cl 1.28); e “A Bíblia, a Palavra de Deus, é completa, provendo tudo o que é bom e tudo o que necessitamos saber para agradar a Deus” (Jo 14.26;16.13; 2Pe 1.3; 2Tm 3.16,17; At 20.20,27; Mt 28.18-20; Tg 1.25). O fato de um crente passar por lutas e dificuldades não significa que ele esteja em pecado ou em desobediência a Deus, pois o próprio Cristo alertou-nos de que no mundo seremos afligidos (Jo 16.33). Mas que o pecado traz conseqüências para a vida do crente, não o podemos negar (Gl 6.7). Por isso, devemos agir com muito equilíbrio e sobriedade ao tratar desse assunto.

“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa, auxilioaomestre@bol.com.br

EXERCÍCIOS

1. De acordo com a lição, qual a condição indispensável para um viver próspero?

R. Ouvir e obedecer a voz do Senhor.

2. Qual deve ser a verdadeira motivação para a obedecermos a Deus?

R. A verdadeira obediência a Deus deve ser motivada por um coração amoroso e grato.

3. A maldição na vida do crente é resultado de quê?

R. Da desobediência as leis divinas.

4. O que é idolatria?

R. É colocar qualquer coisa, ou pessoa, em lugar de Deus.

5. Você tem procurado obedecer aos preceitos do Senhor? Quais são os resultados já obtidos?

R. Resposta pessoal.

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante; Comentarista: José Gonçalves; CPAD;


CITAÇÕES:
-. A Verdade Sobre a Quebra de Maldições; O EVANGELHO DA MALDIÇÃO:http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1211&menu=7&submenu=4


OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. ZUCK, R. B. Teologia do Antigo Testamento. 1.ed., RJ: CPAD, 2009.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

Autorizo a todos que quiserem fazer uso dos subsídios colocados neste Blog. Solicito, tão somente, que indiquem a fonte e não modifiquem o seu conteúdo. Agradeceria, igualmente, a gentileza de um e-mail indicando qual o texto que está utilizando e com que finalidade (estudo pessoal, na igreja, postagem em outro site, impressão, etc.).

5 de janeiro de 2012

Lição 2: A prosperidade no Antigo Testamento

Lições Bíblicas CPAD

Jovens e Adultos

1º Trimestre de 2012

Título: A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante

Comentarista: José Gonçalves

Elaboração de pesquisa e subsídio: Francisco Barbosa - Prof EBD IEAD Min Abreu e Lima-PE (auxilioaomestre@bol.com.br).

Lição 2: A prosperidade no Antigo Testamento

Data: 8 de Janeiro de 2012

TEXTO ÁUREO

“Vendo, pois, o seu senhor que o SENHOR estava com ele e que tudo o que ele fazia o SENHOR prosperava em sua mão” (Gn 39.3). - As Escrituras deixam claro que a separação entre José e o seu povo estava sob o controle de Deus. Deus estava operando através de José e das circunstancias deste, a fim de preservar a família de Israel e reuni-la segundo a sua promessa. Assim, cada projeto que caía nas mãos de José, prosperava. Era cultural daquela época procurar-se homens com tal dom divino e Potifar foi suficientemente perspicaz para perceber que cada projeto seu designado a José, "o SENHOR prosperava em sua mão”.

VERDADE PRÁTICA

A prosperidade no Antigo Testamento está diretamente relacionada à obediência à Palavra de Deus e à dedicação ao trabalho.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Deuteronômio 8.11-18.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

- Conceituar a prosperidade no Antigo Testamento.

- Identificar as fontes da prosperidade no Antigo Pacto.

- Compreender os princípios veterotestamentários que dão base para a prosperidade.

Palavra Chave

Prosperidade: Estado do que é ou se torna próspero; abundância.

