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Data/Hora Atualizada

30 de junho de 2010

LIÇÃO 01 - O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

Este comentário adicional segue os tópicos e subtópicos da revista de Lições Bíblicas da CPAD (http://www.cpad.com.br). AUTORIZO a divulgação, desde que citada a fonte e o autor.


04 DE JULHO DE 2010

 

TEXTO ÁUREO

“E falarei aos profetas e multiplicarei a visão; e, pelo ministério dos profetas, proporei símiles” (Os 12.10).

- Ninguém poderia alegar ignorância como desculpa, Deus alertava seu povo através de profecias. Visões é uma das maneiras que Ele concede revelações aos profetas (Nm 12.6; Jó 33.14-16). Símiles eram figuras de linguagem que transmitiam mensagens divinas – Comparação que se faz entre duas coisas que se assemelham; Semelhança, analogia; Exemplo que se propõe; Parábola: 2Sm 12.1-4; Sl 78.2; Is 5.1-7; Ez 17.2-10. Entre as símiles pelas quais os profetas representaram a mensagem divina estava a vida do próprio Oséias e seu relacionamento com Gomer, uma representação que descrevia o amor de Deus por Israel.

 

VERDADE PRÁTICA

Os profetas do Antigo Testamento serviram como canais de comunicação entre Deus e o seu povo, conscientizando-o acerca da vontade e do conhecimento divinos.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Números 11.24-29

 

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

- Identificar a origem do ministério profético;

- Explicar o significado do termo profeta dentro do contexto das Escrituras Sagradas, e

- Reconhecer que Moisés e Arão deram início ao ministério dos profetas em Israel.

 

PALAVRA-CHAVE

P R O F E T A

[Do Heb. Nabi; do gr prophetes].

[latim propheta ou prophete, -ae, sacerdote, profeta]

s. m.

1. Rel. Aquele que prediz o futuro por inspiração divina.

2. Rel. Título que os muçulmanos dão a Maomé.

3. Pessoa que faz previsões em relação ao futuro.

4. Adivinho, vidente. (http://www.priberam.pt/)

“No Antigo testamento, era a pessoa devidamente vocacionada e autorizada por Deus para falar por Deus e em lugar de Deus.

 

COMENTÁRIO

 

(I. INTRODUÇÃO)

 

Iniciamos mais um trimestre abençoado estudando o ministério profético na Bíblia. E onde está a importância desse tema para hoje? “Porque se levantarão falsos cristos, e falsos profetas, e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos.”(Mc 13.22). (leia mais...:). Isaías faz um convite para que os homens provem todas as coisas por meio da Palavra revelada de Deus. Qualquer coisa contrária à revelação escrita de Deus provém dos demônios, e não do Espírito Santo. A Palavra escrita de Deus é a verdadeira luz e aqueles que desejam a luz e a verdade irão segui-la e rejeitar todas as coisas contrárias a ela. Eis o convite aos profetas da atualidade!

“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva (ou: não haverá manhã para eles” (Is 8.20)

Entenderemos que os profetas do Antigo Testamento eram homens de Deus separados para esse venerável trabalho. Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção. A Bíblia como conhecemos não teria chegado a nossas mãos se não fosse esse abnegado ministério; Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia hebraica - (Tanakh): Torah (Lei), Neviim (Profetas), e Kethuvim (Escritos). (cf. Lc 24.44). A categoria dos profetas inclui seis livros históricos, compostos sob a perspectiva profética: Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis. Em segundo lugar, há dezessete livros proféticos específicos (Isaías até Malaquias). Finalmente, Moisés, autor do pentateuco (a Torá), era profeta (Dt 18.15). Sendo assim, dois terços do AT, no mínimo, foram escritos por profetas. A maioria dos seguimentos cristãos acredita que somente Deus pode ver o futuro e muitas vezes é o desejo dEle revelar fatos futuros ao homem. Para isso, Deus usava e ainda usa homens que recebem as suas revelações e as transmite por forma oral ou escrita. A crença que Deus fala aos homens sobre fatos vindouros está fundamentada em muitos textos da Bíblia tais como:

“Lembrem do que aconteceu no passado e reconheçam que só eu sou Deus, que não há nenhum outro como eu. Desde o princípio, anunciei as coisas do futuro; há muito tempo, eu disse o que ia acontecer. Afirmei que o meu plano seria cumprido, que eu faria tudo o que havia resolvido fazer” (Is 46.9, 10);

“Por acaso, o SENHOR Deus faz alguma coisa sem revelar aos seus servos, os profetas?” (Am 3.7);

“Na manhã seguinte, todos se levantaram cedo e foram para o deserto de Tecoa. Ao saírem, Josafá ficou de pé e disse: - Povo de Judá e moradores de Jerusalém, escutem! Confiem no SENHOR, seu Deus, e estarão seguros; confiem nos profetas dele, e tudo o que vocês fizerem dará certo.” (2 Cr 20.20);

“Deus diz ao seu povo: As coisas que prometi no passado já se cumpriram, e agora vou lhes anunciar coisas novas, para que vocês as saibam antes mesmo que elas aconteçam”. (Is 42.9);

“Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação; porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2Pe 1.20,21).

Inicialmente, analisaremos panoramicamente o ministério profético no Antigo Testamento.