COMENTÁRIO

(I. Introdução)

Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, Prosperidade (do latim prosperitate) refere-se à qualidade ou estado de próspero, que, por sua vez, significa ditoso, feliz, venturoso, bem-sucedido, afortunado. Também pode designar um período de ascensão econômica e desse modo conectado a uma sociedade otimista que goza de riqueza. No Antigo Testamento alguns termos hebraicos para prosperidade são: tsālēach, que encerra o sentido de "ter sucesso", "dar bom resultado", "experimentar abundância" e "fecundidade". Esse termo é usado em relação ao sucesso que o Senhor deu a José (Gn 39.2,3,33) e a Uzias (2 Cr 26.5); chāyâ, que significa "viver" ou "permanecer vivo", dependendo do contexto significa "viver prosperamente": ‘Até que eu venha e vos leve para uma terra como a vossa, terra de trigo e de mosto, terra de pão e de vinhas, terra de oliveiras, de azeite e de mel; e assim vivereis e não morrereis’ (2Rs 18.32); śākal, significa "ser sábio", "agir sabiamente" e, por extensão, "ter sucesso". Este termo relaciona-se à vida prudente, ao agir cautelosa e sabiamente em todos os momentos e circunstâncias (confira 1Sm 25.10-17; 1Sm 18.12,14 e 15); Shālâ, descreve o estado de imperturbabilidade da prosperidade. Procede de uma raiz da qual se deriva as palavras "tranqüilidade" e "sossego" e significa "estar descansado", "estar próspero", "prosperidade" (Jr 12.1; Sl 30. 6). Apesar das Escrituras Sagradas não condenar nem incentivar as riquezas materiais, o alvo espiritual que ela nos apresenta, consiste em crescer de tal modo em nosso relacionamento com Cristo que possamos perceber que o mais importante é desenvolver uma perspectiva eterna e não temporal, uma visão que possa vislumbrar além do tempo e do espaço, que possa vislumbrar a eternidade. No Antigo Pacto, ela é primeiramente espiritual; a prosperidade na Antiga Aliança está diretamente relacionada à obediência à Palavra de Deus e a dedicação ao trabalho. É algo que vai muito além dos bens materiais. Uma vida bem-sucedida não é resultado do sucesso financeiro, mas sim da obediência a Deus, da fidelidade e da santidade (Pv 3.3,4). À semelhança de Agur, no capitulo 30.8,9 de provérbios, precisamos na verdade aprender a orar: "... não me dêz nem a pobreza nem a riqueza; mantem-me do pão da minha porção acostumada; para que, por ventura, de farto, te não negue e diga: Quem é o Senhor; ou que empobrecendo, venha a furtar e lance mão do nome de Deus". Esta oração de um homem piedoso pedindo o 'pão da minha porção acostumada' referindo-se as sua necessidades diárias, nos alerta para cartas realidades que podem facilmente nos tentar para longe de Deus. Hoje, procuraremos mostrar como o Antigo Testamento define alguém que alcançou a verdadeira prosperidade. Boa aula!

(II. Desenvolvimento)

I. RIQUEZA E POBREZA; DOENÇA E CURA NA ANTIGA ALIANÇA

1. Prosperidade e solidariedade. A Lei Mosaica condiciona a promessa de ser abençoado e de não haver pobres no meio de Israel a um obedecer diligente. Somente a obediência perfeita e constante aos mandamentos de Deus pode tornar possível uma sociedade em que toda a pobreza é extirpada pela benção do Senhor. O próprio legislador Moises percebeu que o povo não poderia cumprir plenamente esta exigência e afirma no capítulo 15 e versículo 11: "nunca cessará o pobre do meio da terra". Neste mundo, onde a discrepância entre ricos e pobres é imensa, freqüentemente os que são abastados materialmente tiram proveito dos que nada têm, quer explorando-os para aumentar seus lucros, quer negligenciando-os continuamente. Amós comunica a tristeza do Senhor em conseqüência dos pecados de Israel, e seu pecado repousava justamente 'deitar por terra a justiça' (Am 5.7). A genuína espiritualidade não existe onde não há desejo pela justiça. De todos os pecados denunciados por Amós, os mais graves eram certamente os sociais, numa clara demonstração daquilo que Moisés previra. Os ricos tiravam proveito dos pobres e os exploravam quando o desejo do Senhor é que tenhamos amor e compaixão especiais pelos pobres desse mundo (Dt 15.4,11; confira ainda: Dt 24.19-21; Lv 19.10). Para os crente da Nova Aliança, o NT destaca a necessidade da compaixão, sensibilidade e bondade para com os sofredores e para os que circunstancialmente enfrentam situação difícil, pobreza e penúria (Mt 25.31-36; Gl 6.2,10). Tudo isso está atrelado ao mandamento de amar o próximo (Lv 19.18) que compele-nos a cuidar daqueles com amor, equidade e justiça.

2. Prosperidade e espiritualidade. Não encontramos na Bíblia a idéia prevalecente na Teologia da Prosperidade de que ser materialmente próspero faz parte dos direitos divinos de cada crente. Aqueles que são doutrinados nessa teologia vivem uma espécie de cristianismo ganancioso. Na verdade, é uma conformação lamentável às tendências culturais de nossos dias. Jesus não condenou a posse de riquezas, mas fez a questão de realçar a loucura de viver em função daquilo que é meramente temporal; a estes, ele faz a seguinte repreensão:"Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?" (Lc 16.20). A ordem do Mestre continua sendo a mesma: "Buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mt6.33). Asafe discorre sobre um problema inquietante no Salmo 73: 'a prosperidade do ímpio e as aflições do justo'. Porém, Deus restaura a confiança daquele fiel servo nEle e nos seus caminhos de justiça ao revelar o trágico fim do ímpio e a verdadeira bênção do justo. Assim, constata-se pelas Escrituras que existem outros valores, embora não materiais, tidos como grandes riquezas e verdadeiros tesouros (Pv 10.22). As riquezas verdadeiras consistem na bênção do Senhor, quer sejamos pobres, ou ricos, a presença e a graça do Senhor são o nosso maior tesouro.

3. Prosperidade e bem-estar físico. De acordo com a Teologia da Prosperidade, o pecado do primeiro homem não somente deixou Deus de fora de sua criação como também originou uma natureza satânica que foi imputada a Adão e assim, o homem está susceptível ao pecado, às doenças, à dor e à morte. Hank Hanegraff cita Copeland que afirma que "o princípio básico da vida cristã consiste em saber que Deus pôs nosso pecado, enfermidade, doença, tristeza, lamentação e pobreza sobre Jesus, no Calvário. Pôr sobre nós qualquer dessas coisas seria um lapso da justiça. Jesus foi feito maldição por nós, para que recebêssemos a benção de Abraão" [1]. Para fundamentar suas crenças, utilizam com freqüência o texto de Isaías 53.5 que declara: "Mas ele foi ferido pelas nossas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados". Mas sabemos que o termo hebraico raphah utilizado neste texto se refere à cura espiritual e não física (confira Jr 3.22). O apóstolo Pedro deixa claro que a cura referida em Is 53.5 é espiritual e não física quando escreve: "Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para o pecado, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas, agora, tendes voltado ao Pastor e Bispo da vossa alma"(1Pe 2.24,25). Contudo, alguém poderia objetar que o versículo imediatamente anterior fala na cura do corpo, e isso realmente fica patente no NT onde recebe uma importante qualificação em mateus 8.16,17. Estas curas referidas em Is 53.4 são cumpridas durante o ministério de Cristo, não sendo, portanto, prova ou garantia para curas incondicionais para o crente hoje, até mesmo porque, o próprio Jesus não curou a todos. As curas não são um fim em si mesmas! Numa coisa temos que concordar com os mestre da fé: desde a queda do homem, tanto justos quanto ímpios estão sujeitos à enfermidade e à decadência. Paulo escreve que "toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos... também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo"(Rm 8.22,23).

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Na Antiga Aliança a prosperidade está intimamente relacionada com a solidariedade, espiritualidade e o bem-estar físico do homem.