 

(II. DESENVOLVIMENTO)

 

I. O INÍCIO DO MINISTÉRIO DOS PROFETAS

 

1. Contexto histórico (v. 24). Moisés sentiu o peso da liderança solitária, então, segue o conselho do seu sogro separando anciãos entre aqueles que já estão exercendo liderança. Como sinal de aprovação, o Espírito passa de Moisés para estes 70 trazendo uma nova autoridade para o exercício da liderança. Este passar do Espírito é uma ordenação para uma função oficial e não a outorga de um dom. (Leia mais...)

 

2. Moisés iniciou o ofício profético em Israel (vv. 25,26). A figura do profeta está presente na história bíblica desde a época patriarcal (Gn 20.7). Ainda que haja menção de Abraão como profeta (Gn. 20.7), é Moisés o primeiro profeta nacional de Israel. A passagem citada no subtópico trata-se de uma conseqüência inesperada. Não está relacionada à função de liderança dos 70 anciãos, pois era um fenômeno antigo. A profecia pode ter sido manifestada como um êxtase induzido pelo Espírito Santo ou como uma declaração, como no caso do profetizar de Saul em 1Sm 10. Naquela ocasião, Saul fora nomeado rei e a profecia foi um sinal (1Sm 10.9-10) que não rendeu nenhuma mensagem ou declaração. Portanto, aqui nessa perícope, profecia aparece como sinal da ordenação dos setenta anciãos. Para entendermos o que é, de fato, profecia e profeta, precisamos voltar as suas origens no AT. Já o ofício profético organizado em Israel remonta aos dias do profeta Samuel. Foi ele quem deu origem ao ofício de profeta como uma ordem ou classe organizada. Nesse sentido, ele é “o primeiro dos profetas” – distinção que as Escrituras neotestamentárias reconhece perfeitamente: “E todos os profetas desde Samuel, todos quantos depois falaram, também anunciaram estes dias” (At 3.24 cf. 13.20; Hb 11.32).

 

3. “Tomara que todo o povo do SENHOR fosse profeta” (v. 29). O versículo 29 deixa transparecer uma aparente preocupação de Josué em querer controlar o episódio do ‘êxtase coletivo’. Embora Eldade e Medade fossem também anciãos, eles não estavam entre os 70 separados. O espírito não é confinado a pessoas em especial, mas é livre para vir sobre quem ele quiser. Moisés por certo ansiava por uma nação de profetas (Jl 2.28-32) e este episódio com sua resposta ao apressado Josué deixa transparecer esse desejo. “Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.” (1Co 14.31); Moisés desejava que todo o povo do Senhor fosse profeta (Nm 11.29), e o apóstolo Paulo ensinou que todos podemos profetizar (1Co 14.31). Deus deseja que cada crente profetize, isto é, fale por Ele e O expresse.

 

 O ministério profético, como instituição, teve início em Israel por meio de Moisés. Sinopse do Tópico (1)

 

II. O PROFETA

 

1. Seu significado. O termo hebraico nãbi representa profeta, quer verdadeiro ou falso (Dt 13.1-5). No grego, “prophetes”, significa “aquele que fala antecipadamente ou abertamente”, é uma denominação que se dá ao fenômeno pelo qual em algumas religiões, a revelação de uma divindade ou de seus ensinamentos quanto ao passado, presente ou futuro, é atribuída à palavra falada ou escrita de um ou mais indivíduos tidos como “profetas”, “iluminados” ou “inspirados”. Profeta é quem, inspirado pela divindade ou convencido de estar possuído por uma entidade espiritual superior, fala em nome da mesma e transmite sua mensagem. Assim, a figura do profeta perde seu significado essencial quando é reduzida ao poder de predizer o futuro, o que não constitui mais do que um elemento acessório de sua missão. Desde suas origens, a autoridade do profeta adquire teor ao mesmo tempo religioso, político e moral. Os verdadeiros profetas eram porta-vozes de YAWEH. Muito mais do que predizer as coisas, a função precípua do profeta consistia em convocar o povo ao arrependimento. “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do SENHOR dos Exércitos.” (Ml 2.7-ARA). “apegado à palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tt 1.9–ARA). Julgamos ser a mesma função hoje outorgada aos pastores, sendo assim, não é seu papel entreter ninguém, não é criar programações para segurar os jovens na Igreja. É sua função “ficar na brecha”! O Dicionário VINE assim explica a função do profeta:“[...]Então, disse o SENHOR a Moisés: Vê que te constituí como Deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta.” (Ex 7.1-ARA). O plano de fundo desta declaração é Ex 4.10-16, onde Moisés discutiu a sua inabilidade de falar com clareza. Por conseguinte, ele não poderia comparecer diante de Faraó como porta-voz de Deus. Deus prometeu designar Arão para ser o locutor: “Ele falará por ti ao povo; ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Ex 4.16-ARA)... Está claro que a palavra ‘profeta’ é igual àquele que fala por outra pessoa ou é a sua boca” (Dicionário VINE, CPAD 2002, pág 248).