II. A PROSPERIDADE COMO RESULTADO DO TRABALHO E DO FAVOR DE DEUS

1. O trabalho como propósito divino. É fundamental entendermos o salmo 24.1: "Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam". Nada possuímos, somos apenas arrendatários, simples mordomos. tudo aquilo que conseguimos amealhar em nossa vida nos são conferidas apenas a título de empréstimo; elas pertencem na verdade a Deus, e Ele faz com elas conforme lhe apraz. Paulo é mais enfático sobre esse tema quando afirma: "E que tens tu que não tenhas recebido?"(1Co 4.7). A resposta o próprio Paulo dá quando discursou aos atenienses: "Pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas" (At 17.25). É importante, ainda, salientar que não fomos chamados para acumular riquezas, embora alguns amealhem certa prosperidade, contudo, este favor divino envolve outras circunstancias que em geral, são movidas por um coração apegado a promoção do Evangelho e para minorar o sofrimento dos menos abastados. No texto de Deuteronômio 8.18, Moisés mostra ao povo que é Deus quem concede a habilidade (Hb Koach; poder, recursos, resistência, capacidade) de obter riquezas, e no versículo 17 Moisés adverte Israel estritamente a não concluir, de modo errôneo, que a sua capacidade para o sucesso seja um talento inato, mas a reconhecer humildemente que seja uma habilidade dada por Deus. M.D. Palmer em seu livro Panorama do Pensamento Cristão, escreve: "[...] Primeiro, embora estrênuo, trabalho não é simplesmente labuta e fadiga, como alguns tendem a pensar, interpretando Gênesis 3 em parte incorretamente. Na verdade, muitos gozam do trabalho que fazem e os que fazem são os melhores trabalhadores. Não seria estranho dizer que os melhores trabalhadores não trabalham? Segundo, trabalho não é simplesmente emprego remunerado. Embora a maioria das pessoas nas sociedades industrializadas esteja empregada pela remuneração que percebem, muitos trabalham duro sem receber pagamento. Pegue, por exemplo, as donas de casa (raramente donos de casa) que gastam quase todas as horas em que estão acordadas mantendo uma casa em ordem e criando os filhos. Muitas delas com razão se ressentem quando as pessoas insinuam que não trabalham; isto é acrescentar um insulto (Você não trabalha!) e uma injúria (elas não recebem pagamentos). Precisamos de uma definição abrangente de trabalho. [...] Uma definição muito simples de trabalho seria ‘uma atividade que serve para satisfazer as necessidades humanas’” (PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed., RJ: CPAD, 2001, pp.225,26) [2].