 

2. Sua abrangência. É função do profeta proclamar os oráculos de Deus, a fim de conduzir o povo à obediência das leis de Deus. Em Deuteronômio 18 fica claro que o profeta é sempre chamado por Deus (v.18), tem a autoridade de Deus (v.19) e o que ele diz será provado verdadeiro (v.22). O profeta era então conhecido como servo de Deus (2 Rs 17.13,23; Jr 7.25). O profeta sempre defendia os padrões de Deus e chamava o povo para Ele (Dt 13), era isso que distinguia o profeta verdadeiro do falso (por exemplo, 1 Rs 13.18-22; Jr 28). Os profetas não eram simplesmente indivíduos perceptivos no sentido político ou social. Eram pessoas que, pela revelação de Deus, tinham conhecimento da importância dos eventos e das necessidades do povo comum. Em seu trabalho eles falavam de acontecimentos futuros, de modo a advertir sobre as conseqüências dos atos presentes (ver Am 1.2), e no geral falavam contra a sociedade em que viviam. [...] Havia muito mais profetas do que aqueles que conhecemos pelas profecias registradas ou eventos históricos" (GOWER, Ralph Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. Rio de Janeiro, CPAD, 2002, pp.367-369). “levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (MT 24.11-ARA); “O profeta que profetizar paz, só ao cumprir-se a sua palavra, será conhecido como profeta, de fato, enviado do SENHOR” (Jr 28.9-ARA). Temos de julgar as profecias e discernir os espíritos (1Co 12.20; 14.29; 1Jo 4.1).

 

3. Expressões correlatas. Nabi; Strong05030: alguém que proclama ou comunica uma mensagem recebida; [...] Nabi ocorre mais de 300 vezes no AT. A palavra aparece na forma feminina, nebiyah, e é traduzida como ‘profetisa’; essas seis referencias nomeiam a Miriã, Débora, Hulda (duas vezes), Noadias e a esposa de Isaías. (PC 1Sm 3.20, Bíblia de Estudo plenitude, p. 293). Há ainda, no hebraico, dois outros termos para profeta: rõ’eh e hõzeh, ambos significando vidente. Somente para as pessoas que falavam hebraico era natural referirem-se aos profetas como vidente, já que este freqüentemente recebiam mensagens por meio de visões. Este substantivo, traduzido por “vidente”, em português, indica a capacidade especial de se ver na dimensão espiritual e prever eventos futuros. O título sugere que o profeta não era enganado pela aparência das coisas, mas que as via conforme realmente eram — da perspectiva do próprio Deus. Como vidente, o profeta recebia sonhos, visões e revelações, da parte de Deus, que o capacitava a transmitir suas realidades ao povo. Em algum momento da história, os profetas profissionais do culto fundiram Nabi com Hozeh. No Antigo Testamento, o profeta também era conhecido como “homem de Deus” (ver 2Rs 4.21), “servo de Deus” (cf. Is 20.3; Dn 6.20), homem que tem o Espírito de Deus sobre si (cf. Is 61.1-3), “atalaia” (Ez 3.17), e “mensageiro do Senhor” (Ag 1.13). Os profetas também interpretavam sonhos (José, Daniel) e interpretavam a história — presente e futura — sob a perspectiva divina.

 

 O profeta é um porta-voz ou embaixador divino, que fala em nome de Deus. Sinopse do Tópico (2)

 

III. O MINISTÉRIO

 

1. Havia o ministério dos profetas?. Depois de Siló e da morte de Eli, Samuel retorna a Ramá, onde nascera, para viver e levar adiante seu ministério profético. Naiote significa tenda ou acampamento e é usado, algumas vezes, para se referir à choupanas ou abrigos de pastores – talvez faça referencia ao nome da escola. A escola de profetas liderada por Samuel localizava-se em Ramá. Essas escolas eram centros de vida religiosa, onde se buscava a comunhão com Deus mediante a oração e meditação. É evidente que estudavam as profecias, inquirindo sobre o tempo de seu cumprimento (1 Pd 1.10-12), além de recordarem os grandes feitos de Deus no passado. Através dessas escolas, cresceu em Israel uma ordem profética reconhecida (2 Rs 2.3,5). Não raras vezes, durante a adoração, o espírito apossava-se destes profetas e elevava o seu culto acima do seu próprio entusiasmo. “Aparentemente, homens que desejavam ser profetas se reuniam para aprender os caminhos de Deus e para ser treinados em questões teológicas. Sem dúvida, eles buscaram a deus e foram ungidos com o Espírito Santo como em outros períodos. Ao longo das épocas, certos homens tiveram fome de Deus e se inclinaram espiritualmente para o Senhor. Houve assembléias como esta desde os dias de Samuel (vv 1 Sm 19.20, 24; 10.5-12; 1Rs 18.4, 13). Aqueles que se reuniram nos dias de Elias e de Eliseu foram chamados de filhos dos profetas (1Rs 20.35, 41; 2Rs 2.2-7, 15)”. Estudos Temáticos, Bíblia Dake, CPAD, p. 529.

 

 Mas, se todos profetizassem, e algum indouto ou infiel entrar, de todos é convencido, de todos é julgado. Os segredos do seu coração ficarão manifestos...” (1Co 14.24,25) REFLEXÃO

 

2. A corporação profética. Os profetas foram pessoas que se levantaram em momentos de crise social. Eles surgem em grupos (1Sm 19.20; 1Rs 2.3); viviam em comunidades (2Rs 4.38-41); eram sustentados por esmolas e doações (2 Rs 4.8, 42); cantavam, soltavam gritos e lamentações (1Sm 10.6-9; Mq 1.8), chegavam até a cair por terra, prostrados ou desmaiados (1Sm 19.24; Dn 8.18, 27). Assim como hoje, houve uma classe de profetas profissionais, antropocêntricos, que só pensavam no crescimento do reino humano (Is 42.18-43.2; Jr 29.8,9). Só pregavam Deus apoiando o povo, não lhes importava a aliança, ou a justiça. Sua teologia era de apenas uma ponta, não levava em consideração toda realidade e história do povo.