2. A bênção de Deus como favor divino. Certamente Deus deseja que tenhamos riqueza. Uma pessoa pode ter milhões e ainda ser pobre; pobre de saúde, pobre de paz, pobre de amizades. Riqueza é mais que dinheiro e bens. Deus abençoava Israel como sinal ou confirmação do seu cumprimento do concerto com Abraão e com seus descendentes. Não era por causa de sua própria justiça e por sua fidelidade ao Senhor, mas era um dom da graça de Deus, dado por seu amor e misericórdia. Moisés adverte o povo que eles somente permaneceriam na terra prometida se permanecessem na fé e na obediência a Deus (Dt 30.15-20; confira Pv 10.22). Enfim, a prosperidade material vem por meio do trabalho, como favor divino, e isso não apenas para com os justos. A pergunta “Por que Trabalhamos?" é respondida por M.D. Palmer da seguinte forma: "[...] Primeiro, Deus criou os seres humanos para trabalhar. Considere os dois relatos da criação nos primeiros capítulos de Gênesis. Em Gênesis 1.26, lemos que Deus criou os seres humanos como macho e fêmea para ‘dominarem’ sobre toda a terra. Dois versículos mais adiante, Deus abençoou o primeiro casal humano e ordenou-lhe que ‘sujeitasse’ a terra e ‘dominasse’ sobre todos os seres vivos (o que, a propósito, não lhe deu licença para destruir o meio ambiente [...]). O ‘domínio’, que só pode ser exercido pelo trabalho, é o propósito para o qual Deus criou os seres humanos (não o único propósito, mas um propósito). Que isso esteja mencionado aqui explicitamente é, sem dúvida, significativo. O trabalho, podemos concluir, pertence essencialmente à própria natureza dos seres humanos conforme originalmente criados por Deus. Isto é porque encontramos realização pessoal no trabalho significativo, e, por outro lado, se não podemos trabalhar achamos que nossa vida é vazia e sem sentido. [...] Segundo, nós trabalhamos porque Deus nos dota e nos chama a trabalhar. É de se esperar que o Deus que criou os humanos para trabalhar, também lhes desses talentos para realizar as várias tarefas e os chamasse para estas tarefas. E é exatamente isto que encontramos no Antigo Testamento. O Espírito de Deus inspirou os artesãos e artistas que projetaram, construíram e adornaram o Tabernáculo e o Templo. ‘Eis que o Senhor tem chamado por nome a Bezalel. [...] E o Espírito de Deus o encheu de sabedoria, entendimento e ciência em todo artifício. [...] Também lhe tem disposto o coração para ensinar a outros’ (Êxodo 35.30-34). ‘E deu Davi a Salomão, seu filho, [...] o risco de tudo quanto tinha no seu ânimo, a saber: dos átrios da Casa do SENHOR’ (1 Cr 28.11,12). Além disso, a Bíblia diz freqüentemente que os juízes e reis de Israel faziam suas tarefas sob a unção do Espírito de Deus (veja Juízes 3.10; 1 Samuel 16.13; 23.2; Provérbios 16.10). Quando chegamos no Novo Testamento, a primeira coisa que notamos é que todo o povo de Deus é dotado e chamado para fazer várias obras pelo Espírito de Deus (veja Atos 2.17; 1 Coríntios 12.7), e não apenas as pessoas especiais como os artesãos do Templo, reis ou profetas. Colocado no contexto do novo concerto, as passagens do Antigo Testamento citadas há pouco provêem ilustrações bíblicas para uma compreensão carismática de todos os tipos básicos de trabalho humano: Todo o trabalho humano, quer seja complicado ou simples, é possibilitado pela operação do Espírito de Deus na pessoa que trabalha” (PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed., RJ: CPAD, 2001, pp.227,28) [3].

SINOPSE DO TÓPICO (II)

No Antigo Testamento a prosperidade é conseqüência direta do trabalho relacionado ao favor de Deus. Logo, a preguiça é reprovável.

III. PRINCÍPIOS BÍBLICOS PARA A PROSPERIDADE

1. Retribuição. Deuteronômio capítulo 32 apresenta um cântico e o capítulo 33, bênçãos que são correspondentes e suplementares e que estão fundamentados na forte confiança no Deus único e incomparável de Israel que cavalga sobre os céus para ajudar Israel. O povo sabia que Ele é um Deus eterno cujos braços eternos nunca se esgotam. Ele é habitação, nele Israel habitaria seguro. O cântico do capítulo 32 expõe as calamidades com as quais a justiça de Deus cairia sobre o povo em caso de infidelidade; o capítulo 33 descreve a glória, a benevolência e a grandeza que coroariam a fidelidade ao Senhor. Assim, a prosperidade de Israel recaía sob a obediência contínua à voz do Senhor (Gn 14.18-20). Deus estipulou claramente o que aconteceria se o povo abandonasse suas obrigações assumidas no concerto, tanto o castigo quanto as benesses estavam bem delineadas, embora Deus não esperasse de Israel uma obediência perfeita mas sim, uma obediência sincera e firme (Dt 30.20). A obediência seria a causa das bênçãos de prosperidade, enquanto as maldições seriam o efeito da desobediência (Jz 3.12; 4.1; 6.1; 10.6; 13.1).