 

3. Classificação. Profetas da palavra (acanônicos) – profetas da “palavra” – que apenas profetizaram e não se registrou nada sobre suas profecias; Profetas da escrita (canônicos) – profetas da “escrita” – cujas palavras foram proferidas e também registradas na Bíblia Sagrada.

 

 O texto sagrado revela a existência de uma organização de profetas, que eram categorizados em clássicos ou profetas escritores e orais ou não-escritores. Sinopse do Tópico (3)

 

 (III. CONCLUSÃO)

 

“Acautelai-vos”, exortou-nos Jesus. Este imperativo é um alerta para o crente prestar atenção, cuidar-se, guardar-se, acautelar-se. Temos assistido um constante desvirtuamento do conteúdo doutrinário da pregação. Há um frenesi por ‘revelações’, ‘profecias’, ‘unções especiais’, ‘oração no monte’, ‘poder’, ‘cair no espírito’, etc. Nosso povo já não sabe distinguir misticismo herético de verdadeira espiritualidade. Encontramos na história de Israel um retrato dos falsos profetas, que se alastravam como uma praga. O mesmo retrato também pode ser aplicado aos falsos mestres da atualidade, os quais têm sido levantados para enganar a Igreja. Precisamos tomar cuidado, pois nem sempre é fácil identificá-los. Venda de potes com água do Rio Jordão, onde Jesus foi batizado; pedras que seriam do Templo onde Jesus pregava; areia de Jerusalém, onde o Mestre caminhava; azeites de Israel; toalhinhas ungidas; rosas, sal grosso, fogueiras santas; correntes; quebra de maldições; sessão do descarrego... No que têm transformado a igreja pentecostal? O verdadeiro profeta falava a verdade, porém era impopular. O ‘profeta corporativo’, impostor, falava mentiras, mas produzia falsas esperanças e conforto para o povo. Com mensagens de auto-ajuda, bem-estar e riqueza, falam apenas o que as pessoas querem ouvir, mesmo quando não estão em perfeita comunhão com o Senhor. Alerta-nos o Senhor Jesus que, nos últimos dias, aparecerão muitos falsos profetas que, se possível, enganarão até mesmos os escolhidos (Mt 24.11).

 

 Os profetas bíblicos eram tanto pregadores da verdade como prognosticadores do futuro. A profecia tem suas raízes na história, mas também se estende pelo futuro. Em outras palavras, a natureza da profecia preditiva surge a partir do contexto histórico do profeta, quando a revelação de Deus lhe mostra o futuro bem como o presente.” Ed Hindson. REFLEXÃO

 

 

 Características do Movimento Profético: o profetismo iniciou-se na Síria, Palestina e Mesopotâmia. Os profetas de Baal – 1Rs 18.19; foi um fenomeno internacional – Jr 227.9; Na Suméria o profeta era visto como o homem que penetra o céu. Possui característica extática: (êxtase – sair de si – 1Rs 18.19; 2Rs 10.19), teve como instrumentos a necromancia (estudo dos mortos), vôo dos pássaros, estudo dos astros, e sortes – Ez 21.26; 1Sm 14.40; Pv 16.33. É descrito nos documentos de Mari XVIII como ‘Apilum’ – aquele que responde e ‘Muhhutum’ – profetiza.

 

 

APLICAÇÃO PESSOAL

 

Vitória, vitória, vitória... é a mensagem do momento! Esqueceram que a Bíblia tem assuntos como Trindade, regeneração, justificação pela fé, fruto do Espírito, mordomia cristã, sofrimentos dos justos, vida devocional, dons espirituais, vinda de Cristo, ressurreição dos santos e de Cristo, etc. A mensagem dos profetas normalmente continha advertências aos que colocavam sua confiança em outras coisas e não em Deus, tais como na sabedoria humana (Jr 8: 8, 9; 9: 23, 24); na riqueza (Jr 8: 10); na autoconfiança (Os 10: 12,13); no poder opressor; em outros deuses. Constantemente o profeta desafiava a falsa santidade do povo judeu e tentava desesperadamente encorajar sincera obediência à Lei. A igreja tem que ser aquela Naiote, não por vanglória, cobiça ou coisa parecida, mas simplesmente por amor. Sem amor, as pessoas se corrompem, sem amor, líderes enriquecem no poder. É ilícito um pastor/pregador/evangelista enriquecer com a pregação do evangelho, porque o evangelho ensina exatamente a renúncia, inclusive material. Certos pregadores apregoam a teologia da prosperidade enquanto o Espírito Santo procura convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Este câncer é milenar. O ‘profeta chorão’ argumentou, intercedeu, teologou, tudo para convencer os reis e o povo de Israel do perigo que estava para acontecer. Enquanto isso, o profeta da prosperidade Hananias, no mesmo lugar e para o mesmo público ávido por uma mensagem de ‘poder e unção’, profetizava “prosperidade” (Jr 28.9, NVI), ou “paz” (NTLH e ARA), ou “felicidade” (Bíblia de Jerusalém). O reino de Deus não coaduna riquezas materiais com ministério pastoral. O pastor deve ser conhecido e reconhecido pela sua simplicidade de vida, pelo amor ao próximo, por sua paixão em anunciar o evangelho, e não pelo tamanho de sua igreja, pelo tamanho da platéia, pelos anéis, títulos, fama ou pela quantidade de letras que aparecem antes do seu nome. O pastor que ensina qualquer forma de prosperidade financeira e material como sinônimo de benção não passa de lobo e sua mensagem é mentirosa. Todo verdadeiro profeta, por uma questão de compromisso, quase sempre diz o que não agrada. Mas sempre diz a verdade! Existem falsos profetas, bem como profetas verdadeiros, precisamos distinguir entre eles. Não é por milagres e curas, o adversário também pode realizar milagres. A questão é: qual é a fonte da inspiração do profeta. Devemos confrontar a profecia com os princípios bíblicos, se houver divergência, a profecia é falsa. “Conheçamos, {e} prossigamos em conhecer ao Senhor: como a alva será a sua saída: e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Os 6.3-ARC). Nossa igreja ainda tem líderes parecidos com Cristo, que têm a mente de Cristo e que anseiam em levar as ovelhas que o Pai lhes confiou aos pastos verdejantes e às fontes de água viva.

N’Ele, para que a prova da nossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1.7),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

 

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

- Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD;

- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB;

- Bíblia de Estudo de Dake, CPAD;

- Blog Teologia e Graça (http://teologiaegraca.blogspot.com/2010/07/profetismo-e-profetas-biblicos.html)

- http://www.slideshare.net/gotchalk/profetismo;

- Imagem: (Profeta Isaías).

 

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. Quem deu início ao ministério profético?

R. Moisés.

2. . Qual o significado de profeta?

R. “Porta-voz” ou “embaixador” de Deus, que fala em nome dEle.

3. Explique os dois sentidos da palavra vidente.

R. Ver com os olhos físicos e ver instrospectivamente, ou seja, ver com o espírito, por isso, o profeta é chamado de “homem de espírito”.

4. Quem presidia a congregação de profetas em Naiote?

R. Samuel.

5. Qual a classificação dos profetas do Antigo Testamento?

R. São categorizados em clássicos, ou profetas escritores, e não-escritores ou orais.

 

BOA AULA!

19 de junho de 2010

LIÇÃO 13 - ESPERANÇA NA LAMENTAÇÃO


Este comentário adicional segue os tópicos e subtópicos da revista de Lições Bíblicas da CPAD (http://www.cpad.com.br). AUTORIZO a divulgação, desde que citada a fonte e o autor.



27 DE JUNHO DE 2010

TEXTO ÁUREO

“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm 3.22).

- A misericórdia divina trouxe a esperança do profeta de volta. Em hebraico – hesed: concerto de amor ou amor imutável - está ligado à compaixão, verdade, bondade e fidelidade. A fidelidade é um compromisso do Senhor, sendo tão certa quanto o raiar de um novo dia (Sl 89.2, 5). A forma plural usada nesta passagem reforça muitos atos ou, talvez, as riquezas do amor divino. Podemos ser decepcionados por todos e talvez não respondam às nossas expectativas, porém, Deus será sempre fiel em seus propósitos.

VERDADE PRÁTICA

Por serem trabalhosos estes últimos dias, a presente hora é de contrição e súplicas diante do Senhor. Que Ele nos ouça o clamor e avive-nos espiritualmente, enquanto ainda há esperança.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Lamentações 1.1-5,12

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

- Definir tema, local, data, importância e propósito das Lamentações de Jeremias;

- Comparar o lamento de Jeremias ao de Cristo, e

- Explicar o porquê da necessidade de se lamentar diante de Deus.

PALAVRA-CHAVE

Lamentação

1. Queixa dorida; 2. Canto triste; elegia.

Lamentar: - 1. Ter pena de (alguém); 2. Manifestar sentimento por; 3. Queixar-se, lastimar-se.

Queixa acompanhada de gemidos, gritos e choros.

COMENTÁRIO

(I. INTRODUÇÃO)

Chegamos ao fim de mais um trimestre abençoado, reavivando leituras que muitas vezes relegamos a segundo plano. Aprendemos com Jeremias como deve portar-se um(a) homem/mulher de Deus. Finalizamos com o estudo das Lamentações (Os judeus o chamavam איכה: Eikha, que significa “Como!”, a primeira palavra do livro. Essa palavra era comumente usada para significar “Ai!”. Alguns se referiram ao livro como “Qinot” ou “Lamentações”). Era originalmente parte do Livro de Jeremias. Foi separado porque era lido em uma das festas de Israel e incluído nos Cinco Megilloth (os outros eram Cânticos, Rute, Eclesiastes e Ester). Lamentações é uma elegia(1) de cinco poemas escrita no antigo ritmo e estilo das canções fúnebres israelitas, onde o profeta derrama-se em dor, agonia e em angústia. É lido cada ano na Tisha B’av (2), um jejum que relembra a destruição do Templo de Jerusalém em 586 a.C. Num dos textos bíblicos de Lamentações, o profeta menciona que o fato de lembrar-se das misericórdias do Senhor lhe trazia esperança (Lm 3.21-23). O livro de Lamentações expressa a completa confiança de Jeremias em Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão daquele que criou todas as coisas. Lamentações deve inspirar em todos os verdadeiros adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo aviso temível concernente àqueles que desconsideram o maior dos nomes e o que este representa. Não há registro na história de outra cidade arruinada que tenha sido lamentada em tal linguagem patética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes, obstinados e impenitentes. Com este tema, o comentarista da lição nos convida a refletirmos acerca das inúmeras bênçãos (reflexo da misericórdia divina) que o Senhor tem-nos concedido ao longo de nossa caminhada com Cristo! Não somos incólumes às desgraças que sobrevêm à humanidade, mas não obstante isso, temos uma âncora firme: as promessas de Deus que nos garantem esperança contra toda a esperança!