2. Soberania divina. O texto do Salmo 24.1 é esclarecedor quando a soberania divina e é fundamental compreendermos seu tema. Deus é o proprietário e põe todas as coisas sob o cuidado de seus mordomos. e assim, Ele faz como lhe apraz. A simples lembrança dessa verdade nos poupará de muito sofrimento. O que temos e possuímos vem do Senhor e deve servir também para propagar o Evangelho e para minorar o sofrimentos daqueles que nada têm. Não podemos esquecer que, um dia, o Senhor Jesus enrolará esta terra como se fosse novelo, e nos revestirá com um corpo de glória que jamais se abaterá, não adoecerá e não necessitará de alimento, roupas, cosméticos, etc., assim, toda correria em busca de ajuntar tesouros e riquezas terrestres será uma loucura. Noutras palavras, devemos administrar as riquezas soberanamente a nós entregues como mordomos responsáveis, para que um dia, no julgamento, Deus mesmo nos galardoe ricamente! (Mt 25.21). O livro de Jó apresenta um diálogo de três fases entre Jó e seus amigos, onde cada um deles profere um discurso e Jó responde. No primeiro discurso, Elifaz defende um conceito baseado no pressuposto de que cada pessoa cometa erros aponta para a crença numa idéia de 'retribuição', e não crê que Deus seja sempre bondoso para livrar seus filhos da tristeza (Jó 4.7-21), ou seja, a crença numa lei de causa e efeito ou do pecado e suas conseqüências - a lei da retribuição. Contudo, a teologia da Antiga Aliança deixa claro que a soberania de Deus deve ser levada em conta quando avaliamos as ações dos homens.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

A lei da retribuição, bem conhecida pelos judeus, e a soberania divina são os princípios bíblicos que regem a prosperidade veterotestamentária.

(III. CONCLUSÃO)

O conhecimento de que Deus, como Criador e Mantenedor, possui controle soberano tanto do Universo físico quanto do espiritual deve governar nossa forma de pensar. Deus está intimamente envolvido em nossas vidas de maneira tal que ultrapassa a nossa compreensão. Qualquer conhecimento que conduz à verdade provém dele, A única maneira do homem conhecer e compreender a Deus é através de revelação específica. O entendimento da verdadeira natureza de Deus conduzirá à esperança na redenção e vida eterna. É do verdadeiro conhecimento de Deus que provém a piedade, a vida consagrada e a rejeição às atitudes más. Certamente a prosperidade no Antigo Testamento é resultado da bênção do Senhor sobre os empreendimentos do seu povo. Mas nossa confiança não repousa em nossos méritos, mas o Senhor que soberanamente distribui como quer suas benesses, responde à obediência que se constrói como resultado de um relacionamento correto com Deus. Ser próspero, portanto, não é circunstancial, nem como pensava Elifaz, uma lei de causa e efeito, mas sim, a soberania absoluta de Deus em todas as circunstancias. A verdadeira prosperidade vem como resultado de um correto relacionamento com Deus que é fruto de um coração obediente.

"Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)

N’Ele, que me garante: "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8),

Francisco A Barbosa.

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EXERCÍCIOS

1. Quais são as duas idéias equivocadas sobre pobreza e riqueza no contexto do Antigo Testamento?

R. A primeira idéia mostra a riqueza como dádiva de Deus e a pobreza como a marca do julgamento divino. A segunda associa a riqueza à maldade e pobreza à piedade.

2. Como devemos compreender a prosperidade no Antigo Pacto?

R. A prosperidade, antes de tudo, é espiritual para só secundariamente ser material.

3. Explique a relação existente entre a prosperidade e o trabalho no Antigo Pacto.

R. No Antigo Pacto, riqueza e trabalho estão intimamente ligados. A idéia de enriquecer por outros meios que não o trabalho é algo estranho à Escritura.

4. De acordo com a lição, defina graça comum.

R. Graça comum é o favor divino dado aos homens indistintamente.

5. Quais os dois princípios bíblicos por trás da prosperidade no Antigo Testamento?

R. Retribuição e soberania divina.

Notas Bibliográficas

TEXTO BASE UTILIZADO:
-. Lições Bíblicas do 1º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, A verdadeira prosperidade — A vida cristã abundante. Comentário: José Gonçalves; CPAD.

OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. SOARES, E. Heresias e Modismos. Uma análise crítica das sutilezas de Satanás. 1.ed., RJ: CPAD, 2006;

-. PALMER, M. D. (Ed.). Panorama do Pensamento Cristão.
1.ed., RJ: CPAD, 2001.

[1] -. HANEGRAFF, Hank.
Cristianismo em Crise, 4a ed., RJ: CPAD, 2006; p. 261;
[2] -. AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I; Subsídio Teológico;
[3] -. Ibdem, Subsídio Teológico II.


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