“Somente Deus pode nos libertar do pecado. Sem o Senhor, não há conforto ou esperança para o futuro. Por causa da morte de Cristo em nosso lugar e de sua promessa de retorno, temos a esperança viva de um maravilhoso amanhã”. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal REFLEXÃO

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. O QUE SÃO AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

1. As Lamentações na Bíblia Hebraica. Originalmente o livro não tinha título, sendo que a Bíblia Hebraica coloca a primeira linha do livro no Título, o lamento característico “Oh ,como!” (ekah), como título. Mais tarde os rabinos mudaram o título para Qinoth, uma palavra que aparece em Jeremias 7.29 com o significado de “alto choro”. Na Septuaginta os tradutores deram ao livro o título grego de Threnoi, significando Lamentos sendo que na Vulgata (tradução em Latim) isso foi expandido para “São as Lamentações do profeta Jeremias”. Tradicionalmente o livro é colocado nas nossas Bíblias seguindo o título da Septuaginta muitas vezes com o acréscimo: “de Jeremias”. A Bíblia hebraica é dividida em três partes: A Lei (Torah), Os profetas (Neviim), e Os Escritos/Hagiographia (Kethubim). O livro de Lamentações é colocado nessa terceira divisão, depois de Rute e antes de Eclesiastes. A sua posição deriva-se do fato dele estar entre os livros que eram lidos nas festas dos judeus. Em grego, este é o título das Lamentações: threnoi, que carrega este significado: chorar em alta voz. Ao traduzir a porção sagrada ao latim, Jerônimo deu-lhe este título: Liber Threnorum - Livro das Lamentações. O livro de Lamentações, nas nossas Bíblias em português, poderia ser considerado um “estranho no ninho”, pois apesar de estar incluído entre os livros proféticos, Lamentações é na realidade um livro poético. Estruturalmente o livro consiste de 5 lamentações equivalentes aos capítulos nas nossas Bíblias.

2. Tema e Data. Como toda a poesia bíblica o livro de Lamentações não busca ser apenas uma obra artística, mas ser uma forma do poeta expressar a sua mensagem. O tema básico do livro é a destruição da cidade de Jerusalém pelo exército babilônico. Tal fato é evidenciado pelo começo do livro: “Como está abandonada Jerusalém, a cidade que antes vivia cheia de gente!” (Lm1.1) e pelo início da segunda lamentação: “Quando ficou irado, O Senhor cobriu Jerusalém de escuridão. Ele transformou num monte de ruínas a cidade de Jerusalém, que parecia um céu e que era o orgulho do povo de Israel. No dia da sua ira, Deus abandonou até o seu próprio Templo” (Lm 2.1). Tais passagens mostram que a base do trabalho do poeta estava na sua observação da destruição de Jerusalém. Mas a análise do poeta não está centralizada no império humano que promoveu a destruição, nem mesmo citando os nomes de Nabucodonozor ou dos babilônios na sua obra, mas sim na soberania de Deus manifestada na queda da nação. Para o poeta a destruição da nação veio por obra das mãos de Deus como mostram os seguintes versículos: “Lá de cima Deus enviou um fogo que queima dentro de mim, Ele me armou uma armadilha e me jogou no chão. Depois me abandonou num sofrimento que não tem mais fim” (Lm 1.13); “O Deus Eterno descarregou o seu furor, derramou o ardor da sua ira. Ele pôs fogo em Jerusalém e a arrasou até o chão” (Lm 4.12). Tanto conservadores quanto liberais concordam que Lamentações fora escrito logo depois da destruição de Jerusalém. A razão básica para isso é que o conteúdo do livro, descrevendo a destruição de Jerusalém e a trágica situação do povo, exigindo que ele tenha sido escrito, e completo, antes da conquista da Babilônia pelo Império Persa e o édito de Ciro permitindo a volta dos exilados em aproximadamente 538 a.C. Portanto a data de composição do livro de Lamentações seria entre 587 a.C e 538 a.C.

3. O propósito das Lamentações. O objetivo primordial é deixar claro para Israel as conseqüências do pecado e da apostasia; revelar-lhes o seu próprio futuro no plano de Deus para o homem e enfatizar o fato de que o destino de cada homem está determinado por sua conformidade ou falta de conformidade com Deus e com o plano divino. (Bíblia de Estudo DAKE, CPAD, p. 1215).

4. A importância das Lamentações. As Lamentações de Jeremias era lido em público no nono dia do mês Abe (quinto mês do calendário hebraico equivalente ao nosso mês de julho) durante as comemorações da destruição do Templo de Jerusalém.

5. As Lamentações no Novo Testamento. Este livro mostra quão fracas as pessoas se tornam quando estão sob a Lei e quão incapazes elas são de servir a Deus com suas próprias forças. Isso as leva até Cristo (Rm 8.3). Até mesmo nestes poemas, porém, lampejos de Cristo brilham. Ele é a nossa esperança (3.21, 24 e 29); é a manifestação da misericórdia e da compaixão de Deus (3.22, 23, 32); é a nossa redenção e justificação (3. 58, 59). As lamentações de Jeremias refletem a tristeza do profeta em relação à situação espiritual, moral e física do povo de Israel SINOPSE DO TÓPICO (1)

II. O HOMEM QUE VIU TODAS AS DORES DE JERUSALÉM

Nebuzaradam seguindo ordens expressas de Nabucodonosor, ao encontrar o profeta, oferece-lhe a regalia de poder escolher para onde ir: para a Babilônia onde desfrutaria de poder, honrarias e conforto; ou permanecer em Judá, onde só acharia sofrimento e continuaria pobre e rejeitado. Certamente temeu ser tido pelos exilados judeus como traidor. Em Judá ele permaneceria pobre e rejeitado mas o remanescente do povo saberia que ele não era um traidor: Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” (Hb 11.25,26).

1. Homem de dores. Ao lado de Israel, Jeremias vê-se como enfermo e ferido, morto e enterrado, um prisioneiro, torturado, um viajante fazendo progresso vagaroso, atacado por animais selvagens, um alvo para flechas, um objeto de escárnio, tendo de comer alimento amargo e contaminado: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3.1).

2. A lamentação das lamentações. O terceiro poema, de 66 versículos, frisa a esperança de Sião na misericórdia de Deus. Mediante muitas metáforas, o profeta mostra que foi Deus quem trouxe o cativeiro e a desolação. Na amargura da situação, o escritor pede a Deus que se lembre de sua aflição, e expressa fé na benevolência e nas misericórdias de YAHWEH. Três versículos sucessivos usam no início o termo “bom”, e mostram que é apropriado esperar a salvação da parte do Senhor (3.25-27). O profeta ancorou sua esperança em: Deus causou o pesar, mas mostrará também misericórdia. Mas não houve arrependimento do seu povo; foram feitos em “mero rebotalho e refugo” (3.45). Em lágrimas amargas, o profeta relembra que seus inimigos estavam à caça dele como atrás de um pássaro. Entretanto, Deus aproximou-se dele no poço e lhe disse: “Não tenhas medo.” O profeta invoca a Deus para que responda ao vitupério do inimigo: “Perseguirás em ira e os aniquilarás de debaixo dos céus do Senor Deus.” (3.57, 66). “Como fica fosco o ouro reluzente, o ouro bom!” (4.1) “Desviou os meus caminhos e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha” (Lm 3.11,12). Mas, apesar de tudo, sabia ele que as misericórdias do Senhor são infinitas. Se Deus nos fere, nos ungirá também as feridas. O profeta Jeremias é considerado um homem de dores, que se compadece do sofrimento de seu povo. SINOPSE DO TÓPICO (2)

III. POR QUE É PRECISO LAMENTAR

O que lhe sustentou à noite? O que lhe fará passar por este dia? O que lhe capacitará a atingir alvos e até mesmo ser bem sucedido nos dias à frente? As misericórdias do SENHOR. Jeremias confiava na misericórdia divina: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22,23); “Converte-nos, SENHOR, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes. Por que nos rejeitarias totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?” (Lm 5.20,21). Muitos personagens bíblicos optaram por sacrificar suas próprias vontades, conforto e até mesmo a vida em prol do povo de Deus. SINOPSE DO TÓPICO (2)

(III. CONCLUSÃO)

Deus é sempre misericordioso para com os que O buscam, põem nEle a sua esperança e nEle aguardam. Nós não somos consumidos porque a compaixão (termo que sugere uma profunda emoção) do Senhor não se esgota. No auge de sua dor, Jeremias inesperadamente transforma a rejeição em confiança, com base no conhecimento do caráter de Deus e em suas misericórdias passadas, e agora, aquelas lembranças que antes desencorajavam, passam a encorajá-lo. O livro de Lamentações conserva a angústia sentida pelos judeus do cativeiro babilônico, enquanto recordavam seu passado irrecuperável. Jerusalém fora destruída. Essa destruição foi tão intensa que nenhum traço do Templo original de Salomão, ou das poderosas muralhas da cidade real, têm sido encontrados por arqueólogos modernos. Lendo o livro, experimentamos uma sensação esmagadora de desespero que pode envolver pessoas e até mesmo comunidades inteiras. “O sofrimento extenuante do povo de Jerusalém, durante o estado de sítio, levou algumas das 'mulheres outrora compassivas' a devorarem seus próprios filhos em práticas canibalescas! Como a capacidade medonha de cada ser humano para pecar foi revelada nos últimos momentos dessa cidade!” (RICHARDS, LAWRENCE O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p. 482). “É de fato terrível se cedermos nossa natureza ao pecado. Pode acontecer de olharmos para trás, para as oportunidades perdidas, e compreendermos que a aflição que suportamos agora é conseqüência de nosso próprio anseio crônico pelo pecado. Como se não bastasse, a leitura do livro de Lamentações nos faz lembrar que os prazeres do pecado são o que há de mais vantajoso momentaneamente, porém, suas conseqüências dolorosas são permanentes e profundas” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.479).

(1). Elegia: - (latim elegia); s. f. Poema sobre assunto triste ou lutuoso; Poema constituído por hexâmetros e pentâmetros alternados. Fig. Jeremiada, lamentação.

(2). Tisha BeAv'' é o jejum e dia de luto que comemora dois dos mais trágicos eventos da História Judaica que ocorreram no dia 9 do mês de Av — a destruição pelos babilónicos, no ano 586 antes daEra Comum, do Templo de Salomão, ou Primeiro Templo de Jerusalém, e a destruição do Segundo Templo, no ano 70 da nossa era, pelos Romanos. Outras calamidades na História Judaica também tiveram lugar em Tisha BeAv, incluindo o édito do rei Eduardo I, que forçava os judeus a deixar a Inglaterra em 1290, e o Decreto de Alhambra, ou Édito de Expulsão dos Judeus de Espanha, pelos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1492. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tishá_BeAv)

APLICAÇÃO PESSOAL

Apenas um amontoado improdutivo marcava o local que fora a última visão daqueles arrastados em cadeias para uma terra estranha... Os cinco acrósticos das elegias revelam profundo sentimento de remorso. O povo entende que perdera sua terra natal em decorrência do pecado de Judá. A angústia é acompanhada do fato de que até agora os cativos têm sido incapazes de recobrar a visão perdida de um futuro brilhante para sua raça. Deus tem um compromisso com uma moralidade que não pode ser abandonada pelo seu povo. Lamentações desvenda as profundezas da desgraça humana, não sob o ponto de vista pessoal, mas, na perspectiva de uma nação que caiu e chorou de remorso. Temos nessa pequena jóia uma grande lição para nós hoje: o melhor caminho para sobreviver à dor e aflição é colocá-las aos cuidados do Senhor. O Calvário e a ressurreição nos redimiu, não estamos sujeitos à punição retributiva por pecados cometidos: Cristo nos resgatou sofrendo em nosso lugar. Mas Deus freqüentemente permite que passemos por momentos difíceis para nos disciplinar (Hb 12.3-17). Através do sofrimento aprendemos a obediência e nos tornamos mais fortes em nossa fé. Viver por fé é a chamada para nós. A fé escolhe crer na Palavra de Deus acima da evidencia dos sentidos, sabendo que as circunstancias naturais devem ser mantidas sujeitas à Palavra de Deus. A fé não está negando as circunstancias; pelo contrário, está crendo no testemunho de Deus e vivendo em concordância com o mesmo. Dependemos inteiramente do Senhor para caminharmos bem a carreira nos foi proposta. Carecemos de experiência com Deus, que nos dê força e coragem para suportarmos as dificuldades da caminhada, mas precisamos acima de tudo, aprendermos a depender unicamente da graça e poder divinos.

O homem é um ser que pensa cuja principal característica é a racionalidade. É o uso da razão – ou a possibilidade – que nos distingue dos demais seres viventes – ou que deveria distinguir. Essa possibilidade que nos coloca diante da realidade do mundo, enfrentando-o, transformando-o, vivendo-o, enquanto que os demais seres estão apenas imersos nesse mesmo mundo, sem, no entanto, interagir com ele. O uso da razão nos leva a refletir, a pensar – por na balança para avaliar o peso de alguma coisa – a avaliar para descobrir o peso dos fatos, da realidade. No uso dessa característica, muitos pensadores chegaram a conclusões impressionantes acerca das maiores indagações da humanidade. Pesando os fatos, a realidade das coisas, os pré-socráticos chegaram à brilhante conclusão de que a ‘arché’ (princípio) de todas as coisas é o Logos. A existência do homem é radicalmente diferente da dos animais. Os animais são levados pela vida, pelo instinto, e não lhes é problema viver, já que nascem plenamente constituídos, isto é, eles não podem ser melhores do que já são – evolucionistas me perdoem. O homem não nasce assim, pronto, pleno. É dada a oportunidade da evolução, do aperfeiçoamento de suas potencialidades. O homem é um ser que nasce projeto! Projeto pessoal, intransferível, de aperfeiçoamento das capacidades e potencialidades, num processo de construção da própria vida, que deve ser assumido, alimentado, repensado, desenvolvido até o nível de varão perfeito, à medida da estatura do Logos. Se isto não ocorrer, o homem deixa de viver e passa a estar imerso no mundo, vegetando, como aqueles seres coadjuvantes. No dizer de Paulo, ‘conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude – pleroma: número completo, complemento total, medida completa, abundancia, plenitude, o que foi completado - de Deus’ (Ef 3.19). Conhecer o amor de Deus é a essência da maior plenitude e a chave para o crescimento maduro, estável e íntegro.

N’Ele, para que a prova da nossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1.7),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

- Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD;

- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, PC Hb 11.26; p. 1293

- Bíblia de Estudo de Genebra, ECC/SBB;

- Blog O Gideão: http://ogideao.blogspot.com/2009_01_01_archive.html;

- Imagem: (Muro das Lamentações).

EXERCÍCIOS

RESPONDA

1. O que são as lamentações de Jeremias?

R. O canto plangente de Jeremias em favor do seu povo.

2. . Por que ele as escreveu?

R. Para chorar e lastimar a queda da monarquia da Casa de Davi; a destruição de Jerusalém e a deportação dos judeus para a Babilônia.

3. Por que é preciso lamentar?

R. Precisamos lamentar pelo povo de Deus e por nossa família, pois estamos vivendo tempos difíceis.

4. O que é o fator misericórdia?

R. O mesmo Deus que fere, também unge as feridas.

5. Que lição podemos tirar das Lamentações de Jeremias?

R. Resposta pessoal.

BOA AULA!